Oi, me chamo Amanda, tenho 26 anos e sou advogada. Tenho 1,70m, cabelo comprido e curvas generosas: peitões avantajados, rabo firme. Não falo isso por vaidade; é algo que ouvi a vida inteira.
Moro com meu marido, Marcos, engenheiro da computação. Pra ser sincera, ainda não entendo direito o que ele faz. A gente se conheceu na faculdade, casamos jovens, convencidos de que éramos um pro outro. Somos felizes, até onde dá. Bom emprego, estabilidade, uma casa bonita do lado da casa dos pais dele. Eles compraram esse imóvel como investimento e, quando a gente ficou noivo, alugaram pra gente. Moramos aqui desde antes do casamento.
Mas nem tudo é perfeito. Faz dois anos que os pais dele se divorciaram. Abigail, a mãe dele, sempre foi uma mulher gentil e doce. Felipe, o pai… é mal-humorado, crítico e, sinceramente, insuportável. Ela se mudou pra longe e agora parece mais feliz. Ele ficou sozinho, sem amigos, praticamente apodrecendo na casa dele. Eu faço de tudo pra evitar ele. Ele critica as mulheres modernas: nossas carreiras, nossa independência, nossas opiniões. Só dou um "oi" educado e passo reto. Mas Marcos insiste em convidar ele pra jantar de vez em quando. Diz que a solidão deixou ele amargo. Eu apoio, embora cada encontro me confirme que quero manter a maior distância possível.
Enquanto isso, a gente enfrenta algo mais sério. Queremos formar uma família. Já faz mais de um ano que estamos tentando. Mês após mês: um novo teste de gravidez e um novo resultado negativo. A esperança que a gente tinha tá se transformando numa sombra silenciosa que ameaça se instalar no nosso casamento.
Uma tarde, decidimos consultar o médico. A doutora disse que faria uns exames simples em nós dois. Uns dias depois, chamou a gente de novo pra dar os resultados. E foram más notícias.
— Marcos tem uma contagem de espermatozoides extremamente baixa — explicou com um tom sério —. As chances de vocês conceberem naturalmente são de 1% comparado a um casal normal.
A boa notícia era que meu sistema reprodutivo estava saudável. Se a gente tentasse outro método, eu poderia engravidar e ter um bebê saudável.
O problema é que as opções Eram muito caras. A fertilização in vitro, centrifugar o esperma do Marcos e colocar num dos meus óvulos, custava uma fortuna e nem sequer tinha garantia de sucesso. A gente ia acabar endividada, talvez sem resultado. Também consideramos a doação de esperma. A gente tinha uma consulta marcada pra semana seguinte, mesmo que fosse sair bem caro também.
Dois dias depois, enquanto eu guardava umas coisas no carro antes de ir pro trabalho, o Felipe me chamou lá da garagem dele. Acenou com a mão, fazendo sinal como se quisesse falar comigo.
Suspirei. Eram 8:30 da manhã. A única coisa que eu queria era entrar no carro, botar uma música e vazar pro escritório. Mas lá estava eu: maleta do notebook na mão, vestida com um terno de saia elegante, salto alto e o cabelo preso. E eu sabia muito bem que o Felipe odiava que mulheres como eu tivessem "trabalhos de escritório chiques", usassem blazer, saia justa e salto, e ainda por cima tivessem carreira profissional.
Me perguntei do que ele queria falar agora. E enquanto ele começava sua caminhada lenta até meu carro, eu já temia até a conversa mais curta. Felipe parou na minha frente, a meio metro de distância. Os olhos cinzas dele me percorreram de cima a baixo, algo que ele sempre fazia, mas dessa vez com uma lentidão que me deixou desconfortável.
—Marcos me contou sobre o médico, os exames e tudo mais —disse ele, com uma voz grave que não costumava usar—. Lamento ouvir isso. Vocês dois sabem que são minha única esperança de ter netos um dia.
Pisquei. Minha mão ainda segurava a maçaneta da porta do carro.
—Ele... te contou o quê? —respondi, forçando um sorriso que não sentia.
—Sim, ele comentou que vocês estavam tendo problemas e a gente conversou sobre isso —continuou, dando de ombros—. Falei que faria qualquer coisa pra ajudar vocês. Entendo que não sou a pessoa favorita de ninguém, nem nunca fui, mas nessa situação quero estar presente pra vocês. Depois de falar com o Marcos, podem me avisar se precisarem da minha ajuda.
Fiquei sem reação por uns segundos. Aquela era a conversa mais longa e cordial que a gente tinha tido em anos.
—Bom, obrigada, Felipe. Agradeço muito sua oferta, embora me surpreenda um pouco, já que a gente não se dá muito bem —falei, com cuidado—. Mas não quero que pense que te odeio nem nada do tipo; só somos pessoas muito diferentes que veem o mundo de jeitos distintos. De qualquer forma, agradeço sua ajuda com isso. Tomara que isso nos aproxime mais, o que seria ótimo.
Felipe assentiu com uma lentidão quase teatral.
—Sim, acho que sem dúvida vamos nos unir mais durante esse tempo, Amanda —disse ele, e a voz ficou mais suave—. E espero que você e eu tenhamos uma relação totalmente diferente quando tudo acabar. Seria bom pra mim também, já que hoje em dia quase sempre estou sozinho. Seria legal ter alguém pra conversar e passar o tempo no futuro.
Ele fez uma pausa, e os olhos dele pousaram no meu peito por um instante antes de voltarem ao meu rosto.
—E embora eu tenha certeza de que que não sou seu tipo —completou, quase num sussurro—, quero que saiba que sempre valorizei o quanto você me faz feliz e o quão gentil e gostosa você é sempre que te vejo.
Fiquei sem ar. Minhas bochechas esquentaram. Não esperava isso dele, ainda mais depois de anos de críticas e desaforos.
— Ah… ah, sabe de uma coisa, Felipe? —consegui falar, com uma risadinha nervosa—. Provavelmente é a coisa mais bonita que você já me disse. Viu? Já estamos nos entendendo melhor só com essa conversa.
Ele soltou uma gargalhada, baixa e rouca.
— Bom, Amanda, caramba —disse, balançando a cabeça—. Talvez eu devesse ter dito que você é uma gostosa há muito tempo.
A risada dele fez eu soltar a minha, embora eu a sentisse estranha, como um eco que não se encaixava direito. Baixei o olhar e ajustei a bolsa contra o peito, procurando algo pra fazer com as mãos.
— Bom, já vou, que tô atrasada —falei, e abri a porta do carro.
Ele deu um passo pra trás, com as mãos nos bolsos, e assentiu.
— Se cuida, Amanda.
Fechei a porta e liguei o motor. Meus dedos tremiam levemente enquanto ajustava o retrovisor. Vi o reflexo dele pelo espelho: ainda estava lá, me vendo ir embora.
Assim que saí da entrada, peguei o telefone e disquei o número do Marcos. Ele atendeu no segundo toque.
— Que porra é essa, Marcos? —despejei, sem nem cumprimentar—. Você contou pro seu pai? Ele me deixou de boca aberta com uma conversa na entrada de casa e não sei o que pensar. Por que não falou comigo primeiro?
— Desculpa, Amanda —disse Marcos, com a voz apressada—. Olha, amor, surgiu numa conversa ontem. E hoje de manhã ele me ligou e pediu pra eu ir falar com ele. Fui na casa dele, ele me sentou e disse que queria me ajudar. Que tinha pensado no assunto e que tinha uma ideia de como eu podia fazer.
Apertei o volante. Minha mente ainda rodava com o elogio do Felipe na entrada.
— Bom, essa parte são ótimas notícias —falei, tentando me acalmar—. Então, isso significa que ele vai nos ajudar dando dinheiro pro procedimento?
Ficou um silêncio do outro lado. Longo demais.
—Bom… não. Não exatamente — respondeu Marcos, com um tom que não me agradou—. O procedimento ainda é muito caro. E papai me disse que tem muitos outros gastos que vamos ter que nos preocupar depois que tivermos um bebê. Custam uma grana preta. Então, por que gastar tudo isso no procedimento quando tem um jeito mais fácil de fazer sem gastar tanto?
Pisquei. Uma sensação estranha começou a se formar no fundo do meu estômago.
—O que você quer dizer com "outro jeito"? — perguntei, com a voz mais tensa do que eu queria—. Do que vocês dois estavam falando?
—Bom… é meu pai — disse Marcos, com uma risadinha nervosa—. Então a gente compartilha praticamente o mesmo DNA. E… bom…
Minha mão apertou o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O estômago deu um nó.
—Você está dizendo o que eu acho que está dizendo? — consegui falar, sentindo náusea.
—Olha, eu também pensei muito — continuou Marcos, com uma voz que tentava soar razoável—. Mas faz sentido, amor. Se a gente usasse aquele procedimento, ia custar uma fortuna. Não teria lógica. Desse jeito ia sair de graça. Além disso, se a gente usasse outro doador, não saberíamos quem é e o bebê não teria parentesco genético comigo. Assim, ele teria parentesco com nós dois e não custaria nada.
Senti o sangue subir pra cabeça. Ou talvez fosse medo. Ou nojo. Não consegui distinguir.
—Mas eu nem consigo imaginar ele enfiando a coisa dele dentro de mim — falei, com a voz trêmula—. É nojento. E não custa dinheiro ele doar e depois enfiarem em mim no consultório do médico?
