Anabel pega pela minha irmã

Minha pequena história começa desde que nasci. Meu nome é Anabel, embora meus pais tenham me registrado como Héctor. Tenho uma irmã dois anos mais velha, Ângela. Moro numa família muito bem de vida; meus pais são empresários do setor de turismo, então viajam muito. Desde que minha irmã fez 18 anos, passamos muito tempo sozinhos, eu e ela, em casa. Moramos nos arredores de uma cidade grande, numa área residencial, numa casa bonita. Minha irmã puxou ao meu pai no temperamento — personalidade forte e altura, tem quase 1,80m, loira e magra. Já eu puxei à minha mãe: sou um pouco mais baixinha como ela, tenho 1,72m, magra, cabelo castanho claro puxando pro loiro, comprido. Desde bem pequena, dividia com minha irmã e minha mãe o gosto por saltos. Eu via os sapatos das mães dos meus colegas e, com 4 anos, já ficava doida por eles. Cheguei a falar pra alguma mãe que, se um dia fosse na casa dela, ela me deixaria calçar. Algumas riam e diziam: "Claro, Héctor, um dia que você vier, eu deixo". O tempo foi passando, e tive que aprender a controlar esses impulsos. Ficávamos mais velhos, e meus colegas começaram a me chamar de bichinha e coisas do tipo. A partir dos 9 anos, descobri um mundo maravilhoso pra mim: o armário da minha mãe. Os sapatos dela, exatamente — não é que eu não soubesse que estavam lá. A partir daí, comecei a ficar sozinha em casa algumas vezes. Comecei por afinidade e, mais tarde, fui pra roupa da minha irmã. Com 12 anos, me maquiei pela primeira vez. Aí nasceu Anabel — não sei por quê, mas gostava desse nome. Assim foi até perto de fazer 17 anos. Meus pais, logo depois do Natal, foram viajar por uma semana e fiquei com minha irmã. Não era a primeira vez que isso acontecia. Minha irmã estudava à tarde e eu de manhã, então tinha a tarde toda pra mim. Me vestia, me despia, usava tudo o que pegava dela, me maquiava e dava longas voltas dentro de casa com os sapatos dela. Ela tinha vários de salto, mas uns me deixavam louca — foram presenteados a ela. Para os 18 anos dela e tinham 7 cm de salto. Dessa vez, meus pais foram embora numa quarta e só voltavam na terça. No sábado de manhã, a Júlia veio em casa, uma amiga da Ângela. Passei a manhã toda no meu quarto jogando no PlayStation 3: Tomb Raider e FIFA — sou muito fanática por futebol. Enquanto isso, elas preparavam algo pra comer; comi com elas e, na hora do almoço, minha irmã me olhou.

— Ângela: "Hector, ajuda a gente a limpar a mesa e lava a louça, que são poucas e a lava-louças tá cheia, não tô a fim de esvaziar."
— Eu: "Eu? Façam vocês mesmas, isso é coisa de vocês."
— Ângela: "Quando eu falar com a mamãe, vou dizer que você não ajuda em nada em casa, que ela te deixe com a vovó."
— Eu: "Tá bom, fala o que quiser. Vou pro meu quarto."

Fui pro meu quarto e continuei jogando. Umas hora depois, mais ou menos, a Ângela subiu e disse que elas iam embora. Aproveitei o momento pra me vestir de novo. Peguei um conjunto de roupa íntima do cesto de roupa suja — era rosa, com uma rendinha bem bonita. Nunca pegava a roupa limpa dela, não queria sujar e um dia ela perceber. Do quarto dela, peguei umas meias pretas, uma saia preta florida que ficava bem justinha, uns cinco dedos acima do joelho, e uma camiseta branca justa, e meus sapatos favoritos. Depois de vestida, fui pro banheiro me maquiar. Já tava lá há um tempão, tinha acabado de me maquiar, quando ouço atrás de mim:

— "Que isso, se arrumando toda? Marcou com o namorado?" — Era a Ângela e a amiga dela me olhando pela fresta entre a porta e o batente. Não tinha ouvido elas chegarem por causa da música alta e de tão concentrada que tava. E já tavam lá há um bom tempo.

