Cê tá parado na beira da pista de dança, com a gravata já desfeita e uma cerveja quente na mão, sentindo o calor de Tepoztlán grudar na sua camisa. Ao redor, seus tios e primos tão gritando celebrando os noivos, mas cê não tá olhando pra noiva, nem pro noivo, e nem pras primas da sua idade que se arrumaram horas pra esse casamento.
Você só tem olhos pra ela.
Ali está tua tia Vanesa. Tem trinta e oito anos, mas se não soubesse que é irmã da sua mãe, juraria que tem vinte e cinco e muito mais experiência em pecado do que qualquer mulher que você já conheceu. Ela tá usando um vestido vinho, de cetim, com uma fenda na perna que é um insulto pra igreja onde foi a cerimônia e uma bênção pra você.
—Olha só como ela vem... —sussurra sua mãe do seu lado, com aquela voz cheia de veneno e inveja—. Se acha uma novinha. Que ridícula. Na idade dela e mostrando tudo. Por isso que não tem marido.
Você balança a cabeça mecanicamente pra sua mãe calar a boca, mas por dentro pensa que sua mãe não tem a menor puta ideia. A Vanesa não "se acha" uma novinha; ela come as outras vivas. Enquanto as amigas da sua prima tão preocupadas com o rímel borrar, sua tia tá no meio da pista, com um copo de gin na mão, rebolando um reggaeton com uma cadência que hipnotiza.
Suda. Brilha. Ri com a cabeça jogada pra trás, mostrando aquele pescoço comprido que cheira a vida e experiência.
Ela é a "tia divertida", a que viaja sozinha, a que chega nos almoços de família de ressaca e com um sorriso cínico. A que mantém aquele corpo durinho, cintura fina e um quadril que parece feito pra agarrar, justamente porque não se desgastou criando filhos nem aturando um marido chato que nem seu pai.
De repente, ela para. Enxuga o suor da testa e os olhos dela varrem a festa procurando alguma coisa.
Elas te encontram.
Julião. O sobrinho favorito dela. O universitário quietinho que sempre fica de olho nela um pouco mais do que devia.
Ela sorri. Não é um sorriso de tia carinhosa. É aquele sorriso cúmplice que ela já te deu umas duas vezes no Natal, quando te serve uma dose escondida. Larga o parceiro de dança — um cara divorciado, amigo do seu pai, que já passou meia hora tentando pegar ela — e caminha direto na sua direção, cortando a multidão com aquele rebolado.
Seu coração começa a martelar contra suas costelas. Você sabe que sua mãe está te olhando, mas não consegue se mexer.
—Julião... —ela diz ao chegar, e a voz rouca por causa da bebida arrepia os pelos dos teus braços—. O que cê tá fazendo aqui tão sozinho e sério desse jeito? Parece um senhorzinho.
Ela chega muito perto. O cheiro dela te invade: uma mistura de flores doces, suor de dança e mezcal.
—Tava descansando, tia —você responde, e sua voz sai mais grossa que o normal.
Ela solta uma risadinha e tira a cerveja da sua mão. Dá um gole longo, sem se importar que seja a sua, deixando a marca do batom vermelho na borda da garrafa.
—Descansar é pra véio, meu amor. E você... — ele te varre com o olhar, de cima a baixo, parando um segundo perigoso na altura do seu cinto — você tá no auge.
Pega na sua mão. A palma dele tá quente, suada.
—Vem. Vamos dançar. Me tira daqui antes que o amigo do seu pai me convide pra mais uma música e eu morra de tédio.
—Mas... minha mãe... — você começa a dizer, virando pra olhar sua mãe, que tá com os olhos semicerrados de raiva.
Vanesa te puxa com força, aproximando a boca do seu ouvido. Você sente o hálito quente dela batendo no seu lóbulo.
—Foda-se a sua mãe, Julián. Ela já viveu a vida dela. Agora é a sua vez de se divertir com a tia louca.
Você se deixa levar pro meio da pista. A música tá no talo, um grave retumbante que vibra no seu peito. Vanesa se vira e começa a rebolar, encarando sua falta de jeito com uma naturalidade esmagadora.
Você levanta as mãos e, com uma timidez que te faz sentir um idiota, pousa elas de leve nas laterais da cintura dela. Seus dedos roçam o tecido acetinado do vestido dela com medo, como se estivesse tocando uma peça de museu que diz "não toque". Você fica duro, mantendo aquela distância de segurança de "sobrinho respeitoso".
Ela percebe na hora. Solta uma gargalhada que se perde no meio da música, balança a cabeça e leva as mãos dela até as suas.
