Edilma, a coroa gostosa

Conheci ela há anos na igreja do bairro, daquelas que a gente vê todo domingo no mesmo banco, com o mesmo vestido florido e a mesma bolsa de couro preto pendurada no braço. Era amiga da minha mãe, daquelas amizades que se formam entre missas e novenas e que duram décadas sem ninguém saber direito como começaram. Edilma devia ter uns 54 anos. Viúva há seis, segundo minha mãe, de um senhor que trabalhou a vida inteira na Prefeitura e morreu de infarto do nada. Sem filhos. Sozinha numa casa em El Campestre que tinha ficado grande e silenciosa. Era uma mulher apresentável, daquelas que se arrumam todo dia mesmo sem ter pra onde ir. Sempre penteada, sempre com os lábios pintados de um vermelho discreto, sempre com os sapatos limpos. Tinha o corpo de uma mulher que foi magra quando jovem e que com os anos ganhou peso nos quadris e nos peitos de um jeito que não ficava ruim, muito pelo contrário. Morena clara, com o cabelo tingido de preto azulado que batia nos ombros e umas mãos cuidadas com as unhas sempre feitas. Nunca tinha olhado pra ela de outro jeito. Era a amiga da minha mãe. A dona Edilma. Bom dia, boa tarde, que Deus te abençoe. Até que um domingo depois da missa ela me pediu um favor. --- Precisava que eu ajudasse a mudar uns móveis. O sobrinho dela, que sempre ajudava, tava em Bogotá e ela não queria incomodar mais ninguém. Pediu com aquela vergonha característica dela, olhando pro chão, diminuindo a importância. —Fica tranquila, dona Edilma. Domingo à tarde passo aí. —Ai, Andrés, que bonzinho. Não sei o que faria sem os filhos da sua mãe. Cheguei às três. Ela abriu a porta com um vestido de ficar em casa, daqueles largos e frescos que as senhoras mais velhas usam quando não tem visita formal. Mas na Edilma aquele vestido azul claro com florzinhas pequenas parecia diferente: marcava os peitos e caía nos quadris com uma naturalidade que não tinha nada de intencional e Exatamente por isso era tão difícil de ignorar. Ela estava descalça no chão frio da sala, as unhas pintadas de um rosa suave. —Pode entrar, pode entrar. Quer um chá de panela? —Tá bom, quero sim. A casa cheirava a colônia suave e a comida recém-feita. Era uma casa arrumada, com quadros religiosos nas paredes e toalhas de renda nas mesas, mas com um aconchego que se sentia já na entrada. Eu movi os móveis em vinte minutos. Um sofá, uma cômoda, um armário. Edilma comandava da porta de cada cômodo, apontando com aquelas mãos cuidadas, pedindo desculpa a cada dois minutos pelo incômodo. Quando terminei, ela me levou até a cozinha e colocou o chá de panela com limão e uma fatia de queijo coalho em cima da mesa. —Senta, você merece. Ela sentou na minha frente. Assim, de perto, na luz da cozinha, reparei em coisas que de longe, na igreja, não dava pra notar. As ruguinhas finas ao redor dos olhos que nem chegavam a ser rugas, só marcas de expressão. O jeito que os lábios dela se moviam quando falava, aquela boca bem desenhada com o lábio inferior grosso. O decote do vestido que se abria um pouquinho quando ela se inclinava pra frente e deixava ver a borda de um sutiã de renda cor de pele que não combinava nada com a imagem de senhora da igreja que eu tinha dela. Ela me pegou olhando. Se endireitou devagar, sem fazer drama. Ajeitou o vestido com uma mão e continuou falando como se nada tivesse acontecido, mas com as bochechas um tom mais escuras. Ficamos lá quase uma hora. Ela falava das coisas dela, do bairro, da igreja, de como eu tinha crescido desde que era moleque. Eu escutava e respondia, e em algum momento parei de escutar de vez e fiquei só olhando pra ela. Tinha algo em Edilma que eu nunca tinha visto antes porque nunca tinha tido motivo pra procurar. Uma solidão específica, daquelas que não reclama nem pede nada, mas que se nota no jeito que a pessoa preenche o silêncio com palavras, em como agradece demais uma visita que não durou nem duas horas. Quando eu Levantei pra ir embora, ela me acompanhou até a porta. —Obrigada, Andrés. De verdade. Você não sabe como é bom ter alguém de confiança. —Pra isso que a gente tá aqui, dona Edilma. —Edilma, só. Que "dona" me faz sentir velha. Olhei pra ela. Ela sustentou o olhar um segundo a mais do que o normal e depois baixou os olhos. —Edilma —falei. Ela sorriu com aquela boca que tinha e abriu a porta. --- Voltei no sábado seguinte. Sem ela me chamar, sem desculpa concreta. Passei por lá com um saco de pandeyuca da padaria da esquina e toquei a campainha como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ela abriu de roupão. Um roupão de tecido leve, verde, amarrado na cintura. Dava pra ver que tinha acabado de tomar banho, com o cabelo molhado nos ombros e o rosto sem maquiagem. Sem maquiagem era diferente: mais suave, mais real, com aquelas marquinhas finas ao redor dos olhos e aquela boca que sem o batom vermelho continuava sendo a mesma boca. —Andrés —disse, surpresa—. Aconteceu alguma coisa? —Nada. Tava passando por aqui e trouxe pandeyuca. Ela me olhou por um