De volta à retidão

Meu nome é Ana e sou uma mulher, mãe de dois filhos, que por destino da vida tive que criar meus filhos sozinha. Atualmente, um deles é um adulto universitário que mora sozinho na capital do meu país, Peru, então minha maior prioridade e amor na vida é meu segundo filho, que é um estudante com o sonho de se tornar um estudante de fauna silvestre, o que achei curioso, já que ele raramente mostrava interesse por animais. Mas quem sabe, quando a gente vira adulto, muda os focos e decide o próprio destino, sem se importar com o resto. Por minha parte, sou uma mulher de 40 anos, solteira, que ganha a vida como designer de calçados. Tive meu primeiro filho aos 19, quando estava começando a faculdade, mas graças a Deus meus pais me apoiaram a seguir em frente com meus filhos, ajudando a cuidar deles e me dando um lar pra onde voltar e me sentir segura, junto com meu ex, que não quero mencionar, porque no começo ele assumiu a responsabilidade e tentou cuidar do nosso primeiro filho junto comigo, mas quando descobriu que eu estava grávida do meu segundo filho, decidiu nos abandonar com a desculpa de que tinha que ir trabalhar em outra cidade. Depois de fazer isso, arrumou outra mulher e cortou todo contato comigo. *Click* — Sorri, mãe, que hoje é seu dia e a gente tem que comemorar. — Obrigada, filho, estou muito feliz que você se deu ao trabalho de fazer uma festa pra mim. — Nada disso, se fosse uma festa teria sido maior. Como você me disse que não queria uma festa grande, só queria que meus avós e eu estivéssemos juntos, decidimos fazer uma reunião de família, embora seja uma pena que meu irmão não possa estar por causa dos estudos. — O que você deveria pensar, filha, é em sair um pouco e conhecer gente. Seus filhos logo vão sair do ninho, então é melhor você arrumar alguém pra passar o resto dos seus dias. — ... Como já era uma mulher de 40, nunca pensei em me comprometer de novo depois do que aconteceu. da minha ex-parceira, o que me fez ter medo de homens.
— Bom, mudando de assunto, mãe, por que você não sopra a vela?
— Tá bem...

O dia passou como de costume, comemorei com meus pais enquanto comíamos e conversávamos sobre minha infância e a dos meus filhos. Quando meus pais foram embora, ficamos só eu e meu filho, mas como não costumávamos fazer coisas juntos, ele foi pro quarto dele, onde praticava seu único hobby, que era leitura. Enquanto isso, a única opção que me restava era assistir séries na TV no meu quarto. Tudo parecia bem até que minha programação foi interrompida por um noticiário que anunciava uma quarentena e recomendava que não saíssemos de casa pra evitar pegar um vírus que já estava na boca dos jornais há meses.

Logo depois desse anúncio, meu corpo ficou gelado de susto e preocupação. Enquanto uma pergunta entrava na minha cabeça: "O que vou fazer com meu trabalho?" Senti que meu mundo estava desabando. A imagem do meu filho veio à minha mente e pensei que precisava me manter o mais firme possível. Então, com a mente tranquila, fui até o quarto dele pra contar sobre o anúncio, mas tinha algo estranho. Meu filho não abria a porta quando eu batia ou chamava.

— LUIS!! — gritei várias vezes, mas ninguém abria. Era impossível ele ter saído, porque vi claramente quando ele entrou no quarto. Então, minha angústia me fez quebrar uma das minhas regras de casa: "todos devem respeitar o espaço pessoal". Peguei o jogo de chaves reserva que tinha de cada porta da casa e abri com cuidado o quarto do meu filho.

— LUIS!! COMO É QUE VOCÊ NÃO ME OUVE QUANDO EU TÔ BATENDO NA PORTA? PODIA SER UMA EMERGÊN—

O motivo de Luis não ter aberto a porta era que ele tinha caído no sono com uns fones de ouvido. Fui até ele pra tirar os fones e falar sobre o anúncio da TV, quando vi o celular dele e o conteúdo me deixou completamente gelada.

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