No capítulo anterior, chegamos ao Uruguai com meu pai, jantamos juntos e eu dormi no sofá apreciando a paisagem da janela da minha sacada no hotel. No dia seguinte, acordei na minha cama e pensei: o que aconteceu? Como vim parar aqui? E ouço baterem na porta. — Fran? — Sim, pai... pode entrar... — Bom dia, love. — Bom dia, pai... — Ele me deu um beijo na bochecha e me acariciou. — Foi você que me colocou na cama? — Sim, love... você tinha dormido naquele sofá e preferi te levar pra cama pra dormir confortável... dormiu bem? — Sim, pai... e você? — Sim, sim... linda. — Pai... posso te perguntar uma coisa? — Sim, love... pode perguntar. — Tomara que você não fique bravo, mas ontem à noite, quando você se levantou pra se servir, eu olhei seu celular pra ver as fotos que você tirou de mim e me chamou a atenção: por que você tirou tantas fotos? — É que te ver ali, naquele momento, você parecia a cara da sua mãe. Você tem o mesmo sorriso dela, o cabelo lindo e aquela personalidade que te faz igual a ela... igual, igualzinha. — Ahhh... pensei que fosse por outra coisa. — Não, não, love... sou seu pai e me surpreende te ver tão gostosa, tão crescida e tão parceira comigo! Mas me desculpa, se tirei tantas fotos. — Não, pai... sem problemas! — Tá bem, love... vamos descer pra tomar café? — Sim, sim, pai... vamos! Nós nos trocamos e descemos com meu pai. Tomamos um café da manhã continental com café, torradas e croissants, suco de laranja e até tinha geleias variadas. Ao voltar pro quarto, ele me diz: — Vou me barbear e trocar porque às 10 temos nossa primeira reunião! Você precisa tomar banho? — Não, acho que não... só vou me trocar, escovar bem o cabelo, os dentes e acho que com isso já tá bom. — Tá bem... love. Ele foi pro banheiro, enquanto eu me trocava e fui ver no meu notebook se tinha mensagens das minhas amigas ou do Blas. Me surpreendi ao ter na minha rede social uma mensagem da minha mãe, abri e, enquanto lia, meu coração parecia que ia sair do peito: "Oi Fran, como você tá? Tomara que a... você está passando muito bem, assim que voltarem, você e eu temos que conversar. Ontem sua amiga Natali veio aqui e me disse que todo mundo estava preocupado com você, quando perguntei quem, ela falou que suas amigas e especialmente o namorado dela, pelo olhar dele, parecia que eu sabia de quem ela tava falando, você não me contou que tá se encontrando com alguém e também tão chegando mensagens no seu celular mas a gente não consegue ver de quem é e também não consegue desligar, porque é um tsunami o dia inteiro de mensagens chegando! Por favor, não vou olhar suas mensagens, mas... você pode me dizer como silenciar isso? Dá um beijo grande no seu pai e a gente se fala" Na minha cabeça passou que ela ia falar alguma coisa sobre as mensagens com o Barti. A parada de um suposto cara na minha vida seria mais fácil de lidar do que as mensagens que eu tinha com o ex dela e eu escrevi: "Oi mãe. Aqui tudo bem, ontem jantamos muito bem com o pai, ele tomou vinho e eu tomei um refri. Hoje tomamos café e já estamos nos preparando pra ir pra reunião que vamos ter. Sobre o Blas, é um cara que conheci faz pouco tempo, não é nada sério, por isso não te contei. Meu celular desbloqueia com os meus últimos seis dígitos da minha data de nascimento. Não dá pro Guille. Não quero que ele mexa nem veja meu celular! Te mando muitos beijos e tô com muita saudade, mãe!" Meu pai saiu do banheiro, já barbeado e com um pouco de gel no cabelo, enquanto terminava de arrumar o cabelo com o pente pequeno que ele tinha -Já tô quase pronto, filha... e você, como tá? -Pai... tava escrevendo pra mãe que me mandou uma mensagem na minha rede social perguntando como desligar ou silenciar meu celular porque tão chegando muitas mensagens das minhas amigas e outras pessoas que têm meu contato... -Mas você, love, sempre, mas sempre tem que tomar cuidado com gente nova que queira te adicionar ou pedir amizade. Porque uma vez sua mãe me contou que você tem uma rede social e ela tava e ainda continua muito brava embora nesse caso eu não ache ruim que a —...ter, mas tem que tomar cuidado, viu... porque principalmente com os amigos das suas amigas ou amigos dos seus colegas, porque você, filha, eu sei que é uma menina muito boa e nunca se deixaria fazerem mal a você, não gosto de me intrometer na sua vida pessoal, mas o mundo em que a gente vive é uma merda, tem gente de bosta que quer se aproveitar de meninas como você, minha princesa, minha filha que em breve vai ser toda uma mulher!
—Obrigada, pai... você é o homem mais importante, junto com os avós...
—Eu sei que você vai ter homens na sua vida que vão te amar ou vão dizer que te amam, mas não esquece disso, meu amor. Eu vou estar sempre, mas sempre pra você, e o papai vai te amar pra sempre e vai te ver como aquela menina que você era há muitos anos atrás, que só queria estar segura nos meus braços e me pedir mil e uma coisas...
Eu estava tão emocionada que até levantei o olhar e vi ele enxugando as lágrimas... não podia acreditar: meu pai estava chorando, emocionado, falando comigo do fundo do coração dele.
—Me perdoa, filha. Vamos?
—Sim... sim...
