Foi uma surpresa completa quando a garota nova, Katariina, me encontrou no almoço e me perguntou timidamente se eu queria ir na casa dela na sexta à noite. Fiquei sem palavras. A gente nem era amiga... não de verdade, pelo menos não desse jeito. Não que eu não gostasse dela, nada disso. A Sra. McManus tinha nos colocado num grupo pra um projeto na semana anterior, com o Todd e a Andi, e a gente se deu super bem. E com certeza ela era inteligente, sem dúvida nenhuma! Naquele primeiro dia de trabalho em grupo, logo no dia seguinte de nos darem o projeto, a Katariina apareceu com uns oitenta por cento do trabalho já pronto, sozinha! Ela ficou vermelha e sussurrou baixinho que já tinha lido aquele livro na escola anterior, e que não se importava de fazer um trabalho extra... contanto que não tivesse que ficar na frente da sala e fazer a apresentação. Acho que nunca tinha ouvido ela falar tantas palavras seguidas antes. Não tinha motivo pra eu não gostar dela... mas ela era tão calada o tempo todo! Sempre sentada no fundo da sala, escondida naquele moletom preto enorme, pequenininha, loira e quase invisível. Praticamente o oposto de mim, na real; eu tinha um metro e oitenta, mais alta que a maioria dos professores, com o cabelo tão escuro que quase parecia asiática. Um fantasma asiático, talvez, considerando o quanto eu era pálida. Não conseguia passar despercebida nem se tentasse, diferente da Katariina. Mas... conseguir sumir no meio da multidão desse jeito devia ter seus lados ruins, eu sabia. Sinceramente, acho que ela não tinha feito um amigo sequer desde que se mudou... e foi isso que me fez perder a paciência. Lembro o quanto me incomodou, lá na terceira série, quando meu pai conseguiu o novo emprego e a gente teve que se mudar. Devia ser ainda pior, se mudar assim no ensino médio... e especialmente se você era tão obviamente tímida, que nem a Katariina. Então deixei minhas reservas de lado, coloquei um sorrisão no rosto rosto e agradeci pelo convite, dizendo que adoraria ir. O sorriso dela iluminou o rosto inteiro, fazendo ela parecer, mesmo que só por um momento, uma pessoa completamente diferente. Mas aí passou, e ela só disse pra gente se encontrar na frente do salão da Sra. McManus depois da última aula de sexta, antes de sumir no meio da multidão. E quando sexta-feira chegou... eu ainda não sabia o que pensar. Mas lá estava eu, com minha escova de dente, meu pijama e um par de calcinhas limpas escondidas no fundo da minha mochila. Vi ela chegando, e fiquei com vergonha de reconhecer o alívio evidente no rosto dela ao me ver aparecer. Fiquei com vergonha de ter considerado, mesmo que só por um instante, fazer outra coisa. — Obrigada, Emma — ela sussurrou, a voz quase perdida no barulho dos atletas passando. — Não era eu quem deveria agradecer? — Sorri, tentando acalmá-la. — Você é a anfitriã, lembra? — Acho que sim... — ela disse, com um sorrisinho. — Mas... obrigada mesmo assim. Por ter topado. — De nada! — Dei uma cotovelada de brincadeira, tomando cuidado pra não ser muito forte, já que ela era bem mais baixa que eu. Consegui arrancar um sorriso um pouco maior... mas não a gargalhada que eu esperava. Ela me guiou até a saída pelos fundos da escola, atravessando o campo de futebol e a grande passarela de pedestres, até o bairro antigo ao norte da escola. As casas por lá ainda eram bem bonitas... só um pouco menores que as dos bairros mais novos ao sul, construídas numa época em que ter um gramado decente era mais importante que hoje. Sinceramente, eu gostava delas; as árvores nos jardins eram velhas e enormes, e isso fazia a área toda parecer calma e sonolenta. Não tão... agitada e cheia de gente, como minha rua sempre parecia. Chegamos numa casinha adorável, com um revestimento de madeira escura lindo e um par de bordos enormes que enchiam o jardim da frente dos dois lados do