Tudo começou no mesmo dia em que nasci, embora eu não tivesse consciência na época. Sei que desde aquele dia eu era uma menina. Era a segunda filha dos meus pais, embora tivesse nascido menino e me deram o nome de Carlos. Minha irmã Sara era dois anos mais velha que eu, e um ano e meio depois chegou Gisela. Meus pais, Antonio e Carmen: meu pai é advogado e minha mãe tem uma loja de roupas. Cresci brincando com minhas irmãs; mesmo tendo carrinhos e brinquedos de menino, eu adorava bonecas, brincar de pentear minhas irmãs e de cozinha. Lembro que meu primeiro presente de Natal que pedi foi uma boneca bebê e um kit de cabeleireiro. Isso fez meus pais discutirem: meu pai não achava certo, mas minha mãe era diferente e não via problema nenhum nisso.
Continuei crescendo e, com o tempo, ficava cada vez mais evidente: eu era um garoto magrinho, afeminado e com uma voz bem feminina. Desde muito pequena, eu tinha bem claro que queria ter cabelo comprido como minhas irmãs, para poder fazer rabo de cavalo – coisa que minhas irmãs faziam em mim. Meu cabelo era preto. Com sete anos, já pedia à minha mãe para furar minhas orelhas, mas só consegui aos dez. Nessa época, eu já pegava as roupas das minhas irmãs e vestia escondido. Meus pais tinham se separado nesse meio-tempo.
Assim segui até chegar no ensino fundamental. Minha vida escolar não foi fácil: os garotos implicavam comigo, me chamando de veado, bicha. Mas sempre fui forte nesse sentido e não ligava. Naquela idade, eu já tinha muito claro o que era. Meu grupo de amigos era só de garotas; até tinha algum amigo, mas não costumava andar com eles – preferia brincar com elas, e elas me tratavam como mais uma, a ponto de me chamarem de Carla.
Mas tudo mudou na minha vida num carnaval, quando eu já estava no 9º ano. Decidiram que os garotos iriam de jogadores de futebol e as garotas de cheerleaders. Chegaram a falar em fazer ao contrário – ideia que eu adorei –, mas os garotos não queriam vestir roupa de animadora, por mais que tentassem convencê-los. convencer, eu fiquei muito desapontado, no caminho para casa eu estava com Laura, uma colega e amiga do trabalho, eu disse: - Sabe Laura, eu teria adorado ir de animadora, acho que seria divertido. - De você eu já esperava isso hahaha - Com a atitude que os caras pegaram, eu não teria conseguido nada, e ainda teriam começado a me zoar - Podia ter falado, é carnaval, não tem problema dar sua opinião - É, mas você sabe como eles são. - Ei, e por que você não se veste de animadora com a gente? - Pois é, vou fazer isso sim - Beleza. Faltava um mês ainda para o carnaval, fui com as meninas comprar a fantasia, os caras cada um colocou a do seu time, a de animadora era toda rosa e a parte do peito era branca terminando em bico até o pescoço e com alças, como ia fazer frio decidiram usar um collant ou um body rosa de manga longa, naquele dia uma vez fomos na casa da Laura e eu experimentei e ficou perfeito em mim, era bem curto e pela minha inexperiência usando vestidos, no pouco tempo que fiquei com ele, deixei aparecer várias vezes a cueca já que ainda não tinha o body, depois uma colega emprestou um para a Laura, e assim chegou o dia, eu acordei cedo e fui para a casa da Laura, ela tinha tudo preparado para mim no quarto dela - Bom dia Laura - Bom dia Carla, em cima da cama está tudo. Olhei para a cama e me aproximei e ao ver percebi que também tinha uma calcinha rosa. - E isso? - disse pegando ela. - Sua calcinha. - Tenho que colocar a calcinha também? - Claro que sim, você é uma animadora, além do mais você não pensava que ia usar aquela cueca tão feia debaixo do body, né? - Não sei, se os caras me virem vão ter mais motivo ainda para me zoar - Liga não para eles, além do mais combina com o sutiã - Tá bom. Então no final eu coloquei, que na verdade eu estava morrendo de vontade de usar, quando coloquei ela deu uma baita risada, porque fiquei só de calcinha e sutiã na frente dela, ela colocou umas meias simulando uns peitos, o body por cima da calcinha que se Eu via pelas bordas do body, era a primeira vez que eu colocava um, e por último o vestido, umas meias brancas que me chegavam até os joelhos e uns sapatos de salto brancos que a Rosa, sua mãe, nos deixou e que ela usava um 37 como eu, a Laura me disse que todas as garotas iriam com saltos para ficarem mais sexy, ao chegar no instituto vi que ela tinha me enganado, todas estavam com tênis menos eu, mas enfim, antes disso, entre a Laura e a Rosa me maquiaram com tons claros, os lábios cor de rosa e fizeram duas maria-chiquinhas com dois laços rosas e dois brincos de garota, uma vez terminada a maquiagem, estava irreconhecível, parecia uma garota de verdade.
- Carla, pois então você já é toda uma animadora bem sexy e bonita.
- Uau, que loucura, pareço uma garota.
- Pois é, no instituto não vão te reconhecer, ninguém adivinharia que você é o Carlos à primeira vista.
- Bom, Carla, então já podemos ir.
No caminho para o instituto, quase caí várias vezes, era a primeira vez que usava saltos na rua, mas o que eu estava aguentando pior era o body, ele estava meio pequeno e entrava junto com a calcinha na bunda e eu estava desconfortável, além disso, estava com um frio tremendo nas pernas e subia por elas até deixar minha bunda gelada. Uma vez no instituto, nos dirigimos para onde estavam as outras animadoras, eu me aproximei com muita vergonha, com a cabeça baixa, a Laura cumprimentou:
- Oi, garotas, bom dia.
- Bom dia, Laura.
Então me viram, meu rosto não estava muito visível, eu estava olhando para o chão, não me atrevia a levantar a cabeça.
- E essa aqui, quem é?
- Nossa Carla.
- Carla, hahaha, que bonita você está, se eu cruzar com você, não sei quem é.
- Bom, e o que vocês acham?
- Uma loucura, amiga, passa perfeitamente por mais uma.
Me juntei a elas no meio do grupo, era a atração, todas me olhavam e comentavam o quanto eu estava bem, passaram vários garotos da classe e nenhum percebeu ao nos cumprimentar. Antes de entrar na aula, as garotas tinham que ir ao banheiro, as acompanhei, primeiro tem o das garotas, assim que chegamos, foram entrando e eu ia seguir. Fui em direção aos meninos, mas a Laura me pegou pelo brazo e me colocou entre elas, entrei num banheiro e fiz xixi sentadinha como uma menina, adorava fazer assim vendo minha calcinha na altura dos joelhos. Quando saí, comentei com a Laura sobre o body.
- Não sei como vocês conseguem usar isso, o body fica entrando no meu cu e me incomoda muito.