Dessa vez, fui prendendo o cabelo com uns prendedores enquanto ia em direção ao elevador. Meu pai fechou bem a porta do nosso quarto e guardou a chave no bolso, e a gente esperava pacientemente o elevador, enquanto ele segurava umas pastas e a gente ouviu o celular dele tocar.
—Olha, amor... você pode segurar isso pra mim, por favor?
—Sim, pai... me dá que eu levo pra você.
Ele atendeu:
—Alô? Ah sim, sim, siiiim... ah, beleza... beleza... sim, sim, em alguns minutos a gente chega aí. Tô indo com a minha filha e também levo os contratos e convênios pra vocês darem uma olhada... tá certo. Perfeito. Um abraço.
Desligou, olhou pra mim e sorriu. A gente desceu no elevador e ficou no hall de entrada enquanto ele esperava uma ligação e me disse:
—Olha, bonita... você colocou um prendedor torto, deixa eu arrumar pra você?
—Sim, pai...
Eu joguei a cabeça bem pra trás pra ele poder arrumar sem problemas.
—Agora sim, ficou muito bom!
A gente saiu de lá e um carro totalmente preto veio nos buscar. E bem grandão, e lá dentro vi a cara conhecida do homem de ontem à noite, que me confundiu com minha mãe, e ele vinha junto com outros dois homens e um garoto bem jovem, mais ou menos da minha idade. A gente cumprimentou todo mundo meio por cima e, quando chegamos no escritório de um deles, aí sim cumprimentamos bem melhor. Estavam o Marcelo, o Ricardo, o Osvaldo, e o jovem se apresentou bem docemente como Ezequiel, filho do Ricardo. Eu e o Ezequiel ficamos na área dos sofás, e os outros foram pra sala de reunião que era perto de onde a gente tava. Ezequiel: — Oi, gostosa! Qual é o teu nome? Eu: — Oi, Ezequiel, me chamo Francesca. É um prazer... Eze: — O prazer é meu, tu é daqui? Eu: — Não, não, eu sou da Argentina, vim com meu pai pra essas reuniões e de quebra pra conhecer e passear. Eze: — Ahhh, teu pai é o famoso Martin? Eu: — O que faz meu pai ser tão famoso aqui? Eze: — Não saberia te dizer, gostosa, mas aqui em todas as reuniões que meu velho me leva, ele sempre fala de um tal de Martin, e acho que é teu pai! Eu: — Fico lisonjeada que meu pai seja tão respeitado aqui no Uruguai. Eze: — Quantos anos tu tem, gostosa? Eu: — Eu tenho 17, daqui a pouco faço 18, e tu? Eze: — Eu tenho 22 anos, tô estudando administração de empresas na universidade pra poder ajudar meu velho nessa parada toda, porque esse trampo é bem complexo e eu tenho que prestar atenção em tudo que ele faz... Eu: — Ahhh, olha que legal... Eze: — E tu tá namorando ou tá sozinha? Eu: — Conheci um cara legal há pouco tempo, ele é bem doce e a gente conversou bastante, e tu? Eze: — Fico lisonjeado que tu me veja assim, linda — eu sorri — mas não, tô solteiro, não tenho nada com ninguém ainda, mas é muito difícil eu me apaixonar porque vivo ocupado com minhas atividades e ajudando meu velho. Eu: — Tu é um jovem empresário! Eze: — Tu também vai ser em breve, gostosa! Vou adorar trabalhar contigo, gostosa! Ele se aproximou de mim e me ofereceu um café que tinha numa mesinha tipo centro, junto com um monte de coisinhas tipo bolachinhas e mini cookies. Eu: Valeu, você é muito atencioso.
Eze: — É que nesse ramo de negócios, café não pode faltar, assim como o mate pra nós uruguaios...
Eu: — Pra nós também, eu tomo mate com minhas amigas e às vezes com minha mãe, porque meu pai não curte muito mate.
Eze: — Ahhh... e você tem irmãos?
Eu: — Sim, sim... tenho só uma irmã, mas ela ficou em casa com minha mãe. E você?
Eze: — Tenho dois irmãos, um mais velho que eu e a outra, a caçula: uma mimada danada. Meu irmão tem 26 e tá morando no Brasil há uns anos, e agora sobrou eu com ela e meus velhos! Tô doido pra me virar e viajar pra outro país... Você mora aí com seus pais?
Eu: — Sim, sim... adoraria já ter meu canto, minha casa ou apartamento, porque não aguento mais minha irmã, ela é muito chata pra caralho, e além disso quero minha privacidade e espaço pra trazer minhas amigas ou, se um dia eu tiver namorado.
Eze: — Já te falei, não vou pra Argentina, não insiste, por favor — nós dois rimos —. A verdade é que você é muito legal, gosto de estar com você e conversar.
Eu me sentei no sofá e ele puxou um pufe redondo pra perto de mim, e eu sorri tímida. Ele tentou olhar nos meus olhos, se aproximou mais, acariciou minha bochecha, me olhou nos olhos e tentou me tocar.
Eu: — Me desculpa, Ezequiel, mas eu tenho um possível namorado lá na Argentina e não seria capaz de fazer nada errado.
Eze: — Desculpa, Fran, é que é a primeira vez que uma mulher me atrai tanto desde o primeiro minuto que conheci. Não quero que a gente perca uma possível amizade e talvez no futuro a gente possa ser algo mais, vou esperar você.
Terminamos de tomar o café e ouvimos a porta abrir. O pai do Ezequiel aparece:
Ricardo: — Eze, pede pra moça as pastas que eles trouxeram? Dá uma olhada e depois traz pra mim assinar.
