A chupona gostosa

Minha história começa desde bem pequeno e, como não sou igual à maioria, comecei vestindo roupas da minha mãe e das minhas primas, já que irmãs eu não tinha. Sou loiro, com cabelo liso abaixo do ombro, de constituição magra, e minha voz era muito fina e parecia de garota. Sempre que falava ao telefone com alguém que não conhecia, achavam que eu era mulher, e eu tinha certos trejeitos femininos. Resumindo, era um garoto afeminado.

Já na adolescência, tive vários relacionamentos com garotas, mas no sexo nunca fiquei satisfeito, exceto com a Bea, minha melhor amiga e única que sabia do meu segredo, junto com a mãe dela, a Lídia, uma mulher jovem de 34 anos, gostosa e separada há 2 anos. Conheci a Bea na pré-escola e sempre fomos juntos pra escola e pro ensino fundamental. Éramos unha e carne. No pátio, eu sempre brincava com ela e as outras meninas; gostava mais de brincar de casinha e de boneca do que de futebol ou brigas com os meninos. Embora às vezes eu participasse, era uma coisa que não me atraía.

Conforme fui crescendo, virei o esquisitão da turma, mesmo me dando bem com todo mundo. Minha amizade com a Bea só aumentava, a ponto de no aniversário de 10 anos dela ela fazer uma festa do pijama com as amigas, e eu estava lá, o único garoto convidado. Isso se repetiu todo ano até que, no aniversário de 13 anos dela, quando cheguei no meio da tarde na casa dela pra festa, já tinha 3 garotas lá. Faltava eu e mais uma pra chegar. As 4 estavam se maquiando no quarto.

— Oi, meninas, o que vocês tão fazendo?
— Oi, Javi, aqui se maquiando um pouco.

Dei dois beijos em cada uma e sentei na cama pra folhear uma revista de garotas que tinha ali. Depois de um tempo, a Bea me olhou e disse:

— Vem, Javi, que a gente vai te maquiar.
— Eu não quero me maquiar, isso é coisa de garota.
— É? E a revista que você tava lendo também é.
— Porque não tinha outra coisa pra me entreter.
— Vai, Javi, vai ser divertido.

Depois de muita insistência, eu aceitei. Nem preciso dizer que desde o começo eu tava morrendo de vontade, mas ali tinha mais meninas e eu tava com muita vergonha. As 4 me Me maquiaram, pintaram minhas unhas de rosa clarinho e, como eu já tinha um cabelo meio comprido, fizeram duas maria-chiquinhas. Aproveitando os furos que eu já tinha (sempre usava dois brincos, um em cada orelha), trocaram por dois coraçõezinhos rosa.

— E agora a roupa — disse a Bea.
— Isso aí não.
— Claro que sim, você não vai sair maquiada com essa roupa que tá usando.
— Vocês já não tão felizes de me maquiar, ainda querem me vestir? Não vou fazer isso.
— Bom, já que isso é uma festa do pijama só de meninas, pode ir embora.

Mais um vai e vem, e acabei cedendo do jeito que eu queria. No fim, me fizeram tirar a roupa e fiquei só de cueca. Me deram umas calcinhas rosa com bolinhas brancas.

— Tira isso e coloca essas calcinhas.

Elas se viraram pra não me ver pelado, e eu coloquei. Depois, me puseram um sutiã igual, com um par de calcinhas dentro pra fazer o formato dos peitos, uma minissaia jeans e uma regata da Hello Kitty. Por último, uns sapatos pretos rasos que ficaram um pouco grandes. Enquanto me vestiam, não paravam de rir, falando como eu tava bonita. Chegou a hora de me olhar no espelho, que elas não tinham deixado eu fazer ainda. Quando me vi, não acreditei: na minha frente, tinha uma menina magrinha e gostosa. Naquele momento, um arrepio percorreu meu corpo, e me senti feliz e contente com o que via.

