Olá, sou Lucy, a autora desta história. Um pequeno aviso antes do capítulo: este é o último capítulo escrito desta história. Vou continuá-la, mas para o próximo capítulo vocês vão ter que esperar um pouquinho mais. Vou publicar minhas outras histórias aqui, então espero que gostem. E, se puderem, me sigam no X, onde posto pequenos spoilers dos próximos capítulos e aviso quando o capítulo estiver pronto.
6 – objeto
O frio do preservativo no peito dele era a única coisa que parecia real. Todo o resto—os sons do banheiro, o eco da própria respiração, o zumbido nos ouvidos—parecia distorcido, como se ele estivesse submerso em água turva. Daniel continuou sentado na borda do vaso, com as pernas abertas e a saia amassada na cintura, incapaz de se mexer. Não eram só os ecos do orgasmo que o mantinham paralisado. Era a humilhação. A raiva. A confusão que corroía ele por dentro. Ele tinha sido violado, sim, mas o corpo dele—o corpo da mãe dele—tinha respondido com uma intensidade que o aterrorizava. Cada célula parecia cantar num coro de prazer culpado, lembrando ele que, apesar de tudo, ele tinha chegado ao clímax mais avassalador da vida dele.
Com as mãos trêmulas, ele pegou o preservativo usado e jogou no vaso, apertando o botão de descarga com força, como se pudesse apagar o que tinha acontecido junto com ele. O som da água pareceu trazê-lo de volta à realidade. O eco do orgasmo ainda vibrava nos ossos dele, misturado com uma vergonha profunda, pegajosa, que grudava na pele dele mais que o suor. Ele baixou o olhar pra se limpar com papel, e foi aí que notou: o chão estava vazio. A calcinha preta dele, a que Yair tinha tirado minutos antes, não estava mais lá.
Um frio repentino percorreu a espinha dorsal dele. Ele procurou ela com os olhos, vasculhando cada canto do cubículo. Nada. Só o brilho molhado do piso de porcelana e o próprio reflexo fantasmagórico na porta metálica. Não pode ser, pensou ele, um novo tipo de pânico se instalando no peito dele, mais denso que o anterior. Será que a... Perdi? Será que ele… levou? A última possibilidade fez um vazio no estômago dela. Primeiro o que ele tinha feito, e agora isso. Um troféu. Uma prova. A raiva foi tão intensa que as mãos tremeram quando ela tentou se levantar. Ajeitou a saia com movimentos bruscos, sentindo na hora a diferença. O tecido da saia lápis, já apertado por si só, agora colava direto na pele, sem a barreira fina do algodão. Cada dobra, cada costura, parecia um lembrete da sua exposição. Ela se aproximou do espelho do banheiro. A imagem que refletia era de uma estranha: o cabelo da sua mãe, sempre impecável, bagunçado e com mechas grudadas na têmpora de suor; a máscara de cílios borrada, deixando manchas escuras sob os olhos — os olhos da mãe dela, agora cheios de um pânico que lhe era familiar —; os lábios inchados, vermelhos, marcados. Com dedos trêmulos, tirou um lenço da bolsa e começou a se limpar, a se arrumar. Cada movimento era mecânico, como se estivesse consertando uma rachadura numa máscara que já estava desmoronando. Ao sair do banheiro, o corredor pareceu quilométrico. Caminhou até sua mesa sentindo o roçar áspero da saia contra as coxas, a sensação de frescor — e ao mesmo tempo de vulnerabilidade — cada vez que o ar-condicionado entrava por baixo do tecido. Sentou-se com cuidado, notando como o frio do assento de couro atravessava o pano. E então, ao se mexer para pegar o teclado, sentiu: um fio quente e molhado escapando de dentro dela e escorrendo devagar pela coxa. Olha isso, o que você acha disso: Ela estremeceu, apertando as pernas debaixo da mesa. Preciso recuperar minha calcinha, pensou, desesperada. Esperou até o escritório se acalmar um pouco, depois se aproximou da mesa do Yair. Ele estava digitando, com um sorriso tranquilo no rosto. “Yair”, sussurrou Daniel, cuidando para ninguém mais ouvir. “Me devolve minha calcinha.” Yair levantou o olhar, fingindo inocência. “Calcinha? Do que você tá falando, Lucía? Você devia Procura melhor, talvez tenham caído por aí." O tom dele era brincalhão, debochado. Daniel apertou os punhos. "Não brinca comigo. Sei que você está com elas." Yair se inclinou para frente, baixando a voz. "Você devia estar mais relaxada depois do que rolou no banheiro, não?" Soltou uma risada baixa, cheia de malícia. "Vi você gostando." "Isso não é brincadeira", disse Daniel, segurando a raiva. "Me devolve." Yair balançou a cabeça, sorrindo. "Não. Vou ficar com elas. Tipo um prêmio." Abaixou ainda mais a voz. "E você não devia andar por aí sem elas, sabia? Pode ser perigoso." Daniel sentiu um arrepio. Ele tinha razão. Ela estava completamente exposta, e Yair sabia disso. Sem dizer mais nada, se afastou, sentindo o olhar dele grudado nas suas costas. Voltou pro seu lugar, tentando ignorar o desconforto entre as pernas, a umidade que ainda escorria. Decidiu focar no trabalho, pelo menos até conseguir sair dali. Minutos depois, enquanto tirava cópias na máquina, sentiu uma mão pousar na sua bunda, acariciando o tecido da saia. Levou um susto e se virou bruscamente. Era Yair, sorrindo com cara de safado. "Sua bunda fica melhor assim, né? Sem nada por baixo", disse, zoando. "Cai fora", falou Daniel, recuando. "Me deixa trabalhar." "Não faz assim. Você também curtiu." Yair chegou mais perto. "Olha, vou te fazer uma proposta. Me ajuda com um trampo chato e eu devolvo sua calcinha." Daniel hesitou. "Que tipo de trampo?" "Só organizar uns arquivos por data. Nada urgente." Yair sorriu. "Aceita?" Daniel concordou, sem animação. "Tá bom." "Perfeito. Te devolvo quando terminar." Yair virou as costas e voltou pro lugar dele. Pouco depois, chegou com uma pilha grossa de documentos e largou na mesa de Daniel. "Boa sorte", disse antes de ir embora. Daniel suspirou, olhando a montanha de papéis. Se ao menos tivesse dado ouvidos pra mãe, pensou, amargamente. Nada disso teria acontecido. Depois de horas de trabalho focado, Daniel finalmente terminou. Os arquivos Estavam organizados, classificados e prontos. Olhou o relógio: já quase era hora de sair. Viu que Yair se preparava pra ir embora e se aproximou dele. "Já terminei", disse, segurando a irritação. "Minha calcinha." Yair fingiu um susto amigável. "Ah, claro! Coloquei na minha gaveta, na de baixo. Achei que você ia encontrar quando procurasse antes. Devem estar lá." Com um mau pressentimento, Daniel se aproximou da mesa de Yair. A área estava quase deserta. Respirou fundo e se abaixou na frente da gaveta de baixo, mantendo as pernas retas numa tentativa puramente instintiva — e ridícula — de preservar um pouco de decência. Abriu a gaveta. Só tinha grampeadores, canetas e pastas vazias. Não estão. Naquele exato instante, um movimento rápido atrás dele. Sentiu a saia, já curta por si só, ser puxada bruscamente até a cintura, deixando as nádegas completamente expostas, pulsando no ar frio do escritório. O choque o paralisou por uma fração de segundo. E então veio a palmada. Uma palmada forte, seca, que ecoou. O impacto, mais surpreendente do que doloroso, fez ele perder completamente o equilíbrio. A cabeça bateu na borda da mesa com um baque surdo, e ele caiu pesadamente no chão, atordoado, com a visão turva. Ofegante, com a bochecha no linóleo frio, a primeira coisa que fez foi puxar a saia pra se cobrir. A segunda, levantar os olhos com pânico, procurando olhares, testemunhas. Não tinha ninguém. O corredor estava vazio. Os escritórios próximos, em silêncio. E do lugar onde Yair tinha estado, nem sinal. Se levantou trêmulo, com uma dor latejante na têmpora e uma humilhação que queimava por dentro mais do que qualquer golpe. Pegou a bolsa na mesa, notando como as mãos não paravam de tremer. Não olhou ao redor. Não aguentava a ideia de que alguém, de algum canto, tivesse visto. Saiu do escritório com passo rápido, sentindo o eco da palmada na pele e o vazio ainda mais fundo onde deveria estar a calcinha. Yair não só tinha levado elas. Ele tinha sumido, deixando ela sozinha com a vergonha, a dor e a certeza de que isso estava longe de acabar. No carro, ela dirigiu pra casa com as mãos tremendo, ainda sentindo a ardência da palmada e a humilhação fresca na mente. Sabia que aquilo não tinha terminado. Yair estava com a calcinha dela. E, pior de tudo, parecia decidido a continuar brincando com ela. O trajeto pra casa foi interminável. Daniel dirigia com as mãos firmes no volante, mas a mente dela era um turbilhão. O banco do carro, antes neutro, agora lembrava ela constantemente da sua vulnerabilidade. O tecido da saia grudava direto na pele dela, e cada pequeno buraco na estrada