Para entender essa história temos que voltar 300 anos antes de 2022, para um lugar perdido na Índia, exatamente em Chapar, a uns 100 km da capital. Um explorador espanhol estava convencido da existência de um tesouro que poderia mudar o rumo das coisas, ou pelo menos o dele. A verdade é que ele não tinha muita certeza de qual era o truque, ou a mágica. Só tinha a certeza, vinda de alguém de confiança, de que um tesouro escondido na Ásia poderia mudar a vida de quem o encontrasse. Ele já estava há um mês investigando os passos do Mestre Txais, mas ninguém tinha ouvido falar dele, ou pelo menos aparentavam não ter ouvido.
Minha única referência era um antigo manuscrito escrito por um dos discípulos de Marco Polo, um tal Eufrates que decidiu abandonar seu amigo e trabalhar sua parte mais espiritual. Esse homem, cujo nome era Andres Solpa, escalou os cumes mais altos, navegou por zonas desérticas, conviveu com tribos que caíam na risada ao ver um ser humano com a pele tão clara; foram dois anos exaustivos nos quais ele nunca perdeu a fé. A questão é que naqueles dias ele teve acesso a um grande poder, o que se chamaria de magia invisível. Uma magia que transformava pensamentos em realidades; mas às portas de sua morte, e para não deixar nas mãos de qualquer um esse legado, ele introduziu aquele poder estranho em um lápis ao qual daria uma vida infinita. Apenas o artista que o encontrasse poderia tornar realidade seus esboços.
O fato é que o lápis passou de mão em mão dentro de um vaso de prata cinza, até que aquele aventureiro o encontrou e trouxe para a Espanha. E por acasos da vida chegou às minhas mãos quando o comprei em uma loja de relíquias na rua Rivera de Curtidores.
Foi por pura casualidade que um dia desenhei uma garota pelada e, como num passe de mágica, ela apareceu na minha frente. Assustado, olhei para o desenho e, ao comprovar que era idêntica, apaguei o traço e ela desapareceu. Aquilo me deixou louco, sem palavras. Não sabia como reagir, então a desenhei de novo, desta vez vestida de colegial japonesa e exato… apareceu diante dos meus olhos. A desenhei fazendo amor comigo e, eureka!, foi assim que tudo aconteceu.
Cheguei a pensar que era coisa de bruxaria ou que estava até mesmo sob os efeitos de um sonho, mas não… pois todos os acontecimentos sexuais comigo como protagonista que houve desde aquele 2017 já tinham sido gestados antes na minha mente. Então, o que vou contar a vocês, suponho que saibam que antes de ser realidade foi um quadrinho desenhado por mim com muito carinho.
VAMOS COMEÇAR ENTÃO!!!!!
Alguém me contou há algum tempo que os primeiros dias de sol de maio são os melhores para a libido, dias em que nossos corpos pedem para se entregar aos prazeres mais sombrios e perversos… Foi isso que fizemos. O que vamos contar aconteceu no meio da pandemia em Madrid, bem, exatamente a uma hora e meia de lá, num açude bem movimentado que naqueles dias devia estar vazio, com a gente em casa. Me chamo Arturo, mas os mais próximos me conhecem como Arti. Já estava uma semana de chuvas e dias cinzentos. Justo quando começávamos a respirar ares primaveris, coincidindo com eu já ter guardado bem no fundo do armário, aquele preto que fica no quarto no final do corredor, toda minha roupa de inverno. Tenho que reconhecer que não sou nada organizado, o que me move são as emoções. Nunca entendi se é genético ou se em algum ponto da minha existência algo entortou, mas fazer o quê, o caos me dá vida, então imaginem como joguei a roupa lá dentro. O caso é que eu estava desesperado esperando algum dia de sol e justo naquela manhã, quando ninguém mais esperava, ele apareceu, e as temperaturas subiram para mais de 25 graus. Suspirei satisfeito, alegre e animado. Deviam ser umas 10 da manhã quando, esquentando um descafeinado com leite, uma velha amiga me ligou, Elena. Duas surpresas de uma vez, a coisa tava boa.
- Javi. O que você faz hoje?
- Oi, Elena. Nossa, que voz é essa.
