Parte 1https://m.poringa.net/posts/relatos/5965109/Con-mi-alumna-de-la-facu.htmlTeoria, prática… e TikTok. Não dava pra dormir. Luciana respirava do lado dele, naquele ritmo certinho que parecia uma provocação. O quarto tava escuro, morno. Mas na cabeça dele, a imagem da Josefina continuava de olhos abertos, olhando pra ele, possuindo ele. O sono, sim, mas também a aula de hoje não saía da cabeça dele. A saia. A meia. A pergunta na sala. O sorriso. Marcos, que a vida inteira se gabou de ter uma bússola moral bem definida, não sabia mais que direção tava tomando. Ou melhor, que direção queria tomar. Pensou que ela podia ser filha dele, que tinha a mesma idade da Josefina e tava estudando nos Estados Unidos. Essa ideia batia nele mais do que ele admitia. Mas não parava ele. Não dessa vez. Teve uma ideia. Pegou o celular. Procurou o nome dela. Não tinha o sobrenome. Mas sabia como achar. Desceu quietinho até o escritório, ligou o notebook, entrou no sistema acadêmico. Lá estava: Josefina González S. Parecia nome de personagem de ficção. Anotou. Escreveu completo no buscador do Instagram. E apareceu. Primeira foto: um café, um livro, algo da Clarice Lispector. Segunda: ela de costas num pôr do sol, o vento levantando o vestido dela. Terceira: uma selfie com a língua pra fora de leve, o decote insinuado, a legenda: "às vezes é bom se comportar. Às vezes não." Mas o que importava tava mais pra baixo. Um destaque: marcado só com um foguinho 🔥. Clicou. Levou pra outra conta. Vinculada. TikTok. A transição foi na hora. Josefina, a aluna dele… virava Josefina, a criatura armada pra seduzir.
O primeiro vídeo chegou como um tapa na cara. Uma coreografia agressiva, com movimentos de quadril firmes, violentos. A câmera fixa no espelho. Ela de costas. Só uma calcinha branca, fio dental. Sem sutiã. Rebolava um rabo perfeito. Brincava. Fazia gestos como se estivesse se tocando. A música dizia: "Me pede rebolada e eu fuck you sem censura / Você tem cara de quem gosta de putaria." Em outro, ela abaixava devagar uma calça até os joelhos, mostrando uma bunda perfeita, redonda, sem filtros. Agachava na frente do espelho. Mordia o dedo. Mexia a boca num playback de parar o coração: "Eu não sou santa / Mas você também não / Se continuar me olhando assim, te deixo louco." Marcos engoliu seco. Sentia a ereção como um pulso na base do estômago. Olhou pra escada. Silêncio. A casa dormia. Tirou ela pra fora. Com uma mão no celular, a outra já abaixando a calça do pijama. Tinha o pau duro como pedra. Não foi um impulso. Foi uma rendição. Escolheu o vídeo mais curto. Ela de calcinha, com um anel de luz, dançando: "Te imagino olhando. Gosto de pensar em você. Sei que tá louco por mim. Mas não sabe que eu também." O corpo de Marcos esticou como um fio. Se tocou devagar no começo, olhando cada curva, cada gesto, o vai e vem dos quadris, a língua molhada que escapava entre os lábios. Fechou os olhos. Ela estava ali. Não na tela. No colo dele. Na respiração dele. Na culpa dele. A imagem do sonho ficou mais nítida, ajudada pelo que acabara de ver. Josefina cavalgando no pau dele, subindo e descendo, fazendo os peitos jovens e firmes balançarem. A voz dela, de menina mas nada inocente, pedindo pra ele encher a buceta de leite... Gozou rápido. Não foi um alívio. Foi uma descarga suja, contida, vergonhosa, que ele limpou mal com um papel dobrado que grudou na coxa. Desligou tudo. Guardou. Subiu sem fazer barulho. Voltou pra cama. Luciana continuava dormindo, de costas. E então, o celular dela vibrou. Uma vez. Ele não ligou. Duas vezes. Franzindo a testa. A testa. Três. O nome apareceu na tela iluminada: Gonzalo. Marcos não queria olhar. Não queria cruzar aquela linha. Mas já tinha cruzado muitas outras hoje. Se inclinou. Só as notificações. Não abriu nada. Três respostas