Marcos gaguejou.
—Bom… amor… é, é… olha, é meu pai. E eu sei que você não gosta dele e que acha nojento — disse, com um tom de súplica—. Mas se a gente usar ele só por 30 segundos pra você engravidar, e a única coisa que você tem que fazer é fechar os olhos e imaginar que sou eu durante um minuto em um quarto escuro… tudo vai ter acabado. Vai ter terminado. Acho que a gente consegue superar isso. Mesmo sabendo que você ia resistir e sentir um nojo danado só de pensar. Mas ia ser bem rápido e, assim que acabar, a gente vai ser feliz.
Fiz uma pausa. Não conseguia acreditar no que tava ouvindo.
— Olha, Marcos — falei, sentindo a garganta fechar —. Vou ter que pensar muito hoje, porque, sinceramente, só de pensar eu tive que parar o carro e senti que ia vomitar. Só de imaginar ele "dentro" de mim, mesmo que seja por um minuto ou trinta segundos, é nojento. Você sabe que eu odeio isso. Odeio tudo o que ele representa. É um velho imbecil nojento.
— Eu sei, amor — ele respondeu, com a voz trêmula —. Mas se você conseguisse se imaginar em outro lugar por um minuto e depois tudo acabasse… Você acha que conseguiria se imaginar fazendo isso desse jeito?
Pensei por um momento. Minha mente se encheu de imagens que eu não queria ter. O corpo velho dele. As mãos dele. O bafo dele.
— Não sei — falei, com a voz fraca —. Não vou ter que olhar pra ele, né? Tipo… eu ia ter pesadelos com a "piroquinha" velha e enrugada dele pelo resto da vida.
Ele soltou uma risadinha nervosa.
— Você não ia querer isso, ia?
A gente riu junto, mas foi uma risada estranha, daquelas de duas pessoas que não sabem se tão brincando ou se tão realmente considerando algo horrível.
— Olha, acabei de chegar no escritório — falei, procurando uma saída —. Deixa eu pensar hoje e a gente conversa quando eu chegar em casa, tá?
Marcos suspirou. Parecia cansado.
— Tá bom, amor. Te amo.
— Também te amo — respondi, e desliguei.
Fiquei uns segundos olhando pro telefone, com o motor ligado e o estacionamento do escritório na minha frente. Meu corpo ainda tremia. E na minha cabeça não parava de repetir a imagem do Felipe, na varanda, com os olhos cinzas dele me varrendo de cima a baixo.
Naquela noite, quando cheguei em casa, a primeira coisa que a gente fez foi sentar pra conversar. Eu tinha ficado remoendo o dia inteiro, e pelo jeito dele… Cara, ele também.
—Começa você — disse Marcos, me estendendo uma taça de vinho tinto.
Aceitei, dei um gole longo e deixei a taça na mesa. Limpei a garganta.
—Beleza. Olha, Marcos — comecei, com a voz firme mas trêmula —. Cada parte da minha mente, corpo e alma rejeita essa ideia por completo. É tão nojento que nem consigo me imaginar fazendo isso. Mas a parte prática do meu cérebro concorda com o que você disse. É de graça. É sua genética. E só me levaria menos de um minuto de pura tortura pensar no pintinho murcho daquele velho.
Marcos sentou devagar, como se as pernas não quisessem sustentá-lo.
—Ah, tá… — disse, com cautela —. Então devo dizer que sim pra ele? E se for assim, quando você acha que a gente devia tentar?
Suspirei. Não acreditava que estávamos tendo essa conversa. Peguei o celular e abri o aplicativo que usava há dois anos pra controlar meus ciclos de ovulação.
—Bom — falei, deslizando a tela —. Quanto mais eu tiver que pensar nisso antes de acabar, mais vou me torturar. Pelo meu app, devo ovular entre quinta e domingo.
Os olhos de Marcos se arregalaram. O rosto dele empalideceu um pouco.
—Essa… essa quinta? — perguntou, com a voz falhando —. Você quer dizer daqui a dois dias?
Assenti, apertando o celular contra o peito.
—Sim. Vamos acabar com isso de uma vez. Mas você tem que deixar bem claro pra ele — falei, levantando um dedo —. Isso não vai ser divertido. Não vou estar feliz. Não vou me vestir gostosa. Vai durar trinta segundos, e é melhor ele estar preparado. E quando acabar, não quero que nenhum de nós dois nunca mais toque nesse assunto. Consegue fazer isso por mim? Consegue falar pra ele?
Fiz uma pausa. Minha voz ficou mais séria.
—Amor, é importante pra mim que a gente tenha essas regras básicas. Porque já é estranho pra caralho e não quero que piore ainda mais com ele sendo o idiota que sempre é.
Marcos assentiu rapidamente. Rápido demais. A mão dele procurou a minha sobre a mesa.
— Sim, querida, vou garantir — disse ele, com um tom que tentava ser tranquilizador —. Vou falar com ele amanhã. Vamos fazer isso ser bem fácil e o menos desagradável possível pra você.
Ele sorriu, mas foi um sorriso forçado, igual de alguém que tá vendendo uma ideia que nem ele mesmo compra direito. Pegou minha mão e apertou de leve.
— Te amo — disse.
— Também te amo — respondi, mas dessa vez as palavras soaram como mentira na minha boca.
Fiquei olhando pra minha taça de vinho, vendo o líquido vermelho balançar devagar. Daqui a dois dias, meu sogro ia estar dentro de mim. E eu ia ter que fechar os olhos e fingir que era meu marido.
Fechei os olhos. Já tava tendo pesadelos.
Na quinta, saí do trabalho mais cedo que o normal. Cheguei em casa às 4:30 da tarde. Precisava me preparar, mesmo sem ter a menor ideia do que significava "se preparar" numa situação tão absurda.
Entrei no chuveiro. A água quente caía na minha pele enquanto eu pensava que, assim que isso acabasse, ia tomar outro banho. Ia me lavar até sentir a pele caindo aos pedaços. Mas logo ia acabar. Fiquei repetindo isso pra mim mesma, sem parar.
Procurei algo adequado pra vestir. Algo pra andar até a casa ao lado. Escolhi uma calça de moletom largada e um moletom folgado. Algo que cobrisse tudo, que não fosse sexy, e que fosse fácil de puxar pra baixo pra ele fazer o que tinha que fazer. Um minuto, talvez menos. Depois eu ia embora, voltava pra casa, tomava outro banho e bebia um monte de vinho.
Saí do quarto vestida assim, com tênis nos pés. Levantei os braços num gesto de resignação.
—Bom, acho que isso vai rolar mesmo —falei, com a voz mais firme do que eu me sentia—. E não vejo a hora de voltar aqui quando acabar e encher a cara com você.
Marcos tentou sorrir, mas foi um sorriso tenso. Notei que as mãos dele tremiam um pouco enquanto as enfiava nos bolsos. Não conseguia acreditar que estava pedindo pra esposa fazer isso. No dia anterior, ele tinha comprado bilhetes de loteria na esperança de ganhar e pagar o procedimento. Mas depois de conferir, soube que não tinha escapatória.
—Tá bom, amor —disse ele, com a voz baixa—. Meu pai conhece todas as regras. Conversei com ele sobre tudo. Ele sabe que isso não vai ser divertido e que você tá bem assustada.
Ele fez uma pausa e deu um passo na minha direção.
—Olha, eu sei que é muito estranho. É estranho pra você e pra mim. Mas tenho certeza que é muito mais estranho pra você —completou, com uma risadinha nervosa—. Te amo e obrigado por fazer isso. Espero que você volte aqui em alguns minutos e que não fique com trauma do que rolar. Só mantém os olhos fechados na hora H e lembra por que a gente tá fazendo isso. Se precisar fingir que sou eu… sabe que eu adoraria.
Fiquei paralisada. Não sabia como dar o primeiro passo pra sair de casa. Meus pés pareciam colados no chão. Então abracei ele com força, apertando ele contra mim. Dei um beijo na bochecha dele e sussurrei:
—Te amo, amor.
E saí.
Caminhei os poucos metros que separavam nossas casas. A grama tava molhada debaixo dos meus tênis. O ar cheirava a terra molhada. Toquei a campainha da porta do Felipe e ouvi passos apressados.
A porta se abriu de uma vez. Felipe apareceu na minha frente, com uma camisa de botão e calça social, como se tivesse se arrumado pra ocasião.
—Olha, o Marcos me explicou todas as regras —disse ele na hora, com uma voz que tentava soar tranquilizadora—. Isso vai ser fácil e você não vai se machucar.
Ele se inclinou e me abraçou. No começo, mantive os braços colados no corpo, dura como uma tábua. Mas aí pensei que talvez fosse melhor conectar com um abraço antes do que vinha. Então passei os braços pelas costas dele e nos abraçamos por uns dez segundos. Foi estranho. Acho que era a primeira vez que abraçava meu sogro. Ele cheirava a colônia barata e suor.
— Tá bem, Amanda — ele disse, me soltando e dando um passo pra trás —. Me segue. Já deixei as coisas mais ou menos prontas no meu quarto.
Não soube como começar a andar. Minhas pernas não obedeciam. Por sorte, Felipe se aproximou, pegou minha mão e me guiou escada acima. A mão dele era áspera, quente. No meio do corredor, ele entrelaçou os dedos nos meus. Senti um arrepio descendo pelas costas. Sabia que era só um prelúdio, um jeito de me aproximar antes do encontro breve, mas íntimo, que estávamos prestes a viver.
