Parte 1http://m.poringa.net/posts/relatos/5949086/Yoga-con-la-mami-del-jardin.htmlparte 2http://m.poringa.net/posts/relatos/5949734/Yoga-con-la-mami-del-jardin-2.htmlparte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/5951102/Yoga-con-la-mami-del-jardin-3.htmlparte 4http://m.poringa.net/posts/relatos/5952002/Yoga-con-la-mami-del-jardin-4.htmlparte 5http://m.poringa.net/posts/relatos/5952679/Yoga-con-la-mami-del-jardin-5.htmlparte 6http://m.poringa.net/posts/relatos/5955272/Yoga-con-la-mami-del-jardin-6.htmlparte 7http://m.poringa.net/posts/relatos/5956790/Yoga-con-la-mami-del-jardin-7.htmlparte 8https://m.poringa.net/posts/relatos/5958064/Yoga-con-la-mami-del-jardin-8.html
A casa da Verónica tava cheia de vozes, risada e prato de pizza pela metade. A Agustina tinha chegado sem muita vontade, mas com a esperança, talvez ingênua, de trombar com o Marco ou a Clara. Não tavam. Nem um, nem outro. O Fabián continuava lá fora, com certeza se enroscando com a Rochi ou com alguma outra. E ela, ali, na cozinha, trocando ideia fiada com umas mães que não despertavam nada nela. O copo de vinho tinto na mão dela já tava quase vazio, mas ela já tinha passado do segundo. As crianças brincavam num dos quartos, como sempre. A zoeira infantil era o fundo constante dessas reuniões. A Verónica tava na varanda com dois pais, dando risada alta, mais ligada no baseado que passavam escondido de mão em mão do que no caos infantil que vibrava na casa dela. A Agustina se apoiou no batente da porta, olhando sem olhar. Tava pensando na Clara. No que tinham feito. Em como o Marco tinha olhado pra ela da penumbra do quarto. Em como o Fabián não perguntou detalhes, mas usou ela na cabeça dele. Em como todos tinham possuído ela, e agora ninguém tava ali. Nem ela mesma. E aí ela viu. O Matías. O filho da Verónica. Tava grandão o moleque. Dezessete, talvez dezoito. Alto. Magrelo. Fazia um tempo que o comentário entre as mães era como ele tava gostoso. A própria Verónica tinha contado que o filhinho dela era um puta Don Juan, que arrancava suspiros. E até tinha deixado escapar que o menino tinha lenha, se referindo ao tamanho com que a natureza generosamente tinha dotado ele. O mesmo Matías que, quando adolescente, tantas vezes mal tinha cumprimentado ela com um beijo distraído e sem interesse, por obrigação ou educação, sem nem olhar pra ela... hoje tava diferente. Ela percebeu na hora. Essa noite, sim. Ele tava olhando. Sem vergonha. E ela, fiel ao estilo dela, não desviou o olhar. Pelo contrário. Ficou ali. Sustentando. Foi um segundo. Mas daqueles que se esticam e se enchem de algo que não devia estar ali. A Agustina sentiu o calor subir pro peito. O vinho. A vontade. O silêncio de Fabián. A ausência de Clara. O olhar do garoto era o espelho dela. Ela o desejava. Era óbvio. Com uma brutalidade desajeitada. Com uma fome primitiva. — Quer mais vinho? — perguntou uma mãe da cozinha. — Sim, por favor — respondeu sem tirar os olhos de Matías, que se embrenhava no corredor em direção a um dos quartos do fundo. Agustina pegou o vinho, mas não voltou à conversa. Ficou na cozinha, sozinha, bebendo devagar. Escutando. A voz de Verônica. O eco de uma risada. O murmúrio de fundo. E aquele outro silêncio mais denso, mais íntimo. O do quarto do fundo. A ideia se instalou sem aviso. Não como desejo, mas como uma fantasia insolente. Como uma porta que não deveria se abrir, mas que estava entreaberta. Imaginou-se entrando. Imaginou-se sentando na cama. Imaginou-se sozinha com ele. O garoto. Aquele que a olhou com fome. Fechou os olhos. O vinho ardia um pouco na garganta. Sentiu que podia fazer uma loucura naquela noite. Não por ele. Por ela. Por Clara. Por Marco. Por Fabián. Por tudo que não tinha e pelo que não sabia se ainda conseguia segurar. A taça já estava vazia, e a cozinha também tinha ido se esvaziando. Agustina se aproximou do banheiro pelo corredor e, ao voltar, não conseguiu evitar olhar para o quarto onde Matias estava. A porta estava entreaberta. Do outro quarto vinham vozes de desenhos animados e risadas das crianças. Ela se aproximou e, entre sombras e almofadas, o viu. Ele estava deitado na cama dos pais, o celular na mão, mas seu olhar a procurou de novo como se estivesse esperando por ela. Agustina sentiu um nó na boca do estômago. Aquele olhar tinha algo urgente. Adolescente. Imprudente. Ela entrou só um passo. Fingindo que procurava o casaco entre os que estavam sobre a cama ao lado dele. — Tudo bem, Mati? — perguntou com tom neutro. — Sim — disse ele, e guardou o celular —. E você? ”E você?” Falou com ela como se fossem iguais. Como se ela não fosse a mulher de um cara. Como se não tivesse filhos. Como se não fosse a amiga da mãe dele. — Tudo —tá bom —respondeu, sem saber o que mais dizer. Então, Matías se aproximou um pouco. Tava perto demais. Mais do que era apropriado. Mais do que era seguro. O cheiro dele era fresco, uma mistura de desodorante barato e pele quente. Agustina não se mexeu. Não conseguia. Sentia o sangue pulsando nas têmporas. —Precisa de ajuda com alguma coisa? —ele disse, num sussurro quase inaudível. Agustina mordeu o lábio. Pensou. Não ia rolar nada. Não podia rolar nada. Mas por um instante, só um, desejou que sim. Que o mundo fosse outro. Que não importasse. Que não existissem limites nem consequências. —Não —falou por fim, com um sorriso leve—. Tenho que ir. Ele assentiu. Não insistiu. Mas o jeito que ele olhou pra ela quando ela pegou o casaco e saiu do quarto a perseguiu até ela ir embora. Ela se despediu do grupo com uma desculpa vaga e da filha que ia ficar de pijama. Garantiu que ela tivesse tudo na mochila, deu um beijo carinhoso nela e foi. Já na rua, o ar fresco deu uma sacudida nela. Caminhou devagar. Sentia o corpo estranho. Como se não fosse dela. Como se ainda tivesse o Matías em cima, mesmo ele nunca tendo tocado nela. Com a filha de pijama na casa da Verônica, pensou em aproveitar o resto da noite. Podia ir pra casa, sim, preparar um chá e esquecer tudo. Fingir que nada aconteceu. Que nada aconteceu com ela. Mas não queria esquecer. Não ainda. Andou mais um quarteirão. E outro. E então, como por reflexo, virou pro bar da esquina. Entrou. Tocava uma música suave, um soul antigo. A iluminação era fraca. Pediu uma taça de vinho e sentou sozinha no balcão. Um cara de camisa