Ezequiel: — Sim, pai!
Ricardo fechou a porta, eu levantei pra entregar as pastas, ele se levantou e foi sentar num sofá mais confortável. Tava por perto e ele fala, imitando a voz de um senhor mais velho:
— Então, senhorita, pode me dar as pastas que a senhora trouxe?
Eu: — Claro, cavalheiro... estas são as pastas e os convênios da empresa que eu administro, e acho que não tem nada fora do lugar, mas o senhor decide, senhor!
E nós dois rimos. Ezequiel apoiou o pé sobre a outra perna e examinava as pastas com atenção, lia em silêncio e ia folheando devagar. Eu estava do lado dele, olhando, esperando a aprovação de que estava tudo certo.
Ezequiel: — Sinceramente, senhorita, estou muito surpreso. Sua empresa atende a tudo que exigimos para podermos operar com ela... então, parabéns! Seremos sócios de agora em diante! — Fechou a pasta e estendeu a mão.
Eu olhei surpresa, porque era exatamente como meu pai sempre me descrevia que seria uma reunião, com os acordos, assinaturas de convênios e o modo de operação. Mas, para ser a primeira vez sozinha com uma pessoa desconhecida falando sobre papéis, contratos e convênios, me senti muito bem e muito à vontade.
Eu: — Sinceramente, o prazer é todo meu, e será um prazer trabalhar com vocês.
Ezequiel se levantou e estendeu a mão, mas pegou a minha suavemente e deu um beijo. Isso me deixou completamente ruborizada, e eu baixei o olhar.
Ezequiel: — Senhorita, não seja tímida! É só um beijo, um gesto nobre para a senhora.
Eu: — É que é a primeira reunião formal que tenho.
Ezequiel: — E virão muitas outras reuniões. Tomara que haja muitos mais convênios, negócios e acordos com a senhora e sua empresa, senhorita! Porque gosto do seu jeito e da sua seriedade ao trabalhar.
Eu sorri de novo, timidamente.
— Olhe, senhorita, se continuar sorrindo desse jeito, vou ter que aplicar uma pequena correção num futuro contrato que tivermos.
Eu: — O que precisamos mudar ou melhorar nele?
E Ezequiel se aproximou de mim, acariciou meu braço devagar, levantou levemente meu queixo e me olhou com seus olhos cor de mel, e sorriu.
Eu não tinha prestado atenção em... Esse olhar e essa cor de olhos que pareciam muito mais chamativos do que aquele verde que eu já tinha visto em algum colega. Quando menos esperava, o Ezequiel tava colado no meu corpo, o braço dele rodeando minhas costas e com uma mão acariciando minhas bochechas, afastando devagar os fios de cabelo que caíam no meu rosto. Ezequiel: - A gente podia jantar a sós pra fechar um trato. A senhorita precisa dar uma olhada e me dar o OK pra gente começar o quanto antes. Porque tô muito interessado nisso. Eu: - Desculpa, mas acho melhor a gente falar disso outra hora. Como já te falei, eu tenho um relacionamento... um possível relacionamento com alguém... no meu país... e... não... não é legal discutir isso agora. Eze: - Mas senhorita, a senhora sabe das minhas intenções. Eu faria qualquer coisa por você, te cortejaria onde precisasse, cuidaria de você durante sua estadia e te mostraria lugares lindos do meu país. Só precisa me dar o OK e assinar meu novo contrato. Deixa eu te dar meu cartão pessoal. Se mudar de ideia, pode me mandar uma mensagem e me dar um possível sim pro meu pedido. Ele levou a mão até o bolso do paletó, eu aproveitei pra me afastar dele. Ele me deu o cartão, junto com um bombom que tinha lá. - Não leva como atrevimento, mas a verdade é que só quero te cortejar, te mimar e cuidar de você durante sua estadia. Tem muito homem sem noção por aí, e eu vou ser seu segurança, motorista e guia turístico, tudo num só. Eu: - Obrigada, você é muito gentil! - O Marcelo chegou rindo e perguntou: Marcelo: - Fala, juventude! Eze: - Beleza, Marcelo? Eu: - Oi... o que você tava precisando? Marcelo: - As pastas que trouxeram com seu pai - apontando pra mim - pra entregar pro seu pai - apontou pro Ezequiel. Eze: - Tão comigo aqui. Fala pro meu pai que tá tudo certo, já conferi tudo e tá tudo beleza. E fala pros nossos pais que vou dar uma voltinha com essa mocinha aqui por perto. Marce: - Tá bom. bem... tentem não ir muito longe
Eze: - Relaxa, é aqui perto...
Marce: - OK, se cuidem
E o Ezequiel me pegou pela cintura e fomos andando até a saída, e eu vi a vista da manhã, totalmente diferente da que tinha visto com meu pai na noite anterior
Eu: - Nossa, esse lugar é incrível, cada vez gosto mais!
Ezequiel: - É que Punta é um dos lugares mais tops e mais escolhidos por turistas internacionais e pelos próprios daqui. Vou te levar a um lugar emblemático de Punta, que são as famosas mãos, e de lá tem um restaurante lindo com comidas variadas
Seguimos andando e cada vez fazia mais calor, eu ia me abanando com as mãos e passamos por uma barraca de chapéus, bonés e roupas mais leves. Parei pra olhar e ele disse:
Eze: - Escolhe alguma coisa e depois a gente acerta
Eu: - Não, não... não fica bem pra mim
Eze: - Pelo amor de Deus, Fran... experimenta essa capelina... uauuuu ficou maravilhosa em você... se olha!