Tinha escurecido fazia pouco. Quando entrei no quarto dele, notei que ele tinha puxado o edredom e o lençol de cima pra um lado da cama.
Foi a primeira vez que vi o quarto dele. Era simples, quase vazio. Uma cama, uma cômoda com aquela lâmpada cegante, e as cortinas finas balançando um pouco com a corrente de ar. Nada mais. Como se metade da vida dele tivesse ido embora com a Abigail. Felipe soltou minha mão e parou do lado da cama.
— Tá bem, Amanda — Felipe disse, com as mãos na cintura —. Como você queria fazer?
Apontei pra cama.
— Bom, queria que isso fosse o mais simples possível — falei, com a voz mais firme do que eu me sentia —. Pensei que talvez eu sentasse na beirada da cama. Depois me deitasse e puxasse a calça até os joelhos. Aí, você podia só chegar perto da beirada e fazer o que precisa fazer. E é isso, certo?
Felipe sorriu de um jeito tranquilizador, como se tentasse fazer tudo parecer normal.
— Sim, claro. Do jeito que você quiser.
Sentei na beirada da cama. O colchão era velho, afundado no meio. Senti a mola sob meu peso.
— Vou ficar sentada aqui até você me falar que tá pronto. —eu disse—. Depois vou deitar, baixar a calça e acabar com isso de uma vez.
Felipe concordou com a cabeça. Foi até a cômoda, tirou os sapatos e começou a baixar a calça. Deixou ela cair no chão, junto com os sapatos. Agora estava ali de pé, só de cueca e camiseta.
Ficou me olhando por um momento, com as mãos na cintura.
—Sabe, eu entendo que você não queria dar muita importância —disse, com uma risadinha sem graça—. Mas com essa calça e esse moletão tão largados, e com o quanto essa situação toda é estranha… bom, não tô exatamente "pronto".
Sorriu e deu de ombros. Na hora eu entendi o que ele queria dizer. Meu estômago deu um nó. Só queria que ele ficasse duro e que isso acabasse logo.
—Entendo, Felipe —falei, engolindo seco—. Não tem um jeito de você… se preparar?
Ele soltou uma risadinha, baixa e rouca.
—Você sabe que a gente vai fazer isso de qualquer jeito —disse, com um tom que tentava soar casual—. Então me ajudaria muito se você tirasse a calça agora. Só de ver isso, com certeza vou ficar pronto na hora.
Olhei pra ele incrédula. Meu Deus —pensei—, agora ele vai ficar excitado me olhando? Me perguntei se isso tornava tudo mais estranho ou talvez mais natural. Afinal, eu tava tentando engravidar. E se ele gostasse de me olhar, talvez fosse mais gentil comigo. Era a vez que ele tinha sido mais gentil comigo em anos, então talvez isso acelerasse as coisas.
Concordei com a cabeça. Levantei e baixei a calça até os joelhos. Como eu esperava que tudo fosse bem rápido, não tava de calcinha.
Os olhos de Felipe se arregalaram. Um sorriso lento apareceu no rosto dele.
—Bom —disse ele, com a voz um pouco mais rouca—. Isso já começa a ajudar. Acho que já tô pronto. Mas… você podia me fazer um favor e dar uma voltinha?
Pisquei.
—Dar uma voltinha? —perguntei, incrédula—. Cê tá falando pra eu te mostrar a bunda?
—Bom… é —disse ele, dando de ombros—. Não que eu não tenha reparado como teu rabo fica gostoso quando você usa aquelas saias pro trabalho, com salto alto, ou quando veste jeans em casa. Tipo, você tem um corpo realmente do caralho.
Fiquei vermelha. Não acreditava que ele tava me falando aquilo. Até aquele momento, a única coisa que ele tinha feito era agir como um babaca comigo. Era estranho, muito estranho. Mas, de algum jeito, me senti meio lisonjeada. Ele ter reparado no meu corpo esse tempo todo… era bizarro, mas também algo que eu não esperava.
Resolvi acabar com aquilo de uma vez. Então me virei rapidinho e depois me girei de novo pra olhar pra ele.
— Puxa —disse Felipe, com um sorrisão—. Isso foi ainda melhor do que eu imaginava. Mas, será que você podia se virar completamente e ficar aí mais um pouco? Pra eu poder… me preparar melhor.
Suspirei. Virei mais devagar e fiquei de pé, de costas pra ele. Agora tava de frente pra janela, e vi que a luz forte da cômoda projetava minha silhueta com clareza nas cortinas transparentes. Minha sombra se recortava nítida contra o tecido fino.
Enquanto eu estava ali, esperando aquele velho preparar o pau dele pra fazer o que tinha que fazer em um minuto, comecei a pensar: Espero que o Marcos não esteja olhando pela janela. Espero que ele não veja minha sombra, que não veja o que tá rolando aqui. Seria muito estranho pra ele… e pra mim só de ter que pensar nisso.
Naquele instante, o Felipe falou:
— Beleza, vira de costas.
Eu me virei devagar.
O Felipe tinha tirado a cueca. Tava ali de pé, só de camiseta. Baixei o olhar e vi uma coisa que nunca imaginaria.
O pau do Felipe era grande. Não só grande. Era… Caralho… ENORME
Ainda não tava completamente duro, mas já tava inchado. Pendia pra baixo, mas pendia tanto que eu não conseguia acreditar no tamanho nem na grossura. Não era o pau de um velho como eu imaginava. Era uma rola incrível.
E por um momento, esqueci que tava ali. Esqueci que era meu sogro. Só fiquei olhando, sem conseguir desviar o olhar.
— Amanda — disse o Felipe, com um sorriso debochado —, acho que você tá me encarando demais.
Pisquei. Percebi que, de fato, já tava há vários segundos com o olhar fixo na virilha dele. Me forcei a levantar os olhos pros dele.
— Bom… — consegui dizer, com a voz trêmula —. Então, você tá… hã… quase pronto?
— Quase — ele respondeu, e o sorriso se alargou —. Como você pode imaginar, demora um pouco pra chegar sangue suficiente pra ele ficar totalmente de pé. Você percebeu que ele é um pouco maior que a maioria?
Não soube o que dizer. Nem o que pensar. Com certeza, era o maior pau que eu já tinha visto na vida. Maior até que nos vídeos pornô que o Marcos me fazia ver com ele. E era do homem que eu mais odiava no mundo. Também caí na real de que aquela coisa gigante ia entrar dentro de mim. Me perguntei como seria a sensação. Com certeza, não como o pau velho e enrugado que eu tinha imaginado.
— Sinceramente, Felipe… — falei, com uma risadinha nervosa —. Sim, é muito impressionante. Tipo, eu gostaria que o Marcos tivesse herdado toda a sua genética.
Eu ri para tentar quebrar o gelo. Ele também riu.
— Ah, nem tinha percebido — disse ele, com um tom que tentava soar modesto —. Acho que esperava que isso acontecesse. Tô falando por você.
Ele fez uma pausa. O olhar dele desceu pro meu peito e depois subiu de novo.
— Mas pra subir de vez — completou —, vou ter que pedir pra você tirar a parte de cima.
Senti a cabeça girar. Tudo era muito estranho. Ainda mais com aquele pau gigantesco bem na minha frente. Sem pensar duas vezes, baixei a mão, peguei a barra do moletom e puxei pra cima da cabeça. Meus mamilos já estavam duríssimos. Meus peitos balançaram um pouco quando o elástico do moletom roçou neles ao subir. Eram perfeitos. E estavam prontos.
Prontos pra quê?, pensei. A única coisa que eu sabia era que meu corpo inteiro tava preparado pra ver como aquele pau ficava quando estivesse completamente duro.
Felipe sorriu de orelha a orelha. Também tirou a camisa. Por baixo, o corpo dele não era nenhuma maravilha: barriga de chope, peito peludo, pele bem pálida. Mas eu mal reparei nisso. Tava tão difícil desviar o olhar de qualquer outro lugar do quarto que não fosse aquele pau enorme. O que será que passa na minha cabeça? — pensei. — Como é possível que esse velho babaca tenha uma parada dessas que eu queira tanto olhar?
— Já já tá pronto — disse Felipe, cortando meus pensamentos. — Por que você não senta na beira da cama e a gente prepara isso junto, beleza?
Eu assenti sem nem pensar. Ele se aproximou enquanto eu me sentava na borda da cama.
— Ah, assim você fica meio longe — falou, balançando a cabeça. — Acho que o único jeito de deixar ele completamente pronto pra meter rápido é se você der um beijo nele. Aqui, recua um pouco assim…
Meu corpo inteiro tava pulsando. Cada batida parecia que ia explodir. Eu nem pensava enquanto ele me guiava pra me ajoelhar na cama e depois me inclinar pra frente. O pau dele ficou bem na altura do meu rosto enquanto ele continuava de pé ao lado da cama.
— Vai em frente — disse, com a voz grossa. — Foi pra isso que a gente veio, não foi?
Ele aproximou o pau do meu rosto. A ponta roçou meus lábios. Cheirava a sabão e a mais alguma coisa, algo masculino e profundo que eu não consegui identificar.
— Dá um beijo nele.