mandava uma vibração desconfortável pelo corpo. Ela apertou as coxas instintivamente, sentindo como a umidade residual do que tinha rolado no escritório ainda lembrava ela de que nada daquele dia tinha sido normal. Por que não escutei?, pensou, com a mandíbula tensa. Mamãe me avisou. Ela falou pra não aceitar nada do Yair. Se ao menos… Mas já era tarde pra arrependimentos. Ela estacionou na frente de casa e desligou o motor. A fachada parecia a mesma de sempre, mas ao abrir a porta, algo parecia diferente. O silêncio era mais profundo, mais denso. Não tinha barulho de TV, nem passos, nem a voz da mãe—no corpo dela—recebendo ela. Claro, lembrou. Mamãe disse que ia na biblioteca pesquisar sobre a mudança. A casa era só dela. Ela foi direto pro quarto da mãe, fechou a porta atrás de si e se apoiou um momento contra ela, respirando fundo. Depois, com movimentos mecânicos, começou a se despir. Os saltos foram os primeiros, deixando eles caírem no chão com um baque seco. A saia, a camisa amassada, as meias—tudo foi parar numa cadeira. Precisava se livrar daquela roupa, daquele cheiro, daquele dia. Abriu a gaveta da roupa íntima e os dedos encontraram uma calcinha preta simples. Ao deslizar ela pelas pernas, sentiu um alívio imediato. A Tela macia contra a pele, aquela sensação de estar protegida, de não estar tão exposta. Quase suspirou. Mas então, enquanto estava ali, de calcinha e sutiã na frente do armário da mãe, a curiosidade começou a coçar por dentro. O que mais será que a mamãe guarda? Não era a primeira vez que se perguntava sobre a outra vida da mãe, aquela que não dividia com a família. Mas até então, essas perguntas eram abstratas. Agora, preso naquele corpo, cada peça de roupa, cada objeto, cada foto, parecia uma peça de um quebra-cabeça que ele não tinha certeza se queria montar. Chegou perto do armário e começou a fuçar. Roupas normais, blusas, saias, vestidos. Mas no fundo, quase escondido atrás de casacos que raramente eram usados, encontrou uma caixa. Não era uma caixa qualquer. Era de papelão grosso, bem fechada, como se quem guardou quisesse garantir que ninguém a encontrasse por acidente. Com mãos trêmulas, Daniel a tirou e colocou em cima da cama. Levantou a tampa. E o que viu o deixou sem fôlego. Dentro, dobrado com cuidado, tinha uma fantasia de empregadinha. Mas não era uma qualquer. Era uma fantasia sexy, provocante, daquelas que parecem saídas de uma putaria. O cetim preto brilhava sob a luz do quarto, as bordas de renda branca contrastavam com o tecido escuro, e a saia era tão curta que mal cobria alguma coisa. Daniel tirou a fantasia da caixa com mãos trêmulas, esticando-a em cima da cama para ver completa. As meias brancas até a coxa, a minissaia preta, o top com o corpete de botões na frente, as mangas curtas com babados de renda… Por que a mamãe tem isso?, pensou, a mente disparando em mil direções. Ela usou isso com o papai? Foi o chefe que deu? Ou… a mamãe é… assim? As perguntas se amontoavam sem resposta. Mas em poucos segundos, balançou a cabeça. Não ia descobrir assim, só olhando uma fantasia. Tinham possibilidades demais, explicações demais. Talvez fosse só uma brincadeira, algo íntimo entre os pais. Ou talvez não. Mas não. era algo que pudesse descobrir agora. Deixou a caixa de lado, mas o traje permaneceu estendido sobre a cama, chamando-o. Como será que vou ficar?, pensou, quase sem querer. A curiosidade estava matando ele. Literalmente. Coçava por dentro, uma comichão impossível de ignorar. Não faço mal a ninguém, disse para si mesmo, buscando justificativas. Só experimentar. Aqui sozinho. Ninguém vai saber. A decisão estava tomada. Pegou as meias primeiro. Eram brancas, macias, até a coxa. Ao deslizá-las pelas pernas — as pernas da mãe dele — sentiu uma diferença imediata das que usava para o trabalho. Essas eram mais suaves, mais delicadas. O tecido acariciava a pele dele de um jeito quase mimado, e ao chegar na coxa, o elástico ajustava firme mas sem apertar demais. Por um momento, só curtiu a sensação. Depois a saia. Preta, minúscula, quase um retângulo de pano com pretensões. Ao subi-la e ajustar na cintura, notou o quanto era curta. Com facilidade, qualquer movimento mostraria o que tivesse — ou não tivesse — por baixo. O top era mais complicado. Para usá-lo, precisava tirar o sutiã. Hesitou um segundo, mas já tinha ido longe demais. Desabotoou o sutiã e deixou cair na cama, sentindo o peso dos peitos se libertarem por um instante antes de pegar a peça. Enfiou primeiro os braços pelas mangas curtas, com seus babados de renda roçando os pulsos. Depois subiu as taças, acomodando-as sobre os seios. O corpete era decotado, muito decotado, e push-up, então ao colocá-lo, sentiu como os peitos subiam e se juntavam, criando um decote muito mais pronunciado do que jamais vira na mãe. Começou a abotoar os botões de baixo para cima. Um por um. Cada botão que fechava apertava mais o tecido contra a pele, realçando ainda mais o decote, marcando mais a cintura, criando uma silhueta que era ao mesmo tempo a mãe dele e completamente estranha. O último botão ficou fechado. O traje estava vestido.
Só faltavam alguns acessórios que ela tinha visto na caixa — uma touca, uma coleira — mas achou que já era demais. Já tinha vestido a fantasia, isso bastava. Queria se ver. Aproximou-se do espelho de corpo inteiro. E o que viu a deixou paralisada. Não podia acreditar. A mulher que devolvia o olhar era sua mãe, sim, mas uma versão da sua mãe que jamais tinha imaginado. O top realçava os peitos dela de um jeito quase obsceno, fazendo-os parecer mais firmes, maiores, mais desejáveis. A saia era tão curta que, com a menor inclinação, dava pra ver a calcinha — e, de fato, já dava pra ver um pouco da curva inferior da bunda dela aparecendo na borda. As pernas dela, emolduradas pelas meias brancas até a coxa, pareciam intermináveis. Mamãe… é… gostosa demais, pensou, sem encontrar outras palavras. Não a reconhecia. Não reconhecia a mulher que o criou, que o levava pra escola, que fazia o café da manhã. Aquela mulher tinha uma fantasia dessas escondida no armário. Aquela mulher — aquele corpo — podia ficar assim. Com quem será que ela usou isso?, se perguntou, e as imagens vieram à mente sem convite. Com o pai? Com o chefe? Com… mais alguém? Cada vez que descobria algo novo sobre a mãe, menos a conhecia. Era como se a mulher que achava que conhecia fosse só uma máscara, e por trás houvesse camadas e camadas de segredos que agora, preso na pele dela, começava a entrever. A campainha tocou de repente, fazendo-o pular. O coração disparou. A primeira reação foi pânico: Será que mamãe ou papai já voltaram? Mas se acalmou na hora. Eles não tocariam a campainha. Tinham chaves. Então quem? Olhou o reflexo no espelho. Estava vestida de empregada sexy, com a maquiagem ainda levemente borrada do incidente no escritório, o cabelo bagunçado. Não podia abrir assim. Correu pro banheiro, pegou o primeiro roupão que encontrou — e vestiu por cima, fechando bem. Se olhou rapidamente: cobria o suficiente. Com uns passos pra se recompor, foi até a porta. Quem será a essa hora? Ela abriu. Era o vizinho do lado. Alejandro. Daniel o conhecia, embora não se dessem bem. Era um senhor mais velho, sempre com aquele sorriso de superioridade, o tipo de pessoa que olhava os outros de cima pra baixo. Mas os pais dele se davam bem com ele, então tinha que fazer cara boa. «Boa tarde, vizinho», disse Daniel, imitando o tom amigável da mãe. «Como vai?» Alejandro sorriu, mas não era um sorriso amigável. Era outra coisa. Algo que Daniel não soube identificar até depois. «Boa tarde, Lucía. Seu marido está?» «Não, ainda tá trabalhando», respondeu Daniel, mantendo a calma. «Ah, e o Daniel?» Por que ele tá perguntando por mim?, pensou Daniel, confuso. Mas entrou no jogo. «Tá na biblioteca. Estudando», mentiu. Mal terminou de falar, Alejandro se jogou nela. Foi tão rápido que Daniel não teve tempo de reagir. O vizinho beijou ela com força, empurrando-a pra dentro de casa enquanto com o pé fechava a porta atrás de si. Uma mão grande e firme pousou na cintura dela, e antes que pudesse protestar, sentiu ele abrindo o roupão. O uniforme de empregada ficou à mostra. Alejandro se afastou só o suficiente pra olhar, e os olhos dele se arregalaram com uma mistura de surpresa e tesão. «Então você ia me compensar por não ter ido, hein?» disse, com um sorriso triunfante. «Já tava me esperando.» Daniel conseguiu se soltar dele, dando um passo pra trás, a raiva e o pânico se misturando no peito. «O que cê tá fazendo?!», gritou, embora a