Essa é a história de como acabei roubando a mulher do babaca do meu vizinho. Isso aconteceu uns anos atrás, quando eu tinha acabado de fazer 30. Meu nome é Ricardo e, claro, todo mundo me chama de Ricky.
É, eu sei, nome de cabeleireiro velho e viado. Eu sei. Mas nada a ver. Sou fotógrafo, não barbeiro, e não sou viado, apesar das tentativas de alguns clientes meus num passado distante que é melhor não relembrar agora. De velho, não. Ainda sou jovem.
Acho que a história tem que começar bem do início, de como as coisas foram rolando. Sempre me interessei por fotografia e cinema, desde moleque era cinéfilo. Meu plano quando terminasse o ensino médio era estudar para ser diretor de fotografia e trabalhar na indústria. Era meu sonho. Mas, com a situação financeira da minha família no meu último ano do colégio, tive que começar a trabalhar pra ajudar um pouco, nem que fosse pra bancar meus próprios gastos com o que ganhava e aliviar a barra pros meus velhos, já que sou o mais velho de três irmãos.
Tive todo tipo de trampo, desde atender uma banca de jornal até trabalhar num supermercado, mas a vida, por sorte, me deu uma moral quando, numa noite jantando em casa, por essas coisas do acaso, meu pai disse que tinha recebido ligação naquele dia de um velho amigo do colégio, depois de quase décadas sem contato, e que tava muito feliz de ter falado com ele de novo.
Quando meu velho falou o nome do cara, quase me engasguei. O amigo do meu pai era o Atilio Vernaci, um fotógrafo foda pra caralho que era super conhecido no meio e tinha trabalhado em vários filmes nacionais. Um monstro. Implorei pro meu pai me colocar em contato com ele, nem que fosse só pra conhecê-lo e tirar uma foto.
Meu pai sorriu pra mim e no fim de semana seguinte me levou com ele pra visitar o estúdio do Atilio, com a desculpa do reencontro com o amigo. Eu tava, sei lá, como o cara que conseguiu uma visita ao vestiário. do clube de futebol dele, algo assim. Quando conheci o Atílio, ele me pareceu um cara muito foda, parecia ter a calma e a simpatia de um cara super experiente.
A questão é que meu pai tinha dito pra ele que eu também era apaixonado por fotografia. Depois de bater um papo com o Atílio entre nós três, ele me ofereceu se eu não queria começar a ir algumas horas no estúdio pra aprender a arte com ele, ou talvez ajudar com algumas coisas se ele estivesse cheio de trabalho. Claro que aceitei sem pensar duas vezes. Era uma oportunidade única.
Assim, com 18 anos, já tava trabalhando e aprendendo ao lado de um verdadeiro mestre da arte, um cara reconhecido internacionalmente. A carteira de clientes que o Atílio tinha era a inveja de qualquer fotógrafo, sem falar na trajetória dele. Aprendi pra caralho com ele. E como ele via que a arte da fotografia me interessava de verdade, ele ia me ensinando cada vez mais. Eu não me cansava de aprender.
Fiquei cinco anos com o Atílio, trabalhando e aprendendo. Esses cinco anos de trabalho e aprendizado de verdade, com a mão na massa, me deram uma preparação melhor do que qualquer escola poderia ter me dado. No final desses anos, eu já era um fotógrafo de verdade, apesar da pouca idade. No último ano, pra testar, o Atílio, que já tava meio cansado de tudo por causa da idade, me deixou assumir mais coisas no estúdio. Praticamente a gente tocava meio a meio.
Uma noite, eu tava com ele no estúdio, a gente tava tomando uns drinks depois do expediente (os dois gostavam bastante de beber, tem que falar a verdade), quando ele me disse que já tava pensando em se aposentar. Que tava se sentindo cada vez mais velho e cansado, que queria viajar um pouco e curtir a vida enquanto ainda podia. Como ele não tinha filhos, e nenhum dos parentes dele realmente se interessava, ele disse que tava pensando em me deixar o trabalho do estúdio e os clientes pra mim, eventualmente.
Eu Peguei um arrepio. Não conseguia acreditar na oportunidade, mas na hora me senti com um peso enorme. Ele me acalmou um pouco e disse que a aposentadoria dele não ia ser imediata, que ia continuar ali no estúdio, mas só talvez pra me ajudar e dar uns conselhos. Que não ia sumir e soltar minha mão até eu estar pronto pra tocar as coisas sozinho.
