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Compêndio IIIAinda lembro daquele momento no elevador.
Isabella estava animada. Primeira entrevista de emprego em 10 anos e ela tinha conseguido a vaga. Não lembro exatamente as palavras dela, mas acho que falava sobre os planos pro futuro.
O motivo de eu não lembrar foi porque, naqueles minutos, tive uma epifania: finalmente entendi por que Isabella me lembrava tanto a Pamela.
Pamela, a prima da Marisol, é sem dúvida a mulher mais gostosa com quem já dormi. Nem a Karina, a diva daquele programa juvenil que minha esposa via na TV, chega aos pés dela de tão sensual.
Minha “Amazona espanhola” era arrogante. Prepotente. Tinha aquele tipo de olhar que sabia te colocar no teu lugar: ela era uma deusa, e um mero mortal como eu não tinha nem arte nem parte em aproveitar as delícias do corpo dela.Com a Izzie, é a mesma coisa: ela é daquele tipo de mulher elegante e fina, pra quem você não existe se não tiver uma grana preta.
A figura dela é simplesmente de invejar: ninguém imaginaria que aqueles peitões generosos e curvilíneos já amamentaram a Lily; que aquela cintura fina já esteve grávida; que aquela raba redonda e tonificada era mal cuidada e negligenciada pelo marido. Sem falar na lingerie luxuosa e refinada dela.
Mas é a juba preta e lisa dela que dá o maior ar de elegância; os lábios vermelho intenso que acendem teu espírito e te fazem suspirar; os olhos castanho-escuros, sedutores e provocantes, com um olhar inteligente, egoísta e mimado; um nariz pequeno, fino e elegante, que dá um ar de seriedade; e, por fim, uma voz sexy e melodiosa, com um timbre entre ingênuo e erótico, igual à voz da Marilyn Monroe, que faz você inchar dentro da calça.
Naquela manhã, ela usava um vestido preto justo com um brilho sutil, cuja barra roçava a metade da coxa e destacava as pernas tonificadas. O vestido combinava perfeitamente com uns sapatos elegantes de salto agulha e um blazer justo, cujo decote deixava à mostra o busto generoso por baixo, fazendo ela parecer impecável pra entrevista de emprego.
No entanto, ela se posicionou de propósito perto do painel do elevador, me olhando por cima do ombro, com a clara intenção de me deslumbrar com aquela raba de cair o cu da calça, sorrindo maliciosamente como se dissesse “Pega, é tua recompensa!” … embora só eu saiba que a esposa do conselheiro é uma verdadeira puta que curte sexo anal.
Ao chegar no lobby da empresa, fervia com o ritmo corporativo habitual e indiferente de nós: alguns telefones tocando, o som de saltos no piso polido e um murmúrio constante entre as pessoas circulando. O visual elegante e deslumbrante de Isabella passava quase despercebido no meio da galera, uns poucos caras hipnotizados pela confiança transbordante que ela irradiava depois da entrevista de emprego vitoriosa com a Edith, então nem percebemos que, entre tanto terno e gravata, uns olhos acesos de raiva pararam na nossa frente…Sem nem nos dar tempo de reagir, a distância entre nós diminuiu, o punho dele acertando em cheio minha barriga e o barulho de ossos estalando interrompeu levemente o ambiente, chamando a atenção e suspiros dos transeuntes, enquanto Isabella gritava morrendo de medo.
•VICTOR! – ouvi o grito desgarrador e súbito dela, enquanto o marido dela e eu caíamos no chão…
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No gabinete do prefeito, o caos tinha atingido o ponto de ebulição. Para a Edith, o Victor se meter com a empresa e os funcionários dela era o equivalente a uma declaração de guerra, então ela usaria todos os recursos disponíveis pra vencer.
Naquela tarde, se reuniram no gabinete do prefeito acompanhada pelo diretor do jornal onde a Emma trabalha, já que os dois tinham evidências contundentes pra confrontar eles.
