Um encontro simples, um churrasco no quintal dele, com outros vizinhos e alguns amigos dele.
Vesti um vestido de linho cor creme, justo na cintura, com um decote quadrado que deixava à mostra o início das minhas clavículas. As mangas caíam suavemente pelos meus ombros, e a barra terminava bem na metade da perna, suficientemente longa para ser "adequado", mas com o tecido leve o bastante para deixar a brisa brincar com meus movimentos. Sem sutiã — porque não precisava com esse corte — e com sandálias de couro de tiras finas que me faziam sentir gostosa sem muito esforço.
Achei que seria só mais uma noite. E, em parte, foi... mas também foi o começo de algo que eu não soube nomear na hora. Algo que começou a mudar a forma como eu olhava pra ele, mesmo que eu ainda não soubesse.
A casa do Julián parecia diferente naquela noite. As luzes do quintal pendiam entre as árvores como vagalumes imóveis, e a música suave preenchia os espaços entre as conversas. Era um encontro simples, com carne assando na churrasqueira e taças de vinho passando de mão em mão. O Andrés estava encantado. Eu, por outro lado, só estava me deixando levar.
Eu cumprimentei o Julián assim que chegamos, como sempre: com um sorriso cordial, nada mais. Durante a noite, as conversas entre os homens ficaram evidentes, e eu não tive outra escolha a não ser procurar algum grupo de senhoras não tão velhas com quem pudesse conversar. Em algum momento da noite, tentei escapar para o banheiro e me dedicar a algo mais emocionante, como olhar minhas redes sociais ou tirar uma foto no espelho. Ao sair, me deparei com o Julian,
—Como tá indo a reunião? — disse com sua voz grave enquanto passava por mim com uma taça de vinho na mão, desviando o corpo para me dar passagem e seguindo cada um seu caminho. Mas não consegui responder.
—Esse vestido devia vir com aviso —ele disse, sem me olhar diretamente, como se o comentário fosse casual, apenas jogado no ar. E depois se afastou, deixando seu cheiro —de madeira, de algo limpo e masculino— flutuando por alguns segundos atrás dele.
Ele me pegou de surpresa. Virei, procurando por ele, mas ele já estava conversando com outro grupo, como se não tivesse dito nada de errado.
De repente nossos olhares se cruzaram de longe, percebi que ele segurou meu olhar um segundo a mais do que o necessário. Não desviou o olhar. Não sorriu. Só me encarou, direto. Como se já soubesse algo que eu estava apenas começando a entender.
Naquele momento, me senti observada. Não assediada nem desconfortável... mas sim visível. Como se alguém tivesse acendido uma luz sobre mim, e essa luz viesse dele.
Tentei disfarçar.
Quando fomos embora, Julián se aproximou para se despedir. Apertou a mão do meu marido Andres com uma palmada firme e depois se virou para mim. Não houve toque. Não houve palavras de duplo sentido. Apenas manteve o olhar fixo em mim enquanto dizia:
Obrigado por vir.
Num dia qualquer ao meio-dia, encontrei-o em frente à sua casa, sozinho, regando as plantas do jardim. Eu estava saindo para jogar umas sacolas de reciclagem. Mal pisei na rua, ele me cumprimentou com aquela mesma voz grave e contida.
Parei um segundo.
—Você ficou muito gostosa naquele vestido no outro dia —disse, sem baixar o olhar. Não sorriu, não foi zombeteiro nem atrevido. Falou como se fosse um simples fato.
Meu estômago se contraiu.
—Obrigada —murmurei. Era a única coisa que consegui dizer. O olhar dele era tão direto, tão limpo, que me desarmou. Não era o tipo de homem que brincava com duplos sentidos. Ele dizia o que via. O que pensava. E isso, justamente isso, era o que me desconcertava.
Desde aquela conversação perto do jardim, alguma coisa dentro de mim tinha saído do lugar.
Comecei a reparar umas coisas. Que ela saía pra correr quando o sol tava forte lá fora.
Eu me arrumava mais para ir ao mercado. Me maquiava, pensando que ele poderia estar lá fora. Abria a cortina da sala com mais frequência. E quando ele me olhava do outro lado da rua, eu mantinha o olhar. Não fingia mais surpresa. Não desviava mais o olhar. Comecei a vê-lo pelo que ele era, um homem maduro que me deixava molhadinha criando fantasias.