Pouco depois, chegou a última menina que faltava. Ela cumprimentou todas com dois beijos e, quando chegou em mim, se apresentou:
— E você, não te conheço. Sou a Ana.

Eu fiquei parado, sem saber o que responder. Mas quando ela se aproximou e me viu direito:
— Javi? Kkkkk
— Sim — falei, ficando vermelho que nem um tomate.
— O que você tá fazendo vestido assim? — sem parar de rir.
— A Bea insistiu que eu tinha que me vestir assim pra festa.

Então ela me olhou de cima a baixo.
— Que loucura, você parece uma menina de verdade.

Aí a Bea interrompeu:
— Agora é só achar um nome pra você.

Sentamos todas na cama e, depois de falar um monte de nomes, decidi escolher um: Vanessa. Eu gostei muito, achei que combinava. nome bem feminino, ficamos até a hora do jantar conversando e brincando no quarto. Na hora do jantar, a mãe da Bea subiu pra avisar a gente, coisa que com a empolgação da tarde eu nem tinha percebido que ia rolar, ela abriu a porta e disse: - jantar - já vamos - respondeu a Bea. Então, reparando, ela perguntou: - e o Javi, cadê? E todas rindo apontaram o dedo pra mim. - mas o que vocês fizeram com o coitado? - vestir ele pra noite de meninas. - ah, vocês são demais, deixa eu ver o que essas crianças fizeram com você. Eu não ousava me virar, ela se aproximou, me pegou pela mão e me levantou, e a minissaia estava totalmente levantada deixando ver a calcinha, ela deu um sorrisinho, ajeitou a saia, me olhou e disse: - ah, que malvadas vocês são, não esqueceram nenhum detalhe, até calcinha vocês colocaram nele, mas isso sim, um trabalho excelente, fizeram do Javi uma menina linda. - agora é Vanessa. - então, Vanessa, você é uma menina muito gostosa. Bem baixinho eu consegui dizer - obrigada. - bem, meninas, o jantar tá pronto. Aquele "bem, meninas" ficou ecoando na minha cabeça por um bom tempo, ser tratado assim, incluído no grupo, me deixou muito feliz. Depois do jantar, voltamos pro quarto, onde depois de conversar um pouco todas deitadas na cama, colocamos música e dançamos até cansar, aí elas tiveram a ideia de me experimentar roupas, me vestiram de tudo: saias, vestidos, shorts, etc... tudo que saía do armário, me diverti pra caramba, nessa altura já tava bem metido no meu papel de menina, acho que experimentei toda a roupa da Bea, até que não sabiam mais o que me vestir, a Bea lembrou de um vestido, saiu do quarto por um momento e voltou com uma fantasia de princesa toda rosa que ela tinha usado no carnaval, me colocaram primeiro uma meia calça branca e depois o vestido que ia até os tornozelos, com uma tiara em forma de coroa e uns sapatos brancos com uns dois centímetros de salto, quando me vi no espelho foi como se tivesse realizei um sonho, ser uma princesinha por um dia, já não sabiam mais o que fazer comigo e enquanto a Bea ia na cozinha pegar água, as outras sentaram na cama e começamos a falar de como estávamos nos divertindo, daí ela chegou com a água, bebemos e a Bea virou pra mim – Vanessa, vem aqui que vou tirar sua fantasia. – ah, agora não me faz levantar que tô confortável aqui sentada. – hahaha, nossa, parece que você gosta demais de ser princesa. – não, mas vocês me deixaram mais de 1 hora em pé, tirando e colocando, e tô cansada. – sei não – disse a Cristina, outra das meninas – você não reclamou a noite toda com tudo que a gente fez, e agora quer ficar com o vestido de princesinha, parece que você gosta mais de ser princesa do que príncipe, hahaha. – não, sério, tô cansada, 2 minutos e tiro, além de ser desconfortável. – sim, sim, agora disfarça, te vi super à vontade a noite toda, assume que gostou de ser menina. – ué, se tô me divertindo pra caramba, tem algo de errado nisso? – não, é brincadeira, boba, hahaha. A noite seguiu, a gente falou de música, filmes, séries até que, como não podia faltar entre meninas, o assunto virou garotos, começaram a falar de quem eram os caras mais bonitos da escola e de quem cada uma gostava, eu fiquei de fora da conversa até que me perguntaram – e você, Vanessa, de quem você gosta? – disse a Ana – Sandra. Essa era uma menina da sala que, mesmo eu quase não tendo contato com ela, eu gostava pra caramba. – isso a gente já sabe, mas tamos falando de garotos. – nenhum. – mas quais você acha mais bonitos? – que não sei, não entendo disso. – eu também não gosto de meninas e sei reconhecer quem é bonita e quem não é – falou a Esther. – bom, então não sei, Raul, Alberto e mais uns nomes da escola. – tá, mas quem você acha o mais bonito de todos? – disse a Ana – hummm, Javi, ou seja, eu. Todas caíram na risada – e agora vocês, quais meninas