- É, é que ainda não dormi porra nenhuma e tô muito louca de pedra.
- Dá pra perceber.
- É? Haha, a verdade é, uff… tô com dificuldade com as… palavras.
Elena era uma garota interessante, fisicamente muito sedutora com seus lábios carnudos, nariz grande, aqueles óculos de grau que tentavam esconder um olhar tímido, seu cabelo na altura dos ombros cortado com uma franjinha bem mangá. E seus peitos enormes. Eram perfeitos, garanto. Mas o que faltava nela era a pouca sociabilidade e seu jeito esquisito de se vestir. Parecia uma personagem de hentai.
- E pra que… você me precisa?
- Haha, vejo que vai direto ao ponto, Arti. Olha, é que pff não sei como explicar hahaha tipo, tô super com tesão e você preciso.
- Bom começo.
- Né? Pois é, o babaca de Barcelona me deu um pé na bunda e literalmente comeu minha amiga colombiana na minha frente. Queria saber se você, que curte toda essa coisa de tesão e gravar, topa fazer um vídeo comigo e depois a gente posta em algum site.
- Olha só, Elena, você não era feminista?
- E daí? Acha que feminista não vê pornô?
- Confesso que tinha minhas dúvidas.
- Então, vai encarar ou não?
- Tá bom, onde você tá?
- Na porta do seu prédio.
Caralho, pensei. Essa mina tava indo com tudo mesmo.
- Beleza, sobe ou a gente vai pra algum lugar.
- Eu tava pensando em fazer algo escandaloso, tipo no meio do mato.
Elena ficou em silêncio do outro lado do interfone. Eu tava vendo pela câmera como ela se equilibrava com dificuldade enquanto esfregava o piercing pendurado no nariz.
- Represa de San Juan?
- Perfeito.
Não demorei muito pra pegar as coisas, principalmente porque naquele dia eu tava com tudo no carro que meu amigo tinha me emprestado. Então peguei a câmera, o notebook, dois cartões de memória e a caixa daqueles comprimidos tipo viagra que eu usava quando planejava ir numa orgia e aguentar mais de um dia transando.
Quando desci, encontrei ela sob a máscara verde fluorescente me encarando com os olhos meio vesgos atrás dos óculos de acetato. Mas, pra ser sincero, minha atenção tava toda nos peitões dela.
No carro, pedi pra Elena se despir e me mostrar o corpo rosado e os peitos enormes e duros. Tudo tava acontecendo igual nos quadrinhos, vocês não imaginam que prazer é poder se deitar com todas suas amigas, é tipo quando você tem aquele sonho acordado, mas com a vantagem de que dessa vez tava tudo virando realidade, ou se não era real, juro que tava vivendo e ainda vivo, assim mesmo.
O fato é que quando chegamos no desvio, viramos à direita antes de chegar em San Martin de Valdeiglesias e seguimos por uns cinco minutos de carro numa estrada de terra.