Me olhei no espelho que tinha lá e amei. Ezequiel pagou e seguimos andando. Paramos numa descida, ele desceu e, com o celular, tirou uma foto minha. Eu sorri e apoiei a mão no corrimão, e ele tirou outra foto.
Nós dois sorrimos e continuamos descendo até a praia. Ele tirou os sapatos e as meias que estava usando e começou a andar descalço. Me pegou pela mão e eu me senti no paraíso.
Fomos até a área das mãos e ele tirou várias fotos minhas posando. Num momento, ele disse:
- Vamos tirar uma selfie!
Eu sorri e ele encostou minha cabeça na dele e sorriu. Depois fez uma foto 360, girou o celular completamente pra mostrar tudo como era, e a última foi aquela foto redonda onde parece que somos as únicas pessoas no planeta.
Ele me pegou pela mão e caminhamos pela praia. Íamos em silêncio, eu apreciando a paisagem e ele olhando pra mim. Num momento, olhei pra ele e ele sorriu.
- Você é tão linda, Fran... não pensei em dizer isso, mas... tô me apaixonando. Agora não consigo parar de te olhar e ver como você é maravilhosa...
Nós paramos e ele me pegou pela cintura e me acariciou. devagar pelas minhas costas e com a mão ele acariciou meu rosto devagar, eu fechei os olhos e nos beijamos. Paramos quando sentimos a água tocar nossos pés. Continuamos andando devagar pra voltar pro escritório e fomos em silêncio. Quando chegamos lá, meu pai estava com Ricardo e Marcelo na entrada e, ao nos ver chegar, meu pai sorriu aliviado.
Eu: — Oi, pai!
Pai: — Oi, love... oi... hmm
Eze: — Sou Ezequiel, sou filho do Ricardo... prazer, senhor. Levei sua filha pra conhecer o monumento das mãos.
Pai: — Obrigado, você é muito respeitoso e muito atencioso comigo, e com certeza também foi com minha filha.
Eze: — Sim, senhor. — apertaram as mãos.
Ricardo: — A gente podia terminar essas assinaturas e selar essa parceria almoçando juntos, que tal, Martin?
Pai: — Perfeito.
Fomos pro mesmo restaurante que a gente tinha jantado sozinho com meu pai na noite anterior, mas dessa vez com Ezequiel, Ricardo, Osvaldo e Marcelo. Dessa vez sentei do lado do meu pai, mas na minha frente estava o Ezequiel. Me surpreendi de novo que meu pai, assim como os outros, escolheu o rodízio de novo.
Eze: — Por que você não escolhe o rodízio, Francesca?
Eu: — É que tem muita coisa e eu não ia conseguir decidir...
Eze: — Posso te acompanhar pra você ver tudo que tem pra você. — falando com meu pai — Com licença, senhor. Vou levar sua filha um minutinho. — ele concordou com a cabeça.
Fomos até o buffet e ele me mostrou.
Eze: — Aqui tem todo tipo de entrada, o que você quiser: frios, guarnição de legumes, caldos e até sopas. Mais lá tem empadas, tortas, bolinhos, guarnições, cubos de legumes e mais lá estão os peixes, o que você imaginar tem ali: lula frita, cornalitos, camarão, mexilhão, salmão, lula, polvo e até tubarão!
Eu: — Nossa... meu pai tava certo!
Eze: — Já vieram aqui?
Eu: — Sim, sim, ontem à noite, mas eu escolhi cazuela... acho que dessa vez também vou de rodízio.
Fomos escolhendo uma variedade de comidas nós dois, enquanto nossos pais e os outros continuavam conversando e ainda não tinham levantado. a se servir. Ao chegar na mesa com nossos pratos, meu pai me viu e disse:
Pai: - Ahhhh, que bom, love... você escolheu o rodízio!
Eu: - Sim, pai... Eze... Ezequiel me mostrou tudo que tem pra comer.
Meu pai, Marcelo, Osvaldo e Ricardo foram se servir, ficando nós dois a sós na mesa.
Eze: - Fran, posso confessar uma coisa?
Eu: - Claro, fala aí.
Eze: - Queria que o tempo parasse pra você não voltar ainda pro seu país.
Eu: - Ainda tenho dois dias antes de ir...
Eze: - Sério?? Pensei que você fosse hoje... Posso te convidar pra sair pra dançar numa balada exclusiva daqui?
Eu: - Vou ter que pedir permissão pro meu pai.
Eze: - Tenho certeza que ele vai deixar, porque hoje à noite eles têm outra reunião com jantar e senão você ia ficar sozinha no hotel.
Eu: - Como você sabe?
Eze: - Sou filho do homem que mais faz negócios no Uruguai.
Eu: - Ah... então talvez a gente se veja hoje à noite...
Eze: - Agora, assim que terminarmos, a gente podia ir pra praia...
Eu: - Mas não sei se trouxe nada pra vestir, uma sunga ou biquíni.
Eze: - Por isso não se preocupa, lá onde comprei sua capelina vende de tudo, a gente podia ir dar uma olhada...
Eu: - Agora?
Eze: - Simmm, claro, agora... vamos deixar eles tranquilos comendo, bebendo e falando de negócios.
Eu: - Tá bom...
Meu pai voltou com Ricardo, e atrás vinham Marcelo e Osvaldo. Ele os parou antes de chegar na mesa e contou a proposta pra mim, e meu pai balançou a cabeça que sim.
Coloquei minha capelina e saímos pra caminhar. Enquanto olhávamos algumas vitrines, parei numa que tinha um biquíni em várias cores e no meu modelo favorito, também tinha vestidos de praia e escolhi um.