A Edith compareceu com acusações e provas irrefutáveis: a participação no ciberataque à empresa dois anos atrás, manipulação de recursos corporativos e vazamentos de informações privilegiadas e de segurança que beiravam espionagem corporativa. Pior ainda, o Victor tinha se apropriado de 20% das contribuições da nossa empresa pro gabinete do prefeito, depositando na conta bancária particular dele. Era uma teia de enganos e traições que a Edith tava determinada a erradicar pelos seus. próprios meios.
Por outro lado, o jornal da Emma tinha seus próprios interesses no drama. A equipe de investigação descobriu evidências de que Victor estava recebendo quase o triplo do salário do prefeito, de forma ilegal, através de uma série de esquemas fraudulentos. O diretor queria conseguir uma declaração do gabinete do prefeito enquanto desenvolvia uma reportagem esclarecedora. No entanto, quando os representantes do prefeito souberam da magnitude da corrupção do Victor, a notícia os pegou de surpresa, mal conseguindo esboçar uma resposta. Tudo o que puderam oferecer foi um vago compromisso de convocar a receita federal para investigar as finanças do Victor. Naquela altura, já era óbvio que o escândalo era tão profundo que provavelmente forçaria a renúncia do vereador.
No entanto, Edith, como uma verdadeira estrategista, não podia deixar a situação sair do controle. Ela propôs um negócio interessante ao diretor do jornal: ela "compraria" a reportagem deles e a incluiria em sua ação judicial contra Victor, argumentando que envolver o prefeito só mancharia a reputação da empresa, arriscaria a confiança dos investidores e desencadearia repercussões imprevistas no mercado. Edith não acreditava que o prefeito estivesse envolvido nos desvios do Victor, mas sabia que a simples associação com a mineradora era um perigo que ela não queria apostar. Ofereceu um incentivo financeiro generoso para garantir a discrição e o controle da narrativa (um bônus que até beneficiou a Emma), mostrando sua atuação como controle de danos, e não censura.
Mas no fundo, a manobra de Edith deu frutos. O gabinete do prefeito foi forçado a congelar os bens do Victor, travando qualquer apropriação indevida e marcando o início de sua queda política.
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CHOCOLATES
Toda regra tem uma exceção e no Caso da Marisol e eu, chegou pra gente da forma mais inesperada.
Naquela manhã, a rotina da minha rouxinol foi interrompida pela entrega de um pacote com uma embalagem chamativa. Era uma caixa preta amarrada com uma fita de cetim rosa, que exalava elegância. Lá dentro, minha esposa encontrou uma seleção de bombons artesanais, cada um feito com delicadeza e arrumados como pequenas obras de arte. No começo, ela achou que era um presente meu, mas quando chegou na última camada de chocolates, os olhos dela descobriram o que aqueles chocolates escondiam: fotos minhas e da Isabella, entrando e saindo do hotel.
Qualquer um podia pensar que uma esposa, ao ver isso, ia sentir ciúmes. Mas no caso da minha rouxinol, as imagens pareciam tão doces quanto os próprios chocolates. Ela estudou cada foto com um sorriso, vendo como cada imagem capturava a tesão da Isabella por mim: o calor do sorriso dela, o jeito que apoiava a cabeça no meu peito e até os agarros que a gente dava um no outro.
Pra minha rouxinol, as imagens deixaram ela com vontade, se sentindo orgulhosa. "Nem as mulheres mais gostosas conseguem roubar o coração dele", pensava consigo mesma, antes de me encontrar trabalhando no computador e me mostrar "oralmente" o quanto me ama...
Mas depois de me deixar seco, ela me mostrou o motivo da atenção dela, e eu entendi quem tinha sido o misterioso benfeitor daquelas imagens.Se o Victor era capaz de usar os contatos dele pra me seguir desse jeito, qual seria o limite dos capangas dele?
A essa altura, já tava claro que o Victor queria foder minha vida, não só profissionalmente, mas também se metendo no meu casamento, deixando bem claro que isso já não era mais sabotagem corporativa, era algo pessoal.
