Capítulo 1: O Presente ImpossívelDaniela sempre foi daquelas pessoas que guardam seus desejos mais profundos no fundo de uma gaveta imaginária, bem trancada com chave. Aos vinte e dois anos, ela media apenas 1,48m, tinha o corpo magro de quem nunca precisou fazer dieta, mas também nunca levantou peso, seios pequenos que mal enchiam um sutiã copa A e uma bunda redondinha mas discreta, quase infantil. Seu cabelo castanho caía liso até a metade das costas e seus olhos grandes, cor avelã, sempre pareciam estar pedindo permissão para olhar diretamente para alguém.
Israel, por outro lado, media 1,70m, magro, mas com ombros retos, cabelo preto desgrenhado que nunca se decidia entre curto ou longo, e um sorriso fácil que desarmava qualquer tensão. Eles estavam juntos há oito meses, um relacionamento tranquilo, doce, de beijos suaves na testa e mãos dadas enquanto assistiam séries no sofá. Daniela gostava dele, de verdade. Mas havia um cantinho secreto na sua cabeça que sempre tinha pertencido a outro homem: Jacob Elordi.
Não era só que ela achava ele gostoso. Era o jeito que ele dominava a tela, a voz grave que parecia acariciar cada palavra, a maneira como suas mãos grandes se moviam com uma segurança que ela nunca tinha sentido no próprio corpo. Toda vez que via uma entrevista dele ou uma foto no Instagram, algo se mexia dentro dela, um calor tímido mas insistente que acabava guardado em silêncio. Ela nunca tinha contado para Israel. Pra quê? Era só uma fantasia. Um ator inalcançável. Um sonho sem consequências.
Até aquela tarde de sexta-feira.
Eles estavam sentados na cama de Daniela, ela com as pernas cruzadas e um travesseiro abraçado contra o peito, ele recostado na cabeceira com o celular na mão. Era 19 de março, seu aniversário de vinte e dois anos. Israel tinha chegado com uma sacola de papel pardo, um sorriso nervoso e um "não abre os olhos ainda".
— Pronto — disse ele, colocando algo pequeno e plano nas mãos dela.
Daniela abriu os olhos.
Dois ingressos. Primeira fila. Tapete vermelho. *O Morro dos Ventos Uivantes*, o novo filme de Jacob Elordi. Em Los Angeles. Em três semanas.
O mundo parou.
— O quê…? — sussurrou ela, e a voz saiu embargada.
— Eu sei que você gosta muito. Muito mesmo. — Israel coçou a nuca, um pouco envergonhado —. Consegui os contatos com um amigo que trabalha na produtora. Não foi fácil, mas… eu queria te dar algo que você nunca esquecesse.
Daniela sentiu os olhos se encherem de lágrimas, mas não eram só de emoção. Havia algo mais. Uma mistura estranha de gratidão imensa e um nervosismo que apertava seu estômago. Ela estaria a metros dele. Do Jacob. Iria vê-lo andar, respirar, sorrir pessoalmente. E de repente tudo o que tinha sido só um pensamento distante se tornava perigosamente real.
Naquela noite, quando Israel foi para casa, Daniela ficou sozinha em seu apartamento pequeno. Trancou a porta, apagou as luzes do corredor e ficou olhando para os ingressos sobre a mesinha de cabeceira como se fossem desaparecer se ela piscasse.
E então começou.
Abriu o guarda-roupa. Tirou tudo o que tinha que remotamente pudesse ser considerado “elegante”. Nada parecia suficiente.
Experimentou um vestido preto justo que tinha comprado para uma formatura e nunca usara. Muito sério. Um vestido vermelho com decote em V que sua prima tinha dado de presente. Ficava bem nela, mas sentia que era chamativo demais para alguém da sua estatura. Um vestido azul meia-noite com saia assimétrica. Bonito, mas… não o bastante.