caminho. Katariina tirou a chave e nos deixou entrar, fechando a porta atrás de nós. Ela largou a bolsa e tirou os sapatos, e eu fiz o mesmo. Aí ela respirou fundo, sacudindo os braços como se estivesse coberta de aranhas. "Querem alguma coisa pra beber?", perguntou animada, com um tom tão inesperado e seguro que quase me fez cair pra trás. "Meu pai não deixa cafeína em casa, mas temos cerveja de raiz e Sprite... ou suco de laranja, acho? Ou posso fazer Kool-Aid, se quiserem. Meu pai guarda pra quando meus primos pequenos vêm; temos todos os sabores imagináveis, e mais!". "Hã... Sprite, valeu", eu disse, mal conseguindo encontrar as palavras enquanto a seguia até a cozinha, surpreendentemente grande e aberta. Ela abriu a geladeira e pegou um par de Sprites quase congelados, que a gente tomou rapidinho, o remédio perfeito depois da longa caminhada da escola. "Então... você tem o Sr. Aikens pra matemática, né?", ela perguntou, com os olhos brilhando de malícia. "Ouviu o boato? Sobre ele e a Sra. Charles, a professora de educação física? Pelo que ouvi, a Becky Jordan entrou na sala dos técnicos depois do treino de softbol, procurando a Sra. Stevens, e pegou eles se beijando! Ele tava com a mão debaixo da blusa dela e tudo!". "Eu..." eu ofeguei, balançando a cabeça incrédula. "Katariina, por favor, não leva a mal... mas que porra é essa?". Apontei pra ela sem jeito, completamente chocada com a mudança repentina. "Ah..." ela franziu a testa, olhando pra baixo timidamente e mordendo o lábio, de novo a garota que eu achava que conhecia. "É, hã... acho que preciso explicar. Eu, hã... não me sinto muito bem quando não tô em casa. Você, hã... já ouviu falar de agorafobia?" — Isso é... medo de multidões, né? — perguntei, franzindo a testa enquanto tentava lembrar. — Ou é medo de altura? Sempre confundo. — Agorafobia é principalmente medo de multidões... mas também pode ser medo de espaços vazios, de espaços Fechada ou sozinha..." —suspirou, balançando a cabeça—. "Na real, tem vários gatilhos, não só multidão. É o medo de se sentir presa de alguma forma e não conseguir escapar... mas o que desencadeia o medo varia de pessoa pra pessoa, depende de cada um. O que eu tenho... é algo parecido com agorafobia, mas não exatamente. Eu fico de boa... contanto que esteja em casa. Posso ficar no jardim, sozinha, ou no meio de uma multidão enorme, se a gente tiver convidados pra uma festa... mas só em casa. Em qualquer outro lugar... bom. Você já viu como eu sou quando não estou aqui." "Meu Deus, Katariina..." —sussurrei, tentando imaginar... e então meus olhos se arregalaram quando percebi—. "Ah, meu Deus! Você acabou de se mudar... isso deve ter sido um inferno!" "Você não faz ideia!" —ela riu nervosamente, balançando a cabeça com força e passando os dedos pelo cabelo—. "Mas... com o trabalho do papai, a gente não tinha escolha. E agora tô melhor. Papai arrumou meu quarto igual ao antigo, e isso ajudou muito nas primeiras semanas. E agora... esse lugar é meu lar, igual era a casa antiga. Então tô bem agora. Ou pelo menos, tão bem quanto sempre fui. Mas, eh... você se importaria de me chamar de Kat? Só minha mãe me chama de Katariina. Ou pelo menos, só ela chamava antes da gente se mudar pra cá." "Claro, Kat" —falei, e ela sorriu feliz—. "Você, eh... quer que eu avise o pessoal na escola que é assim que você prefere ser chamada? Se não quiser falar você mesma?" "Eu... acho que prefiro que não, na real" —suspirou—. "A escola... A escola é só a escola. Quanto mais eu passar despercebida lá, mais fácil vai ser pra mim aguentar não estar em casa. Eu só... só precisava de uma amiga, sabe?" —perguntou, com o lábio tremendo e os olhos cheios de lágrimas contidas. "Bom, agora você tem uma!" —falei, me aproximando e abraçando ela. E eu tava falando sério! Se eu tivesse feito ideia do quanto deve ter custado pra ela juntar coragem