Isso me fez tomar duas medidas. A primeira foi mandar essa prova pra Sarah, pra ser incluída na minha ação judicial formal, já que ele não só hackeou meus computadores, mas também tava se metendo na base do meu casamento.
A segunda foi comprar um colete à prova de facadas, considerando a laia de conhecidos que o Victor tem.
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A ENTREVISTA
Bom, voltando àquela manhã, a Isabella tava arrasando na escola, com uma roupa mais profissional, mas igualmente chamativa do que de costume. As meninas já tavam acostumadas a ver ela de vestido de grife, e tanto a Aisha quanto a Emma deram uma força pra entrevista dela, embora ela tenha ficado mais tímida quando viu meu sorriso de aprovação.
No caminho pro escritório, eu não conseguia parar de olhar pras pernas dela quando o sol batia no vidro da caminhonete. A Isabella sorria satisfeita ao perceber que, no menor movimento de pernas, meus olhos desviavam da pista. Mesmo assim, a viagem foi silenciosa, mas com um clima pesado, com a Isabella soltando umas indiretas safadas, enquanto eu me mantinha firme, mal disfarçando o sorriso que ela me arrancava.
Quando chegamos no prédio corporativo, a ostentação do lobby, com teto alto, piso de mármore e vidros fumê que refletiam o sol da manhã, acabou deixando ela impressionada. Quando chegamos no elevador, Apertei o botão do 17º andar, parando em silêncio ao lado dela. Apesar da confiança que ela transparecia, dava pra perceber o tremor nos dedos dela e o jeito que os olhos dela examinavam cada detalhe do próprio reflexo, caçando qualquer imperfeição. Mesmo assim, eu admirava a habilidade dela de projetar confiança, a arrogância dela virando um escudo imbatível até nos momentos de dúvida.
A ostentação do 17º andar acalmou ela um pouco, se mostrando como uma galeria aconchegante de riqueza corporativa, com as paredes enfeitadas por obras de arte discretas, mas luxuosas. Os corredores eram iluminados por luzes suaves e douradas, criando um brilho quente sobre os painéis de madeira e as decorações de bom gosto. Cada detalhe gritava dinheiro e classe, com um ar carregado de uma exigência sutil por excelência.
Mas num contraste total, a sala de reuniões era fria e intimidadora. Uma mesa comprida e escura se estendia pelo espaço mal iluminado, cercada por cadeiras de couro preto. As paredes eram uma mistura de superfícies reflexivas e cinza opaco, criando uma atmosfera estéril e calculista. Na real, o design da sala era feito pra comandar a atenção e lembrar todo mundo da seriedade das discussões que rolavam ali.
Naquele lugar, Edith e Maddie nos esperavam. O olhar afiado da Edith se fixou na Isabella como uma ave de rapina de olho na presa, embora ela mantivesse uma postura ereta e, surpreendentemente, de braços cruzados. A Maddie não parecia menos tensa, com os lábios franzidos e os dedos brincando com a caneta, procurando qualquer desculpa pra deixar a potencial rival de fora. Ver ela entrar junto comigo só aumentou o rancor dela.
Isabella sentou-se com elegância, as costas retas e o queixo erguido exalando uma aura de dominação. Quando Edith começou seu interrogatório, Isabella respondeu a cada pergunta com confiança. Sua voz era firme, mesmo ao admitir sua experiência limitada como assistente social, um ponto que surpreendeu momentaneamente a expressão composta de Edith. Isabella descreveu seus humildes começos com um orgulho que carregava peso, suas palavras entrelaçadas com uma determinação feroz que comandava a atenção da sala.
Quando Edith perguntou por que ela achava que poderia fazer um bom trabalho melhor que outro, a resposta de Isabella foi única…• Não sei. – Ela admitiu, pausada, seus olhos me encarando brevemente, seus lábios se curvando num tom sutil de desafio.