Fiquei paralisada, olhando pra elas, sem saber onde me enfiar.
— "O que vocês tão fazendo aí?" — falei, gaguejando.
Ângela: "Ué, vendo você se maquiar. Já tamo te olhando há um tempão e, pelo jeito que você faz bem, parece que já faz isso há um tempo. Então lavar louça é coisa nossa? Pelo que eu sei, a saia, o sutiã, a blusa, as meias, os sapatos, a maquiagem e as... Calcinhas que com certeza você também tá usando são coisas nossas também e você veste elas sem nenhum problema, então a partir de agora você vai fazer coisas das nossas, toda vez que ficarmos sozinhas você vai ser minha irmãzinha. Enquanto falava, ela tirou várias fotos minhas com o celular enquanto eu ficava parada olhando pra elas sem saber o que fazer. – É que eu tava entediada. Angela – Tava entediada, então a partir de agora você não vai ficar entediada, vamos nos divertir pra caralho, já vai ver, e agora termina de se arrumar que a gente veio te buscar pra ir ao cinema, porque a sessão começa tarde e eu não queria te deixar sozinha, digo bem sozinha, até tão tarde, e te aconselho a trocar esses sapatos, você não vai aguentar nem uma hora com eles. – Não, não, assim eu não vou a lugar nenhum. – Claro que vai, gatinha, você tá linda pra caralho. – Que não, que não saio assim, se alguém me conhecer, que vergonha. – Pra mim isso não importa, além do mais nem eu teria te reconhecido se te encontrasse na rua, o que você acha, Julia? – Eu também não teria te reconhecido, porra, é que é uma loucura, você parece uma garota de verdade. Angela – Viu, ela também tá dizendo, então termina e vamos embora. Eu – Não vou sair assim. Angela – Bom, vou contar pros pais o que você faz e tenho fotos de prova que posso mostrar por aí. Eu – Não, pros pais não, vou fazer o que você mandar. Angela – Já te falei, termina de se arrumar que a gente vai. Eu – Porra, pelo menos vão vocês e me deixem aqui quieta. Angela – É o que tem, hahaha, e ainda se refere a ela no feminino – ela chegou perto de mim rindo, pegou na parte de baixo da saia e levantou – hahaha, que patética você é, tá usando as calcinhas que eu usei ontem o dia inteiro, então você gosta de usar minhas calcinhas usadas, que coincidência que todo dia eu troco as minhas, hahaha, nem quero imaginar como vai ficar amanhã a fio dental que eu tô usando hoje, e vamos logo, acorda que tá ficando tarde, deixa eu te ver bem – ela me virou e me olhou de cima a baixo – você tá muito linda, sabia? Só falta um detalhe ainda: as unhas. Eu – Nunca pinto elas. Mesmo sempre deixando elas bem cuidadas, nunca pintava. Nunca pintava, era trabalho demais pra pouco tempo pintar e tirar esmalte. Ângela — "Uma garota nunca deve sair de casa mal feita. Senta aqui que eu pinto pra você." Pegou um esmalte rosa clarinho, me empurrou pro banquinho, me sentou e começou a pintar minhas unhas, enquanto Júlia ficou atrás de mim e começou a pentear meu cabelo comprido. Quando terminou, me levou pro quarto dela, dizendo que faltavam alguns detalhes. Trocou os dois brincos que eu usava por umas perolazinhas, um gorro rosa choque de lã — estávamos no inverno e ia me fazer bem, tava frio —, me calçou uns sapatos pretos de salto mais baixo, uma jaqueta preta e uma bolsa preta. Me vi refletida num espelho e um sorriso escapou ao me ver; aquele gorro me deixava ainda mais feminina. Ângela — "Bom, o que achou?" Eu — "Hummm, gostei desse look" — falei pela primeira vez com a voz feminina que eu já tinha bem treinada e usava, não foi muito difícil, tenho a voz bem aguda. As duas ficaram me olhando, alucinadas. Ângela — "Porra, você não para de me surpreender, até voz de menina você faz." Nesse momento, eu já tava mais calma e até com vontade de sair assim pela primeira vez. Saímos na rua e eu sentia um frio na barriga de nervoso e emoção. Elas duas subiram na frente do carro e eu sozinha atrás. Chegamos no shopping onde ficava o cinema, ainda faltava mais de uma hora pra começar a sessão, meus nervos só aumentavam. Subimos pro primeiro andar, tava lotado de gente. Eu ia no meio das duas, mesmo andando com passo firme, tinha a sensação de que todo mundo me olhava, e isso me deixava mais nervosa, até que chegou num ponto que não aguentei mais. Eu — "Meninas, preciso fazer xixi." Ângela — "Agora a gente passa no banheiro." Chegamos no banheiro e tinha uma fila enorme de mulheres lá. Entramos na fila e, entre estar rodeada de mulheres esperando pra entrar e os nervos, eu achava que ia mijar nas calças. Chegou nossa vez e as duas entraram comigo. Eu abaixei a meia-calça e a calcinha. e me sentei na privada, enquanto as duas me olhavam rindo. Angela - hahaha, verdade que você não tem jeito mesmo, age igual uma menina, senta até pra mijar hahaha. Eu - sempre faço assim, a não ser que esteja sujo. Angela - sabe que você tá realmente gostosa aí sentada com a calcinha na altura do joelho hahaha, não consigo acreditar. Essa era uma das coisas que eu mais gostava e que mais me dava tesão, ficar sentada fazendo xixi com a calcinha nessa altura, assim me sentia uma verdadeira garota. Terminei, arrumei direitinho a saia, e como ainda faltava um tempinho, a gente deu uma volta em algumas lojas de roupa feminina. Aí eu curti pra caramba fuçando nas roupas e, sem perceber, meus nervos tinham sumido. Fiquei com vontade de comprar alguma coisa, mas não tinha levado muito dinheiro. A gente foi numa sapataria e eu me diverti pra valer experimentando sapatos. Faltavam só 20 minutos pra começar a sessão, aí fomos pro cinema e lá na entrada estavam esperando 3 amigas delas, bom, eu também conhecia elas: Yoli, Gisela e Mônica. Isso eu não esperava, mas não deu tempo nem de ficar nervoso. Angela e Júlia - oi, meninas. Elas - oi - responderam em coro. Júlia - tão esperando há muito tempo? - uns 5 minutos - respondeu uma delas. Yoli - Angela, e seu irmão não ia vir? Angela - bom, houve uma pequena mudança de planos e veio minha irmã. Yoli - sua irmã? Mas você não tem irmã - disse olhando pra mim. Angela - pois é, eu também achava isso até hoje, mas a vida dá surpresas. Vem cá, se apresenta, que nem eu sei se tem nome. Eu - oi - respondi com vergonha - sim, tenho um, Anabel. Angela - então, gostei desse nome. Alba - não pode ser, que delícia, esse é o Hector hahaha, o que vocês fizeram com ele? Angela - a gente não fez nada, chegamos em casa e encontramos ele assim vestido hahaha, e aproveitando que já tava arrumado e tão bonito, trouxemos ele assim. Alba - não acredito hahaha, é verdade isso? Eu - sim - falei de cabeça baixa. Angela - bom, vamos entrar ou o quê? Júlia - vamo, entra. Uma vez lá dentro, eu tinha De novo ter que ir ao banheiro.
Eu: "Podemos dar uma passadinha no banheiro?"
Angela: "Vai, mas rápido que o filme vai começar. A gente espera aqui, puta meona que você é."