pra vir falar comigo e me pedir pra ir na casa dela, o único lugar onde ela podia ser ela mesma, pra uma noite do pijama... Bom. Uma garota que conseguia lidar com tudo que acontecia com ela e ainda assim continuar doce e gentil... esse era o tipo de garota que eu teria orgulho de chamar de amiga, sem dúvida! —Obrigada — ela murmurou contra o meu peito, me apertando forte. Ela era realmente pequenininha... mal chegava no meu queixo! —De nada! — eu retribuí o abraço. "Obviamente, eu sou o que sai ganhando nessa parada!" Isso, finalmente, fez ela rir. "Vamos!", ela disse, se afastando do nosso abraço e esfregando os olhos cheios de lágrimas, me pegando pela mão. "Vou te mostrar meu quarto, e você pode se trocar pra algo mais confortável se quiser". Ela me levou de volta pra fora da cozinha, e subimos por uma escada estranha e pequena, até o corredor do quarto. Era esquisito... era como se a casa fosse dividida em duas, com uma metade elevada meio andar em comparação com a outra metade, então você só precisava subir meio lance de escada de cada vez, em vez de um inteiro. Eu sabia que devia ter um nome pra isso... mas eu poderia ter batido os braços e voado antes de conseguir te dizer qual era. O quarto da Kat era... fofo. Tipo, dolorosamente fofo. Paredes rosas, lençóis e coberta rosa, fotos de pôneis de desenho animado nas paredes. Era um quarto de menininha, não de alguém da nossa idade. Mas... dava pra entender como também podia ser reconfortante; um centro de segurança e familiaridade, algo que nunca, jamais mudaria, igual quando ela era pequena. Ela foi até a cômoda dela (Surpresa! Também rosa), e rapidamente tirou o moletom... "Meu Deus, Kat!" eu ofeguei, meus olhos se arregalaram ao ver os peitões duplo D que ela tinha escondido debaixo. Eu tinha sentido algo durante nosso abraço... mas não esperava por aquilo! Ela podia ser baixinha... mas a natureza com certeza valeu a pena e muito! "Onde você andava escondendo essas coisas?" "No mesmo lugar de sempre!" ela riu timidamente, esticando o braço pra trás pra desabotoar o sutiã rosa de renda sexy. E quando tirou... Meu Deus! Não sabia como era possível, mas de alguma forma eles pareciam ainda mais incríveis, balançando soltos! Ela esfregou um pouco a parte de baixo, acho que pra tirar a sensação do sutiã, e senti meus olhos saindo das órbitas! Esse era um problema que eu nunca teria que enfrentar; eu gostava dos meus peitos pequenos e firmes, juro que sim... mas com certeza sentia inveja dos peitos enormes e perfeitos da Kat! "Aprendi a lição na minha escola anterior; não escondi rápido o suficiente quando eles começaram a crescer, e assim que todos os caras souberam o que eu tinha, não me deixaram em paz! Nunca saí com nenhum deles... Não dava, na real, mesmo se quisesse. A menos que nossos 'encontros' fossem só na minha casa. Mas todos eram uns moleques estúpidos e imaturos, então nem queria mesmo. Isso não impediu que me chamassem de gostosa e puta quando eu recusava... Então, quando eu e meu pai tivemos que nos mudar pra cá, soube que não ia cometer o mesmo erro duas vezes." Ela puxou da gaveta uma camiseta minúscula de alcinha fina que deixava a barriga de fora, vestiu e ajustou. Rosa de novo, claro, com um desenho de uma nuvem de chuva fofa com cara de brava sentada entre os peitos dela — os mamilos grossos e saltados faziam parecer que a nuvem tinha criado um par de punhos e ameaçava me socar no olho com eles! Depois vestiu a calça jeans, deixando à mostra uma tanga rosa incrivelmente sexy combinando com o sutiã agora sumido, e uma bundinha redonda que me fazia lutar pra não olhar! Ela abriu a próxima gaveta e enfiou uns shorts justinhos que não deixavam nada pra imaginação. (Consegue adivinhar a cor dessa vez?) Ha! Era salmão. Cê achou que eu ia dizer rosa, né?" "Então é só você e seu pai?" perguntei, me esforçando pra voltar ao