Então, com apenas 23 anos, fiquei no comando do estúdio e do negócio. Pra facilitar as coisas, contratei uns caras, estudantes de fotografia, meio período, pra me ajudar com uma coisa ou outra. Fui levando bem, tenho que admitir, e o Atílio sempre esteve por perto quando eu precisava de algum trampo ou conselho, até que o velho pendurou as chuteiras de vez e foi viajar pelo mundo com a mulher dele. Sempre me mandava fotos dos lugares que visitavam, nunca perdemos o contato.
Graças aos clientes que ficaram e ao prestígio do estúdio, que eu sabia manter muito bem, tenho que reconhecer que naqueles anos fiquei cheio de grana. Mas fiquei cheio de grana mesmo. Olha, isso foi fruto de trampar seis dias por semana, às vezes até sete. Fiz muita grana, sim, mas fiz trabalhando e me lascando. Meus melhores clientes eram agências de modelos e de casting dos Estados Unidos e da Europa, que me contratavam pra fazer books artísticos pras estrelas deles ou pra promover algumas produções. Pagavam em dólar ou euro e, graças à reputação do estúdio que o Atílio construiu por tantos anos, pagavam o que eu pedia e ponto final. Às vezes eu inventava de cobrar qualquer absurdo, só pra ver quando iam dizer não, mas nunca acontecia. Pagavam o que eu pedia.
Trampei assim por muitos anos. Quando não tava atendendo esses clientes de fora, sempre tava fazendo algum book pra alguma agência de modelo daqui, ou às vezes pra clientes muito selecionados e com muita grana, pra algum casamento ou festa deles. De quinze. Esses também, só pra agradar a nova esposa ou a filha, pagavam qualquer coisa.
Sim, já sei que vocês tão pensando no que eu devo ter comido naqueles anos, entre tanta modelo e novinha que passava pelo estúdio. Sempre tem essa mística do fotógrafo que come a modelo, as produções que vão ficando mais quentes até que ninguém aguenta mais… tudo isso. E, pra ser sincero, sempre teve um pouco disso. Não é tão mito quanto parece. As gostosas que são profissionais de verdade, digo modelos top e tal, são muito lindas, muito simpáticas e sempre educadas com os fotógrafos, mas não passa disso. Tirar fotos é parte do trampo delas, algo que precisam fazer, é assim que elas veem e é assim que a gente entende também.
Mas com as outras gostosas… as que tão talvez uns degraus abaixo, ou às vezes mulheres que não tão acostumadas a serem fotografadas, a serem o centro das atenções… nelas o tesão bate muito mais forte e a libido sobe. Via isso o tempo todo nas produções. Gostosas que chegavam de manhã no estúdio, tímidas e recatadas, e à tarde já tiravam a roupa sozinhas e, entre risadas, sugeriam poses que iam direto pro pornô. Acontecia toda hora.
E claro que às vezes eu aproveitava. Pra que vou negar. Fingir que um cara de 25 anos, hétero, cercado todo santo dia por aquele nível de gostosas e naquela situação… bom. Fingir que não fazia nada era bem inocente. Tava de pau duro o tempo todo. Não vou dizer que comia assim todo dia, porque nada a ver, mas posso dizer que comia muito bem de vez em quando.
Até tava namorando uma mina que conheci justamente no estúdio, um dia que ela foi fazer um bookzinho. Susan, uma modelinho de 21 anos, uma loira gostosa e linda. Simpática. A gente se deu bem e, bom, rolou de levar o relacionamento adiante.
Quando eu fiz 29 anos, no entanto, tudo tinha mudado. Não foi pela típica, a de a má situação econômica ruim do país nem nada disso. Pelo contrário. Esse era o problema, que eu estava absolutamente lotado de trabalho. Tinha contratado uma moça como ajudante e mesmo assim não dávamos conta. O estresse e a carga de trabalho que não diminuía começaram a me consumir. Sim, estava ganhando grana pra caralho com meus clientes de fora, mas a verdade é que eu não estava bem. Fazia anos que não tirava férias e me sentia horrível o tempo todo. Cansado, desanimado e esculachando meus ajudantes que, coitados, trabalhavam direito e não tinham nada a ver com isso.