—Ai, meu amor, por favor... —ela grita pra você ouvir—. Se você me tocar assim, vou achar que você tem nojo de mim ou que você tem medo de mim.
Com um movimento firme, ele pega suas mãos e aperta elas contra o corpo dele, te forçando a fechar os dedos na curva gostosa da cintura dele, bem onde o osso do quadril encontra a carne macia.
—Segura firme, Juliano —ela diz, olhando nos seus olhos com aquela faísca debochada—. Que eu não sou de porcelana, não vou quebrar. Aperta. É assim que se dança isso.
Ao sentir seu aperto firme, ela sorri satisfeita e gruda mais em você. De repente, a barreira invisível se quebra. Você sente o calor do corpo dela atravessando o cetim vinho, sente cada músculo da barriga dela se movendo contra suas mãos.
É nessa hora que passa o carrinho dos shots.
Vanesa intercepta o garçom com a agilidade de uma expert. Pega três copos de tequila.
—Fundo, fundo! —ela grita, empurrando um copo contra o teu peito.
Você toma de uma vez. O líquido queima, arranha e te faz torcer o rosto. Mas antes que você possa se recuperar, ela já está colocando o segundo na sua mão.
—O outro é pra outra perna, pra tu não mancar — ele te diz com uma piscadela, enquanto ela toma o dela sem nem piscar, chupando um limão com uma sensualidade desnecessária.
Você toma o segundo. O álcool bate rápido, misturando com o calor de Tepoztlán. O mundo fica um pouco mais borrado, mais brilhante. Você se sente corajosa.
Ao longe, você vê movimento. Seus pais estão se aproximando. Sua mãe tem aquela cara de cansaço crônico e desaprovação; seu pai boceja.
—Julião, a gente já vai —fala sua mãe, gritando por cima da música, queimando a Vanesa com o olhar—. Seu pai tá exausto e meus pés tão doendo pra caralho. Cê vem ou o quê?
Você olha pra sua mãe, depois olha pra Vanesa, que tá cantarolando a música, mexendo os ombros, fingindo demência.
—Eh... não, mãe. Vou ficar mais um pouco —você responde. A tequila fala por você—. A festa tá boa pra caralho. Volto andando pro hotel, é aqui pertinho.
Sua mãe franze a testa. —Não bebe muito. E cuidado com... —ela lança um olhar acusador pro vestido da sua tia— com más companhias.
Vanesa se intromete, te abraça pelo ombro, colando o peito dela no teu braço.
—Ai, maninha, não seja amargurada. Deixa ele aproveitar, que ele é novo —fala a Vanessa com um sorriso de cobra—. Vão descansar os ossos de vocês. Eu cuido dele. Eu garanto que ele chegue... bem atendido.
Sua mãe bufa, agarra seu pai pelo braço e os dois viram as costas. Você vê os dois se afastando no meio da multidão, saindo do jardim de eventos.
E aí, acontece.
A sensação de liberdade cai em cima de você como um balde de água fria... ou de gasolina.
Não tem mais pai. Não tem mais julgamento. Não tem mais ninguém pra te falar que essa mulher que você tá abraçando é sua tia. Agora é só um cara novo, dois tequilas na cabeça e uma mulher gostosa pra caralho que cheira a perigo.
Vanesa te olha, e a expressão dela muda. O sorriso debochado fica algo mais sombrio, mais intenso.
—Finalmente... —murmura ela—. Os chatos já foram embora.
Ela se vira devagar, de costas pra você, e começa a dançar de novo. Mas dessa vez não é uma dança social. Ela cola a bunda na sua virilha, sem vergonha nenhuma, e vai descendo devagar, se esfregando em você no ritmo do grave, deixando você sentir exatamente como ela é redonda e firme por baixo daquele vestido de cetim.
Você engole seco, sentindo como sua calça social fica dolorosamente apertada, e pela primeira vez na noite, não tenta se afastar. Aperta a cintura dela, exatamente como ela te ensinou, e se deixa levar.
A música muda de repente. O DJ corta o reguetón e solta os primeiros acordes de uma salsa clássica, daquelas que exigem cadência e proximidade. "Llorarás" do Oscar D'León começa a tocar.
Vanesa se vira pra você. Os olhos dela brilham com uma intensidade líquida. Ela pega sua mão direita e coloca na parte baixa das costas dela, bem onde termina o decote do vestido e começa a curva perigosa da bunda dela. Com a outra mão, ela segura sua nuca.