Uma tarde, ao chegar do trabalho antes do Andrés, eu estava me dedicando a ser uma dona de casa ideal. A máquina de lavar barulhava na cozinha, o sol entrava morno pela janela. Me abaixei para pegar a roupa do cesto, distraída, quando ouvi uma batida suave na porta.
Abri.
Julián.
—Desculpa incomodar —disse —. Você tem um pouco de gelo aí? Acabei o meu e meu ombro tá meio travado.
—Claro, espera um segundo —falei, e me virei para entrar.
Senti os olhos dele em mim. Senti mesmo. Sabia que ele estava me olhando de cima a baixo, meu uniforme de trabalho já todo amarrotado, do qual eu mal tinha tirado os saltos.
Fui até a cozinha, peguei um saco de gelo do congelador e voltei. Ao entregar para ela, nossos dedos se tocaram de leve. Um segundo. Uma descarga.
—Obrigada, vizinha —disse ele, e ficou ali um segundo a mais do que o necessário. Vi que seus olhos desciam. Não de forma vulgar, não como um homem qualquer. Desciam para me olhar. De verdade.
E pela primeira vez, não me escondi. Não me mexi. Só encarei ele de volta.
— Você tá bem? — perguntou, como se tivesse percebido algo na minha expressão.
—Eu tô… —me interrompi—. É. Só surpresa mesmo.
Talvez excitada fosse a palavra mais adequada para o momento.
—Por quê?
—Porque eu não estava esperando visitas.
Ela sorriu, como se entendesse mais do que eu estava dizendo.
—Eu também não esperava ficar sem gelo.
E com isso, ela se virou. Caminhou até sua casa sem pressa. Eu fechei a porta com as mãos trêmulas e o coração batendo forte no peito.
Não aconteceu nada. De novo, nada. Mas esse "nada" começava a se encher de tudo.
A chuva caía. Não era forte, mas era constante, como se o céu estivesse se dando ao luxo de nos fazer sentir cada gota. A janela estava ligeiramente aberta e o som da chuva no telhado me hipnotizara a tarde toda. Ouvi uns latidos bem quando eu terminava de sair do banho. Eram insistentes, urgentes. Me enrolei como pude numa toalha e fui até a janela. Lá estava meu cachorro, Max, todo molhado, se agitando na frente do jardim do Julián, um Yorkshire Terrier latindo como se estivesse defendendo sua honra diante de um pastor alemão que o olhava com desprezo por trás do portão.
Eu não tinha ideia de como ele tinha escapado. Ainda sem terminar de me secar, coloquei uma calça de moletom e uma blusa, abri a porta pra sair correndo, mas trombei com uma silhueta na entrada. Era o Julián. Com o Max no colo como uma criança, os dois encharcados.
—Ele enfiou até a entrada e não parava de latir — disse, sorrindo, sua voz um pouco abafada pela chuva —. Achei melhor trazê-lo de volta antes que ele armasse uma confusão.
—Desculpa —eu disse, rindo nervosa—. Não sei como isso saiu.
—Não se preocupe. Não é a primeira vez que um cachorro me mete em encrenca.
Nos olhamos por alguns segundos. O som da chuva lá fora preenchia os silêncios. Julián estava a um passo de mim, sua respiração mais ofegante que o normal, e eu ainda tinha o cabelo úmido do banho e a roupa colada ao corpo por causa da umidade da pele com que a vesti na pressa de sair correndo.
—Quer uma toalla? —ofereci, me virando pela metade.
—Ou pelo menos um guarda-chuva —disse, me seguindo.
—Melhor uma toalha. Você está encharcado.
Entrou. Fechei a porta.
Me adiantei ao banheiro e voltei com uma das toalhas grandes e brancas. Estendi-a para ela. Ela pegou sem tirar os olhos de mim. Seus dedos roçaram os meus. O toque foi leve, mas me fez inspirar mais fundo do que eu gostaria.
— Obrigada — ela disse, mas não se secou imediatamente. Me olhou de cima a baixo. Não de forma descarada, mas atenta. Como se estivesse me vendo de verdade pela primeira vez. E eu… eu já não conseguia mais fingir que não tinha notado antes. Aquele corpo. Aquela maneira calma de falar. Aquela tensão invisível toda vez que estávamos perto e nada acontecia.
—Quer se secar no banheiro? —perguntei. Não reconheci minha própria voz.