Não tinha ninguém, até que, curiosamente, no estacionamento perto da praia de nudismo A gente encontrou vários carros, mas imaginei que seria de algum ou alguma corajoso que, indo contra as ordens da saúde e do governo, tinha ido pro campo passar o dia. Elena caminava nua com seus tênis azuis. Beijei-a devagar. Ela, na sua timidez, teve dificuldade de dar continuidade ao beijo, mas também é sabido que ela tem uma pequena qualidade: situações obscenas a excitam demais. Então, depois de se afastar de mim cheia de dúvidas, voltou pra repetir o beijo, mas muito mais profundo. Nossas línguas compartilharam saliva e gemidos abafados. As pessoas sempre a viram como uma pessoa muito quieta, introvertida, absorta num mundo interior profundo, e devo dizer que a caminhada até o pântano foi exatamente como estou explicando: ela colocou uns fones e caminhou sem dizer uma palavra, mesmo quando cruzamos com uma família carregada de cadeiras, coolers e todo tipo de utensílios pra passar uma boa manhã em família. Mesmo sendo observada com incredulidade por estar tão nua, ela nem se abalou, não ergueu o olhar do chão enquanto cantarolava um refrão do Izal. Ao chegar num lugar que conhecia muito bem, arrumei todo o equipamento: minha câmera e a do meu colega em dois tripés — uma pegaria o plano mais aberto, um plano geral curto pra situar o espectador, e a outra gravaria num 3/4 ou plano americano pra mostrar mais detalhes das nossas reações durante o ato. Montei o equipamento de som, que consistia em duas petacas e dois microfones de lapela, mais duas gravadoras — não queria que nada se perdesse — e me despi também. Depois, certifiquei-me de que as baterias estavam carregadas e, após formatar os cartões, só faltava conectar o laptop ao wi-fi do meu celular, entrar num site que ela me indicou e começar a transmitir ao vivo. Elena me aconselhou a colocar um nome chamativo, e foi o que fizemos: "Casal pego no pântano". No começo, foi tudo muito estranho; Elena continuava com os fones. Ela, na sua brisa de MD e um pouco de coca, pois só se... deixava levar. Mas bom, começamos a nos beijar enquanto nossas mãos acariciavam o corpo um do outro com um certo medo. Então lembrei que tinha que tomar meu remédio. Aquilo sim foi um espetáculo de mágica e persuasão, porque juro que consegui levá-lo à minha boca sem que ela parasse de me beijar. Algo me dizia que eu precisava manter a atenção e excitação da minha amiga, porque, com toda aquela distração dela, corria o risco do desejo sexual dela desaparecer. Tá, eu sei que, pelo meu roteiro, tudo deveria dar certo, mas não me fode, era a Elena, a mina com o maior déficit de atenção que eu já conheci e com quem já trabalhei.
— Sabe que isso tá me excitando mais que a confusão que eu pensava? — ela admitiu com sua voz grave e sussurrada, enquanto continuava na dela ouvindo Izal.
— E pra mim, o fato de alguém poder nos descobrir me excita muito.
— Tô te dizendo, e ainda saber que estão nos assistindo ao vivo na internet como se fôssemos atores pornô.
— Tem seu tesão. Ei, e se alguém que pega o trem onde você trabalha ver?
— Pfff, vai pirar, mas acredite, melhor não pensar nisso, só preciso me deixar levar. — Ela colocou os fones de volta.
Então acariciei seus seios enquanto ela me observava com as pálpebras caídas e os óculos um pouco tortos. Suas mãos trêmulas me empurraram para seu ventre e lá, entre seus pelos arrepiados, procurei com minha língua até encontrar a fonte de todos os seus prazeres.
— Me diz uma coisa, você gosta de mim?
— Eu te adoro — respondi como pude.
— Adoro esses momentos em que não consigo pensar, em que só existe minha mente obscura e pervertida… Deus, não para. — Ela falou para si mesma.
Eu estava tão focado no meu trabalho com a língua que, por um instante, e apesar dos efeitos do remédio, temi que acontecesse algo muito típico nosso: que essa concentração prejudicasse minha ereção. Então recorri a uma grande estratégia que li num livro do Cialdini: crie uma imagem poderosa para se associar. E foi o que fiz, visualizei um grande ator de cinema pornô e foi assim como por arte de magia, me senti como ele. Tudo foi saindo como no quadrinho. Elena se posicionou de frente para a água esverdeada naquela pequena praia cercada de rochas, ficou de quatro e eu, depois de beijar seu pescoço, entrei suavemente nela, que soltou um leve gemido, como quando uma garrafa de gás libera suas bolhas ao ser aberta. Pouco a pouco, nossos corpos abandonaram toda conexão com a razão e, como se tivéssemos