voz dele—a voz da mãe dele—tenha saído mais trêmula do que queria. «Sai da minha casa agora!» Alejandro nem se mexeu. O sorriso dele se alargou, ficando mais perigoso. «Ah, é? Parece que já esqueceu o trato que a gente fez.» Daniel sentiu um vazio no estômago. «Que trato?» «Não se faz de sonsa, Lucía. Quer mesmo que eu mostre o vídeo? Aquele onde você tá me montando na festa. Ou prefere que o seu marido veja?» O mundo parou. Um vídeo. Minha mãe… e esse tipo… Daniel não precisava de mais explicações. Entendeu tudo na hora: sua mãe tinha um segredo com esse cara, e ele tava chantageando ela com isso. Alejandro se virou, fingindo que ia embora. «Bom, se você não quer cumprir o trato…» «Espera.» A palavra escapou sozinha, desesperada. Alejandro se virou, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de quem já sabia que tinha vencido. Daniel respirou fundo. Pela mãe. Pela família. Levantou o roupão e deixou cair no chão. O vestido de empregada ficou completamente exposto sob a luz da entrada. As meias brancas, a saia minúscula, o top que valorizava os peitos, o decote pronunciado. Alejandro a percorreu com o olhar, lento, deliberado, saboreando cada detalhe. «Isso eu gosto», disse, com um sorriso de satisfação absoluta. E voltou em direção a ela. Daniel engoliu seco. «Não temos muito tempo», disse, tentando manter algum controle. «Meu marido e meu filho podem chegar a qualquer hora.» Alejandro deu de ombros, se aproximando perigosamente. «Não se preocupa. Com um boquete já resolve. Por enquanto.» Pegou ela pelo braço e a guiou até a sala, perto do sofá. Com um movimento, a colocou de joelhos. Daniel sentiu o frio do chão através das meias, a vulnerabilidade da posição. Alejandro parou na frente dela, e com um sorriso cruel, desabotoou a calça. «Já que você é uma empregada», disse, puxando o pau duro e colocando na cara de Lucía, «me serve.» Daniel não acreditava no que estava prestes a fazer. Mas era pela mãe. Pela família. Se não fizesse, aquele vídeo podia destruir todo mundo. Enquanto hesitava, sentiu uma batida leve mas firme na bochecha: o pau do vizinho, batendo na cara dela. «Anda, Lucía. Olha como você me deixou desde que vi esse vestido. Tô esperando isso há semanas.» E aí, uma coisa estranha aconteceu. O contato, a situação, a humilhação—tudo começou a gerar uma sensação estranha no corpo dela. Um calor que não devia estar ali. Uma resposta que não conseguia controlar. Não, não, não, pensou, mas seu corpo — o corpo da mãe — já estava reagindo. Começou lambendo devagar, só um roçar de língua, como experimentando. Depois, com uma mistura de resignação e aquela excitação estranha que não podia negar, abriu a boca e aceitou. O sabor, a textura, a sensação de ser usada — tudo era avassalador. Começou a se mover, buscando um ritmo, querendo terminar rápido, esquecer. Chupava com mais intensidade, com mais desespero, enquanto Alejandro soltava gemidos de satisfação. «Aiiii, siiiim», suspirou ele, colocando uma mão na cabeça dela com um carinho que queria ser afetuoso, mas era claramente possessivo. «Como sentia falta disso, Lucía. Como sentia falta da sua boca.» Daniel ignorou as palavras, concentrado na tarefa. Mas enquanto aumentava o ritmo, a mente vagava. Desde que estou no corpo da mamãe, minha vida sexual tem sido… intensa. Será que é assim para todas as mulheres? Ou só para a mãe dele? «Ainda estou puto com você», disse Alejandro de repente, a voz mais grave, mais séria. A mão na cabeça dela parou de acariciar e se fechou com força no cabelo. «Por me abandonar desse jeito. Então você tem que saber seu lugar.» Daniel ficou confuso com as palavras, mas antes que pudesse pensar, sentiu as mãos do vizinho agarrarem sua cabeça com firmeza e começarem a movê-la do jeito que ele queria. Alejandro começou a foder a boca dela. Não era sexo oral. Era um uso. Um estupro da garganta dela. Metia e tirava o pau com violência, marcando o próprio ritmo, usando a boca dela como um simples buraco de prazer, sem consideração, sem pausa. Cada estocada era funda, brutal, roubando o ar dela. Daniel tentou resistir. Forcejou, colocou as mãos nas coxas do vizinho para afastá-lo, mas era inútil. Alejandro era forte demais. As tentativas de resistência só pareciam excitá-lo mais. Não consigo… não consigo respirar… Mas então, no meio do desespero, sentiu algo mais. Um calor que crescia entre as pernas dela. Uma umidade que não era de antes. O corpo dela—o maldito corpo da mãe dela—tava ficando excitado com o tratamento bruto do vizinho. O que tá acontecendo comigo? Por que isso me excita? Não tinha resposta. Só a sensação avassaladora de ser dominada, usada, humilhada—e o corpo dela respondendo a isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Alejandro não tinha pena. Mantinha um ritmo intenso, implacável, cada estocada mais funda que a anterior. Daniel sentia que tava se afogando, que perdia o ar, mas também sentia como a umidade entre as pernas dela aumentava, como o corpo dela se preparava pra algo que a mente rejeitava. Com uma última estocada, Alejandro enfiou o pau até o fundo e gozou. Daniel sentiu o jato quente na garganta dela, e por puro instinto de sobrevivência, engoliu pra não se afogar. O gosto, a sensação, a humilhação—tudo se misturou numa onda avassaladora. Quando Alejandro finalmente tirou o pau, Daniel ficou sentada no chão, tossindo, ofegante, tentando recuperar o fôlego. O corpo dela tremia, não sabia se pelo esforço, pela humilhação ou pela excitação que ainda queimava entre as pernas dela. Alejandro guardou o pau e subiu a calça com calma, como se nada tivesse acontecido. Andou até a porta, mas antes de abrir, virou. «Isso não acabou», disse, a voz fria, autoritária. «Semana que vem continuo com seu castigo. E lembra do seu lugar. Não esquece quem manda aqui.» Saiu e fechou a porta atrás de si. Daniel ficou no chão, no mesmo lugar, com o uniforme de empregada ainda vestido, bagunçado, humilhada. A respiração dela aos poucos se acalmava, mas o corpo dela continuava queimando. E mais uma coisa. Por que… por que as palavras dele me excitaram? As palavras do vizinho—"lembra do seu lugar", "quem manda aqui"—repetiam na cabeça dela, e cada vez que faziam isso, um arrepio de prazer percorria as costas dela. Não pode ser. Não devia sentir isso. Mas sentia. E não podia negar. Daniel ficou no chão da sala, com a respiração entrecortada e o corpo ainda trêmulo. Os minutos passaram como se fossem horas. A mente dela tentava processar o que tinha acabado de acontecer, mas era como querer pegar água com as mãos: toda vez que achava que tinha entendido, escapava pelos dedos. Eu chupei o meu vizinho. De vestido de empregada. E fiquei com tesão. Balançou a cabeça, como se pudesse apagar o pensamento. Não dava. Estava ali, gravado a fogo. De repente, os olhos dela cravaram no relógio da sala. Os ponteiros marcavam uma hora que gelou o sangue dela. Merda. Mamãe pode chegar a qualquer momento. Levantou de um pulo, ignorando a dor nos joelhos e o desconforto entre as pernas. Correu para o quarto da mãe, os passos ecoando no corredor. Ao entrar, fechou a porta e se apoiou um instante nela, ofegante. Depois, a urgência. Tirou o vestido de empregada com mãos atrapalhadas, quase arrancando. As meias, a saia, o top — tudo voou para a cama. Dobrou o mais rápido que pôde, sem cuidado, só com a necessidade de sumir da vista dela. Enfiou na caixa, fechou a tampa e guardou no armário, no mesmo lugar exato onde tinha achado. Que não apareça. Que não apareça nada. Vestiu o sutiã que tinha deixado na cama, ajustando as bojo às pressas. Agora, a roupa. Precisava de roupa normal. Casual. Algo que a mãe dela pudesse usar em casa sem levantar suspeitas. As camisolas, pensou, mas balançou a cabeça. É muito cedo pra isso. Papai pode chegar e seria estranho. Vasculhou o armário da mãe com uma mistura de urgência e aquela curiosidade que já não conseguia evitar. E então achou. Uma camisa branca de alças, simples, fresca. E um shortinho rosa, daqueles que se usam pra ficar em casa. Isso serve, pensou, tirando-os. O short rosa deslizou pelas pernas dela com facilidade. Ficava justo, sim — marcava o quadril, grudava nas coxas — mas era confortável. O tecido macio contra a pele, sem a rigidez da roupa de Oficina. Depois, a regata. Ao passar pela cabeça e ajustá-la sobre os ombros, sentiu como se acomodava no peito. Ficou mais justa do que esperava — as alças finas, o decote discreto mas presente, o tecido branco marcando a curva dos peitos — mas fora isso, era confortável. Fresca. Quase natural. Chegou mais perto do espelho.