apertada chegou perto na hora. Fez um comentário idiota sobre o sorriso dela. Ela recusou com educação. Outro, mais bêbado, tentou pagar uma bebida pra ela. Nem respondeu. Não era aquilo que ela procurava. Nem palavras doces, nem galanteios vazios. Se perguntou se devia ir embora. Talvez sim. Não sabia quanto tempo tinha ficado ali no balcão e já ia pagar, quando a porta do bar se abriu e entraram três caras rindo, falando alto. E no meio deles, ele. De jaqueta preta, uma camiseta branca que mal disfarçava o corpo jovem e sarado, e aquele mesmo descaramento no olhar que ela já tinha sentido mais cedo, quando estavam todos na casa. Mas isso era diferente. Ele não estava com a mãe. Nem com os outros pais. Estava com dois amigos, com a irreverência que a juventude dá. Agustina se tensou. Deu um gole mais longo do que devia, como pra engolir a culpa de uma vez. Ele viu ela. Parou por um segundo. E sorriu. Não cumprimentou. Não fingiu surpresa. Só olhou pra ela com aquele jeito que era tudo menos inocência. Como se soubesse exatamente o que tava fazendo. Ela desviou o olhar. O coração disparou. "Não seja ridícula", pensou. "É um moleque." Mas tinha algo ali. Algo que fazia ela não querer ir embora. Algo que doía e excitava ao mesmo tempo. Aquela juventude insolente. Aquele desejo tão óbvio, sem disfarce. Aquela falta de juízo que ela já não podia se dar ao luxo de ter, mas que Matías carregava como se fosse perfume. Dez minutos depois, ele se aproximou. Sozinho. Sem os amigos. Com passo firme. — Aproveitando a noite livre da mãe? — perguntou, com um sorriso torto, safado. Não de garoto tímido. De quem sabe o que quer. — Boa escolha, fazem uns drinques bons aqui. Agustina riu pelo nariz. Não era uma risada de graça. Era defensiva. — Tá me cantando? Sério? — Por que não? — respondeu ele, e se apoiou no balcão, perto demais. — Porque sou amiga da sua mãe. Porque podia ser sua mãe. Isso é loucura — disse Agustina, fingindo indignação. — E daí? — E nada. Isso. Ele encarou ela. Sem piscar. — Desculpa, não quero parecer sem noção, mas te olhei hoje. Lá em casa. E senti que você segurava meu olhar. Agustina sentiu um arrepio. Não pelo que ele disse, mas pelo tom. Pela certeza com que falou. Passou a língua nos lábios, distraída. — Tá se metendo num terreno foda, Matías. — E você não? Ela sorriu. Um sorriso breve, quebrada, molhada. Tudo no corpo dela gritava pra ela levantar e vazar. Mas ela ficou. E isso já era uma decisão. — Não tem problema a gente tomar um drink, né? — ele disse, e sem esperar resposta, fez um sinal pro barman pedir mais dois. — O gin tônica é muito bem feito aqui. Agustina não impediu. Deixou ele fazer. Olhava as mãos dele. Os braços firmes. Aquele pescoço sem uma marca do tempo. E pensou na Verônica. No escândalo que seria se ela soubesse. Na catástrofe. Mas era exatamente isso que percorria as costas dela como um carinho invisível. A possibilidade. O perigo. E então ele se aproximou mais, a coxa dele roçando a dela. — Sabe o que eu gosto em você? — sussurrou. — Não quero saber — disse Agustina, mas não se mexeu. — Que dá pra ver que você não se contenta, que não tá disposta a viver só do jeito certo. Confortável. Seus olhos me contam quando você não consegue parar de me olhar. Ela baixou o olhar. Tava ficando excitada. Ali, no balcão. O cara tava fazendo tudo certo. Tava jogando o jogo da vida dele. E tava dando conta. Agustina tinha ele na cabeça. Ele tava afim dela. Sem ele nem tocar nela. Sem ninguém fazer nada. Só com isso: com o risco. Com o desejo que não devia estar sentindo. — A gente termina esse drink e você vai com seus amigos, tá? Matías olhou pra ela, desafiador. — Prefiro ficar com você. Se não te incomodar. Agustina olhou pra ele. De verdade. Pela primeira vez. E pensou. Pensou mesmo. Mas o relógio, a lucidez que ainda sobrava, e o nó no estômago quando imaginou a cara da Verônica… fizeram ela levantar. — Você não sabe a merda que pode causar. — E você? Agustina deu um beijo na bochecha dele. Longo. Carregado. Um beijo que não devia ter dado. Que selava algo. — Vaza. Anda. Não tenta o diabo. — Tô onde quero estar. Agustina teve um lampejo de lucidez, levantou e sem se despedir foi embora. Andando rápido. O pulso acelerado. O desejo entre as pernas. O ar da noite bateu na cara dela como um balde de água fria. Andou rápido. sem olhar pra trás, sem se deixar tentar a voltar. As luzes do pub ficavam pra trás, mas Matías ainda estava na cabeça dela. Aquele olhar. Aquela voz. Aquela segurança que ela não esperava de um garoto assim. Não era um adolescente qualquer. Tinha algo sombrio, precoce. Algo que soube ler ela sem esforço. Agustina parou na esquina, sem decidir ainda se voltava pra casa ou seguia em frente. Acendeu um cigarro. Não costumava fumar, mas naquela noite já tinha quebrado mais de uma regra. Encostou numa árvore e respirou fundo. A brisa gelada ajudava a organizar o caos lá dentro, mas não apagava o fogo que subia da boca do estômago. O celular vibrou. Era Matías. Ela não conseguia entender como ele tinha conseguido o número dela. "Você esqueceu uma coisa." Não mandou foto. Nem emoji. Só isso. Ela olhou pra mensagem. Fechou os olhos. Tinha que apagar a mensagem, bloquear ele, fazer o que qualquer pessoa sensata faria. Mas não fez. "Que coisa?" escreveu. Passaram segundos. Talvez minutos. Até que veio a resposta: "De me cumprimentar." Agustina soltou uma risada curta, quebrada, como se o prazer escapasse num golpe. E o celular vibrou de novo. Dessa vez era uma foto. Borrada, tirada no banheiro do pub. O espelho embaçado, o torso nu dele. Não dava pra ver o rosto. Mas o resto era inconfundível. Ela sentiu o calor descer até o centro do corpo. Passou o dedo no lábio inferior, sem pensar. O sangue zumbia nas têmporas. "Você tá brincando com fogo, Matías." Ele respondeu na hora: "Você acendeu." Ela guardou o celular. Não podia responder. Não devia. Mas também não conseguia ignorar. Ficou parada mais alguns minutos, engolindo seco, se sentindo mais viva do que em semanas. Mais perigosa. Mais sozinha. E mais desejada. Voltou andando pra casa, sem saber exatamente o que queria. Mas sabendo que parte dela tinha acordado de novo. E que Matías, com aquela insolência adolescente e aquela vontade de quebrar tudo, era o combustível perfeito pra próxima queda dela.
