Enzo apareceu no dia seguinte. Sim, outro "presentinho" do Fabricio. O desgraçado me contou depois que, a contragosto, eu aceitei ter o garoto em casa. Óbvio, castiguei ele sem sexo naquela noite. Mesmo assim, tava feliz, porque sabia que tinha me convencido de algo que normalmente eu não me deixaria convencer. Era um cara legal, mas também meio manipulador. E sempre usava aquela pose de cachorrinho ferido pra conseguir o que queria.
No sábado à tarde, a campainha tocou e lá estava o Enzo.
Suado, com a camiseta colada no corpo feito segunda pele, uma mochila atravessada no ombro e um sorriso meio sem vergonha. Era alto. Muito alto. Eu, com meu um metro e cinquenta e cinco, olhei pra ele como se tivesse na frente de um poste de luz. Chuto que um metro e noventa, fácil. Era uma muralha humana.
Moreno, de pele tostada e curtida, com marcas de sol que pareciam contar a história dele. Traços duros, sérios. Mas quando me viu saindo, sorriu. E foi como se o rosto inteiro mudasse, se iluminando.
— Oi, tia — ele falou.
Tia? Me surpreendeu me chamar assim, mas fazer o quê… tecnicamente, tinha um pouco disso. Embora aquele título soasse quase grotesco ao imaginar que agora eu ia cumprir um papel mais parecido com o de uma madrasta improvisada. Uma loucura.
Abri o portão, cumprimentei ele com um sorriso educado. Ele colocou a mão na minha cintura, uma mão dura, calejada, de trabalhador. Apertou de leve, mas foi o suficiente pra me percorrer uma faísca estranha pelo corpo. Senti o cheiro de suor misturado com algo indefinível, intenso, e quando olhei de perto percebi: ele tinha olhos verdes.
— Vem — falei, apontando pra entrada.
Fabricio nos esperava na porta. Se cumprimentaram com um abraço desajeitado, conversaram um pouco. Eu fiquei ali, olhando pra eles, como se a cena não tivesse nada a ver comigo.
De cara, me pareceu meio bruto, quase desagradável… se não fosse por aqueles olhos e por aqueles músculos tensos que pareciam prestes a rasgar o pano da camiseta.
Entramos na casa. casa. Fizemos um mini tour: a sala, a cozinha, o quintal. Quando ele viu a piscina cheia, o rosto dele se iluminou igual criança. Fiquei com vontade de falar “calma, Tarzan, não é pra tanto”.
Tinha algo nele que me incomodava. Uma espécie de atitude folgada, cheia de confiança. Não era uma falta de respeito escancarada, mas dava pra perceber no jeito que ele se posicionava, no jeito que me olhava. E não era exatamente o olhar de um sobrinho pra tia.
Eu tava usando um vestido florido, justo na cintura, com o cabelo preso num coque baixo e os lábios pintados de um vermelho intenso. Sempre gostei de me vestir pra chamar atenção. Não concordo com essa história de se vestir diferente dependendo do contexto, porque acho uma hipocrisia. O vestido marcava minha bunda, e sei que de alguns ângulos dava pra ver a calcinha fio dental desenhada no tecido. Também não tava usando sutiã. Gostava de dizer pra mim mesma que ninguém tinha que ficar me olhando, mas agora que o Enzo desviava os olhos pros meus peitos marcando no tecido, me arrependia de não ter colocado um sutiã.
Agora que eu conhecia ele, que via os gestos, os olhares, enquanto ele conversava animado com meu namorado, caiu a ficha: um moleque de 18 anos, cheio de hormônio, morando na mesma casa que eu… Era óbvio que ele não ia me olhar como uma tia, né.
— Vem, vou te mostrar teu quarto — falou o Fabrício.
A gente tinha combinado que ele ia passar pro meu quarto, pra deixar o cômodo pro Enzo. O que significava que eu ia dividir o mesmo espaço com meu namorado, coisa que eu não curtia, mas fazer o quê. Já de cara, o cara tava quebrando meus costumes.
Dois meses, repeti na minha cabeça. Só dois meses. Tem que ter paciência, Delfi.
— E aí, o que cê achou? — me perguntou o Fabrício de noite, na cama, passando a mão na minha cabeça.
— Um bichinho selvagem — respondi, sem filtro.
Ele deu uma risada.
— Não seja malvada.