sido possuídos por animais, nos deixamos levar naquele ritual sexual até que, ao levantar a cabeça, descobri que uns caras estavam nos vendo a alguns metros de distância enquanto nos filmavam com seus celulares. Isso não estava no meu quadrinho, o que criou uma paródia estranha na minha mente que potencializou ainda mais meus desejos pervertidos, e então eu a penetrei em seu pequeno ânus. Elena gemeu com força, mas ao mesmo tempo com uma voz doce que repetiu várias vezes um: “eu adoro…” Seu corpo cedeu a uma energia poderosa até que suas pernas se flexionaram o suficiente para que seu rosto tocasse o chão, eu me ergui o máximo que pude sobre ela, sentindo que estava possuindo a maior virtude do ser humano, me senti intocável, poderoso, admirado, pois os outros que observavam aplaudiram nosso espetáculo. O sexo é o melhor veículo para que a alma, em sua maior essência, exploda e cada pedaço de seus desejos obscuros sejam gotas de energia que nos aproximam do infinito, lá onde não existem palavras nem formas, apenas prazer. Transamos por cinco horas, pelo que me lembro, porque tenho certeza de que minha mente travou e foi incapaz de gerenciar com lógica minhas emoções. Mais ou menos como minha amiga, que só se comunicava comigo por meio de grunhidos, palavras desconexas e gemidos animais. A verdade é que foi uma experiência inesquecível daquelas que fazem você ver sentido na sua existência. Aquele lápis tinha dado valor ao meu dia a dia. Todos os meus vícios, minhas loucuras impossíveis e meus sonhos mais distorcidos estavam se tornando realidade. Meu mundo estava saltando de dimensão em dimensão. Até tal ponto que eu já não sabia em que ponto me encontrava. Assim como quando você consome alguns tipos de psicotrópicos, sua mente pula entre realidades confusas sem ter claro em que dimensão permanecer, nossos cérebros se deixavam levar para um orgasmo sem controle que ansiava tocar um ponto próximo ao vazio mais neutro possível e ali, após sentir que nossas almas pulavam sem qualquer consciência, no ponto mais intenso possível, Elena e eu nos encontramos para fazer do nosso prazer algo indefinido e ao mesmo tempo tangível. Tínhamos recuperado a presença de nossos corpos como quem cavalga um cavalo ao trote e sem controle, que exausto começa a relaxar seus músculos. Indefinido e agradecido àquele que conseguiu introduzir o maior poder possível em uma caneta comum. Elena se virou para sentar em mim com seus enormes e suados peitos, sua franja úmida mas sem desalinho algum, os óculos levemente tortos, seus lábios pesados e sem força caindo sob seu nariz cômico, derrotados enquanto um fio de saliva escorria do canto da boca até o queixo, onde pendia como um enforcado.
— Animal, animal, caralho.
E então nos beijamos de novo enquanto os espectadores estranhos aplaudiam eufóricos. Elena tirou os fones, havia algo estranho em seu olhar que, como se fosse uma criança, observava ao redor.
— E esses? Quem são?
— Seus fãs…
— Gostei.

Minha única referência era um antigo manuscrito escrito por um dos discípulos de Marco Polo, um tal Eufrates que decidiu abandonar seu amigo e trabalhar sua parte mais espiritual. Esse homem, cujo nome era Andres Solpa, escalou os cumes mais altos, navegou por zonas desérticas, conviveu com tribos que caíam na risada ao ver um ser humano com a pele tão clara; foram dois anos exaustivos nos quais ele nunca perdeu a fé. A questão é que naqueles dias ele teve acesso a um grande poder, o que se chamaria de magia invisível. Uma magia que transformava pensamentos em realidades; mas às portas de sua morte, e para não deixar nas mãos de qualquer um esse legado, ele introduziu aquele poder estranho em um lápis ao qual daria uma vida infinita. Apenas o artista que o encontrasse poderia tornar realidade seus esboços.O fato é que o lápis passou de mão em mão dentro de um vaso de prata cinza, até que aquele aventureiro o encontrou e trouxe para a Espanha. E por acasos da vida chegou às minhas mãos quando o comprei em uma loja de relíquias na rua Rivera de Curtidores.
Foi por pura casualidade que um dia desenhei uma garota pelada e, como num passe de mágica, ela apareceu na minha frente. Assustado, olhei para o desenho e, ao comprovar que era idêntica, apaguei o traço e ela desapareceu. Aquilo me deixou louco, sem palavras. Não sabia como reagir, então a desenhei de novo, desta vez vestida de colegial japonesa e exato… apareceu diante dos meus olhos. A desenhei fazendo amor comigo e, eureka!, foi assim que tudo aconteceu.