Terminou sentada no chão do quarto, cercada de roupas, com o coração batendo muito rápido.
Ela queria estar perfeita. Não porque esperasse que Jacob olhasse para ela — isso era ridículo, ela sabia —, mas porque, pela primeira vez na vida, queria se sentir desejável. Queria se olhar no espelho e pensar: “Se ele me visse agora, não desviaria o olhar”.
E então abriu a gaveta da roupa íntima.
Lá estavam as peças que quase nunca usava: conjuntos de renda que tinha comprado por impulso online e que sempre acabavam esquecidos. Um conjunto preto de tule transparente com detalhes florais bordados, a calcinha de cintura alta que deixava metade das nádegas à mostra. Outro em cor vinho, acetinado, com ligas finas. E um último, branco quebrado, quase virginal, mas com transparências estratégicas nos mamilos e no púbis.
Ela ficou olhando o conjunto preto por um tempão.
Levantou-se devagar. Tirou o pijama velho. Ficou só na roupa íntima normal, algodão cinza simples, e se olhou no espelho de corpo inteiro.
Pequena. Magra. Quase frágil.
Mordeu o lábio inferior.
Com dedos trêmulos, tirou o sutiã e a calcinha de algodão. O ar fresco arrepiou sua pele. Vestiu o conjunto preto.
A renda parecia fresca e áspera ao mesmo tempo contra seus mamilos. A calcinha subia alto, emoldurando seus quadris estreitos e deixando ver a curva suave de sua bunda. Virou-se. Olhou-se de perfil. Ficou na ponta dos pés.
E pela primeira vez em muito tempo, não se sentiu pequena. Sentiu-se… perigosa.
Imaginou-se caminhando pelo tapete vermelho. Imaginou as luzes, os flashes, o murmúrio da multidão. Imaginou Jacob a alguns metros, virando a cabeça casualmente, e por um segundo — só um segundo — seus olhos encontrarem os dela.
O pensamento provocou um arrepio que desceu por sua coluna até se instalar entre as pernas.
Levou uma mão ao peito, roçou levemente o mamilo endurecido sob a renda. Fechou os olhos.
— Não sou infiel — disse em voz baixa, quase como uma oração —. Só quero… me sentir gostosa. Só isso.
Mas enquanto continuava se olhando no espelho, com o conjunto preto abraçando sua pele, com o calor crescendo devagar entre suas coxas, soube que estava mentindo um pouco para si mesma.
Sentou-se na cama. Abriu levemente as pernas. Deslizou os dedos por cima da renda, sem pressionar, apenas sentindo. Fechou os olhos de novo.
Imaginou que Jacob estava ali, de pé na sua frente. Que a olhava como se ela fosse a única pessoa no mundo. Que lhe dizia com aquela voz grave e lenta:
“Você está… deliciosa”.
O dedo médio deslizou por baixo da renda. Encontrou umidade. Muito mais do que esperava.
Um gemidinho escapou, quase inaudível.
Deitou-se de costas na cama, pernas abertas, o telefone ao lado mostrando uma foto recente de Jacob na estreia de outro filme. Camisa branca aberta nos primeiros botões, cabelo penteado para trás, olhar direto para a câmera.
Daniela se tocou devagar, imaginando que eram as mãos grandes dele percorrendo seu corpo magro. Imaginando que ele a levantava sem esforço, a encostava contra uma parede, abaixava aquele conjunto preto com os dentes.
Não chegou ao orgasmo. Não naquela noite.
Mas quando terminou, ofegante, com os dedos brilhantes e o coração batendo na garganta, soube duas coisas com absoluta certeza:
Ia comprar um vestido que a fizesse sentir exatamente como se sentia agora.
Ia usar aquele conjunto preto por baixo.
Mesmo que Israel nunca soubesse.
Mesque que Jacob nunca a olhasse.
Mesmo que tudo continuasse sendo apenas uma fantasia.