Tomei a decisão de parar por um tempo. Parar de pegar trabalhos, mesmo que fosse por um mês ou dois, pra ir pra algum lugar e conseguir desligar de verdade. Tava precisando pra caramba. Parei de agendar trabalhos novos e a gente passou meses se livrando dos serviços que já tínhamos comprometidos, até chegar num ponto de ter a agenda totalmente limpa. E se não desse pra limpar totalmente, pelo menos deixar leve o suficiente pra só sobrarem trabalhos simples e fáceis, que qualquer um dos meninos podia fazer enquanto eu me desligava por aí.
Isso levou uns meses, mas por sorte consegui. Assim que pude, deixei o estúdio na mão de um dos caras, o Manu, que tava comigo desde o começo, fiz as malas e fui embora. Tinha comprado anos atrás uma casa num condomínio fechado bem nos arredores de Mendoza e sempre achei uma pena não ter conseguido aproveitar direito, além de um ou outro fim de semana prolongado de vez em quando. Agora sim, tinha toda a intenção de ficar lá uns meses e, se me desse na telha, passar os dois meses largado na piscina, faria isso.
Quando cheguei e me instalei, minha cara mudou na hora. Eu mesmo percebi. Tava sozinho lá, mas me sentia tão bem, tão rápido. Sem as pressões do trabalho, sem ter que prestar atenção na minha namorada que tava trabalhando em Buenos Aires, nada disso. Era eu, minha casa, o silêncio e a vista distante da cordilheira que eu amava. Mas quando cheguei, notei que a casa ao lado da minha estava vazia. Sabia que morava lá um casal de aposentados, que eu via nas poucas vezes que consegui ir. Mas agora estava limpa e vazia. Perguntei pra um dos zeladores do bairro qual era a dela, e ele me disse que o casal de aposentados tinha vendido e que outro casal ia se mudar pra lá em algum momento.
Três dias depois, vi eles chegarem com a caminhonete e, meia hora depois, chegou também o caminhãozinho da mudança com as coisas deles. Tinha vizinhos novos. Não dei muita bola na hora. Não queria encher o saco porque sei como é chato quando te enchem o saco no meio de uma mudança. Então deixei eles descarregarem as coisas em paz, eu tava largado em casa, curtindo não fazer nada na frente da TV.
Depois que o sol se pôs, fui pro jardim dos fundos e comecei a acender o fogo pra fazer uns hambúrgueres na churrasqueira, porque a fome já tava batendo. Foi aí que meu vizinho deve ter me visto e veio me cumprimentar do jardim dele. As casas eram separadas só por uma cerca baixinha de madeira e arame, então a gente se apresentou e ficou batendo papo ali, cada um do seu lado, enquanto eu cuidava do fogo e dos hambúrgueres.
O cara se chamava Alejandro. Já tinha mais de 50 anos. Era engenheiro agrônomo e, pra ser sincero, um baita de um mala. Não me caiu bem de cara. Olha, o cara não fez nada de errado, não falou nada pra me ofender nem nada disso. Pelo contrário, ele se esforçava pra agradar, mas às vezes tem gente que você tem química e outras que não. Ele ria que nem um idiota, sei lá. Às vezes, algumas pessoas têm uma risada insuportável. Pois é, Alejandro era um desses. Tinha um jeito de se achar quando falava que me dava nos nervos, porque eu sabia muito bem que ele tava se fazendo de importante, como se diz. Se achando à toa com isso e aquilo. Era o típico cara que queria cagar mais alto que o cu. o que ela dava a buceta, falando na lata. Meio cinquentão, grisalho e dentuço, juro que me lembrava o Ungenio do Condorito, o filho da puta.
Ficamos ali batendo papo mesmo, porque o que mais eu ia fazer? A mulher, eu só tinha visto de longe, o pouco que dava pra ver da minha sala, pelos vidrões da casa dela, enquanto ela estava lá dentro desfazendo as malas e arrumando as coisas da mudança. Era uma morena que, de longe, não me chamou atenção nenhuma. Mas, sério, nenhuma mesmo, pelo pouco que consegui ver.
Até que ela apareceu. Enquanto eu estava conversando com aquele imbecil do marido e de olho pra não queimar os hambúrgueres, ela finalmente saiu no jardim dela e veio na nossa direção pra cumprimentar e se apresentar. Foi aí que pude ver ela de perto, quando finalmente conheci a Laura. E, sinceramente… uau.