Mamãe parece… sexy, pensou, e ainda achava estranho pensar na mãe daquele jeito. Mas era inevitável. O corpo à sua frente — o corpo dela agora — era o de uma mulher gostosa, e aquela roupa realçava sem ser vulgar. As pernas longas, os quadris largos, o cabelo escuro caindo sobre os ombros… É meu corpo agora, lembrou. Pelo menos por um tempo. Ficou absorta no próprio reflexo, se perguntando quanto tempo mais aquilo ia durar, quantos segredos da mãe ainda teria que descobrir, até que um barulho a tirou dos pensamentos. A porta da frente. Saiu do quarto com o coração batendo rápido, pronta pra qualquer desculpa. E lá estava ela: a mãe. No corpo dela. Com uma mochila pendurada no ombro e uma expressão de cansaço no rosto — o rosto de Daniel, o rosto dela, olhando pra ela com os próprios olhos. O choque foi imediato. Lúcia ficou paralisada ao ver o próprio corpo vestindo aquele short rosa e aquela regata. Os olhos dela se arregalaram, e uma expressão que Daniel não soube identificar — surpresa? raiva? — cruzou as feições dela. «O que você tá vestindo?», perguntou, a voz tensa, controlada mas prestes a explodir. Daniel engoliu seco. «Qual o problema? É só uma roupa confortável.» «Confortável?», repetiu Lúcia, se aproximando. «Essa roupa não é confortável, é…» Procurou a palavra, e quando achou, cuspiu como se queimasse: «Vulgar. Você tá vulgar, Daniel.» Daniel sentiu uma pontada de indignação. Vulgar? A imagem do uniforme de empregada passou pela cabeça como um relâmpago. O uniforme escondido no armário. As fotos no celular. As indiretas do chefe. E ela vem me chamar de vulgar? Mas sabia que mencionar aquilo seria um erro. Um erro catastrófico. Então engoliu o orgulho e baixou o olhar. «Desculpa», disse, e a voz saiu submissa, arrependida. «É que eu tava tão cansada de usar aquele uniforme apertado o dia inteiro… só queria algo confortável. Isso parecia confortável.» Lúcia observou ela em silêncio por um longo momento. Depois, suspirou. Um suspiro fundo, de aqueles que vêm do fundo, carregados de um cansaço que não era só físico. «Tá tudo bem», disse ele finalmente, com a voz mais suave. «Entendo essa parada da roupa apertada. Pode crer que entendo.» Fez uma pausa. «Mas não faz mais isso, ok? É meu corpo. Preciso que você cuide dele, não que…» Balançou a cabeça, sem terminar a frase. «Não vou fazer», prometeu Daniel, e por um momento, foi sincero, ou pelo menos achou que era. Lucía assentiu, largando a mochila numa cadeira. «Como foi na biblioteca?», perguntou Daniel, mudando de assunto, precisando desesperadamente falar de outra coisa. «Achei vários livros», respondeu Lucía, esfregando os olhos—cansada. «Sobre troca de corpos, possessões, intercâmbio de almas… mas nada útil ainda. Só mitos, lendas, teorias absurdas. Vou ter que continuar indo depois da aula.» Daniel assentiu, sentindo um peso no peito. «Quanto tempo mais…?» «Não sei», interrompeu Lucía, com uma honestidade brutal. «Mas por enquanto, a gente tem que continuar assim. Mais uns dias, pelo menos.» Virou-se para o corredor, com o corpo—o corpo do filho dela—visivelmente exausto. «Vou dormir. Tô exausta de passar o dia inteiro pesquisando.» Já na porta do quarto, virou-se e completou: «Troca de roupa antes do seu pai chegar. Por favor.» E entrou, fechando a porta atrás de si. Daniel ficou sozinha na sala, com as palavras da mãe ecoando na cabeça. Troca de roupa antes do seu pai chegar. Assentiu para si mesma e foi para o quarto da mãe fazer exatamente isso. Mas quando abriu a porta e entrou, já era tarde demais. O pai dela tinha chegado. Tinha acabado de entrar no quarto, e ao vê-la, parou no meio do caminho. Os olhos dele percorreram a figura dela—o short rosa, a regata, as pernas de fora—e um sorriso lento, quente, se espalhou pelo rosto dele. «Ah, amor», disse, se aproximando. «Cê tá uma gostosa. O que é isso? Uma surpresa.» Daniel forçou um sorriso, sentindo o pânico apertar o estômago. «Só queria estar confortável. O terno de escritório é tão apertado…» «Pois é, devia usar roupas assim mais vezes», disse o pai, envolvendo-a com os braços por trás num abraço. O corpo dele era quente, familiar, e a respiração roçou o pescoço dela quando falou de novo. «Que tal a gente se divertir um pouco hoje à noite?» Daniel ficou tenso. «Hoje não tô muito a fim, querido…» «Vamos lá», insistiu o pai, a voz um sussurro persuasivo contra a orelha dela. «Você sabe que se eu não me divertir um pouco, não vou conseguir dormir. E a culpa é sua por se vestir assim.» É minha culpa, pensou Daniel, com amargura. Tudo é minha culpa. Se eu não tivesse vestido essa roupa… Mas já era. E agora tinha que lidar com as consequências. Respirou fundo, se preparando. «Tá bom, querido. Fica confortável na cama.» O pai sorriu, satisfeito, e começou a tirar a roupa de trabalho com movimentos rápidos, quase ansiosos. Camisa, calças, até ficar só de cueca, sentado na beira da cama, esperando. Daniel olhou pra ele um momento. O pai dele. O homem que o criou. E agora tinha que… isso. É pela mãe, lembrou a si mesmo. Pra ela não desconfiar. Pra tudo continuar normal. Se aproximou da cama. Antes de subir, tirou a regata e deixou cair no chão. Sentiu o ar fresco na pele, nos ombros descobertos, no decote que a lingerie deixava à mostra. Depois subiu na cama, deitando de lado de frente pra ele. Abaixou a mão, deslizando por baixo do elástico da cueca. Encontrou o pau do pai, já meio duro de expectativa. Começou a masturbar ele com movimentos lentos no começo, suaves, sentindo a textura, o calor, o jeito que respondia ao toque. Sabia o que tava fazendo. Afinal, tinha tido aquele mesmo corpo—o dela—por dezessete anos. Sabia como era a sensação, quais ritmos funcionavam, que pressões. Os movimentos eram seguros, experientes, e dava pra perceber. O pai soltou uns gemidinhos baixos, a respiração acelerando. Uma mão pousou no ombro de Daniel, apertando suavemente. «Assim… assim, love…», murmurou. Daniel aumentou o ritmo, sentindo o pau do pai endurecer completamente na mão dele, pulsando, cada vez mais perto. Os gemidos do pai ficaram mais profundos, mais urgentes. «Já… já vou gozar…», ofegou. E então, a explosão quente na mão dele. O esperma cobriu seus dedos, e Daniel continuou se movendo um pouco mais, prolongando o prazer, até que o pai soltou um suspiro longo, profundo, de completa satisfação. «Valeu, love», disse, com a voz já pastosa de sono. «Era exatamente o que eu precisava.» Daniel se levantou da cama sem dizer nada. Foi ao banheiro, apoiou-se na pia enquanto recuperava o fôlego. Olhou para a mão, coberta de porra do pai, e algo estranho aconteceu dentro dele. Prova, sussurrou uma voz que ele não reconheceu como sua. Balançou a cabeça, confuso. Quê? Não. Por que você pensaria isso...? Mas a ideia não ia embora. Repetia-se uma e outra vez, como um eco na mente dele. Prova. Só um pouco. Ninguém precisa saber. É o corpo da mamãe, pensou, buscando uma explicação. Deve ser por isso. Porque esse corpo... reage diferente. E antes que pudesse se segurar, antes que a mente racional pudesse intervir, inclinou a cabeça e deu uma lambida na própria mão. O gosto era... estranho. Salgado, levemente amargo, mas não tão desagradável quanto sempre imaginou. Na verdade, enquanto saboreava, pensou que não era tão ruim assim. Não acredito que fiz isso. Mas tinha feito. E agora que tinha provado, não podia negar que não tinha desgostado. Disse a si mesmo, uma e outra vez, que era culpa do corpo da mãe, que esse corpo tinha outras preferências, outras reações. Que ele, Daniel, o garoto de dezessete anos, nunca teria feito algo assim. É por causa do corpo. Só é por causa do corpo. Não queria mais pensar nisso. Abriu a torneira, lavou as mãos com sabão, esfregando com força como se pudesse apagar também a lembrança do que acabara de fazer. Ela se secou, vestiu uma camisola de dormir — a primeira que encontrou — e voltou para o quarto. O pai já estava profundamente adormecido, a respiração compassada, o corpo relaxado na cama. Daniel se deitou ao lado dele, olhando para o teto. O cansaço o atingiu como uma onda, mas antes de fechar os olhos, uma última pergunta cruzou sua mente: Quanto do que sinto é realmente meu? E então, o sono o venceu.