Ele balançou a cabeça em negação. Deixou a toalha em cima da mesa e deu um passo. Depois outro. Eu não recuei.
Quando ele ficou na minha frente, me olhou com uma intensidade contida. Sua mão tocou minha bochecha, de leve. Não foi brusco. Foi um teste. E eu não me afastei.
—Você sabe que eu não deveria estar aqui —murmurou, a voz baixa, rouca.
—Eu também não —sussurrei.
Não teve outra permissão. Nem mais dúvidas.
Ele me beijou com força, como se estivesse se segurando há semanas. Minhas costas bateram na parede. Seu corpo, úmido e quente, pressionou contra o meu, impedindo que eu fugisse - senti o volume dele. Suas mãos me seguraram pela cintura e pelos quadris. Ele apertava seu corpo contra o meu. Suas mãos subiram por baixo da minha blusa molhada, mas não pararam para pegar meus peitos, subiram completamente até tirar a blusa, e eu levantei meus braços para facilitar. Seus lábios desceram pelo meu pescoço, e eu vi que, inconscientemente, havia colocado minha mão na nuca dele, puxando-o contra mim. Eu ofegava em silêncio, sem pensar em nada além daquela boca, aquele peito, aquela maneira de me segurar como se ele não pudesse parar mesmo se quisesse.
E eu também não queria.
Com a boca, ele deixou meu pescoço para morder minha clavícula, e eu fiz força com a mão, guiando-o até meus seios. Ele entendeu a mensagem e dedicou alguns segundos a chupar meus mamilos e apertar meus peitos com suas mãos grandes. Eu estava sentada sobre a pia, com minhas pernas envolvendo ele, e senti seu membro duro, lutando para sair do confinamento. Quis ajudar a aliviar aquela pressão, então rapidamente soltei a calça dele e desci o zíper. Sem hesitar, num movimento só, agarrei a calça e a cueca e as deixei cair no chão. Como ele não largava meus mamilos, comecei a masturbá-lo, sentindo a pulsação na minha mão daquela carne quente, dura... madura.
Ele me tirou da pia, me virou de frente para o espelho, não só minha blusa caiu no chão, mas minha calcinha fio-dental também, enquanto ele apertava meus peitos por trás. Ele não perdeu tempo me masturbando ou procurando meu clitóris, e eu também não queria isso. Ele aproximou seu pau por trás, na minha virilha, ao mesmo tempo que eu me inclinava para facilitar as coisas. Ele começou a esfregar aquela deliciosa e latejante masculinidade em mim. Não sabia se ele só queria encharcá-la nos meus fluidos que escorriam aos montes ou se não conseguia acertar minha entrada. Qualquer que fosse a razão, estava me deixando louca. Choques percorriam minha coluna de um lado para o outro, minhas pernas tremiam, eu sentia o pau dele brincando com meus lábios vaginais, separando-os a cada esfregada. E de repente… Ohhhh, senti meu interior se abrindo para deixar esse convidado entrar, Julian deve ter notado o prazer em mim por aquele gemido.
Ele facilmente encheu meu interior com seu pau, a quantidade de lubrificação que eu soltava não deixava espaço para resistência. Começou com suas investidas fortes, sem cautela, cada uma delas se sincronizava harmonicamente com o som das minhas nádegas batendo no corpo dele. Eu gemei... gemei como há muito tempo não fazia, como há muito tempo não tinha um homem maduro dentro de mim.
—Desde que te vi, eu quis essa bunda — ele disse no meio do vai e vem, ou foi o que achei que ouvi, sem prestar muita atenção. No ritmo das bombadas, ele passou dois dedos pela minha buceta, sem tirar o pau de dentro. Depois passou eles pela minha bunda. Na hora eu soube o que ele tinha em mente. Sexo anal não era novidade pra mim, e mesmo não sendo meu favorito, eu estava disposta a deixar o Julián entrar ali. Ele tirou o pênis de mim, passou os dedos algumas vezes da minha vulva até o cu, tentando levar meus fluidos até lá. Tentei relaxar os músculos e facilitar o trabalho dele.
Quando chegou o momento, ele posicionou a ponta do seu pau, ainda encharcado nos meus fluidos, contra meu cu. Me agarrei na pia, levantei minha bunda e fechei os olhos. Julián começou a fazer pressão, suave mas constante. Uma dor deliciosa e suave começou a acompanhar. Senti, milímetro a milímetro, meu cu sendo forçado a se abrir. Gritos contidos lutavam para sair da minha boca. A dor aumentava, e cada milímetro que o Julián entrava em mim parecia ser o último, porque ele parava - coisa que eu agradecia - mas um ou dois segundos depois, voltava a fazer pressão.
