Capítulo 3: O tapete vermelhoO aeroporto da Cidade do México tinha sido um turbilhão de nervosismo e risadas tensas. Daniela mal tinha dormido nas últimas duas noites; cada vez que fechava os olhos, via flashes, ouvia murmúrios, sentia o veludo do vestido roçando nas coxas dela. Israel, por outro lado, tinha ficado tranquilo, quase se divertindo em vê-la tão agitada. Segurou a mão dela durante o voo inteiro, sussurrou "você vai brilhar" quando pousaram em LAX, e agora, no táxi a caminho do hotel, olhava pra ela com aquele sorriso dele que sempre conseguia acalmá-la um pouco.
Mas quando chegou o dia da premiere, tudo mudou.
O trânsito na Hollywood Boulevard estava parado. O tapete vermelho já estava estendido sob o sol da tarde, um rio escarlate ladeado por cercas de metal e centenas — talvez milhares — de pessoas amontoadas atrás. Daniela se agarrava ao braço de Israel enquanto avançavam pela multidão em direção à área VIP que os ingressos tinham garantido pra eles. Ela vestia o vestido preto de veludo que tinha escolhido com tanto cuidado: abraçava o corpo magro dela como uma segunda pele, a abertura lateral deixava ver uma perna pálida e fina cada vez que dava um passo, e as costas de fora desciam até quase a curva da bunda dela. Os saltos faziam ela se sentir mais alta, mais segura. Por baixo, o conjunto preto de renda a envolvia como um segredo ardente.
Israel estava lindo com um terno cinza escuro, camisa branca sem gravata, cabelo penteado pra trás. Tinha dito mil vezes que ela estava gostosa pra caralho. Ela tinha sorrido pra ele, tinha beijado a bochecha dele, mas a mente dela já estava em outro lugar.
E então eles viram.
Jacob Elordi saiu do carro preto que tinha acabado de parar na frente da entrada principal. Alto, imponente, com um terno preto impecável, camisa aberta nos primeiros botões, cabelo levemente bagunçado como se tivesse acabado de passar os dedos por ele. Sorriu pra câmera com aquele meio sorriso torto que Daniela tinha visto em fotos milhares de vezes, e o mundo explodiu. Gritos. Berros agudos, quase animais. Mulheres — jovens, adultas, de todas as idades — gritando o nome dele como se fosse questão de vida ou morte.
“Jacob! Jacob, aqui! Te amo!”
“Olha pra mim, por favor!”
“Jacob, você é perfeito!”
O som era ensurdecedor, uma onda de euforia coletiva que fazia o ar vibrar. Algumas garotas pulavam, outras choravam, várias seguravam cartazes com corações e fotos impressas dele. Daniela sentiu as pernas fraquejarem. Agarrou-se com mais força ao braço de Israel, que a olhou confuso.
— O que que elas têm? — perguntou ele em voz baixa, meio rindo —. Parece que vão desmaiar.
Daniela não respondeu. Não conseguia. Tinha a boca seca, o coração batendo nos ouvidos. Ver ele pessoalmente era diferente. Muito diferente. Nas telas ele era gato; ali, a menos de vinte metros, era magnético. Cada movimento dele parecia calculado e natural ao mesmo tempo: o jeito que virava de lado pra cumprimentar mais fãs, como passava a mão na nuca, como a risada grave dele se ouvia até por cima do barulho.
Margot Robbie apareceu logo depois, deslumbrante num vestido prateado que refletia a luz como um espelho. A multidão também pirou com ela, mas não no mesmo nível. Israel sorriu ao vê-la.
— Olha, ali está a Margot — disse ele, empolgado de verdade —. É inacreditável como ela é gostosa pessoalmente. Agora entendo um pouco a loucura.
Virou-se pra Daniela, esperando que ela concordasse ou dissesse algo. Mas Daniela mal o escutava. Os olhos dela continuavam fixos em Jacob. Ele estava posando pras fotos, um braço em volta de Margot num gesto amigável, profissional. Ria de algo que ela dizia. E então, como se o universo tivesse se conspirando, virou a cabeça pro lado onde eles estavam.