6 – objeto
O frio do preservativo no peito dele era a única coisa que parecia real. Todo o resto—os sons do banheiro, o eco da própria respiração, o zumbido nos ouvidos—parecia distorcido, como se ele estivesse submerso em água turva. Daniel continuou sentado na borda do vaso, com as pernas abertas e a saia amassada na cintura, incapaz de se mexer. Não eram só os ecos do orgasmo que o mantinham paralisado. Era a humilhação. A raiva. A confusão que corroía ele por dentro. Ele tinha sido violado, sim, mas o corpo dele—o corpo da mãe dele—tinha respondido com uma intensidade que o aterrorizava. Cada célula parecia cantar num coro de prazer culpado, lembrando ele que, apesar de tudo, ele tinha chegado ao clímax mais avassalador da vida dele.
Com as mãos trêmulas, ele pegou o preservativo usado e jogou no vaso, apertando o botão de descarga com força, como se pudesse apagar o que tinha acontecido junto com ele. O som da água pareceu trazê-lo de volta à realidade. O eco do orgasmo ainda vibrava nos ossos dele, misturado com uma vergonha profunda, pegajosa, que grudava na pele dele mais que o suor. Ele baixou o olhar pra se limpar com papel, e foi aí que notou: o chão estava vazio. A calcinha preta dele, a que Yair tinha tirado minutos antes, não estava mais lá.
Um frio repentino percorreu a espinha dorsal dele. Ele procurou ela com os olhos, vasculhando cada canto do cubículo. Nada. Só o brilho molhado do piso de porcelana e o próprio reflexo fantasmagórico na porta metálica. Não pode ser, pensou ele, um novo tipo de pânico se instalando no peito dele, mais denso que o anterior. Será que a... Perdi? Será que ele… levou? A última possibilidade fez um vazio no estômago dela. Primeiro o que ele tinha feito, e agora isso. Um troféu. Uma prova. A raiva foi tão intensa que as mãos tremeram quando ela tentou se levantar. Ajeitou a saia com movimentos bruscos, sentindo na hora a diferença. O tecido da saia lápis, já apertado por si só, agora colava direto na pele, sem a barreira fina do algodão. Cada dobra, cada costura, parecia um lembrete da sua exposição. Ela se aproximou do espelho do banheiro. A imagem que refletia era de uma estranha: o cabelo da sua mãe, sempre impecável, bagunçado e com mechas grudadas na têmpora de suor; a máscara de cílios borrada, deixando manchas escuras sob os olhos — os olhos da mãe dela, agora cheios de um pânico que lhe era familiar —; os lábios inchados, vermelhos, marcados. Com dedos trêmulos, tirou um lenço da bolsa e começou a se limpar, a se arrumar. Cada movimento era mecânico, como se estivesse consertando uma rachadura numa máscara que já estava desmoronando. Ao sair do banheiro, o corredor pareceu quilométrico. Caminhou até sua mesa sentindo o roçar áspero da saia contra as coxas, a sensação de frescor — e ao mesmo tempo de vulnerabilidade — cada vez que o ar-condicionado entrava por baixo do tecido. Sentou-se com cuidado, notando como o frio do assento de couro atravessava o pano. E então, ao se mexer para pegar o teclado, sentiu: um fio quente e molhado escapando de dentro dela e escorrendo devagar pela coxa. Olha isso, o que você acha disso: Ela estremeceu, apertando as pernas debaixo da mesa. Preciso recuperar minha calcinha, pensou, desesperada. Esperou até o escritório se acalmar um pouco, depois se aproximou da mesa do Yair. Ele estava digitando, com um sorriso tranquilo no rosto. “Yair”, sussurrou Daniel, cuidando para ninguém mais ouvir. “Me devolve minha calcinha.” Yair levantou o olhar, fingindo inocência. “Calcinha? Do que você tá falando, Lucía? Você devia Procura melhor, talvez tenham caído por aí." O tom dele era brincalhão, debochado. Daniel apertou os punhos. "Não brinca comigo. Sei que você está com elas." Yair se inclinou para frente, baixando a voz. "Você devia estar mais relaxada depois do que rolou no banheiro, não?" Soltou uma risada baixa, cheia de malícia. "Vi você gostando." "Isso não é brincadeira", disse Daniel, segurando a raiva. "Me devolve." Yair balançou a cabeça, sorrindo. "Não. Vou ficar com elas. Tipo um prêmio." Abaixou ainda mais a voz. "E você não devia andar por aí sem elas, sabia? Pode ser perigoso." Daniel sentiu um arrepio. Ele tinha razão. Ela estava completamente exposta, e Yair sabia disso. Sem dizer mais nada, se afastou, sentindo o olhar dele grudado nas suas costas. Voltou pro seu lugar, tentando ignorar o desconforto entre as pernas, a umidade que ainda escorria. Decidiu focar no trabalho, pelo menos até conseguir sair dali. Minutos depois, enquanto tirava cópias na máquina, sentiu uma mão pousar na sua bunda, acariciando o tecido da saia. Levou um susto e se virou bruscamente. Era Yair, sorrindo com cara de safado. "Sua bunda fica melhor assim, né? Sem nada por baixo", disse, zoando. "Cai fora", falou Daniel, recuando. "Me deixa trabalhar." "Não faz assim. Você também curtiu." Yair chegou mais perto. "Olha, vou te fazer uma proposta. Me ajuda com um trampo chato e eu devolvo sua calcinha." Daniel hesitou. "Que tipo de trampo?" "Só organizar uns arquivos por data. Nada urgente." Yair sorriu. "Aceita?" Daniel concordou, sem animação. "Tá bom." "Perfeito. Te devolvo quando terminar." Yair virou as costas e voltou pro lugar dele. Pouco depois, chegou com uma pilha grossa de documentos e largou na mesa de Daniel. "Boa sorte", disse antes de ir embora. Daniel suspirou, olhando a montanha de papéis. Se ao menos tivesse dado ouvidos pra mãe, pensou, amargamente. Nada disso teria acontecido. Depois de horas de trabalho focado, Daniel finalmente terminou. Os arquivos Estavam organizados, classificados e prontos. Olhou o relógio: já quase era hora de sair. Viu que Yair se preparava pra ir embora e se aproximou dele. "Já terminei", disse, segurando a irritação. "Minha calcinha." Yair fingiu um susto amigável. "Ah, claro! Coloquei na minha gaveta, na de baixo. Achei que você ia encontrar quando procurasse antes. Devem estar lá." Com um mau pressentimento, Daniel se aproximou da mesa de Yair. A área estava quase deserta. Respirou fundo e se abaixou na frente da gaveta de baixo, mantendo as pernas retas numa tentativa puramente instintiva — e ridícula — de preservar um pouco de decência. Abriu a gaveta. Só tinha grampeadores, canetas e pastas vazias. Não estão. Naquele exato instante, um movimento rápido atrás dele. Sentiu a saia, já curta por si só, ser puxada bruscamente até a cintura, deixando as nádegas completamente expostas, pulsando no ar frio do escritório. O choque o paralisou por uma fração de segundo. E então veio a palmada. Uma palmada forte, seca, que ecoou. O impacto, mais surpreendente do que doloroso, fez ele perder completamente o equilíbrio. A cabeça bateu na borda da mesa com um baque surdo, e ele caiu pesadamente no chão, atordoado, com a visão turva. Ofegante, com a bochecha no linóleo frio, a primeira coisa que fez foi puxar a saia pra se cobrir. A segunda, levantar os olhos com pânico, procurando olhares, testemunhas. Não tinha ninguém. O corredor estava vazio. Os escritórios próximos, em silêncio. E do lugar onde Yair tinha estado, nem sinal. Se levantou trêmulo, com uma dor latejante na têmpora e uma humilhação que queimava por dentro mais do que qualquer golpe. Pegou a bolsa na mesa, notando como as mãos não paravam de tremer. Não olhou ao redor. Não aguentava a ideia de que alguém, de algum canto, tivesse visto. Saiu do escritório com passo rápido, sentindo o eco da palmada na pele e o vazio ainda mais fundo onde deveria estar a calcinha. Yair não só tinha levado elas. Ele tinha sumido, deixando ela sozinha com a vergonha, a dor e a certeza de que isso estava longe de acabar. No carro, ela dirigiu pra casa com as mãos tremendo, ainda sentindo a ardência da palmada e a humilhação fresca na mente. Sabia que aquilo não tinha terminado. Yair estava com a calcinha dela. E, pior de tudo, parecia decidido a continuar brincando com ela. O trajeto pra casa foi interminável. Daniel dirigia com as mãos firmes no volante, mas a mente dela era um turbilhão. O banco do carro, antes neutro, agora lembrava ela constantemente da sua vulnerabilidade. O tecido da saia grudava direto na pele dela, e cada pequeno buraco na estrada mandava uma vibração desconfortável pelo corpo. Ela apertou as coxas instintivamente, sentindo como a umidade residual do que tinha rolado no escritório ainda lembrava ela de que nada daquele dia tinha sido normal. Por que não escutei?, pensou, com a mandíbula tensa. Mamãe