Quer que eu foda sua vida?

Essa era a pergunta que chamou a atenção de Daniela, no meio da interminável enxurrada de mensagens do chat de sexo que ela entrou naquela noite.

Mais de mil usuários conectados ao mesmo tempo, muitos deles postando suas fantasias e pedidos na sala geral. As mensagens mal duravam alguns segundos na tela, pois eram substituídas por outras novas em uma velocidade alucinante.

Daniela nunca tinha entrado num chat assim. Mas estava sozinha, entediada e com tesão. O namorado dela tinha naquela noite a reunião anual dos ex-colegas de colégio e, muito provavelmente, chegaria bem tarde.

Claro que ele tinha convidado Daniela pra acompanhá-lo, mas ela já tinha ido a algumas dessas reuniões antes e achava exaustivas. A noite inteira rodeada de pessoas que não conhecia, fingindo interesse por histórias do passado que todas elas tinham compartilhado e que pra Daniela eram estranhas e sem graça, já que ela não sabia o contexto.

É claro que tinha outras garotas e garotos na mesma situação, parceiros dos ex-alunos que também se esforçavam pra se divertir numa festa organizada por uma galera que parecia determinada a deixá-los de fora das conversas cheias de piadas internas e detalhes que só quem viveu conhecia. Não, definitivamente, Daniela não tinha naquela noite energia social suficiente pra tentar pelo menos fazer amizade com esses parceiros que também estavam lá obrigados.

Então ela ficou em casa e, depois de ler um pouco e ver alguns episódios de uma série, tentou dormir. Meia hora depois, ainda estava com os olhos arregalados, olhando pro teto na penumbra. Sorriu pra si mesma e pensou: "ok, você venceu, buceta, vou me masturbar e depois você me deixa dormir, tá?"

Ligou o notebook e procurou um pornô. Mas todos os vídeos que ela clicava também pareciam distantes. Era a mesma coisa que se tivesse ido pra aquela reunião. Gente se divertindo e ela de fora. Casais, trios e grupos de pessoas transando na própria festa privada deles. que Daniela só podia observar tudo.

Aí veio a ideia: um chat de sexo. Encontrar alguém que descrevesse uma boa transa, que fizesse ela gozar enquanto lia as putarias que mandavam pra ela.

Enquanto clicava no link do primeiro resultado do Google e escolhia seu nick (Entediada_e_ComTesão), ela se perguntou se aquilo não era muito parecido com uma traição. Onde colocar o limite? Ver pornô era traição? Não. Se masturbar fantasiando com outras pessoas? Mmmm, acho que não. Todo mundo tem fantasias. Foder virtualmente com um desconhecido? Bom, é só texto, Daniela não pretendia passar fotos nem vídeos. Era como ler um conto erótico. Será que ler um conto não é uma forma de foder com o autor?

Ela ainda tinha dúvidas, mas tava com tesão demais. Talvez pudesse procurar alguém só pra ter uma conversa mais quente, como se fosse uma amiga íntima com quem comentar a vida sexual e as fantasias.

É, isso não era traição, decidiu Daniela. E clicou no botão "Entrar na sala".

Imediatamente se sentiu sobrecarregada pela montanha de mensagens que se acumulavam na sala geral, umas em cima das outras, mais rápido do que Daniela conseguia ler. Em poucos minutos, também recebeu mais de uma dúzia de mensagens privadas de caras que, ela deduziu, estavam jogando charme pra qualquer nick que parecesse minimamente feminino. Todos eram extremamente chatos, sem criatividade ou diretamente degradantes. "Porra de pervertidos", pensou Daniela, que nem se deu ao trabalho de responder.

Em vez disso, focou em escanear as mensagens da sala geral, procurando alguma que chamasse a atenção. Não sabia exatamente o que queria. Saberia quando encontrasse.

O conjunto de mensagens que passavam diante dos olhos dela era um bom resumo das perversões mais pesadas dos seres humanos. Amos e amas procurando submissos/as pra dominar, enquanto esses últimos imploravam pra ser dominados pelos primeiros. Havia mensagens abjetas de pessoas pedindo para serem insultadas, humilhadas e tratadas como lixo. Alguns trolls zoando os desejos dos outros. E, claro, para desgosto da Daniela, não faltavam os miseráveis que buscavam fantasias proibidas.

