Casal de gostosas (carnaval)

Quando deram a notícia pros meus pais que vinham gêmeos, eles nem imaginavam que um de nós dois tinha síndrome de Turner, e que cada um teria um sexo diferente. Com o tempo, fomos crescendo e entre nós dois não existia diferença nenhuma — eu podia passar pela minha irmã e ela por mim. A única diferença era que ela tinha cabelo comprido. Nós dois temos cabelo preto, somos de pele morena, puxamos à nossa mãe, filipina de nascimento, e ao pai espanhol. Me chamo Javi e, desde que me lembro, sempre gostei de me vestir como minha irmã, coisa que fazia escondido no banheiro.

No primeiro ano do ensino médio, minha irmã e eu fizemos amizade com uma menina da minha idade, Maria. Só tínhamos 11 anos, mas essa amizade foi ficando forte com o passar dos anos. Já no terceiro ano, perto do Carnaval que estava sendo preparado no colégio, Maria e minha irmã me convenceram a me vestir de menina. As duas cuidaram de tudo. Naquela manhã, nos encontramos na casa de Maria e, com a ajuda da mãe dela, me vestiram e maquiaram. Colocaram um vestido branco acima dos joelhos, com umas esponjas fizeram uns peitinhos pequenos, uns sapatos brancos com um salto bem baixinho, até uma peruca morena, e uma maquiagem bem suave que a mãe de Maria fez. Unhas rosa claro. A única coisa que não tinham trocado eram as minhas cuecas até aquele momento, mas Maria e minha irmã insistiram pra me colocar calcinha, mesmo a mãe dizendo que não era necessário, elas insistiram.

— Claro que é necessário, mãe. As meninas usam calcinha.
— Mas que diferença faz, se não aparece?
— É, mas se ele vai de menina, tem que usar.

No fim, elas conseguiram o que queriam e me fizeram colocar uma calcinha branca com um desenho da Minnie no meio e o nome dela em rosa por cima. Lembro bem porque ainda guardo ela até hoje. Minha irmã foi de princesa e Maria de bruxa. Antes de sair pro colégio, a mãe falou:

— Vocês estão muito gostosas, as três — ela enfatizou.

No caminho, paramos pra comprar uns biscoitos. Numa padaria, eu tava bem envergonhado, entrei de cabeça baixa e sem graça. Na hora de comprar, a atendente falou: "Como vocês tão lindas, Maria! E você, mocinha, não se fantasiou?" Eu nem levantei a cabeça, nem respondi, mas Maria tratou de falar: "É, é o irmão dela, vestido de menina." "Uiii, hahaha, pensei que era uma menina! Também tá muito gostosa!" Não respondi, só queria sair dali. No caminho, fui perdendo a vergonha. Cruzei com outros meninos fantasiados de menina, e isso me ajudou. No colégio, além das brincadeiras dos amigos, me diverti pra caramba. Essa foi minha primeira aventura vestido de menina.

Os meses passaram, e com quase 15 anos comecei a deixar o cabelo crescer. Um ano depois, já tava abaixo do ombro, liso. Minha mãe vivia falando pra eu cortar, que parecia uma garota. A semelhança com minha irmã aumentava cada vez mais. Mais um ano, e o cabelo já tava na metade das costas. Minha amizade com Maria continuava; não tinha um dia que a gente não se visse. Durante todo esse tempo, continuei me vestindo escondido. Praticava voz de menina na frente do espelho e quando tava sozinho, buscava técnicas pra feminizar a voz. Consegui uma voz bonita de garota. Tinha acabado de fazer 17 anos quando Maria me perguntou um dia se a gente ia se fantasiar naquele ano, já que no anterior não fizemos nada, e esse era o primeiro ano que deixavam a gente sair à noite.