Levantou-se, olhou-se uma última vez no espelho e sorriu timidamente para o próprio reflexo.
Três semanas.
Três semanas para encontrar o vestido perfeito.
Três semanas para decidir até onde estava disposta a levar essa fantasia que, pela primeira vez, começava a parecer perigosamente próxima.Capítulo 2: As noites em que não dormeAs três semanas que se seguiram ao presente de Israel se transformaram em um limbo estranho para Daniela. Por fora, tudo continuava igual: aulas na universidade, mensagens de bom dia com Israel, jantares rápidos no apartamento dele, beijos suaves antes de dormir. Mas por dentro, algo tinha mudado. Um interruptor invisível tinha sido ligado e ela já não sabia como desligá-lo.
Toda noite, quando ficava sozinha na sua cama, o ritual era o mesmo.
Ela colocava um dos conjuntos que tinha comprado naqueles dias frenéticos de preparação: o preto de tule, o vinho com ligas, o branco quebrado que parecia inocente até a luz atravessá-lo. Entrava debaixo dos lençóis, apagava a luz principal e deixava só o abajur fraquinho do criado-mudo. Abria o celular e procurava fotos novas do Jacob. Entrevistas recentes. Fotos de paparazzi. Capturas de *O Morro dos Ventos Uivantes* que já começavam a vazar nas redes.
E então fechava os olhos.
Na sua cabeça, Jacob não era o ator inalcançável das telas. Era um homem real, quente, que olhava pra ela com aqueles olhos escuros e profundos como se ela fosse a única coisa que importava no mundo. Ele não era agressivo nem dominante como em alguns dos seus filmes. Não. Nas fantasias da Daniela, Jacob era infinitamente terno.
Ela imaginava chegando no tapete vermelho com seu vestido novo — ainda não tinha encontrado, mas já visualizava: preto, longo até os tornozelos, com uma abertura sutil na perna e decote coração que deixava ver justo o suficiente —. Os flashes a cegavam, mas de repente ele estava ali, a poucos passos, virando a cabeça na direção dela. Os olhares se cruzavam. Ele sorria, aquele sorriso lento e torto que ela tinha visto mil vezes em fotos, e caminhava direto até ela.
Ele não dizia nada no começo. Só estendia a mão. Ela a tomava, tremendo. Ele a levava a um canto mais tranquilo da festa, atrás de algumas cortinas pesadas, onde a música chegava abafada. Ali, longe das câmeras, Jacob a olhava de perto. acariciava a bochecha com o dorso dos dedos. Dizia em voz baixa, quase sussurrando:
“Você é muito mais gostosa do que eu imaginava”.
E então a beijava.
Não era um beijo faminto. Era lento, profundo, como se tivesse todo o tempo do mundo para saboreá-la. Suas mãos grandes envolviam sua cintura, a puxavam contra seu peito. Ela sentia o calor de seu corpo através da camisa, a batida forte e constante de seu coração. Jacob descia os beijos pelo seu pescoço, devagar, deixando que cada toque de lábios arrepiasse sua pele. Sussurrava contra sua clavícula:
“Você não tem ideia de quanto tempo eu quis fazer isso”.
Na fantasia, ele a levantava sem esforço — porque em sua mente Jacob sempre era capaz de carregá-la como se não pesasse nada — e a levava a um quarto privado. A deitava em uma cama enorme, com lençóis brancos. Não havia pressa. Tirava o vestido com reverência, beijando cada centímetro de pele que ia ficando exposta. Quando chegava ao conjunto preto de renda, parava. A olhava com algo parecido com adoração.
“Você está… como um sonho”, murmurava.
E então a tocava. Não com urgência, mas com uma delicadeza que a deixava louca. Os dedos longos percorriam seus lados, subiam por suas costelas, envolviam seus seios pequenos como se fossem tesouros. Desciam devagar por sua barriga lisa, se infiltravam sob a renda. Quando encontrava sua umidade, não se surpreendia; apenas sorria contra sua boca e continuava beijando-a enquanto a acariciava com movimentos lentos, circulares, perfeitos.