- Deixa eu arrumar direito pra você - disse ela, sem me dar tempo de evitar que levantasse minha saia, fazendo com que todas vissem minha bunda coberta pela calcinha e pelo body.
- Olha só hahaha - disse uma. - Ela também está de calcinha!
Naquele momento, senti um calor subir e meu rosto ficou vermelho intenso de vergonha.
- Claro - disse a Laura. - O que você esperava que ela usasse? Ou você não está usando?
- Claro que estou, mas é normal, sou uma garota.
- Hoje você é, né?
- Sim - respondi bem baixinho de vergonha.
Tentei ajustar o body, mas ela disse que estava pequeno e por isso entrava, que eu teria que me acostumar.
- Bom, não sei se vou aguentar a manhã inteira assim, incomoda muito.
- Você pode deixar desabotoado se incomodar tanto.
- É, acho que vai ser melhor.
Acomodei a parte de baixo do body sem abotoar, puxando pra cima, e fomos pra aula. Fomos as últimas a chegar, e todos já estavam sentados nos seus lugares. Na sala, estávamos divididos em dois lados: o direito para as garotas e o esquerdo para os meninos. Me dirigi à minha carteira, enquanto a sala toda me olhava, principalmente os meninos que ainda não me tinham visto assim. Ouvi alguns "gata" ou "tá gostosa" com algumas risadas, mas sem maldade, até que passei pelo lado do Pedro, o metidinho da sala, aquele que sempre se acha o melhor e tira sarro dos outros.
- Olha só, se não é o viadinho do Carlos - disse quando passei por ele, e levantando minha saia falou: - Olhem, o baitola tá de calcinha rosa! Eu sempre disse que ele era viado.
Eu não sabia onde me esconder, mas então uma colega interveio.
- Pois olha, Pedro, o Carlos tem mais coragem que qualquer um de vocês. Ele teve a coragem de se vestir assim e se divertir, ao contrário de vocês. Que de jogador de futebol vocês se vestem quase todo dia para jogar, vem Carlos senta aqui com a gente. Quando terminei de falar, alguns colegas aplaudiram o que ela disse, eu enquanto isso me sentei em uma carteira que tinha no meio delas, e logo chegou a professora Mercedes, uma professora jovem de 30 anos e muito descolada, começa a passar a lista em ordem alfabética até chegar no meu nome. -Carlos Ortiz - enquanto dirigia o olhar para minha carteira -presente. -onde você está, vamos se coloque no seu lugar. -aqui professora - disse levantando a mão mas ela não deu atenção à mão já que minhas colegas da frente me tapavam e só se via uma parte da minha cabeça com uma rabo de cavalo rosa -Carlos, para de brincar e vai pro seu lugar. -tá bom. Me levantei do meu lugar e ia ir pro meu assento quando ela disse -e você pra onde vai, senta. -pois pro meu lugar como a senhora disse. -Carlos, hahaha como eu ia te reconhecer, você está muito bem disfarçada, deixa eu ver, chega mais perto pra eu te ver bem, hahaha fica bem de animadora, você está muito gata. -obrigada professora -de nada, volta pro seu lugar que vamos terminar de passar a lista que temos que nos preparar para o desfile pelo bairro. -vou - e me dirigi à minha carteira. - pra onde vai senhorita Ortiz - disse se dirigindo a mim -pro meu lugar -não, por hoje você pode sentar com as meninas -obrigada professora - disse colocando uma voz muito mais feminina do que já tinha -hahaha, vai senta menina. Aquele "senhorita" e "menina" que ela me disse com carinho me agradou, me sentei com minhas colegas e entre a defesa que tinham feito de mim e as palavras da professora fizeram com que me sentisse confortável e perdesse o nervosismo e a vergonha do começo e me comportei como sempre tinha querido, como uma garota, naquele momento me senti feliz e sortuda de poder viver aquele momento, saímos pro pátio antes de sair pro desfile, onde ensaiamos cantos de animadoras e dançamos, já durante o desfile que durou quase duas horas não paramos de dançar e cantar, e sem perceber já estava andando de salto alto como uma verdadeira mocinha, fui a sensação Entre as mães dos meus colegas, todas me parabenizaram pela minha fantasia,
no meio da rua estava minha mãe esperando para me ver. Ela não sabia de nada sobre como eu estava fantasiado, me procurou mas não me viu até que eu me aproximei dela e a cumprimentei.
- Oi, mãe.
- Carlos, mas o que você está fazendo assim fantasiado? Hahaha.
- Pois é, você viu que a Laura me enrolou.
- Sim, claro. E você nem precisa que te enrolem muito.
- É.
- Pois você está muito bem, por isso não te encontrava hahaha.
- Bom, mãe, vou indo que estão me esperando.
- Até mais, filha hahaha.
- Até mais.
Mas como tudo tem fim, chegou o momento final e cada um para sua casa. Pareceu muito curto e fiquei triste porque aquilo acabou e eu não saberia quando poderia se repetir. Mas já a caminho de casa, Marta e Sonia nos chamaram de longe.
- Querem vir hoje à tarde para a rua do povoado?
- Valeu, eu topo.
- E você, Carla, o que diz?
- Tá bom.
- Ok, até mais, meninas. Ah, Carla, você tem que vir assim.
- Sim.
Uma vez em casa, teve sessão de fotos com minha mãe e minhas irmãs. Elas se pegaram de rir quando viram que eu estava de calcinha. Enquanto comíamos, perguntei se podia ir para a rua. Ela disse que sim, mas fiz algumas mudanças na minha fantasia: tirei o body e coloquei uma meia-calça da minha irmã mais velha, cor pele, e ela também me deixou uma jaqueta de couro preta para ir mais aquecida. Retocaram minha maquiagem, e às cinco da tarde a Laura passou para me buscar e fomos para onde havíamos combinado com as outras. Ficamos passeando até a hora da rua, à qual nos juntamos assim que começou, e passamos o tempo todo dançando, pulando e cantando como loucas. O namorado da Marta se juntou a nós com mais 5 amigos, os quais ela apresentou às que não os conheciam. E eu, que já estava bem entrosada no meu papel, os cumprimentei igual a todas, com dois beijos. E assim continuamos nos divertindo até a hora de ir embora. Laura e eu, que tínhamos que estar em casa às nove, não sem antes combinarmos para o sábado à tarde para ir à festa de carnaval para adolescentes, onde havia uma disco móvel. Combinamos de ir fantasiadas. diferente. - Bom, amanhã não nos vemos - disse Marta - mas venham fantasiadas de outra coisa. - Ok - disse Laura. - Pois eu não sei, não tenho nenhuma - respondi eu. - Calma, Carla, que a gente acha algo pra você na minha roupa. - Bom, se não tem outro jeito. - Agora você vai me dizer que não se divertiu com a gente? - Claro que sim, me diverti pra caralho. - Então não se fala mais, amanhã você se fantasia de garota de novo. - Ok.