pra um story. Uma foto que ele não tinha visto: Luciana na cozinha, com um vestido curto, uma taça de vinho na mão, perna cruzada. Um boomerang sutil, mas elegante. Mensagem 1: "Sempre tão radiante você..." Mensagem 2: "Linda essa cor. E você também." Mensagem 3: "O melhor vinho com certeza é esse, o que se toma com você." Nada explícito. Nada estritamente condenável. Mas suficiente pra fechar o estômago dele num nó. Podia não significar nada. Ou sim. Ele tinha se tocado com uma aluna. Ele tinha se deixado levar por algo que jamais teria se permitido uns anos atrás. E agora, a única coisa que conseguia pensar era: E se a Luciana também? Guardou o celular de novo. Se deitou de barriga pra cima. Já não sentia calor. Nem desejo. Só um zumbido lento na cabeça. Como um eco que entrava pra dentro dele. Luciana murmurou entre sonhos: — Não consegue dormir? Demorou pra responder. — Não. E não disse mais nada. Porque agora ele já não sabia se o problema era a Josefina. Ou ele mesmo. A sala tava cheia, mas ele se sentia vazio. Era um daqueles dias em que Marcos falava quase no automático. O assunto era interessante — a tensão entre o desejo e a norma nas estruturas simbólicas da linguagem —, mas a cabeça dele não tava lá de verdade. Josefina, sim. Primeira fila. De novo. Hoje tinha ido além. Camisa branca, mal abotoada, a parte de baixo da saia quase invisível entre a carteira e o banco. Pernas cruzadas, meia-calça preta, olhar fixo. Anotava com uma concentração estudadamente exagerada. Marcos tentava não olhar pra ela. Mas era inútil. Ela era feita pra interromper. — Como coloca Lacan, o desejo não se dirige ao objeto diretamente, mas através do Outro... — explicava, enquanto escrevia no quadro. — E o que acontece quando o Outro te deseja? — perguntou Josefina, sem Levanta a mão, num tom casual. A sala riu. Marcos virou, marcador na mão. — Depende de que tipo de desejo a gente tá falando — respondeu, tentando manter o tom neutro. — E se o desejo for mútuo, mas proibido? — insistiu ela, sem tirar os olhos dele. A risa agora foi mais contida. Alguns colegas se entreolharam. Outros baixaram a cabeça, sem graça. Marcos sentiu o calor subir pelo pescoço. Quis responder com algo acadêmico, elegante, cortante. Mas as palavras sumiram. Falou alguma coisa vaga, técnica. Não lembrava o quê. Josefina baixou o olhar com um sorrisinho. O golpe já tinha sido dado. A aula continuou. Ou tentou. Marcos não olhou mais pra ela. Mais tarde, no corredor do primeiro andar, já com a sala vazia e o dia se apagando atrás das janelonas, Marcos caminhava pro escritório. Levava uma pasta na mão, e a cabeça em outro lugar. — Professor — disse uma voz à esquerda dele. Josefina. Tava parada perto do elevador, sozinha. Celular na mão, mochila pendurada num ombro. O mesmo sorriso suave, o mesmo olhar atrevido. — Tudo bem? — perguntou ela, com uma calma cheia de eletricidade. — Tô — respondeu ele, seco. — Precisa de alguma coisa? — Não, nada. Só ia falar que adorei a aula de hoje. Foi… provocante. Marcos não respondeu. — Não achou que teve uma energia estranha? — completou ela, dando um passo mais perto —. Como se algo estivesse prestes a rolar. Ou é só impressão minha? Ele engoliu em seco. O elevador marcou que tava subindo. — Você tem uma imaginação forte — respondeu, tentando sorrir. — É o que falam. — Josefina deu de ombros —. Mas às vezes não é imaginação. A porta do elevador abriu. Ela entrou e, bem antes das portas fecharem, se inclinou um pouquinho pra frente. Não foi um sussurro, mas também não foi uma frase dita em voz alta. — Sabia que o TikTok avisa quem vê seu perfil? Clac. As portas fecharam. Marcos ficou parado no corredor, com o coração batendo na garganta. Não tinha prova. Não tinha acusação. Só uma frase. E o pânico silencioso de saber que foi descoberto