— Não sou malvada, é a verdade. Mas também, não sou tão preconceituosa assim. Não tô dizendo que todo moleque de quebrada é igual… Mas, sei lá, me pareceu estranho.
—Bom… não imaginava que ele ia ser tão favelado — admitiu Fabricio —. Juan Carlos não era assim. Era um cara humilde, sim, mas educado. Classe média baixa. Também não achei que o filho dele ia sair com esse vocabulário.
A imagem do Enzo veio na minha cabeça. Aqueles gestos brutos: abria as portas com um puxão como se fosse arrancá-las, coçava a cabeça com a palma da mão inteira igual um cachorro molhado e cuspia pro lado quando ninguém tava olhando, com aquele ar de "aqui quem manda sou eu". Tinha soltado frases tipo "Onde é que eu mando o rango pra dentro?" ou "E aí, qual é a desse bairro, onde é que rola a bagaceira?" que me fizeram segurar o riso pra não ser sem noção.
Olhei pro Fabricio, que parecia estar numa espécie de dilema moral. Como bom progressista de Buenos Aires, se sentia obrigado a tolerar tudo, mas eu percebi que o Enzo tinha intimidado ele um pouco. Não que o moleque fizesse algo de errado, mas tinha modos rústicos e aquele jeito de falar que te choca de cara.
Fabricio deslizou a mão pela minha perna, tentando me distrair.
—É bom isso de dormir junto — ele disse.
—Não, não é bom — respondi —. É um imperativo social bem besta. O mais confortável é dormir separado, como a gente fazia antes.
—Bom… são só dois meses — insistiu, acariciando a parte interna das minhas coxas por baixo da camisola de seda que eu tava usando.
—É, só dois meses — murmurei, me afastando da mão dele —. E espero que passem rápido.
Levantei da cama.
—O que cê vai fazer? — ele perguntou, confuso.
Tirei a camisola e peguei um biquíni pra pular na piscina.
—Vou nadar — falei, enquanto vestia a parte de cima —. Não vou mudar meus hábitos por causa dele.
—Não, claro — ele disse, mas me olhou com cara de medo, como se pressentisse que, ao menor comentário imprudente, eu ia descontar nele —. Tá calor, tá gostoso pra nadar — completou depois, como quem se convida pra piscina.
Fulminei ele com o olhar, porque sabia que meu nado noturno era um ritual. Meu momento sagrado.
—Mas é melhor eu ir ver um filme que me recomendaram — se desculpou na hora, resignado, se acomodando na cama.
Saí do quarto, atravessando a sala e a cozinha no escuro. Abri a porta do fundo. O quintal estava mal iluminado, uma luz fraca caía sobre a piscina. E aí eu vi ele.
Enzo.
Estava na água, parado, com aqueles olhos verdes brilhando na penumbra. Me olhava como um predador medindo a presa. E sim, já tinha pegado ele várias vezes me lançando aqueles olhares carregados de luxúria, como se meu corpo fosse um pecado que ele queria morder. Parecia especialmente obcecado pela minha bunda, como quase todo homem, mas nele tinha algo mais intenso, quase animal.
Respirei fundo, tentando não demonstrar nada, mas fiquei séria pra ele entender que eu percebia como ele tava me varrendo as tetas com o olhar.
— Não sabia que você tava aqui — falei, mais nervosa do que gostaria de me sentir.
— É que não conseguia dormir — ele disse, com aquela voz grave e relaxada, apoiado na borda da piscina —. Essa mudança de mundo é um bagulho, sabe? Tô achando difícil me acostumar com esse bairro… bah, sei lá. Mas dizem que a gente sempre se acostuma com as coisas boas.
Eu olhei de lado, sem responder.
— Mas se quiser, vou embora, te deixo na sua — completou, levantando as sobrancelhas.
— Não, fica — falei, mais por educação do que por vontade.
A verdade é que queria ficar sozinha. Sentia aqueles olhos verdes flutuando sobre a água, me olhando com um desejo descarado. Isso me incomodava. E me irritava ainda mais que o Fabricio parecesse não notar nada… ou pior, que notasse e não ligasse.
Me aproximei da escadinha pra entrar na piscina. Assim que comecei a descer, o Enzo virou um pouco o corpo, como se me desse privacidade. Mas eu sabia que ele tava olhando minha bunda de lado.