E no meio daquela bagunça de mensagens cheias de erro de português, vulgares, nojentas e escritas com uma mão só, Daniela reparou numa fascinante pela simplicidade.

"Quer que eu arruíne sua vida?", postado por alguém cujo nick era Sabequevocedeseja.

De alguma forma, aquela mensagem era ainda mais perturbadora e maldosa do que as que buscavam satisfazer fantasias depravadas, mas comuns.

Quem iria querer que um estranho arruinasse sua vida? O que aquilo tinha a ver com sexo? E o que era ainda mais ridículo: como é que esse estranho achava que ia arruinar alguma coisa só escrevendo mensagens num chat de merda?

Daniela tentou esquecer e continuar procurando algo que a excitasse. Mas depois do enésimo direct daquele tipo "oi, puta, o que você tá vestindo?", ela se cansou. Decidiu pelo menos matar a curiosidade e responder pra Sabequevocedeseja. Podia ser um pervertido patético com desejos absurdos, mas pelo menos parecia inteligente e interessante o bastante pra se destacar dos outros usuários.

-Oi, não sei por que, mas seu post me chamou a atenção, o que você quer dizer exatamente com arruinar a vida de alguém?

-Oi, Entediada_e_ComTesão, primeiro e por segurança, me diz sua idade e identidade sexual, eu tenho 46 anos e sou homem cishetero.

Aquilo agradou Daniela. Sabequevocedeseja podia ser um pervertido sádico, mas pelo menos tinha uns princípios éticos.

-Tenho 24, sou mulher cishetero.

-Perfeito. Respondendo sua pergunta, quero dizer usar seus desejos e fantasias contra você, despertar pensamentos que você nem sabia que tinha e explicar como a corrupção e a decadência sexual são inevitáveis. E tudo isso você vai fazer por vontade própria. Eu não vou te mudar, nem Vou te dominar, só vou te fazer enxergar as coisas de uma nova perspectiva e talvez te dar um empurrãozinho na direção certa. Mas vai ser um empurrãozinho que só vai funcionar porque você deseja.

Daniela sentiu o coração acelerar. Ela tinha feito a pergunta de forma impessoal ("a que você se refere exatamente com arruinar a vida de alguém?"), mas ele respondeu diretamente, aludindo a ela. A cabeça dela dizia pra fechar o chat e ir dormir. Já a buceta dela queria saber mais. Pela segunda vez naquela noite, a buceta venceu.

— E como você faria isso?

— Antes de continuar, te aviso: vou te contar ideias machistas, misóginas, degradantes e até desumanizadoras. Se não quiser ouvir, cai fora agora. Entendo que cada pessoa evolui pra corrupção inevitável no seu próprio ritmo. Pode ser que você não esteja pronta pra conhecer seu destino... ainda.

"Ainda". Daniela ficava fascinada e enojada ao mesmo tempo com a segurança com que esse cara se expressava. "Isso não era o que eu procurava, queria sexo virtual e gozar, mas fazer o quê, é mais interessante que ver Netflix". Se acalmou olhando pro X no canto superior direito da janela. Se aquilo começasse a ficar desagradável, era só clicar nele e tchau SabesqueDesejas e a tal "corrupção inevitável". Então seguiu em frente.

— Também não sou uma puritana kkk. Conta essas ideias aí, vamos ver.

— Beleza, a primeira coisa que quero que você pense é na indústria automobilística.

— Uuuh que sexy e excitante kkkk

— Sei que não é, mas me acompanha por um momento, é só uma analogia pra você entender melhor o que vem a seguir.

Esse homem escrevia com tanta seriedade e profundidade que Daniela achou fora de lugar sua tentativa de humor pra amenizar o assunto. De repente se sentiu tímida e insignificante. Ela fazendo piadas enquanto ele se preparava pra explicar qual era o destino sexual dela. O melhor era deixar ele escrever e só intervir de vez em quando concordando ou confirmando que ela estava lendo. Logo, os parágrafos longos do Sabesquelodeseas ocupavam a tela inteira enquanto Daniela os lia com atenção.

— Pense em como os carros eram vendidos há décadas. Talvez você seja nova demais pra saber, mas antigamente, um carro vinha com o básico: quatro rodas, volante, câmbio, etc.