Ele, junto com o pai dele que tinha chegado no lugar de carro, se ofereceu pra deixar minhas roupas que tirei depois da compra. Foi se trocar, deixou a chave com um manobrista e fomos caminhando. Ele pegou na minha mão. Quando tirei minha capelina, também tirei o vestido e ele, ao me ver assim, ficou de olhos arregalados. Sentei na areia e ele ficou parado. Me olhando...
—Uauuuuu, Fran... sério, você tá muito gostosa... me deixou sem palavras.
—Você não gostou do meu biquíni?
—Gostei, sim... mas é que é a primeira vez que venho com uma mina pra praia, e você é a mais gostosa de todas aqui!
Eu fiquei vermelha e baixei o olhar. Ele tava de short de praia e uma camisa branca com as mangas dobradas até o cotovelo. Tirou a camisa devagar e ficou com o peito nu: nunca tinha visto um cara com um pouco de pelo e uma barriguinha, e fiquei impactada. Quando ele me olhou, eu sorri.
—Vejo que você é curiosa...
—Desculpa... é que é a primeira vez que alguém tira a roupa na minha frente...
—E você gosta de me ver?
Eu corei e olhei pra baixo de novo.
—Vamos, Fran... me fala...
—É que você tá muito gostoso!!
—E você também, é linda e adoro estar com você... sinto que a gente se conhece há anos!
Ele senta do meu lado e passa a mão devagar na minha bochecha. Eu baixo o olhar, e ele levanta meu rosto de novo, me olha nos olhos, se aproxima ainda mais e me beija de novo. Um beijo suave e calmo, sem abrir os olhos. Eu acariciava o corpo dele, e ele me beijou com mais paixão, abrindo mais minha boca e mexendo nossas línguas devagar. A gente se deitou na areia, e ele acariciou meu rosto devagar.
—Ah, Fran... você é tão linda. Não acredito que me apaixonei por você.
—Ah, Eze... não... não... não quero brincar com seus sentimentos. Você também é muito gato, e adoro compartilhar tudo isso com você, mas sabe que eu... eu tô num relacionamento recente com um cara de lá, e não gosto de fazer esse tipo de coisa...
—Mas a gente só se beijou... não tamo fazendo mal a ninguém. Eu não vou dar nenhum passo a mais se você não quiser. Não vou te forçar nem te obrigar. Quero que a decisão seja sua!
CONTINUA...
—Obrigada, pai... você é o homem mais importante, junto com os avós...
—Eu sei que você vai ter homens na sua vida que vão te amar ou vão dizer que te amam, mas não esquece disso, meu amor. Eu vou estar sempre, mas sempre pra você, e o papai vai te amar pra sempre e vai te ver como aquela menina que você era há muitos anos atrás, que só queria estar segura nos meus braços e me pedir mil e uma coisas...
Eu estava tão emocionada que até levantei o olhar e vi ele enxugando as lágrimas... não podia acreditar: meu pai estava chorando, emocionado, falando comigo do fundo do coração dele.
—Me perdoa, filha. Vamos?
—Sim... sim...
Dessa vez, fui prendendo o cabelo com uns prendedores enquanto ia em direção ao elevador. Meu pai fechou bem a porta do nosso quarto e guardou a chave no bolso, e a gente esperava pacientemente o elevador, enquanto ele segurava umas pastas e a gente ouviu o celular dele tocar.
—Olha, amor... você pode segurar isso pra mim, por favor?
—Sim, pai... me dá que eu levo pra você.
Ele atendeu:
—Alô? Ah sim, sim, siiiim... ah, beleza... beleza... sim, sim, em alguns minutos a gente chega aí. Tô indo com a minha filha e também levo os contratos e convênios pra vocês darem uma olhada... tá certo. Perfeito. Um abraço.
Desligou, olhou pra mim e sorriu. A gente desceu no elevador e ficou no hall de entrada enquanto ele esperava uma ligação e me disse:
—Olha, bonita... você colocou um prendedor torto, deixa eu arrumar pra você?
—Sim, pai...
Eu joguei a cabeça bem pra trás pra ele poder arrumar sem problemas.
—Agora sim, ficou muito bom!
A gente saiu de lá e um carro totalmente preto veio nos buscar. E bem grandão, e lá dentro vi a cara conhecida do homem de ontem à noite, que me confundiu com minha mãe, e ele vinha junto com outros dois homens e um garoto bem jovem, mais ou menos da minha idade. A gente cumprimentou todo mundo meio por cima e, quando chegamos no escritório de um deles, aí sim cumprimentamos bem melhor. Estavam o Marcelo, o Ricardo, o Osvaldo, e o jovem se apresentou bem docemente como Ezequiel, filho do Ricardo. Eu e o Ezequiel ficamos na área dos sofás, e os outros foram pra sala de reunião que era perto de onde a gente tava. Ezequiel: — Oi, gostosa! Qual é o teu nome? Eu: — Oi, Ezequiel, me chamo Francesca. É um prazer... Eze: — O prazer é meu, tu é daqui? Eu: — Não, não, eu sou da Argentina, vim com meu pai pra essas reuniões e de quebra pra conhecer e passear. Eze: — Ahhh, teu pai é o famoso Martin? Eu: — O que faz meu pai ser tão famoso aqui? Eze: — Não saberia te dizer, gostosa, mas aqui em todas as reuniões que meu velho me leva, ele sempre fala de um tal de Martin, e acho que é teu pai! Eu: — Fico lisonjeada que meu pai seja tão respeitado aqui no Uruguai. Eze: — Quantos anos tu tem, gostosa? Eu: — Eu tenho 17, daqui a pouco faço 18, e tu? Eze: — Eu tenho 22 anos, tô estudando administração de empresas na universidade pra poder ajudar meu velho nessa parada toda, porque esse trampo é bem complexo e eu tenho que prestar atenção em tudo que ele faz... Eu: — Ahhh, olha que legal... Eze: — E tu tá namorando ou tá sozinha? Eu: — Conheci um cara legal há pouco tempo, ele é bem doce e a gente conversou bastante, e tu? Eze: — Fico lisonjeado que tu me veja assim, linda — eu sorri — mas não, tô solteiro, não tenho nada com ninguém ainda, mas é muito difícil eu me apaixonar porque vivo ocupado com minhas atividades e ajudando meu velho. Eu: — Tu é um jovem empresário! Eze: — Tu também vai ser em breve, gostosa! Vou adorar trabalhar contigo, gostosa! Ele se aproximou de mim e me ofereceu um café que tinha numa mesinha tipo centro, junto com um monte de coisinhas tipo bolachinhas e mini cookies. Eu: Valeu, você é muito atencioso.