"Beleza, e de que a gente se fantasia?" perguntei. "Eu ainda não sei, mas o seu eu tenho certeza." "Ah é? E pode saber de quê?" "Claro, de menina! O que cê acha? Topa?" "Pffff, não sei." Fiz ela insistir um pouco, embora eu já tivesse certeza. Também tava afim de sair de garota pra festa. Mesmo com nossa amizade, ela não sabia que eu gostava de me vestir assim. "Vai, se anima!" Depois de uns minutos insistindo: "Tá bom, vou." Faltavam só duas semanas pro dia, então três dias depois Maria me chamou na casa dela pra começar a preparar a roupa. Ela me fez provar várias saias e vestidos, se decidiu por um vestido preto curto de manga comprida, uns sapatos de salto médio da irmã dela que calçavam o mesmo número que o meu, me fez andar com eles e se surpreendeu como eu andava bem de salto, claro que ela não sabia, mas eu já tinha praticado muito com os da minha mãe. Bom, então já estava tudo pronto. E chegou o dia, ela me mandou ir na casa dela de manhã pra preparar tudo, me fez passar a gilete nas pernas mesmo eu quase não tendo pelo, logo depois do almoço me levou pro quarto dela pra me vestir, estava tudo em cima da cama: o vestido, um conjunto de calcinha e sutiã preto de renda muito bonitinho, meia-calça, sapatos, tudo preparado ali. — Começa a se vestir que já volto. Quando ela voltou, me pegou só de calcinha, era a única coisa que eu tinha vestido, tava colocando a meia-calça. Quando me viu, soltou uma gargalhada, me ajudou a terminar de me vestir. Assim que coloquei o sutiã veio a primeira surpresa: ela tinha comprado umas tetas na loja de 1,99, eram horríveis, amassavam dentro do sutiã. A gente deu muita risada, ela resolveu com duas esponjas pra não amassar. O vestido ia até a base do pescoço. Depois disso, ela pediu ajuda pra mãe dela pra arrumar um pouco meu cabelo. Sentei numa cadeira e com um modelador de cachos ela foi enrolando meu cabelo, enquanto a Maria pintava minhas unhas de vermelho. Um tempinho depois, o cabelo cacheado caía sobre os ombros. A mãe dela, já pronta, ajudou com a maquiagem: lábios bem vermelhos, olhos pintados e brincos compridos prateados. Quando terminou, eu era uma cópia exata da minha irmã. — Agora me espera na sala que vou me vestir. Passei primeiro no banheiro, me olhei bem no espelho, gostei do que vi, fiquei um tempão me admirando. Em casa, nunca me maquiava, só passava batom de vez em quando. Pouco depois de sair e ir pra sala, ela saiu do quarto já vestida, mas tava normal, sem fantasia. — E a sua fantasia? — Não sabia do que me fantasiar. — Pois podia ter me falado. — Não. porque se eu te contar, você não se fantasia. Vamos, bora que a gente vai perder a rua. Passei uma camisa xadrez e uma bolsa branca. — Toma, guarda suas coisas na bolsa. Saímos de casa e me senti bem fazendo isso. Umas caminhada de 20 minutos até o centro, fomos conversando animadamente pelo caminho, eu falava com a voz feminina que tanto pratiquei, o que surpreendeu muito a Maria. — Olha, a Paula e a Ingrid já estão ali, não fala nada pra ver se elas te reconhecem. — Mas você marcou com elas? — Sim, hoje à noite a gente vai as quatro pra balada. Quando chegamos perto delas, cumprimentamos com dois beijos, elas não falaram nada e começaram a conversar animadamente. Eu só olhava sem dizer nada, e depois de um tempo a Paula virou pra mim. — E você, Ana, não fala nada? A Maria começou a rir. — Ana é minha irmã. Eu olhei pra Paula sem falar nada, só sorrindo, enquanto ela continuou: — Ficou muito bom esse cabelo cacheado em você. — Kkkk, não é a Ana, é o Javi. Parece ela, né? — Porra, amiga, eu pensei que era ela. Que loucura, que dahora, kkkk. Você tá divina, Javi. — Obrigada, vocês também tão divinas. — Nossa, você tem até voz de menina, tá me surpreendendo, Javi. Até soa estranho te chamar assim. — É verdade — disse a Maria —, a gente tinha que achar um nome pra você. Como você gostaria de se chamar? — Uffa, não sei — falei pensativa —, Estrela, eu gosto. — Estrela, gostei. É o nome que eu usava quando me vestia em casa, de uma prima das Filipinas que eu não conheço. — Beleza, meninas, vamos que a gente vai perder a rua — falou a Ingrid. Vimos a rua, depois jantamos umas pizzas. Eu tava me divertindo pra caralho e ainda tinha a noite toda. Depois da janta, matamos tempo pra ir pra balada. A gente tinha que chegar antes da 1 porque as minas entravam de graça até esse horário. Chegamos na balada e agora eu tava nervosa, ia entrar com elas sem pagar. — E se perceberem e me pegarem? — Fica tranquila, entra normal como a gente. Além do mais, como é que vão perceber? A entrada foi normal, sem problema. Era a primeira vez que eu entrava em... Essa balada marcou minhas próximas vezes que fui. Pra não pagar, sempre voltei vestida de garota. Em uns 2 anos que fomos umas 8 ou 10 vezes, nunca soube como é o banheiro masculino. A noite toda a gente dançava, até conhecemos uns caras. Também descobri como é ser mina num lugar cheio de caras com os hormônios à flor da pele. Senti uns roçados na bunda, mas a noite passou rápida e divertida. Na volta pra casa, sentamos um pouco num pátio interno da casa da Maria. — Estrela, me diverti pra caralho essa noite, adorei te vestir, te maquiar e dançar contigo. — Eu também me diverti muito. — Sabe que você é meu melhor amigo. — Sei sim, e é mútuo. Te amo pra caralho, vou te contar um segredo. — Conta. — Não conta pra ninguém. — Não. — Pra mim, foi um dia muito especial. Sair assim pra festa hoje, sempre quis ter essa experiência. — Sério? — Sim. Olha, Maria, sempre gostei de me vestir de garota e em casa faço isso direto. Quando tô sozinho, visto as roupas da minha irmã. — Tá falando sério? — Sim, e quem melhor pra saber disso do que você? — Tanto tempo de amizade e nunca percebi que você é gay. — Não sou gay, pelo menos que eu saiba. — Não entendo. — Eu também não. Só sei que gosto de me vestir de garota e, quando faço isso, me sinto bem. — Ainda não entendi. Tem certeza que não é gay? — Sim, certeza absoluta, porque tem uma garota que me deixa louco. — Ah, é? Quem? — É que não sei se te conto. — Fala logo. A gente ficou se olhando nos olhos e um impulso me fez dar um beijo suave nos lábios dela. — Você. Eu gosto de você. Dessa vez foi ela quem me beijou. — Achava que você nunca ia se decidir. E colou os lábios dela nos meus de novo, dando um beijo longo. Meu primeiro beijo e o dela, e tinha que ser numa noite tão especial. A gente ficou um tempão se beijando. — Hahaha, percebeu? Parecemos sapatão — disse a Maria. — Hahaha, é verdade. Fiquei pra dormir na casa dela. Eu dormia num quarto do lado do dela. Era A da irmã mais velha dele, que morava com o pai, tava vestindo meu pijama. Primeiro fui no banheiro e, quando saí, ela tava me esperando na porta do quarto, com alguma coisa escondida atrás das costas. — Já dormiu de camisola alguma vez? — Não. — Toma, dorme com essa. Ela me deu uma camisola rosa. Entrei no quarto, vesti ela, manga comprida, batia abaixo do joelho. Uns 10 minutos depois, já tava na cama, e bateu na porta. — Estrela, posso entrar? — Pode. — Deixa eu ver como ficou em você? — Hummm, ficou perfeita, você tá muito linda. Enquanto isso, me agarrou por trás, enfiou a mão por baixo da camisola, subiu por uma perna até chegar na bunda, apertou tudo e me deu um beijo na boca. — Vou te ter o fim de semana inteiro vestida de menina. Tive uma ideia pra amanhã de rua. — Qual? — Você vai ver amanhã. Até amanhã, Estrelinha. — Até amanhã. Umas 10 da manhã, ela entrou no quarto e me sacudiu. — Vamos, acorda, dorminhoca, que minha mãe trouxe churros. — Porra, tô com sono. — Vamos, levanta logo. — Já vou. Ela me pegou pela mão e me puxou pra fora do quarto. — Espera, deixa eu me vestir. — Assim já tá bom, vamos. Entramos na cozinha, e a mãe dela tava lá esperando a gente pra tomar café. Ela me encarou. — Não me