—Vamos ver se você tem ritmo mesmo, Julião — ela te desafia.
Você tenta acompanhar o ritmo dela. O álcool soltou suas pernas, mas ela é uma expert. Ela te move como quer, colando e descolando, fazendo as coxas dela roçarem nas suas a cada volta. O atrito do tecido acetinado contra sua calça é uma tortura deliciosa.
Mas no meio da música, quando o refrão explode, ela para.
Olha pros lados. Ninguém tá prestando atenção; tão tudo bêbado, pulando ou pegando geral.
—Vem cá... —ele sussurra, puxando sua gravata.
Não te leva pra mesa. Te puxa pra beirada do jardim, longe da tenda principal, na direção da área dos banheiros portáteis de luxo que colocaram pro evento. Mas não entra lá. Te arrasta um pouco mais pra frente, atrás de uma parede de buganvílias e pedra vulcânica, onde a luz da festa mal chega e as sombras engolem tudo.
O barulho da música chega amortecido. Aqui cheira a terra molhada, a noite de interior e, acima de tudo, a ela.
Vanesa te empurra suavemente até tuas costas baterem na parede de pedra fria e áspera. Ela se planta na tua frente, bloqueando a saída, invadindo teu espaço pessoal de um jeito que nenhuma tia deveria fazer.
Respiração ofegante pela dança. O peito dela sobe e desce, e você não consegue evitar descer o olhar pra aquele decote que brilha com uma camada fina de suor. Ela tá uma delícia. Ela tá proibida.
Ela percebe o teu olhar. Não se cobre. Pelo contrário, joga os ombros pra trás pra te mostrar melhor. Levanta uma mão e acaricia tua bochecha; os dedos dela tão frios por causa do copo que segurava até agora, mas a palma arde.
—Me fala a verdade, Julián... —ela diz, e a voz dela desce um tom, ficando cúmplice, safada—. Você também acredita em tudo que sua mãe fala de mim?
Você balança a cabeça, incapaz de falar. Sua garganta está seca.
Ela sorri de lado e dá mais um passo, colando a pélvis dela na sua. Você sente o calor do corpo dela através do vestido e da sua roupa. Não tem dúvida de que ela consegue sentir o quanto você tá duro. Impossível esconder agora.
Ela baixa o olhar pro teu volume, morde o lábio inferior e sobe os olhos escuros de volta pros teus.
—Porque sua mãe diz que eu sou uma perdida... fim do primeiro capítulo
Você só tem olhos pra ela.
Ali está tua tia Vanesa. Tem trinta e oito anos, mas se não soubesse que é irmã da sua mãe, juraria que tem vinte e cinco e muito mais experiência em pecado do que qualquer mulher que você já conheceu. Ela tá usando um vestido vinho, de cetim, com uma fenda na perna que é um insulto pra igreja onde foi a cerimônia e uma bênção pra você.
—Olha só como ela vem... —sussurra sua mãe do seu lado, com aquela voz cheia de veneno e inveja—. Se acha uma novinha. Que ridícula. Na idade dela e mostrando tudo. Por isso que não tem marido.
Você balança a cabeça mecanicamente pra sua mãe calar a boca, mas por dentro pensa que sua mãe não tem a menor puta ideia. A Vanesa não "se acha" uma novinha; ela come as outras vivas. Enquanto as amigas da sua prima tão preocupadas com o rímel borrar, sua tia tá no meio da pista, com um copo de gin na mão, rebolando um reggaeton com uma cadência que hipnotiza.
Suda. Brilha. Ri com a cabeça jogada pra trás, mostrando aquele pescoço comprido que cheira a vida e experiência.
Ela é a "tia divertida", a que viaja sozinha, a que chega nos almoços de família de ressaca e com um sorriso cínico. A que mantém aquele corpo durinho, cintura fina e um quadril que parece feito pra agarrar, justamente porque não se desgastou criando filhos nem aturando um marido chato que nem seu pai.
De repente, ela para. Enxuga o suor da testa e os olhos dela varrem a festa procurando alguma coisa.
Elas te encontram.
Julião. O sobrinho favorito dela. O universitário quietinho que sempre fica de olho nela um pouco mais do que devia.
Ela sorri. Não é um sorriso de tia carinhosa. É aquele sorriso cúmplice que ela já te deu umas duas vezes no Natal, quando te serve uma dose escondida. Larga o parceiro de dança — um cara divorciado, amigo do seu pai, que já passou meia hora tentando pegar ela — e caminha direto na sua direção, cortando a multidão com aquele rebolado.