Os olhos dele percorreram a multidão.
E por um segundo — um segundo eterno — pareceram parar em Daniela.
Não foi imaginação dela. Ela sentiu na pele. Jacob olhou diretamente pra ela. Não sorriu mais do que já estava sorrindo, não fez nenhum gesto óbvio, mas mas os olhos dele ficaram ali, nela, por dois, três batimentos. Depois ele continuou se movendo, acenando para outra seção de fãs.
Daniela ficou sem ar.
—Viu aquilo? —sussurrou, mais para si mesma do que para Israel.
—O quê? —perguntou ele, ainda olhando para Margot, que agora assinava autógrafos.
—Nada… nada —mentiu ela, e se forçou a sorrir—. Só… é incrível ver ele pessoalmente.
Israel a abraçou pela cintura, alheio a tudo.
—Tô muito feliz que você tá aqui. Que você tá vivendo isso. Você merece.
Daniela se apoiou nele, mas a mente dela estava a quilômetros. Aquele olhar. Aquele segundo. Tinha sido real. Ou pelo menos real o suficiente pra fazer o corpo dela reagir: os bicos dos peitos endureceram contra a renda, um calor líquido se instalou entre as pernas dela. Teve que apertar as coxas pra disfarçar o tremor.
O resto do tapete vermelho passou numa neblina. Jacob e Margot entraram no teatro. A multidão começou a se dispersar devagar. Israel e Daniela também entraram, de mãos dadas. Ele não parava de falar do quão foda era a Margot, de como gostava do jeito dela atuar, de como era normal se emocionar por um ídolo. Não tinha um pingo de ciúme na voz dele. Ele tava genuinamente feliz por ela, pelo presente que tinha dado.
E Daniela amava ele por isso.
Mas quando se sentaram nos lugares deles —primeira fila, tão perto da tela que quase dava pra tocar—, ela não conseguia se concentrar em nada além do homem que tinha acabado de passar a alguns metros dela. O homem que, na cabeça dela, tinha olhado pra ela como se a conhecesse. Como se soubesse exatamente o que ela vestia por baixo do vestido.
O filme começou. Luzes baixas. Música épica. Mas Daniela mal via a tela.
Fechou os olhos por um momento e se permitiu imaginar de novo: Jacob saindo do teatro depois da exibição, caminhando até ela no meio do caos, pegando na mão dela e levando ela pra um corredor escuro. Beijando ela devagar, como nas fantasias dela. Sussurrando no Ouviu dizer que a tinha visto no meio da multidão e que não tinha conseguido parar de pensar nela.
Abriu os olhos de repente.
Israel apertou a mão dela.
— Tá bem? — perguntou em voz baixa.
— Tô — mentiu ela, e devolveu o aperto —. Tô… muito feliz.
E estava. De um jeito torto, culpado, contraditório.
Porque enquanto o filme continuava, enquanto o Jacob aparecia na tela beijando a Margot numa cena carregada de tensão, a Daniela sentiu a renda da calcinha ficar mais molhada.
E soube que, naquela noite, quando voltassem pro hotel, quando o Israel a beijasse com aquela doçura de sempre, ela fecharia os olhos e, mesmo sem querer, pensaria em outros lábios.
Em outra voz grave.
Em outro olhar que, por um segundo, tinha sido só pra ela.
E se odiaria um pouco por isso.
Mas não o suficiente pra parar.Capítulo 4: O caos que muda tudoA projeção terminou entre aplausos intermináveis. As luzes foram voltando aos poucos e o teatro virou um mar de gente chique se movendo em direção às saídas laterais e à porta principal. Daniela sentia as pernas bambas, como se tivesse corrido uma maratona. O filme tinha sido intenso — Jacob na tela, com aquele olhar sombrio e aquele jeito de se mexer que fazia cada cena parecer carregada de eletricidade —, mas a mente dela tinha estado em outro lugar o tempo todo. Naquele vislumbre rápido do tapete vermelho. No calor que ainda queimava entre as pernas dela toda vez que lembrava como os olhos dele tinham parado nela.