E eu beijei. Sem pensar. Só a ponta, macia e quente contra meus lábios. Daí ele mexeu o pau pra eu beijar o lado, e outro beijo na cabeça, e outro na borda. Tudo enquanto o membro pulsava, crescia e ficava cada vez mais duro na minha frente.
Foi nessa hora que senti a mão de Felipe na nuca. Ele me puxou pra frente e me empurrou direto pra boca dele.
Eu não acreditava no quanto ele era grosso. Enchia minha boca por completo, esticando meus lábios até o limite. Mas aí percebi que ele tinha uma mão na base do pau, e com a outra me guiava. Eu só tinha conseguido enfiar a metade. A outra metade… continuava dura, grossa e quentinha contra meu queixo.
Ele continuava guiando minha cabeça pra cima e pra baixo no pauzão dele. Minha saliva começou a escorrer pelo canto dos lábios, encharcando a pele dele. O som era molhado, obsceno: chupadas e gemidos que enchiam o quarto. E de repente pensei na janela e na minha sombra. E se o Marcos estivesse olhando pra essa casa? Por que caralhos ele veria a sombra da esposa dele de quatro, chupando o pau do pai dele?
Mas só consegui pensar nisso por um segundo. Ele enfiou mais fundo na minha boca, tirando a mão da base e me dando mais. Senti a ponta bater no fundo da minha garganta e engasguei. Meus olhos se encheram de lágrimas. Mas ele não parou.
—Assim—gemeu Felipe, com a voz entrecortada—. Assim, mais fundo. Tudo.
A mão dele na minha nuca apertou. Meu nariz afundou nos pelos pubianos dele. Não conseguia respirar. Só sentia o pau dele me preenchendo, pulsando contra minha língua, cada vez mais duro, cada vez maior.
—Vou gozar —ele grunhiu—. Toma tudo. Engole tudo.
E então ele fez. O pau dele endureceu, deu uma sacudida violenta, e o leite começou a jorrar. Não foi um fiozinho. Foi uma enxurrada. Quente, grosso, sem fim. Encheu minha boca em segundos, transbordou pelos cantos, e eu tentei engolir, mas era demais. Líquido demais, grosso demais, rápido demais.
Tentei me afastar, mas a mão dele me manteve presa. A segunda onda veio, e a terceira. Senti o esperma escorrendo pela minha garganta à força, me fazendo tossir, engasgar. Meus olhos lacrimejavam. Meu nariz escorria. Mas não podia fazer nada além de engolir e engolir, sentindo cada jato quente descendo pelo meu esôfago, enchendo meu estômago.
Quando finalmente soltou minha nuca, eu ofeguei. Aspirei o ar desesperada, tossindo, com a boca ainda cheia de esperma e o queixo escorrendo. Olhei pra cara dele, e a única coisa que me veio à mente foi:
— Isso era pra ter ido pra outro lugar, Felipe!
Sabia que estava ali pra engravidar, não pra fazer boquete no pai do meu marido.
— Bem, Amanda — ele disse, com um sorriso tranquilo, apontando pros seus testículos —, ainda tem muito disso aí. Olha como minhas bolas são grandes. Ainda estão cheias de esperma pra você engravidar.
Mal conseguia falar. Minha garganta ardia. Mas pensei. Ainda precisava que o esperma dele chegasse no lugar certo. Não podia ir pra casa sem terminar o projeto. Não queria ter que fazer isso de novo nunca mais.
— Então… — perguntei, com a voz rouca e quebrada —. O que a gente faz agora que sua ereção tá baixando?
Felipe respondeu na hora:
— Posso ficar duro de novo. Mas você vai ter que ajudar o esperma a "recarregar". Me lambendo e chupando as bolas.
Não soube o que pensar. Ou talvez nem soubesse como pensar naquele momento. Então me inclinei e comecei a chupar as bolas dele. Lambendo todo o escroto, sentindo o peso dos testículos contra minha língua, os pelos ásperos roçando minha bochecha. Mas depois de alguns minutos, ficou claro que ele não ia ter uma ereção completa tão cedo.
E eu já estava lá há muito mais tempo do que Marcos e eu esperávamos. Sabia que tinha que ir embora. Ou teria que dar um monte de explicações desconfortáveis pro meu marido quando voltasse pra casa.
Ele percebeu que a gente precisava pensar em alguma estratégia. Ainda precisava que ele me engravidasse, mas não podia contar pro Marcos que a única coisa que tinha rolado naquela noite era que eu tinha chupado o pau do pai dele, engolido o esperma dele e lambido os ovos dele. Seria um desastre completo.
— Bom, Felipe — falei, ajustando meu moletom —, tenho que ir. Já tô aqui há muito mais tempo do que qualquer um de nós achava que ia durar, sabe? Mas não sei o que fazer agora pra terminar o projeto original…
Felipe assentiu e pareceu entender. Ficou de cueca, com uma tranquilidade que me deixava perturbada.
— É, volta pra casa — disse, com a voz calma —. Vou pensar em algo pra falar pro Marcos pra resolver tudo e poder terminar o trabalho amanhã, beleza?
Assenti enquanto terminava de me vestir. Meus dedos tremiam ao subir a calça.
— Ainda tenho um ou dois dias livres na minha agenda — falei, sem olhar pra ele —. Então se de alguma forma a gente conseguir resolver pra amanhã, pelo menos espero que tudo dê certo.
Felipe sorriu. Era um sorriso confiante, quase arrogante.
— Ah, te garanto que vai dar tudo certo, Amanda — disse, com segurança —. Vai dar tudo maravilhosamente bem. E pra garantir que não vamos ter nenhum problema, vou conseguir uma receita de Viagra bem antiga. Assim a gente pode ter duas chances de sucesso, beleza?
Assenti, meio sem graça, e comecei a andar até a porta. Já tinha a mão na maçaneta quando senti a mão dele no meu pulso. Ele me fez virar.
— Sinto muito pelo jeito que as coisas rolaram essa noite — disse, com a voz mais suave —. Mas tenho certeza que a gente consegue resolver amanhã.
Ele me abraçou. E dessa vez, quando correspondi ao abraço, foi diferente. Como se a gente estivesse no mesmo time. Como se, De alguma forma, a gente tinha criado um vínculo estranho e distorcido. O corpo dele contra o meu, a respiração dele no meu ouvido.
E então ele me beijou. Rápido, inesperado. Os lábios dele pressionaram os meus por um segundo, e eu não soube o que fazer. Senti meus lábios devolverem o beijo por um instante, só um piscar de olhos, antes do meu cérebro reagir.
Me virei e saí pela porta sem olhar pra trás.
Quando cheguei em casa, Marcos estava me esperando no sofá. Ele se levantou na hora e veio me abraçar.
— Você… você tá bem? — perguntou, com a voz tímida, quase com medo.
Eu sabia que o que tinha rolado lá em cima, o que ele mal tinha conseguido vislumbrar entre as sombras da cortina, tinha levado mais tempo do que o planejado. E com certeza, não tinha sido tão simples quanto ela queria.
Custou pra eu olhar nos olhos dele. Minha mente ainda estava naquele quarto, naquela boca, naquelas mãos.
— Bom, sim, tô bem — falei, forçando um sorriso — Mas… na real, nem quero falar sobre isso, amor. Desculpa. Só quero trocar de roupa e depois me aninhar com você essa noite, tá bem?
Claro, não queria compartilhar nenhum detalhe. Não queria dar abertura pra ele saber que a gente não tinha feito o que era suposto fazer pra conceber. E muito menos que eu tinha acabado chupando a pica do pai dele.
— Só não quero falar sobre isso — completei, com a voz mais firme — Quero que isso acabe.
Marcos assentiu. Parecia aliviado, quase feliz em saber que tudo tinha terminado.
— Tá bem, amor — disse, e me deu um beijo na testa — Vai trocar de roupa.
Naquela noite, enquanto eu estava deitada na cama, com Marcos dormindo profundamente do meu lado, não conseguia parar de lembrar cada minuto do que tinha acontecido no quarto ao lado.
E não conseguia parar de pensar naquele pau.
Porra, pensei. Como é que eu passei de odiar tanto o Felipe a desejar a pica dele desse jeito?
Me virei na cama, tentando achar uma posição confortável. Mas as imagens não iam embora. A mão dele na... Minha nuca. O gosto dele na minha boca. O peso dos testículos dele contra minha língua.
Que esposa horrível eu sou, repeti pra mim mesma. Horrível. E agora ainda tô mentindo pro Marcos.
Me sentia tão mal que quase não dormi a noite inteira. Cada vez que fechava os olhos, via o pau do Felipe. Cada vez que abria, via a cara do Marcos, confiante, dormindo, sem saber de nada.
Em dado momento, não aguentei mais. Levantei com cuidado, pra não acordar ele, e fui pro banheiro. Fechei a porta, acendi a luz, e me olhei no espelho. Tava com os olhos vermelhos, o cabelo bagunçado, os lábios ainda levemente inchados.
E aí, sem pensar, minha mão desceu. Eu me toquei. Primeiro devagar, quase com timidez. Mas depois mais rápido, mais forte, enquanto minha mente se enchia de imagens proibidas. A combinação de como ia ser grande dentro de mim, misturado com o quão feio e horrível o Felipe era, e o mal que ele sempre me tratou.
— Por que tudo isso me deixa com tanto tesão? — sussurrei pra mim mesma, enquanto meus dedos se moviam mais rápido, enquanto sentia o orgasmo chegando, inevitável e sujo. E quando veio, mordi o lábio pra não fazer barulho. Me apoiei na parede do banheiro, tremendo, com a respiração ofegante.