sem ninguém falar nada. Um cara sério. O apartamento era pequeno, arrumado, com luz fraca e cheiro de incenso barato. Josefina estava largada no sofá, descalça, com o cabelo solto. O namorado, Tomi, mexia alguma coisa na cozinha. — Quer mais uma breja? — perguntou. — Sim — respondeu ela, sem se mexer, olhando o celular. Tomi voltou com as garrafas. Sentou do lado dela. Beijou a perna dela. Josefina sorriu. Amava ele. Mas às vezes olhava pra ele e pensava: coitado, não faz ideia. — E o teu dia? — perguntou ele, como se realmente se importasse. — Bem. Aulas. Nada novo. — Aquele velho te olhou de novo como se você fosse um pudim? Josefina riu. — Quem? — Teu professor. O de Epistemologia. Como é o nome dele? — Marcos. Tomi se esticou pra pegar uma batatinha de uma tigela. — É óbvio que ele te acha gostosa. Outro dia você me contou que ele ficou te encarando por um minuto inteiro. — Exagero. — Não. Não exagero. Te falei. Os caras mais velhos são assim. Veem uma mina jovem como você e já ficam de baba. Josefina baixou o olhar. Deu um gole longo na cerveja. — Mas ele é um cara sério. Mesmo que gostasse, nunca teria coragem de dar um passo. — E se desse? — O que você faria num caso desses? — perguntou ela, inclinando a cabeça. Tomi deu de ombros. — Sei lá. Com uma professora? Talvez eu me animasse. Talvez eu risse. Que sei eu. Não deixa de ser uma coroa. — Marcos não é tão velho assim. Ele olhou pra ela. — A questão é o que você faria… Josefina o encarou por um segundo a mais. Não disse nada. Tomi se aproximou. Tirou a breja da mão dela, apoiou no peito dela e começou a beijar o pescoço dela. — Como que ele não vai te olhar, olha só o que você é — sussurrou —. Vem comigo.
Eles se beijaram. Josefina se deixou levar. Fechou os olhos. Tomi era bonito. Tinha o corpo definido, pele macia. Tocava ela com vontade, mas com a ansiedade de um garoto que ainda não aprendeu direito o que vem primeiro. Ele a levou pro quarto. O quarto estava com meia-luz. Josefina desabotoou a camisa devagar, enquanto Tomi olhava. Ele já tinha se despido, com aquela pressa que às vezes a enternecia… e outras, a entediava. Se enfiaram entre os lençóis. Ele beijou o pescoço dela. Desceu pelo peito. Começou a tocar ela, até que bem… mas sem ritmo. Sem malícia. Ela tentava se conectar. Fechar os olhos. Respirar. Mas não sentia nada. O corpo morno, a mente longe. — Tá bem? — murmurou ele, descendo em direção ao umbigo dela. — Tô. — Você tá seca — disse ele, sem jeito —. Aconteceu alguma coisa? Ela não respondeu. Tomi se apoiou num cotovelo. Olhou sério pra ela, pela primeira vez. — É por causa dele, né? — O quê? — Aquele professor. Josefina abriu os olhos. Ele baixou a voz, como se fosse falar algo proibido. — O professor te excita? O silêncio se esticou como uma corda. Ela olhou pra ele. Algo acendeu nos olhos dela. Não negou. Não riu. Só murmurou, com a voz quase falhando: — Um pouco. Tomi ficou imóvel. Uma mistura de ciúme, medo e tesão passou pelo rosto dele. — O que você gosta nele? Ela se sentou. Segurou o rosto dele com uma mão. Falou no ouvido dele, devagar, com um fio de voz que queimava a pele: — Gosto do jeito que ele me olha quando acha que ninguém tá vendo. Gosto de saber que ele bate uma pensando em mim. Gosto de provocar ele até ele errar na aula. Gosto que ele não pode me tocar. E eu posso. Tomi engoliu seco. Josefina empurrou ele pra baixo. Subiu em cima dele com movimentos lentos, felinos. Agora sim, ela estava molhada. Muito molhada. Tirou a calcinha num movimento rápido e enfiou o tronco do Tomi. Era um pau de porte generoso. Vigoroso. Normalmente não entrava de uma vez. Hoje, entrou. Agora era ela quem estava apressada. Tomi ofegou. — O que você tá fazendo? — Cala a boca — sussurrou ela —. Deixa eu te comer como se você fosse ele. Ela começou a