Aquela noite, depois de jantar, minha irmã me ajudou a tirar a maquiagem e fui dormir com a calcinha por baixo do pijama. Era a primeira vez que ia dormir com uma e estava superexcitada. De manhã, levantei e desci pra tomar café com a família, depois fui tomar banho e me vestir com minhas roupas. Passei a manhã toda em casa estudando. Comentei com minha mãe o plano da tarde e ela disse que tudo bem, mas que ia procurar algo da minha irmã mais velha. Ela tirou várias saias, longas e curtas, mas tinha uma que eu gostei muito e peguei, dizendo: "Quero essa". Era uma minissaia preta rodada que, quando experimentei por cima, chegava na metade da coxa. Ela acrescentou uma camiseta branca de manga longa e gola redonda, meia-calça preta, conjunto de lingerie branca, uma jaqueta preta e uns sapatos da minha irmã, um número maior que o meu. Descemos pra almoçar e subimos rapidamente pra eu me vestir. Depois, me maquiaram um pouco mais carregado que no dia anterior, com batom vermelho intenso. Me pentearam com o cabelo solto, de um jeito bem feminino, e eu já estava pronta pra sair. Passei um bom tempo me olhando no espelho, minha mãe e minhas irmãs riam ao me ver. - Nossa, que três filhas mais gatas eu tenho, né, Carlos? Ou prefere que eu te chame de Carla? Não é assim que suas amigas te chamam? - Como você sabe disso? - Um dia uma amiga sua ligou e perguntou por Carla, depois disse "desculpe, Carlos". - Bom, me chamam assim de brincadeira, sou o único garoto do grupo. - Querido, sou sua mãe, não pode me enganar. Desde pequenininho eu percebi. - Percebi o quê? - Quando a gente descobriu que você ia ser menino... Foi uma alegria enorme, mas desde pequeno você viveu como uma menina, por dentro sempre foi e é hora de você se decidir. Seja o que for, sou sua mãe e ninguém vai mudar isso, e vou te amar do mesmo jeito e vou estar ao seu lado sempre e vou te apoiar em tudo. Agora me diga, ou quando estiver preparada, quem você quer ser: Carlos ou Carla? As lágrimas caíam dos meus olhos ao ouvi-la, e nem pensei na resposta. — Carla. — Tem certeza? — Sim. Minha mãe me pegou e me abraçou chorando, e depois minhas irmãs se juntaram. Ficamos assim um tempinho. — Bom, a partir de hoje em casa você será Carla. Vou ter que comprar roupas pra você, embora sua irmã tenha muitas e com certeza vai te emprestar. Mas no colégio você terá que ir como sempre, e essa semana vou buscar informações sobre a ajuda que você precisa e o que tem que fazer. — Obrigada, mãe, te amo. Bom, vou indo que a Laura está me esperando. Peguei o celular e um pouco de dinheiro, e quando já estava saindo minha mãe me chamou: — Espera, falta uma bolsinha. Não vai levar isso na mão. Ela trouxe uma bolsinha preta pequena, pendurou em mim, colocou minhas coisas dentro e me deu um beijo. — Vai lá, se diverte. Abri a porta e, logo ao fechá-la, percebi que estava sozinha na rua pela primeira vez vestida assim. E tinha quase dez minutos até a casa da Laura. Veio uma mistura de nervosismo e excitação que me deixou um pouco mal, mas decidi andar com passo firme e rápido. Cruzei com muita gente e com alguns grupos de caras que falaram umas coisas, mas não dei bola pra ninguém. O caminho pareceu uma eternidade. Cheguei na casa dela, toquei a campainha e ela me fez subir. A Rosa abriu a porta: — Que gata você está hoje! Parece que tá pegando gosto por sair de saia. — É, eu gosto — saiu da minha boca sem pensar. A Laura apareceu já vestida de bruja, e de lá íamos buscar a Marta e a Sonia. Em princípio, iríamos nós quatro e o namorado da Marta com os amigos dele. Quando nos encontramos com elas, nos demos dois beijos e elas disseram: — Nossa, Carla, que linda você está! Vai levar todos os caras da rua, hahaha! Rimos. Quatro horas e fomos para a barraca onde encontraríamos o namorado dela e os outros. Primeiro chegamos nós e já começamos a dançar assim que chegamos. Depois de um tempo, eles chegaram e se juntaram a nós. Entre eles estava o Ruben, um cara que já tinha vindo no dia anterior, cabelo castanho, um pouco mais alto que eu e, pra mim, muito gato. Ele também era dois anos mais velho. Eu já tinha reparado nele no dia anterior, vamos dizer que eu gostava dele e via algo especial nele. Depois de um tempo dançando, ele começou a ficar na minha frente, dançando comigo e falando comigo, mas eu não dei muita importância. Depois de um bom tempo dançando, fomos sentar numas arquibancadas que tinham lá, e o Ruben sentou do meu lado e foi se aproximando aos poucos. Depois de um tempo, ele levantou os braços e colocou um por cima do meu ombro. Eu peguei o braço dele e tirei, e continuamos conversando como se nada tivesse acontecido, mas ele continuou se aproximando e foi colocando o braço direito atrás das minhas costas. Eu fui deixando ele fazer, e ele percebeu. Uma vez do outro lado, ele subiu o braço e me pegou pela cintura.
- Ruben, você tá enganado, sou um cara vestido de mulher, não sei se você percebeu.
- Já sei, Carla, e é isso que eu gosto em você.
- O que você gosta em mim?
- Bom, eu gosto de você como mulher, você é bonita e feminina, e parece sexy.
- Obrigado, mas sou um cara por baixo da fantasia.
- Sim, mas eu vejo você.
Continuamos um bom tempo conversando sobre o assunto, e ele foi me deixando cada vez mais colada nele, e eu fui ficando cada vez mais confortável assim e fui relaxando aos poucos, até que, sem perceber, tinha minha cabeça apoiada no ombro dele e continuamos conversando. Enquanto isso, os outros estavam na deles, e a Laura tinha ido buscar uma garrafa d'água. Eu me sentia cada vez melhor assim e fui me acomodando mais nele, até que senti um beijo na bochecha. Nesse momento, levantei a cabeça um pouco e meus lábios encontraram os dele. Ele me beijou suavemente e se afastou um pouco, me olhou nos olhos, eu sorri e devolvi o beijo. nossos lábios não se separaram mais, era minha primeira vez, meu primeiro beijo e eu estava fazendo isso vestida de menina e com um menino, eu não sabia como agir mas continuei com meus lábios colados nos dele me deixando levar... aos poucos fui mudando de posição, virei-me para ele, encolhi minhas pernas e passei um braço por trás do seu pescoço e o outro com a mão apoiada no seu ombro enquanto ele me envolvia com seus braços por trás e ficamos frente a frente com os lábios bem colados, explorando nossas bocas com a língua, pela primeira vez me senti uma garota de verdade. Houve um momento de pausa em que ficamos nos olhando e dando beijinhos, quando Ruben no meu ouvido perguntou:
-Carla, quer ser minha namorada?
Um momento de silêncio.
-Não sei, gosto de você mas acabamos de nos conhecer.