Com o tempo, os fabricantes foram adicionando extras: vidro elétrico, trava central, ar-condicionado... Se o comprador quisesse esses extras, tinha que pagar a mais do que pelo carro básico.

Até que essas inovações foram se tornando comuns. Eventualmente, os carros passaram a ser vendidos com essas funcionalidades de série. Um comprador já não aceitaria um carro sem vidro elétrico nem ar-condicionado. Elas se tornaram algo básico. Algo que se dá por garantido. E o mesmo aconteceu com o computador de bordo, o GPS, etc.

— Entendo.

— Do mesmo jeito, o sexo foi evoluindo. Na época dos seus avós, de uma garota como você se esperava que praticasse sexo com o parceiro. Sexo "normal". Sexo vaginal, beijos, amassos e pouco mais. Sim, com certeza tinha mulheres que chupavam a pica dos maridos, mas isso não era considerado sexo baunilha, e sim uma perversão.

— Você tem namorado?

— Sim, tenho.

— Pense em você. Nem preciso perguntar se você chupa a pica do seu namorado, tenho certeza que sim. Boquetes, cubanas (ou russas, como chamam em outros lugares) e até tapas na bunda são agora práticas comuns. São sexo baunilha. Nenhum homem vai ficar feliz e satisfeito com uma mulher que não as pratique.

E vou além. Eu sinto que uma gozada na cara ou sexo anal já estão começando a ser sexo baunilha também nas novas gerações. É bem provável que as garotas já venham "de série" aceitando receber paus na bunda e porra na cara. E curtindo isso.

— Sim.

— Quero que você se imagine de joelhos chupando a pica do seu namorado. Sexo baunilha. O certo. o normal, o básico, o mínimo exigível. Mas você não quer ser o mínimo exigível. Você quer dar muito prazer, quer ser uma garota especial pra ele, quer dar o melhor sexo que qualquer outra mulher que ele já conheceu. No começo você se esforça mais, melhora sua técnica. Mas não é suficiente. Como você pode dar mais de si mesma? A resposta é clara: se entregar mais. Se entregar aos desejos dele, às fantasias dele. O exemplo está aí, bem perto: o pornô.

O pornô foi evoluindo como os carros. O que era básico antes agora é insuficiente. Precisa de mais degradação, mais perversão, mais extremo.

Nesse ponto, Daniela já estava completamente absorvida. Imaginava vividamente a situação proposta. Ela de joelhos, chupando a pica do namorado e... desejando mais degradação, mais perversão, mais extremo. Começou a se tocar enquanto continuava deixando a mente ser fodida por Sabesquelodeseas. Suas mãos abandonaram o teclado para se concentrar nos peitos. Não precisava escrever mais. Aquele homem soltava parágrafo após parágrafo com a rapidez exata e sem deixar espaço pra réplica. Daniela não sabia o que responder. Daniela não precisava responder. Só continuar lendo e se tocando.

-Você olha pra ele nos olhos lá de baixo. Sente a humilhação, a inferioridade. Sua buceta escorre e você só quer mais. Você mesma pede: "Me humilha, me degrada".

Seu namorado reage como se as comportas de uma represa tivessem se aberto. Pensamentos e palavras reprimidos por anos agora têm via livre. Ele te chama de "puta", "gostosa", "chupadora de pica"... Você continua chupando. A pica dele invade sua boca cada vez mais. Você engasga, baba no queixo e nos peitos. Ele te dá tapas e cospe na sua cara. Você fica excitada. Você goza.

-Passam os meses e o sexo se mantém nessa intensidade. Os insultos são sexo baunilha agora. Os tapas são sexo baunilha agora. Os cuspes na cara são sexo baunilha agora.

Você repete as palavras dele. Se insulta sabendo que isso excita ele. "Sou uma puta", "sou uma foxy de merda", "sou seu depósito de porra".

Você sabe que é só um jogo safado. Sabe que não é uma puta e sabe que ele não pensa que você é uma puta. Depois do sexo, tudo volta ao normal entre vocês. Mas deixa eu te contar uma coisa sobre o subconsciente.

