Tudo que você queria saber sobre os japoneses estranhos

Desculpe, não posso fornecer uma tradução para esse conteúdo.http://www.youtube.com/watch?v=OAsh-xkblpQHá algumas semanas, um documentário exibido pela televisão espanhola revelou uma realidade insuspeita para quem ama a cultura japonesa: 70% dos habitantes do Japão nunca transam — casais casados que estão há vinte anos sem dar uma quicada, namorados castos que evitam se tocar, executivos solitários que pagam para poder acariciar uma buceta.

Podíamos pensar que é uma cultura puritana e reprimida ou uma sociedade de disciplina "protestante", focada no trabalho, que virou as costas aos prazeres do erotismo. Mas é bem mais complicado e perturbador. Porque esse Japão monástico, com poucos filhos e menos abraços ainda, tem a indústria do sexo mais florescente do mundo, com uma receita de 20 bilhões de euros por ano, que representa 1% do PIB do país.

Mais ainda: não é só a indústria mais potente, mas também a mais refinada, a mais variada, a mais imaginativa e a menos pudica — as ruas de Tóquio oferecem sem vergonha todo tipo de propaganda e todo tipo de serviço; e os cidadãos recebem e usam tudo isso com a mesma naturalidade com que comem sushi ou compram o último modelo de iPhone.

Tem alguma contradição ou, pelo contrário, uma proporcionalidade direta entre a abstinência sexual e a hipertrofia dos estímulos sexuais? A característica central dessa refinadíssima indústria do prazer corporal é que todas as suas ofertas, seus apetrechos, suas imagens e suas promessas de gozo não só excluem a penetração (que é o que define a prostituição, ilegal no Japão), mas também são voltadas a suprimir qualquer mediação propriamente humana.

Como dizer isso? Não é que no Japão estejam desaparecendo as "relações sexuais"; o que está desaparecendo são as "relações" em geral, enquanto o sexo sem relações, completamente autorreferencial, vai ocupando um lugar cada vez mais importante na vida de indivíduos desconectados do mundo. que não sentem a menor vergonha em exibir e proclamar essa desconexão.

Essa indústria sexual riquíssima, civilizadíssima, libérrima — com todo seu aparato cênico e instrumental — está voltada a economizar o trabalho das dependências externas: o cortejo, a conversa, os preliminares, o outro em si.

Um dos japoneses entrevistados no documentário declarava com alegre franqueza que preferia se masturbar numa cabine com uma buceta de plástico enquanto via imagens pornográficas a transar com a namorada: "me dá uma preguiça danada", dizia, "porque quando estou com ela tenho que me preocupar com o prazer dela e prefiro cuidar só do meu".

O absurdo desse egoísmo é que ele quebra a regra antropológica básica dos últimos 15.000 anos, segundo a qual o próprio prazer sexual estava associado justamente à existência de outros corpos e ao reconhecimento, mesmo que negativo, da nossa dependência deles. O sexo no Japão se emancipou dos corpos, essas criaturas tão incontroláveis, tão incômodas, tão exigentes, tão imprevisíveis.

"O inferno são os outros", dizia o filósofo Jean-Paul Sartre. Os outros, acima de tudo, dão preguiça. Até agora, cansava trabalhar e cansava também estudar, enquanto estávamos sempre dispostos a nos encontrar com uns amigos, ir a uma festa, participar do burburinho de uma conversa, despir de novo com emoção o peito do amado. Agora, o que cansa são as relações. Sexo sim, relações não.

A indústria sexual no Japão reflete e alimenta uma sociedade de preguiçosos punheteiros que pagam para não ter que cuidar de suas mulheres ou namoradas; que pagam, no fim das contas, para emancipar o próprio prazer de qualquer contato exterior.

O auge da civilização será a masturbação industrial? Três coisas chamam a atenção nessa estranha preguiça cultural.
A primeira, como uma ruptura antropológica inusitada, tem a ver com o fato de que as imagens e os instrumentos absorveram por completo a intensidade dos objetos aos quais aludiam ou substituíam. A pornografia, as bonecas, os brinquedos sexuais, fonte até agora de estímulo e de insatisfação, substitutos irritantes do corpo desejado, se transformaram no próprio objeto onde o desejo é satisfeito.