Daniela se imaginava abrindo as pernas para ele, convidando-o sem palavras. Jacob se posicionava entre suas coxas, ainda vestido, só com a camisa desabotoada. Se inclinava sobre ela, a beijava na testa, nas pálpebras, na ponta do nariz. Dizia:
“Deixa eu cuidar de você. Deixa eu te fazer sentir tudo”.
E então entrava nela devagar, centímetro a centímetro, dando tempo para ela se acostumar. Não havia dor na fantasia, apenas uma plenitude doce, avassaladora. Ele se movia com um ritmo pausado, profundo, como se quisesse gravar cada sensação na memória. As mãos dele nunca paravam de tocá-la: uma no quadril, a outra entrelaçada com a dela. Ele a beijava o tempo todo. Na boca, no pescoço, no peito. Dizia coisas suaves no ouvido dela: “Você é perfeita… tão perfeita… você não sabe o quanto eu te desejava”. Daniela se tocava enquanto imaginava tudo aquilo. Os dedos imitavam o ritmo que ele teria na cabeça dela: lento, constante, sem pressa para chegar ao fim. Beliscava os mamilos com suavidade, arqueava-se contra a própria mão. Quando o orgasmo chegava, era silencioso mas intenso; um tremor que percorria todo o seu corpo, um gemido que ela abafava no travesseiro. E depois, sempre depois, vinha a culpa. Ela ficava olhando para o teto, com a respiração ofegante e os dedos ainda úmidos. Repetia para si mesma as mesmas palavras como um mantra: “Não tem nada de errado. É só uma fantasia. Nunca vai acontecer. O Jacob nem sabe que eu existo. E eu amo o Israel. Eu amo ele de verdade”. Porque ela o amava. Amava como o Israel se lembrava de que ela gostava de café com duas colheres de açúcar e um fio de leite. Amava como ele a abraçava por trás quando cozinhavam juntos. Amava que ele tivesse gasto sabe-se lá quanto dinheiro e contatos só para fazê-la feliz no seu aniversário. Aquele presente não eram só ingressos; era uma prova de o quanto ele a conhecia, de o quanto ele queria vê-la sorrir. Mas ela também sabia que, se o Israel descobrisse o que passava na cabeça dela todas as noites, algo entre eles se quebraria. Então ela guardava silêncio. Continuou procurando o vestido perfeito. Acabou comprando um em uma boutique pequena no centro: veludo preto, corte sereia que se ajustava aos seus quadris estreitos e se abria em uma cauda sutil. Decote profundo nas costas, quase até a cintura. Quando o experimentou no provador e se olhou no espelho, sentiu um nó no estômago. Era o vestido que ela tinha imaginado. O que a faria se sentir perigosa. Aquela que faria com que, mesmo que fosse só por um segundo, ela pudesse acreditar que Jacob poderia olhar para ela e pensar: "Quem é essa?".
Comprou sapatos de salto fino, pretos também, que a faziam chegar quase a 1,60m. Comprou um batom vermelho-escuro que nunca tinha tido coragem de usar. Depilou todo o corpo com uma obsessão quase religiosa.
E toda noite, antes de dormir, repetia para si mesma:
"Não vai acontecer nada. É só um sonho. Amo o Israel. Amo o Israel. Amo o Israel".
Mas no fundo, bem no fundo, uma vozinha traiçoeira sussurrava:
"E se acontecer... mesmo que seja só um olhar... mesmo que seja só um toque acidental... o que você faria?".
E Daniela não tinha resposta.
Só virava de lado, abraçava o travesseiro e esperava que o sono chegasse antes de outra fantasia.
Faltavam dez dias para a viagem.
Dez dias para continuar se convencendo de que tudo estava sob controle.Continua....