-Não precisa me responder agora, mas promete que vai pensar?
-Prometo.
Estávamos colados de novo quando Laura chegou e perguntou por mim:
-E a Carla, onde está?
-Aí está pegando o Ruben.
-Porra, Carla, o que você tá fazendo?
Olhei pra ela e sorri mas não soube o que dizer, ela me pegou pelo braço e quase me arrastando me levou pra fora, na rua.
-Mas pode saber o que você tá fazendo?
-Não sei, ele foi se aproximando de mim e sem perceber tinha a boca dele colada na minha.
-Caralho, mana, já chega!
-É, tenho que te contar uma coisa mas como te explico isso... não sei, bom, olha, é que eu sou uma menina, me sinto menina, e a partir de hoje vou ser uma menina, conversei com minha mãe e ela vai me ajudar.
-Tô chocada com você!
-Sabe uma coisa? Ruben me perguntou se quero ser namorada dele.
-Conta, conta! O que você disse?
-Que ia pensar, mas já pensei.
-Sim, e o que vai dizer?
-Que sim.
-Caralho, mana, que rápida!
-É que eu gosto muito dele e ele beija tão bem.
-Hahaha!
Voltamos lá pra dentro com os outros e eu voltei a me aconchegar com o Ruben, e continuamos nos beijando sem parar e um tempinho depois soltei:
-Ruben, já pensei e quero sim ser sua namorada.
Ele não disse nada, só me abraçou mais forte e me deu um beijo que durou dez segundos. minutos, um tempinho depois fomos dar uma volta, ficamos o tempo todo de mãos dadas e ele me acompanhou quase até a porta de casa e combinamos de ficar sozinhos no dia seguinte. Quando cheguei em casa, minha mãe tinha uma surpresa em cima da minha cama: tinha umas coisinhas pra mim, ela tinha ido comprar calcinhas, sutiãs, uma minissaia preta elástica, um vestido branco, um pijama rosa, um par de sapatos e um tênis Nike rosa, e umas roupas da minha irmã que ela não usava mais. Depois do jantar, experimentei tudo, estava muito animada de ter minhas próprias roupas, fui dormir com meu pijama novo. No dia seguinte, acordei, tomei um banho e já me vesti com o que ia usar naquele dia: uma minissaia jeans, uma legging preta, calcinha fio dental preta, uma camiseta rosa clarinha e meu Nike novo, só faltava a jaqueta. Desci, fiquei ajudando minha mãe e o que me surpreendeu foi que tudo foi normal, o tratamento comigo, como se eu sempre tivesse sido uma menina, me tratavam o tempo todo no feminino e isso me fazia sentir muito confortável. Chegou a hora do almoço e depois minhas irmãs me ajudaram com a maquiagem e saí sozinha de novo. Duas ruas depois, o Ruben estava me esperando. Damos uma volta e depois ele me convidou pra tomar uma coca, e como estava muito frio, ele sugeriu de ir na casa do pai dele, que não tinha ninguém e a gente podia ficar tranquilo e ver um filme. Já lá, ele ligou a TV e a gente nem deu atenção, começamos a nos beijar assim que sentamos no sofá. Logo ele já tinha uma das mãos no meu peito, me acariciando como se eu tivesse peitos de verdade, e a outra mão tinha levantado minha saia e estava apertando minha bunda... uffffff, que delícia aquilo estava, eu estava totalmente entregue aos beijos e carícias dele. Eu comecei a acariciar o peito dele e ele não demorou pra tirar a camiseta. Com uma mão, eu ia acariciando e descia até o umbigo dele, mas daí não passava, não me atrevia a descer mais. Mas logo ele pegou minha mão e colocou em cima do pacote dele, por cima da calça. Comecei a acariciar e sentia que ele... Ele tava bem duro, já estava assim há um tempo quando ele desabotoou a calça e eu, sem pensar, meti minha mão lá dentro e comecei a acariciar ele por dentro. Era a primeira vez que tocava uma que não fosse a minha, mas eu sabia o que ele queria e, enquanto continuava beijando ele, comecei a fazer uma punheta. Num momento que paramos de nos beijar, direcionei meu olhar pra baixo pra olhar pra ela. Ele riu e me perguntou:
— O que você acha?
— Não sei, é a primeira que vejo assim, e é maior que a minha.
— Você gosta?
— Não sei, acho que sim.
— Por que não dá um beijinho?
— Nojento, que nojo.
— Nojo por quê? Minha outra parceira adorava.
— Ela dava beijos? Quantas namoradas você já teve?
— Ela dava beijinhos e chupava, assim como você é a primeira, o outro era um menino.
— Não sei, chupar ali que nojo.
— Você não sabe, nunca provou.
— Já, mas dá uma coisa...
— Prove e você vai saber.
— Mas só um beijinho.
Aproximei minha boca e dei um beijo, mas não senti nada de especial. Voltei a aproximar meus lábios e dessa vez chupei a pontinha e notei um certo gosto salgado. Ouvi um "mmmmm" saindo da boca dele e continuei chupando, comecei a percorrer ela com minha língua e, pouco a pouco, fui metendo ela inteira na boca, que foi se impregnando de um líquido viscoso. Escutava como ele estava gostando e aquilo me deixava mais excitada e com mais vontade de chupar, até que no final ele disse:
— Mmmmmm, vou gozar.
Não deu tempo de tirar da minha boca quando senti um jato quente dentro dela, que me deu ânsia e fiz questão de tirar da boca. Mas, passado esse primeiro momento de aperto, o gosto que ficou na minha boca me agradou e me enganchei de novo nela até deixar bem limpinha. A beirada da minha boca ficou bem cheia de porra que tinha vazado. Subi pra cima pra beijá-lo, mas ele não deixou:
— Agora não, gulosa. Você tem a boca toda cheia do meu leite e eu não gosto.
Aquilo me irritou um pouco, mas eu entendi. Aquele dia foi o começo da minha grande devoção de hoje em dia, que é curtir uma boa rola na minha boca. Meu relacionamento com Rubén durou 8 meses, até que minha... o corpo começou a ganhar formas femininas e ele já não gostava mais, nosso relacionamento se resumia a beijos e às mamadas que eu fazia nele, mas lembro com muito carinho, foi meu primeiro amor. Um mês depois de começar com ele, iniciei minha terapia hormonal. No ano seguinte, já comecei como Carla, embora na minha documentação ainda constasse Carlos, algo que só pude mudar depois de fazer 18 anos. Um ano após iniciar a terapia, já estava toda uma mocinha, com uns peitos pequenos e bonitos que já faziam um lindo decote. Não tive mais relações até bem depois dos 18, quando conheci o Andrés. Conheci ele numa noite de festa numa boate gay, através de um amigo, e um mês depois coincidimos de novo e acabamos nos pegando. Ele me levou pra casa dele e, entre beijo e beijo, fomos tirando a roupa. Percorri o corpo dele com meus lábios até gozar com 19 cm de rola na minha boca, enquanto ele brincava com minhas tetas com as mãos. Ele não deixou eu gozar só na mamada, me levou pra cama, lubrificou bem meu cu, me colocou na posição de quatro e foi enfiando devagar até o fundo. Doeu muito no começo, mas depois de algumas enfiadas ele me tinha gemendo feito uma putinha. Depois do Andrés, vários caras passaram, e até hoje sigo curtindo a vida sem compromisso com ninguém.