No entanto, sua hesitação durou pouco. Seu tom de voz mudou, ficando mais enérgico enquanto respondia, enfatizando sua força de vontade incansável.
• Quando quero alguma coisa, não paro até conseguir. – declarou com descaramento, me encarando nos olhos com uma intensidade que me fez achar graça, embora em Maddie tenha caído como um soco no estômago.
E olhando para Edith, o tom autoritário de Isabella suavizou, passando da arrogância para a sinceridade de forma harmoniosa.
• Se me convencem e me motivam, sei que posso fazer o mesmo pela empresa de vocês.
Percebi que suas palavras ficaram pairando no ar, deixando Edith momentaneamente em silêncio, sua mente analítica processando o paradoxo diante dos olhos. Claramente, Isabella não tinha nenhuma qualificação convencional para o cargo, mas sua paixão inegável e arrogância davam asas a um potencial de grandeza se fosse guiada direito.
No meu caso, admirava Isabella e achava graça por ela ser uma daquelas pessoas tão egocêntricas, que conseguem convencer quase qualquer um a fazer as coisas do jeito delas.
Depois de pensar bem, Edith aceitou minha proposta de dar uma chance a ela, anunciando o programa intenso que a esperava para se familiarizar com as operações da nossa empresa.
A única reação de Isabella ao ouvir suas palavras foi um sinal tolo de surpresa nos olhos, que se dissipou rapidamente naquele olhar tão arrogante e mimado, tão característico dela. No entanto, a menção de Edith de que apostava no bom desempenho dela no trabalho, tendo que cuidar do bem-estar de Lily se não fosse bem, deu um leve brilho de gratidão sincera e calor ao seu olhar.
E assim que saímos da sala de reunião, o entusiasmo de Isabella a transbordava. Ela falava animadamente enquanto voltávamos para o elevador, a confiança dela iluminando ainda mais seus encantos já atraentes…
Claro, nem eu nem ela esperávamos que Victor estivesse nos esperando no lobby para quebrar nossa calma.
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MAL PERDEDOR
Embora o colete tenha absorvido a maior parte do impacto, a dor que eu sentia naquele momento era impossível de ignorar.
Quando ele viu a própria mão, pelo menos dois dos dedos estavam quebrados, impossibilitando um novo ataque.
xQue porra é essa que você tá usando? – Ele conseguiu me perguntar quando se afastou, a raiva borbulhando em confusão.
Me arrastei para o lado, esfregando a barriga.
– Algo pra me proteger. – respondi, agradecendo que a Marisol tinha me convencido a comprar essa parada. – Considerando a companhia que você mantém, achei prudente.
O rosto de Victor se distorceu de raiva.
xSe acha muito esperto, né? – Ele rosnou, antes de se jogar de novo.
Bem antes que pudesse me dar outro soco, Isabella se meteu no meio.
•Victor, para! – Ela tentou me defender, mas Victor, cego de raiva, empurrou ela pro lado.
E num movimento que até me deixou confuso, consegui tirar ela do caminho.
– Sai daí! – falei pra ela, que ficou olhando atônita. – Deixa que eu cuido disso!
Eu sabia desde o começo que não era páreo pro Victor. O cara tem o físico de um tanque, com músculos formados por infinitas sessões de academia, trilhas de trekking e partidas de badminton, que exigem habilidade e força. Já eu continuo sendo um engenheiro magrelo. Mesmo indo pra academia, levantando peso, correndo longas distâncias e me esforçando um pouco mais a cada dia, minha massa muscular é uma fração da dele.
Não era só isso. Embora o Victor não estivesse usando a mão dominante, eu mal conseguia acompanhar ele. A derrota era inevitável: uma surra me esperava e não tinha jeito de fingir o contrário.
Mesmo naqueles momentos, meu rancor contra os caras corporativos crescia ainda mais. Eles sempre se mostram encantadores: em forma, vistosos e sempre prontos com um sorriso ou um comentário arrogante. Se exibem em salas de conferência e bares, prontos para se gabar das suas rotinas de academia e dos seus autoproclamados feitos de masculinidade. Mas na hora de uma crise de verdade, desmoronam como papel molhado.