Se vocês têm uma história que adorariam contar e não sabem como fazer, nós ajudamos. É só mandar sua ideia no e-mail que a gente dá vida a ela <3
Também fazemos trocas de fotos e chats quentes, manda mensagem ou e-mail que estamos te esperando :p
Israel, por outro lado, media 1,70m, magro, mas com ombros retos, cabelo preto desgrenhado que nunca se decidia entre curto ou longo, e um sorriso fácil que desarmava qualquer tensão. Eles estavam juntos há oito meses, um relacionamento tranquilo, doce, de beijos suaves na testa e mãos dadas enquanto assistiam séries no sofá. Daniela gostava dele, de verdade. Mas havia um cantinho secreto na sua cabeça que sempre tinha pertencido a outro homem: Jacob Elordi.
Não era só que ela achava ele gostoso. Era o jeito que ele dominava a tela, a voz grave que parecia acariciar cada palavra, a maneira como suas mãos grandes se moviam com uma segurança que ela nunca tinha sentido no próprio corpo. Toda vez que via uma entrevista dele ou uma foto no Instagram, algo se mexia dentro dela, um calor tímido mas insistente que acabava guardado em silêncio. Ela nunca tinha contado para Israel. Pra quê? Era só uma fantasia. Um ator inalcançável. Um sonho sem consequências.
Até aquela tarde de sexta-feira.
Eles estavam sentados na cama de Daniela, ela com as pernas cruzadas e um travesseiro abraçado contra o peito, ele recostado na cabeceira com o celular na mão. Era 19 de março, seu aniversário de vinte e dois anos. Israel tinha chegado com uma sacola de papel pardo, um sorriso nervoso e um "não abre os olhos ainda".
— Pronto — disse ele, colocando algo pequeno e plano nas mãos dela.
Daniela abriu os olhos.
Dois ingressos. Primeira fila. Tapete vermelho. *O Morro dos Ventos Uivantes*, o novo filme de Jacob Elordi. Em Los Angeles. Em três semanas.
O mundo parou.
— O quê…? — sussurrou ela, e a voz saiu embargada.
— Eu sei que você gosta muito. Muito mesmo. — Israel coçou a nuca, um pouco envergonhado —. Consegui os contatos com um amigo que trabalha na produtora. Não foi fácil, mas… eu queria te dar algo que você nunca esquecesse.
Daniela sentiu os olhos se encherem de lágrimas, mas não eram só de emoção. Havia algo mais. Uma mistura estranha de gratidão imensa e um nervosismo que apertava seu estômago. Ela estaria a metros dele. Do Jacob. Iria vê-lo andar, respirar, sorrir pessoalmente. E de repente tudo o que tinha sido só um pensamento distante se tornava perigosamente real.
Naquela noite, quando Israel foi para casa, Daniela ficou sozinha em seu apartamento pequeno. Trancou a porta, apagou as luzes do corredor e ficou olhando para os ingressos sobre a mesinha de cabeceira como se fossem desaparecer se ela piscasse.
E então começou.
Abriu o guarda-roupa. Tirou tudo o que tinha que remotamente pudesse ser considerado “elegante”. Nada parecia suficiente.
Experimentou um vestido preto justo que tinha comprado para uma formatura e nunca usara. Muito sério. Um vestido vermelho com decote em V que sua prima tinha dado de presente. Ficava bem nela, mas sentia que era chamativo demais para alguém da sua estatura. Um vestido azul meia-noite com saia assimétrica. Bonito, mas… não o bastante.
Terminou sentada no chão do quarto, cercada de roupas, com o coração batendo muito rápido.
Ela queria estar perfeita. Não porque esperasse que Jacob olhasse para ela — isso era ridículo, ela sabia —, mas porque, pela primeira vez na vida, queria se sentir desejável. Queria se olhar no espelho e pensar: “Se ele me visse agora, não desviaria o olhar”.