diga que você dormiu assim. — Sim, mãe, fui eu que inventei. — Maria, você vai traumatizar o pobre Javi. — Qual nada, ele gosta de se vestir de menina, né, Javi? Ela tinha muita intimidade com a mãe e contava tudo, mas aquilo eu não esperava, ainda mais na minha frente. — Isso é verdade, Javi? Fiquei paralisado, olhando pra ela sem saber o que responder. A mãe dela viu o aperto que eu tava. — Bom, chega de besteira, vamos tomar café. A gente conversou sobre como tinha sido legal o dia anterior com a mãe dela enquanto comia. — Mãe, vem comigo no quarto do Tete. — O que você quer, Maria? — Me ajudar a procurar uma coisa. Fiquei sozinho na cozinha, elas demoraram um tempão pra voltar. — Estrela, vamos pro meu quarto, já trouxe sua roupinha. Pronta. Em cima da cama tinha um vestido rosa de renda que imitava flores, um rosa vivo em cima e ia clareando pra baixo, os últimos centímetros quase branco e transparente. A parte da coxa era igual, assim como as mangas, que iam alargando até os punhos. Lingerie rosa e meia-calça cor da pele. — Veste, que agora minha mãe vem te arrumar. Fui me vestindo aos poucos: primeiro a calcinha, muito linda de renda, depois o sutiã, a meia-calça e por último o vestido. Não consegui subir o zíper, que era nas costas, então esperei sentada na cama até a mãe dela chegar e subir o zíper pra mim. — Vamos ver por onde a gente começa. — Não sei, senhora. — Primeiro, nada de senhora, me chama pelo meu nome, Nuri, tá? — Sim. — E a senhorita, como se chama? — Estrela. — Que nome mais bonito. Bom, vou começar tirando seu esmalte. — Sabe que pode confiar em mim, né, Estrela? — Sim. — Me explica por que você gosta de se vestir de menina. — Não sei, eu gosto. — Deve ter algum motivo. — Sei lá, gosto da roupa de menina. — Mas o que você sente quando se veste? — Não sei como explicar. — Sente excitação? — Sim. — Quando e como você faz? — Quando tô sozinha em casa, no banheiro. — Também se maquia? — Já passei batom algumas vezes, adoraria fazer mais, mas não tenho coragem de ser pega um dia. A senhora não vai contar pra minha mãe, vai? — Não, como é que eu vou contar? Segredos entre amigas não se contam. Um momento de silêncio. — E mais, vou te oferecer uma coisa. — O quê? — Que, se você quiser, não vai precisar fazer isso escondido. Aqui você pode fazer à vontade quando vier: se vestir, se maquiar, o que quiser. A Maria tem muita roupa e não vai se importar de dividir com você. — Sério? Obrigada, senhora. — Nuri, por favor. — Desculpa. — E de meninos, o que me diz? Gosta de algum? — Não, não gosto de meninos. — Ah, não? — Não. Naquele momento, a Maria entrou de roupão, tinha acabado de sair do banho. — Mãe, como tá indo? — Bem, vou começar a pintar as unhas dela. — Deixa comigo, você vai maquiando ela enquanto isso. Pinto minhas unhas de rosa claro, Nuri enquanto isso passou um pouco de base, pintou meus olhos e lábios de rosa, Maria, quando terminou, colocou uns brincos de coração rosa em mim e um colar igual, enquanto Nuri ia me pentear. — Mãe, vou me vestir sozinha, quando terminar com a Estrela, vem me ajudar. — Já vou. Um tempinho depois. — Acho que você já tá bem gostosa, espera aí que já volto. Voltou em 5 minutos com vários sapatos. — Os sapatos vou deixar você escolher, vão ficar um pouco grandes, são meus, número 40, e você calça 39, né? — Sim. — O número não é problema, a gente dá um jeito. Experimentei todos e escolhi uns rosa claro, talvez um salto exagerado, mas era um sonho realizado poder usar uns saltões assim. — Quero esses. — Boa escolha, mas não vão ter muito salto pra você. — Pode ser, mas quero esses. Andei com eles, parava, me olhava no espelho, de frente, de costas, de lado. — Parece que você saiu muito vaidosa e exibida, mas você tá linda e pode se exibir à vontade. — Obrigada, Nuri. E dei um beijo na bochecha dela. — Bom, então espera na salinha que vou ajudar a Maria. Demoraram um tempão pra