Fui sozinha pro banheiro, mas Gisela saiu atrás de mim. Das amigas da minha irmã, era com quem eu mais me dava bem. Naquele momento eu não sabia, mas com o tempo ela se tornaria minha melhor amiga. Ela chegou na minha altura, me pegou pelo braço e veio comigo.

Eu: "Você vem comigo?"
Gisela: "É, uma mina nunca deve ir sozinha no banheiro, hahaha."
Eu: "Hahaha."
Gisela: "Isso você vai ter que me explicar."
Eu: "Já te explico."

Dessa vez, deixei a bolsa e a jaqueta com ela e esperei do lado de fora. Depois fui eu quem fez o serviço. Voltamos pras outras e entramos pra ver o filme. Eu fiquei sentada entre a Julia e a Gisela. O tempo passou rápido lá. Saímos, fomos jantar, e quando estávamos lá, chegou um grupinho de caras que eu não conhecia — eram amigos delas. Deram dois beijos em cada uma, e a Angela me apresentou como Anabel. No primeiro, eu só ia dar a mão, por costume, mas ele aproximou o rosto e me deu dois beijos. E o mesmo ritual com todos, enquanto minha irmã me apresentava com um sorrisinho no canto da boca. Eu já tava temendo o pior: que eles fossem ficar com a gente. A verdade é que não me sentia à vontade perto dos caras, mas eles só ficaram um tempinho e foram embora. Daí fomos pra um bar tomar alguma coisa e lá pela meia-noite voltamos pra casa.