Agustina continuava com o celular na mão, deitada de lado na cama, com uma taça pela metade no criado-mudo e o robe apenas cruzado sobre o corpo. Lá fora, a cidade já dormia. Lá dentro, ela não conseguia. A mensagem chegou como um tiro: Matías: "Não consigo parar de pensar em você." Ela não respondeu. Fechou os olhos, suspirou. Virou-se para o teto. A segunda mensagem foi pior: Matías: "Juro que nunca vi ninguém como você. Nem na escola, nem nas redes. Ninguém. Você é outra coisa." O celular vibrava e, a cada notificação, um arrepio percorria o corpo dela. Ela se sentia vazia, sozinha, exposta. Fabián em outro continente. Marco e Clara, distantes. As amigas, cada uma na sua. E esse garoto, esse moleque, aparecendo justo quando menos devia. Agustina: "Você é um menino. Não vem me procurar." Matías: "Não vem me procurar… mas você responde." Agustina: "Estou te dando um limite." Matías: "Não parece. Me fala com toda sinceridade e juro que paro por aqui: meus mensagens te incomodam?" Agustina: "Não." A mensagem escapou. Ela leu, doeu, e não apagou. Sabia que estava caindo, sabia o que podia custar, mas deixou rolar. Sentou na cama, o robe se abriu sem querer e por um segundo ela se olhou no espelho da parede. Gostou do que viu. E se odiou por isso. Matías: "Eu vi nos seus olhos. Os dois querem a mesma coisa. Não sou mais um menino." Agustina: "Sim. Isso tá claro e pode ser que eu tenha te olhado com desejo, mesmo assim isso não te dá direito de ficar me perseguindo." Matías: "Não quero ter direito. Nem quero te perseguir, quero o contrário: te encontrar." Ele mandou uma foto. Não mostrava nada explícito, mas sugeria demais. Ele na frente do espelho, de regata branca, mal dando pra ver a linha que descia pela barriga. Aquela cara de pau juvenil, aquela mistura de atrevimento e inocência, aquele corpo que ainda não carregava as marcas do tempo. Algo que ela não tinha. Algo que ele não entendia direito… mas mesmo assim oferecia. O silêncio a engoliu por vários minutos. Agustina: "Você não sabe com o que está se metendo. brincando." Matías: "Eu sei que você brinca com fogo quando quer se queimar." Ela largou o celular na cama. Andou até a cozinha, serviu mais um pouco de vinho, virou de uma vez. Quando voltou pro quarto, tinha mais duas mensagens. Matías: "Tô aqui fora." Matías: "Deixa eu te encontrar." A campainha tocou assim que ela terminou de ler. Agustina ficou paralisada. Não podia ser. Andou até a janela e viu ele. Lá estava. De pé, sozinho, apoiado no corrimão, com o celular na mão. Olhava pra porta do prédio, esperando. Ela podia não abrir. Podia desligar o celular. Podia bloqueá-lo, tomar um banho gelado, dormir. Mas andou até a porta. Abriu. Matías estava ali, no corredor, com uma jaqueta fina, o cabelo molhado como se tivesse jogado água pra esfriar. Sorriu de leve. — Oi. Ela olhou pra ele como se não soubesse o que dizer. O silêncio foi eterno. — Não é certo você estar aqui. — Eu sei. — Você tem que ir embora. — Você quer que eu vá? Agustina olhou nos olhos dele. Quis dizer que sim. Mas não disse. Ficou ali, tremendo na porta, segurando ela só com uma mão. O decote do roupão tinha se deslocado. Matías percebeu. Não disse nada. Só respirou mais forte. — Se a Verônica descobrir isso… — murmurou ela. — Vai dar um escândalo. — E você vai estragar tudo. — Então fecha a porta — disse Matías, sem se mexer, desafiador. Ela não fechou. E ele percebeu. Matías entrou. Ela fechou. E a linha, cruzada, ficou pra trás.
A porta se fechou com um clique suave atrás de Matías. O som pareceu mais alto do que era, como se selasse um pacto silencioso. Agustina olhou pra ele por um segundo na penumbra do corredor, mal iluminado pela luz da sala. O apartamento cheirava ao perfume dela, a roupa limpa e vinho tinto. Matías, parado ali, com uma jaqueta leve e aquela atitude entre nervosa e desafiadora, parecia fora de lugar. Mas não pra ela. Não naquele momento.
— Quer água? — perguntou Agustina, andando em direção à cozinha, sem esperar por ele.
— É isso que você vai me oferecer? — disse ele, com um meio sorriso enquanto tirava a jaqueta — Depois de me falar que me desejava…
Ela parou, apoiando as mãos na bancada, de costas pra ele. O silêncio foi longo, mas carregado.
— Foi um erro — murmurou, sem se virar.
— É? Porque não soou assim. Soou como se você quisesse que eu levasse a sério.