Cheguei a pensar que era coisa de bruxaria ou que estava até mesmo sob os efeitos de um sonho, mas não… pois todos os acontecimentos sexuais comigo como protagonista que houve desde aquele 2017 já tinham sido gestados antes na minha mente. Então, o que vou contar a vocês, suponho que saibam que antes de ser realidade foi um quadrinho desenhado por mim com muito carinho.
VAMOS COMEÇAR ENTÃO!!!!!
Alguém me contou há algum tempo que os primeiros dias de sol de maio são os melhores para a libido, dias em que nossos corpos pedem para se entregar aos prazeres mais sombrios e perversos… Foi isso que fizemos. O que vamos contar aconteceu no meio da pandemia em Madrid, bem, exatamente a uma hora e meia de lá, num açude bem movimentado que naqueles dias devia estar vazio, com a gente em casa. Me chamo Arturo, mas os mais próximos me conhecem como Arti. Já estava uma semana de chuvas e dias cinzentos. Justo quando começávamos a respirar ares primaveris, coincidindo com eu já ter guardado bem no fundo do armário, aquele preto que fica no quarto no final do corredor, toda minha roupa de inverno. Tenho que reconhecer que não sou nada organizado, o que me move são as emoções. Nunca entendi se é genético ou se em algum ponto da minha existência algo entortou, mas fazer o quê, o caos me dá vida, então imaginem como joguei a roupa lá dentro. O caso é que eu estava desesperado esperando algum dia de sol e justo naquela manhã, quando ninguém mais esperava, ele apareceu, e as temperaturas subiram para mais de 25 graus. Suspirei satisfeito, alegre e animado. Deviam ser umas 10 da manhã quando, esquentando um descafeinado com leite, uma velha amiga me ligou, Elena. Duas surpresas de uma vez, a coisa tava boa.
- Javi. O que você faz hoje?
- Oi, Elena. Nossa, que voz é essa.
- É, é que ainda não dormi porra nenhuma e tô muito louca de pedra.
- Dá pra perceber.
- É? Haha, a verdade é, uff… tô com dificuldade com as… palavras.
Elena era uma garota interessante, fisicamente muito sedutora com seus lábios carnudos, nariz grande, aqueles óculos de grau que tentavam esconder um olhar tímido, seu cabelo na altura dos ombros cortado com uma franjinha bem mangá. E seus peitos enormes. Eram perfeitos, garanto. Mas o que faltava nela era a pouca sociabilidade e seu jeito esquisito de se vestir. Parecia uma personagem de hentai.
- E pra que… você me precisa?
- Haha, vejo que vai direto ao ponto, Arti. Olha, é que pff não sei como explicar hahaha tipo, tô super com tesão e você preciso.
- Bom começo.
- Né? Pois é, o babaca de Barcelona me deu um pé na bunda e literalmente comeu minha amiga colombiana na minha frente. Queria saber se você, que curte toda essa coisa de tesão e gravar, topa fazer um vídeo comigo e depois a gente posta em algum site.
- Olha só, Elena, você não era feminista?
- E daí? Acha que feminista não vê pornô?
- Confesso que tinha minhas dúvidas.
- Então, vai encarar ou não?
- Tá bom, onde você tá?
- Na porta do seu prédio.
Caralho, pensei. Essa mina tava indo com tudo mesmo.
- Beleza, sobe ou a gente vai pra algum lugar.
- Eu tava pensando em fazer algo escandaloso, tipo no meio do mato.
Elena ficou em silêncio do outro lado do interfone. Eu tava vendo pela câmera como ela se equilibrava com dificuldade enquanto esfregava o piercing pendurado no nariz.
- Represa de San Juan?
- Perfeito.
Não demorei muito pra pegar as coisas, principalmente porque naquele dia eu tava com tudo no carro que meu amigo tinha me emprestado. Então peguei a câmera, o notebook, dois cartões de memória e a caixa daqueles comprimidos tipo viagra que eu usava quando planejava ir numa orgia e aguentar mais de um dia transando.
Quando desci, encontrei ela sob a máscara verde fluorescente me encarando com os olhos meio vesgos atrás dos óculos de acetato. Mas, pra ser sincero, minha atenção tava toda nos peitões dela.