E então abriu a gaveta da roupa íntima.
Lá estavam as peças que quase nunca usava: conjuntos de renda que tinha comprado por impulso online e que sempre acabavam esquecidos. Um conjunto preto de tule transparente com detalhes florais bordados, a calcinha de cintura alta que deixava metade das nádegas à mostra. Outro em cor vinho, acetinado, com ligas finas. E um último, branco quebrado, quase virginal, mas com transparências estratégicas nos mamilos e no púbis.
Ela ficou olhando o conjunto preto por um tempão.
Levantou-se devagar. Tirou o pijama velho. Ficou só na roupa íntima normal, algodão cinza simples, e se olhou no espelho de corpo inteiro.
Pequena. Magra. Quase frágil.
Mordeu o lábio inferior.
Com dedos trêmulos, tirou o sutiã e a calcinha de algodão. O ar fresco arrepiou sua pele. Vestiu o conjunto preto.
A renda parecia fresca e áspera ao mesmo tempo contra seus mamilos. A calcinha subia alto, emoldurando seus quadris estreitos e deixando ver a curva suave de sua bunda. Virou-se. Olhou-se de perfil. Ficou na ponta dos pés.
E pela primeira vez em muito tempo, não se sentiu pequena. Sentiu-se… perigosa.
Imaginou-se caminhando pelo tapete vermelho. Imaginou as luzes, os flashes, o murmúrio da multidão. Imaginou Jacob a alguns metros, virando a cabeça casualmente, e por um segundo — só um segundo — seus olhos encontrarem os dela.
O pensamento provocou um arrepio que desceu por sua coluna até se instalar entre as pernas.
Levou uma mão ao peito, roçou levemente o mamilo endurecido sob a renda. Fechou os olhos.
— Não sou infiel — disse em voz baixa, quase como uma oração —. Só quero… me sentir gostosa. Só isso.
Mas enquanto continuava se olhando no espelho, com o conjunto preto abraçando sua pele, com o calor crescendo devagar entre suas coxas, soube que estava mentindo um pouco para si mesma.
Sentou-se na cama. Abriu levemente as pernas. Deslizou os dedos por cima da renda, sem pressionar, apenas sentindo. Fechou os olhos de novo.
Imaginou que Jacob estava ali, de pé na sua frente. Que a olhava como se ela fosse a única pessoa no mundo. Que lhe dizia com aquela voz grave e lenta:
“Você está… deliciosa”.
O dedo médio deslizou por baixo da renda. Encontrou umidade. Muito mais do que esperava.
Um gemidinho escapou, quase inaudível.
Deitou-se de costas na cama, pernas abertas, o telefone ao lado mostrando uma foto recente de Jacob na estreia de outro filme. Camisa branca aberta nos primeiros botões, cabelo penteado para trás, olhar direto para a câmera.
Daniela se tocou devagar, imaginando que eram as mãos grandes dele percorrendo seu corpo magro. Imaginando que ele a levantava sem esforço, a encostava contra uma parede, abaixava aquele conjunto preto com os dentes.
Não chegou ao orgasmo. Não naquela noite.
Mas quando terminou, ofegante, com os dedos brilhantes e o coração batendo na garganta, soube duas coisas com absoluta certeza:
Ia comprar um vestido que a fizesse sentir exatamente como se sentia agora.
Ia usar aquele conjunto preto por baixo.
Mesmo que Israel nunca soubesse.
Mesque que Jacob nunca a olhasse.
Mesmo que tudo continuasse sendo apenas uma fantasia.
Levantou-se, olhou-se uma última vez no espelho e sorriu timidamente para o próprio reflexo.
Três semanas.
Três semanas para encontrar o vestido perfeito.