Agustina se virou devagar. Ainda tinha a taça de vinho pela metade. Levou aos lábios e olhou pra ele por cima da borda.
— Nem tudo que a gente deseja é uma boa ideia.
Matías caminhou até ficar na frente dela. O ambiente parecia menor, o ar mais denso.
— Então me fala que eu não te excito — disse ele — Olha nos meus olhos e me fala.
Ela engoliu seco. Olhou pra ele. Não disse nada.
— Foi o que pensei — completou ele, com um tom que agora soava seguro.
Matías sustentou o olhar. Ela recuou só um pouco, os quadris apoiados na bancada. Ele se aproximou mais um pouco, e os dedos dele roçaram o pulso dela.
— Se a gente cruzar essa linha… — disse Agustina, quase inaudível — …não tem volta.
— Então não fala mais nada. A linha já foi cruzada.
Matías a beijou. Foi um beijo desajeitado, no começo, mas carregado de urgência. Agustina quis parar ele, de verdade. Colocou as mãos no peito dele, mas os dedos se fecharam no tecido. Em vez de empurrá-lo, puxaram. A língua dele buscou a dela, e quando a encontrou, o calor subiu pela barriga dela como um tiro. Ela se separou de repente, respirando ofegante. Matías olhou pra ela, com a boca entreaberta. —A gente não devia… —sussurrou ela. —Mas você quer. Ela assentiu. Só com os olhos. —Vamos pro quarto? Agustina não respondeu. Simplesmente se virou e começou a andar. Ele seguiu ela sem fazer barulho. O quarto tava escuro, exceto por uma luz fraca que entrava da rua. Quando a porta se fechou, ficaram sozinhos com o som das respirações. Agustina sentou na cama, cruzando as pernas como se tivesse dúvida. Matías se ajoelhou na frente dela, e levantou devagar o vestido, até apoiar as mãos nas coxas nuas. —Você tá tremendo —murmurou. —Não é medo —respondeu ela—. É bem o contrário. —Então me diz o que você quer. —Me surpreende. Matías fez isso. Matías olhou pra ela de baixo, com as mãos firmes nas coxas dela, acariciando de leve, só o suficiente pra arrepiar a pele. Agustina apoiou as mãos nos ombros dele, sem falar. Ele deslizou os dedos devagar até a borda da calcinha, roçando, sondando a permissão dela. Ela não impediu. Só fechou os olhos e abriu um pouco mais as pernas. —Você tá molhada —murmurou ele, com uma mistura de surpresa e triunfo na voz. Agustina abriu os olhos de repente, presa entre o desejo e a vergonha. —Não fala tanto —disse ela—. Faz. Matías sorriu. Tirou a calcinha dela devagar, com calma. O vestido subido até a cintura, as pernas abertas, a respiração ofegante… ela não acreditava no que tava rolando, mas também não conseguia parar. Sentiu a língua dele entre as pernas. No começo foi um roçar suave, quase uma sondagem. Mas logo ganhou confiança. Matías lambia com fome, com ritmo, explorando. Agustina arqueou as costas, mordendo o lábio. Ele não tinha a experiência do Fabián nem a técnica da Clara, mas tinha algo cru, voraz, juvenil, que excitava ela de um jeito diferente. —Aí… —sussurrou ela, descendo uma mão até a nuca dele, guiando. Matías obedecia. Se entregava. A língua se movia cada vez com mais precisão, com mais segurança. Agustina gemeu, baixo, profundo. Tapou a boca com a mão, como se ainda pudesse se segurar. Mas já não dava mais. — Continua… —disse entre os dentes—. Não para. E ele não parou. Fez ela tremer. O orgasmo pegou ela de surpresa, atravessou como um choque. Agustina se tensionou toda, agarrada na cabeça dele, as coxas tremendo dos dois lados do rosto dele. Matías segurou ela enquanto ela se deixava cair pra trás na cama, ofegante, o peito subindo e descendo. Ficou ali uns segundos. O quarto tava quente. Ela olhou pra ele de baixo, com os olhos semicerrados. — Tira tudo —ordenou. Ele obedeceu sem hesitar. Enquanto se despia, ela observava. Era magro, jovem, com aquele corpo que ainda não foi vencido pela rotina nem pelo tempo. Quando ficou completamente exposto, Agustina sentou de novo e puxou ele pra perto. Acariciou o peito dele, o abdômen, e depois desceu a mão entre as pernas dele. Tinha a piroca dura igual pedra, com aquele tipo de dureza que só se consegue na primeira juventude. Era uma piroca grossa, larga, brilhante. — Tem certeza que sabe o que tá fazendo? — Quero que você me ensine —disse ele, com um sorriso cheio de malícia. Agustina beijou ele. Mais devagar dessa vez. Fundo. Mordeu o lábio inferior dele e fez ele deitar. Montou em cima dele, guiando a piroca com a mão, roçando na entrada dela, fazendo até um pouco de esforço pra manobrar de tão tensa e reta que tava. — Você vai lembrar disso —murmurou enquanto se sentava, devagar. Os dois soltaram um gemido. O ritmo foi controlado por ela. Ela montava ele com movimentos lentos, circulares, intensos. Se inclinou sobre o peito dele, beijou, marcou ele com as unhas nos ombros. Matías não sabia se ia aguentar, mas tentava resistir. Agarrou ela pela cintura, como pra não se perder. — Mais forte… —sussurrou ele. — Shhh… tem certeza? Você vai gozar rápido assim —disse ela, com um sorriso que misturava ternura e dominação—. Deixa eu te usar um pouco. Matías fechou os olhos. Sentiu ela cavalgar ele com uma intensidade que não esperava, como se Agustina estivesse exorcizando algo através dele. E talvez fosse assim. Quando terminou, ele não aguentou mais. Se tensionou, se deixou ir. Agustina se deixou cair sobre o peito dele, suada, tremendo. O silêncio foi longo. Só as respirações deles preenchiam o quarto. — Se minha velha descobrir isso… — disse Matías, ainda ofegante. — Ninguém pode saber — interrompeu ela, séria —. Nunca. Se olharam. Tinha desejo. Tinha culpa. Mas também tinha algo mais: aquela sensação perigosa de ter cruzado um limite que já não podia ser apagado. Agustina sabia, isso não podia saber nem Fabián. Ela tinha sucumbido. E se sentiu um pouco mais sozinha do que já estava. BOM… ISSO TÁ SAINDO DO CONTROLE, MAS NÃO CONSIGO ABANDONAR ESSA HISTÓRIA. COMENTEM E MANDEM LOVE. ME DIGAM SE TÃO CURTINDO TANTO QUANTO EU. Parte 10http://m.poringa.net/posts/relatos/5960561/Yoga-con-la-mami-del-jardin-10.html