Continua...
Moro com meu marido, Marcos, engenheiro da computação. Pra ser sincera, ainda não entendo direito o que ele faz. A gente se conheceu na faculdade, casamos jovens, convencidos de que éramos um pro outro. Somos felizes, até onde dá. Bom emprego, estabilidade, uma casa bonita do lado da casa dos pais dele. Eles compraram esse imóvel como investimento e, quando a gente ficou noivo, alugaram pra gente. Moramos aqui desde antes do casamento.Mas nem tudo é perfeito. Faz dois anos que os pais dele se divorciaram. Abigail, a mãe dele, sempre foi uma mulher gentil e doce. Felipe, o pai… é mal-humorado, crítico e, sinceramente, insuportável. Ela se mudou pra longe e agora parece mais feliz. Ele ficou sozinho, sem amigos, praticamente apodrecendo na casa dele. Eu faço de tudo pra evitar ele. Ele critica as mulheres modernas: nossas carreiras, nossa independência, nossas opiniões. Só dou um "oi" educado e passo reto. Mas Marcos insiste em convidar ele pra jantar de vez em quando. Diz que a solidão deixou ele amargo. Eu apoio, embora cada encontro me confirme que quero manter a maior distância possível.
Enquanto isso, a gente enfrenta algo mais sério. Queremos formar uma família. Já faz mais de um ano que estamos tentando. Mês após mês: um novo teste de gravidez e um novo resultado negativo. A esperança que a gente tinha tá se transformando numa sombra silenciosa que ameaça se instalar no nosso casamento.
Uma tarde, decidimos consultar o médico. A doutora disse que faria uns exames simples em nós dois. Uns dias depois, chamou a gente de novo pra dar os resultados. E foram más notícias.
— Marcos tem uma contagem de espermatozoides extremamente baixa — explicou com um tom sério —. As chances de vocês conceberem naturalmente são de 1% comparado a um casal normal.
A boa notícia era que meu sistema reprodutivo estava saudável. Se a gente tentasse outro método, eu poderia engravidar e ter um bebê saudável.
O problema é que as opções Eram muito caras. A fertilização in vitro, centrifugar o esperma do Marcos e colocar num dos meus óvulos, custava uma fortuna e nem sequer tinha garantia de sucesso. A gente ia acabar endividada, talvez sem resultado. Também consideramos a doação de esperma. A gente tinha uma consulta marcada pra semana seguinte, mesmo que fosse sair bem caro também.
Dois dias depois, enquanto eu guardava umas coisas no carro antes de ir pro trabalho, o Felipe me chamou lá da garagem dele. Acenou com a mão, fazendo sinal como se quisesse falar comigo.
Suspirei. Eram 8:30 da manhã. A única coisa que eu queria era entrar no carro, botar uma música e vazar pro escritório. Mas lá estava eu: maleta do notebook na mão, vestida com um terno de saia elegante, salto alto e o cabelo preso. E eu sabia muito bem que o Felipe odiava que mulheres como eu tivessem "trabalhos de escritório chiques", usassem blazer, saia justa e salto, e ainda por cima tivessem carreira profissional.
Me perguntei do que ele queria falar agora. E enquanto ele começava sua caminhada lenta até meu carro, eu já temia até a conversa mais curta. Felipe parou na minha frente, a meio metro de distância. Os olhos cinzas dele me percorreram de cima a baixo, algo que ele sempre fazia, mas dessa vez com uma lentidão que me deixou desconfortável.—Marcos me contou sobre o médico, os exames e tudo mais —disse ele, com uma voz grave que não costumava usar—. Lamento ouvir isso. Vocês dois sabem que são minha única esperança de ter netos um dia.
Pisquei. Minha mão ainda segurava a maçaneta da porta do carro.
—Ele... te contou o quê? —respondi, forçando um sorriso que não sentia.
—Sim, ele comentou que vocês estavam tendo problemas e a gente conversou sobre isso —continuou, dando de ombros—. Falei que faria qualquer coisa pra ajudar vocês. Entendo que não sou a pessoa favorita de ninguém, nem nunca fui, mas nessa situação quero estar presente pra vocês. Depois de falar com o Marcos, podem me avisar se precisarem da minha ajuda.
Fiquei sem reação por uns segundos. Aquela era a conversa mais longa e cordial que a gente tinha tido em anos.
—Bom, obrigada, Felipe. Agradeço muito sua oferta, embora me surpreenda um pouco, já que a gente não se dá muito bem —falei, com cuidado—. Mas não quero que pense que te odeio nem nada do tipo; só somos pessoas muito diferentes que veem o mundo de jeitos distintos. De qualquer forma, agradeço sua ajuda com isso. Tomara que isso nos aproxime mais, o que seria ótimo.
Felipe assentiu com uma lentidão quase teatral.
—Sim, acho que sem dúvida vamos nos unir mais durante esse tempo, Amanda —disse ele, e a voz ficou mais suave—. E espero que você e eu tenhamos uma relação totalmente diferente quando tudo acabar. Seria bom pra mim também, já que hoje em dia quase sempre estou sozinho. Seria legal ter alguém pra conversar e passar o tempo no futuro.
Ele fez uma pausa, e os olhos dele pousaram no meu peito por um instante antes de voltarem ao meu rosto.
—E embora eu tenha certeza de que que não sou seu tipo —completou, quase num sussurro—, quero que saiba que sempre valorizei o quanto você me faz feliz e o quão gentil e gostosa você é sempre que te vejo.
Fiquei sem ar. Minhas bochechas esquentaram. Não esperava isso dele, ainda mais depois de anos de críticas e desaforos.
— Ah… ah, sabe de uma coisa, Felipe? —consegui falar, com uma risadinha nervosa—. Provavelmente é a coisa mais bonita que você já me disse. Viu? Já estamos nos entendendo melhor só com essa conversa.
Ele soltou uma gargalhada, baixa e rouca.
— Bom, Amanda, caramba —disse, balançando a cabeça—. Talvez eu devesse ter dito que você é uma gostosa há muito tempo.
A risada dele fez eu soltar a minha, embora eu a sentisse estranha, como um eco que não se encaixava direito. Baixei o olhar e ajustei a bolsa contra o peito, procurando algo pra fazer com as mãos.
— Bom, já vou, que tô atrasada —falei, e abri a porta do carro.
Ele deu um passo pra trás, com as mãos nos bolsos, e assentiu.
— Se cuida, Amanda.
Fechei a porta e liguei o motor. Meus dedos tremiam levemente enquanto ajustava o retrovisor. Vi o reflexo dele pelo espelho: ainda estava lá, me vendo ir embora.
Assim que saí da entrada, peguei o telefone e disquei o número do Marcos. Ele atendeu no segundo toque.
— Que porra é essa, Marcos? —despejei, sem nem cumprimentar—. Você contou pro seu pai? Ele me deixou de boca aberta com uma conversa na entrada de casa e não sei o que pensar. Por que não falou comigo primeiro?
— Desculpa, Amanda —disse Marcos, com a voz apressada—. Olha, amor, surgiu numa conversa ontem. E hoje de manhã ele me ligou e pediu pra eu ir falar com ele. Fui na casa dele, ele me sentou e disse que queria me ajudar. Que tinha pensado no assunto e que tinha uma ideia de como eu podia fazer.
Apertei o volante. Minha mente ainda rodava com o elogio do Felipe na entrada.
— Bom, essa parte são ótimas notícias —falei, tentando me acalmar—. Então, isso significa que ele vai nos ajudar dando dinheiro pro procedimento?
Ficou um silêncio do outro lado. Longo demais.
—Bom… não. Não exatamente — respondeu Marcos, com um tom que não me agradou—. O procedimento ainda é muito caro. E papai me disse que tem muitos outros gastos que vamos ter que nos preocupar depois que tivermos um bebê. Custam uma grana preta. Então, por que gastar tudo isso no procedimento quando tem um jeito mais fácil de fazer sem gastar tanto?
Pisquei. Uma sensação estranha começou a se formar no fundo do meu estômago.
—O que você quer dizer com "outro jeito"? — perguntei, com a voz mais tensa do que eu queria—. Do que vocês dois estavam falando?
—Bom… é meu pai — disse Marcos, com uma risadinha nervosa—. Então a gente compartilha praticamente o mesmo DNA. E… bom…
Minha mão apertou o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O estômago deu um nó.
—Você está dizendo o que eu acho que está dizendo? — consegui falar, sentindo náusea.
—Olha, eu também pensei muito — continuou Marcos, com uma voz que tentava soar razoável—. Mas faz sentido, amor. Se a gente usasse aquele procedimento, ia custar uma fortuna. Não teria lógica. Desse jeito ia sair de graça. Além disso, se a gente usasse outro doador, não saberíamos quem é e o bebê não teria parentesco genético comigo. Assim, ele teria parentesco com nós dois e não custaria nada.
Senti o sangue subir pra cabeça. Ou talvez fosse medo. Ou nojo. Não consegui distinguir.
—Mas eu nem consigo imaginar ele enfiando a coisa dele dentro de mim — falei, com a voz trêmula—. É nojento. E não custa dinheiro ele doar e depois enfiarem em mim no consultório do médico?
Marcos gaguejou.