É, eu sei, nome de cabeleireiro velho e viado. Eu sei. Mas nada a ver. Sou fotógrafo, não barbeiro, e não sou viado, apesar das tentativas de alguns clientes meus num passado distante que é melhor não relembrar agora. De velho, não. Ainda sou jovem.
Acho que a história tem que começar bem do início, de como as coisas foram rolando. Sempre me interessei por fotografia e cinema, desde moleque era cinéfilo. Meu plano quando terminasse o ensino médio era estudar para ser diretor de fotografia e trabalhar na indústria. Era meu sonho. Mas, com a situação financeira da minha família no meu último ano do colégio, tive que começar a trabalhar pra ajudar um pouco, nem que fosse pra bancar meus próprios gastos com o que ganhava e aliviar a barra pros meus velhos, já que sou o mais velho de três irmãos.
Tive todo tipo de trampo, desde atender uma banca de jornal até trabalhar num supermercado, mas a vida, por sorte, me deu uma moral quando, numa noite jantando em casa, por essas coisas do acaso, meu pai disse que tinha recebido ligação naquele dia de um velho amigo do colégio, depois de quase décadas sem contato, e que tava muito feliz de ter falado com ele de novo.
Quando meu velho falou o nome do cara, quase me engasguei. O amigo do meu pai era o Atilio Vernaci, um fotógrafo foda pra caralho que era super conhecido no meio e tinha trabalhado em vários filmes nacionais. Um monstro. Implorei pro meu pai me colocar em contato com ele, nem que fosse só pra conhecê-lo e tirar uma foto.
Meu pai sorriu pra mim e no fim de semana seguinte me levou com ele pra visitar o estúdio do Atilio, com a desculpa do reencontro com o amigo. Eu tava, sei lá, como o cara que conseguiu uma visita ao vestiário. do clube de futebol dele, algo assim. Quando conheci o Atílio, ele me pareceu um cara muito foda, parecia ter a calma e a simpatia de um cara super experiente.
A questão é que meu pai tinha dito pra ele que eu também era apaixonado por fotografia. Depois de bater um papo com o Atílio entre nós três, ele me ofereceu se eu não queria começar a ir algumas horas no estúdio pra aprender a arte com ele, ou talvez ajudar com algumas coisas se ele estivesse cheio de trabalho. Claro que aceitei sem pensar duas vezes. Era uma oportunidade única.
Assim, com 18 anos, já tava trabalhando e aprendendo ao lado de um verdadeiro mestre da arte, um cara reconhecido internacionalmente. A carteira de clientes que o Atílio tinha era a inveja de qualquer fotógrafo, sem falar na trajetória dele. Aprendi pra caralho com ele. E como ele via que a arte da fotografia me interessava de verdade, ele ia me ensinando cada vez mais. Eu não me cansava de aprender.
Fiquei cinco anos com o Atílio, trabalhando e aprendendo. Esses cinco anos de trabalho e aprendizado de verdade, com a mão na massa, me deram uma preparação melhor do que qualquer escola poderia ter me dado. No final desses anos, eu já era um fotógrafo de verdade, apesar da pouca idade. No último ano, pra testar, o Atílio, que já tava meio cansado de tudo por causa da idade, me deixou assumir mais coisas no estúdio. Praticamente a gente tocava meio a meio.
Uma noite, eu tava com ele no estúdio, a gente tava tomando uns drinks depois do expediente (os dois gostavam bastante de beber, tem que falar a verdade), quando ele me disse que já tava pensando em se aposentar. Que tava se sentindo cada vez mais velho e cansado, que queria viajar um pouco e curtir a vida enquanto ainda podia. Como ele não tinha filhos, e nenhum dos parentes dele realmente se interessava, ele disse que tava pensando em me deixar o trabalho do estúdio e os clientes pra mim, eventualmente.
Eu Peguei um arrepio. Não conseguia acreditar na oportunidade, mas na hora me senti com um peso enorme. Ele me acalmou um pouco e disse que a aposentadoria dele não ia ser imediata, que ia continuar ali no estúdio, mas só talvez pra me ajudar e dar uns conselhos. Que não ia sumir e soltar minha mão até eu estar pronto pra tocar as coisas sozinho.