A casa da Verónica tava cheia de vozes, risada e prato de pizza pela metade. A Agustina tinha chegado sem muita vontade, mas com a esperança, talvez ingênua, de trombar com o Marco ou a Clara. Não tavam. Nem um, nem outro. O Fabián continuava lá fora, com certeza se enroscando com a Rochi ou com alguma outra. E ela, ali, na cozinha, trocando ideia fiada com umas mães que não despertavam nada nela. O copo de vinho tinto na mão dela já tava quase vazio, mas ela já tinha passado do segundo. As crianças brincavam num dos quartos, como sempre. A zoeira infantil era o fundo constante dessas reuniões. A Verónica tava na varanda com dois pais, dando risada alta, mais ligada no baseado que passavam escondido de mão em mão do que no caos infantil que vibrava na casa dela. A Agustina se apoiou no batente da porta, olhando sem olhar. Tava pensando na Clara. No que tinham feito. Em como o Marco tinha olhado pra ela da penumbra do quarto. Em como o Fabián não perguntou detalhes, mas usou ela na cabeça dele. Em como todos tinham possuído ela, e agora ninguém tava ali. Nem ela mesma. E aí ela viu. O Matías. O filho da Verónica. Tava grandão o moleque. Dezessete, talvez dezoito. Alto. Magrelo. Fazia um tempo que o comentário entre as mães era como ele tava gostoso. A própria Verónica tinha contado que o filhinho dela era um puta Don Juan, que arrancava suspiros. E até tinha deixado escapar que o menino tinha lenha, se referindo ao tamanho com que a natureza generosamente tinha dotado ele. O mesmo Matías que, quando adolescente, tantas vezes mal tinha cumprimentado ela com um beijo distraído e sem interesse, por obrigação ou educação, sem nem olhar pra ela... hoje tava diferente. Ela percebeu na hora. Essa noite, sim. Ele tava olhando. Sem vergonha. E ela, fiel ao estilo dela, não desviou o olhar. Pelo contrário. Ficou ali. Sustentando. Foi um segundo. Mas daqueles que se esticam e se enchem de algo que não devia estar ali. A Agustina sentiu o calor subir pro peito. O vinho. A vontade. O silêncio de Fabián. A ausência de Clara. O olhar do garoto era o espelho dela. Ela o desejava. Era óbvio. Com uma brutalidade desajeitada. Com uma fome primitiva. — Quer mais vinho? — perguntou uma mãe da cozinha. — Sim, por favor — respondeu sem tirar os olhos de Matías, que se embrenhava no corredor em direção a um dos quartos do fundo. Agustina pegou o vinho, mas não voltou à conversa. Ficou na cozinha, sozinha, bebendo devagar. Escutando. A voz de Verônica. O eco de uma risada. O murmúrio de fundo. E aquele outro silêncio mais denso, mais íntimo. O do quarto do fundo. A ideia se instalou sem aviso. Não como desejo, mas como uma fantasia insolente. Como uma porta que não deveria se abrir, mas que estava entreaberta. Imaginou-se entrando. Imaginou-se sentando na cama. Imaginou-se sozinha com ele. O garoto. Aquele que a olhou com fome. Fechou os olhos. O vinho ardia um pouco na garganta. Sentiu que podia fazer uma loucura naquela noite. Não por ele. Por ela. Por Clara. Por Marco. Por Fabián. Por tudo que não tinha e pelo que não sabia se ainda conseguia segurar. A taça já estava vazia, e a cozinha também tinha ido se esvaziando. Agustina se aproximou do banheiro pelo corredor e, ao voltar, não conseguiu evitar olhar para o quarto onde Matias estava. A porta estava entreaberta. Do outro quarto vinham vozes de desenhos animados e risadas das crianças. Ela se aproximou e, entre sombras e almofadas, o viu. Ele estava deitado na cama dos pais, o celular na mão, mas seu olhar a procurou de novo como se estivesse esperando por ela. Agustina sentiu um nó na boca do estômago. Aquele olhar tinha algo urgente. Adolescente. Imprudente. Ela entrou só um passo. Fingindo que procurava o casaco entre os que estavam sobre a cama ao lado dele. — Tudo bem, Mati? — perguntou com tom neutro. — Sim — disse ele, e guardou o celular —. E você? ”E você?” Falou com ela como se fossem iguais. Como se ela não fosse a mulher de um cara. Como se não tivesse filhos. Como se não fosse a amiga da mãe dele. — Tudo —tá bom —respondeu, sem saber o que mais dizer. Então, Matías se aproximou um pouco. Tava perto demais. Mais do que era apropriado. Mais do que era seguro. O cheiro dele era fresco, uma mistura de desodorante barato e pele quente. Agustina não se mexeu. Não conseguia. Sentia o sangue pulsando nas têmporas. —Precisa de ajuda com alguma coisa? —ele disse, num sussurro quase inaudível. Agustina mordeu o lábio. Pensou. Não ia rolar nada. Não podia rolar nada. Mas por um instante, só um, desejou que sim. Que o mundo fosse outro. Que não importasse. Que não existissem limites nem consequências. —Não —falou por fim, com um sorriso leve—. Tenho que ir. Ele assentiu. Não insistiu. Mas o jeito que ele olhou pra ela quando ela pegou o casaco e saiu do quarto a perseguiu até ela ir embora. Ela se despediu do grupo com uma desculpa vaga e da filha que ia ficar de pijama. Garantiu que ela tivesse tudo na mochila, deu um beijo carinhoso nela e foi. Já na rua, o ar fresco deu uma sacudida nela. Caminhou devagar. Sentia o corpo estranho. Como se não fosse dela. Como se ainda tivesse o Matías em cima, mesmo ele nunca tendo tocado nela. Com a filha de pijama na casa da Verônica, pensou em aproveitar o resto da noite. Podia ir pra casa, sim, preparar um chá e esquecer tudo. Fingir que nada aconteceu. Que nada aconteceu com ela. Mas não queria esquecer. Não ainda. Andou mais um quarteirão. E outro. E então, como por reflexo, virou pro bar da esquina. Entrou. Tocava uma música suave, um soul antigo. A iluminação era fraca. Pediu uma taça de vinho e sentou sozinha no balcão. Um cara de camisa apertada chegou perto na hora. Fez um comentário idiota sobre o sorriso dela. Ela recusou com educação. Outro, mais bêbado, tentou pagar uma bebida pra ela. Nem respondeu. Não era aquilo que ela procurava. Nem palavras doces, nem galanteios vazios. Se perguntou se devia ir embora. Talvez sim. Não sabia quanto tempo tinha ficado ali no balcão e já ia