Ele colocou a mão nas minhas costas, me pressionando contra a pia. Ficou imóvel por alguns segundos. Quis acreditar que ele fazia isso para me permitir me adaptar a esse novo invasor. Não foi assim, de repente o celular dele disparou, capturando a cena com uma foto.
—Você tem um rabo de puta da porra— foi a frase que ouvi logo antes de sentir aquele membro poderoso sendo retirado de mim, quase saindo completamente. Com a mesma velocidade com que saiu, ele voltou a entrar. Uma vez e outra. Arrancando gemidos de prazer a cada uma das investidas. Cada uma delas parecia ter mais força que a anterior. Aos poucos, não só a força aumentava, a velocidade também, então eu previa que o fim desse delicioso sofrimento logo chegaria.
Julián enfiou os dedos no meu cabelo, fechou o punho e puxou minha cabeça sem pena. Doía, mas não era uma dor que eu não aguentasse, que não quisesse sentir de novo.
—Abre os olhos, putinha — ouvi a ordem. —Olha essa cara de prazer, olha como essa bunda é minha—
A cena que vi no espelho embaçado foi espetacular, nenhum pornô conseguiria capturar uma atitude tão sexual. Meu rosto refletindo um cansaço evidente, meu cabelo molhado e desgrenhado caindo sobre meu rosto, minha boca incapaz de controlar a saliva que escorria, meus ojos expressando prazer a cada investida, tentando fechar sempre que o pênis do Julián atingia o fundo do meu intestino, meu corpo harmoniosamente destacando cada uma de suas curvas, debruçado sobre a pia, e ele... ao fundo ele, que vi com seu corpo tonificado, seus braços fortes segurando minha cabeça e meu quadril, justo no momento preciso em que seus olhos começavam a esbugalhar, suas veias no pescoço começavam a saltar e sua boca se abria para soltar um grunhido de prazer enquanto meu interior começava a sentir o calor da porra dele. Queria ter capturado essa cena em algo mais que minha mente.
Vesti um vestido de linho cor creme, justo na cintura, com um decote quadrado que deixava à mostra o início das minhas clavículas. As mangas caíam suavemente pelos meus ombros, e a barra terminava bem na metade da perna, suficientemente longa para ser "adequado", mas com o tecido leve o bastante para deixar a brisa brincar com meus movimentos. Sem sutiã — porque não precisava com esse corte — e com sandálias de couro de tiras finas que me faziam sentir gostosa sem muito esforço.
Achei que seria só mais uma noite. E, em parte, foi... mas também foi o começo de algo que eu não soube nomear na hora. Algo que começou a mudar a forma como eu olhava pra ele, mesmo que eu ainda não soubesse.
A casa do Julián parecia diferente naquela noite. As luzes do quintal pendiam entre as árvores como vagalumes imóveis, e a música suave preenchia os espaços entre as conversas. Era um encontro simples, com carne assando na churrasqueira e taças de vinho passando de mão em mão. O Andrés estava encantado. Eu, por outro lado, só estava me deixando levar.
Eu cumprimentei o Julián assim que chegamos, como sempre: com um sorriso cordial, nada mais. Durante a noite, as conversas entre os homens ficaram evidentes, e eu não tive outra escolha a não ser procurar algum grupo de senhoras não tão velhas com quem pudesse conversar. Em algum momento da noite, tentei escapar para o banheiro e me dedicar a algo mais emocionante, como olhar minhas redes sociais ou tirar uma foto no espelho. Ao sair, me deparei com o Julian,
—Como tá indo a reunião? — disse com sua voz grave enquanto passava por mim com uma taça de vinho na mão, desviando o corpo para me dar passagem e seguindo cada um seu caminho. Mas não consegui responder.
—Esse vestido devia vir com aviso —ele disse, sem me olhar diretamente, como se o comentário fosse casual, apenas jogado no ar. E depois se afastou, deixando seu cheiro —de madeira, de algo limpo e masculino— flutuando por alguns segundos atrás dele.
Ele me pegou de surpresa. Virei, procurando por ele, mas ele já estava conversando com outro grupo, como se não tivesse dito nada de errado.