Naqueles momentos, depois do último golpe do Victor, eu sentia o peso da inutilidade deles me pressionando, já que tinham deixado os celulares de lado temporariamente. Esses “Alfas de merda” estavam paralisados, formando um círculo como se fosse o coliseu romano, com o Victor e eu tentando nos entender com eles. Nenhum deles tinha culhão pra nos interromper. Tinham músculos nos braços, pernas e barrigas; aquela confiança de bar; aqueles sorrisos ensaiados. Cadê eles agora que realmente precisavam?
Enquanto eu tentava desviar de golpe após golpe, lembrava dos caras no serviço pesado. Claro que a gente discutia, mas os mineiros tinham uma regra implícita: as brigas se resolviam fora do turno. Tinha muito em jogo. Se uma briga estourasse durante o turno, meia dúzia de caras já interrompia na hora, não por simpatia, mas porque sabiam que perder um cara no turno significava arriscar a vida do resto ainda mais pra cumprir as metas. Por isso, os conflitos eram resolvidos na cidade, onde os socos não colocavam em risco a produção nem a segurança.
Eu me sentia decepcionado. São os mesmos caras que resolvem problemas jogando dinheiro, mas não têm a menor ideia de como trocar um óleo ou consertar uma tomada. Odeio eles porque vivem na própria bolha, se achando donos e senhores de um mundo tão etéreo que, em situações como essa, as palavras deles perdem o sentido.
Aos poucos, os gemidos da Izzie implorando pra gente parar foram se calando, já que ninguém dava ouvidos aos seus súplicas. Os olhos dela, cheios de lágrimas, procuravam os meus, em busca de algum sinal de dor ou derrota. Mas ela ficou calada e na expectativa ao notar minha determinação. Apesar da surra, não era uma briga qualquer. Não nego que eu merecia, mas não era por orgulho ou ego.
Eu tinha meus próprios motivos pra aguentar, mesmo que os punhos do Victor me acertassem como um trem, fazia o possível pra minimizar o dano. Algumas técnicas que aprendi nas aulas de karatê do Bastião foram bem úteis, me permitindo desviar parte dos golpes pra áreas que doíam menos. Em outras, eu recebia os golpes onde sabia que podia aguentar.
Não queria partir pro ataque, embora provocasse ele o tempo todo com meus olhos e palavras. Fingi fraqueza, me preocupando em manter o Victor focado em mim. Meu lábio tava rachado e sangrando, e eu tinha uns hematomas, mas sabia que faltava pouco…
— É só isso que você tem, Victor? — perguntei, ao perceber que ele não tava acostumado com esse tipo de exercício. — Achei que você podia dar mais que isso.
Victor rugiu de raiva e frustração, o ataque dele ficando descontrolado. Eu precisava que ele perdesse a cabeça…
Que posasse pras câmeras do lobby mostrando que em nenhum momento fui eu o agressor.
E até que, eventualmente, o caos parou de repente. Os seguranças finalmente apareceram, imobilizando os braços do Victor por trás e jogando ele no chão. Ele gritava e se debatia, a raiva dele me xingando sem parar. Consegui me recompor como pude, limpando as gotas de suor e sangue do meu queixo.
A Izzie pulou em cima de mim e me abraçou, soluçando preocupada com minha dor. As tetas macias e gostosas dela pareciam celestiais naquele momento, e eu lutava com minha mão pra não agarrar aquela bunda deliciosa, sentindo minha ereção crescer.
Em poucos minutos, a polícia chegou, algemando o Victor, enquanto tomavam depoimentos do pessoal do lobby, de alguns funcionários da mineradora e de uma Izzie toda agitada. Isabella, dando seus depoimentos. A gravação de segurança não deixava dúvidas: Victor nos atacou sem provocação, e eu tinha acabado de dar a desculpa perfeita para removê-lo discretamente do cargo de conselheiro.