pagar, quando a porta do bar se abriu e entraram três caras rindo, falando alto. E no meio deles, ele. De jaqueta preta, uma camiseta branca que mal disfarçava o corpo jovem e sarado, e aquele mesmo descaramento no olhar que ela já tinha sentido mais cedo, quando estavam todos na casa. Mas isso era diferente. Ele não estava com a mãe. Nem com os outros pais. Estava com dois amigos, com a irreverência que a juventude dá. Agustina se tensou. Deu um gole mais longo do que devia, como pra engolir a culpa de uma vez. Ele viu ela. Parou por um segundo. E sorriu. Não cumprimentou. Não fingiu surpresa. Só olhou pra ela com aquele jeito que era tudo menos inocência. Como se soubesse exatamente o que tava fazendo. Ela desviou o olhar. O coração disparou. "Não seja ridícula", pensou. "É um moleque." Mas tinha algo ali. Algo que fazia ela não querer ir embora. Algo que doía e excitava ao mesmo tempo. Aquela juventude insolente. Aquele desejo tão óbvio, sem disfarce. Aquela falta de juízo que ela já não podia se dar ao luxo de ter, mas que Matías carregava como se fosse perfume. Dez minutos depois, ele se aproximou. Sozinho. Sem os amigos. Com passo firme. — Aproveitando a noite livre da mãe? — perguntou, com um sorriso torto, safado. Não de garoto tímido. De quem sabe o que quer. — Boa escolha, fazem uns drinques bons aqui. Agustina riu pelo nariz. Não era uma risada de graça. Era defensiva. — Tá me cantando? Sério? — Por que não? — respondeu ele, e se apoiou no balcão, perto demais. — Porque sou amiga da sua mãe. Porque podia ser sua mãe. Isso é loucura — disse Agustina, fingindo indignação. — E daí? — E nada. Isso. Ele encarou ela. Sem piscar. — Desculpa, não quero parecer sem noção, mas te olhei hoje. Lá em casa. E senti que você segurava meu olhar. Agustina sentiu um arrepio. Não pelo que ele disse, mas pelo tom. Pela certeza com que falou. Passou a língua nos lábios, distraída. — Tá se metendo num terreno foda, Matías. — E você não? Ela sorriu. Um sorriso breve, quebrada, molhada. Tudo no corpo dela gritava pra ela levantar e vazar. Mas ela ficou. E isso já era uma decisão. — Não tem problema a gente tomar um drink, né? — ele disse, e sem esperar resposta, fez um sinal pro barman pedir mais dois. — O gin tônica é muito bem feito aqui. Agustina não impediu. Deixou ele fazer. Olhava as mãos dele. Os braços firmes. Aquele pescoço sem uma marca do tempo. E pensou na Verônica. No escândalo que seria se ela soubesse. Na catástrofe. Mas era exatamente isso que percorria as costas dela como um carinho invisível. A possibilidade. O perigo. E então ele se aproximou mais, a coxa dele roçando a dela. — Sabe o que eu gosto em você? — sussurrou. — Não quero saber — disse Agustina, mas não se mexeu. — Que dá pra ver que você não se contenta, que não tá disposta a viver só do jeito certo. Confortável. Seus olhos me contam quando você não consegue parar de me olhar. Ela baixou o olhar. Tava ficando excitada. Ali, no balcão. O cara tava fazendo tudo certo. Tava jogando o jogo da vida dele. E tava dando conta. Agustina tinha ele na cabeça. Ele tava afim dela. Sem ele nem tocar nela. Sem ninguém fazer nada. Só com isso: com o risco. Com o desejo que não devia estar sentindo. — A gente termina esse drink e você vai com seus amigos, tá? Matías olhou pra ela, desafiador. — Prefiro ficar com você. Se não te incomodar. Agustina olhou pra ele. De verdade. Pela primeira vez. E pensou. Pensou mesmo. Mas o relógio, a lucidez que ainda sobrava, e o nó no estômago quando imaginou a cara da Verônica… fizeram ela levantar. — Você não sabe a merda que pode causar. — E você? Agustina deu um beijo na bochecha dele. Longo. Carregado. Um beijo que não devia ter dado. Que selava algo. — Vaza. Anda. Não tenta o diabo. — Tô onde quero estar. Agustina teve um lampejo de lucidez, levantou e sem se despedir foi embora. Andando rápido. O pulso acelerado. O desejo entre as pernas. O ar da noite bateu na cara dela como um balde de água fria. Andou rápido. sem olhar pra trás, sem se deixar tentar a voltar. As luzes do pub ficavam pra trás, mas Matías ainda estava na cabeça dela. Aquele olhar. Aquela voz. Aquela segurança que ela não esperava de um garoto assim. Não era um adolescente qualquer. Tinha algo sombrio, precoce. Algo que soube ler ela sem esforço. Agustina parou na esquina, sem decidir ainda se voltava pra casa ou seguia em frente. Acendeu um cigarro. Não costumava fumar, mas naquela noite já tinha quebrado mais de uma regra. Encostou numa árvore e respirou fundo. A brisa gelada ajudava a organizar o caos lá dentro, mas não apagava o fogo que subia da boca do estômago. O celular vibrou. Era Matías. Ela não conseguia entender como ele tinha conseguido o número dela. "Você esqueceu uma coisa." Não mandou foto. Nem emoji. Só isso. Ela olhou pra mensagem. Fechou os olhos. Tinha que apagar a mensagem, bloquear ele, fazer o que qualquer pessoa sensata faria. Mas não fez. "Que coisa?" escreveu. Passaram segundos. Talvez minutos. Até que veio a resposta: "De me cumprimentar." Agustina soltou uma risada curta, quebrada, como se o prazer escapasse num golpe. E o celular vibrou de novo. Dessa vez era uma foto. Borrada, tirada no banheiro do pub. O espelho embaçado, o torso nu dele. Não dava pra ver o rosto. Mas o resto era inconfundível. Ela sentiu o calor descer até o centro do corpo. Passou o dedo no lábio inferior, sem pensar. O sangue zumbia nas têmporas. "Você tá brincando com fogo, Matías." Ele respondeu na hora: "Você acendeu." Ela guardou o celular. Não podia responder. Não devia. Mas também não conseguia ignorar. Ficou parada mais alguns minutos, engolindo seco, se sentindo mais viva do que em semanas. Mais perigosa. Mais sozinha. E mais desejada. Voltou andando pra casa, sem saber exatamente o que queria. Mas sabendo que parte dela tinha acordado de novo. E que Matías, com aquela insolência adolescente e aquela vontade de quebrar tudo, era o combustível perfeito pra próxima queda dela.