Continuei crescendo e, com o tempo, ficava cada vez mais evidente: eu era um garoto magrinho, afeminado e com uma voz bem feminina. Desde muito pequena, eu tinha bem claro que queria ter cabelo comprido como minhas irmãs, para poder fazer rabo de cavalo – coisa que minhas irmãs faziam em mim. Meu cabelo era preto. Com sete anos, já pedia à minha mãe para furar minhas orelhas, mas só consegui aos dez. Nessa época, eu já pegava as roupas das minhas irmãs e vestia escondido. Meus pais tinham se separado nesse meio-tempo.
Assim segui até chegar no ensino fundamental. Minha vida escolar não foi fácil: os garotos implicavam comigo, me chamando de veado, bicha. Mas sempre fui forte nesse sentido e não ligava. Naquela idade, eu já tinha muito claro o que era. Meu grupo de amigos era só de garotas; até tinha algum amigo, mas não costumava andar com eles – preferia brincar com elas, e elas me tratavam como mais uma, a ponto de me chamarem de Carla.
Mas tudo mudou na minha vida num carnaval, quando eu já estava no 9º ano. Decidiram que os garotos iriam de jogadores de futebol e as garotas de cheerleaders. Chegaram a falar em fazer ao contrário – ideia que eu adorei –, mas os garotos não queriam vestir roupa de animadora, por mais que tentassem convencê-los. convencer, eu fiquei muito desapontado, no caminho para casa eu estava com Laura, uma colega e amiga do trabalho, eu disse: - Sabe Laura, eu teria adorado ir de animadora, acho que seria divertido. - De você eu já esperava isso hahaha - Com a atitude que os caras pegaram, eu não teria conseguido nada, e ainda teriam começado a me zoar - Podia ter falado, é carnaval, não tem problema dar sua opinião - É, mas você sabe como eles são. - Ei, e por que você não se veste de animadora com a gente? - Pois é, vou fazer isso sim - Beleza. Faltava um mês ainda para o carnaval, fui com as meninas comprar a fantasia, os caras cada um colocou a do seu time, a de animadora era toda rosa e a parte do peito era branca terminando em bico até o pescoço e com alças, como ia fazer frio decidiram usar um collant ou um body rosa de manga longa, naquele dia uma vez fomos na casa da Laura e eu experimentei e ficou perfeito em mim, era bem curto e pela minha inexperiência usando vestidos, no pouco tempo que fiquei com ele, deixei aparecer várias vezes a cueca já que ainda não tinha o body, depois uma colega emprestou um para a Laura, e assim chegou o dia, eu acordei cedo e fui para a casa da Laura, ela tinha tudo preparado para mim no quarto dela - Bom dia Laura - Bom dia Carla, em cima da cama está tudo. Olhei para a cama e me aproximei e ao ver percebi que também tinha uma calcinha rosa. - E isso? - disse pegando ela. - Sua calcinha. - Tenho que colocar a calcinha também? - Claro que sim, você é uma animadora, além do mais você não pensava que ia usar aquela cueca tão feia debaixo do body, né? - Não sei, se os caras me virem vão ter mais motivo ainda para me zoar - Liga não para eles, além do mais combina com o sutiã - Tá bom. Então no final eu coloquei, que na verdade eu estava morrendo de vontade de usar, quando coloquei ela deu uma baita risada, porque fiquei só de calcinha e sutiã na frente dela, ela colocou umas meias simulando uns peitos, o body por cima da calcinha que se Eu via pelas bordas do body, era a primeira vez que eu colocava um, e por último o vestido, umas meias brancas que me chegavam até os joelhos e uns sapatos de salto brancos que a Rosa, sua mãe, nos deixou e que ela usava um 37 como eu, a Laura me disse que todas as garotas iriam com saltos para ficarem mais sexy, ao chegar no instituto vi que ela tinha me enganado, todas estavam com tênis menos eu, mas enfim, antes disso, entre a Laura e a Rosa me maquiaram com tons claros, os lábios cor de rosa e fizeram duas maria-chiquinhas com dois laços rosas e dois brincos de garota, uma vez terminada a maquiagem, estava irreconhecível, parecia uma garota de verdade.
- Carla, pois então você já é toda uma animadora bem sexy e bonita.
- Uau, que loucura, pareço uma garota.
- Pois é, no instituto não vão te reconhecer, ninguém adivinharia que você é o Carlos à primeira vista.
- Bom, Carla, então já podemos ir.
No caminho para o instituto, quase caí várias vezes, era a primeira vez que usava saltos na rua, mas o que eu estava aguentando pior era o body, ele estava meio pequeno e entrava junto com a calcinha na bunda e eu estava desconfortável, além disso, estava com um frio tremendo nas pernas e subia por elas até deixar minha bunda gelada. Uma vez no instituto, nos dirigimos para onde estavam as outras animadoras, eu me aproximei com muita vergonha, com a cabeça baixa, a Laura cumprimentou:
- Oi, garotas, bom dia.
- Bom dia, Laura.
Então me viram, meu rosto não estava muito visível, eu estava olhando para o chão, não me atrevia a levantar a cabeça.
- E essa aqui, quem é?
- Nossa Carla.
- Carla, hahaha, que bonita você está, se eu cruzar com você, não sei quem é.
- Bom, e o que vocês acham?
- Uma loucura, amiga, passa perfeitamente por mais uma.
Me juntei a elas no meio do grupo, era a atração, todas me olhavam e comentavam o quanto eu estava bem, passaram vários garotos da classe e nenhum percebeu ao nos cumprimentar. Antes de entrar na aula, as garotas tinham que ir ao banheiro, as acompanhei, primeiro tem o das garotas, assim que chegamos, foram entrando e eu ia seguir. Fui em direção aos meninos, mas a Laura me pegou pelo brazo e me colocou entre elas, entrei num banheiro e fiz xixi sentadinha como uma menina, adorava fazer assim vendo minha calcinha na altura dos joelhos. Quando saí, comentei com a Laura sobre o body.
- Não sei como vocês conseguem usar isso, o body fica entrando no meu cu e me incomoda muito.
- Deixa eu arrumar direito pra você - disse ela, sem me dar tempo de evitar que levantasse minha saia, fazendo com que todas vissem minha bunda coberta pela calcinha e pelo body.
- Olha só hahaha - disse uma. - Ela também está de calcinha!
Naquele momento, senti um calor subir e meu rosto ficou vermelho intenso de vergonha.
- Claro - disse a Laura. - O que você esperava que ela usasse? Ou você não está usando?
- Claro que estou, mas é normal, sou uma garota.