—Bom… amor… é, é… olha, é meu pai. E eu sei que você não gosta dele e que acha nojento — disse, com um tom de súplica—. Mas se a gente usar ele só por 30 segundos pra você engravidar, e a única coisa que você tem que fazer é fechar os olhos e imaginar que sou eu durante um minuto em um quarto escuro… tudo vai ter acabado. Vai ter terminado. Acho que a gente consegue superar isso. Mesmo sabendo que você ia resistir e sentir um nojo danado só de pensar. Mas ia ser bem rápido e, assim que acabar, a gente vai ser feliz.
Fiz uma pausa. Não conseguia acreditar no que tava ouvindo.
— Olha, Marcos — falei, sentindo a garganta fechar —. Vou ter que pensar muito hoje, porque, sinceramente, só de pensar eu tive que parar o carro e senti que ia vomitar. Só de imaginar ele "dentro" de mim, mesmo que seja por um minuto ou trinta segundos, é nojento. Você sabe que eu odeio isso. Odeio tudo o que ele representa. É um velho imbecil nojento.
— Eu sei, amor — ele respondeu, com a voz trêmula —. Mas se você conseguisse se imaginar em outro lugar por um minuto e depois tudo acabasse… Você acha que conseguiria se imaginar fazendo isso desse jeito?
Pensei por um momento. Minha mente se encheu de imagens que eu não queria ter. O corpo velho dele. As mãos dele. O bafo dele.
— Não sei — falei, com a voz fraca —. Não vou ter que olhar pra ele, né? Tipo… eu ia ter pesadelos com a "piroquinha" velha e enrugada dele pelo resto da vida.
Ele soltou uma risadinha nervosa.
— Você não ia querer isso, ia?
A gente riu junto, mas foi uma risada estranha, daquelas de duas pessoas que não sabem se tão brincando ou se tão realmente considerando algo horrível.
— Olha, acabei de chegar no escritório — falei, procurando uma saída —. Deixa eu pensar hoje e a gente conversa quando eu chegar em casa, tá?
Marcos suspirou. Parecia cansado.
— Tá bom, amor. Te amo.
— Também te amo — respondi, e desliguei.
Fiquei uns segundos olhando pro telefone, com o motor ligado e o estacionamento do escritório na minha frente. Meu corpo ainda tremia. E na minha cabeça não parava de repetir a imagem do Felipe, na varanda, com os olhos cinzas dele me varrendo de cima a baixo.
Naquela noite, quando cheguei em casa, a primeira coisa que a gente fez foi sentar pra conversar. Eu tinha ficado remoendo o dia inteiro, e pelo jeito dele… Cara, ele também.
—Começa você — disse Marcos, me estendendo uma taça de vinho tinto.
Aceitei, dei um gole longo e deixei a taça na mesa. Limpei a garganta.
—Beleza. Olha, Marcos — comecei, com a voz firme mas trêmula —. Cada parte da minha mente, corpo e alma rejeita essa ideia por completo. É tão nojento que nem consigo me imaginar fazendo isso. Mas a parte prática do meu cérebro concorda com o que você disse. É de graça. É sua genética. E só me levaria menos de um minuto de pura tortura pensar no pintinho murcho daquele velho.
Marcos sentou devagar, como se as pernas não quisessem sustentá-lo.
—Ah, tá… — disse, com cautela —. Então devo dizer que sim pra ele? E se for assim, quando você acha que a gente devia tentar?
Suspirei. Não acreditava que estávamos tendo essa conversa. Peguei o celular e abri o aplicativo que usava há dois anos pra controlar meus ciclos de ovulação.
—Bom — falei, deslizando a tela —. Quanto mais eu tiver que pensar nisso antes de acabar, mais vou me torturar. Pelo meu app, devo ovular entre quinta e domingo.
Os olhos de Marcos se arregalaram. O rosto dele empalideceu um pouco.
—Essa… essa quinta? — perguntou, com a voz falhando —. Você quer dizer daqui a dois dias?
Assenti, apertando o celular contra o peito.
—Sim. Vamos acabar com isso de uma vez. Mas você tem que deixar bem claro pra ele — falei, levantando um dedo —. Isso não vai ser divertido. Não vou estar feliz. Não vou me vestir gostosa. Vai durar trinta segundos, e é melhor ele estar preparado. E quando acabar, não quero que nenhum de nós dois nunca mais toque nesse assunto. Consegue fazer isso por mim? Consegue falar pra ele?
Fiz uma pausa. Minha voz ficou mais séria.
—Amor, é importante pra mim que a gente tenha essas regras básicas. Porque já é estranho pra caralho e não quero que piore ainda mais com ele sendo o idiota que sempre é.
Marcos assentiu rapidamente. Rápido demais. A mão dele procurou a minha sobre a mesa.
— Sim, querida, vou garantir — disse ele, com um tom que tentava ser tranquilizador —. Vou falar com ele amanhã. Vamos fazer isso ser bem fácil e o menos desagradável possível pra você.
Ele sorriu, mas foi um sorriso forçado, igual de alguém que tá vendendo uma ideia que nem ele mesmo compra direito. Pegou minha mão e apertou de leve.
— Te amo — disse.
— Também te amo — respondi, mas dessa vez as palavras soaram como mentira na minha boca.
Fiquei olhando pra minha taça de vinho, vendo o líquido vermelho balançar devagar. Daqui a dois dias, meu sogro ia estar dentro de mim. E eu ia ter que fechar os olhos e fingir que era meu marido.
Fechei os olhos. Já tava tendo pesadelos.
Na quinta, saí do trabalho mais cedo que o normal. Cheguei em casa às 4:30 da tarde. Precisava me preparar, mesmo sem ter a menor ideia do que significava "se preparar" numa situação tão absurda.
Entrei no chuveiro. A água quente caía na minha pele enquanto eu pensava que, assim que isso acabasse, ia tomar outro banho. Ia me lavar até sentir a pele caindo aos pedaços. Mas logo ia acabar. Fiquei repetindo isso pra mim mesma, sem parar.
Procurei algo adequado pra vestir. Algo pra andar até a casa ao lado. Escolhi uma calça de moletom largada e um moletom folgado. Algo que cobrisse tudo, que não fosse sexy, e que fosse fácil de puxar pra baixo pra ele fazer o que tinha que fazer. Um minuto, talvez menos. Depois eu ia embora, voltava pra casa, tomava outro banho e bebia um monte de vinho.
Saí do quarto vestida assim, com tênis nos pés. Levantei os braços num gesto de resignação.
—Bom, acho que isso vai rolar mesmo —falei, com a voz mais firme do que eu me sentia—. E não vejo a hora de voltar aqui quando acabar e encher a cara com você.Marcos tentou sorrir, mas foi um sorriso tenso. Notei que as mãos dele tremiam um pouco enquanto as enfiava nos bolsos. Não conseguia acreditar que estava pedindo pra esposa fazer isso. No dia anterior, ele tinha comprado bilhetes de loteria na esperança de ganhar e pagar o procedimento. Mas depois de conferir, soube que não tinha escapatória.
—Tá bom, amor —disse ele, com a voz baixa—. Meu pai conhece todas as regras. Conversei com ele sobre tudo. Ele sabe que isso não vai ser divertido e que você tá bem assustada.
Ele fez uma pausa e deu um passo na minha direção.
—Olha, eu sei que é muito estranho. É estranho pra você e pra mim. Mas tenho certeza que é muito mais estranho pra você —completou, com uma risadinha nervosa—. Te amo e obrigado por fazer isso. Espero que você volte aqui em alguns minutos e que não fique com trauma do que rolar. Só mantém os olhos fechados na hora H e lembra por que a gente tá fazendo isso. Se precisar fingir que sou eu… sabe que eu adoraria.
Fiquei paralisada. Não sabia como dar o primeiro passo pra sair de casa. Meus pés pareciam colados no chão. Então abracei ele com força, apertando ele contra mim. Dei um beijo na bochecha dele e sussurrei:
—Te amo, amor.
E saí.
Caminhei os poucos metros que separavam nossas casas. A grama tava molhada debaixo dos meus tênis. O ar cheirava a terra molhada. Toquei a campainha da porta do Felipe e ouvi passos apressados.
A porta se abriu de uma vez. Felipe apareceu na minha frente, com uma camisa de botão e calça social, como se tivesse se arrumado pra ocasião.
—Olha, o Marcos me explicou todas as regras —disse ele na hora, com uma voz que tentava soar tranquilizadora—. Isso vai ser fácil e você não vai se machucar.
Ele se inclinou e me abraçou. No começo, mantive os braços colados no corpo, dura como uma tábua. Mas aí pensei que talvez fosse melhor conectar com um abraço antes do que vinha. Então passei os braços pelas costas dele e nos abraçamos por uns dez segundos. Foi estranho. Acho que era a primeira vez que abraçava meu sogro. Ele cheirava a colônia barata e suor.
— Tá bem, Amanda — ele disse, me soltando e dando um passo pra trás —. Me segue. Já deixei as coisas mais ou menos prontas no meu quarto.
Não soube como começar a andar. Minhas pernas não obedeciam. Por sorte, Felipe se aproximou, pegou minha mão e me guiou escada acima. A mão dele era áspera, quente. No meio do corredor, ele entrelaçou os dedos nos meus. Senti um arrepio descendo pelas costas. Sabia que era só um prelúdio, um jeito de me aproximar antes do encontro breve, mas íntimo, que estávamos prestes a viver.