sair, quando ela apareceu na porta, tava de terno preto, camisa branca, gravata e uma barba pintada, veio na minha direção, se ajoelhou na minha frente e tirou uma caixa do bolso que, ao abrir, tinha um anel idêntico aos brincos. — Quer ser minha namorada? Não esperava por aquilo, fiquei olhando pra ela, ou melhor, pra ele, e demorei pra responder. — Sim. Ela se levantou, pegou minha mão, colocou o anel, me puxou pela cintura, me atraiu pra perto e me deu um beijo na boca sem se acanhar na frente da mãe dela. — Bom, gata, vamos dar um passeio. Me pegou pela cintura e me levou até a porta. — Espera, espera, falta a bolsa — disse Nuri. Me trouxe uma bolsa pequena da mesma cor dos sapatos. — Dentro tem tudo que você precisa. Agora sim, saímos na rua, era um dia frio, sentia o frio subindo pelas pernas, batendo contra A virilha e a bunda, descemos pro centro, entramos na Rua Matinal e no começo da tarde fomos pro shopping comer uns hambúrgueres. Só a área de lazer tava aberta, demos uma volta por lá e antes de sair, precisei ir no banheiro. — Ei, tenho que ir no banheiro. — Vamos, eu também. Quando chegou no banheiro feminino, ela empurrou a porta. — Vem, te espero aqui. — Você não entra? — Entro, mas nesse aqui. Era um banheiro pra cadeirante que ficava entre o feminino e o masculino. — Bom, então eu também entro nesse. — Não, você entra nesse. Ela me empurrou de leve pra dentro, mas puxou de volta. — Ahhh, e não esquece de passar batom nos lábios que tão sem cor. Ela me empurrou de novo pra dentro, e ainda tinha fila, umas 7 ou 8 pessoas na frente. Lembro de uma mulher com uma menina pequena e, bem na minha frente, três minas um pouco mais velhas que eu. Do lado tinha um espelho grande e eu me via refletida ao lado delas, e olha, não tinha nada a invejar. Agora já tinha gente atrás de mim também. Me ver assim rodeada de minas no banheiro me deu uma excitação estranha que, se demorasse mais um pouco pra entrar no box e mijar, teria mijado na calcinha. Decidi fazer sentada. Saí e me plantei na frente do espelho, abri a bolsa e procurei o batom. Tava no fundo, pequenininho, mas dentro tinha um espelhinho, um pente, esmalte e até um absorvente. Passei nos lábios e saí do banheiro. — Já era hora, pensei que nunca ia sair. — É que tinha fila. A gente ia sair do shopping e, olha que coincidência, de frente minha mãe com o namorado dela. — Ana, o que vocês tão fazendo? — gritou minha mãe, mas quando chegou perto cortou a pergunta. Mães podem até enganar os outros, mas reconhecem os filhos, por mais parecidos que sejam. — Javi, o que você tá fazendo assim? — Ué, Maria insistiu em me fantasiar de mina pro carnaval. — De primeira pensei que era a Ana kkkk, fiquem juntos que vou tirar uma foto. No final, ela tirou mais algumas. — Bom, Já estamos indo pro cinema e no fim vamos acabar chegando tarde. — Tá bom, mãe, divirtam-se. — A gente vai sim, e cuida bem da minha menina — disse pra Maria, piscando o olho. — Ah, espera, me ocorreu uma coisa: vem assim pra casa hoje à noite que vou tirar umas fotos suas junto com sua irmã. A gente saiu pra dar uma volta pela cidade e tomar alguma coisa num bar musical. Já estávamos passeando fazia um tempo, de mãos dadas, conversando animadas, quando de repente ela me soltou. — Que desconfortável que é cueca. — Você colocou cueca? — Ué, claro, o que mais eu ia vestir? E assim o dia foi passando. Depois de dançar um pouco no bar musical, voltamos pra casa. Maria me acompanhou até lá; ela mora duas ruas abaixo. — Aqui, devolvo sua filha sã e salva. — Vocês se divertiram? — Sim. — Fica pra jantar, Maria. — Tá bom. Minha irmã demorou um pouco pra chegar; veio com o namorado. A cara dos dois foi um poema quando me viram vestida assim, sentada no sofá — principalmente a dele, que não parava de me olhar alucinado. E aqui termina um fim de semana sensacional.

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