Eze: — É que nesse ramo de negócios, café não pode faltar, assim como o mate pra nós uruguaios...
Eu: — Pra nós também, eu tomo mate com minhas amigas e às vezes com minha mãe, porque meu pai não curte muito mate.
Eze: — Ahhh... e você tem irmãos?
Eu: — Sim, sim... tenho só uma irmã, mas ela ficou em casa com minha mãe. E você?
Eze: — Tenho dois irmãos, um mais velho que eu e a outra, a caçula: uma mimada danada. Meu irmão tem 26 e tá morando no Brasil há uns anos, e agora sobrou eu com ela e meus velhos! Tô doido pra me virar e viajar pra outro país... Você mora aí com seus pais?
Eu: — Sim, sim... adoraria já ter meu canto, minha casa ou apartamento, porque não aguento mais minha irmã, ela é muito chata pra caralho, e além disso quero minha privacidade e espaço pra trazer minhas amigas ou, se um dia eu tiver namorado.
Eze: — Já te falei, não vou pra Argentina, não insiste, por favor — nós dois rimos —. A verdade é que você é muito legal, gosto de estar com você e conversar.
Eu me sentei no sofá e ele puxou um pufe redondo pra perto de mim, e eu sorri tímida. Ele tentou olhar nos meus olhos, se aproximou mais, acariciou minha bochecha, me olhou nos olhos e tentou me tocar.
Eu: — Me desculpa, Ezequiel, mas eu tenho um possível namorado lá na Argentina e não seria capaz de fazer nada errado.
Eze: — Desculpa, Fran, é que é a primeira vez que uma mulher me atrai tanto desde o primeiro minuto que conheci. Não quero que a gente perca uma possível amizade e talvez no futuro a gente possa ser algo mais, vou esperar você.
Terminamos de tomar o café e ouvimos a porta abrir. O pai do Ezequiel aparece:
Ricardo: — Eze, pede pra moça as pastas que eles trouxeram? Dá uma olhada e depois traz pra mim assinar.
Ezequiel: — Sim, pai!
Ricardo fechou a porta, eu levantei pra entregar as pastas, ele se levantou e foi sentar num sofá mais confortável. Tava por perto e ele fala, imitando a voz de um senhor mais velho:
— Então, senhorita, pode me dar as pastas que a senhora trouxe?
Eu: — Claro, cavalheiro... estas são as pastas e os convênios da empresa que eu administro, e acho que não tem nada fora do lugar, mas o senhor decide, senhor!
E nós dois rimos. Ezequiel apoiou o pé sobre a outra perna e examinava as pastas com atenção, lia em silêncio e ia folheando devagar. Eu estava do lado dele, olhando, esperando a aprovação de que estava tudo certo.
Ezequiel: — Sinceramente, senhorita, estou muito surpreso. Sua empresa atende a tudo que exigimos para podermos operar com ela... então, parabéns! Seremos sócios de agora em diante! — Fechou a pasta e estendeu a mão.
Eu olhei surpresa, porque era exatamente como meu pai sempre me descrevia que seria uma reunião, com os acordos, assinaturas de convênios e o modo de operação. Mas, para ser a primeira vez sozinha com uma pessoa desconhecida falando sobre papéis, contratos e convênios, me senti muito bem e muito à vontade.
Eu: — Sinceramente, o prazer é todo meu, e será um prazer trabalhar com vocês.
Ezequiel se levantou e estendeu a mão, mas pegou a minha suavemente e deu um beijo. Isso me deixou completamente ruborizada, e eu baixei o olhar.
Ezequiel: — Senhorita, não seja tímida! É só um beijo, um gesto nobre para a senhora.
Eu: — É que é a primeira reunião formal que tenho.
Ezequiel: — E virão muitas outras reuniões. Tomara que haja muitos mais convênios, negócios e acordos com a senhora e sua empresa, senhorita! Porque gosto do seu jeito e da sua seriedade ao trabalhar.
Eu sorri de novo, timidamente.
— Olhe, senhorita, se continuar sorrindo desse jeito, vou ter que aplicar uma pequena correção num futuro contrato que tivermos.
Eu: — O que precisamos mudar ou melhorar nele?
E Ezequiel se aproximou de mim, acariciou meu braço devagar, levantou levemente meu queixo e me olhou com seus olhos cor de mel, e sorriu.