instante, avaliando. Depois se afastou. —Entra. Tomamos café na sala dessa vez. Ela tinha amarrado melhor o roupão, mas em algum momento sentou com as pernas cruzadas no sofá e o tecido abriu até o joelho, deixando ver a panturrilha morena e o pé descalço balançando sozinho no ar. Conversamos diferente naquele dia. Menos enrolação, menos cerimônia. Em algum momento ela disse alguma coisa e eu ri, e ela riu também, de verdade, com aquela risada que a gente dá quando baixa a guarda sem perceber. —Você é muito estranho, Andrés —disse, ainda sorrindo. —Por quê? —Porque a gente nunca sabe pra onde você vai. Olhei fixo pra ela. —Pra onde você quer que eu vá? O silêncio que veio durou três segundos exatos. Ela parou de sorrir, não de repente, mas devagar, como quando uma luz vai se apagando. Baixou os olhos pro café, mexeu na xícara. —Não fala essas coisas —disse, baixinho. —Por que não? —Porque eu sou amiga da sua mãe. Porque tenho a idade que tenho. Porque —fez uma pausa— porque não. —Edilma. Ela levantou os olhos. —Você é uma mulher muito gostosa. E não tô falando por falar. Deu pra ver na sua cara. Não era vaidade, era outra coisa, aquela coisa que a pessoa sente quando ouve algo que precisava ouvir e fazia tempo que não ouvia. Seus olhos brilharam por um segundo e depois ela desviou o olhar pra janela. —Vai pra sua casa —disse, sem convicção. Não fui. Me aproximei devagar no sofá. Ela não se mexeu, olhando pela janela, com as mãos apertadas em volta da xícara. Coloquei minha mão sobre a dela, de leve, sem pressionar. Senti ela se tensar. Depois, bem devagar, relaxar. —Andrés —disse, com uma voz que não reconheci porque era a primeira vez que ela falava comigo daquele jeito—. Eu não sei fazer essas coisas. —Que coisas. —Essas. —Fez um gesto vago com a mão—. Faz seis anos que não... Não terminou. Não precisava terminar. Tirei a xícara das mãos dela com cuidado e coloquei na mesa. Me aproximei mais. Ela me olhava de frente agora, com aquela mistura de medo e algo mais que mudava a respiração dela. Beijei ela devagar. Um beijo curto, sem pressão, só pra perguntar. Ela não respondeu na hora. Mas também não se afastou. Ficou parada com os olhos fechados quando me afastei. —Meu Deus —murmurou, pra si mesma. —Tá tudo bem? Ela abriu os olhos. Me olhou. —Não sei —disse, sincera. Beijei ela de novo. Dessa vez ela respondeu, de leve, com uma timidez que não era de menina, mas de mulher que esqueceu como se faz isso e tá lembrando devagar. Coloquei uma mão no rosto dela e ela cobriu com a dela, apertando meus dedos contra a bochecha como se precisasse daquela âncora. Ficamos nos beijando assim por um bom tempo, sem pressa, deixando ela se acostumar. Quando me afastei, os olhos dela estavam úmidos, mas não de tristeza. —Por que você tá chorando? —perguntei. —Não sei —disse, enxugando o olho com as costas da mão—. Não tô chorando. É que faz muito tempo. Sequei a bochecha dela com o polegar. Ela pegou minha mão e ficou apertando. —Andrés, eu nunca... —começou, e parou. —Nunca o quê. A cor sumiu do rosto dela. Ela baixou os olhos. —Meu marido era muito... conservador. Nunca me... —Outra pausa longa—. Nunca me fazia certas coisas. Dizia que isso não se fazia. Olhei pra ela, esperando. —Que coisas, Edilma? Demorou pra responder. Quando respondeu, não me olhou. —O que fazem por baixo —disse, tão baixinho que quase não ouvi. O silêncio que veio depois foi daqueles que pesam de um jeito bom. —A senhora quer que eu faça isso? —falei, direto, sem rodeios. Ela ficou vermelha. Não respondeu. Mas também não disse não. Desci do sofá e me ajoelhei na frente dela. Peguei os pés dela, aqueles pés cuidados com as unhas rosadas, e coloquei nos meus joelhos. Ela me olhava de cima com os olhos bem abertos e as mãos apertadas no colo. Beijei o pé dela. Passei os lábios pelo tornozelo, pelo arco, pelos dedos. Ela soltou o ar que estava segurando. —Ai —disse, quase sem som. Beijei a panturrilha dela. O joelho. Fui subindo devagar pela perna enquanto o roupão se abria sozinho. Ela não fechou. Tinha os olhos fixos em mim, a boca entreaberta, as mãos agora agarradas na almofada do sofá. Quando cheguei nas coxas, ela tremeu. —André —disse, com a voz completamente diferente. —A senhora quer que eu pare? Ela balançou a cabeça que não. Um movimento pequeno, quase imperceptível, mas claro. Afastei as coxas dela com cuidado. Ela tava de calcinha de algodão branca, simples, e tava molhada. Isso me disse tudo que eu precisava saber sobre o que o corpo dela queria, mesmo que a cabeça ainda estivesse pedindo permissão pra Deus. Passei os lábios por cima do pano primeiro, só pra acostumar ela. Ela deu um pulo e tapou a boca com a mão. —Espera —disse, com a voz trêmula. Parei. —O quê? —É que... —respirou fundo— ...tô com medo. —Medo de quê? —De não gostar. Ou de gostar demais. —Ela me olhou—. Não sei qual dos dois me assusta mais. Me ajoelhei melhor, com as mãos abertas sobre as coxas dela. —Edilma. Fica tranquila. Se a qualquer momento quiser parar, para. Sem