Tinha escurecido fazia pouco. Quando entrei no quarto dele, notei que ele tinha puxado o edredom e o lençol de cima pra um lado da cama.
Foi a primeira vez que vi o quarto dele. Era simples, quase vazio. Uma cama, uma cômoda com aquela lâmpada cegante, e as cortinas finas balançando um pouco com a corrente de ar. Nada mais. Como se metade da vida dele tivesse ido embora com a Abigail. Felipe soltou minha mão e parou do lado da cama.
— Tá bem, Amanda — Felipe disse, com as mãos na cintura —. Como você queria fazer?
Apontei pra cama.
— Bom, queria que isso fosse o mais simples possível — falei, com a voz mais firme do que eu me sentia —. Pensei que talvez eu sentasse na beirada da cama. Depois me deitasse e puxasse a calça até os joelhos. Aí, você podia só chegar perto da beirada e fazer o que precisa fazer. E é isso, certo?
Felipe sorriu de um jeito tranquilizador, como se tentasse fazer tudo parecer normal.
— Sim, claro. Do jeito que você quiser.
Sentei na beirada da cama. O colchão era velho, afundado no meio. Senti a mola sob meu peso.
— Vou ficar sentada aqui até você me falar que tá pronto. —eu disse—. Depois vou deitar, baixar a calça e acabar com isso de uma vez.
Felipe concordou com a cabeça. Foi até a cômoda, tirou os sapatos e começou a baixar a calça. Deixou ela cair no chão, junto com os sapatos. Agora estava ali de pé, só de cueca e camiseta.
Ficou me olhando por um momento, com as mãos na cintura.
—Sabe, eu entendo que você não queria dar muita importância —disse, com uma risadinha sem graça—. Mas com essa calça e esse moletão tão largados, e com o quanto essa situação toda é estranha… bom, não tô exatamente "pronto".
Sorriu e deu de ombros. Na hora eu entendi o que ele queria dizer. Meu estômago deu um nó. Só queria que ele ficasse duro e que isso acabasse logo.
—Entendo, Felipe —falei, engolindo seco—. Não tem um jeito de você… se preparar?
Ele soltou uma risadinha, baixa e rouca.
—Você sabe que a gente vai fazer isso de qualquer jeito —disse, com um tom que tentava soar casual—. Então me ajudaria muito se você tirasse a calça agora. Só de ver isso, com certeza vou ficar pronto na hora.
Olhei pra ele incrédula. Meu Deus —pensei—, agora ele vai ficar excitado me olhando? Me perguntei se isso tornava tudo mais estranho ou talvez mais natural. Afinal, eu tava tentando engravidar. E se ele gostasse de me olhar, talvez fosse mais gentil comigo. Era a vez que ele tinha sido mais gentil comigo em anos, então talvez isso acelerasse as coisas.
Concordei com a cabeça. Levantei e baixei a calça até os joelhos. Como eu esperava que tudo fosse bem rápido, não tava de calcinha.
Os olhos de Felipe se arregalaram. Um sorriso lento apareceu no rosto dele.—Bom —disse ele, com a voz um pouco mais rouca—. Isso já começa a ajudar. Acho que já tô pronto. Mas… você podia me fazer um favor e dar uma voltinha?
Pisquei.
—Dar uma voltinha? —perguntei, incrédula—. Cê tá falando pra eu te mostrar a bunda?
—Bom… é —disse ele, dando de ombros—. Não que eu não tenha reparado como teu rabo fica gostoso quando você usa aquelas saias pro trabalho, com salto alto, ou quando veste jeans em casa. Tipo, você tem um corpo realmente do caralho.
Fiquei vermelha. Não acreditava que ele tava me falando aquilo. Até aquele momento, a única coisa que ele tinha feito era agir como um babaca comigo. Era estranho, muito estranho. Mas, de algum jeito, me senti meio lisonjeada. Ele ter reparado no meu corpo esse tempo todo… era bizarro, mas também algo que eu não esperava.
Resolvi acabar com aquilo de uma vez. Então me virei rapidinho e depois me girei de novo pra olhar pra ele.
— Puxa —disse Felipe, com um sorrisão—. Isso foi ainda melhor do que eu imaginava. Mas, será que você podia se virar completamente e ficar aí mais um pouco? Pra eu poder… me preparar melhor.Suspirei. Virei mais devagar e fiquei de pé, de costas pra ele. Agora tava de frente pra janela, e vi que a luz forte da cômoda projetava minha silhueta com clareza nas cortinas transparentes. Minha sombra se recortava nítida contra o tecido fino.
Enquanto eu estava ali, esperando aquele velho preparar o pau dele pra fazer o que tinha que fazer em um minuto, comecei a pensar: Espero que o Marcos não esteja olhando pela janela. Espero que ele não veja minha sombra, que não veja o que tá rolando aqui. Seria muito estranho pra ele… e pra mim só de ter que pensar nisso.Naquele instante, o Felipe falou:
— Beleza, vira de costas.
Eu me virei devagar.
O Felipe tinha tirado a cueca. Tava ali de pé, só de camiseta. Baixei o olhar e vi uma coisa que nunca imaginaria.
O pau do Felipe era grande. Não só grande. Era… Caralho… ENORME
Ainda não tava completamente duro, mas já tava inchado. Pendia pra baixo, mas pendia tanto que eu não conseguia acreditar no tamanho nem na grossura. Não era o pau de um velho como eu imaginava. Era uma rola incrível.
E por um momento, esqueci que tava ali. Esqueci que era meu sogro. Só fiquei olhando, sem conseguir desviar o olhar.
— Amanda — disse o Felipe, com um sorriso debochado —, acho que você tá me encarando demais.
Pisquei. Percebi que, de fato, já tava há vários segundos com o olhar fixo na virilha dele. Me forcei a levantar os olhos pros dele.
— Bom… — consegui dizer, com a voz trêmula —. Então, você tá… hã… quase pronto?
— Quase — ele respondeu, e o sorriso se alargou —. Como você pode imaginar, demora um pouco pra chegar sangue suficiente pra ele ficar totalmente de pé. Você percebeu que ele é um pouco maior que a maioria?
Não soube o que dizer. Nem o que pensar. Com certeza, era o maior pau que eu já tinha visto na vida. Maior até que nos vídeos pornô que o Marcos me fazia ver com ele. E era do homem que eu mais odiava no mundo. Também caí na real de que aquela coisa gigante ia entrar dentro de mim. Me perguntei como seria a sensação. Com certeza, não como o pau velho e enrugado que eu tinha imaginado.
— Sinceramente, Felipe… — falei, com uma risadinha nervosa —. Sim, é muito impressionante. Tipo, eu gostaria que o Marcos tivesse herdado toda a sua genética.
Eu ri para tentar quebrar o gelo. Ele também riu.
— Ah, nem tinha percebido — disse ele, com um tom que tentava soar modesto —. Acho que esperava que isso acontecesse. Tô falando por você.
Ele fez uma pausa. O olhar dele desceu pro meu peito e depois subiu de novo.
— Mas pra subir de vez — completou —, vou ter que pedir pra você tirar a parte de cima.
Senti a cabeça girar. Tudo era muito estranho. Ainda mais com aquele pau gigantesco bem na minha frente. Sem pensar duas vezes, baixei a mão, peguei a barra do moletom e puxei pra cima da cabeça. Meus mamilos já estavam duríssimos. Meus peitos balançaram um pouco quando o elástico do moletom roçou neles ao subir. Eram perfeitos. E estavam prontos.
Prontos pra quê?, pensei. A única coisa que eu sabia era que meu corpo inteiro tava preparado pra ver como aquele pau ficava quando estivesse completamente duro.
Felipe sorriu de orelha a orelha. Também tirou a camisa. Por baixo, o corpo dele não era nenhuma maravilha: barriga de chope, peito peludo, pele bem pálida. Mas eu mal reparei nisso. Tava tão difícil desviar o olhar de qualquer outro lugar do quarto que não fosse aquele pau enorme. O que será que passa na minha cabeça? — pensei. — Como é possível que esse velho babaca tenha uma parada dessas que eu queira tanto olhar?— Já já tá pronto — disse Felipe, cortando meus pensamentos. — Por que você não senta na beira da cama e a gente prepara isso junto, beleza?
Eu assenti sem nem pensar. Ele se aproximou enquanto eu me sentava na borda da cama.
— Ah, assim você fica meio longe — falou, balançando a cabeça. — Acho que o único jeito de deixar ele completamente pronto pra meter rápido é se você der um beijo nele. Aqui, recua um pouco assim…
Meu corpo inteiro tava pulsando. Cada batida parecia que ia explodir. Eu nem pensava enquanto ele me guiava pra me ajoelhar na cama e depois me inclinar pra frente. O pau dele ficou bem na altura do meu rosto enquanto ele continuava de pé ao lado da cama.
— Vai em frente — disse, com a voz grossa. — Foi pra isso que a gente veio, não foi?
Ele aproximou o pau do meu rosto. A ponta roçou meus lábios. Cheirava a sabão e a mais alguma coisa, algo masculino e profundo que eu não consegui identificar.
— Dá um beijo nele.
E eu beijei. Sem pensar. Só a ponta, macia e quente contra meus lábios. Daí ele mexeu o pau pra eu beijar o lado, e outro beijo na cabeça, e outro na borda. Tudo enquanto o membro pulsava, crescia e ficava cada vez mais duro na minha frente.