— Pô, acabei de perceber que não tinha te agradecido — ele disse do nada, enquanto eu mergulhava —. Sou um idiota.
— Não se preocupa — respondi.
— Faz muito tempo que —Você namora o tio Fabri?
—Quase quatro anos —respondi seca, desconfortável. Tava ali de biquíni, sabendo que pra um cara como ele aquilo era praticamente um show erótico de graça.
—Olha só… deve ser muito louco, né? Eu aparecer assim, do nada. E você ter um sobrinho que nem conhece.
—É, acho que sim. Mas imagino que pra você também deve ser.
—Sim, óbvio. Esse bairro não tem nada a ver com o que eu morava. Lá é outra parada. Mas relaxa, assim que arrumar um trampo eu vazo.
—Acho que com o que você ganhar assim que conseguir trabalho não vai dar pra ir tão rápido —falei—. O melhor é arrumar um emprego o quanto antes, pra em uns meses já se virar sozinho.
—Uau… que sorte que o tio Fabricio tem —largou de repente.
—Sorte? —perguntei, erguendo as sobrancelhas.
—É… mora numa casa enorme dessas, com piscina… e com uma gostosa igual você.
Fiquei paralisada por um segundo.
—Uma gostosa igual eu? —repeti.
—Sim… uma gostosa inteligente, elegante, linda.
Não esperava que ele chegasse tão rápido, mas me fiz de sonsa. Dava pra levar como um simples elogio.
—Valeu… —falei—. Mas não sei se ele tem tanta sorte assim.
—Bom, isso não vou discutir. Mas… ele não é ciumento, né?
—Ciumento? Por que seria?
—Ué… com uma gostosa igual você… Pelo jeito que se veste.
Franzi a testa, irritada. Sabia que ele era meio troglodita, mas não esperava que falasse na cara, tão direto.
—E o que tem de errado no meu jeito de me vestir? —respondi, cruzando os braços debaixo d’água.
—Nada, pelo contrário, adoro. Mas se eu tivesse uma namorada assim, sei lá…
—É que nem todo mundo pode ter uma namorada como eu —soltei, encarando ele—. E além disso, as mulheres se vestem como bem entendem, tendo namorado ou não. Entendeu?
—Claro, claro… podem, podem —disse com um meio sorriso—. Mas por isso que falo que sorte o tio tem, porque com você do lado deve ter uns caras te olhando com vontade o tempo todo. Eu, se tivesse com Alguém assim devia me encher de porrada todo santo dia.
— Eu sei me defender sozinha — cortei, seca. — Não preciso que ninguém prove a masculinidade dele por mim.
— Isso eu não discuto — ele disse, sorrindo, enquanto começava a nadar ao meu redor.
Percebi que ele fazia círculos como um tubarão rodeando a presa. Me deixava desconfortável de propósito, tinha certeza.
— Bom… já vou indo — anunciou de repente. — Vou subir pela escadinha, caminhar até lá e pegar a toalha… sabe?
Olhei pra ele, confusa. Não entendia por que ele tava me contando tudo aquilo. Mas percebi o motivo assim que ele saiu da água: estava pelado.
Fiquei paralisada, de boca entreaberta.
O corpo dele, banhado pela luz fraca, parecia esculpido. Umas costas largas, com umas cicatrizes velhas, tipo de arranhões que não quis imaginar de onde vinham. Ombros marcados. Braços tensos, cheios de veias. Abdômen duro, daqueles que parecem talhados a cinzel. As pernas, grossas e poderosas, que anunciavam uma força do caralho.
A piroca pendia pesada, enorme, do tamanho do corpo dele. Não tava totalmente mole. Dava pra ver que aquele momento curto que a gente teve já tava começando a esquentar ele. Não consegui evitar pensar em como aquela piroca ia ficar dura. Devia ser monstruosa, linda.
De repente, ele cravou aqueles olhos verdes que brilhavam na penumbra. Ficou parado na borda da piscina, sem pressa.
Tampei os olhos, vermelha de vergonha e raiva da minha reação.
— Pensei que você tinha percebido que eu tava pelado — ele disse, com um meio sorriso na voz. — Por isso avisei que ia sair, pra você não olhar.
— Desculpa… desculpa, não foi de propósito — murmurei.
— Relaxa, não me incomoda. Só falei por você…
Não vi o rosto dele, mas soube que tava sorrindo, se divertindo com meu constrangimento.