Enquanto me tratavam, vi levarem Victor algemado, sorrindo para ele com dor. Nossos olhos se encontraram, e embora ele quisesse me dizer muita coisa, a frustração no olhar dele também entendia que só pioraria a situação dele.
Quando Izzie veio me ver, ela parecia apavorada e aliviada ao mesmo tempo.
— Bem — falei com um sorriso cansado, mas consolador. — Todos esses anos perdendo com estilo me ensinaram muito.
Isabella balançou a cabeça, me olhando com um misto de tesão e exasperação.
•Seu safado, você é inacreditável! — comentou, morrendo de vontade de me encher de beijos.
E me deram alguns dias de licença. Embora Marisol e as meninas tenham se surpreendido ao me ver todo quebrado, quando expliquei pra minha passarinh o que aconteceu, ela acabou se resignando. Ela sabe muito bem que eu não teria fugido de uma briga…
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CONSEQUÊNCIAS
Para o Victor, esse incidente foi a gota d'água. No começo, a empresa tentou abafar, mas o fato de o ataque ter acontecido dentro do prédio corporativo deixou a mídia maluca. Edith, se apoiando nas políticas de privacidade, reteve as gravações de segurança. Mesmo assim, ela permitiu que o jornal onde a Emma trabalha compartilhasse detalhes suficientes pra manter a história viva. Ações legais eram inevitáveis, e não demorou muito pra os oficiais do governo começarem a investigar as finanças sujas do Victor. Os ganhos ilegais dele (mantidos em segredo por anos) estavam agora sob investigação. Fora dos olhos do público, as propriedades dele foram confiscadas, buscando a restituição após o ciberataque que nossa empresa sofreu anos atrás.
As consequências foram rápidas e brutais. Do dia pra noite, Isabella e Lily Foram expulsas da casa delas, junto com parte da segurança do Victor que não fugiu (já que muitos dos curríbooties, como o do motorista da Izzie, eram tão suspeitos quanto a moral deles). As autoridades deixaram elas levarem alguns pertences pessoais, mas o resto foi confiscado. No fim das contas, o Victor tava dando presentes luxuosos pras amigas dele (Maddie inclusa) como se fosse confete.
Mas a Emma ajudou de um jeito que ninguém além da gente poderia imaginar. Ninguém estranhou quando a Isabella e a Lily se mudaram pra casa dela. Secretamente, a Emma tinha "guardado" joias caras e roupas que a Isabella poderia vender depois, só por precaução. Pra Lily e Karen, a experiência foi tipo uma aventura, uma pijamada prolongada, inocente e sem preocupações. Mas pra Isabella e Emma, foi um ponto de virada. No começo do ano, elas eram rivais de carteirinha, as filhas delas brigando pelo carinho do meu filho Bastián. Mas hoje em dia, elas confiam uma na outra, dividindo até a cama. As filhas delas, por outro lado, agora são praticamente inseparáveis: amigas pra sempre.
Pra mim, assim que o inchaço do meu rosto diminuiu e meus cortes sararam um pouco, fui direto pro escritório da Edith. A Maddie me olhava chocada, com os olhos arregalados pro meu rosto todo machucado, não consegui segurar o sorriso. A ironia que não dava pra ignorar naquela hora era que ela tinha se envolvido nas duas últimas vezes que eu terminei assim. A primeira foi quando enfrentei o namorado dela, o Albert, que tentou passar a mão na minha esposa. E agora, os punhos do Victor tinham me acertado por causa da bagunça que ela, sem querer, deixou entrar nas nossas vidas.Diferente da última vez, não guardava rancor da Maddie. Todos nós fomos vítimas dos esquemas do Victor de um jeito ou de outro. No lugar disso, senti clareza e paz. Se fosse a Maddie no lugar da Isabella, eu teria feito a mesma coisa: teria ficado ali pra receber os golpes também, só pra defendê-la. Era uma daquelas brigas que valia a pena enfrentar, não importava o preço.