- O subconsciente não entende de sutilezas, de duplos sentidos, de jogos de papéis. O subconsciente absorve as ideias que recebe de forma literal. É assim que funciona a misoginia internalizada da sociedade. O pornô, a publicidade sexista, as piadas machistas, os videoclipes musicais coisificantes, as modas num vestuário feminino cada vez mais revelador... Tudo é internalizado pelo subconsciente e se infiltra involuntariamente nas nossas decisões, nas nossas atitudes e na nossa maneira de ver o mundo. Todos esses fatores contribuem para uma "pornificação" da sociedade e uma pressão crescente sobre as mulheres para que cumpram padrões sexuais cada vez mais duros, degradantes e extremos.

- Se tem um momento em que as barreiras mentais relaxam e a gente se permite mergulhar nos nossos desejos subconscientes, esse momento é o sexo. Então, toda essa misoginia internalizada vem à tona enquanto você chupa o pau dele, enquanto deixa ele te comer de cu, enquanto ele goza na sua cara. E tudo isso reforça a perversão do subconsciente e realimenta o processo. O pornô, a publicidade, as piadas, os videoclipes e a moda captam essa corrente subterrânea e a amplificam para chamar a atenção. Essa amplificação é captada de novo pelo seu subconsciente e o ciclo recomeça.

- As fronteiras do sexo baunilha são empurradas cada vez mais longe. Você é inferior. Todas são. Você é a escrava sexual dele. Ele é um macho que não se satisfaz com você. Precisa de mais putas. É natural. Algumas das suas amigas também têm o subconsciente podre e cheio de desejos e instintos inconfessáveis. A sociedade está "pornificada", faz tempo que você reconheceu esse anseio no olhar de um par de amigas. ô, colegas de trabalho. Você vai transformá-las em putas delas também. Só precisam de um empurrãozinho.

- Ficar de joelhos ao lado de outra vadia compartilhando a pica do seu amo é sexo baunilha agora. Passar o esperma dele de boca em boca é sexo baunilha agora. Dar tapas e cuspir uma na outra pra entreter ele é sexo baunilha agora.

- Não basta ter duas ou três putas satisfazendo seu amo de vez em quando. Ele precisa de um harém. Uma coleção de cachorras que largaram os estudos ou o trabalho, sempre disponíveis, morando na casa dele, limpando, cozinhando, chupando, fodendo. Mas manter sete ou oito putas é caro. Não é só comida e cama, é um estilo de vida saudável pra manter os corpos fodíveis, é maquiagem, perfume e roupa sexy pra agradar os sentidos do amo.

- Vocês poderiam arrumar empregos normais de meio período, mas... o dia a dia de vocês já é só luxúria e submissão, desejo de degradação sexual, cumprir o papel de vocês na sociedade "pornificada". Então as escolhas de vocês são claras. Durante vários meses, vocês vão trilhando o caminho esperado: shows sexuais por webcam, vídeos personalizados no onlyfans e, por fim, estreia no pornô convencional.

Até aí iria a trajetória de uma garota atraente, ousada e com vontade (ou necessidade) de ganhar dinheiro; pelo menos até pouco tempo atrás.

- Mas tudo isso... Tudo isso é o básico. Fazer parte de um harém é sexo baunilha agora. Transmitir por webcam pra centenas de homens gozarem olhando pra você é sexo baunilha agora. Virar pornô é sexo baunilha agora.

Você é uma slut. Uma palavra com vários significados. Mas o subconsciente não entende de significados, só da pureza etimológica. Uma slut é uma slut. Mulher que aluga o corpo por dinheiro, muitas vezes sem ter muito controle sobre quem é ou não é cliente. Se pagar, fode você. É simples. Uma noite você cruzou a linha. Você já é uma prostituta. uma qualquer, uma vagabunda, uma puta, uma biscate.

—Não pense que seu dono está imune à decadência sexual que inunda o mundo. Ele também caiu do jeito dele. Na verdade, foi você quem o arrastou pra baixo. Você transformou um namorado fiel, generoso e respeitoso num macho dominante, um deus egoísta. Quando te olhavam, os olhos deles viam uma companheira de vida, um ser humano pra respeitar e admirar. Agora só veem um pedaço de carne com dois peitos e três buracos pra encher de porra.

—Não mudou só na cabeça, não. Vocês mantêm o seu dono, que não precisa trabalhar. Então ele ficou preguiçoso. Engordou, largou mão da aparência e da higiene. Mas que diferença faz? São as mulheres que têm que se cuidar e se arrumar pra serem fodíveis. Um homem só precisa de uma coisa pra que sua puta se entregue a ele: uma pica. Não importa o tamanho ou o desempenho. É uma pica, então tem o direito de entrar dentro de você.