De repente nossos olhares se cruzaram de longe, percebi que ele segurou meu olhar um segundo a mais do que o necessário. Não desviou o olhar. Não sorriu. Só me encarou, direto. Como se já soubesse algo que eu estava apenas começando a entender.
Naquele momento, me senti observada. Não assediada nem desconfortável... mas sim visível. Como se alguém tivesse acendido uma luz sobre mim, e essa luz viesse dele.
Tentei disfarçar.
Quando fomos embora, Julián se aproximou para se despedir. Apertou a mão do meu marido Andres com uma palmada firme e depois se virou para mim. Não houve toque. Não houve palavras de duplo sentido. Apenas manteve o olhar fixo em mim enquanto dizia:
Obrigado por vir.
Num dia qualquer ao meio-dia, encontrei-o em frente à sua casa, sozinho, regando as plantas do jardim. Eu estava saindo para jogar umas sacolas de reciclagem. Mal pisei na rua, ele me cumprimentou com aquela mesma voz grave e contida.
Parei um segundo.
—Você ficou muito gostosa naquele vestido no outro dia —disse, sem baixar o olhar. Não sorriu, não foi zombeteiro nem atrevido. Falou como se fosse um simples fato.
Meu estômago se contraiu.
—Obrigada —murmurei. Era a única coisa que consegui dizer. O olhar dele era tão direto, tão limpo, que me desarmou. Não era o tipo de homem que brincava com duplos sentidos. Ele dizia o que via. O que pensava. E isso, justamente isso, era o que me desconcertava.
Desde aquela conversação perto do jardim, alguma coisa dentro de mim tinha saído do lugar.
Comecei a reparar umas coisas. Que ela saía pra correr quando o sol tava forte lá fora.
Eu me arrumava mais para ir ao mercado. Me maquiava, pensando que ele poderia estar lá fora. Abria a cortina da sala com mais frequência. E quando ele me olhava do outro lado da rua, eu mantinha o olhar. Não fingia mais surpresa. Não desviava mais o olhar. Comecei a vê-lo pelo que ele era, um homem maduro que me deixava molhadinha criando fantasias.
Uma tarde, ao chegar do trabalho antes do Andrés, eu estava me dedicando a ser uma dona de casa ideal. A máquina de lavar barulhava na cozinha, o sol entrava morno pela janela. Me abaixei para pegar a roupa do cesto, distraída, quando ouvi uma batida suave na porta.
Abri.
Julián.
—Desculpa incomodar —disse —. Você tem um pouco de gelo aí? Acabei o meu e meu ombro tá meio travado.
—Claro, espera um segundo —falei, e me virei para entrar.
Senti os olhos dele em mim. Senti mesmo. Sabia que ele estava me olhando de cima a baixo, meu uniforme de trabalho já todo amarrotado, do qual eu mal tinha tirado os saltos.
Fui até a cozinha, peguei um saco de gelo do congelador e voltei. Ao entregar para ela, nossos dedos se tocaram de leve. Um segundo. Uma descarga.
—Obrigada, vizinha —disse ele, e ficou ali um segundo a mais do que o necessário. Vi que seus olhos desciam. Não de forma vulgar, não como um homem qualquer. Desciam para me olhar. De verdade.
E pela primeira vez, não me escondi. Não me mexi. Só encarei ele de volta.
— Você tá bem? — perguntou, como se tivesse percebido algo na minha expressão.
—Eu tô… —me interrompi—. É. Só surpresa mesmo.
Talvez excitada fosse a palavra mais adequada para o momento.
—Por quê?
—Porque eu não estava esperando visitas.
Ela sorriu, como se entendesse mais do que eu estava dizendo.
—Eu também não esperava ficar sem gelo.
E com isso, ela se virou. Caminhou até sua casa sem pressa. Eu fechei a porta com as mãos trêmulas e o coração batendo forte no peito.
Não aconteceu nada. De novo, nada. Mas esse "nada" começava a se encher de tudo.
A chuva caía. Não era forte, mas era constante, como se o céu estivesse se dando ao luxo de nos fazer sentir cada gota. A janela estava ligeiramente aberta e o som da chuva no telhado me hipnotizara a tarde toda. Ouvi uns latidos bem quando eu terminava de sair do banho. Eram insistentes, urgentes. Me enrolei como pude numa toalha e fui até a janela. Lá estava meu cachorro, Max, todo molhado, se agitando na frente do jardim do Julián, um Yorkshire Terrier latindo como se estivesse defendendo sua honra diante de um pastor alemão que o olhava com desprezo por trás do portão.