Então, com apenas 23 anos, fiquei no comando do estúdio e do negócio. Pra facilitar as coisas, contratei uns caras, estudantes de fotografia, meio período, pra me ajudar com uma coisa ou outra. Fui levando bem, tenho que admitir, e o Atílio sempre esteve por perto quando eu precisava de algum trampo ou conselho, até que o velho pendurou as chuteiras de vez e foi viajar pelo mundo com a mulher dele. Sempre me mandava fotos dos lugares que visitavam, nunca perdemos o contato.
Graças aos clientes que ficaram e ao prestígio do estúdio, que eu sabia manter muito bem, tenho que reconhecer que naqueles anos fiquei cheio de grana. Mas fiquei cheio de grana mesmo. Olha, isso foi fruto de trampar seis dias por semana, às vezes até sete. Fiz muita grana, sim, mas fiz trabalhando e me lascando. Meus melhores clientes eram agências de modelos e de casting dos Estados Unidos e da Europa, que me contratavam pra fazer books artísticos pras estrelas deles ou pra promover algumas produções. Pagavam em dólar ou euro e, graças à reputação do estúdio que o Atílio construiu por tantos anos, pagavam o que eu pedia e ponto final. Às vezes eu inventava de cobrar qualquer absurdo, só pra ver quando iam dizer não, mas nunca acontecia. Pagavam o que eu pedia.
Trampei assim por muitos anos. Quando não tava atendendo esses clientes de fora, sempre tava fazendo algum book pra alguma agência de modelo daqui, ou às vezes pra clientes muito selecionados e com muita grana, pra algum casamento ou festa deles. De quinze. Esses também, só pra agradar a nova esposa ou a filha, pagavam qualquer coisa.
Sim, já sei que vocês tão pensando no que eu devo ter comido naqueles anos, entre tanta modelo e novinha que passava pelo estúdio. Sempre tem essa mística do fotógrafo que come a modelo, as produções que vão ficando mais quentes até que ninguém aguenta mais… tudo isso. E, pra ser sincero, sempre teve um pouco disso. Não é tão mito quanto parece. As gostosas que são profissionais de verdade, digo modelos top e tal, são muito lindas, muito simpáticas e sempre educadas com os fotógrafos, mas não passa disso. Tirar fotos é parte do trampo delas, algo que precisam fazer, é assim que elas veem e é assim que a gente entende também.
Mas com as outras gostosas… as que tão talvez uns degraus abaixo, ou às vezes mulheres que não tão acostumadas a serem fotografadas, a serem o centro das atenções… nelas o tesão bate muito mais forte e a libido sobe. Via isso o tempo todo nas produções. Gostosas que chegavam de manhã no estúdio, tímidas e recatadas, e à tarde já tiravam a roupa sozinhas e, entre risadas, sugeriam poses que iam direto pro pornô. Acontecia toda hora.
E claro que às vezes eu aproveitava. Pra que vou negar. Fingir que um cara de 25 anos, hétero, cercado todo santo dia por aquele nível de gostosas e naquela situação… bom. Fingir que não fazia nada era bem inocente. Tava de pau duro o tempo todo. Não vou dizer que comia assim todo dia, porque nada a ver, mas posso dizer que comia muito bem de vez em quando.
Até tava namorando uma mina que conheci justamente no estúdio, um dia que ela foi fazer um bookzinho. Susan, uma modelinho de 21 anos, uma loira gostosa e linda. Simpática. A gente se deu bem e, bom, rolou de levar o relacionamento adiante.
Quando eu fiz 29 anos, no entanto, tudo tinha mudado. Não foi pela típica, a de a má situação econômica ruim do país nem nada disso. Pelo contrário. Esse era o problema, que eu estava absolutamente lotado de trabalho. Tinha contratado uma moça como ajudante e mesmo assim não dávamos conta. O estresse e a carga de trabalho que não diminuía começaram a me consumir. Sim, estava ganhando grana pra caralho com meus clientes de fora, mas a verdade é que eu não estava bem. Fazia anos que não tirava férias e me sentia horrível o tempo todo. Cansado, desanimado e esculachando meus ajudantes que, coitados, trabalhavam direito e não tinham nada a ver com isso.
