Acordamos com o sol já alto, entrando pelas persianas. Ana me deu um beijo preguiçoso e levantou primeiro. – Vou fazer café. Você põe as torradas, vai – falou da porta, com aquela voz mandona que eu adoro. Tomamos café na varanda, falando besteira, do calor que tava fazendo, de como dormimos bem. Eu saí pra correr meu caminho de sempre pelo bairro. Quando voltei, suado e ofegante, a casa tava em silêncio. Subi, nada. Olhei pela janela do jardim e vi ela: Ana na grama, conversando com um cara que eu não conhecia. Alto, uns 50 anos, camisa aberta, bermuda, pele bronzeada de trabalhar no sol. Era o jardineiro do bairro, o que passava duas vezes por semana pra cortar a grama e cuidar das plantas. Tava agachado podando um arbusto e Ana, de short curto e camiseta justa, falava animada, rindo de algo que ele dizia. Desci rápido, ainda com a roupa de correr. Quando cheguei perto, o jardineiro me viu e levantou, limpando as mãos na bermuda. – Bom dia – falou com voz grossa e sorriso largo –. Sou Manuel, o que cuida dos jardins do condomínio. – Alfredo – respondi apertando a mão dele. Ele apertou forte, com calos de trabalho. Não gostei do jeito que ele olhou pra Ana quando nos apresentou. – Sua mulher tava me contando que vocês são novos – ele disse –. Se precisarem de ajuda com as plantas ou algo, tô por aqui. – Valeu – falei seco, colocando a mão na cintura de Ana. Ana me olhou estranho, mas continuou sorrindo. – Manuel disse que esse arbusto precisa de mais sol, que a gente transplante pro outro lado – explicou ela. – Legal – respondi sem muito entusiasmo. Manuel continuou trabalhando, mas não parava de falar com Ana: que o calor, que as flores, que no ano passado teve uma praga. Ana se abaixava pra ajudar ele a juntar folhas, a bunda empinada, os peitos marcados quando se inclinava. Ele não disfarçava, olhava toda vez que podia. Senti aquele aperto clássico. Ciúme. Mas também aquela outra coisa, a que me deixava duro. Sentei numa cadeira. do jardim fingindo olhar o celular, mas observando. Daí a pouco Manuel se aproximou de Ana com uma mangueira pra regar. – Me ajuda a segurar isso? – pediu. Ana pegou a mangueira, ele abriu a torneira. O jato saiu forte e respingou um pouco nela. Ana riu, a camiseta molhou e marcou os bicos dos peitos. Manuel pediu desculpa, mas ficou olhando fixo. – Sem problema – disse ela –. Com esse calor até que é bom. Eu, da cadeira, já com o pau meio duro, sem saber se metia a cara ou deixava rolar. Manuel terminou o serviço, se despediu com um “até semana que vem” e um olhão pra Ana. Quando ele foi embora, ela veio até mim. – Simpático o jardineiro, né? – Sim, muito simpático – respondi irônico. – Ciumento? – perguntou sentando no meu colo. – Um pouco – confessei –. Não parava de olhar tua bunda quando você se abaixava. – E isso te incomoda? – perguntou roçando a bunda no meu volume. – Me incomoda… e me excita – admiti. – Ah, é? – disse notando que eu já tava duro –. Então se quiser, da próxima vez que ele vier peço pra ele me ensinar a podar… de quatro. – Porra, Ana… – Você gostaria? – perguntou baixinho, rebolando devagar. – Ia morrer de ciúme… e gozar só de pensar – confessei. Ana riu, me deu um beijo longo. – Você é um caso. Vamos tomar um banho, que com esse calor e tuas ideias já tô suando de outro jeito. Subimos, tomamos banho juntos. Debaixo d’água, com sabão, comi ela contra a parede, pensando no Manuel olhando ela abaixada. Ana gemia mais alto que o normal, como se também imaginasse. Depois deitamos na cama um tempo, pelados, o ventilador girando. – Você realmente ficaria de boa se o Manuel me olhasse mais? – perguntou de repente. – Sim… mas ia me foder também – respondi sincero. – Essa mistura é o que eu gosto em você agora – disse ela –. Antes você ficava sério e calado. Agora você fala… e me faz falar também. – E o que te faz falar? – Que me excita você ficar excitado – confessou –. Se te excita que me olhem… me excita que você fique excitado. Nós Ficamos em silêncio. Eu de pau duro de novo, ela com a mão roçando em mim. – Da próxima vez que o Manuel vier... vou pedir ajuda com o jardim dos fundos – ela disse por fim. – E eu vou ficar olhando da janela – respondi. Rimos. Mas os dois sabíamos que não era só brincadeira. De tarde, descemos pra piscina. O Manuel já não estava, mas o Rafael e o Luís estavam. E os olhares voltaram. E o ciúme. E a excitação. O verão no bairro tava ficando cada vez mais quente. 😏
1 comentários - A Mudança... O Jardineiro... (parte 4)