acham mais bonitas? Falaram de várias e por último foi a minha vez. mi. - Pra você, quem são as mais gostosas? - Vanessa, tipo eu - mais risadas - Sandra, como vocês já sabem - falei mais algumas, incluindo uma das que estavam ali e, por último - e claro, a melhor de todas pra mim é ela, Bea. - Valeu, gostosa - ela disse, me dando um selinho. A noite seguiu entre risadas até que, às 3 da madrugada, a mãe da Bea abriu a porta. - Bom, meninas, já chega. Me ajudem a colocar os colchões no chão e vão dormir, que já é muito tarde. - Deixa a gente mais um pouquinho, mãe. - Preparam os colchões, se deitam e podem continuar conversando, mas sem fazer bagunça. - Tá bom. Juntas, preparamos o quarto com uns colchões que trouxemos de outros cômodos e fomos colocar o pijama. Quando eu estava vestindo, a Bea ficou me olhando e disse: - Que pijama feio, hein? Tira isso, vou te emprestar um. Fui atrás dela até o armário, ela abriu uma gaveta e tinha vários lá, mas mexeu por baixo e tirou uma camisola rosa clarinha. - Toma, veste isso. - Uma camisola? - É, vai ficar boa em você e vai dormir confortável. - Prefiro um pijama. - Não, com pijama você dorme todo dia. - Tá bom. Depois que todas se trocaram, fomos ao banheiro em rodízio e nos enfiamos na cama. A Bea deitou no mesmo colchão que eu. Continuamos conversando mais um pouco, mas aos poucos todo mundo foi dormindo, até que só a Bea e eu ficamos acordados, batendo papo por um bom tempo. Em uma dessas, ela disse: - Sabe que essa foi a melhor festa do pijama que já tive? - Eu também. - Sério, você se divertiu mesmo com tudo que a gente fez com você? - Sim, muito. Me diverti pra caramba. - Sabe que roupa de menina fica muito bem em você? - É, sério? - As minissaias curtinhas e justas que a gente colocou em você realçam bem a sua bunda. - Já sei. - Kkkk. - Bea, você sabe que é minha melhor amiga e que com você não tenho segredos. - Sim, e você é meu melhor amigo, Javi. Bom, hoje à noite, melhor amiga, kkkk. - Kkkk. Então, tem um que nunca te contei, mas você não pode contar pra ninguém. - Sim, eu sei. - O que sabes.  -teu segredo, mesmo que você não tenha me contado e eu não ligo como você é, você é meu melhor amigo e nada vai mudar isso.  -mas me diz o que você acha que é.  -tá bom, você é gay.  -não é isso ou sei lá.  -então o que é.  -eu gosto de me vestir de menina, gostaria de ser uma menina.  -então você é gay.  -é o que eu não sei, porque não gosto de meninos, só gosto de me vestir de menina, me sentir menina, adoro colocar calcinhas, saias, vestidos e coisas de vocês, por isso me diverti tanto essa noite, em casa quando meus pais não estão eu visto a roupa da minha mãe e quando vamos ver minhas primas eu experimento as calcinhas e saias delas.  Houve um silêncio.  -você realmente sente isso, talvez você seja travesti.  -sim, de verdade, quando faço isso me sinto feliz e acho que sou travesti sim, e essa noite foi assim, vocês me fizeram sentir uma menina igual a vocês, e ainda foi a primeira vez que me maquiei.  -fico feliz que tenha te feito tão bem, Vanessa, e de agora em diante, quando quiser se vestir, minha roupa é sua.  -obrigada Então me abracei nela chorando.  -por que você chora  - não sei, acho que porque tirei um peso das costas, e estou feliz de ter te contado -sua bobinha  E dito isso virou a cabeça e me deu um selinho e depois outro e nossos lábios acabaram se encontrando num beijo longo, nosso primeiro beijo foi aquele para nós dois, ficamos assim nos beijando até que ela começou a rir.  -hahaha -gargalhando -do que você está rindo -nada, achei engraçado que meu primeiro beijo foi com você e com minha calcinha e minha camisola vestidos.  -hahaha - ri eu também - pois é, tem graça mesmo que o meu primeiro também tenha sido assim.  Rimos um bom tempo sem conseguir parar até que aos poucos pegamos no sono.  Acordamos lá pelas 10, tomamos café de pijama, bom, menos eu que estava de camisola, Lidia, a mãe da Bea, me olhava e ria.  -Javi, não sei como você aguenta essas duas com tudo que elas fazem com você.  -eu também não sei como as aguento hahaha.  -pois é, como Deixa elas, essas são capazes de arrumar um namorado pra você, hahaha. Todas nós começamos a rir, e depois continuamos conversando até terminar o café da manhã, e em seguida nos arrumamos um pouco. Bea tirou minha maquiagem, que estava toda borrada, e fomos nos vestir no quarto onde as outras garotas já estavam prontas. Todas foram para casa, menos eu, que passaria o dia com a Bea. Elas se despediram e ficamos só nós duas. Fui pegar minhas roupas para me vestir, mas a Bea me chamou.