Foi nessa hora que senti a mão de Felipe na nuca. Ele me puxou pra frente e me empurrou direto pra boca dele.
Eu não acreditava no quanto ele era grosso. Enchia minha boca por completo, esticando meus lábios até o limite. Mas aí percebi que ele tinha uma mão na base do pau, e com a outra me guiava. Eu só tinha conseguido enfiar a metade. A outra metade… continuava dura, grossa e quentinha contra meu queixo.
Ele continuava guiando minha cabeça pra cima e pra baixo no pauzão dele. Minha saliva começou a escorrer pelo canto dos lábios, encharcando a pele dele. O som era molhado, obsceno: chupadas e gemidos que enchiam o quarto. E de repente pensei na janela e na minha sombra. E se o Marcos estivesse olhando pra essa casa? Por que caralhos ele veria a sombra da esposa dele de quatro, chupando o pau do pai dele?Mas só consegui pensar nisso por um segundo. Ele enfiou mais fundo na minha boca, tirando a mão da base e me dando mais. Senti a ponta bater no fundo da minha garganta e engasguei. Meus olhos se encheram de lágrimas. Mas ele não parou.
—Assim—gemeu Felipe, com a voz entrecortada—. Assim, mais fundo. Tudo.
A mão dele na minha nuca apertou. Meu nariz afundou nos pelos pubianos dele. Não conseguia respirar. Só sentia o pau dele me preenchendo, pulsando contra minha língua, cada vez mais duro, cada vez maior.
—Vou gozar —ele grunhiu—. Toma tudo. Engole tudo.E então ele fez. O pau dele endureceu, deu uma sacudida violenta, e o leite começou a jorrar. Não foi um fiozinho. Foi uma enxurrada. Quente, grosso, sem fim. Encheu minha boca em segundos, transbordou pelos cantos, e eu tentei engolir, mas era demais. Líquido demais, grosso demais, rápido demais.
Tentei me afastar, mas a mão dele me manteve presa. A segunda onda veio, e a terceira. Senti o esperma escorrendo pela minha garganta à força, me fazendo tossir, engasgar. Meus olhos lacrimejavam. Meu nariz escorria. Mas não podia fazer nada além de engolir e engolir, sentindo cada jato quente descendo pelo meu esôfago, enchendo meu estômago.Quando finalmente soltou minha nuca, eu ofeguei. Aspirei o ar desesperada, tossindo, com a boca ainda cheia de esperma e o queixo escorrendo. Olhei pra cara dele, e a única coisa que me veio à mente foi:
— Isso era pra ter ido pra outro lugar, Felipe!
Sabia que estava ali pra engravidar, não pra fazer boquete no pai do meu marido.
— Bem, Amanda — ele disse, com um sorriso tranquilo, apontando pros seus testículos —, ainda tem muito disso aí. Olha como minhas bolas são grandes. Ainda estão cheias de esperma pra você engravidar.
Mal conseguia falar. Minha garganta ardia. Mas pensei. Ainda precisava que o esperma dele chegasse no lugar certo. Não podia ir pra casa sem terminar o projeto. Não queria ter que fazer isso de novo nunca mais.
— Então… — perguntei, com a voz rouca e quebrada —. O que a gente faz agora que sua ereção tá baixando?
Felipe respondeu na hora:
— Posso ficar duro de novo. Mas você vai ter que ajudar o esperma a "recarregar". Me lambendo e chupando as bolas.
Não soube o que pensar. Ou talvez nem soubesse como pensar naquele momento. Então me inclinei e comecei a chupar as bolas dele. Lambendo todo o escroto, sentindo o peso dos testículos contra minha língua, os pelos ásperos roçando minha bochecha. Mas depois de alguns minutos, ficou claro que ele não ia ter uma ereção completa tão cedo.
E eu já estava lá há muito mais tempo do que Marcos e eu esperávamos. Sabia que tinha que ir embora. Ou teria que dar um monte de explicações desconfortáveis pro meu marido quando voltasse pra casa.Ele percebeu que a gente precisava pensar em alguma estratégia. Ainda precisava que ele me engravidasse, mas não podia contar pro Marcos que a única coisa que tinha rolado naquela noite era que eu tinha chupado o pau do pai dele, engolido o esperma dele e lambido os ovos dele. Seria um desastre completo.
— Bom, Felipe — falei, ajustando meu moletom —, tenho que ir. Já tô aqui há muito mais tempo do que qualquer um de nós achava que ia durar, sabe? Mas não sei o que fazer agora pra terminar o projeto original…
Felipe assentiu e pareceu entender. Ficou de cueca, com uma tranquilidade que me deixava perturbada.
— É, volta pra casa — disse, com a voz calma —. Vou pensar em algo pra falar pro Marcos pra resolver tudo e poder terminar o trabalho amanhã, beleza?
Assenti enquanto terminava de me vestir. Meus dedos tremiam ao subir a calça.
— Ainda tenho um ou dois dias livres na minha agenda — falei, sem olhar pra ele —. Então se de alguma forma a gente conseguir resolver pra amanhã, pelo menos espero que tudo dê certo.
Felipe sorriu. Era um sorriso confiante, quase arrogante.
— Ah, te garanto que vai dar tudo certo, Amanda — disse, com segurança —. Vai dar tudo maravilhosamente bem. E pra garantir que não vamos ter nenhum problema, vou conseguir uma receita de Viagra bem antiga. Assim a gente pode ter duas chances de sucesso, beleza?
Assenti, meio sem graça, e comecei a andar até a porta. Já tinha a mão na maçaneta quando senti a mão dele no meu pulso. Ele me fez virar.
— Sinto muito pelo jeito que as coisas rolaram essa noite — disse, com a voz mais suave —. Mas tenho certeza que a gente consegue resolver amanhã.
Ele me abraçou. E dessa vez, quando correspondi ao abraço, foi diferente. Como se a gente estivesse no mesmo time. Como se, De alguma forma, a gente tinha criado um vínculo estranho e distorcido. O corpo dele contra o meu, a respiração dele no meu ouvido.
E então ele me beijou. Rápido, inesperado. Os lábios dele pressionaram os meus por um segundo, e eu não soube o que fazer. Senti meus lábios devolverem o beijo por um instante, só um piscar de olhos, antes do meu cérebro reagir.
Me virei e saí pela porta sem olhar pra trás.
Quando cheguei em casa, Marcos estava me esperando no sofá. Ele se levantou na hora e veio me abraçar.
— Você… você tá bem? — perguntou, com a voz tímida, quase com medo.
Eu sabia que o que tinha rolado lá em cima, o que ele mal tinha conseguido vislumbrar entre as sombras da cortina, tinha levado mais tempo do que o planejado. E com certeza, não tinha sido tão simples quanto ela queria.
Custou pra eu olhar nos olhos dele. Minha mente ainda estava naquele quarto, naquela boca, naquelas mãos.
— Bom, sim, tô bem — falei, forçando um sorriso — Mas… na real, nem quero falar sobre isso, amor. Desculpa. Só quero trocar de roupa e depois me aninhar com você essa noite, tá bem?
Claro, não queria compartilhar nenhum detalhe. Não queria dar abertura pra ele saber que a gente não tinha feito o que era suposto fazer pra conceber. E muito menos que eu tinha acabado chupando a pica do pai dele.
— Só não quero falar sobre isso — completei, com a voz mais firme — Quero que isso acabe.
Marcos assentiu. Parecia aliviado, quase feliz em saber que tudo tinha terminado.
— Tá bem, amor — disse, e me deu um beijo na testa — Vai trocar de roupa.
Naquela noite, enquanto eu estava deitada na cama, com Marcos dormindo profundamente do meu lado, não conseguia parar de lembrar cada minuto do que tinha acontecido no quarto ao lado.
E não conseguia parar de pensar naquele pau.
Porra, pensei. Como é que eu passei de odiar tanto o Felipe a desejar a pica dele desse jeito?
Me virei na cama, tentando achar uma posição confortável. Mas as imagens não iam embora. A mão dele na... Minha nuca. O gosto dele na minha boca. O peso dos testículos dele contra minha língua.
Que esposa horrível eu sou, repeti pra mim mesma. Horrível. E agora ainda tô mentindo pro Marcos.
Me sentia tão mal que quase não dormi a noite inteira. Cada vez que fechava os olhos, via o pau do Felipe. Cada vez que abria, via a cara do Marcos, confiante, dormindo, sem saber de nada.
Em dado momento, não aguentei mais. Levantei com cuidado, pra não acordar ele, e fui pro banheiro. Fechei a porta, acendi a luz, e me olhei no espelho. Tava com os olhos vermelhos, o cabelo bagunçado, os lábios ainda levemente inchados.
E aí, sem pensar, minha mão desceu. Eu me toquei. Primeiro devagar, quase com timidez. Mas depois mais rápido, mais forte, enquanto minha mente se enchia de imagens proibidas. A combinação de como ia ser grande dentro de mim, misturado com o quão feio e horrível o Felipe era, e o mal que ele sempre me tratou.
— Por que tudo isso me deixa com tanto tesão? — sussurrei pra mim mesma, enquanto meus dedos se moviam mais rápido, enquanto sentia o orgasmo chegando, inevitável e sujo. E quando veio, mordi o lábio pra não fazer barulho. Me apoiei na parede do banheiro, tremendo, com a respiração ofegante.
Continua...
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