Eu não tinha prestado atenção em... Esse olhar e essa cor de olhos que pareciam muito mais chamativos do que aquele verde que eu já tinha visto em algum colega. Quando menos esperava, o Ezequiel tava colado no meu corpo, o braço dele rodeando minhas costas e com uma mão acariciando minhas bochechas, afastando devagar os fios de cabelo que caíam no meu rosto. Ezequiel: - A gente podia jantar a sós pra fechar um trato. A senhorita precisa dar uma olhada e me dar o OK pra gente começar o quanto antes. Porque tô muito interessado nisso. Eu: - Desculpa, mas acho melhor a gente falar disso outra hora. Como já te falei, eu tenho um relacionamento... um possível relacionamento com alguém... no meu país... e... não... não é legal discutir isso agora. Eze: - Mas senhorita, a senhora sabe das minhas intenções. Eu faria qualquer coisa por você, te cortejaria onde precisasse, cuidaria de você durante sua estadia e te mostraria lugares lindos do meu país. Só precisa me dar o OK e assinar meu novo contrato. Deixa eu te dar meu cartão pessoal. Se mudar de ideia, pode me mandar uma mensagem e me dar um possível sim pro meu pedido. Ele levou a mão até o bolso do paletó, eu aproveitei pra me afastar dele. Ele me deu o cartão, junto com um bombom que tinha lá. - Não leva como atrevimento, mas a verdade é que só quero te cortejar, te mimar e cuidar de você durante sua estadia. Tem muito homem sem noção por aí, e eu vou ser seu segurança, motorista e guia turístico, tudo num só. Eu: - Obrigada, você é muito gentil! - O Marcelo chegou rindo e perguntou: Marcelo: - Fala, juventude! Eze: - Beleza, Marcelo? Eu: - Oi... o que você tava precisando? Marcelo: - As pastas que trouxeram com seu pai - apontando pra mim - pra entregar pro seu pai - apontou pro Ezequiel. Eze: - Tão comigo aqui. Fala pro meu pai que tá tudo certo, já conferi tudo e tá tudo beleza. E fala pros nossos pais que vou dar uma voltinha com essa mocinha aqui por perto. Marce: - Tá bom. bem... tentem não ir muito longe
Eze: - Relaxa, é aqui perto...
Marce: - OK, se cuidem
E o Ezequiel me pegou pela cintura e fomos andando até a saída, e eu vi a vista da manhã, totalmente diferente da que tinha visto com meu pai na noite anterior
Eu: - Nossa, esse lugar é incrível, cada vez gosto mais!
Ezequiel: - É que Punta é um dos lugares mais tops e mais escolhidos por turistas internacionais e pelos próprios daqui. Vou te levar a um lugar emblemático de Punta, que são as famosas mãos, e de lá tem um restaurante lindo com comidas variadas
Seguimos andando e cada vez fazia mais calor, eu ia me abanando com as mãos e passamos por uma barraca de chapéus, bonés e roupas mais leves. Parei pra olhar e ele disse:
Eze: - Escolhe alguma coisa e depois a gente acerta
Eu: - Não, não... não fica bem pra mim
Eze: - Pelo amor de Deus, Fran... experimenta essa capelina... uauuuu ficou maravilhosa em você... se olha!
Me olhei no espelho que tinha lá e amei. Ezequiel pagou e seguimos andando. Paramos numa descida, ele desceu e, com o celular, tirou uma foto minha. Eu sorri e apoiei a mão no corrimão, e ele tirou outra foto.
Nós dois sorrimos e continuamos descendo até a praia. Ele tirou os sapatos e as meias que estava usando e começou a andar descalço. Me pegou pela mão e eu me senti no paraíso.
Fomos até a área das mãos e ele tirou várias fotos minhas posando. Num momento, ele disse:
- Vamos tirar uma selfie!
Eu sorri e ele encostou minha cabeça na dele e sorriu. Depois fez uma foto 360, girou o celular completamente pra mostrar tudo como era, e a última foi aquela foto redonda onde parece que somos as únicas pessoas no planeta.
Ele me pegou pela mão e caminhamos pela praia. Íamos em silêncio, eu apreciando a paisagem e ele olhando pra mim. Num momento, olhei pra ele e ele sorriu.
- Você é tão linda, Fran... não pensei em dizer isso, mas... tô me apaixonando. Agora não consigo parar de te olhar e ver como você é maravilhosa...
Nós paramos e ele me pegou pela cintura e me acariciou. devagar pelas minhas costas e com a mão ele acariciou meu rosto devagar, eu fechei os olhos e nos beijamos. Paramos quando sentimos a água tocar nossos pés. Continuamos andando devagar pra voltar pro escritório e fomos em silêncio. Quando chegamos lá, meu pai estava com Ricardo e Marcelo na entrada e, ao nos ver chegar, meu pai sorriu aliviado.
Eu: — Oi, pai!
Pai: — Oi, love... oi... hmm
Eze: — Sou Ezequiel, sou filho do Ricardo... prazer, senhor. Levei sua filha pra conhecer o monumento das mãos.
Pai: — Obrigado, você é muito respeitoso e muito atencioso comigo, e com certeza também foi com minha filha.
Eze: — Sim, senhor. — apertaram as mãos.
Ricardo: — A gente podia terminar essas assinaturas e selar essa parceria almoçando juntos, que tal, Martin?
Pai: — Perfeito.
Fomos pro mesmo restaurante que a gente tinha jantado sozinho com meu pai na noite anterior, mas dessa vez com Ezequiel, Ricardo, Osvaldo e Marcelo. Dessa vez sentei do lado do meu pai, mas na minha frente estava o Ezequiel. Me surpreendi de novo que meu pai, assim como os outros, escolheu o rodízio de novo.