Angela: "E aí, irmãzinha, curtiu?"
Eu: "Verdade, curti pra caralho."
Angela: "Então não vai ser a última vez. A partir de agora, sempre que a gente estiver sozinha, você vira a Anabel. E a partir de amanhã, já sabe, vai começar a fazer coisas das nossas, como você chama."
Eu: "Sim, do jeito que você mandar."
Angela: "Assim que eu gosto. Agora vamos dormir que é tarde."

Eu tava indo pro meu quarto, mas ela me chamou e mandou eu ir no dela.
Angela: "Vem pro meu quarto que vou te dar uma coisa pra dormir."

Ela abriu o armário, pegou uma camisola rosa de inverno e jogou pra mim.
Angela: "Toma, veste isso."
Eu: "Ok." E saí do quarto dela — A Ângela me ligou de novo — não vai embora, troca de roupa aqui. Eu — aqui, na sua frente? Ângela — claro, você não vai ter vergonha disso, somos irmãs. Eu — nenhuma. Fiquei de calcinha e sutiã na frente dela antes de vestir a camisola. Ângela — sabe que tem um corpo bonito, só falta um par de peitos, mas esses com roupa até enganam, como você faz? Eu — comprei um sutiã cor da pele com enchimento e vários enchimentos de espuma pros seios, sobrepus uns em cima dos outros, cortei as alças do sutiã, coloquei os enchimentos dentro e assim fico com uns peitinhos redondinhos. Ângela — caralho, que imaginação, e desde quando você se veste? Eu — com uns 9 anos mais ou menos vesti pela primeira vez e aos poucos vendo tutoriais de maquiagem fui aprendendo. Ângela — nossa, mas o que você acha de se vestir de garota? Sentamos na cama e eu expliquei tudo, que eu me sentia garota desde sempre, que sentia inveja dela quando a via vestida com saias e vestidos, e os saltos me deixam louca. Ficamos mais de uma hora, eu acabei chorando abraçada nela. Ângela — calma, querida, não chora, olha o lado bom, agora comigo você não precisa se esconder e eu tenho muita roupa pra nós duas. E anda, troca de calcinha que agora de ver você usando me dá uma coisa, pensar que eu usei ontem e você hoje, na gaveta tem muitas limpas que você pode pegar quando quiser. Eu — obrigada, e obrigada por me ouvir. Ângela — pra isso que servem as irmãs mais velhas, hahaha. Eu — você não sabe o que isso significa pra mim. Ângela — e por que você não cria coragem e explica pros pais? Acho que vão te entender e apoiar. Eu — medo, e se não me aceitarem? Ângela — pois é, deve ser difícil, mas de algum jeito você tem que acabar com esse sofrimento. Eu — sim, mas como eu falo? É que não sei. Ficamos um tempinho conversando sobre isso até que veio uma pergunta que não podia faltar. Ângela — então você também gosta de garotos? Eu — sim, mas me sinto desconfortável com eles tanto vestindo de garoto quanto hoje de garota. Garota, eu sempre tento evitar eles, isso sim, meu amor é o Mario Casas. Ângela — hahaha, você não tem mau gosto não, e vamos dormir que é tarde, quer ficar aqui comigo e dormirmos juntas? Eu — siiiim. No dia seguinte, já passei o dia todo vestida, até me atrevi a ir com ela comprar pão. De tarde, vieram as amigas dela e passamos uma tarde de garotas. Naquela tarde, percebi que elas tinham me acolhido como uma delas, fiz elas derramarem algumas lágrimas ao repetir minha história de novo. Desde aquele dia, sempre que meus pais iam embora, eu voltava a ser Anabel por uns dias e saía com elas. Todas tinham algum rolo ou fode-amigo, embora eu conhecesse eles quando vinham, ainda ficava com aquele desconforto, mas geralmente se comportavam bem comigo. Com a Gisela, comecei a sair mais vezes. Os pais dela eram separados e a mãe trabalhava à tarde. Eu ia na casa dela, deixava umas roupas lá e passávamos horas conversando. Assim foram passando os dias até que chegou o verão e fui de férias com as garotas, mas essa é outra história.

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