Israel pegou a mão dela enquanto saíam.
— Foi incrível, né? — ele disse, ainda empolgado —. A Margot esteve espetacular, mas o Jacob… uau, o cara tem presença.
Daniela concordou, distraída, murmurando um “sim, incrível” que soou automático. O olhar dela já vasculhava a multidão. Não sabia o que esperava encontrar. Talvez nada. Talvez só quisesse ver ele mais uma vez antes de tudo acabar e eles voltarem pra realidade.
Saíram pra fora. A noite tinha caído sobre a Hollywood Boulevard, mas as luzes da premiere ainda iluminavam tudo como se fosse dia. O tapete vermelho estava quase vazio agora, só restavam alguns retardatários, fotógrafos guardando o equipamento e fãs que se recusavam a ir embora. O ar cheirava a perfume caro, fumaça de cigarro eletrônico e asfalto quente.
E então viram ele de novo.
Jacob saiu por uma porta lateral, ladeado por dois seguranças e um assistente com walkie-talkie. Ele vinha com a jaqueta do terno pendurada no ombro, a camisa um pouco mais aberta que antes, o cabelo bagunçado pelo vento. Caminhava rápido, de cabeça baixa, tentando passar despercebido entre o pessoal que ainda estava por ali. Mas não conseguiu.
Alguém gritou o nome dele.
E a barragem se rompeu.
A multidão que restava — umas cem, talvez duzentas pessoas — se jogou pra cima dele como uma onda. Gritos, empurrões, celulares. gravando lá em cima, mãos esticadas tentando tocar nele. Os seguranças tentavam abrir caminho até a limusine preta que esperava a poucos metros, com as portas abertas e o motor ligado. Mas a multidão era grande demais, e o caos virou instantâneo.
Daniela sentiu o puxão na mão de Israel.
— Vamos pelo outro lado — ele disse, tentando guiá-la para uma saída menos lotada.
Mas ela não se mexeu.
Os olhos dela estavam fixos em Jacob. Ele estava a uns quinze metros, talvez dez. Cercado. Sobrecarregado. Mas ainda sorrindo, ainda dizendo “valeu, galera, valeu” com aquela voz grave que dava pra ouvir até por cima do barulho.
Sem pensar, Daniela soltou a mão de Israel.
Só um passo. Depois outro. A multidão a arrastou como uma corrente. Empurrões de todo lado. Cotoveladas nas costelas. Alguém pisou no pé dela e ela mal sentiu. O corpo dela agia sozinho. Ela queria ver ele de perto. Só mais uma vez. Só tocar na borda da jaqueta dele, sentir o cheiro do perfume, confirmar que era real.
Israel gritou o nome dela por trás.
— Daniela? Daniela, espera!
Mas o som se perdeu na gritaria.
Ela avançou. Tropeçou. Alguém a empurrou pra frente com força. De repente, ela estava mais perto. Muito mais perto. Jacob já estava a um metro da porta aberta da limusine. Um dos seguranças o empurrava suavemente pra dentro enquanto tentava segurar a galera.
E aí aconteceu.
Um empurrão especialmente forte por trás a jogou pra frente. Ela tropeçou na borda do tapete, perdeu o equilíbrio e caiu… direto no peito de Jacob.
O mundo parou.
Ela sentiu o calor do corpo dele, o cheiro de madeira e cítricos do perfume, a batida acelerada do coração por baixo da camisa. As mãos grandes dele seguraram ela por instinto nos braços pra ela não cair de vez. Ela levantou o olhar, ofegante, com o coração na garganta.
Jacob olhou pra ela. De perto. Muito de perto.