Eze: — Por que você não escolhe o rodízio, Francesca?
Eu: — É que tem muita coisa e eu não ia conseguir decidir...
Eze: — Posso te acompanhar pra você ver tudo que tem pra você. — falando com meu pai — Com licença, senhor. Vou levar sua filha um minutinho. — ele concordou com a cabeça.
Fomos até o buffet e ele me mostrou.
Eze: — Aqui tem todo tipo de entrada, o que você quiser: frios, guarnição de legumes, caldos e até sopas. Mais lá tem empadas, tortas, bolinhos, guarnições, cubos de legumes e mais lá estão os peixes, o que você imaginar tem ali: lula frita, cornalitos, camarão, mexilhão, salmão, lula, polvo e até tubarão!
Eu: — Nossa... meu pai tava certo!
Eze: — Já vieram aqui?
Eu: — Sim, sim, ontem à noite, mas eu escolhi cazuela... acho que dessa vez também vou de rodízio.
Fomos escolhendo uma variedade de comidas nós dois, enquanto nossos pais e os outros continuavam conversando e ainda não tinham levantado. a se servir. Ao chegar na mesa com nossos pratos, meu pai me viu e disse:
Pai: - Ahhhh, que bom, love... você escolheu o rodízio!
Eu: - Sim, pai... Eze... Ezequiel me mostrou tudo que tem pra comer.
Meu pai, Marcelo, Osvaldo e Ricardo foram se servir, ficando nós dois a sós na mesa.
Eze: - Fran, posso confessar uma coisa?
Eu: - Claro, fala aí.
Eze: - Queria que o tempo parasse pra você não voltar ainda pro seu país.
Eu: - Ainda tenho dois dias antes de ir...
Eze: - Sério?? Pensei que você fosse hoje... Posso te convidar pra sair pra dançar numa balada exclusiva daqui?
Eu: - Vou ter que pedir permissão pro meu pai.
Eze: - Tenho certeza que ele vai deixar, porque hoje à noite eles têm outra reunião com jantar e senão você ia ficar sozinha no hotel.
Eu: - Como você sabe?
Eze: - Sou filho do homem que mais faz negócios no Uruguai.
Eu: - Ah... então talvez a gente se veja hoje à noite...
Eze: - Agora, assim que terminarmos, a gente podia ir pra praia...
Eu: - Mas não sei se trouxe nada pra vestir, uma sunga ou biquíni.
Eze: - Por isso não se preocupa, lá onde comprei sua capelina vende de tudo, a gente podia ir dar uma olhada...
Eu: - Agora?
Eze: - Simmm, claro, agora... vamos deixar eles tranquilos comendo, bebendo e falando de negócios.
Eu: - Tá bom...
Meu pai voltou com Ricardo, e atrás vinham Marcelo e Osvaldo. Ele os parou antes de chegar na mesa e contou a proposta pra mim, e meu pai balançou a cabeça que sim.
Coloquei minha capelina e saímos pra caminhar. Enquanto olhávamos algumas vitrines, parei numa que tinha um biquíni em várias cores e no meu modelo favorito, também tinha vestidos de praia e escolhi um.
Ele, junto com o pai dele que tinha chegado no lugar de carro, se ofereceu pra deixar minhas roupas que tirei depois da compra. Foi se trocar, deixou a chave com um manobrista e fomos caminhando. Ele pegou na minha mão. Quando tirei minha capelina, também tirei o vestido e ele, ao me ver assim, ficou de olhos arregalados. Sentei na areia e ele ficou parado. Me olhando...
—Uauuuuu, Fran... sério, você tá muito gostosa... me deixou sem palavras.
—Você não gostou do meu biquíni?
—Gostei, sim... mas é que é a primeira vez que venho com uma mina pra praia, e você é a mais gostosa de todas aqui!
Eu fiquei vermelha e baixei o olhar. Ele tava de short de praia e uma camisa branca com as mangas dobradas até o cotovelo. Tirou a camisa devagar e ficou com o peito nu: nunca tinha visto um cara com um pouco de pelo e uma barriguinha, e fiquei impactada. Quando ele me olhou, eu sorri.
—Vejo que você é curiosa...
—Desculpa... é que é a primeira vez que alguém tira a roupa na minha frente...
—E você gosta de me ver?
Eu corei e olhei pra baixo de novo.
—Vamos, Fran... me fala...
—É que você tá muito gostoso!!
—E você também, é linda e adoro estar com você... sinto que a gente se conhece há anos!
Ele senta do meu lado e passa a mão devagar na minha bochecha. Eu baixo o olhar, e ele levanta meu rosto de novo, me olha nos olhos, se aproxima ainda mais e me beija de novo. Um beijo suave e calmo, sem abrir os olhos. Eu acariciava o corpo dele, e ele me beijou com mais paixão, abrindo mais minha boca e mexendo nossas línguas devagar. A gente se deitou na areia, e ele acariciou meu rosto devagar.
—Ah, Fran... você é tão linda. Não acredito que me apaixonei por você.
—Ah, Eze... não... não... não quero brincar com seus sentimentos. Você também é muito gato, e adoro compartilhar tudo isso com você, mas sabe que eu... eu tô num relacionamento recente com um cara de lá, e não gosto de fazer esse tipo de coisa...
—Mas a gente só se beijou... não tamo fazendo mal a ninguém. Eu não vou dar nenhum passo a mais se você não quiser. Não vou te forçar nem te obrigar. Quero que a decisão seja sua!
CONTINUA...
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