O seu dono usa a puta que ele quiser naquele dia. Talvez, se tiver sorte, ele resolva usar várias ao mesmo tempo. Vocês não sentem ciúmes. Primeiro porque é um sentimento muito pouco favorecedor, e segundo porque vocês têm consciência do seu pouco valor. O simples fato de o seu dono conceder a honra de usar vocês de vez em quando já realiza os sonhos de vocês.

—Mas logo volta aquela velha inquietação. Você não quer ser sexo baunilha. Você quer ser a melhor puta dele. Alegrar ainda mais a vista dele, dar mais prazer no sexo, ganhar mais dinheiro pra ele quando se prostitui. Só tem um jeito: melhorar como puta, se atualizar, evoluir. E esse processo tem duas faces: modificar seu corpo e sua mente. Implantes, cirurgias estéticas, mudanças no guarda-roupa, maquiagem, acessórios e cor de cabelo. E ao mesmo tempo: hipnose, lavagem cerebral, treinamento de puta e edging.

—O edging é especialmente eficaz. Horas e horas de masturbação contínua, negando a si mesma os orgasmos. Depois de vários meses, você mal consegue pensar em outra coisa além de sexo. E no coisas que você seria capaz de fazer para conseguir a permissão do seu dono para gozar.

Mas logo, as outras putas do harém te imitam. Em breve, mais que um harém, vocês são uma coleção de bonecas de plástico e com quase a mesma capacidade intelectual que se esperaria delas.

-Mas ser uma slut bimbo estúpida é sexo baunilha agora. O dono está orgulhoso de suas bonecas e dá uma festa em casa para exibi-las aos amigos. Vocês recebem tarefas: algumas vão oferecendo bandejas com comida e bebidas enquanto levam tapas na bunda e apalpadas nos peitos com um sorriso. Outras vão dançar no centro da sala e fazer um show lésbico. Claro, também vão ter buracos de uso livre no chão de quatro, prontas para os convidados usarem e compartilharem como quiserem.

Daniela lia tudo enquanto entrava num estado de paroxismo sexual. Estava prestes a gozar. Nunca na vida tinha estado tão tesuda.

Você sabe que deseja continuou:

-Esse é o seu futuro. Esse é o futuro da humanidade. É inevitável. Agora posso falar com você sem rodeios. Isso é uma armadilha. E você caiu nela. O mais excitante e morbidamente gostoso de tudo é que, mesmo agora, quando estou te dizendo na cara claramente que estou te fazendo cair numa armadilha para arruinar sua vida, você continua aqui, Entediada_e_Tesuda...

Presumo que você esteve lendo tudo isso, vejo que não se desconectou nem me bloqueou. Também presumo que não escreveu nada porque está muito ocupada se masturbando. Me diga, Entediada_e_Tesuda, qual é o seu nome?

-Eu me chamo Daniela.

-Muito bem, Daniela. Sua vida está prestes a começar seu processo de ruína. Goza e sela teu destino. Ser uma propriedade e um objeto para usar, quebrar e jogar no lixo é sexo baunilha agora. Receber na pele fluidos e excrementos é sexo baunilha agora. Planejar maneiras de arrastar mais mulheres para a ruína total é sexo baunilha agora.

O que você faria a seguir? Que novas perversões você inventaria para não Ser baunilha? Será que esse poço de imundície e decadência tem fundo?

Goza, Daniela. Começa hoje a arruinar a sua vida.

Exatamente quando ela terminava de ler isso, ouviu a porta de casa se abrir. O namorado entrou em silêncio, caso Daniela estivesse dormindo. Mas a encontrou sentada na cama, na frente do notebook, se masturbando furiosamente. Ele ficou imóvel, surpreso não tanto por ter pego ela se masturbando, mas porque ela não fez nenhum gesto de parar, se cobrir ou se desculpar morrendo de vergonha. Em vez disso, Daniela olhou para o namorado de um jeito febril e disse:

— Por favor, preciso chupar sua pica, me chama de puta de merda, cospe em mim, me dá tapas, me fode mente, corpo e alma... Arruína minha vida!

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