Seu coração começa a martelar contra suas costelas. Você sabe que sua mãe está te olhando, mas não consegue se mexer.
—Julião... —ela diz ao chegar, e a voz rouca por causa da bebida arrepia os pelos dos teus braços—. O que cê tá fazendo aqui tão sozinho e sério desse jeito? Parece um senhorzinho.
Ela chega muito perto. O cheiro dela te invade: uma mistura de flores doces, suor de dança e mezcal.
—Tava descansando, tia —você responde, e sua voz sai mais grossa que o normal.
Ela solta uma risadinha e tira a cerveja da sua mão. Dá um gole longo, sem se importar que seja a sua, deixando a marca do batom vermelho na borda da garrafa.
—Descansar é pra véio, meu amor. E você... — ele te varre com o olhar, de cima a baixo, parando um segundo perigoso na altura do seu cinto — você tá no auge.
Pega na sua mão. A palma dele tá quente, suada.
—Vem. Vamos dançar. Me tira daqui antes que o amigo do seu pai me convide pra mais uma música e eu morra de tédio.
—Mas... minha mãe... — você começa a dizer, virando pra olhar sua mãe, que tá com os olhos semicerrados de raiva.
Vanesa te puxa com força, aproximando a boca do seu ouvido. Você sente o hálito quente dela batendo no seu lóbulo.
—Foda-se a sua mãe, Julián. Ela já viveu a vida dela. Agora é a sua vez de se divertir com a tia louca.
Você se deixa levar pro meio da pista. A música tá no talo, um grave retumbante que vibra no seu peito. Vanesa se vira e começa a rebolar, encarando sua falta de jeito com uma naturalidade esmagadora.
Você levanta as mãos e, com uma timidez que te faz sentir um idiota, pousa elas de leve nas laterais da cintura dela. Seus dedos roçam o tecido acetinado do vestido dela com medo, como se estivesse tocando uma peça de museu que diz "não toque". Você fica duro, mantendo aquela distância de segurança de "sobrinho respeitoso".
Ela percebe na hora. Solta uma gargalhada que se perde no meio da música, balança a cabeça e leva as mãos dela até as suas.
—Ai, meu amor, por favor... —ela grita pra você ouvir—. Se você me tocar assim, vou achar que você tem nojo de mim ou que você tem medo de mim.
Com um movimento firme, ele pega suas mãos e aperta elas contra o corpo dele, te forçando a fechar os dedos na curva gostosa da cintura dele, bem onde o osso do quadril encontra a carne macia.
—Segura firme, Juliano —ela diz, olhando nos seus olhos com aquela faísca debochada—. Que eu não sou de porcelana, não vou quebrar. Aperta. É assim que se dança isso.
Ao sentir seu aperto firme, ela sorri satisfeita e gruda mais em você. De repente, a barreira invisível se quebra. Você sente o calor do corpo dela atravessando o cetim vinho, sente cada músculo da barriga dela se movendo contra suas mãos.
É nessa hora que passa o carrinho dos shots.
Vanesa intercepta o garçom com a agilidade de uma expert. Pega três copos de tequila.
—Fundo, fundo! —ela grita, empurrando um copo contra o teu peito.
Você toma de uma vez. O líquido queima, arranha e te faz torcer o rosto. Mas antes que você possa se recuperar, ela já está colocando o segundo na sua mão.
—O outro é pra outra perna, pra tu não mancar — ele te diz com uma piscadela, enquanto ela toma o dela sem nem piscar, chupando um limão com uma sensualidade desnecessária.
Você toma o segundo. O álcool bate rápido, misturando com o calor de Tepoztlán. O mundo fica um pouco mais borrado, mais brilhante. Você se sente corajosa.
Ao longe, você vê movimento. Seus pais estão se aproximando. Sua mãe tem aquela cara de cansaço crônico e desaprovação; seu pai boceja.
—Julião, a gente já vai —fala sua mãe, gritando por cima da música, queimando a Vanesa com o olhar—. Seu pai tá exausto e meus pés tão doendo pra caralho. Cê vem ou o quê?
Você olha pra sua mãe, depois olha pra Vanesa, que tá cantarolando a música, mexendo os ombros, fingindo demência.
—Eh... não, mãe. Vou ficar mais um pouco —você responde. A tequila fala por você—. A festa tá boa pra caralho. Volto andando pro hotel, é aqui pertinho.
Sua mãe franze a testa. —Não bebe muito. E cuidado com... —ela lança um olhar acusador pro vestido da sua tia— com más companhias.