se mover. Ritmo baixo, profundo, elétrico. Não buscava prazer. Buscava poder. Arranhou o peito dele, agarrou o cabelo, forçou ele a olhar nos olhos dela. — É assim que você me comeria, gosta, não? — dizia entre ofegos —. Tomi não respondia. Só segurava ela, perdido, dominado. — Tenho certeza que pode me ensinar muita coisa. Josefina cavalgava ele com fúria. Pensava no olhar de Marcos. Na voz dele. No cheiro. Em como ele a desejava sem conseguir dizer. No que faria se ele ousasse. No que ela faria com ele… se ele se deixasse. O movimento era feroz. Josefina batia com força e o barulho das carnes a esquentava ainda mais. Queria ir bem fundo, se erguia sobre os joelhos como tomando impulso e descia apertando as coxas com força. Numa das investidas subiu demais e a pica escapou. — Você tá descontrolada, vai me quebrar — disse ele e aproveitou pra virar por cima dela. Ela o envolveu com as pernas e ordenou: — Vai, mete. Tomi começou a comer ela e na segunda enfiada percebeu que tava muito perto, não queria gozar ainda e tirou a pica por um momento. — Por que você tirou? Vai, me come forte, Tomás. Ele enfiou devagar de novo, fazendo um esforço danado pra não gozar. Prendeu a respiração. Tentou pensar em outra coisa. Quase não se mexia. Então ela começou a se mexer com movimentos de contração, como se pudesse mastigar a pica com a buceta. — Quero mais pica, me come — dizia, mas Tomás não respondia. Tava tenso. Imóvel. Josefina sentiu ele gozar com espasmos lentos dentro dela. — Gozou? — disse com decepção. — Não aguentava mais — respondeu Tomás, e agora sim começou a se mover com força, mas sem o vigor nem a dureza necessária. — Já foi, já foi — Josefina se virou como se tirasse ele de cima. — Ficou brava? O que você quer que eu faça? Viu como você me deu? — O que eu quero? Um orgasmo, Tomás. Você é um egoísta. — Vem, vou chupar sua buceta. Quer? — Quero uma pica dura. Que dure. Deixa — Levantou e entrou no banheiro. Deixou a porta aberta. deixou a porta entreaberta de um jeito que Tomi pudesse vê-la da cama. Sentou no vaso e começou a se masturbar. Furiosa. Agitada. Pensou que não ia conseguir, mas alguma coisa fez ela gozar. "Marcos" — Sim, professor — escapou como um gemido. Tomi ouviu. Ela baixou a cabeça. Respirava como se tivesse corrido quilômetros. Silêncio. — Você disse o que eu acho que disse? — ele perguntou. Josefina não respondeu. Vestiu a calcinha e voltou pra cama. Ficou olhando pro teto. — Vai buscar água, quer? — falou. Ela já sabia, o desejo dela tinha um nome e não era exatamente Tomás. ISSO TÁ FICANDO BOM. MANDEM LOVE. Parte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/5966878/Con-mi-alumna-de-la-facu-3.html
O primeiro vídeo chegou como um tapa na cara. Uma coreografia agressiva, com movimentos de quadril firmes, violentos. A câmera fixa no espelho. Ela de costas. Só uma calcinha branca, fio dental. Sem sutiã. Rebolava um rabo perfeito. Brincava. Fazia gestos como se estivesse se tocando. A música dizia: "Me pede rebolada e eu fuck you sem censura / Você tem cara de quem gosta de putaria." Em outro, ela abaixava devagar uma calça até os joelhos, mostrando uma bunda perfeita, redonda, sem filtros. Agachava na frente do espelho. Mordia o dedo. Mexia a boca num playback de parar o coração: "Eu não sou santa / Mas você também não / Se continuar me olhando assim, te deixo louco." Marcos engoliu seco. Sentia a ereção como um pulso na base do estômago. Olhou pra escada. Silêncio. A casa dormia. Tirou ela pra fora. Com uma mão no celular, a outra já abaixando a calça do pijama. Tinha o pau duro como pedra. Não foi um impulso. Foi uma rendição. Escolheu o vídeo mais curto. Ela de calcinha, com um anel de luz, dançando: "Te imagino olhando. Gosto de pensar em você. Sei que tá louco por mim. Mas não sabe que eu também." O