Três semanas para decidir até onde estava disposta a levar essa fantasia que, pela primeira vez, começava a parecer perigosamente próxima.Capítulo 2: As noites em que não dormeAs três semanas que se seguiram ao presente de Israel se transformaram em um limbo estranho para Daniela. Por fora, tudo continuava igual: aulas na universidade, mensagens de bom dia com Israel, jantares rápidos no apartamento dele, beijos suaves antes de dormir. Mas por dentro, algo tinha mudado. Um interruptor invisível tinha sido ligado e ela já não sabia como desligá-lo.
Toda noite, quando ficava sozinha na sua cama, o ritual era o mesmo.
Ela colocava um dos conjuntos que tinha comprado naqueles dias frenéticos de preparação: o preto de tule, o vinho com ligas, o branco quebrado que parecia inocente até a luz atravessá-lo. Entrava debaixo dos lençóis, apagava a luz principal e deixava só o abajur fraquinho do criado-mudo. Abria o celular e procurava fotos novas do Jacob. Entrevistas recentes. Fotos de paparazzi. Capturas de *O Morro dos Ventos Uivantes* que já começavam a vazar nas redes.
E então fechava os olhos.
Na sua cabeça, Jacob não era o ator inalcançável das telas. Era um homem real, quente, que olhava pra ela com aqueles olhos escuros e profundos como se ela fosse a única coisa que importava no mundo. Ele não era agressivo nem dominante como em alguns dos seus filmes. Não. Nas fantasias da Daniela, Jacob era infinitamente terno.
Ela imaginava chegando no tapete vermelho com seu vestido novo — ainda não tinha encontrado, mas já visualizava: preto, longo até os tornozelos, com uma abertura sutil na perna e decote coração que deixava ver justo o suficiente —. Os flashes a cegavam, mas de repente ele estava ali, a poucos passos, virando a cabeça na direção dela. Os olhares se cruzavam. Ele sorria, aquele sorriso lento e torto que ela tinha visto mil vezes em fotos, e caminhava direto até ela.
Ele não dizia nada no começo. Só estendia a mão. Ela a tomava, tremendo. Ele a levava a um canto mais tranquilo da festa, atrás de algumas cortinas pesadas, onde a música chegava abafada. Ali, longe das câmeras, Jacob a olhava de perto. acariciava a bochecha com o dorso dos dedos. Dizia em voz baixa, quase sussurrando:
“Você é muito mais gostosa do que eu imaginava”.
E então a beijava.
Não era um beijo faminto. Era lento, profundo, como se tivesse todo o tempo do mundo para saboreá-la. Suas mãos grandes envolviam sua cintura, a puxavam contra seu peito. Ela sentia o calor de seu corpo através da camisa, a batida forte e constante de seu coração. Jacob descia os beijos pelo seu pescoço, devagar, deixando que cada toque de lábios arrepiasse sua pele. Sussurrava contra sua clavícula:
“Você não tem ideia de quanto tempo eu quis fazer isso”.
Na fantasia, ele a levantava sem esforço — porque em sua mente Jacob sempre era capaz de carregá-la como se não pesasse nada — e a levava a um quarto privado. A deitava em uma cama enorme, com lençóis brancos. Não havia pressa. Tirava o vestido com reverência, beijando cada centímetro de pele que ia ficando exposta. Quando chegava ao conjunto preto de renda, parava. A olhava com algo parecido com adoração.
“Você está… como um sonho”, murmurava.
E então a tocava. Não com urgência, mas com uma delicadeza que a deixava louca. Os dedos longos percorriam seus lados, subiam por suas costelas, envolviam seus seios pequenos como se fossem tesouros. Desciam devagar por sua barriga lisa, se infiltravam sob a renda. Quando encontrava sua umidade, não se surpreendia; apenas sorria contra sua boca e continuava beijando-a enquanto a acariciava com movimentos lentos, circulares, perfeitos.