Mas quando olhei pra Edith, fiquei sério. Não aguentava mais. Fazer de detetive, desmascarar conspirações, ser pai e ainda cumprir minhas responsabilidades no trabalho tava me deixando louco. Falei que ia tirar minhas férias, janeiro e fevereiro, fora do sistema. O Nelson e a Gloria podiam me cobrir, e até a Sonia podia ajudar. Mas eu já tinha chegado ao meu limite. Ia supervisionar os relatórios de fim de ano das obras e só. Queria voltar pro meu país por um tempo.
Edith me ouviu paciente, com a cara fechada. Aí, ela sorriu. Aquele sorriso safado, de quem sabia de algo que eu não sabia.
>12º andar. Seu próprio escritório. Horário comercial, das 9 às 5. — Ela apontou, fingindo se concentrar em outros papéis.
— O quê? — Perguntei, sem entender nada.
>Preciso de você na diretoria. — Continuou, sem me olhar nos olhos. — Fui paciente, Marco. Deixei você trabalhar de casa esse tempo todo, mas agora a gente precisa de você. Sei que vai me dizer: vai defender a Sonia, falando que ela merece a vaga no seu lugar. E não discuto isso. Mas aqui está o motivo: todo esse problema do Victor foi resolvido por sua visão estratégica.
As palavras dele deixaram eu e a Maddie chocados.
>Você e eu somos muito parecidos. – ele continuou, curtindo minha confusão. – Nenhum de nós dois gosta de aparecer. A discrição é o jeito mais eficaz de resolver os problemas, e você entende isso melhor que ninguém. Infelizmente, falta integridade no conselho. A maioria deles? Age por ganância ou politicagem. Mas você… você deixou o Victor te bater, bem na frente das câmeras. Vi as gravações. Você estava procurando por isso. Sabia o que ia acontecer. Usou o ambiente. Usou ele. Isso é algo que não tem todo mundo que tem culhão pra fazer.
Maddie me olhou com outros olhos, os lábios tremendo enquanto tentava falar, mas sem dizer uma palavra. Ela não tinha percebido ao ver a gravação. Em nenhum momento passou pela cabeça dela que a surra que eu levei tinha um propósito. Ela olhou nos meus olhos, me consultando, e eu respondi com um sorriso modesto.Edith se recostou na poltrona, com um sorriso safado nos lábios.
> Sei que você não liga pra um aumento de salário. Mas pra sentar na mesa de reunião? É necessário. Não se preocupa. Suas responsabilidades não vão mudar. Você vai fazer o mesmo trabalho e não vou te pedir pra participar de jantares ou eventos. Até eu detesto essas merdas. Mas ter você aqui, no escritório, faz toda a diferença. Sua simples presença vai melhorar o clima do trabalho.
Tentei protestar, mas não sabia o que dizer. Embora Edith não tivesse terminado.
> Seu horário vai ser flexível. Você vai ter tempo pros seus filhos, pra Marisol, pro seu bebê. Vou garantir que seja assim. Mas preciso de você aqui, no prédio.
Não tive outra opção a não ser aceitar.
Na real, era uma ideia que já me incomodava há muito tempo. Adoro ficar em casa, apoiar a Marisol e cuidar do Jacinto. Mas trabalhar de casa estava começando a me desgastar. Tava me estressando mais do que o normal, porque diferente de trabalhar no escritório, os problemas ficavam comigo, enquanto antes eu podia deixá-los no caminho de volta. Mas também sei que vai ser complicado, especialmente com o trabalho da minha rouxinol. Não consigo pedir pra ela parar de dar aula, porque é algo que ela curte e é extremamente boa nisso.
Mas a gente vai dar um jeito. Já estamos acostumados a fazer isso.Próximo post
1 comentários - PDB 75 Espionagem Corporativa (final)
buenísimo... le falta erotismo a este capitulo pero me chupa un webo. Era el final que esperaba de vos
Felices fiestas para las chicas y para tu familia.