Ouvi os passos molhados se afastando. Abaixei a mão devagar e olhei de lado. Ele tava se secando com a toalha.
Me odiei por perceber que eu também tinha ficado excitada. Com certeza, ter aquele mano em casa ia dar uma puta confusão.
No sábado à tarde, a campainha tocou e lá estava o Enzo.
Suado, com a camiseta colada no corpo feito segunda pele, uma mochila atravessada no ombro e um sorriso meio sem vergonha. Era alto. Muito alto. Eu, com meu um metro e cinquenta e cinco, olhei pra ele como se tivesse na frente de um poste de luz. Chuto que um metro e noventa, fácil. Era uma muralha humana.
Moreno, de pele tostada e curtida, com marcas de sol que pareciam contar a história dele. Traços duros, sérios. Mas quando me viu saindo, sorriu. E foi como se o rosto inteiro mudasse, se iluminando.
— Oi, tia — ele falou.
Tia? Me surpreendeu me chamar assim, mas fazer o quê… tecnicamente, tinha um pouco disso. Embora aquele título soasse quase grotesco ao imaginar que agora eu ia cumprir um papel mais parecido com o de uma madrasta improvisada. Uma loucura.
Abri o portão, cumprimentei ele com um sorriso educado. Ele colocou a mão na minha cintura, uma mão dura, calejada, de trabalhador. Apertou de leve, mas foi o suficiente pra me percorrer uma faísca estranha pelo corpo. Senti o cheiro de suor misturado com algo indefinível, intenso, e quando olhei de perto percebi: ele tinha olhos verdes.
— Vem — falei, apontando pra entrada.
Fabricio nos esperava na porta. Se cumprimentaram com um abraço desajeitado, conversaram um pouco. Eu fiquei ali, olhando pra eles, como se a cena não tivesse nada a ver comigo.
De cara, me pareceu meio bruto, quase desagradável… se não fosse por aqueles olhos e por aqueles músculos tensos que pareciam prestes a rasgar o pano da camiseta.
Entramos na casa. casa. Fizemos um mini tour: a sala, a cozinha, o quintal. Quando ele viu a piscina cheia, o rosto dele se iluminou igual criança. Fiquei com vontade de falar “calma, Tarzan, não é pra tanto”.
Tinha algo nele que me incomodava. Uma espécie de atitude folgada, cheia de confiança. Não era uma falta de respeito escancarada, mas dava pra perceber no jeito que ele se posicionava, no jeito que me olhava. E não era exatamente o olhar de um sobrinho pra tia.
Eu tava usando um vestido florido, justo na cintura, com o cabelo preso num coque baixo e os lábios pintados de um vermelho intenso. Sempre gostei de me vestir pra chamar atenção. Não concordo com essa história de se vestir diferente dependendo do contexto, porque acho uma hipocrisia. O vestido marcava minha bunda, e sei que de alguns ângulos dava pra ver a calcinha fio dental desenhada no tecido. Também não tava usando sutiã. Gostava de dizer pra mim mesma que ninguém tinha que ficar me olhando, mas agora que o Enzo desviava os olhos pros meus peitos marcando no tecido, me arrependia de não ter colocado um sutiã.
Agora que eu conhecia ele, que via os gestos, os olhares, enquanto ele conversava animado com meu namorado, caiu a ficha: um moleque de 18 anos, cheio de hormônio, morando na mesma casa que eu… Era óbvio que ele não ia me olhar como uma tia, né.
— Vem, vou te mostrar teu quarto — falou o Fabrício.
A gente tinha combinado que ele ia passar pro meu quarto, pra deixar o cômodo pro Enzo. O que significava que eu ia dividir o mesmo espaço com meu namorado, coisa que eu não curtia, mas fazer o quê. Já de cara, o cara tava quebrando meus costumes.
Dois meses, repeti na minha cabeça. Só dois meses. Tem que ter paciência, Delfi.
— E aí, o que cê achou? — me perguntou o Fabrício de noite, na cama, passando a mão na minha cabeça.
— Um bichinho selvagem — respondi, sem filtro.
Ele deu uma risada.
— Não seja malvada.
— Não sou malvada, é a verdade. Mas também, não sou tão preconceituosa assim. Não tô dizendo que todo moleque de quebrada é igual… Mas, sei lá, me pareceu estranho.