Tomei a decisão de parar por um tempo. Parar de pegar trabalhos, mesmo que fosse por um mês ou dois, pra ir pra algum lugar e conseguir desligar de verdade. Tava precisando pra caramba. Parei de agendar trabalhos novos e a gente passou meses se livrando dos serviços que já tínhamos comprometidos, até chegar num ponto de ter a agenda totalmente limpa. E se não desse pra limpar totalmente, pelo menos deixar leve o suficiente pra só sobrarem trabalhos simples e fáceis, que qualquer um dos meninos podia fazer enquanto eu me desligava por aí.
Isso levou uns meses, mas por sorte consegui. Assim que pude, deixei o estúdio na mão de um dos caras, o Manu, que tava comigo desde o começo, fiz as malas e fui embora. Tinha comprado anos atrás uma casa num condomínio fechado bem nos arredores de Mendoza e sempre achei uma pena não ter conseguido aproveitar direito, além de um ou outro fim de semana prolongado de vez em quando. Agora sim, tinha toda a intenção de ficar lá uns meses e, se me desse na telha, passar os dois meses largado na piscina, faria isso.
Quando cheguei e me instalei, minha cara mudou na hora. Eu mesmo percebi. Tava sozinho lá, mas me sentia tão bem, tão rápido. Sem as pressões do trabalho, sem ter que prestar atenção na minha namorada que tava trabalhando em Buenos Aires, nada disso. Era eu, minha casa, o silêncio e a vista distante da cordilheira que eu amava. Mas quando cheguei, notei que a casa ao lado da minha estava vazia. Sabia que morava lá um casal de aposentados, que eu via nas poucas vezes que consegui ir. Mas agora estava limpa e vazia. Perguntei pra um dos zeladores do bairro qual era a dela, e ele me disse que o casal de aposentados tinha vendido e que outro casal ia se mudar pra lá em algum momento.
Três dias depois, vi eles chegarem com a caminhonete e, meia hora depois, chegou também o caminhãozinho da mudança com as coisas deles. Tinha vizinhos novos. Não dei muita bola na hora. Não queria encher o saco porque sei como é chato quando te enchem o saco no meio de uma mudança. Então deixei eles descarregarem as coisas em paz, eu tava largado em casa, curtindo não fazer nada na frente da TV.
Depois que o sol se pôs, fui pro jardim dos fundos e comecei a acender o fogo pra fazer uns hambúrgueres na churrasqueira, porque a fome já tava batendo. Foi aí que meu vizinho deve ter me visto e veio me cumprimentar do jardim dele. As casas eram separadas só por uma cerca baixinha de madeira e arame, então a gente se apresentou e ficou batendo papo ali, cada um do seu lado, enquanto eu cuidava do fogo e dos hambúrgueres.
O cara se chamava Alejandro. Já tinha mais de 50 anos. Era engenheiro agrônomo e, pra ser sincero, um baita de um mala. Não me caiu bem de cara. Olha, o cara não fez nada de errado, não falou nada pra me ofender nem nada disso. Pelo contrário, ele se esforçava pra agradar, mas às vezes tem gente que você tem química e outras que não. Ele ria que nem um idiota, sei lá. Às vezes, algumas pessoas têm uma risada insuportável. Pois é, Alejandro era um desses. Tinha um jeito de se achar quando falava que me dava nos nervos, porque eu sabia muito bem que ele tava se fazendo de importante, como se diz. Se achando à toa com isso e aquilo. Era o típico cara que queria cagar mais alto que o cu. o que ela dava a buceta, falando na lata. Meio cinquentão, grisalho e dentuço, juro que me lembrava o Ungenio do Condorito, o filho da puta.
Ficamos ali batendo papo mesmo, porque o que mais eu ia fazer? A mulher, eu só tinha visto de longe, o pouco que dava pra ver da minha sala, pelos vidrões da casa dela, enquanto ela estava lá dentro desfazendo as malas e arrumando as coisas da mudança. Era uma morena que, de longe, não me chamou atenção nenhuma. Mas, sério, nenhuma mesmo, pelo pouco que consegui ver.Até que ela apareceu. Enquanto eu estava conversando com aquele imbecil do marido e de olho pra não queimar os hambúrgueres, ela finalmente saiu no jardim dela e veio na nossa direção pra cumprimentar e se apresentar. Foi aí que pude ver ela de perto, quando finalmente conheci a Laura. E, sinceramente… uau.
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