E sorriu. Não o sorriso de foto. Um sorrisinho, quase íntimo, como se a conhecia desde sempre.
—Então você era a sortuda —disse ele em voz baixa, só para ela.
Daniela piscou. Não entendeu nada. A emoção nublava o cérebro dela. Sortuda? Do que ele estava falando?
Antes que pudesse responder, um dos seguranças a empurrou suavemente para dentro da limusine para liberar o caminho.
—Entra, rápido —rosnou o homem.
Jacob não a soltou. Em vez disso, guiou ela com uma mão na parte baixa das costas — bem onde o vestido deixava a pele à mostra — e a fez entrar primeiro. Ela se deixou levar, atordoada. A porta se fechou atrás deles com um clique suave.
O barulho lá fora sumiu de repente. Só ficou o ronco do motor e a respiração ofegante dela.
Jacob sentou ao lado dela. Não muito perto, mas o suficiente pra quase encostar os joelhos. Passou a mão no cabelo e soltou uma risada baixa, quase cansada.
—Desculpa a bagunça. Às vezes fica… intenso.
Daniela não conseguia falar. Só olhava pra ele. O interior da limusine era escuro, iluminado só por luzes azuladas fracas. Ele parecia ainda maior ali dentro. As mangas da camisa arregaçadas deixavam ver os antebraços fortes. O colarinho aberto mostrava a clavícula e um pouco de pelo escuro. Cheirava incrível.
—Tá bem? —perguntou ele, virando um pouco pra ela—. Te vi cair. Não queria que você se machucasse.
Ela engoliu seco. A voz saiu fina.
—Tô… bem. Eu… desculpa. Não sei como vim parar aqui.
Jacob inclinou a cabeça, estudando ela com curiosidade.
—Não se desculpa. —Fez uma pausa, e então sorriu de novo, mais largo—. Te vi no tapete vermelho. No meio daquela gente toda. Você tava de vestido preto. Ficou gravada.
Daniela sentiu o ar escapar dos pulmões.
—Você… me viu?
—Claro que sim. —Ele se inclinou um pouco pra ela, baixando a voz—. Você era a única que não gritava. Só olhava. Com esses olhões. Gostei.
O coração de Daniela batia tão forte que ela achou que ele podia ouvir. A renda da calcinha dela Ele estava encharcado. Os mamilos doíam de tão duros que estavam contra o veludo. O corpo inteiro dela gritava.
—Pra onde a gente vai? —conseguiu perguntar, quase num sussurro.
Jacob deu de ombros, relaxado.
—Pro hotel. Tenho uma suíte. Pensei que você podia… me fazer companhia um pouco. Tomar algo. Conversar. —Olhou direto nos olhos dela—. Se você quiser, claro.
Daniela abriu a boca. Fechou a boca. Pensou no Israel. Em algum lugar lá fora, procurando por ela no meio da multidão. Preocupado. Confuso. Sem entender onde ela tinha se metido.
Mas o Jacob estava ali. Real. Tocando ela só com o olhar. Dizendo exatamente as palavras que ela tinha imaginado mil vezes nas suas fantasias.
E o corpo dela decidiu antes da cabeça.
—Quero —sussurrou.
Jacob sorriu devagar. Se inclinou pra frente e roçou a bochecha dela com as costas dos dedos. O contato foi elétrico.
—Então vamos nessa.
A limusine arrancou suave, se afastando do caos.
Daniela olhou pela janela escura. Viu luzes passando. Viu gente ainda gritando. Viu, por um segundo, o Israel parado no meio da rua, olhando em volta com o celular na mão, procurando por ela.
E sentiu uma pontada de culpa tão afiada que quase chorou.
Mas então Jacob pegou a mão dela. Entrelaçou os dedos dele com os dela. Apertou de leve.
E a culpa se dissolveu num mar de calor.
Porque pela primeira vez na vida, Daniela não era a garota tímida, pequena e esquecível.
Era a sortuda.