normal e parar de olhar pra bunda dela. "Sim!", ela sorriu. "Eu era bem pequena quando minha mãe morreu. Tenho algumas lembranças dela... mas é mais como se eu lembrasse da ideia que tenho dela, do que quem ela era de verdade. Mas tá tudo bem; tenho o melhor pai do mundo inteiro pra compensar!" "Ah, é?" ri, meio sem querer. Meu pai também era foda... mas a empolgação da Kat era contagiante. "Espera só até você conhecer ele quando chegar do trabalho. Cê vai ver!", ela riu, cheia de confiança. "Tem certeza que não quer trocar pra algo mais confortável? Pode pegar emprestado o que quiser. Minhas calças de yoga iam ficar ridículas em você, cê é alta demais... mas a gente tem quase o mesmo manequim de cintura e quadril. Tenho camisetas, shorts e saias confortáveis... e nem todas são rosa, se quiser algo mais a sua cara..." "Acho que tô bem por enquanto", ri de novo, balançando a cabeça. "Como quiser", ela deu de ombros. "Me avisa se mudar de ideia que te ajudo a achar algo que cê goste. Ah! E antes que eu esqueça de perguntar, cê tem alguma alergia ou não gosta de comer alguma coisa, antes de eu começar a planejar o jantar?" "Cê cozinha?" perguntei, meio surpresa. Não achava que nenhum dos meus amigos soubesse cozinhar... nem as mães deles! Eu, com certeza, não sabia. E minha mãe... Uma vez, ela conseguiu queimar uma panela com água fervendo. Meu pai brincava dizendo que sabia que ela nunca ia se divorciar dele, porque era só esconder os cardápios de delivery que em três dias, no máximo, ela tava implorando pra ele voltar! "Toda noite desde que eu tinha oito anos!", ela exclamou, toda orgulhosa. "Mas, sinceramente, meu pai me deu uma ajuda no começo." "Nossa... tô realmente impressionada!" Sorri. "Posso lidar com quase qualquer coisa que vier. com instruções na caixa... qualquer coisa além disso, eu nem saberia por onde começar!" "Não é tão difícil, depois que você pega o jeito", ela deu de ombros, tímida, mas com um sorriso claramente orgulhoso aparecendo no canto dos lábios. "Na verdade... se você estiver a fim de aprender algo esta noite, que tal a gente fazer pâtes fraîches pro jantar?" "Fazer o quê?" Eu ri e balancei a cabeça. "Pat fresca?" "Pâtes fraîches", ela repetiu, rindo também. "É francês. Significa 'massa fresca'; macarrão feito do zero." "Você sabe fazer isso?" eu perguntei, boquiaberto, e ela riu ainda mais alto. "Vamos!" Ela pegou minha mão de novo e começou a me puxar para fora do quarto dela, descendo aquela escada estranha de meio andar até a cozinha. "Não é tão difícil quanto parece. É uma pena que não tenhamos tempo pra fazer um bolonhesa de verdade... a menos que você tenha três ou quatro horas pra deixar cozinhando em fogo baixo, não vale a pena o esforço." "Mais francês?" eu perguntei. "Italiano", ela riu, parando na cozinha e apontando pra um dos armários altos perto do corredor. "Você é alta... consegue pegar minha máquina de macarrão naquele armário? Cuidado, é pesada." "Máquina de macarrão..." eu repeti baixinho, enquanto ela me soltava pra começar a juntar utensílios e ingredientes. Abri o armário... "É aquela coisa que parece uma..." Deixei a frase no ar, sem saber como descrever o que via. "Tipo uma prensa de aço gigante?" ela riu. "É, essa mesma. Não deixa cair! Pesa mais do que parece." Estendi a mão e levantei ela com cuidado da prateleira, sem tirar ainda; ela tinha razão, a coisa pesava mais do que aparentava. Segurei por um momento, ajustei o apoio e tirei ela, levantando com cuidado. "Deveria ter uma alça e umas presilhas pra prender na bancada", ela disse, sem nem olhar pra mim, pelo que eu percebi. "Elas deviam estar nesse mesmo armário... mas às vezes mudam de lugar, se o meu pai é quem guarda as coisas. lava-louças antes que eu pudesse alcançá-lo». «Hum...» Apesar da minha altura, tive que recuar e ficar na ponta dos pés pra dar uma olhada lá dentro, mas