—Bom… não imaginava que ele ia ser tão favelado — admitiu Fabricio —. Juan Carlos não era assim. Era um cara humilde, sim, mas educado. Classe média baixa. Também não achei que o filho dele ia sair com esse vocabulário.
A imagem do Enzo veio na minha cabeça. Aqueles gestos brutos: abria as portas com um puxão como se fosse arrancá-las, coçava a cabeça com a palma da mão inteira igual um cachorro molhado e cuspia pro lado quando ninguém tava olhando, com aquele ar de "aqui quem manda sou eu". Tinha soltado frases tipo "Onde é que eu mando o rango pra dentro?" ou "E aí, qual é a desse bairro, onde é que rola a bagaceira?" que me fizeram segurar o riso pra não ser sem noção.
Olhei pro Fabricio, que parecia estar numa espécie de dilema moral. Como bom progressista de Buenos Aires, se sentia obrigado a tolerar tudo, mas eu percebi que o Enzo tinha intimidado ele um pouco. Não que o moleque fizesse algo de errado, mas tinha modos rústicos e aquele jeito de falar que te choca de cara.
Fabricio deslizou a mão pela minha perna, tentando me distrair.
—É bom isso de dormir junto — ele disse.
—Não, não é bom — respondi —. É um imperativo social bem besta. O mais confortável é dormir separado, como a gente fazia antes.
—Bom… são só dois meses — insistiu, acariciando a parte interna das minhas coxas por baixo da camisola de seda que eu tava usando.
—É, só dois meses — murmurei, me afastando da mão dele —. E espero que passem rápido.
Levantei da cama.
—O que cê vai fazer? — ele perguntou, confuso.
Tirei a camisola e peguei um biquíni pra pular na piscina.
—Vou nadar — falei, enquanto vestia a parte de cima —. Não vou mudar meus hábitos por causa dele.
—Não, claro — ele disse, mas me olhou com cara de medo, como se pressentisse que, ao menor comentário imprudente, eu ia descontar nele —. Tá calor, tá gostoso pra nadar — completou depois, como quem se convida pra piscina.
Fulminei ele com o olhar, porque sabia que meu nado noturno era um ritual. Meu momento sagrado.
—Mas é melhor eu ir ver um filme que me recomendaram — se desculpou na hora, resignado, se acomodando na cama.
Saí do quarto, atravessando a sala e a cozinha no escuro. Abri a porta do fundo. O quintal estava mal iluminado, uma luz fraca caía sobre a piscina. E aí eu vi ele.
Enzo.
Estava na água, parado, com aqueles olhos verdes brilhando na penumbra. Me olhava como um predador medindo a presa. E sim, já tinha pegado ele várias vezes me lançando aqueles olhares carregados de luxúria, como se meu corpo fosse um pecado que ele queria morder. Parecia especialmente obcecado pela minha bunda, como quase todo homem, mas nele tinha algo mais intenso, quase animal.
Respirei fundo, tentando não demonstrar nada, mas fiquei séria pra ele entender que eu percebia como ele tava me varrendo as tetas com o olhar.
— Não sabia que você tava aqui — falei, mais nervosa do que gostaria de me sentir.
— É que não conseguia dormir — ele disse, com aquela voz grave e relaxada, apoiado na borda da piscina —. Essa mudança de mundo é um bagulho, sabe? Tô achando difícil me acostumar com esse bairro… bah, sei lá. Mas dizem que a gente sempre se acostuma com as coisas boas.
Eu olhei de lado, sem responder.
— Mas se quiser, vou embora, te deixo na sua — completou, levantando as sobrancelhas.
— Não, fica — falei, mais por educação do que por vontade.
A verdade é que queria ficar sozinha. Sentia aqueles olhos verdes flutuando sobre a água, me olhando com um desejo descarado. Isso me incomodava. E me irritava ainda mais que o Fabricio parecesse não notar nada… ou pior, que notasse e não ligasse.
Me aproximei da escadinha pra entrar na piscina. Assim que comecei a descer, o Enzo virou um pouco o corpo, como se me desse privacidade. Mas eu sabia que ele tava olhando minha bunda de lado.
— Pô, acabei de perceber que não tinha te agradecido — ele disse do nada, enquanto eu mergulhava —. Sou um idiota.
— Não se preocupa — respondi.
— Faz muito tempo que —Você namora o tio Fabri?