corpo de Marcos esticou como um fio. Se tocou devagar no começo, olhando cada curva, cada gesto, o vai e vem dos quadris, a língua molhada que escapava entre os lábios. Fechou os olhos. Ela estava ali. Não na tela. No colo dele. Na respiração dele. Na culpa dele. A imagem do sonho ficou mais nítida, ajudada pelo que acabara de ver. Josefina cavalgando no pau dele, subindo e descendo, fazendo os peitos jovens e firmes balançarem. A voz dela, de menina mas nada inocente, pedindo pra ele encher a buceta de leite... Gozou rápido. Não foi um alívio. Foi uma descarga suja, contida, vergonhosa, que ele limpou mal com um papel dobrado que grudou na coxa. Desligou tudo. Guardou. Subiu sem fazer barulho. Voltou pra cama. Luciana continuava dormindo, de costas. E então, o celular dela vibrou. Uma vez. Ele não ligou. Duas vezes. Franzindo a testa. A testa. Três. O nome apareceu na tela iluminada: Gonzalo. Marcos não queria olhar. Não queria cruzar aquela linha. Mas já tinha cruzado muitas outras hoje. Se inclinou. Só as notificações. Não abriu nada. Três respostas pra um story. Uma foto que ele não tinha visto: Luciana na cozinha, com um vestido curto, uma taça de vinho na mão, perna cruzada. Um boomerang sutil, mas elegante. Mensagem 1: "Sempre tão radiante você..." Mensagem 2: "Linda essa cor. E você também." Mensagem 3: "O melhor vinho com certeza é esse, o que se toma com você." Nada explícito. Nada estritamente condenável. Mas suficiente pra fechar o estômago dele num nó. Podia não significar nada. Ou sim. Ele tinha se tocado com uma aluna. Ele tinha se deixado levar por algo que jamais teria se permitido uns anos atrás. E agora, a única coisa que conseguia pensar era: E se a Luciana também? Guardou o celular de novo. Se deitou de barriga pra cima. Já não sentia calor. Nem desejo. Só um zumbido lento na cabeça. Como um eco que entrava pra dentro dele. Luciana murmurou entre sonhos: — Não consegue dormir? Demorou pra responder. — Não. E não disse mais nada. Porque agora ele já não sabia se o problema era a Josefina. Ou ele mesmo. A sala tava cheia, mas ele se sentia vazio. Era um daqueles dias em que Marcos falava quase no automático. O assunto era interessante — a tensão entre o desejo e a norma nas estruturas simbólicas da linguagem —, mas a cabeça dele não tava lá de verdade. Josefina, sim. Primeira fila. De novo. Hoje tinha ido além. Camisa branca, mal abotoada, a parte de baixo da saia quase invisível entre a carteira e o banco. Pernas cruzadas, meia-calça preta, olhar fixo. Anotava com uma concentração estudadamente exagerada. Marcos tentava não olhar pra ela. Mas era inútil. Ela era feita pra interromper. — Como coloca Lacan, o desejo não se dirige ao objeto diretamente, mas através do Outro... — explicava, enquanto escrevia no quadro. — E o que acontece quando o Outro te deseja? — perguntou Josefina, sem Levanta a mão, num tom casual. A sala riu. Marcos virou, marcador na mão. — Depende de que tipo de desejo a gente tá falando — respondeu, tentando manter o tom neutro. — E se o desejo for mútuo, mas proibido? — insistiu ela, sem tirar os olhos dele. A risa agora foi mais contida. Alguns colegas se entreolharam. Outros baixaram a cabeça, sem graça. Marcos sentiu o calor subir pelo pescoço. Quis responder com algo acadêmico, elegante, cortante. Mas as palavras sumiram. Falou alguma coisa vaga, técnica. Não lembrava o quê. Josefina baixou o olhar com um sorrisinho. O golpe já tinha sido dado. A aula continuou. Ou tentou. Marcos não olhou mais pra ela. Mais tarde, no corredor do primeiro andar, já com a sala vazia e o dia se apagando atrás das janelonas, Marcos caminhava pro escritório. Levava uma pasta na mão, e a cabeça em outro lugar. — Professor — disse uma voz à esquerda dele. Josefina. Tava parada perto do elevador, sozinha. Celular