- Hoje você é, né?
- Sim - respondi bem baixinho de vergonha.
Tentei ajustar o body, mas ela disse que estava pequeno e por isso entrava, que eu teria que me acostumar.
- Bom, não sei se vou aguentar a manhã inteira assim, incomoda muito.
- Você pode deixar desabotoado se incomodar tanto.
- É, acho que vai ser melhor.
Acomodei a parte de baixo do body sem abotoar, puxando pra cima, e fomos pra aula. Fomos as últimas a chegar, e todos já estavam sentados nos seus lugares. Na sala, estávamos divididos em dois lados: o direito para as garotas e o esquerdo para os meninos. Me dirigi à minha carteira, enquanto a sala toda me olhava, principalmente os meninos que ainda não me tinham visto assim. Ouvi alguns "gata" ou "tá gostosa" com algumas risadas, mas sem maldade, até que passei pelo lado do Pedro, o metidinho da sala, aquele que sempre se acha o melhor e tira sarro dos outros.
- Olha só, se não é o viadinho do Carlos - disse quando passei por ele, e levantando minha saia falou: - Olhem, o baitola tá de calcinha rosa! Eu sempre disse que ele era viado.
Eu não sabia onde me esconder, mas então uma colega interveio.
- Pois olha, Pedro, o Carlos tem mais coragem que qualquer um de vocês. Ele teve a coragem de se vestir assim e se divertir, ao contrário de vocês. Que de jogador de futebol vocês se vestem quase todo dia para jogar, vem Carlos senta aqui com a gente. Quando terminei de falar, alguns colegas aplaudiram o que ela disse, eu enquanto isso me sentei em uma carteira que tinha no meio delas, e logo chegou a professora Mercedes, uma professora jovem de 30 anos e muito descolada, começa a passar a lista em ordem alfabética até chegar no meu nome. -Carlos Ortiz - enquanto dirigia o olhar para minha carteira -presente. -onde você está, vamos se coloque no seu lugar. -aqui professora - disse levantando a mão mas ela não deu atenção à mão já que minhas colegas da frente me tapavam e só se via uma parte da minha cabeça com uma rabo de cavalo rosa -Carlos, para de brincar e vai pro seu lugar. -tá bom. Me levantei do meu lugar e ia ir pro meu assento quando ela disse -e você pra onde vai, senta. -pois pro meu lugar como a senhora disse. -Carlos, hahaha como eu ia te reconhecer, você está muito bem disfarçada, deixa eu ver, chega mais perto pra eu te ver bem, hahaha fica bem de animadora, você está muito gata. -obrigada professora -de nada, volta pro seu lugar que vamos terminar de passar a lista que temos que nos preparar para o desfile pelo bairro. -vou - e me dirigi à minha carteira. - pra onde vai senhorita Ortiz - disse se dirigindo a mim -pro meu lugar -não, por hoje você pode sentar com as meninas -obrigada professora - disse colocando uma voz muito mais feminina do que já tinha -hahaha, vai senta menina. Aquele "senhorita" e "menina" que ela me disse com carinho me agradou, me sentei com minhas colegas e entre a defesa que tinham feito de mim e as palavras da professora fizeram com que me sentisse confortável e perdesse o nervosismo e a vergonha do começo e me comportei como sempre tinha querido, como uma garota, naquele momento me senti feliz e sortuda de poder viver aquele momento, saímos pro pátio antes de sair pro desfile, onde ensaiamos cantos de animadoras e dançamos, já durante o desfile que durou quase duas horas não paramos de dançar e cantar, e sem perceber já estava andando de salto alto como uma verdadeira mocinha, fui a sensação Entre as mães dos meus colegas, todas me parabenizaram pela minha fantasia,
no meio da rua estava minha mãe esperando para me ver. Ela não sabia de nada sobre como eu estava fantasiado, me procurou mas não me viu até que eu me aproximei dela e a cumprimentei.
- Oi, mãe.
- Carlos, mas o que você está fazendo assim fantasiado? Hahaha.
- Pois é, você viu que a Laura me enrolou.
- Sim, claro. E você nem precisa que te enrolem muito.
- É.
- Pois você está muito bem, por isso não te encontrava hahaha.
- Bom, mãe, vou indo que estão me esperando.
- Até mais, filha hahaha.
- Até mais.
Mas como tudo tem fim, chegou o momento final e cada um para sua casa. Pareceu muito curto e fiquei triste porque aquilo acabou e eu não saberia quando poderia se repetir. Mas já a caminho de casa, Marta e Sonia nos chamaram de longe.
- Querem vir hoje à tarde para a rua do povoado?
- Valeu, eu topo.
- E você, Carla, o que diz?
- Tá bom.
- Ok, até mais, meninas. Ah, Carla, você tem que vir assim.
- Sim.
Uma vez em casa, teve sessão de fotos com minha mãe e minhas irmãs. Elas se pegaram de rir quando viram que eu estava de calcinha. Enquanto comíamos, perguntei se podia ir para a rua. Ela disse que sim, mas fiz algumas mudanças na minha fantasia: tirei o body e coloquei uma meia-calça da minha irmã mais velha, cor pele, e ela também me deixou uma jaqueta de couro preta para ir mais aquecida. Retocaram minha maquiagem, e às cinco da tarde a Laura passou para me buscar e fomos para onde havíamos combinado com as outras. Ficamos passeando até a hora da rua, à qual nos juntamos assim que começou, e passamos o tempo todo dançando, pulando e cantando como loucas. O namorado da Marta se juntou a nós com mais 5 amigos, os quais ela apresentou às que não os conheciam. E eu, que já estava bem entrosada no meu papel, os cumprimentei igual a todas, com dois beijos. E assim continuamos nos divertindo até a hora de ir embora. Laura e eu, que tínhamos que estar em casa às nove, não sem antes combinarmos para o sábado à tarde para ir à festa de carnaval para adolescentes, onde havia uma disco móvel. Combinamos de ir fantasiadas. diferente. - Bom, amanhã não nos vemos - disse Marta - mas venham fantasiadas de outra coisa. - Ok - disse Laura. - Pois eu não sei, não tenho nenhuma - respondi eu. - Calma, Carla, que a gente acha algo pra você na minha roupa. - Bom, se não tem outro jeito. - Agora você vai me dizer que não se divertiu com a gente? - Claro que sim, me diverti pra caralho. - Então não se fala mais, amanhã você se fantasia de garota de novo. - Ok.