No carro, pedi pra Elena se despir e me mostrar o corpo rosado e os peitos enormes e duros. Tudo tava acontecendo igual nos quadrinhos, vocês não imaginam que prazer é poder se deitar com todas suas amigas, é tipo quando você tem aquele sonho acordado, mas com a vantagem de que dessa vez tava tudo virando realidade, ou se não era real, juro que tava vivendo e ainda vivo, assim mesmo.
O fato é que quando chegamos no desvio, viramos à direita antes de chegar em San Martin de Valdeiglesias e seguimos por uns cinco minutos de carro numa estrada de terra.
Não tinha ninguém, até que, curiosamente, no estacionamento perto da praia de nudismo A gente encontrou vários carros, mas imaginei que seria de algum ou alguma corajoso que, indo contra as ordens da saúde e do governo, tinha ido pro campo passar o dia. Elena caminava nua com seus tênis azuis. Beijei-a devagar. Ela, na sua timidez, teve dificuldade de dar continuidade ao beijo, mas também é sabido que ela tem uma pequena qualidade: situações obscenas a excitam demais. Então, depois de se afastar de mim cheia de dúvidas, voltou pra repetir o beijo, mas muito mais profundo. Nossas línguas compartilharam saliva e gemidos abafados. As pessoas sempre a viram como uma pessoa muito quieta, introvertida, absorta num mundo interior profundo, e devo dizer que a caminhada até o pântano foi exatamente como estou explicando: ela colocou uns fones e caminhou sem dizer uma palavra, mesmo quando cruzamos com uma família carregada de cadeiras, coolers e todo tipo de utensílios pra passar uma boa manhã em família. Mesmo sendo observada com incredulidade por estar tão nua, ela nem se abalou, não ergueu o olhar do chão enquanto cantarolava um refrão do Izal. Ao chegar num lugar que conhecia muito bem, arrumei todo o equipamento: minha câmera e a do meu colega em dois tripés — uma pegaria o plano mais aberto, um plano geral curto pra situar o espectador, e a outra gravaria num 3/4 ou plano americano pra mostrar mais detalhes das nossas reações durante o ato. Montei o equipamento de som, que consistia em duas petacas e dois microfones de lapela, mais duas gravadoras — não queria que nada se perdesse — e me despi também. Depois, certifiquei-me de que as baterias estavam carregadas e, após formatar os cartões, só faltava conectar o laptop ao wi-fi do meu celular, entrar num site que ela me indicou e começar a transmitir ao vivo. Elena me aconselhou a colocar um nome chamativo, e foi o que fizemos: "Casal pego no pântano". No começo, foi tudo muito estranho; Elena continuava com os fones. Ela, na sua brisa de MD e um pouco de coca, pois só se... deixava levar. Mas bom, começamos a nos beijar enquanto nossas mãos acariciavam o corpo um do outro com um certo medo. Então lembrei que tinha que tomar meu remédio. Aquilo sim foi um espetáculo de mágica e persuasão, porque juro que consegui levá-lo à minha boca sem que ela parasse de me beijar. Algo me dizia que eu precisava manter a atenção e excitação da minha amiga, porque, com toda aquela distração dela, corria o risco do desejo sexual dela desaparecer. Tá, eu sei que, pelo meu roteiro, tudo deveria dar certo, mas não me fode, era a Elena, a mina com o maior déficit de atenção que eu já conheci e com quem já trabalhei.
— Sabe que isso tá me excitando mais que a confusão que eu pensava? — ela admitiu com sua voz grave e sussurrada, enquanto continuava na dela ouvindo Izal.
— E pra mim, o fato de alguém poder nos descobrir me excita muito.
— Tô te dizendo, e ainda saber que estão nos assistindo ao vivo na internet como se fôssemos atores pornô.
— Tem seu tesão. Ei, e se alguém que pega o trem onde você trabalha ver?
— Pfff, vai pirar, mas acredite, melhor não pensar nisso, só preciso me deixar levar. — Ela colocou os fones de volta.
Então acariciei seus seios enquanto ela me observava com as pálpebras caídas e os óculos um pouco tortos. Suas mãos trêmulas me empurraram para seu ventre e lá, entre seus pelos arrepiados, procurei com minha língua até encontrar a fonte de todos os seus prazeres.