me avisou. Ela falou pra não aceitar nada do Yair. Se ao menos… Mas já era tarde pra arrependimentos. Ela estacionou na frente de casa e desligou o motor. A fachada parecia a mesma de sempre, mas ao abrir a porta, algo parecia diferente. O silêncio era mais profundo, mais denso. Não tinha barulho de TV, nem passos, nem a voz da mãe—no corpo dela—recebendo ela. Claro, lembrou. Mamãe disse que ia na biblioteca pesquisar sobre a mudança. A casa era só dela. Ela foi direto pro quarto da mãe, fechou a porta atrás de si e se apoiou um momento contra ela, respirando fundo. Depois, com movimentos mecânicos, começou a se despir. Os saltos foram os primeiros, deixando eles caírem no chão com um baque seco. A saia, a camisa amassada, as meias—tudo foi parar numa cadeira. Precisava se livrar daquela roupa, daquele cheiro, daquele dia. Abriu a gaveta da roupa íntima e os dedos encontraram uma calcinha preta simples. Ao deslizar ela pelas pernas, sentiu um alívio imediato. A Tela macia contra a pele, aquela sensação de estar protegida, de não estar tão exposta. Quase suspirou. Mas então, enquanto estava ali, de calcinha e sutiã na frente do armário da mãe, a curiosidade começou a coçar por dentro. O que mais será que a mamãe guarda? Não era a primeira vez que se perguntava sobre a outra vida da mãe, aquela que não dividia com a família. Mas até então, essas perguntas eram abstratas. Agora, preso naquele corpo, cada peça de roupa, cada objeto, cada foto, parecia uma peça de um quebra-cabeça que ele não tinha certeza se queria montar. Chegou perto do armário e começou a fuçar. Roupas normais, blusas, saias, vestidos. Mas no fundo, quase escondido atrás de casacos que raramente eram usados, encontrou uma caixa. Não era uma caixa qualquer. Era de papelão grosso, bem fechada, como se quem guardou quisesse garantir que ninguém a encontrasse por acidente. Com mãos trêmulas, Daniel a tirou e colocou em cima da cama. Levantou a tampa. E o que viu o deixou sem fôlego. Dentro, dobrado com cuidado, tinha uma fantasia de empregadinha. Mas não era uma qualquer. Era uma fantasia sexy, provocante, daquelas que parecem saídas de uma putaria. O cetim preto brilhava sob a luz do quarto, as bordas de renda branca contrastavam com o tecido escuro, e a saia era tão curta que mal cobria alguma coisa. Daniel tirou a fantasia da caixa com mãos trêmulas, esticando-a em cima da cama para ver completa. As meias brancas até a coxa, a minissaia preta, o top com o corpete de botões na frente, as mangas curtas com babados de renda… Por que a mamãe tem isso?, pensou, a mente disparando em mil direções. Ela usou isso com o papai? Foi o chefe que deu? Ou… a mamãe é… assim? As perguntas se amontoavam sem resposta. Mas em poucos segundos, balançou a cabeça. Não ia descobrir assim, só olhando uma fantasia. Tinham possibilidades demais, explicações demais. Talvez fosse só uma brincadeira, algo íntimo entre os pais. Ou talvez não. Mas não. era algo que pudesse descobrir agora. Deixou a caixa de lado, mas o traje permaneceu estendido sobre a cama, chamando-o. Como será que vou ficar?, pensou, quase sem querer. A curiosidade estava matando ele. Literalmente. Coçava por dentro, uma comichão impossível de ignorar. Não faço mal a ninguém, disse para si mesmo, buscando justificativas. Só experimentar. Aqui sozinho. Ninguém vai saber. A decisão estava tomada. Pegou as meias primeiro. Eram brancas, macias, até a coxa. Ao deslizá-las pelas pernas — as pernas da mãe dele — sentiu uma diferença imediata das que usava para o trabalho. Essas eram mais suaves, mais delicadas. O tecido acariciava a pele dele de um jeito quase mimado, e ao chegar na coxa, o elástico ajustava firme mas sem apertar demais. Por um momento, só curtiu a sensação. Depois a saia. Preta, minúscula, quase um retângulo de pano com pretensões. Ao subi-la e ajustar na cintura, notou o quanto era curta. Com facilidade, qualquer movimento mostraria o que tivesse — ou não tivesse — por baixo. O top era mais complicado. Para usá-lo, precisava tirar o sutiã. Hesitou um segundo, mas já tinha ido longe demais. Desabotoou o sutiã e deixou cair na cama, sentindo o peso dos peitos se libertarem por um instante antes de pegar a peça. Enfiou primeiro os braços pelas mangas curtas, com seus babados de renda roçando os pulsos. Depois subiu as taças, acomodando-as sobre os seios. O corpete era decotado, muito decotado, e push-up, então ao colocá-lo, sentiu como os peitos subiam e se juntavam, criando um decote muito mais pronunciado do que jamais vira na mãe. Começou a abotoar os botões de baixo para cima. Um por um. Cada botão que fechava apertava mais o tecido contra a pele, realçando ainda mais o decote, marcando mais a cintura, criando uma silhueta que era ao mesmo tempo a mãe dele e completamente estranha. O último botão ficou fechado. O traje estava vestido.
Só faltavam alguns acessórios que ela tinha visto na caixa — uma touca, uma coleira — mas achou que já era demais. Já tinha vestido a fantasia, isso bastava. Queria se ver. Aproximou-se do espelho de corpo inteiro. E o que viu a deixou paralisada. Não podia acreditar. A mulher que devolvia o olhar era sua mãe, sim, mas uma versão da sua mãe que jamais tinha imaginado. O top realçava os peitos dela de um jeito quase obsceno, fazendo-os parecer mais firmes, maiores, mais desejáveis. A saia era tão curta que, com a menor inclinação, dava pra ver a calcinha — e, de fato, já dava pra ver um pouco da curva inferior da bunda dela aparecendo na borda. As pernas dela, emolduradas pelas meias brancas até a coxa, pareciam intermináveis. Mamãe… é… gostosa demais, pensou, sem encontrar outras palavras. Não a reconhecia. Não reconhecia a mulher que o criou, que o levava pra escola, que fazia o café da manhã. Aquela mulher tinha uma fantasia dessas escondida no armário. Aquela mulher — aquele corpo — podia ficar assim. Com quem será que ela usou isso?, se perguntou, e as imagens vieram à mente sem convite. Com o pai? Com o chefe? Com… mais alguém? Cada vez que descobria algo novo sobre a mãe, menos a conhecia. Era como se a mulher que achava que conhecia fosse só uma máscara, e por trás houvesse camadas e camadas de segredos que agora, preso na pele dela, começava a entrever. A campainha tocou de repente, fazendo-o pular. O coração disparou. A primeira reação foi pânico: Será que mamãe ou papai já voltaram? Mas se acalmou na hora. Eles não tocariam a campainha. Tinham chaves. Então quem? Olhou o reflexo no espelho. Estava vestida de empregada sexy, com a maquiagem ainda levemente borrada do incidente no escritório, o cabelo bagunçado. Não podia abrir assim. Correu pro banheiro, pegou o primeiro roupão que encontrou — e vestiu por cima, fechando bem. Se olhou rapidamente: cobria o suficiente. Com uns passos pra se recompor, foi até a porta. Quem será a essa hora? Ela abriu. Era o vizinho do lado. Alejandro. Daniel o conhecia, embora não se dessem bem. Era um senhor mais velho, sempre com aquele sorriso de superioridade, o tipo de pessoa que olhava os outros de cima pra baixo. Mas os pais dele se davam bem com ele, então tinha que fazer cara boa. «Boa tarde, vizinho», disse Daniel, imitando o tom amigável da mãe. «Como vai?» Alejandro sorriu, mas não era um sorriso amigável. Era outra coisa. Algo que Daniel não soube identificar até depois. «Boa tarde, Lucía. Seu marido está?» «Não, ainda tá trabalhando», respondeu Daniel, mantendo a calma. «Ah, e o Daniel?» Por que ele tá perguntando por mim?, pensou Daniel, confuso. Mas entrou no jogo. «Tá na biblioteca. Estudando», mentiu. Mal terminou de falar, Alejandro se jogou nela. Foi tão rápido que Daniel não teve tempo de reagir. O vizinho beijou ela com força, empurrando-a pra dentro de casa enquanto com o pé fechava a porta atrás de si. Uma mão grande e firme pousou na cintura dela, e antes que pudesse protestar, sentiu ele abrindo o roupão. O uniforme de empregada ficou à mostra. Alejandro se afastou só o suficiente pra olhar, e os olhos dele se arregalaram com uma mistura de surpresa e tesão. «Então você ia me compensar por não ter ido, hein?» disse, com um sorriso triunfante. «Já tava me esperando.» Daniel conseguiu se soltar dele, dando um passo pra trás, a raiva e o pânico se misturando no peito. «O que cê tá fazendo?!», gritou, embora a voz dele—a voz da mãe dele—tenha saído mais trêmula do que queria. «Sai da minha casa agora!» Alejandro nem se mexeu. O sorriso dele se