achei que vi alguma coisa que pelo menos tinha o mesmo brilho de aço que o resto da máquina. Depois de tatear às cegas por um tempo, encontrei o que era, de fato, uma alça e duas braçadeiras. Durante as duas horas seguintes... receio que não fui de grande ajuda. Fiz o melhor que pude, e a Kat foi maravilhosamente paciente comigo... mas dava pra perceber que tudo que ela me mandava fazer pra "ajudar", ela mesma teria feito muito melhor, e na metade do tempo que levou pra explicar o que queria que eu fizesse. Acho que nunca senti tanta empatia pelos meus professores como naquele momento, vendo ela tentar me ensinar! Mas apesar do valor duvidoso da minha ajuda, por algum pequeno milagre conseguimos terminar tudo bem na hora do pai dela chegar em casa, incluindo o que aparentemente era um molho pomodoro. Nessa altura, já estava convencido de que ela só tava inventando palavras pra me sacanear! Mas fosse o que fosse, tinha um gosto incrível quando ela me fez provar na ponta da colher dela! " Papai! ", a Kat gritou de repente, a colher dela batendo alto contra a pia. Nem ouvi a porta abrir, mas obviamente ela tava esperando por ele; Ela saiu disparada da cozinha, se jogando no peito dele enquanto ele ainda entrava pela porta. "Ufa!", ele grunhiu, e depois riu enquanto se inclinava pra abraçá-la com mais força, levantando ela no ar. Ela riu docemente, os pezinhos lindos dela com meias cor-de-rosa balançando no ar. Arregalei os olhos e aproveitei a distração dela pra observá-lo sem ser visto. Puta merda, que gostoso que ele era! Devia ter pelo menos um metro e noventa, talvez até um metro e noventa e cinco, o que não fazia o menor sentido, considerando como a Kat era pequenininha. Tinha o cabelo quase tão escuro quanto o meu, mas com uns fios grisalhos aqui e ali, e mais ainda na barba grossa e bem cuidada dele. recortada. E os olhos dele... ai, meu Deus, os olhos dele! Eram do tom de azul mais incrível, tipo cristalino! Aí ele se virou pra me encarar, com a Kat ainda agarradinha nele, e quase me tremeram as pernas! Ele fechou a porta atrás de si, tirou os sapatos e carregou ela no colo até a cozinha antes de largar ela do meu lado. "E você deve ser a Emma", ele falou pra mim com um sorriso. Que palavra tão fraca pra uma expressão que literalmente me deixou sem fôlego e me apavorou, tentando lembrar como falar! "Ah, oi, senhor Korhonen. Prazer em conhecê-lo", consegui gaguejar, estendendo a mão pra apertar a dele. "Por favor, me chama de Taavi", ele me corrigiu. Tinha um sotaque leve que acho que nunca ouvi antes e não conseguia identificar. A Kat não tinha; ela soava tão canadense quanto eu, depois que você fazia ela falar. Um sorrisinho se formou nos lábios dele ao ver minha mão; a dele era quente e forte no aperto. Aí ele me soltou... e de repente me abraçou! Eu congelei... e me derreti contra o peito dele. Nossa, ele cheirava tão bem! O que era aquilo? Algum tipo de colônia? Ou... era só ele? Só o cheiro da pele e do suor dele através da camisa? Ele era tão alto, os braços dele tão fortes em volta das minhas costas... Apoiei minha cabeça no ombro dele, mal me segurando pra não gemer, e me aninhei contra o peito dele! Aí acabou, e ele tava se afastando... e foi um esforço danado de vontade, soltar ele! "Então... o que você preparou pra gente hoje à noite, gatinha?" ele perguntou. "Pâtes fraîches com pomodoro", ela riu orgulhosa, se aninhando no lado dele e passando o braço em volta dele. Ele fez o mesmo, se inclinando pra beijar ela no cabelo loiro comprido e macio. "Mas não fui só eu; a Emma ajudou". "Eu tava lá... não sei quanto 'ajudei' de verdade", me senti na obrigação de admitir. "Bom, não se sinta tão mal por causa disso!" Ele riu. "Minha gatinha tem um dom; ela me superou na cozinha antes mesmo de chegar na puberdade!" "Pai!", ele a repreendeu.
1 comentários - A nova me chamou pra casa dela