explicação. Ela me olhou por um longo instante. Depois balançou a cabeça que sim, fechou os olhos, e jogou a cabeça pra trás. contra o encosto do sofá. Eu puxei a calcinha dela devagar. O que apareceu foi a coisa mais honesta que eu já tinha visto: um pelo grisalho e macio, abundante, completamente natural, de mulher que nunca teve motivo pra depilar porque ninguém nunca pediu isso. Abri com cuidado e o que encontrei era escuro e úmido e cheirava a mulher trancada dentro de si mesma por seis longos anos. Passei a língua pela primeira vez. O som que a Edilma soltou não foi um gemido, foi algo mais primitivo, mais surpreso, como quem leva um golpe que não dói, mas acorda. As mãos que ela tinha no colo foram pra minha cabeça sem que ela decidisse conscientemente, pousando ali com uma delicadeza que foi virando pressão conforme eu continuava. — Meu Deus — murmurou, com a voz completamente quebrada —. Meu Deus. Comi devagar, aprendendo a geografia dela, lendo cada tremor. O clitóris dela era escondido, mas respondia a tudo, inchando debaixo da minha língua. Senti ela se abrir aos poucos, aquele corpo que tinha ficado fechado por tanto tempo cedendo com uma gratidão que se sentia em cada músculo. Enfiei um dedo com cuidado. Ela soltou um gritinho e tapou a boca na hora, olhando pra janela por reflexo, mesmo a gente estando sozinho. — Não tem ninguém — lembrei. — Eu sei — disse ela, com a mão ainda na boca —. É que não consigo evitar. — Não se tape. Quero ouvir você. Ela me olhou de cima com aqueles olhos que já não tinham nada da senhora da igreja. — Tô com vergonha — disse. — Vergonha de quê? Se só tem nós dois. Demorou. Aí ela baixou a mão devagar, deixou cair do lado do corpo, e quando eu me mexi de novo dentro dela, o som que saiu foi completo, sem filtro, daqueles que se formam no fundo do peito e sobem sozinhos. Trabalhei ela assim por um bom tempo, sem pressa, deixando ela se acostumar com o prazer como quem se acostuma com a luz depois de muito tempo no escuro. Ela gemia baixinho, depois mais alto, com os quadris se mexendo sozinhos na direção da minha boca, os dedos enroscados no meu com a boca com uma força que eu nem sabia que tinha. —Não para —ela dizia—. Por favor, não para. Quando gozou, foi com o corpo inteiro. As pernas se fechando em volta da minha cabeça, as costas arqueadas, um gemido longo e profundo que encheu a sala inteira e que ela não tentou abafar. Ficou tremendo por quase um minuto, com as mãos apertando minha cabeça contra ela, até o corpo ir soltando aos poucos. Me afastei devagar. Olhei pra ela de baixo. Tinha os olhos fechados e as bochechas molhadas. Não de tristeza. Daquilo que sai quando o corpo libera algo que tava guardado tempo demais. Sentei do lado dela no sofá. Ela ainda não tinha aberto os olhos. Peguei na mão dela e ela apertou forte a minha. —Tá bem? —perguntei. Demorou pra responder. —Tô —disse, com uma voz nova, daquelas que não se formam na garganta, mas mais pra baixo—. Tô muito bem. Silêncio. O vinho gelado na mesa. Os quadros religiosos na parede olhando pra gente sem opinar. Abriu os olhos e me encarou de frente. Sem vergonha, sem pedir desculpa. Só aquele olhar direto de mulher que acabou de lembrar de algo sobre si mesma que tinha esquecido. —Andrés —disse. —O quê. —Quero mais. Não falou como pergunta nem como pedido. Falou como quem tomou uma decisão depois de pensar o suficiente. Sorri pra ela. —Então fica quieta —falei, e beijei ela devagar enquanto o roupão terminava de se abrir sozinho. --- Naquela tarde, Edilma perdeu a vergonha de vez. Devagar, em camadas, como quem tira roupa que tava vestida há anos sem perceber. Primeiro o roupão. Depois a voz. Depois aquela contenção que tinha acompanhado ela durante seis anos de viuvez silenciosa e missa de domingo e casa grande e vazia. O que ficou por baixo de tudo isso era uma mulher que queria e que sabia pedir e que quando finalmente se soltou de verdade encheu cada canto daquela sala com uma presença que não tinha nada a ver com a dona Edilma que eu conhecia desde sempre. Quando fui embora já era noite. Ela me acompanhou até a porta com o roupão amarrado de novo, o Pelo bagunçado e aquela expressão de quem acabou de acordar de um sonho longo. —Andrés —disse, antes de fechar. —O quê. —Isso... —procurou a palavra— ...ninguém sabe, né? —Ninguém. Ela assentiu, satisfeita com isso. —E vai voltar? —perguntou, com uma naturalidade que não tinha nada de súplica, mas carregava todo o peso do que a gente tinha feito naquela tarde. —A senhora quer que eu volte? Ela me olhou. —Sim —disse, sem rodeios. —Então eu volto. Ela fechou a porta. Eu fiquei um momento na calçada, debaixo do céu de Montería cheio de estrelas, ouvindo o bairro tranquilo naquela hora. No domingo seguinte, vi ela na igreja, na cadeira de sempre, com o vestido florido e a bolsa de couro preto. Ela me cumprimentou com uma inclinação de cabeça discreta, daquelas que não significam nada pra mais ninguém. Mas me olhou dois segundos a mais que o normal. E