alargou, ficando mais perigoso. «Ah, é? Parece que já esqueceu o trato que a gente fez.» Daniel sentiu um vazio no estômago. «Que trato?» «Não se faz de sonsa, Lucía. Quer mesmo que eu mostre o vídeo? Aquele onde você tá me montando na festa. Ou prefere que o seu marido veja?» O mundo parou. Um vídeo. Minha mãe… e esse tipo… Daniel não precisava de mais explicações. Entendeu tudo na hora: sua mãe tinha um segredo com esse cara, e ele tava chantageando ela com isso. Alejandro se virou, fingindo que ia embora. «Bom, se você não quer cumprir o trato…» «Espera.» A palavra escapou sozinha, desesperada. Alejandro se virou, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de quem já sabia que tinha vencido. Daniel respirou fundo. Pela mãe. Pela família. Levantou o roupão e deixou cair no chão. O vestido de empregada ficou completamente exposto sob a luz da entrada. As meias brancas, a saia minúscula, o top que valorizava os peitos, o decote pronunciado. Alejandro a percorreu com o olhar, lento, deliberado, saboreando cada detalhe. «Isso eu gosto», disse, com um sorriso de satisfação absoluta. E voltou em direção a ela. Daniel engoliu seco. «Não temos muito tempo», disse, tentando manter algum controle. «Meu marido e meu filho podem chegar a qualquer hora.» Alejandro deu de ombros, se aproximando perigosamente. «Não se preocupa. Com um boquete já resolve. Por enquanto.» Pegou ela pelo braço e a guiou até a sala, perto do sofá. Com um movimento, a colocou de joelhos. Daniel sentiu o frio do chão através das meias, a vulnerabilidade da posição. Alejandro parou na frente dela, e com um sorriso cruel, desabotoou a calça. «Já que você é uma empregada», disse, puxando o pau duro e colocando na cara de Lucía, «me serve.» Daniel não acreditava no que estava prestes a fazer. Mas era pela mãe. Pela família. Se não fizesse, aquele vídeo podia destruir todo mundo. Enquanto hesitava, sentiu uma batida leve mas firme na bochecha: o pau do vizinho, batendo na cara dela. «Anda, Lucía. Olha como você me deixou desde que vi esse vestido. Tô esperando isso há semanas.» E aí, uma coisa estranha aconteceu. O contato, a situação, a humilhação—tudo começou a gerar uma sensação estranha no corpo dela. Um calor que não devia estar ali. Uma resposta que não conseguia controlar. Não, não, não, pensou, mas seu corpo — o corpo da mãe — já estava reagindo. Começou lambendo devagar, só um roçar de língua, como experimentando. Depois, com uma mistura de resignação e aquela excitação estranha que não podia negar, abriu a boca e aceitou. O sabor, a textura, a sensação de ser usada — tudo era avassalador. Começou a se mover, buscando um ritmo, querendo terminar rápido, esquecer. Chupava com mais intensidade, com mais desespero, enquanto Alejandro soltava gemidos de satisfação. «Aiiii, siiiim», suspirou ele, colocando uma mão na cabeça dela com um carinho que queria ser afetuoso, mas era claramente possessivo. «Como sentia falta disso, Lucía. Como sentia falta da sua boca.» Daniel ignorou as palavras, concentrado na tarefa. Mas enquanto aumentava o ritmo, a mente vagava. Desde que estou no corpo da mamãe, minha vida sexual tem sido… intensa. Será que é assim para todas as mulheres? Ou só para a mãe dele? «Ainda estou puto com você», disse Alejandro de repente, a voz mais grave, mais séria. A mão na cabeça dela parou de acariciar e se fechou com força no cabelo. «Por me abandonar desse jeito. Então você tem que saber seu lugar.» Daniel ficou confuso com as palavras, mas antes que pudesse pensar, sentiu as mãos do vizinho agarrarem sua cabeça com firmeza e começarem a movê-la do jeito que ele queria. Alejandro começou a foder a boca dela. Não era sexo oral. Era um uso. Um estupro da garganta dela. Metia e tirava o pau com violência, marcando o próprio ritmo, usando a boca dela como um simples buraco de prazer, sem consideração, sem pausa. Cada estocada era funda, brutal, roubando o ar dela. Daniel tentou resistir. Forcejou, colocou as mãos nas coxas do vizinho para afastá-lo, mas era inútil. Alejandro era forte demais. As tentativas de resistência só pareciam excitá-lo mais. Não consigo… não consigo respirar… Mas então, no meio do desespero, sentiu algo mais. Um calor que crescia entre as pernas dela. Uma umidade que não era de antes. O corpo dela—o maldito corpo da mãe dela—tava ficando excitado com o tratamento bruto do vizinho. O que tá acontecendo comigo? Por que isso me excita? Não tinha resposta. Só a sensação avassaladora de ser dominada, usada, humilhada—e o corpo dela respondendo a isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Alejandro não tinha pena. Mantinha um ritmo intenso, implacável, cada estocada mais funda que a anterior. Daniel sentia que tava se afogando, que perdia o ar, mas também sentia como a umidade entre as pernas dela aumentava, como o corpo dela se preparava pra algo que a mente rejeitava. Com uma última estocada, Alejandro enfiou o pau até o fundo e gozou. Daniel sentiu o jato quente na garganta dela, e por puro instinto de sobrevivência, engoliu pra não se afogar. O gosto, a sensação, a humilhação—tudo se misturou numa onda avassaladora. Quando Alejandro finalmente tirou o pau, Daniel ficou sentada no chão, tossindo, ofegante, tentando recuperar o fôlego. O corpo dela tremia, não sabia se pelo esforço, pela humilhação ou pela excitação que ainda queimava entre as pernas dela. Alejandro guardou o pau e subiu a calça com calma, como se nada tivesse acontecido. Andou até a porta, mas antes de abrir, virou. «Isso não acabou», disse, a voz fria, autoritária. «Semana que vem continuo com seu castigo. E lembra do seu lugar. Não esquece quem manda aqui.» Saiu e fechou a porta atrás de si. Daniel ficou no chão, no mesmo lugar, com o uniforme de empregada ainda vestido, bagunçado, humilhada. A respiração dela aos poucos se acalmava, mas o corpo dela continuava queimando. E mais uma coisa. Por que… por que as palavras dele me excitaram? As palavras do vizinho—"lembra do seu lugar", "quem manda aqui"—repetiam na cabeça dela, e cada vez que faziam isso, um arrepio de prazer percorria as costas dela. Não pode ser. Não devia sentir isso. Mas sentia. E não podia negar. Daniel ficou no chão da sala, com a respiração entrecortada e o corpo ainda trêmulo. Os minutos passaram como se fossem horas. A mente dela tentava processar o que tinha acabado de acontecer, mas era como querer pegar água com as mãos: toda vez que achava que tinha entendido, escapava pelos dedos. Eu chupei o meu vizinho. De vestido de empregada. E fiquei com tesão. Balançou a cabeça, como se pudesse apagar o pensamento. Não dava. Estava ali, gravado a fogo. De repente, os olhos dela cravaram no relógio da sala. Os ponteiros marcavam uma hora que gelou o sangue dela. Merda. Mamãe pode chegar a qualquer momento. Levantou de um pulo, ignorando a dor nos joelhos e o desconforto entre as pernas. Correu para o quarto da mãe, os passos ecoando no corredor. Ao entrar, fechou a porta e se apoiou um instante nela, ofegante. Depois, a urgência. Tirou o vestido de empregada com mãos atrapalhadas, quase arrancando. As meias, a saia, o top — tudo voou para a cama. Dobrou o mais rápido que pôde, sem cuidado, só com a necessidade de sumir da vista dela. Enfiou na caixa, fechou a tampa e guardou no armário, no mesmo lugar exato onde tinha achado. Que não apareça. Que não apareça nada. Vestiu o sutiã que tinha deixado na cama, ajustando as bojo às pressas. Agora, a roupa. Precisava de roupa normal. Casual. Algo que a mãe dela pudesse usar em casa sem levantar suspeitas. As camisolas, pensou, mas balançou a cabeça. É muito cedo pra isso. Papai pode chegar e seria estranho. Vasculhou o armário da mãe com uma mistura de urgência e aquela curiosidade que já não conseguia evitar. E então achou. Uma camisa branca de alças, simples, fresca. E um shortinho rosa, daqueles que se usam pra ficar em casa. Isso serve, pensou, tirando-os. O short rosa deslizou pelas pernas dela com facilidade. Ficava justo, sim — marcava o quadril, grudava nas coxas — mas era confortável. O tecido macio contra a pele, sem a rigidez da roupa de Oficina. Depois, a regata. Ao passar pela cabeça e ajustá-la sobre os ombros, sentiu como se acomodava no peito. Ficou mais justa do que esperava — as alças finas, o decote discreto mas presente, o tecido branco marcando a curva dos peitos — mas fora isso, era confortável. Fresca. Quase natural. Chegou mais perto do espelho.