— Vem, Vanessa, vamos achar uma roupa pra você.
— Tá bom — respondi, feliz.

Primeiro ela me deu uma calcinha fio-dental branca com um sutiã. Troquei a calcinha sem tirar a camisola, enquanto ela separava pra mim uma minissaia rosa com uma camiseta rosa escrito "Sexy Girl", e uns sapatos brancos com um salto baixinho. Quando tirei a camisola e ela me viu de fio-dental, caiu na risada e me ajudou a colocar o outro sutiã e a roupa. A minissaia era bem mais curta que a do dia anterior, chegava uns 10 centímetros abaixo da bunda. Quando sentei na cadeira para me maquiar, dava pra ver o fio-dental. Ela me maquiou com tons bem claros e lábios rosas, e arrumou meu cabelo deixando solto. Dessa vez, vi como ela ia fazendo as coisas e como meu rosto mudava, me transformando de novo na Vanessa.

— Prontinha.
— Sim, e agora o que a gente faz?

Falei enquanto andava pelo quarto, fazendo barulho com os saltos. Adorava ouvir aqueles passos que eu mesma provocava.

— Sei lá, podíamos ficar um pouco online.

Mas na mesma hora a Lidia abriu a porta e disse:
— Bea, o Javi... vocês podiam descer pra co... — cortou de repente o que ia dizer — Já chega, não fica judiando do coitado do Javi assim, vai traumatizar ele. Deixa ele se trocar e desce pra comprar o pão.
— Ok, mas deixa eu brincar com o Javi assim.
— Javi, você é um bonzinho, ela te manipula do jeito que quer, não sei como você aguenta. E você, vai comprar o pão, anda.

Ela me olhou e eu dei de ombros.
— Vem comigo comprar o pão, Vanessa.