E a limusine sumia na noite de Los Angeles, levando ela direto pra beira de tudo que ela tinha sonhado… e de tudo que ela nunca deveria ter desejado.Continua...
Se vocês têm uma história que gostariam de contar e não sabem como fazer, a gente ajuda. É só mandar sua ideia pro e-mail e a gente dá vida a ela <3
Também fazemos troca de fotos e conversas quentes, manda mensagem ou e-mail que a gente te espera :p
Mas quando chegou o dia da premiere, tudo mudou.
O trânsito na Hollywood Boulevard estava parado. O tapete vermelho já estava estendido sob o sol da tarde, um rio escarlate ladeado por cercas de metal e centenas — talvez milhares — de pessoas amontoadas atrás. Daniela se agarrava ao braço de Israel enquanto avançavam pela multidão em direção à área VIP que os ingressos tinham garantido pra eles. Ela vestia o vestido preto de veludo que tinha escolhido com tanto cuidado: abraçava o corpo magro dela como uma segunda pele, a abertura lateral deixava ver uma perna pálida e fina cada vez que dava um passo, e as costas de fora desciam até quase a curva da bunda dela. Os saltos faziam ela se sentir mais alta, mais segura. Por baixo, o conjunto preto de renda a envolvia como um segredo ardente.
Israel estava lindo com um terno cinza escuro, camisa branca sem gravata, cabelo penteado pra trás. Tinha dito mil vezes que ela estava gostosa pra caralho. Ela tinha sorrido pra ele, tinha beijado a bochecha dele, mas a mente dela já estava em outro lugar.
E então eles viram.
Jacob Elordi saiu do carro preto que tinha acabado de parar na frente da entrada principal. Alto, imponente, com um terno preto impecável, camisa aberta nos primeiros botões, cabelo levemente bagunçado como se tivesse acabado de passar os dedos por ele. Sorriu pra câmera com aquele meio sorriso torto que Daniela tinha visto em fotos milhares de vezes, e o mundo explodiu. Gritos. Berros agudos, quase animais. Mulheres — jovens, adultas, de todas as idades — gritando o nome dele como se fosse questão de vida ou morte.
“Jacob! Jacob, aqui! Te amo!”
“Olha pra mim, por favor!”
“Jacob, você é perfeito!”
O som era ensurdecedor, uma onda de euforia coletiva que fazia o ar vibrar. Algumas garotas pulavam, outras choravam, várias seguravam cartazes com corações e fotos impressas dele. Daniela sentiu as pernas fraquejarem. Agarrou-se com mais força ao braço de Israel, que a olhou confuso.
— O que que elas têm? — perguntou ele em voz baixa, meio rindo —. Parece que vão desmaiar.
Daniela não respondeu. Não conseguia. Tinha a boca seca, o coração batendo nos ouvidos. Ver ele pessoalmente era diferente. Muito diferente. Nas telas ele era gato; ali, a menos de vinte metros, era magnético. Cada movimento dele parecia calculado e natural ao mesmo tempo: o jeito que virava de lado pra cumprimentar mais fãs, como passava a mão na nuca, como a risada grave dele se ouvia até por cima do barulho.
Margot Robbie apareceu logo depois, deslumbrante num vestido prateado que refletia a luz como um espelho. A multidão também pirou com ela, mas não no mesmo nível. Israel sorriu ao vê-la.
— Olha, ali está a Margot — disse ele, empolgado de verdade —. É inacreditável como ela é gostosa pessoalmente. Agora entendo um pouco a loucura.
Virou-se pra Daniela, esperando que ela concordasse ou dissesse algo. Mas Daniela mal o escutava. Os olhos dela continuavam fixos em Jacob. Ele estava posando pras fotos, um braço em volta de Margot num gesto amigável, profissional. Ria de algo que ela dizia. E então, como se o universo tivesse se conspirando, virou a cabeça pro lado onde eles estavam.
Os olhos dele percorreram a multidão.
E por um segundo — um segundo eterno — pareceram parar em Daniela.