Eu não tinha ideia de como ele tinha escapado. Ainda sem terminar de me secar, coloquei uma calça de moletom e uma blusa, abri a porta pra sair correndo, mas trombei com uma silhueta na entrada. Era o Julián. Com o Max no colo como uma criança, os dois encharcados.
—Ele enfiou até a entrada e não parava de latir — disse, sorrindo, sua voz um pouco abafada pela chuva —. Achei melhor trazê-lo de volta antes que ele armasse uma confusão.
—Desculpa —eu disse, rindo nervosa—. Não sei como isso saiu.
—Não se preocupe. Não é a primeira vez que um cachorro me mete em encrenca.
Nos olhamos por alguns segundos. O som da chuva lá fora preenchia os silêncios. Julián estava a um passo de mim, sua respiração mais ofegante que o normal, e eu ainda tinha o cabelo úmido do banho e a roupa colada ao corpo por causa da umidade da pele com que a vesti na pressa de sair correndo.
—Quer uma toalla? —ofereci, me virando pela metade.
—Ou pelo menos um guarda-chuva —disse, me seguindo.
—Melhor uma toalha. Você está encharcado.
Entrou. Fechei a porta.
Me adiantei ao banheiro e voltei com uma das toalhas grandes e brancas. Estendi-a para ela. Ela pegou sem tirar os olhos de mim. Seus dedos roçaram os meus. O toque foi leve, mas me fez inspirar mais fundo do que eu gostaria.
— Obrigada — ela disse, mas não se secou imediatamente. Me olhou de cima a baixo. Não de forma descarada, mas atenta. Como se estivesse me vendo de verdade pela primeira vez. E eu… eu já não conseguia mais fingir que não tinha notado antes. Aquele corpo. Aquela maneira calma de falar. Aquela tensão invisível toda vez que estávamos perto e nada acontecia.
—Quer se secar no banheiro? —perguntei. Não reconheci minha própria voz.
Ele balançou a cabeça em negação. Deixou a toalha em cima da mesa e deu um passo. Depois outro. Eu não recuei.
Quando ele ficou na minha frente, me olhou com uma intensidade contida. Sua mão tocou minha bochecha, de leve. Não foi brusco. Foi um teste. E eu não me afastei.
—Você sabe que eu não deveria estar aqui —murmurou, a voz baixa, rouca.
—Eu também não —sussurrei.
Não teve outra permissão. Nem mais dúvidas.
Ele me beijou com força, como se estivesse se segurando há semanas. Minhas costas bateram na parede. Seu corpo, úmido e quente, pressionou contra o meu, impedindo que eu fugisse - senti o volume dele. Suas mãos me seguraram pela cintura e pelos quadris. Ele apertava seu corpo contra o meu. Suas mãos subiram por baixo da minha blusa molhada, mas não pararam para pegar meus peitos, subiram completamente até tirar a blusa, e eu levantei meus braços para facilitar. Seus lábios desceram pelo meu pescoço, e eu vi que, inconscientemente, havia colocado minha mão na nuca dele, puxando-o contra mim. Eu ofegava em silêncio, sem pensar em nada além daquela boca, aquele peito, aquela maneira de me segurar como se ele não pudesse parar mesmo se quisesse.
E eu também não queria.
Com a boca, ele deixou meu pescoço para morder minha clavícula, e eu fiz força com a mão, guiando-o até meus seios. Ele entendeu a mensagem e dedicou alguns segundos a chupar meus mamilos e apertar meus peitos com suas mãos grandes. Eu estava sentada sobre a pia, com minhas pernas envolvendo ele, e senti seu membro duro, lutando para sair do confinamento. Quis ajudar a aliviar aquela pressão, então rapidamente soltei a calça dele e desci o zíper. Sem hesitar, num movimento só, agarrei a calça e a cueca e as deixei cair no chão. Como ele não largava meus mamilos, comecei a masturbá-lo, sentindo a pulsação na minha mão daquela carne quente, dura... madura.