Mamãe parece… sexy, pensou, e ainda achava estranho pensar na mãe daquele jeito. Mas era inevitável. O corpo à sua frente — o corpo dela agora — era o de uma mulher gostosa, e aquela roupa realçava sem ser vulgar. As pernas longas, os quadris largos, o cabelo escuro caindo sobre os ombros… É meu corpo agora, lembrou. Pelo menos por um tempo. Ficou absorta no próprio reflexo, se perguntando quanto tempo mais aquilo ia durar, quantos segredos da mãe ainda teria que descobrir, até que um barulho a tirou dos pensamentos. A porta da frente. Saiu do quarto com o coração batendo rápido, pronta pra qualquer desculpa. E lá estava ela: a mãe. No corpo dela. Com uma mochila pendurada no ombro e uma expressão de cansaço no rosto — o rosto de Daniel, o rosto dela, olhando pra ela com os próprios olhos. O choque foi imediato. Lúcia ficou paralisada ao ver o próprio corpo vestindo aquele short rosa e aquela regata. Os olhos dela se arregalaram, e uma expressão que Daniel não soube identificar — surpresa? raiva? — cruzou as feições dela. «O que você tá vestindo?», perguntou, a voz tensa, controlada mas prestes a explodir. Daniel engoliu seco. «Qual o problema? É só uma roupa confortável.» «Confortável?», repetiu Lúcia, se aproximando. «Essa roupa não é confortável, é…» Procurou a palavra, e quando achou, cuspiu como se queimasse: «Vulgar. Você tá vulgar, Daniel.» Daniel sentiu uma pontada de indignação. Vulgar? A imagem do uniforme de empregada passou pela cabeça como um relâmpago. O uniforme escondido no armário. As fotos no celular. As indiretas do chefe. E ela vem me chamar de vulgar? Mas sabia que mencionar aquilo seria um erro. Um erro catastrófico. Então engoliu o orgulho e baixou o olhar. «Desculpa», disse, e a voz saiu submissa, arrependida. «É que eu tava tão cansada de usar aquele uniforme apertado o dia inteiro… só queria algo confortável. Isso parecia confortável.» Lúcia observou ela em silêncio por um longo momento. Depois, suspirou. Um suspiro fundo, de aqueles que vêm do fundo, carregados de um cansaço que não era só físico. «Tá tudo bem», disse ele finalmente, com a voz mais suave. «Entendo essa parada da roupa apertada. Pode crer que entendo.» Fez uma pausa. «Mas não faz mais isso, ok? É meu corpo. Preciso que você cuide dele, não que…» Balançou a cabeça, sem terminar a frase. «Não vou fazer», prometeu Daniel, e por um momento, foi sincero, ou pelo menos achou que era. Lucía assentiu, largando a mochila numa cadeira. «Como foi na biblioteca?», perguntou Daniel, mudando de assunto, precisando desesperadamente falar de outra coisa. «Achei vários livros», respondeu Lucía, esfregando os olhos—cansada. «Sobre troca de corpos, possessões, intercâmbio de almas… mas nada útil ainda. Só mitos, lendas, teorias absurdas. Vou ter que continuar indo depois da aula.» Daniel assentiu, sentindo um peso no peito. «Quanto tempo mais…?» «Não sei», interrompeu Lucía, com uma honestidade brutal. «Mas por enquanto, a gente tem que continuar assim. Mais uns dias, pelo menos.» Virou-se para o corredor, com o corpo—o corpo do filho dela—visivelmente exausto. «Vou dormir. Tô exausta de passar o dia inteiro pesquisando.» Já na porta do quarto, virou-se e completou: «Troca de roupa antes do seu pai chegar. Por favor.» E entrou, fechando a porta atrás de si. Daniel ficou sozinha na sala, com as palavras da mãe ecoando na cabeça. Troca de roupa antes do seu pai chegar. Assentiu para si mesma e foi para o quarto da mãe fazer exatamente isso. Mas quando abriu a porta e entrou, já era tarde demais. O pai dela tinha chegado. Tinha acabado de entrar no quarto, e ao vê-la, parou no meio do caminho. Os olhos dele percorreram a figura dela—o short rosa, a regata, as pernas de fora—e um sorriso lento, quente, se espalhou pelo rosto dele. «Ah, amor», disse, se aproximando. «Cê tá uma gostosa. O que é isso? Uma surpresa.» Daniel forçou um sorriso, sentindo o pânico apertar o estômago. «Só queria estar confortável. O terno de escritório é tão apertado…» «Pois é, devia usar roupas assim mais vezes», disse o pai, envolvendo-a com os braços por trás num abraço. O corpo dele era quente, familiar, e a respiração roçou o pescoço dela quando falou de novo. «Que tal a gente se divertir um pouco hoje à noite?» Daniel ficou tenso. «Hoje não tô muito a fim, querido…» «Vamos lá», insistiu o pai, a voz um sussurro persuasivo contra a orelha dela. «Você sabe que se eu não me divertir um pouco, não vou conseguir dormir. E a culpa é sua por se vestir assim.» É minha culpa, pensou Daniel, com amargura. Tudo é minha culpa. Se eu não tivesse vestido essa roupa… Mas já era. E agora tinha que lidar com as consequências. Respirou fundo, se preparando. «Tá bom, querido. Fica confortável na cama.» O pai sorriu, satisfeito, e começou a tirar a roupa de trabalho com movimentos rápidos, quase ansiosos. Camisa, calças, até ficar só de cueca, sentado na beira da cama, esperando. Daniel olhou pra ele um momento. O pai dele. O homem que o criou. E agora tinha que… isso. É pela mãe, lembrou a si mesmo. Pra ela não desconfiar. Pra tudo continuar normal. Se aproximou da cama. Antes de subir, tirou a regata e deixou cair no chão. Sentiu o ar fresco na pele, nos ombros descobertos, no decote que a lingerie deixava à mostra. Depois subiu na cama, deitando de lado de frente pra ele. Abaixou a mão, deslizando por baixo do elástico da cueca. Encontrou o pau do pai, já meio duro de expectativa. Começou a masturbar ele com movimentos lentos no começo, suaves, sentindo a textura, o calor, o jeito que respondia ao toque. Sabia o que tava fazendo. Afinal, tinha tido aquele mesmo corpo—o dela—por dezessete anos. Sabia como era a sensação, quais ritmos funcionavam, que pressões. Os movimentos eram seguros, experientes, e dava pra perceber. O pai soltou uns gemidinhos baixos, a respiração acelerando. Uma mão pousou no ombro de Daniel, apertando suavemente. «Assim… assim, love…», murmurou. Daniel aumentou o ritmo, sentindo o pau do pai endurecer completamente na mão dele, pulsando, cada vez mais perto. Os gemidos do pai ficaram mais profundos, mais urgentes. «Já… já vou gozar…», ofegou. E então, a explosão quente na mão dele. O esperma cobriu seus dedos, e Daniel continuou se movendo um pouco mais, prolongando o prazer, até que o pai soltou um suspiro longo, profundo, de completa satisfação. «Valeu, love», disse, com a voz já pastosa de sono. «Era exatamente o que eu precisava.» Daniel se levantou da cama sem dizer nada. Foi ao banheiro, apoiou-se na pia enquanto recuperava o fôlego. Olhou para a mão, coberta de porra do pai, e algo estranho aconteceu dentro dele. Prova, sussurrou uma voz que ele não reconheceu como sua. Balançou a cabeça, confuso. Quê? Não. Por que você pensaria isso...? Mas a ideia não ia embora. Repetia-se uma e outra vez, como um eco na mente dele. Prova. Só um pouco. Ninguém precisa saber. É o corpo da mamãe, pensou, buscando uma explicação. Deve ser por isso. Porque esse corpo... reage diferente. E antes que pudesse se segurar, antes que a mente racional pudesse intervir, inclinou a cabeça e deu uma lambida na própria mão. O gosto era... estranho. Salgado, levemente amargo, mas não tão desagradável quanto sempre imaginou. Na verdade, enquanto saboreava, pensou que não era tão ruim assim. Não acredito que fiz isso. Mas tinha feito. E agora que tinha provado, não podia negar que não tinha desgostado. Disse a si mesmo, uma e outra vez, que era culpa do corpo da mãe, que esse corpo tinha outras preferências, outras reações. Que ele, Daniel, o garoto de dezessete anos, nunca teria feito algo assim. É por causa do corpo. Só é por causa do corpo. Não queria mais pensar nisso. Abriu a torneira, lavou as mãos com sabão, esfregando com força como se pudesse apagar também a lembrança do que acabara de fazer. Ela se secou, vestiu uma camisola de dormir — a primeira que encontrou — e voltou para o quarto. O pai já estava profundamente adormecido, a respiração compassada, o corpo relaxado na cama. Daniel se deitou ao lado dele, olhando para o teto. O cansaço o atingiu como uma onda, mas antes de fechar os olhos, uma última pergunta cruzou sua mente: Quanto do que sinto é realmente meu? E então, o sono o venceu.
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