Não foi imaginação dela. Ela sentiu na pele. Jacob olhou diretamente pra ela. Não sorriu mais do que já estava sorrindo, não fez nenhum gesto óbvio, mas mas os olhos dele ficaram ali, nela, por dois, três batimentos. Depois ele continuou se movendo, acenando para outra seção de fãs.
Daniela ficou sem ar.
—Viu aquilo? —sussurrou, mais para si mesma do que para Israel.
—O quê? —perguntou ele, ainda olhando para Margot, que agora assinava autógrafos.
—Nada… nada —mentiu ela, e se forçou a sorrir—. Só… é incrível ver ele pessoalmente.
Israel a abraçou pela cintura, alheio a tudo.
—Tô muito feliz que você tá aqui. Que você tá vivendo isso. Você merece.
Daniela se apoiou nele, mas a mente dela estava a quilômetros. Aquele olhar. Aquele segundo. Tinha sido real. Ou pelo menos real o suficiente pra fazer o corpo dela reagir: os bicos dos peitos endureceram contra a renda, um calor líquido se instalou entre as pernas dela. Teve que apertar as coxas pra disfarçar o tremor.
O resto do tapete vermelho passou numa neblina. Jacob e Margot entraram no teatro. A multidão começou a se dispersar devagar. Israel e Daniela também entraram, de mãos dadas. Ele não parava de falar do quão foda era a Margot, de como gostava do jeito dela atuar, de como era normal se emocionar por um ídolo. Não tinha um pingo de ciúme na voz dele. Ele tava genuinamente feliz por ela, pelo presente que tinha dado.
E Daniela amava ele por isso.
Mas quando se sentaram nos lugares deles —primeira fila, tão perto da tela que quase dava pra tocar—, ela não conseguia se concentrar em nada além do homem que tinha acabado de passar a alguns metros dela. O homem que, na cabeça dela, tinha olhado pra ela como se a conhecesse. Como se soubesse exatamente o que ela vestia por baixo do vestido.
O filme começou. Luzes baixas. Música épica. Mas Daniela mal via a tela.
Fechou os olhos por um momento e se permitiu imaginar de novo: Jacob saindo do teatro depois da exibição, caminhando até ela no meio do caos, pegando na mão dela e levando ela pra um corredor escuro. Beijando ela devagar, como nas fantasias dela. Sussurrando no Ouviu dizer que a tinha visto no meio da multidão e que não tinha conseguido parar de pensar nela.
Abriu os olhos de repente.
Israel apertou a mão dela.
— Tá bem? — perguntou em voz baixa.
— Tô — mentiu ela, e devolveu o aperto —. Tô… muito feliz.
E estava. De um jeito torto, culpado, contraditório.
Porque enquanto o filme continuava, enquanto o Jacob aparecia na tela beijando a Margot numa cena carregada de tensão, a Daniela sentiu a renda da calcinha ficar mais molhada.
E soube que, naquela noite, quando voltassem pro hotel, quando o Israel a beijasse com aquela doçura de sempre, ela fecharia os olhos e, mesmo sem querer, pensaria em outros lábios.
Em outra voz grave.
Em outro olhar que, por um segundo, tinha sido só pra ela.
E se odiaria um pouco por isso.
Mas não o suficiente pra parar.Capítulo 4: O caos que muda tudoA projeção terminou entre aplausos intermináveis. As luzes foram voltando aos poucos e o teatro virou um mar de gente chique se movendo em direção às saídas laterais e à porta principal. Daniela sentia as pernas bambas, como se tivesse corrido uma maratona. O filme tinha sido intenso — Jacob na tela, com aquele olhar sombrio e aquele jeito de se mexer que fazia cada cena parecer carregada de eletricidade —, mas a mente dela tinha estado em outro lugar o tempo todo. Naquele vislumbre rápido do tapete vermelho. No calor que ainda queimava entre as pernas dela toda vez que lembrava como os olhos dele tinham parado nela.