—Quase quatro anos —respondi seca, desconfortável. Tava ali de biquíni, sabendo que pra um cara como ele aquilo era praticamente um show erótico de graça.
—Olha só… deve ser muito louco, né? Eu aparecer assim, do nada. E você ter um sobrinho que nem conhece.
—É, acho que sim. Mas imagino que pra você também deve ser.
—Sim, óbvio. Esse bairro não tem nada a ver com o que eu morava. Lá é outra parada. Mas relaxa, assim que arrumar um trampo eu vazo.
—Acho que com o que você ganhar assim que conseguir trabalho não vai dar pra ir tão rápido —falei—. O melhor é arrumar um emprego o quanto antes, pra em uns meses já se virar sozinho.
—Uau… que sorte que o tio Fabricio tem —largou de repente.
—Sorte? —perguntei, erguendo as sobrancelhas.
—É… mora numa casa enorme dessas, com piscina… e com uma gostosa igual você.
Fiquei paralisada por um segundo.
—Uma gostosa igual eu? —repeti.
—Sim… uma gostosa inteligente, elegante, linda.
Não esperava que ele chegasse tão rápido, mas me fiz de sonsa. Dava pra levar como um simples elogio.
—Valeu… —falei—. Mas não sei se ele tem tanta sorte assim.
—Bom, isso não vou discutir. Mas… ele não é ciumento, né?
—Ciumento? Por que seria?
—Ué… com uma gostosa igual você… Pelo jeito que se veste.
Franzi a testa, irritada. Sabia que ele era meio troglodita, mas não esperava que falasse na cara, tão direto.
—E o que tem de errado no meu jeito de me vestir? —respondi, cruzando os braços debaixo d’água.
—Nada, pelo contrário, adoro. Mas se eu tivesse uma namorada assim, sei lá…
—É que nem todo mundo pode ter uma namorada como eu —soltei, encarando ele—. E além disso, as mulheres se vestem como bem entendem, tendo namorado ou não. Entendeu?
—Claro, claro… podem, podem —disse com um meio sorriso—. Mas por isso que falo que sorte o tio tem, porque com você do lado deve ter uns caras te olhando com vontade o tempo todo. Eu, se tivesse com Alguém assim devia me encher de porrada todo santo dia.
— Eu sei me defender sozinha — cortei, seca. — Não preciso que ninguém prove a masculinidade dele por mim.
— Isso eu não discuto — ele disse, sorrindo, enquanto começava a nadar ao meu redor.
Percebi que ele fazia círculos como um tubarão rodeando a presa. Me deixava desconfortável de propósito, tinha certeza.
— Bom… já vou indo — anunciou de repente. — Vou subir pela escadinha, caminhar até lá e pegar a toalha… sabe?
Olhei pra ele, confusa. Não entendia por que ele tava me contando tudo aquilo. Mas percebi o motivo assim que ele saiu da água: estava pelado.
Fiquei paralisada, de boca entreaberta.
O corpo dele, banhado pela luz fraca, parecia esculpido. Umas costas largas, com umas cicatrizes velhas, tipo de arranhões que não quis imaginar de onde vinham. Ombros marcados. Braços tensos, cheios de veias. Abdômen duro, daqueles que parecem talhados a cinzel. As pernas, grossas e poderosas, que anunciavam uma força do caralho.
A piroca pendia pesada, enorme, do tamanho do corpo dele. Não tava totalmente mole. Dava pra ver que aquele momento curto que a gente teve já tava começando a esquentar ele. Não consegui evitar pensar em como aquela piroca ia ficar dura. Devia ser monstruosa, linda.
De repente, ele cravou aqueles olhos verdes que brilhavam na penumbra. Ficou parado na borda da piscina, sem pressa.
Tampei os olhos, vermelha de vergonha e raiva da minha reação.
— Pensei que você tinha percebido que eu tava pelado — ele disse, com um meio sorriso na voz. — Por isso avisei que ia sair, pra você não olhar.
— Desculpa… desculpa, não foi de propósito — murmurei.
— Relaxa, não me incomoda. Só falei por você…
Não vi o rosto dele, mas soube que tava sorrindo, se divertindo com meu constrangimento.
Ouvi os passos molhados se afastando. Abaixei a mão devagar e olhei de lado. Ele tava se secando com a toalha.
Me odiei por perceber que eu também tinha ficado excitada. Com certeza, ter aquele mano em casa ia dar uma puta confusão.
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