Aquela noite, depois de jantar, minha irmã me ajudou a tirar a maquiagem e fui dormir com a calcinha por baixo do pijama. Era a primeira vez que ia dormir com uma e estava superexcitada. De manhã, levantei e desci pra tomar café com a família, depois fui tomar banho e me vestir com minhas roupas. Passei a manhã toda em casa estudando. Comentei com minha mãe o plano da tarde e ela disse que tudo bem, mas que ia procurar algo da minha irmã mais velha. Ela tirou várias saias, longas e curtas, mas tinha uma que eu gostei muito e peguei, dizendo: "Quero essa". Era uma minissaia preta rodada que, quando experimentei por cima, chegava na metade da coxa. Ela acrescentou uma camiseta branca de manga longa e gola redonda, meia-calça preta, conjunto de lingerie branca, uma jaqueta preta e uns sapatos da minha irmã, um número maior que o meu. Descemos pra almoçar e subimos rapidamente pra eu me vestir. Depois, me maquiaram um pouco mais carregado que no dia anterior, com batom vermelho intenso. Me pentearam com o cabelo solto, de um jeito bem feminino, e eu já estava pronta pra sair. Passei um bom tempo me olhando no espelho, minha mãe e minhas irmãs riam ao me ver. - Nossa, que três filhas mais gatas eu tenho, né, Carlos? Ou prefere que eu te chame de Carla? Não é assim que suas amigas te chamam? - Como você sabe disso? - Um dia uma amiga sua ligou e perguntou por Carla, depois disse "desculpe, Carlos". - Bom, me chamam assim de brincadeira, sou o único garoto do grupo. - Querido, sou sua mãe, não pode me enganar. Desde pequenininho eu percebi. - Percebi o quê? - Quando a gente descobriu que você ia ser menino... Foi uma alegria enorme, mas desde pequeno você viveu como uma menina, por dentro sempre foi e é hora de você se decidir. Seja o que for, sou sua mãe e ninguém vai mudar isso, e vou te amar do mesmo jeito e vou estar ao seu lado sempre e vou te apoiar em tudo. Agora me diga, ou quando estiver preparada, quem você quer ser: Carlos ou Carla? As lágrimas caíam dos meus olhos ao ouvi-la, e nem pensei na resposta. — Carla. — Tem certeza? — Sim. Minha mãe me pegou e me abraçou chorando, e depois minhas irmãs se juntaram. Ficamos assim um tempinho. — Bom, a partir de hoje em casa você será Carla. Vou ter que comprar roupas pra você, embora sua irmã tenha muitas e com certeza vai te emprestar. Mas no colégio você terá que ir como sempre, e essa semana vou buscar informações sobre a ajuda que você precisa e o que tem que fazer. — Obrigada, mãe, te amo. Bom, vou indo que a Laura está me esperando. Peguei o celular e um pouco de dinheiro, e quando já estava saindo minha mãe me chamou: — Espera, falta uma bolsinha. Não vai levar isso na mão. Ela trouxe uma bolsinha preta pequena, pendurou em mim, colocou minhas coisas dentro e me deu um beijo. — Vai lá, se diverte. Abri a porta e, logo ao fechá-la, percebi que estava sozinha na rua pela primeira vez vestida assim. E tinha quase dez minutos até a casa da Laura. Veio uma mistura de nervosismo e excitação que me deixou um pouco mal, mas decidi andar com passo firme e rápido. Cruzei com muita gente e com alguns grupos de caras que falaram umas coisas, mas não dei bola pra ninguém. O caminho pareceu uma eternidade. Cheguei na casa dela, toquei a campainha e ela me fez subir. A Rosa abriu a porta: — Que gata você está hoje! Parece que tá pegando gosto por sair de saia. — É, eu gosto — saiu da minha boca sem pensar. A Laura apareceu já vestida de bruja, e de lá íamos buscar a Marta e a Sonia. Em princípio, iríamos nós quatro e o namorado da Marta com os amigos dele. Quando nos encontramos com elas, nos demos dois beijos e elas disseram: — Nossa, Carla, que linda você está! Vai levar todos os caras da rua, hahaha! Rimos. Quatro horas e fomos para a barraca onde encontraríamos o namorado dela e os outros. Primeiro chegamos nós e já começamos a dançar assim que chegamos. Depois de um tempo, eles chegaram e se juntaram a nós. Entre eles estava o Ruben, um cara que já tinha vindo no dia anterior, cabelo castanho, um pouco mais alto que eu e, pra mim, muito gato. Ele também era dois anos mais velho. Eu já tinha reparado nele no dia anterior, vamos dizer que eu gostava dele e via algo especial nele. Depois de um tempo dançando, ele começou a ficar na minha frente, dançando comigo e falando comigo, mas eu não dei muita importância. Depois de um bom tempo dançando, fomos sentar numas arquibancadas que tinham lá, e o Ruben sentou do meu lado e foi se aproximando aos poucos. Depois de um tempo, ele levantou os braços e colocou um por cima do meu ombro. Eu peguei o braço dele e tirei, e continuamos conversando como se nada tivesse acontecido, mas ele continuou se aproximando e foi colocando o braço direito atrás das minhas costas. Eu fui deixando ele fazer, e ele percebeu. Uma vez do outro lado, ele subiu o braço e me pegou pela cintura.
- Ruben, você tá enganado, sou um cara vestido de mulher, não sei se você percebeu.
- Já sei, Carla, e é isso que eu gosto em você.
- O que você gosta em mim?
- Bom, eu gosto de você como mulher, você é bonita e feminina, e parece sexy.
- Obrigado, mas sou um cara por baixo da fantasia.
- Sim, mas eu vejo você.
Continuamos um bom tempo conversando sobre o assunto, e ele foi me deixando cada vez mais colada nele, e eu fui ficando cada vez mais confortável assim e fui relaxando aos poucos, até que, sem perceber, tinha minha cabeça apoiada no ombro dele e continuamos conversando. Enquanto isso, os outros estavam na deles, e a Laura tinha ido buscar uma garrafa d'água. Eu me sentia cada vez melhor assim e fui me acomodando mais nele, até que senti um beijo na bochecha. Nesse momento, levantei a cabeça um pouco e meus lábios encontraram os dele. Ele me beijou suavemente e se afastou um pouco, me olhou nos olhos, eu sorri e devolvi o beijo. nossos lábios não se separaram mais, era minha primeira vez, meu primeiro beijo e eu estava fazendo isso vestida de menina e com um menino, eu não sabia como agir mas continuei com meus lábios colados nos dele me deixando levar... aos poucos fui mudando de posição, virei-me para ele, encolhi minhas pernas e passei um braço por trás do seu pescoço e o outro com a mão apoiada no seu ombro enquanto ele me envolvia com seus braços por trás e ficamos frente a frente com os lábios bem colados, explorando nossas bocas com a língua, pela primeira vez me senti uma garota de verdade. Houve um momento de pausa em que ficamos nos olhando e dando beijinhos, quando Ruben no meu ouvido perguntou:
-Carla, quer ser minha namorada?
Um momento de silêncio.
-Não sei, gosto de você mas acabamos de nos conhecer.
-Não precisa me responder agora, mas promete que vai pensar?
-Prometo.
Estávamos colados de novo quando Laura chegou e perguntou por mim:
-E a Carla, onde está?
-Aí está pegando o Ruben.
-Porra, Carla, o que você tá fazendo?
Olhei pra ela e sorri mas não soube o que dizer, ela me pegou pelo braço e quase me arrastando me levou pra fora, na rua.