Israel pegou a mão dela enquanto saíam.
— Foi incrível, né? — ele disse, ainda empolgado —. A Margot esteve espetacular, mas o Jacob… uau, o cara tem presença.
Daniela concordou, distraída, murmurando um “sim, incrível” que soou automático. O olhar dela já vasculhava a multidão. Não sabia o que esperava encontrar. Talvez nada. Talvez só quisesse ver ele mais uma vez antes de tudo acabar e eles voltarem pra realidade.
Saíram pra fora. A noite tinha caído sobre a Hollywood Boulevard, mas as luzes da premiere ainda iluminavam tudo como se fosse dia. O tapete vermelho estava quase vazio agora, só restavam alguns retardatários, fotógrafos guardando o equipamento e fãs que se recusavam a ir embora. O ar cheirava a perfume caro, fumaça de cigarro eletrônico e asfalto quente.
E então viram ele de novo.
Jacob saiu por uma porta lateral, ladeado por dois seguranças e um assistente com walkie-talkie. Ele vinha com a jaqueta do terno pendurada no ombro, a camisa um pouco mais aberta que antes, o cabelo bagunçado pelo vento. Caminhava rápido, de cabeça baixa, tentando passar despercebido entre o pessoal que ainda estava por ali. Mas não conseguiu.
Alguém gritou o nome dele.
E a barragem se rompeu.
A multidão que restava — umas cem, talvez duzentas pessoas — se jogou pra cima dele como uma onda. Gritos, empurrões, celulares. gravando lá em cima, mãos esticadas tentando tocar nele. Os seguranças tentavam abrir caminho até a limusine preta que esperava a poucos metros, com as portas abertas e o motor ligado. Mas a multidão era grande demais, e o caos virou instantâneo.
Daniela sentiu o puxão na mão de Israel.
— Vamos pelo outro lado — ele disse, tentando guiá-la para uma saída menos lotada.
Mas ela não se mexeu.
Os olhos dela estavam fixos em Jacob. Ele estava a uns quinze metros, talvez dez. Cercado. Sobrecarregado. Mas ainda sorrindo, ainda dizendo “valeu, galera, valeu” com aquela voz grave que dava pra ouvir até por cima do barulho.
Sem pensar, Daniela soltou a mão de Israel.
Só um passo. Depois outro. A multidão a arrastou como uma corrente. Empurrões de todo lado. Cotoveladas nas costelas. Alguém pisou no pé dela e ela mal sentiu. O corpo dela agia sozinho. Ela queria ver ele de perto. Só mais uma vez. Só tocar na borda da jaqueta dele, sentir o cheiro do perfume, confirmar que era real.
Israel gritou o nome dela por trás.
— Daniela? Daniela, espera!
Mas o som se perdeu na gritaria.
Ela avançou. Tropeçou. Alguém a empurrou pra frente com força. De repente, ela estava mais perto. Muito mais perto. Jacob já estava a um metro da porta aberta da limusine. Um dos seguranças o empurrava suavemente pra dentro enquanto tentava segurar a galera.
E aí aconteceu.
Um empurrão especialmente forte por trás a jogou pra frente. Ela tropeçou na borda do tapete, perdeu o equilíbrio e caiu… direto no peito de Jacob.
O mundo parou.
Ela sentiu o calor do corpo dele, o cheiro de madeira e cítricos do perfume, a batida acelerada do coração por baixo da camisa. As mãos grandes dele seguraram ela por instinto nos braços pra ela não cair de vez. Ela levantou o olhar, ofegante, com o coração na garganta.
Jacob olhou pra ela. De perto. Muito de perto.
E sorriu. Não o sorriso de foto. Um sorrisinho, quase íntimo, como se a conhecia desde sempre.
—Então você era a sortuda —disse ele em voz baixa, só para ela.
Daniela piscou. Não entendeu nada. A emoção nublava o cérebro dela. Sortuda? Do que ele estava falando?