Agustina continuava com o celular na mão, deitada de lado na cama, com uma taça pela metade no criado-mudo e o robe apenas cruzado sobre o corpo. Lá fora, a cidade já dormia. Lá dentro, ela não conseguia. A mensagem chegou como um tiro: Matías: "Não consigo parar de pensar em você." Ela não respondeu. Fechou os olhos, suspirou. Virou-se para o teto. A segunda mensagem foi pior: Matías: "Juro que nunca vi ninguém como você. Nem na escola, nem nas redes. Ninguém. Você é outra coisa." O celular vibrava e, a cada notificação, um arrepio percorria o corpo dela. Ela se sentia vazia, sozinha, exposta. Fabián em outro continente. Marco e Clara, distantes. As amigas, cada uma na sua. E esse garoto, esse moleque, aparecendo justo quando menos devia. Agustina: "Você é um menino. Não vem me procurar." Matías: "Não vem me procurar… mas você responde." Agustina: "Estou te dando um limite." Matías: "Não parece. Me fala com toda sinceridade e juro que paro por aqui: meus mensagens te incomodam?" Agustina: "Não." A mensagem escapou. Ela leu, doeu, e não apagou. Sabia que estava caindo, sabia o que podia custar, mas deixou rolar. Sentou na cama, o robe se abriu sem querer e por um segundo ela se olhou no espelho da parede. Gostou do que viu. E se odiou por isso. Matías: "Eu vi nos seus olhos. Os dois querem a mesma coisa. Não sou mais um menino." Agustina: "Sim. Isso tá claro e pode ser que eu tenha te olhado com desejo, mesmo assim isso não te dá direito de ficar me perseguindo." Matías: "Não quero ter direito. Nem quero te perseguir, quero o contrário: te encontrar." Ele mandou uma foto. Não mostrava nada explícito, mas sugeria demais. Ele na frente do espelho, de regata branca, mal dando pra ver a linha que descia pela barriga. Aquela cara de pau juvenil, aquela mistura de atrevimento e inocência, aquele corpo que ainda não carregava as marcas do tempo. Algo que ela não tinha. Algo que ele não entendia direito… mas mesmo assim oferecia. O silêncio a engoliu por vários minutos. Agustina: "Você não sabe com o que está se metendo. brincando." Matías: "Eu sei que você brinca com fogo quando quer se queimar." Ela largou o celular na cama. Andou até a cozinha, serviu mais um pouco de vinho, virou de uma vez. Quando voltou pro quarto, tinha mais duas mensagens. Matías: "Tô aqui fora." Matías: "Deixa eu te encontrar." A campainha tocou assim que ela terminou de ler. Agustina ficou paralisada. Não podia ser. Andou até a janela e viu ele. Lá estava. De pé, sozinho, apoiado no corrimão, com o celular na mão. Olhava pra porta do prédio, esperando. Ela podia não abrir. Podia desligar o celular. Podia bloqueá-lo, tomar um banho gelado, dormir. Mas andou até a porta. Abriu. Matías estava ali, no corredor, com uma jaqueta fina, o cabelo molhado como se tivesse jogado água pra esfriar. Sorriu de leve. — Oi. Ela olhou pra ele como se não soubesse o que dizer. O silêncio foi eterno. — Não é certo você estar aqui. — Eu sei. — Você tem que ir embora. — Você quer que eu vá? Agustina olhou nos olhos dele. Quis dizer que sim. Mas não disse. Ficou ali, tremendo na porta, segurando ela só com uma mão. O decote do roupão tinha se deslocado. Matías percebeu. Não disse nada. Só respirou mais forte. — Se a Verônica descobrir isso… — murmurou ela. — Vai dar um escândalo. — E você vai estragar tudo. — Então fecha a porta — disse Matías, sem se mexer, desafiador. Ela não fechou. E ele percebeu. Matías entrou. Ela fechou. E a linha, cruzada, ficou pra trás.
A porta se fechou com um clique suave atrás de Matías. O som pareceu mais alto do que era, como se selasse um pacto silencioso. Agustina olhou pra ele por um segundo na penumbra do corredor, mal iluminado pela luz da sala. O apartamento cheirava ao perfume dela, a roupa limpa e vinho tinto. Matías, parado ali, com uma jaqueta leve e aquela atitude entre nervosa e desafiadora, parecia fora de lugar. Mas não pra ela. Não naquele momento.— Quer água? — perguntou Agustina, andando em direção à cozinha, sem esperar por ele.
— É isso que você vai me oferecer? — disse ele, com um meio sorriso enquanto tirava a jaqueta — Depois de me falar que me desejava…
Ela parou, apoiando as mãos na bancada, de costas pra ele. O silêncio foi longo, mas carregado.
— Foi um erro — murmurou, sem se virar.
— É? Porque não soou assim. Soou como se você quisesse que eu levasse a sério.
Agustina se virou devagar. Ainda tinha a taça de vinho pela metade. Levou aos lábios e olhou pra ele por cima da borda.
— Nem tudo que a gente deseja é uma boa ideia.
Matías caminhou até ficar na frente dela. O ambiente parecia menor, o ar mais denso.
— Então me fala que eu não te excito — disse ele — Olha nos meus olhos e me fala.
Ela engoliu seco. Olhou pra ele. Não disse nada.