naquele olhar estava tudo. Voltei na quarta-feira. Ela abriu a porta antes que eu tocasse a campainha, como se tivesse escutado os passos desde a rua. Tava com o mesmo vestido florido dos domingos, mas sem a bolsa, sem os sapatos, com o cabelo solto nos ombros e os lábios pintados daquele vermelho discreto de sempre. Esse detalhe me disse que ela tinha se arrumado pra mim, que tinha pensado nisso, que não foi uma decisão de última hora, mas algo que carregou desde o domingo na igreja. —Entra —disse, se afastando. Entrei. A casa tinha o mesmo cheiro, de colônia suave e de algo cozido mais cedo. Mas o clima era diferente. Não tinha café passado nem desculpa de visita. Só nós dois sabendo pra que eu tava ali. Ela sentou no sofá. Eu sentei do lado, perto, e ela não se afastou. —A senhora tá nervosa? —perguntei. —Tô —disse, honesta como sempre. —Por quê. —Porque outro dia foi uma coisa. Mas hoje eu já sei que vim pra algo. E isso se sente diferente. Olhei pra ela. —A senhora se arrepende? Demorou. Depois balançou a cabeça, devagar. —Não. —Me olhou—. Mas preciso te falar uma coisa. —Fala. —Eu nunca fiz o que você fez. E também nunca feito... o outro. —Ela baixou os olhos—. Nunca fiz isso com meu marido assim. Do jeito que dizem que se faz. O silêncio que veio não foi estranho, mas carregado. —Quer aprender? —falei, direto. A cor sumiu do rosto dela. Depois voltou, mais escura. —Sim —disse ela, quase sem voz. Me aproximei e beijei ela devagar. Ela respondeu melhor que da primeira vez, com mais confiança, com aquela boca carnuda que sabia beijar, mesmo que tivesse esquecido que sabia. Coloquei uma mão no joelho dela e senti ela se tensar e relaxar ao mesmo tempo. Fui subindo a mão pela coxa, por baixo do vestido. Ela abriu as pernas só um pouquinho, aquele gesto pequeno que diz tudo. Já tava molhada, por cima do tecido da calcinha, e quando passei os dedos por cima, ela soltou o ar que tava segurando. —Edilma —falei. —O quê. —Hoje você vai fazer isso em mim primeiro. Ela me olhou. Os olhos bem abertos. —André, eu não sei. —Eu te ensino. Ela ficou parada, processando. Depois assentiu, uma vez, com aquela determinação calada que tinha quando decidia alguma coisa. Fiquei de pé na frente dela. Peguei as mãos dela e coloquei na minha cintura. Ela deixou elas lá, quietas, olhando pra cima com uma mistura de concentração e nervosismo que me pareceu a coisa mais sincera do mundo. —Sem pressa —falei—. Do seu jeito. Os dedos dela acharam o botão da calça. Ela foi trabalhando devagar, com cuidado, como quem desmonta algo delicado. Quando abaixou junto com a cueca e fiquei na frente dela, ela me olhou com uma expressão que não era medo, mas espanto, daquelas pessoas que veem algo pela primeira vez e precisam de um momento pra se situar. Estendeu uma mão e me tocou com os dedos, explorando, com uma delicadeza que vinha de não saber e de querer fazer direito ao mesmo tempo. Aquele toque desajeitado e cuidadoso me pareceu mais erótico do que qualquer manha aprendida. —Assim? —perguntou ela, me olhando. —Assim. Com mais pressão. Ela apertou um pouco mais. Coloquei a mão dela sobre a minha e mostrei o ritmo sem apressar. Ela aprendia rápido, com aquela atenção que devia ter. na sala de aula, concentrada, atenta a cada reação. — O senhor gostou? — perguntou, com uma voz diferente. — Muito. Isso a animou. Ela se inclinou pra frente, hesitou um segundo, e então meteu na minha boca com uma honestidade desajeitada que me acertou direto no estômago. Fez devagar, sem saber direito como, mas com uma entrega que compensava todo o resto. Fechei os olhos. — Tá bom assim? — ela se afastou um momento pra perguntar, me olhando de baixo com aqueles olhos castanhos. — Tá muito bom, Edilma. Ela continuou. Foi encontrando o caminho sozinha, aprendendo o que agradava meu corpo, respondendo a cada sinal. Em algum momento, enrolei os dedos no cabelo preto tingido dela, e ela não recusou, mas se ajeitou, fechando os olhos, se enfiando mais. Parei antes que ela terminasse. Ela ergueu a cabeça, com os lábios molhados e a maquiagem levemente borrada. — Fiz algo errado? — perguntou. — Nada. É que não quero terminar assim ainda. Me ajoelhei na frente dela como da primeira vez. Levantei o vestido dela, puxei a calcinha pra baixo. Aquele cheiro dela, denso e doce, carregado daqueles dias desde a quarta-feira passada, me acertou em cheio. Fiquei respirando ele um momento de olhos fechados. — Isso te dá nojo de novo — ela disse, com a vergonha aparecendo de novo. — Não me dá nojo. Adoro como você cheira. — Andrés... — Sério. Seu cheiro me deixou louco desde a semana passada. Vi ela processar isso. Aquela ideia de que o cheiro dela, aquele cheiro que ela provavelmente considerou um defeito a vida inteira, era pra mim exatamente o oposto. Afastei as coxas dela e passei o nariz pelas dobras devagar, cheirando de perto, saboreando aquele aroma denso antes de tocar com a boca. Ela colocou as mãos na minha cabeça. Chupei devagar, lembrando do que tinha agradado ela da