Daniela se imaginava abrindo as pernas para ele, convidando-o sem palavras. Jacob se posicionava entre suas coxas, ainda vestido, só com a camisa desabotoada. Se inclinava sobre ela, a beijava na testa, nas pálpebras, na ponta do nariz. Dizia:
“Deixa eu cuidar de você. Deixa eu te fazer sentir tudo”.
E então entrava nela devagar, centímetro a centímetro, dando tempo para ela se acostumar. Não havia dor na fantasia, apenas uma plenitude doce, avassaladora. Ele se movia com um ritmo pausado, profundo, como se quisesse gravar cada sensação na memória. As mãos dele nunca paravam de tocá-la: uma no quadril, a outra entrelaçada com a dela. Ele a beijava o tempo todo. Na boca, no pescoço, no peito. Dizia coisas suaves no ouvido dela: “Você é perfeita… tão perfeita… você não sabe o quanto eu te desejava”. Daniela se tocava enquanto imaginava tudo aquilo. Os dedos imitavam o ritmo que ele teria na cabeça dela: lento, constante, sem pressa para chegar ao fim. Beliscava os mamilos com suavidade, arqueava-se contra a própria mão. Quando o orgasmo chegava, era silencioso mas intenso; um tremor que percorria todo o seu corpo, um gemido que ela abafava no travesseiro. E depois, sempre depois, vinha a culpa. Ela ficava olhando para o teto, com a respiração ofegante e os dedos ainda úmidos. Repetia para si mesma as mesmas palavras como um mantra: “Não tem nada de errado. É só uma fantasia. Nunca vai acontecer. O Jacob nem sabe que eu existo. E eu amo o Israel. Eu amo ele de verdade”. Porque ela o amava. Amava como o Israel se lembrava de que ela gostava de café com duas colheres de açúcar e um fio de leite. Amava como ele a abraçava por trás quando cozinhavam juntos. Amava que ele tivesse gasto sabe-se lá quanto dinheiro e contatos só para fazê-la feliz no seu aniversário. Aquele presente não eram só ingressos; era uma prova de o quanto ele a conhecia, de o quanto ele queria vê-la sorrir. Mas ela também sabia que, se o Israel descobrisse o que passava na cabeça dela todas as noites, algo entre eles se quebraria. Então ela guardava silêncio. Continuou procurando o vestido perfeito. Acabou comprando um em uma boutique pequena no centro: veludo preto, corte sereia que se ajustava aos seus quadris estreitos e se abria em uma cauda sutil. Decote profundo nas costas, quase até a cintura. Quando o experimentou no provador e se olhou no espelho, sentiu um nó no estômago. Era o vestido que ela tinha imaginado. O que a faria se sentir perigosa. Aquela que faria com que, mesmo que fosse só por um segundo, ela pudesse acreditar que Jacob poderia olhar para ela e pensar: "Quem é essa?".
Comprou sapatos de salto fino, pretos também, que a faziam chegar quase a 1,60m. Comprou um batom vermelho-escuro que nunca tinha tido coragem de usar. Depilou todo o corpo com uma obsessão quase religiosa.
E toda noite, antes de dormir, repetia para si mesma:
"Não vai acontecer nada. É só um sonho. Amo o Israel. Amo o Israel. Amo o Israel".
Mas no fundo, bem no fundo, uma vozinha traiçoeira sussurrava:
"E se acontecer... mesmo que seja só um olhar... mesmo que seja só um toque acidental... o que você faria?".
E Daniela não tinha resposta.
Só virava de lado, abraçava o travesseiro e esperava que o sono chegasse antes de outra fantasia.
Faltavam dez dias para a viagem.
Dez dias para continuar se convencendo de que tudo estava sob controle.Continua....
Se vocês têm uma história que adorariam contar e não sabem como fazer, nós ajudamos. É só mandar sua ideia no e-mail que a gente dá vida a ela <3
Também fazemos trocas de fotos e chats quentes, manda mensagem ou e-mail que estamos te esperando :p
1 comentários - Louca Obsessão da Minha Namorada 1