Ele me tirou da pia, me virou de frente para o espelho, não só minha blusa caiu no chão, mas minha calcinha fio-dental também, enquanto ele apertava meus peitos por trás. Ele não perdeu tempo me masturbando ou procurando meu clitóris, e eu também não queria isso. Ele aproximou seu pau por trás, na minha virilha, ao mesmo tempo que eu me inclinava para facilitar as coisas. Ele começou a esfregar aquela deliciosa e latejante masculinidade em mim. Não sabia se ele só queria encharcá-la nos meus fluidos que escorriam aos montes ou se não conseguia acertar minha entrada. Qualquer que fosse a razão, estava me deixando louca. Choques percorriam minha coluna de um lado para o outro, minhas pernas tremiam, eu sentia o pau dele brincando com meus lábios vaginais, separando-os a cada esfregada. E de repente… Ohhhh, senti meu interior se abrindo para deixar esse convidado entrar, Julian deve ter notado o prazer em mim por aquele gemido.
Ele facilmente encheu meu interior com seu pau, a quantidade de lubrificação que eu soltava não deixava espaço para resistência. Começou com suas investidas fortes, sem cautela, cada uma delas se sincronizava harmonicamente com o som das minhas nádegas batendo no corpo dele. Eu gemei... gemei como há muito tempo não fazia, como há muito tempo não tinha um homem maduro dentro de mim.
—Desde que te vi, eu quis essa bunda — ele disse no meio do vai e vem, ou foi o que achei que ouvi, sem prestar muita atenção. No ritmo das bombadas, ele passou dois dedos pela minha buceta, sem tirar o pau de dentro. Depois passou eles pela minha bunda. Na hora eu soube o que ele tinha em mente. Sexo anal não era novidade pra mim, e mesmo não sendo meu favorito, eu estava disposta a deixar o Julián entrar ali. Ele tirou o pênis de mim, passou os dedos algumas vezes da minha vulva até o cu, tentando levar meus fluidos até lá. Tentei relaxar os músculos e facilitar o trabalho dele.
Quando chegou o momento, ele posicionou a ponta do seu pau, ainda encharcado nos meus fluidos, contra meu cu. Me agarrei na pia, levantei minha bunda e fechei os olhos. Julián começou a fazer pressão, suave mas constante. Uma dor deliciosa e suave começou a acompanhar. Senti, milímetro a milímetro, meu cu sendo forçado a se abrir. Gritos contidos lutavam para sair da minha boca. A dor aumentava, e cada milímetro que o Julián entrava em mim parecia ser o último, porque ele parava - coisa que eu agradecia - mas um ou dois segundos depois, voltava a fazer pressão.
Ele colocou a mão nas minhas costas, me pressionando contra a pia. Ficou imóvel por alguns segundos. Quis acreditar que ele fazia isso para me permitir me adaptar a esse novo invasor. Não foi assim, de repente o celular dele disparou, capturando a cena com uma foto.
—Você tem um rabo de puta da porra— foi a frase que ouvi logo antes de sentir aquele membro poderoso sendo retirado de mim, quase saindo completamente. Com a mesma velocidade com que saiu, ele voltou a entrar. Uma vez e outra. Arrancando gemidos de prazer a cada uma das investidas. Cada uma delas parecia ter mais força que a anterior. Aos poucos, não só a força aumentava, a velocidade também, então eu previa que o fim desse delicioso sofrimento logo chegaria.
Julián enfiou os dedos no meu cabelo, fechou o punho e puxou minha cabeça sem pena. Doía, mas não era uma dor que eu não aguentasse, que não quisesse sentir de novo.
—Abre os olhos, putinha — ouvi a ordem. —Olha essa cara de prazer, olha como essa bunda é minha—
A cena que vi no espelho embaçado foi espetacular, nenhum pornô conseguiria capturar uma atitude tão sexual. Meu rosto refletindo um cansaço evidente, meu cabelo molhado e desgrenhado caindo sobre meu rosto, minha boca incapaz de controlar a saliva que escorria, meus ojos expressando prazer a cada investida, tentando fechar sempre que o pênis do Julián atingia o fundo do meu intestino, meu corpo harmoniosamente destacando cada uma de suas curvas, debruçado sobre a pia, e ele... ao fundo ele, que vi com seu corpo tonificado, seus braços fortes segurando minha cabeça e meu quadril, justo no momento preciso em que seus olhos começavam a esbugalhar, suas veias no pescoço começavam a saltar e sua boca se abria para soltar um grunhido de prazer enquanto meu interior começava a sentir o calor da porra dele. Queria ter capturado essa cena em algo mais que minha mente.
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