— Foi o que pensei — completou ele, com um tom que agora soava seguro.
Matías sustentou o olhar. Ela recuou só um pouco, os quadris apoiados na bancada. Ele se aproximou mais um pouco, e os dedos dele roçaram o pulso dela.
— Se a gente cruzar essa linha… — disse Agustina, quase inaudível — …não tem volta.
— Então não fala mais nada. A linha já foi cruzada.
Matías a beijou. Foi um beijo desajeitado, no começo, mas carregado de urgência. Agustina quis parar ele, de verdade. Colocou as mãos no peito dele, mas os dedos se fecharam no tecido. Em vez de empurrá-lo, puxaram. A língua dele buscou a dela, e quando a encontrou, o calor subiu pela barriga dela como um tiro. Ela se separou de repente, respirando ofegante. Matías olhou pra ela, com a boca entreaberta. —A gente não devia… —sussurrou ela. —Mas você quer. Ela assentiu. Só com os olhos. —Vamos pro quarto? Agustina não respondeu. Simplesmente se virou e começou a andar. Ele seguiu ela sem fazer barulho. O quarto tava escuro, exceto por uma luz fraca que entrava da rua. Quando a porta se fechou, ficaram sozinhos com o som das respirações. Agustina sentou na cama, cruzando as pernas como se tivesse dúvida. Matías se ajoelhou na frente dela, e levantou devagar o vestido, até apoiar as mãos nas coxas nuas. —Você tá tremendo —murmurou. —Não é medo —respondeu ela—. É bem o contrário. —Então me diz o que você quer. —Me surpreende. Matías fez isso. Matías olhou pra ela de baixo, com as mãos firmes nas coxas dela, acariciando de leve, só o suficiente pra arrepiar a pele. Agustina apoiou as mãos nos ombros dele, sem falar. Ele deslizou os dedos devagar até a borda da calcinha, roçando, sondando a permissão dela. Ela não impediu. Só fechou os olhos e abriu um pouco mais as pernas. —Você tá molhada —murmurou ele, com uma mistura de surpresa e triunfo na voz. Agustina abriu os olhos de repente, presa entre o desejo e a vergonha. —Não fala tanto —disse ela—. Faz. Matías sorriu. Tirou a calcinha dela devagar, com calma. O vestido subido até a cintura, as pernas abertas, a respiração ofegante… ela não acreditava no que tava rolando, mas também não conseguia parar. Sentiu a língua dele entre as pernas. No começo foi um roçar suave, quase uma sondagem. Mas logo ganhou confiança. Matías lambia com fome, com ritmo, explorando. Agustina arqueou as costas, mordendo o lábio. Ele não tinha a experiência do Fabián nem a técnica da Clara, mas tinha algo cru, voraz, juvenil, que excitava ela de um jeito diferente. —Aí… —sussurrou ela, descendo uma mão até a nuca dele, guiando. Matías obedecia. Se entregava. A língua se movia cada vez com mais precisão, com mais segurança. Agustina gemeu, baixo, profundo. Tapou a boca com a mão, como se ainda pudesse se segurar. Mas já não dava mais. — Continua… —disse entre os dentes—. Não para. E ele não parou. Fez ela tremer. O orgasmo pegou ela de surpresa, atravessou como um choque. Agustina se tensionou toda, agarrada na cabeça dele, as coxas tremendo dos dois lados do rosto dele. Matías segurou ela enquanto ela se deixava cair pra trás na cama, ofegante, o peito subindo e descendo. Ficou ali uns segundos. O quarto tava quente. Ela olhou pra ele de baixo, com os olhos semicerrados. — Tira tudo —ordenou. Ele obedeceu sem hesitar. Enquanto se despia, ela observava. Era magro, jovem, com aquele corpo que ainda não foi vencido pela rotina nem pelo tempo. Quando ficou completamente exposto, Agustina sentou de novo e puxou ele pra perto. Acariciou o peito dele, o abdômen, e depois desceu a mão entre as pernas dele. Tinha a piroca dura igual pedra, com aquele tipo de dureza que só se consegue na primeira juventude. Era uma piroca grossa, larga, brilhante. — Tem certeza que sabe o que tá fazendo? — Quero que você me ensine —disse ele, com um sorriso cheio de malícia. Agustina beijou ele. Mais devagar dessa vez. Fundo. Mordeu o lábio inferior dele e fez ele deitar. Montou em cima dele, guiando a piroca com a mão, roçando na entrada dela, fazendo até um pouco de esforço pra manobrar de tão tensa e reta que tava. — Você vai lembrar disso —murmurou enquanto se sentava, devagar. Os dois soltaram um gemido. O ritmo foi controlado por ela. Ela montava ele com movimentos lentos, circulares, intensos. Se inclinou sobre o peito dele, beijou, marcou ele com as unhas nos ombros. Matías não sabia se ia aguentar, mas tentava resistir. Agarrou ela pela cintura, como pra não se perder. — Mais forte… —sussurrou ele. — Shhh… tem certeza? Você vai gozar rápido assim —disse ela, com um sorriso que misturava ternura e dominação—. Deixa eu te usar um pouco. Matías fechou os olhos. Sentiu ela cavalgar ele com uma intensidade que não esperava, como se Agustina estivesse exorcizando algo através dele. E talvez fosse assim. Quando terminou, ele não aguentou mais. Se tensionou, se deixou ir. Agustina se deixou cair sobre o peito dele, suada, tremendo. O silêncio foi longo. Só as respirações deles preenchiam o quarto. — Se minha velha descobrir isso… — disse Matías, ainda ofegante. — Ninguém pode saber — interrompeu ela, séria —. Nunca. Se olharam. Tinha desejo. Tinha culpa. Mas também tinha algo mais: aquela sensação perigosa de ter cruzado um limite que já não podia ser apagado. Agustina sabia, isso não podia saber nem Fabián. Ela tinha sucumbido. E se sentiu um pouco mais sozinha do que já estava. BOM… ISSO TÁ SAINDO DO CONTROLE, MAS NÃO CONSIGO ABANDONAR ESSA HISTÓRIA. COMENTEM E MANDEM LOVE. ME DIGAM SE TÃO CURTINDO TANTO QUANTO EU. Parte 10http://m.poringa.net/posts/relatos/5960561/Yoga-con-la-mami-del-jardin-10.html
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