Eu ia responder que não dava pra sair assim, mas a Lidia se adiantou:
— Mas você... Cê tá louca, como vai sair assim comigo?
— Por que não, se é aqui do lado.
— Anda, cala a boca e cresce logo, só faltava essa, sair assim e vocês encontrarem alguém conhecido. Vai, menina, não tem juízo.

Enquanto ela descia, a mãe dela ficou um momento comigo.
— Então, Javi, como você se divertiu?
— Muito bem, foi diferente dos outros anos.
— Então você gostou de fazer de menina?
— Sim, foi divertido.
— Hummm, não sei o que pensar sobre isso. Bom, vou indo que a comida tá pela metade.

Pouco depois a Bea chegou, e até a hora do almoço ficamos no PC e no videogame. Comemos com a mãe dela e depois vimos um filme as três juntas. A Lidia não parava de olhar meus movimentos e ria de vez em quando, até que uma delas disse:
— Você precisa aprender a sentar, Vanessa. Passou a tarde inteira mostrando a calcinha.

Isso me fez ficar vermelha.
— É que essa minissaia é muito curta.
— Anda, levanta que vou te ensinar a sentar como uma mocinha.

Eu levantei, ela me colocou na frente dela, puxou a saia pra baixo e me disse como sentar e que eu devia cruzar as pernas. E assim continuou a tarde até a hora de ir pra casa.

Durante três sábados, encontrei a Bea na casa dela bem cedo de manhã e aproveitávamos até as 5 da tarde, quando a mãe dela chegava do trabalho, pra me vestir e passar o dia como duas amigas. Até que no quarto sábado, parece que ela chegou mais cedo, umas 2 da tarde, e nos pegou. E claro, eu vestidinha de menina, com um vestido branco acima dos joelhos.
— Bea, já cheguei.
— Oi, mãe.
— Mas pode me dizer que porra é essa, Javi vestido assim de novo?
— Nada, a gente tava entediada, sem saber o que fazer.
— Ahhh, e o tédio vestiu o Javi de menina, que curioso. Mas a verdade é que já não me surpreende, né Javi? Ou você prefere ser chamado de Vanessa?

Tudo isso ela foi dizendo num tom bravo, e eu, de cabeça baixa, escutava sem saber o que falar.
— Não sei. — falei no final, começando a chorar.