primeira vez, e ela respondeu mais rápido agora, sem a barreira do medo inicial. Ela gemeu sem se segurar, com aquela voz nova que tinha encontrado na quarta-feira passada e que hoje saía mais fácil. Em algum momento, levantei a cabeça e olhei pros pés dela, que ela tinha deixado na borda do sofá. Passei a mão nelas, puxei pra perto de mim. — O que cê tá fazendo? — ela perguntou. Não respondi. Beijei o peito do pé, o tornozelo, passei a língua na sola e ela deu um pulo e soltou uma risada nervosa. — Isso faz cócega. — Só cócega? Enfiei o dedão na boca dela e chupei devagar, olhando pra ela. A risada morreu na hora. Ela abriu os lábios. — Não — disse, com a voz diferente—. Não é só cócega, não. Trabalhei os pés dela enquanto continuava tocando entre as pernas com a outra mão, e ela não sabia onde pôr os olhos nem as mãos, perdida entre as duas sensações. — Andrés, que parada é essa — falou, sem fôlego—. Por que é que isso é tão bom? — Bom ou ruim? — Bom. Muito bom. Bom demais. Sentei ela em cima de mim no sofá, de frente. Ela me envolveu com as pernas, segurando meus ombros, e entrou devagar, com os olhos fixos nos meus, mordendo o lábio com uma concentração que achei linda. Quando me teve todo lá dentro, fechou os olhos e ficou parada um instante. — Meu Deus — murmurou. — Tá bem? — Tô perfeitamente bem — disse, e começou a se mexer. Ela se movia com uma lentidão que não era timidez, era prazer, de quem saboreia algo que sabe que vale a pena. Agarrei os quadris dela e guiei de leve, sem forçar o ritmo. Ela gemia baixinho contra meu pescoço, com aquele cabelo grisalho roçando meu rosto, cheirando aquele perfume suave que ela usava sempre e, por baixo, a suor recente e a mulher no fogo. — Mais fundo — pediu, baixinho, como se custasse a falar. Empurrei os quadris pra cima. Ela soltou um gemido longo. — Isso — disse—. Assim. Fomos aumentando o ritmo juntos, naturalmente, sem ninguém decidir. Os gemidos dela enchiam a sala, sem vergonha agora, aqueles gemidos de mulher que esperou demais e não tem mais motivo pra esperar. Mordi o ombro dela e ela cravou as unhas nas minhas costas. Agarrei as nádegas dela com força e ela arqueou as costas e me olhou de cima com aqueles olhos que já não tinham nada de senhora da igreja. — Quem diria que —Me diz —disse ela, entre ofegos, com um sorriso que era metade incredulidade e metade pura satisfação— que na minha idade... —Cala a boca —falei, e beijei ela. Ela riu dentro do beijo. E depois esqueceu de rir porque o corpo pediu toda a atenção. Gozou em cima de mim com um gemido longo e sem desculpas, agarrada nos meus ombros, com o corpo inteiro tremendo e aquele cheiro dela enchendo meu nariz, misturado com suor e colônia e aquela coisa específica que a Edilma tinha e que não existia em nenhum outro lugar do mundo. Eu gozei logo depois, dentro dela, apertando as cadeiras dela com as mãos. Ficamos assim, enroscados, respirando. Ela não desceu na hora. Ficou sentada em cima, com a testa encostada na minha, recuperando o fôlego. —André —disse ela. —O quê. —Obrigada. —De novo obrigada? —É que não sei mais o que dizer. Afastei o cabelo do rosto dela. Ela deixou, de olhos fechados. —Não precisa dizer nada —falei. Ela ficou quieta um momento. Depois abriu os olhos e me olhou com aquela expressão direta que tinha quando falava sério. —Sabe o que é mais estranho em tudo isso? —O quê. —Que não me sinto culpada. —Ela fez uma pausa—. Pensei que ia me sentir culpada. —E? —E nada. Me sinto bem. —Ela me olhou—. Isso é errado? —Não —falei—. Isso é perfeitamente normal. Ela sorriu. Aquele sorriso que não era o da senhora da igreja, mas um completamente novo, de mulher que acabou de encontrar algo que não sabia que tinha perdido. Desceu devagar, ajeitou o vestido com aquela calma que tinha pra tudo, e foi pra cozinha preparar o café que não tínhamos tomado. Eu fiquei no sofá, ouvindo ela se mexer na cozinha, com o cheiro do corpo dela ainda em mim e os quadros religiosos na parede olhando pro outro lado com uma discrição que agradeci. Voltei na sexta seguinte; dessa vez ela abriu a porta com um sorriso desde o começo, sem o nervosismo das outras vezes. Tava com um roupão diferente, azul-marinho, e o cabelo preso mas não apertado, com aqueles fios grisalhos nas têmporas que eu tinha aprendido a procurar porque gostava. —Passei na padaria —falei, levantando a sacola. —Sempre com o pão de queijo —disse ela, se afastando. Mas dessa vez quando entrei, ela me agarrou pelo braço, me virou e me beijou primeiro. Sem rodeios, com aquela boca que tinha aprendido a não pedir permissão. Segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou longo, com uma calma que era totalmente dela. Quando se afastou, olhou direto nos meus olhos. —Já não quero café primeiro —disse. Peguei na mão dela e a levei pro quarto. --- Ela se despiu sozinha dessa vez. Sem eu pedir nada, sem esperar que eu começasse. Desamarrou o roupão, dobrou na cadeira com aquele jeito organizado que não conseguia evitar, e ficou parada na