Antes que pudesse responder, um dos seguranças a empurrou suavemente para dentro da limusine para liberar o caminho.
—Entra, rápido —rosnou o homem.
Jacob não a soltou. Em vez disso, guiou ela com uma mão na parte baixa das costas — bem onde o vestido deixava a pele à mostra — e a fez entrar primeiro. Ela se deixou levar, atordoada. A porta se fechou atrás deles com um clique suave.
O barulho lá fora sumiu de repente. Só ficou o ronco do motor e a respiração ofegante dela.
Jacob sentou ao lado dela. Não muito perto, mas o suficiente pra quase encostar os joelhos. Passou a mão no cabelo e soltou uma risada baixa, quase cansada.
—Desculpa a bagunça. Às vezes fica… intenso.
Daniela não conseguia falar. Só olhava pra ele. O interior da limusine era escuro, iluminado só por luzes azuladas fracas. Ele parecia ainda maior ali dentro. As mangas da camisa arregaçadas deixavam ver os antebraços fortes. O colarinho aberto mostrava a clavícula e um pouco de pelo escuro. Cheirava incrível.
—Tá bem? —perguntou ele, virando um pouco pra ela—. Te vi cair. Não queria que você se machucasse.
Ela engoliu seco. A voz saiu fina.
—Tô… bem. Eu… desculpa. Não sei como vim parar aqui.
Jacob inclinou a cabeça, estudando ela com curiosidade.
—Não se desculpa. —Fez uma pausa, e então sorriu de novo, mais largo—. Te vi no tapete vermelho. No meio daquela gente toda. Você tava de vestido preto. Ficou gravada.
Daniela sentiu o ar escapar dos pulmões.
—Você… me viu?
—Claro que sim. —Ele se inclinou um pouco pra ela, baixando a voz—. Você era a única que não gritava. Só olhava. Com esses olhões. Gostei.
O coração de Daniela batia tão forte que ela achou que ele podia ouvir. A renda da calcinha dela Ele estava encharcado. Os mamilos doíam de tão duros que estavam contra o veludo. O corpo inteiro dela gritava.
—Pra onde a gente vai? —conseguiu perguntar, quase num sussurro.
Jacob deu de ombros, relaxado.
—Pro hotel. Tenho uma suíte. Pensei que você podia… me fazer companhia um pouco. Tomar algo. Conversar. —Olhou direto nos olhos dela—. Se você quiser, claro.
Daniela abriu a boca. Fechou a boca. Pensou no Israel. Em algum lugar lá fora, procurando por ela no meio da multidão. Preocupado. Confuso. Sem entender onde ela tinha se metido.
Mas o Jacob estava ali. Real. Tocando ela só com o olhar. Dizendo exatamente as palavras que ela tinha imaginado mil vezes nas suas fantasias.
E o corpo dela decidiu antes da cabeça.
—Quero —sussurrou.
Jacob sorriu devagar. Se inclinou pra frente e roçou a bochecha dela com as costas dos dedos. O contato foi elétrico.
—Então vamos nessa.
A limusine arrancou suave, se afastando do caos.
Daniela olhou pela janela escura. Viu luzes passando. Viu gente ainda gritando. Viu, por um segundo, o Israel parado no meio da rua, olhando em volta com o celular na mão, procurando por ela.
E sentiu uma pontada de culpa tão afiada que quase chorou.
Mas então Jacob pegou a mão dela. Entrelaçou os dedos dele com os dela. Apertou de leve.
E a culpa se dissolveu num mar de calor.
Porque pela primeira vez na vida, Daniela não era a garota tímida, pequena e esquecível.
Era a sortuda.
E a limusine sumia na noite de Los Angeles, levando ela direto pra beira de tudo que ela tinha sonhado… e de tudo que ela nunca deveria ter desejado.Continua...
Se vocês têm uma história que gostariam de contar e não sabem como fazer, a gente ajuda. É só mandar sua ideia pro e-mail e a gente dá vida a ela <3
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