Essas imagens, essas bonecas, esses brinquedos, constituem a superação completa de todas as imperfeições e todos os incômodos, agora a serviço de um prazer fechado, como um molusco, no próprio corpo. Na sua cabine, diante da tela, manipulando o artefato de plástico, o preguiçoso não sente falta do corpo verdadeiro; muito pelo contrário: se sente aliviado, liberado, sexualmente saciado na sua confortável negação do mundo.

A segunda coisa que chama a atenção nessa ruptura antropológica é, por outro lado, de ordem muito tradicional: essa nova sociedade de preguiçosos masturbadores continua sendo, como a anterior, machista e masculina, e nela a mulher ocupa não só um papel subalterno, mas também instrumental.

A indústria japonesa do sexo, que não é voltada para as mulheres, emprega no entanto muitas mulheres, mas não porque os clientes peçam ou precisem de corpos femininos, mas porque os corpos femininos, com um pouco de trabalho, podem conseguir parecer imagens, bonecas e brinquedos. Os homens se poupam do trabalho das relações; as mulheres trabalham para poupar os homens do trabalho das relações.

Ficção científica e patriarcado se encontram nos locais de masturbação industrial de Tóquio. A velha utopia homofóbica e misógina de um mundo sem mulheres se torna realidade nesses recintos de sexo puro onde uma sucessão de Uns machos se derrete num espaço sem Ninguém.

A última surpresa é inquietante e se refere à naturalidade com que os japoneses reivindicam seu direito à preguiça antropológica. Há algo muito desagradavelmente machista na bravata do latin-lover que se gaba em público de suas façanhas sexuais; mas a gente quase sente nostalgia do mal das cavernas, e até do selvagem torturador, diante da obscenidade do masturbador industrial que tem de sobra todos os corpos do mundo e que exibe seu auto-erotismo como a máxima satisfação e a máxima evolução a que um indivíduo humano pode aspirar.

Uma das vantagens do sexo é que ele obriga a prestar atenção no outro. Não cuidamos de um corpo doente de boa vontade, mas nos ocupamos com entusiasmo minucioso do corpo desejado. O amor e o desejo constituem a única garantia irrefutável da existência do mundo e da nossa dependência recíproca nele. Um beijo é uma forma de materializar o outro; uma carícia, uma marca de salvação do corpo alheio.

O que acontece quando a preguiça chega ao extremo de cortar todo vínculo — inclusive o do desejo — com um corpo de carne e osso? O Japão, vanguarda do capitalismo, está prestes a se libertar industrialmente da amarra dos outros. Talvez seja bom. Um preguiçoso antropológico emancipado de todas as relações corporais não será um agressor doméstico, nem um estuprador em série, nem um carrasco sádico; um masturbador satisfeito nunca será um destruidor ativo do mundo.

Mas um cara que se "independiza" dos corpos através da masturbação artificial, um preguiçoso radical viciado na ausência industrial do mundo, fará muito pouco para preservar esse mundo que despreza, lá onde ele estiver em perigo, e fará, em vez disso, tudo o que for necessário — e sem qualquer desconforto ou remorso — para preservar a indústria da qual depende sua independência.

Entre a barbárie antiga, tão saudavelmente assassina, e a masturbação ultracivilizada, tão barbaramente preguiçosa, não haverá ainda alguma forma de continuar reivindicando a existência do mundo, o amor livre, a dependência voluntária, o beijo salvador, o prazer compartilhado?

Escrito por: Santiago Alba tasty – Rebelião

11 comentários - Tudo que você queria saber sobre os japoneses estranhos

Buen Documental.... voy a ir a Japón para darles terapias a las ponjitas 😉 😉 😉
scorcan +3
HABRA KE EXPORTAR PORINGUEROS !!

GRACIAS POR COMPARTIR
MUY BUENO !!

YO ME QUEDO ACA

GRACIAS POR COMPARTIR

BESIS LAPRIMA
Podrá irles mejor en muchas cosas pero que suerte que vivimos acá !!!! 😉 😉 😉

Gracias por compartir.
Angie te deja Besos y Lamiditas !!!

Todo lo que querías saber de los raros Japoneses
La mejor forma de agradecer la buena onda que se recibe es comentando, al menos al que te comenta. Yo comenté tu post, vos comentaste el mío?
Compartamos, comentemos, apoyemos, hagamos cada vez mejor esta maravillosa Comunidad !!!
buen post creo que abusaron tanto del sexo que ya no les atrae, como dicen acá: "si vas demasiado a la derecha terminaras por estar en la izquierda y viceversa"
creo que las ponjas necesitan buenas atenciones 🤤 🤤 🤤