minha frente com o sutiã cor da pele e a calcinha branca, com aquele corpo de mulher madura, quadris largos, barriga macia e aqueles peitões que o sutiã mal segurava. Me olhou. —O que tá esperando? —disse. Sentei na beira da cama e puxei ela pra mim. Desabotoei por trás e quando o sutiã caiu, fiquei um momento olhando. Os peitos dela eram generosos, pesados, com os mamilos bem escuros e largos que endureceram assim que tocaram o ar. As marcas do tempo no corpo dela, aquelas linhas suaves na pele, aquela barriga que tinha vivido, me pareceram mais honestas e mais excitantes que qualquer outra coisa. Levei um por um à boca. Ela enfiou os dedos no meu cabelo. —Ah —disse baixinho, de olhos fechados. Desci a calcinha dela devagar. Aquele cheiro dela, denso e doce e completamente dela, me recebeu como sempre e como sempre fiquei um momento ali, respirando, com o nariz enterrado naqueles pelos grisalhos e macios que cheiravam a mulher de verdade e a desejo guardado por dias. —Isso ainda me dá vergonha —disse ela, me olhando de cima. —Por quê? —Porque me cheira. —Adoro como você cheira. —André... —Edilma. Juro que é verdade. Ela ficou quieta. Aprendendo a aceitar isso também. Deitei ela na cama. Beijei o pescoço, a clavícula, o meio do peito, da barriga. Parei no umbigo e passei a língua ali, e ela se contorceu. —Isso faz cócegas —disse, com uma risadinha. Continuei descendo. Quando cheguei nas coxas dela, abri com cuidado e tomei meu tempo antes de tocá-la, beijando a parte interna de cada perna, cheirando de perto, sentindo o calor que saía dela aumentar a cada segundo. —André —disse, com a voz já diferente—. Não me faça esperar assim. —Incomoda esperar? —Me desespera. —Então espere mais um pouco. Soltou um som entre frustração e desejo que me fez sorrir contra a coxa dela. Quando finalmente passei a língua, ela arqueou as costas de repente e agarrou o lençol com as duas mãos. Chupei ela devagar, sem pressa, aprendendo de novo o que já sabia sobre ela. Edilma respondia com o corpo inteiro, sem guardar nada, com aqueles gemidos que enchiam o quarto sem que ela tentasse controlar. Tinha perdido essa batalha desde a quarta-feira anterior e não pretendia recuperá-la. Levantei os pés dela e coloquei sobre meus ombros enquanto continuava. Ela não perguntou por quê. Já sabia por quê. Acariciei os tornozelos, os calcanhares, passei os polegares nas plantas dos pés, e ela estremeceu. —Isso —disse, sem terminar a frase. Beijei um pé dela sem parar de mexer a língua entre as pernas. Os dedos na boca, um por um, chupando devagar enquanto ela perdia o fio de tudo o mais. —Meu Deus —dizia, sem saber se era invocação ou blasfêmia—. Meu Deus, meu Deus. Quando gozou, foi longo e profundo, com as pernas se fechando sobre meus ombros e um gemido que começou alto e foi descendo em ondas enquanto o corpo tremia sem parar. Subi em cima dela antes que terminasse de descer. Entrei devagar, sentindo ela ainda pulsando, e ela abriu os olhos de repente. —Ai —disse, com a voz completamente quebrada. Me movi devagar no começo. Ela me envolveu com as pernas, buscando mais profundidade, me puxando para dentro. —Não seja suave —disse. Olhei para ela. —Tem certeza? — Faz seis anos que sou manso com tudo — ele disse, me encarando —. Hoje não. Peguei na cintura dela e empurrei com força. Ela gritou e não tapou a boca. Mordi o ombro dela e ela cravou as unhas nas minhas costas e me puxou mais pra dentro com as pernas. Os peitos dela balançavam a cada estocada e eu me perdi neles, beijando, mordendo de leve, e ela gemia meu nome de um jeito que mexia comigo por dentro. Num momento virei ela de bruços. Ela se ajeitou sem perguntar, levantando a bunda, e de trás a vista era coisa séria: aquela raba de milf, cheinha, aquelas costas morenas, aquele cabelo preto com fios brancos espalhado no travesseiro. Entrei de novo. Ela afundou a cara no travesseiro e o som que saiu foi abafado e longo, sem nenhum vestígio da dona Edilma dos domingos. Passei as mãos pelas costas dela, pela cintura, pela bunda. Separei as nádegas com cuidado e passei o polegar devagar naquele lugar que ninguém nunca tinha explorado. Ela se tensou na hora. — Aí não — ela disse, levantando a cara. Tirei a mão sem insistir. — Beleza — falei, e beijei as costas dela. Ela relaxou de novo. Gostei disso: ela dizer não sem drama e eu parar sem drama, e os dois seguirem como se nada, porque nada tinha acontecido. Aquela confiança que tinha se formado entre a gente em tão pouco tempo era outra parada. Continuamos. Mais rápido, mais fundo, com ela empurrando pra trás a cada estocada e segurando o travesseiro com as duas mãos. — Andrés — ela disse, com a voz abafada no travesseiro. — O quê? — Vou gozar de novo. — Goza. — É que... ai... é que são muitas vezes. — E isso tem problema? Ela não respondeu. O corpo respondeu por ela: aquele tremor que começava na cintura e se espalhava pra cima, aqueles gemidos que aumentavam de volume sem que ela pudesse fazer nada. Ela gozou pela segunda vez com a