A Lidia, ao ver que eu comecei a chorar, chegou perto de mim, me pegou pela mão e sentou. na cama, me colocando no colo dela e me abraçando, fiquei encostada no peito dela.
– vem aqui, minha menina, eu sei o que você tá passando e sei que é complicado, te conheço desde pequenininho e sempre soube que você era uma florzinha, mas querida, isso não é nada de mal.
Teve um pequeno silêncio e, entre soluços, eu disse: – uma florzinha?
– sim, querida, uma florzinha. você, mesmo sendo um menino por fora, por dentro sempre foi uma menina e isso te torna especial. vem, para de chorar e se olha no espelho e me diz o que você vê agora.
– uma menina
– e você gosta de se ver assim?
– sim
– é isso que importa, que você goste de se ver assim. o resto não precisa te dar medo, você vai superando pelo caminho que for te colocando obstáculos, e você tem tudo pra ser uma menina bem bonita, tem carinha, corpo e, se não muda, uma voz bem feminina e vestida de menina você é muito gostosa. qualquer dúvida que tiver pode me perguntar sem medo, eu vou estar aqui pra te ajudar e te apoiar.
Eu escutava ela sem saber o que dizer, mas da minha boca saiu um – obrigada.
– bom, meninas, vamos comer que eu tô com fome.
Enquanto comíamos, ela me perguntou: – você quer dormir aqui hoje? tive uma ideia.
– claro que sim
– então vou ligar pra sua mãe e falar com ela, e depois vou te vestir, te maquiar e te pentear, e a gente vai passar uma tarde gostosa as três juntas. podemos ir comer um hambúrguer, olhar roupas, sapatos, fazer coisas de garota.
– não sei, não me atrevo a sair assim, e se alguém me vir e me conhecer?
– calma, querida, que onde a gente for ninguém vai te conhecer. mas primeiro me deixa te preparar e depois você decide.
– tá bom.
Depois que ela ligou pra minha mãe, lavei meu cabelo, ela enrolou com um modelador e disse pra eu não me preocupar que no dia seguinte ia alisar de novo. depois me vestiu com roupa íntima branca e duas esponjas que ela cortou um pouco dando formato de peito, colocou em mim e ficaram uns peitos lindos, uma saia jeans curta com uma camiseta rosinha e umas sandálias pretas. depois me maquiou com tons bem claros e passou um pouquinho de perfume. Quando terminei.
— Já tá pronta, Vanessa? O que cê acha? Acha que alguém pode te reconhecer?
Me olhei por um tempinho.
— Acho que não.
— Então, cê se atreve a sair?
— Sei lá, tenho vergonha de sair assim.
— Mas vergonha de quê?
— De sair vestida assim.
— Olha, agora cê sente vergonha na nossa frente?
— Não.
— Então que vergonha cê pode sentir na frente de gente que não conhece?
— Sei lá.
— Nada, já deu, vou me trocar e a gente vai.
Enquanto ela se trocava, a Bea ficou me dizendo como a gente ia se divertir olhando e experimentando roupa.
E chegou a hora de sair. Eram quase 6 da tarde. Tava um pouco nervosa e ao mesmo tempo animada. Descemos pro estacionamento, entramos no carro e fomos pra rua. Enquanto isso, de nervoso, eu sentia uma sensação muito estranha no estômago. Depois de quase uma hora de estrada, chegamos no destino. Ela estacionou o carro, a gente saiu e começou a andar. Eu segurei na mão da Bea.
— Cê tá bem, Vanessa? — perguntou a Lídia.
— Muito nervosa.
— Calma, é normal, mas cê vai ver que daqui a pouquinho passa.
— É.
Primeiro fomos lanchar num lugar daqueles cheio de criança que faz hambúrguer. De tanto nervoso, tava morrendo de vontade de fazer xixi. E quando cheguei lá e vi tanta gente, bateu uma vontade tão forte que eu não aguentava.
— Ai, ai, ai, vou fazer xixi.
— Agora a gente vai pro banheiro.
— Sim, mas correndo que não tô aguentando.
Quando cheguei no banheiro, só de levantar a saia, escapou um pouquinho e molhou minha calcinha. Saí vermelha do banheiro e falei no ouvido da Bea, mas a Lídia perguntou:
— O que foi?
— Nada, escapou um pouquinho de xixi e molhei um pouco a calcinha.
Ela me levou de volta pro banheiro.
— Vamos ver, vamos resolver isso — disse ela, tirando um absorvente da bolsa.
Ela levantou minha saia e, ao tocar na calcinha:
— Nossa, mas cê tá com ela encharcada. Assim não dá pra ir, cê vai ficar desconfortável e vai molhar a saia. Por enquanto vou colocar esse absorvente, e depois a gente vê como resolver.