na mão, mochila pendurada num ombro. O mesmo sorriso suave, o mesmo olhar atrevido. — Tudo bem? — perguntou ela, com uma calma cheia de eletricidade. — Tô — respondeu ele, seco. — Precisa de alguma coisa? — Não, nada. Só ia falar que adorei a aula de hoje. Foi… provocante. Marcos não respondeu. — Não achou que teve uma energia estranha? — completou ela, dando um passo mais perto —. Como se algo estivesse prestes a rolar. Ou é só impressão minha? Ele engoliu em seco. O elevador marcou que tava subindo. — Você tem uma imaginação forte — respondeu, tentando sorrir. — É o que falam. — Josefina deu de ombros —. Mas às vezes não é imaginação. A porta do elevador abriu. Ela entrou e, bem antes das portas fecharem, se inclinou um pouquinho pra frente. Não foi um sussurro, mas também não foi uma frase dita em voz alta. — Sabia que o TikTok avisa quem vê seu perfil? Clac. As portas fecharam. Marcos ficou parado no corredor, com o coração batendo na garganta. Não tinha prova. Não tinha acusação. Só uma frase. E o pânico silencioso de saber que foi descoberto sem ninguém falar nada. Um cara sério. O apartamento era pequeno, arrumado, com luz fraca e cheiro de incenso barato. Josefina estava largada no sofá, descalça, com o cabelo solto. O namorado, Tomi, mexia alguma coisa na cozinha. — Quer mais uma breja? — perguntou. — Sim — respondeu ela, sem se mexer, olhando o celular. Tomi voltou com as garrafas. Sentou do lado dela. Beijou a perna dela. Josefina sorriu. Amava ele. Mas às vezes olhava pra ele e pensava: coitado, não faz ideia. — E o teu dia? — perguntou ele, como se realmente se importasse. — Bem. Aulas. Nada novo. — Aquele velho te olhou de novo como se você fosse um pudim? Josefina riu. — Quem? — Teu professor. O de Epistemologia. Como é o nome dele? — Marcos. Tomi se esticou pra pegar uma batatinha de uma tigela. — É óbvio que ele te acha gostosa. Outro dia você me contou que ele ficou te encarando por um minuto inteiro. — Exagero. — Não. Não exagero. Te falei. Os caras mais velhos são assim. Veem uma mina jovem como você e já ficam de baba. Josefina baixou o olhar. Deu um gole longo na cerveja. — Mas ele é um cara sério. Mesmo que gostasse, nunca teria coragem de dar um passo. — E se desse? — O que você faria num caso desses? — perguntou ela, inclinando a cabeça. Tomi deu de ombros. — Sei lá. Com uma professora? Talvez eu me animasse. Talvez eu risse. Que sei eu. Não deixa de ser uma coroa. — Marcos não é tão velho assim. Ele olhou pra ela. — A questão é o que você faria… Josefina o encarou por um segundo a mais. Não disse nada. Tomi se aproximou. Tirou a breja da mão dela, apoiou no peito dela e começou a beijar o pescoço dela. — Como que ele não vai te olhar, olha só o que você é — sussurrou —. Vem comigo.
Eles se beijaram. Josefina se deixou levar. Fechou os olhos. Tomi era bonito. Tinha o corpo definido, pele macia. Tocava ela com vontade, mas com a ansiedade de um garoto que ainda não aprendeu direito o que vem primeiro. Ele a levou pro quarto. O quarto estava com meia-luz. Josefina desabotoou a camisa devagar, enquanto Tomi olhava. Ele já tinha se despido, com aquela pressa que às vezes a enternecia… e outras, a entediava. Se enfiaram entre os lençóis. Ele beijou o pescoço dela. Desceu pelo peito. Começou a tocar ela, até que bem… mas sem ritmo. Sem malícia. Ela tentava se conectar. Fechar os olhos. Respirar. Mas não sentia nada. O corpo morno, a mente longe. — Tá bem? — murmurou ele, descendo em direção ao umbigo dela. — Tô. — Você tá seca — disse ele, sem jeito —. Aconteceu alguma coisa? Ela não respondeu. Tomi se apoiou num cotovelo. Olhou sério pra ela, pela primeira vez. — É por causa dele, né? — O quê? — Aquele professor. Josefina abriu os olhos. Ele baixou a voz, como se fosse falar algo proibido. — O professor