cara no travesseiro e as mãos apertando o lençol, e um som que era a soma de tudo que ela tinha aguentado em seis anos de silêncio. Gozei junto com ela. Lá dentro, com a testa encostada nas costas dela. — Ficamos largados por um bom tempo. Ela de bruços, eu do lado, com uma mão nas costas dela que subia e descia com a respiração. Depois de um tempo, ela se virou e me olhou. O cabelo bagunçado, a maquiagem toda borrada, os lábios inchados. Linda daquele jeito que não se planeja. — Sabe o que eu pensei essa semana? — ela disse. — O quê. — Que perdi muito tempo. Não falei nada. Passei a mão no cabelo dela. — Não tô falando com tristeza — esclareceu. — Tô falando como um fato. — Fez uma pausa —. Mas não vou mais me perder. Beijei a testa dela. Ela fechou os olhos. Lá fora, o bairro tava calmo. Alguém cortando grama. Um menino de bicicleta. A vida normal de uma tarde em Montería que não sabia nada do que tinha acabado de rolar naquele quarto. Edilma dormiu antes de escurecer, com uma mão no meu peito e uma expressão no rosto que eu nunca tinha visto nela. Paz. Só isso. Paz completa. Fiquei acordado um tempão olhando pro teto, ouvindo a respiração dela, pensando que tem gente que a gente encontra no lugar mais inesperado e que vem pra ensinar coisas que a gente nem sabia que precisava aprender. No domingo seguinte, na missa, ela me cumprimentou com aquela inclinação de cabeça de sempre. Mas dessa vez sorriu primeiro. Voltei na terça. Ela não tinha me ligado, mas eu sabia que não precisava ligar. Abriu a porta antes que eu batesse. Tava com um vestido verde escuro de tecido leve, sem sutiã, algo que notei na hora porque os peitos dela balançavam soltos debaixo do pano com uma naturalidade que me disse que ela tinha pensado nisso antes de se vestir. Me olhou com aquela calma nova que tinha adquirido nas últimas semanas. — Tava passando por aqui — falei. — Claro que sim — disse, e se virou me deixando entrar. Segui ela pra dentro. Tava descalça e o vestido batia no joelho e colava na cintura dela a cada passo. Não falou de café nem de pão de queijo nem de nenhuma outra desculpa. Foi direto pro quarto e eu fui atrás. Sentou na beira da cama e me olhou. —Essa semana fiquei pensando —disse ela. —Em quê. —Em coisas que nunca fiz. —Baixou os olhos por um instante e os ergueu de novo—. E em coisas que quero fazer. Sentei ao lado dela. —Me conta. Ela hesitou um pouco. Edilma sempre hesitava antes de dizer algo importante. —Quero fazer tudo em você —disse—. Sem vergonha. Sem ficar pensando se é certo ou errado. Só fazer. Olhei pra ela. —Tudo? —Tudo o que você fez comigo. —Uma pausa—. E mais. Me inclinei e beijei ela devagar. Ela respondeu diferente de todas as vezes anteriores, com uma urgência nova, agarrando minha camisa com as mãos, me puxando pra perto. Deitei ela na cama e fiquei por cima. Levantei o vestido dela e confirmei o que suspeitava: não tava de calcinha. Só aquela pele morena e aquele pelo grisalho e úmido que me recebeu com aquele cheiro denso e doce que a essa altura eu já sabia de cor e que continuava me pegando igual à primeira vez. —Edilma —falei. —O quê. —Você não tá de calcinha. —Já sei —disse ela, sem nenhuma vergonha—. Tirei antes de abrir a porta. Fiquei olhando pra ela. Ela sustentou o olhar com aquela calma nova, com um sorrisinho que era totalmente dela. Aquela mulher tava me matando. Desci o vestido dela pelos ombros. Sem sutiã, os peitos dela caíram livres, grandes e pesados, com os bicos escuros já duros. Levei eles à boca e ela arqueou as costas e enfiou os dedos no meu cabelo com força. —Morde eles —disse, baixinho. Mordi de leve. Ela empurrou minha cabeça contra o peito dela. —Mais. Mordi com mais pressão e ela soltou um som longo e satisfeito que encheu o quarto. Me afastei e tirei a roupa. Ela me olhava da cama sem se mexer, com os olhos percorrendo devagar, com uma apreciação tranquila que eu gostei. Quando fiquei nu na frente dela, ela se sentou, ficou de joelhos na cama e me puxou pela cintura. —Agora eu —disse. Pegou meu pau com aquela mão cuidada e meteu na boca sem preâmbulos, sem a timidez da primeira vez. Tinha praticado. Na cabeça dela, aquilo era óbvio. Ela sabia onde colocar a língua, como mexer a mão ao mesmo tempo, como me olhar de baixo com aqueles olhos castanhos que já não tinham nada de senhora da igreja. Me chupou gostoso, com fome, com aquela entrega que a Edilma tinha pra tudo que decidia fazer. Enrolei os dedos no cabelo dela e ela não se afastou, pelo contrário, foi mais fundo, descendo até onde dava, com a mão trabalhando o que a boca não alcançava. Ela se separou um instante pra respirar e me olhou. — Tá bom assim? — perguntou, com os lábios molhados e aquela maquiagem borrada que ficava melhor nela do que qualquer maquiagem bem feita. — Tá perfeita, Edilma. Ela sorriu e continuou. Em algum momento, sentei na beirada da cama e puxei ela pro chão. Ela se ajoelhou na minha frente sem eu pedir, entendendo sozinha, e seguiu dali, me olhando de frente, com o cabelo