Vanesa se intromete, te abraça pelo ombro, colando o peito dela no teu braço.
—Ai, maninha, não seja amargurada. Deixa ele aproveitar, que ele é novo —fala a Vanessa com um sorriso de cobra—. Vão descansar os ossos de vocês. Eu cuido dele. Eu garanto que ele chegue... bem atendido.
Sua mãe bufa, agarra seu pai pelo braço e os dois viram as costas. Você vê os dois se afastando no meio da multidão, saindo do jardim de eventos.
E aí, acontece.
A sensação de liberdade cai em cima de você como um balde de água fria... ou de gasolina.
Não tem mais pai. Não tem mais julgamento. Não tem mais ninguém pra te falar que essa mulher que você tá abraçando é sua tia. Agora é só um cara novo, dois tequilas na cabeça e uma mulher gostosa pra caralho que cheira a perigo.
Vanesa te olha, e a expressão dela muda. O sorriso debochado fica algo mais sombrio, mais intenso.
—Finalmente... —murmura ela—. Os chatos já foram embora.
Ela se vira devagar, de costas pra você, e começa a dançar de novo. Mas dessa vez não é uma dança social. Ela cola a bunda na sua virilha, sem vergonha nenhuma, e vai descendo devagar, se esfregando em você no ritmo do grave, deixando você sentir exatamente como ela é redonda e firme por baixo daquele vestido de cetim.
Você engole seco, sentindo como sua calça social fica dolorosamente apertada, e pela primeira vez na noite, não tenta se afastar. Aperta a cintura dela, exatamente como ela te ensinou, e se deixa levar.
A música muda de repente. O DJ corta o reguetón e solta os primeiros acordes de uma salsa clássica, daquelas que exigem cadência e proximidade. "Llorarás" do Oscar D'León começa a tocar.
Vanesa se vira pra você. Os olhos dela brilham com uma intensidade líquida. Ela pega sua mão direita e coloca na parte baixa das costas dela, bem onde termina o decote do vestido e começa a curva perigosa da bunda dela. Com a outra mão, ela segura sua nuca.
—Vamos ver se você tem ritmo mesmo, Julião — ela te desafia.
Você tenta acompanhar o ritmo dela. O álcool soltou suas pernas, mas ela é uma expert. Ela te move como quer, colando e descolando, fazendo as coxas dela roçarem nas suas a cada volta. O atrito do tecido acetinado contra sua calça é uma tortura deliciosa.
Mas no meio da música, quando o refrão explode, ela para.
Olha pros lados. Ninguém tá prestando atenção; tão tudo bêbado, pulando ou pegando geral.
—Vem cá... —ele sussurra, puxando sua gravata.
Não te leva pra mesa. Te puxa pra beirada do jardim, longe da tenda principal, na direção da área dos banheiros portáteis de luxo que colocaram pro evento. Mas não entra lá. Te arrasta um pouco mais pra frente, atrás de uma parede de buganvílias e pedra vulcânica, onde a luz da festa mal chega e as sombras engolem tudo.
O barulho da música chega amortecido. Aqui cheira a terra molhada, a noite de interior e, acima de tudo, a ela.
Vanesa te empurra suavemente até tuas costas baterem na parede de pedra fria e áspera. Ela se planta na tua frente, bloqueando a saída, invadindo teu espaço pessoal de um jeito que nenhuma tia deveria fazer.
Respiração ofegante pela dança. O peito dela sobe e desce, e você não consegue evitar descer o olhar pra aquele decote que brilha com uma camada fina de suor. Ela tá uma delícia. Ela tá proibida.
Ela percebe o teu olhar. Não se cobre. Pelo contrário, joga os ombros pra trás pra te mostrar melhor. Levanta uma mão e acaricia tua bochecha; os dedos dela tão frios por causa do copo que segurava até agora, mas a palma arde.
—Me fala a verdade, Julián... —ela diz, e a voz dela desce um tom, ficando cúmplice, safada—. Você também acredita em tudo que sua mãe fala de mim?
Você balança a cabeça, incapaz de falar. Sua garganta está seca.
Ela sorri de lado e dá mais um passo, colando a pélvis dela na sua. Você sente o calor do corpo dela através do vestido e da sua roupa. Não tem dúvida de que ela consegue sentir o quanto você tá duro. Impossível esconder agora.
Ela baixa o olhar pro teu volume, morde o lábio inferior e sobe os olhos escuros de volta pros teus.
—Porque sua mãe diz que eu sou uma perdida... fim do primeiro capítulo
1 comentários - En una boda familiar termine fallando con mi tía