-Mas pode saber o que você tá fazendo?
-Não sei, ele foi se aproximando de mim e sem perceber tinha a boca dele colada na minha.
-Caralho, mana, já chega!
-É, tenho que te contar uma coisa mas como te explico isso... não sei, bom, olha, é que eu sou uma menina, me sinto menina, e a partir de hoje vou ser uma menina, conversei com minha mãe e ela vai me ajudar.
-Tô chocada com você!
-Sabe uma coisa? Ruben me perguntou se quero ser namorada dele.
-Conta, conta! O que você disse?
-Que ia pensar, mas já pensei.
-Sim, e o que vai dizer?
-Que sim.
-Caralho, mana, que rápida!
-É que eu gosto muito dele e ele beija tão bem.
-Hahaha!
Voltamos lá pra dentro com os outros e eu voltei a me aconchegar com o Ruben, e continuamos nos beijando sem parar e um tempinho depois soltei:
-Ruben, já pensei e quero sim ser sua namorada.
Ele não disse nada, só me abraçou mais forte e me deu um beijo que durou dez segundos. minutos, um tempinho depois fomos dar uma volta, ficamos o tempo todo de mãos dadas e ele me acompanhou quase até a porta de casa e combinamos de ficar sozinhos no dia seguinte. Quando cheguei em casa, minha mãe tinha uma surpresa em cima da minha cama: tinha umas coisinhas pra mim, ela tinha ido comprar calcinhas, sutiãs, uma minissaia preta elástica, um vestido branco, um pijama rosa, um par de sapatos e um tênis Nike rosa, e umas roupas da minha irmã que ela não usava mais. Depois do jantar, experimentei tudo, estava muito animada de ter minhas próprias roupas, fui dormir com meu pijama novo. No dia seguinte, acordei, tomei um banho e já me vesti com o que ia usar naquele dia: uma minissaia jeans, uma legging preta, calcinha fio dental preta, uma camiseta rosa clarinha e meu Nike novo, só faltava a jaqueta. Desci, fiquei ajudando minha mãe e o que me surpreendeu foi que tudo foi normal, o tratamento comigo, como se eu sempre tivesse sido uma menina, me tratavam o tempo todo no feminino e isso me fazia sentir muito confortável. Chegou a hora do almoço e depois minhas irmãs me ajudaram com a maquiagem e saí sozinha de novo. Duas ruas depois, o Ruben estava me esperando. Damos uma volta e depois ele me convidou pra tomar uma coca, e como estava muito frio, ele sugeriu de ir na casa do pai dele, que não tinha ninguém e a gente podia ficar tranquilo e ver um filme. Já lá, ele ligou a TV e a gente nem deu atenção, começamos a nos beijar assim que sentamos no sofá. Logo ele já tinha uma das mãos no meu peito, me acariciando como se eu tivesse peitos de verdade, e a outra mão tinha levantado minha saia e estava apertando minha bunda... uffffff, que delícia aquilo estava, eu estava totalmente entregue aos beijos e carícias dele. Eu comecei a acariciar o peito dele e ele não demorou pra tirar a camiseta. Com uma mão, eu ia acariciando e descia até o umbigo dele, mas daí não passava, não me atrevia a descer mais. Mas logo ele pegou minha mão e colocou em cima do pacote dele, por cima da calça. Comecei a acariciar e sentia que ele... Ele tava bem duro, já estava assim há um tempo quando ele desabotoou a calça e eu, sem pensar, meti minha mão lá dentro e comecei a acariciar ele por dentro. Era a primeira vez que tocava uma que não fosse a minha, mas eu sabia o que ele queria e, enquanto continuava beijando ele, comecei a fazer uma punheta. Num momento que paramos de nos beijar, direcionei meu olhar pra baixo pra olhar pra ela. Ele riu e me perguntou:
— O que você acha?
— Não sei, é a primeira que vejo assim, e é maior que a minha.
— Você gosta?
— Não sei, acho que sim.
— Por que não dá um beijinho?
— Nojento, que nojo.
— Nojo por quê? Minha outra parceira adorava.
— Ela dava beijos? Quantas namoradas você já teve?
— Ela dava beijinhos e chupava, assim como você é a primeira, o outro era um menino.
— Não sei, chupar ali que nojo.
— Você não sabe, nunca provou.
— Já, mas dá uma coisa...
— Prove e você vai saber.
— Mas só um beijinho.
Aproximei minha boca e dei um beijo, mas não senti nada de especial. Voltei a aproximar meus lábios e dessa vez chupei a pontinha e notei um certo gosto salgado. Ouvi um "mmmmm" saindo da boca dele e continuei chupando, comecei a percorrer ela com minha língua e, pouco a pouco, fui metendo ela inteira na boca, que foi se impregnando de um líquido viscoso. Escutava como ele estava gostando e aquilo me deixava mais excitada e com mais vontade de chupar, até que no final ele disse:
— Mmmmmm, vou gozar.
Não deu tempo de tirar da minha boca quando senti um jato quente dentro dela, que me deu ânsia e fiz questão de tirar da boca. Mas, passado esse primeiro momento de aperto, o gosto que ficou na minha boca me agradou e me enganchei de novo nela até deixar bem limpinha. A beirada da minha boca ficou bem cheia de porra que tinha vazado. Subi pra cima pra beijá-lo, mas ele não deixou:
— Agora não, gulosa. Você tem a boca toda cheia do meu leite e eu não gosto.
Aquilo me irritou um pouco, mas eu entendi. Aquele dia foi o começo da minha grande devoção de hoje em dia, que é curtir uma boa rola na minha boca. Meu relacionamento com Rubén durou 8 meses, até que minha... o corpo começou a ganhar formas femininas e ele já não gostava mais, nosso relacionamento se resumia a beijos e às mamadas que eu fazia nele, mas lembro com muito carinho, foi meu primeiro amor. Um mês depois de começar com ele, iniciei minha terapia hormonal. No ano seguinte, já comecei como Carla, embora na minha documentação ainda constasse Carlos, algo que só pude mudar depois de fazer 18 anos. Um ano após iniciar a terapia, já estava toda uma mocinha, com uns peitos pequenos e bonitos que já faziam um lindo decote. Não tive mais relações até bem depois dos 18, quando conheci o Andrés. Conheci ele numa noite de festa numa boate gay, através de um amigo, e um mês depois coincidimos de novo e acabamos nos pegando. Ele me levou pra casa dele e, entre beijo e beijo, fomos tirando a roupa. Percorri o corpo dele com meus lábios até gozar com 19 cm de rola na minha boca, enquanto ele brincava com minhas tetas com as mãos. Ele não deixou eu gozar só na mamada, me levou pra cama, lubrificou bem meu cu, me colocou na posição de quatro e foi enfiando devagar até o fundo. Doeu muito no começo, mas depois de algumas enfiadas ele me tinha gemendo feito uma putinha. Depois do Andrés, vários caras passaram, e até hoje sigo curtindo a vida sem compromisso com ninguém.
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