Saímos do banheiro, depois fomos pra rua e seguimos por uma rua. Cheia de lojas até que chegamos numa. — Vem, vamos entrar aqui, vou te comprar umas calcinhas pra você trocar. Era uma loja de lingerie feminina. Ela começou a olhar o que pegava, enquanto eu e a Bea também olhávamos. A Bea pegava conjuntos de roupa íntima, olhava e me mostrava, e eu, no começo, estava meio sem graça com a situação. Tinha mais gente ali e me dava vergonha tocar naquelas peças tão bonitas e delicadas, até que vi um conjunto rosa com a calcinha de rendinha na frente. — Olha, Bea, que lindo. — Gostou desse? — a Lídia se adiantou. — Sim, é bonito, né? — Então pronto, vamos pagar pra você poder trocar. Chegamos no balcão, ela colocou em cima e, enquanto cobravam, perguntou pra atendente, uma menina de no máximo uns 25 anos. — Tem banheiro aqui? — Para clientes, não. — Tá bom, obrigada. É que a menina ficou menstruada e se sujou bastante, aí vim comprar umas pra ela trocar. Eu, que estava ouvindo, fiquei vermelha que nem um tomate. — Coitada, se for por isso, deixo vocês entrarem no nosso. Fica naquela porta ali, no fim do corredor — disse ela, me olhando e sorrindo — e não fica com vergonha, gata, isso já aconteceu com todas nós. Entrei com a Lídia no banheiro, lavei um pouco com água e me sequei com papel higiênico, e vesti minhas primeiras calcinhas. Aquelas eu mesma tinha escolhido. Ela também me deu o sutiã, caso eu quisesse trocar, e eu troquei sim. Ela ajeitou bem meus peitos e minha roupa, e fomos de novo lanchar. No caminho, perguntei pra Lídia: — Por que você falou pra moça da loja que eu tinha ficado menstruada? — Porque é uma coisa normal de menina. Ou você preferia que eu dissesse que tinha feito xixi nas calças? — Nãooo. Assim, conversando, chegamos sem perceber na Booty pra pedir uns hambúrgueres pro lanche. Aí percebi que a vergonha já tinha passado. Lanchamos e fomos pegar o carro, e ela me levou pra um shopping. Quando entrei lá, com tanta gente, me Fiquei um pouco nervosa de novo, mas durou pouco porque entramos numa loja de roupas femininas. Lá, experimentei várias saias e vestidos. Bea comprou umas calças e a mãe dela me disse pra escolher algo que eu gostasse, que ela me daria de presente. Escolhi uma saia curta plissada com uma camiseta branca. Depois disso, percorremos todas as lojas, onde continuei experimentando roupas, e o que mais me animava era calçar uns sapatos de salto alto. Quando percebemos, já era muito tarde, e a Lídia decidiu que a gente ia jantar algo por lá e depois ir pra casa. Procurando um lugar, encontramos uma amiga da Lídia com os filhos: um menino de 15 anos e uma menina de 6. Enquanto elas conversavam, Bea me apresentou à menina, que se chamava Maria, e ao Ruben, o garoto que me deu dois beijos. Eles ficaram conversando por cerca de meia hora. O Ruben me deixava nervosa, ele não parava de me olhar, e eu não sabia se era porque ele gostava de mim ou se tinha percebido algo. Depois disso, jantamos e voltamos pra casa da Bea, onde caí na cama de tão cansada. Lembro daquele dia como se fosse ontem, e ainda guardo com muito carinho minha primeira calcinha e a saia que a Lídia me deu. A partir desse dia, praticamente todos os fins de semana eu passava com a Bea e a mãe dela, embora só dormisse na casa delas de vez em quando. Com elas, aprendi a me maquiar e a combinar roupas. Repetimos aquela primeira saída mais algumas vezes, até que um dia tivemos um susto com o carro e a Lídia disse que, pra evitar problemas, não faríamos mais isso. Não saí vestida de novo até os 16 anos, e foi no Carnaval. Naquele dia, fui de manhã cedo pra casa da Bea, me vesti e passei o dia todo com ela, experimentando roupas também, mas o melhor foi a noite, quando fomos dançar numa balada. Lá, percebi o que é ser uma garota no meio de uma multidão de caras: andar no meio e sentir as mãos de alguns no meu rabo. E foi assim nos dois Carnavais seguintes, em que saíamos juntas. Naquela época, Bea e eu éramos amigas com direito a roçar, com ela perdi minha virgindade, no meio tive uns rolos com uma ou outra mina, mas pra mim não eram tão satisfatórios quanto com a Bea, com ela sempre transei vestido de garota, era isso que me fazia curtir o sexo. Nessa época fiz o curso de cabeleireiro no instituto, terminando aos 19 com meu diploma debaixo do braço.

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