caindo nos ombros e aquelas tetas grandes balançando a cada movimento da cabeça dela. Era a imagem mais improvável e mais perfeita que eu tinha visto em muito tempo. Parei ela antes de gozar. Levantei ela, deitei, me meti entre as pernas dela. Mas antes de entrar, desci e passei a língua, só pra ouvir ela, porque o som que a Edilma fazia quando eu a chupava era uma daquelas coisas que a gente nunca se cansa de escutar. Ela não se decepcionou. Gemeu gostoso e sem freio, com as mãos na minha cabeça, me empurrando contra ela. — Andrés — disse, entre ofegos. — Que foi? — Os pés. Levantei a cabeça. — Que que tem os pés? — Chupa eles. Enquanto me come. Fiquei parado um segundo. Ela tinha pedido aquilo sozinha, sem eu sugerir. Levantei um pé dela, levei à boca, chupei os dedos um por um enquanto continuava trabalhando entre as pernas dela com a outra mão. Edilma se contorceu na cama com um gemido que era metade prazer, metade incredulidade do próprio corpo. — Não entendo por que isso é tão bom — disse, sem fôlego —. Não faz sentido. — Cê gosta ou não gosta? — Me enlouquece — admitiu —. Me enlouquece e não sei por quê, e já nem quero mais não importa por quê. Trabalhei os dois pés dela assim, cheirando, lambendo, saboreando aquela pele escura e macia com aquele rastro de creme e de dia caminhado, enquanto ela se desmanchava na cama sem tentar se controlar. Quando entrei nela, já estava tão aberta e tão molhada que o som que fizemos juntos encheu o quarto. Ela não fechou os olhos dessa vez. Me olhou de frente, com aquele olhar direto que tinha pra tudo, e não desviou. —Quero ver a cara dele —disse. Me movi dentro dela olhando pra ela. Isso foi mais íntimo do que qualquer outra coisa que tínhamos feito e nós dois sabíamos. Levantei as pernas dela sobre meus ombros. A profundidade daquele ângulo fez ela soltar um grito curto e agudo. —Deus —disse. —Tá bom? —Muito bom. Não para. Não parei. Me movi com força, com profundidade, com aquele ritmo que tínhamos encontrado juntos nas semanas anteriores e que era completamente nosso. Os peitos dela balançavam a cada estocada e ela os agarrava com as mãos, me oferecendo, e eu me abaixava pra morder sem sair de dentro e ela arqueava as costas e gemia meu nome. Em algum momento passei o polegar no lugar que na semana anterior ela tinha recusado. Dessa vez não se tensou. Ficou quieta, sentindo. —Devagar —disse, baixinho. —Tem certeza? —Devagar —repetiu, como única resposta. Fui devagar. Ela respirou fundo, soltou o ar, e foi se abrindo aos poucos com uma confiança que vinha de dentro. Beijei um pé dela enquanto fazia isso, distraindo ela com aquilo que já sabia que ela gostava, e ela se concentrou no prazer em vez do medo. —Ai —disse, quando entrei só um pouco—. Ai, Andrés. —Paro? —Não —disse, fechando os olhos—. Continua. Continuei, devagar, com cuidado, lendo cada sinal do corpo dela. Ela foi relaxando aos poucos, se abrindo com uma entrega silenciosa que me atingiu mais fundo que qualquer gemido. —Ninguém —disse, com a voz abafada no travesseiro— ninguém me fez sentir assim. Não respondi. Continuei me movendo dentro dela, devagar, sentindo ela inteira, aquele calor que ela tinha na Cada cantinho do corpo dela me envolvendo por completo. Ela gozou de um jeito diferente de todas as vezes anteriores. Sem gritos, sem tremores bruscos. Uma onda lenta e profunda que percorreu o corpo inteiro dela de baixo pra cima, com um gemido longo que foi diminuindo de volume até ficar em silêncio, e aquele silêncio final foi a parte mais intensa de tudo. Gozei junto com ela, dentro, de olhos fechados e a testa encostada nas costas dela. — Ficamos assim por um bom tempo. Ela se virou devagar e se aninhou contra mim, com a cabeça no meu peito e uma perna por cima das minhas. Acariciei as costas dela sem dizer nada. Lá fora, chovia. Aquela chuva de Montería que chega de repente e enche tudo com um cheiro de terra molhada que entra pelas janelas e se espalha por todo lado. — Andrés — ela disse, depois de um tempo. — O quê? — Isso, o que é? Não respondi na hora. — Precisa ser alguma coisa? — perguntei. Ela pensou. — Não — disse — Acho que não. — Pausa — Só queria saber se você sabia. — Não sei — falei, sincero — Mas gosto de estar aqui. — Eu também — ela disse. E aquilo foi o suficiente pra nós dois. A chuva continuou por um bom tempo. Edilma dormiu com a mão no meu peito e aquela paz no rosto que eu já tinha aprendido a reconhecer como a versão mais real dela. No domingo seguinte, na igreja, ela me cumprimentou como sempre. Mas quando passei do lado dela a caminho da saída, sem me olhar, falou baixinho: — Terça-feira. E seguiu andando como se nada, com a bolsa de couro preto e os sapatos limpos e toda a dignidade intacta. Eu saí na rua sorrindo sem conseguir evitar...

3 comentários - Edilma, a coroa gostosa

tremendo relato exquisito, me hizo acordar mucho a una amiga de la secundaria a la que volvi a ver luego de muchos años y cada encuentro sexual con ella era muy similar a este relato....👏👏👏👏👏🔥🔥🔥🔥