te excita? O silêncio se esticou como uma corda. Ela olhou pra ele. Algo acendeu nos olhos dela. Não negou. Não riu. Só murmurou, com a voz quase falhando: — Um pouco. Tomi ficou imóvel. Uma mistura de ciúme, medo e tesão passou pelo rosto dele. — O que você gosta nele? Ela se sentou. Segurou o rosto dele com uma mão. Falou no ouvido dele, devagar, com um fio de voz que queimava a pele: — Gosto do jeito que ele me olha quando acha que ninguém tá vendo. Gosto de saber que ele bate uma pensando em mim. Gosto de provocar ele até ele errar na aula. Gosto que ele não pode me tocar. E eu posso. Tomi engoliu seco. Josefina empurrou ele pra baixo. Subiu em cima dele com movimentos lentos, felinos. Agora sim, ela estava molhada. Muito molhada. Tirou a calcinha num movimento rápido e enfiou o tronco do Tomi. Era um pau de porte generoso. Vigoroso. Normalmente não entrava de uma vez. Hoje, entrou. Agora era ela quem estava apressada. Tomi ofegou. — O que você tá fazendo? — Cala a boca — sussurrou ela —. Deixa eu te comer como se você fosse ele. Ela começou a se mover. Ritmo baixo, profundo, elétrico. Não buscava prazer. Buscava poder. Arranhou o peito dele, agarrou o cabelo, forçou ele a olhar nos olhos dela. — É assim que você me comeria, gosta, não? — dizia entre ofegos —. Tomi não respondia. Só segurava ela, perdido, dominado. — Tenho certeza que pode me ensinar muita coisa. Josefina cavalgava ele com fúria. Pensava no olhar de Marcos. Na voz dele. No cheiro. Em como ele a desejava sem conseguir dizer. No que faria se ele ousasse. No que ela faria com ele… se ele se deixasse. O movimento era feroz. Josefina batia com força e o barulho das carnes a esquentava ainda mais. Queria ir bem fundo, se erguia sobre os joelhos como tomando impulso e descia apertando as coxas com força. Numa das investidas subiu demais e a pica escapou. — Você tá descontrolada, vai me quebrar — disse ele e aproveitou pra virar por cima dela. Ela o envolveu com as pernas e ordenou: — Vai, mete. Tomi começou a comer ela e na segunda enfiada percebeu que tava muito perto, não queria gozar ainda e tirou a pica por um momento. — Por que você tirou? Vai, me come forte, Tomás. Ele enfiou devagar de novo, fazendo um esforço danado pra não gozar. Prendeu a respiração. Tentou pensar em outra coisa. Quase não se mexia. Então ela começou a se mexer com movimentos de contração, como se pudesse mastigar a pica com a buceta. — Quero mais pica, me come — dizia, mas Tomás não respondia. Tava tenso. Imóvel. Josefina sentiu ele gozar com espasmos lentos dentro dela. — Gozou? — disse com decepção. — Não aguentava mais — respondeu Tomás, e agora sim começou a se mover com força, mas sem o vigor nem a dureza necessária. — Já foi, já foi — Josefina se virou como se tirasse ele de cima. — Ficou brava? O que você quer que eu faça? Viu como você me deu? — O que eu quero? Um orgasmo, Tomás. Você é um egoísta. — Vem, vou chupar sua buceta. Quer? — Quero uma pica dura. Que dure. Deixa — Levantou e entrou no banheiro. Deixou a porta aberta. deixou a porta entreaberta de um jeito que Tomi pudesse vê-la da cama. Sentou no vaso e começou a se masturbar. Furiosa. Agitada. Pensou que não ia conseguir, mas alguma coisa fez ela gozar. "Marcos" — Sim, professor — escapou como um gemido. Tomi ouviu. Ela baixou a cabeça. Respirava como se tivesse corrido quilômetros. Silêncio. — Você disse o que eu acho que disse? — ele perguntou. Josefina não respondeu. Vestiu a calcinha e voltou pra cama. Ficou olhando pro teto. — Vai buscar água, quer? — falou. Ela já sabia, o desejo dela tinha um nome e não era exatamente Tomás. ISSO TÁ FICANDO BOM. MANDEM LOVE. Parte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/5966878/Con-mi-alumna-de-la-facu-3.html
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