— Me diz uma coisa, você gosta de mim?
— Eu te adoro — respondi como pude.
— Adoro esses momentos em que não consigo pensar, em que só existe minha mente obscura e pervertida… Deus, não para. — Ela falou para si mesma.
Eu estava tão focado no meu trabalho com a língua que, por um instante, e apesar dos efeitos do remédio, temi que acontecesse algo muito típico nosso: que essa concentração prejudicasse minha ereção. Então recorri a uma grande estratégia que li num livro do Cialdini: crie uma imagem poderosa para se associar. E foi o que fiz, visualizei um grande ator de cinema pornô e foi assim como por arte de magia, me senti como ele. Tudo foi saindo como no quadrinho. Elena se posicionou de frente para a água esverdeada naquela pequena praia cercada de rochas, ficou de quatro e eu, depois de beijar seu pescoço, entrei suavemente nela, que soltou um leve gemido, como quando uma garrafa de gás libera suas bolhas ao ser aberta. Pouco a pouco, nossos corpos abandonaram toda conexão com a razão e, como se tivéssemos sido possuídos por animais, nos deixamos levar naquele ritual sexual até que, ao levantar a cabeça, descobri que uns caras estavam nos vendo a alguns metros de distância enquanto nos filmavam com seus celulares. Isso não estava no meu quadrinho, o que criou uma paródia estranha na minha mente que potencializou ainda mais meus desejos pervertidos, e então eu a penetrei em seu pequeno ânus. Elena gemeu com força, mas ao mesmo tempo com uma voz doce que repetiu várias vezes um: “eu adoro…” Seu corpo cedeu a uma energia poderosa até que suas pernas se flexionaram o suficiente para que seu rosto tocasse o chão, eu me ergui o máximo que pude sobre ela, sentindo que estava possuindo a maior virtude do ser humano, me senti intocável, poderoso, admirado, pois os outros que observavam aplaudiram nosso espetáculo. O sexo é o melhor veículo para que a alma, em sua maior essência, exploda e cada pedaço de seus desejos obscuros sejam gotas de energia que nos aproximam do infinito, lá onde não existem palavras nem formas, apenas prazer. Transamos por cinco horas, pelo que me lembro, porque tenho certeza de que minha mente travou e foi incapaz de gerenciar com lógica minhas emoções. Mais ou menos como minha amiga, que só se comunicava comigo por meio de grunhidos, palavras desconexas e gemidos animais. A verdade é que foi uma experiência inesquecível daquelas que fazem você ver sentido na sua existência. Aquele lápis tinha dado valor ao meu dia a dia. Todos os meus vícios, minhas loucuras impossíveis e meus sonhos mais distorcidos estavam se tornando realidade. Meu mundo estava saltando de dimensão em dimensão. Até tal ponto que eu já não sabia em que ponto me encontrava. Assim como quando você consome alguns tipos de psicotrópicos, sua mente pula entre realidades confusas sem ter claro em que dimensão permanecer, nossos cérebros se deixavam levar para um orgasmo sem controle que ansiava tocar um ponto próximo ao vazio mais neutro possível e ali, após sentir que nossas almas pulavam sem qualquer consciência, no ponto mais intenso possível, Elena e eu nos encontramos para fazer do nosso prazer algo indefinido e ao mesmo tempo tangível. Tínhamos recuperado a presença de nossos corpos como quem cavalga um cavalo ao trote e sem controle, que exausto começa a relaxar seus músculos. Indefinido e agradecido àquele que conseguiu introduzir o maior poder possível em uma caneta comum. Elena se virou para sentar em mim com seus enormes e suados peitos, sua franja úmida mas sem desalinho algum, os óculos levemente tortos, seus lábios pesados e sem força caindo sob seu nariz cômico, derrotados enquanto um fio de saliva escorria do canto da boca até o queixo, onde pendia como um enforcado.
— Animal, animal, caralho.
E então nos beijamos de novo enquanto os espectadores estranhos aplaudiam eufóricos. Elena tirou os fones, havia algo estranho em seu olhar que, como se fosse uma criança, observava ao redor.
— E esses? Quem são?
— Seus fãs…
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