Amantes

CARLA   Carla acordou levemente indisposta. Era segunda-feira e, antes mesmo de sair da cama, já sabia que não conseguiria ir à biblioteca naquele dia, como havia planejado. "Nem à biblioteca nem a lugar nenhum" — pensou com amargura. Embora fosse muito cedo, seus pais já haviam saído para trabalhar. Sua cabeça e garganta doíam, e ela suspeitou que o banho quente da tarde anterior fosse o culpado. "O banho e seu hábito de dormir pelada com a janela aberta". Não poder ir à biblioteca a incomodava, já que em poucos dias as aulas começariam e ela precisava colocar as pilas nos estudos. Teve um momento de déjà vu quando bateu a mão na mesinha ao lado da cama procurando o celular para checar as notificações. Havia uma mensagem curta do Esteban, se despedindo dela a caminho da faculdade. Sua amiga Lena (Magdalena) a esperava na biblioteca. Sua mãe, que durante o jantar anterior esteve muito estranha e mal comeu, falava algo sobre um encanador. Seu pai lembrava sobre o presente para o próximo aniversário da mãe. Carla ignorou tudo aquilo. A noite anterior tinha sido quente, e ela saiu da cama pelada, arrastando os lençóis encharcados de suor. Sabia que estava sozinha em casa e andou nua, procurando no armário do banheiro algo para aliviar sua incipiente enxaqueca. "Paracetamol, Ibuprofeno, Nitroglicerina… Plutônio…, tanto faz". Encontrou o Enantyum que sua mãe usava para a dor menstrual e engoliu três comprimidos. Pensar na menstruação lembrou que ainda precisava lavar sua roupa do dia anterior. "Tem tempo. Ano que vem, por exemplo". Quando ficava doente, sempre ficava de mau humor. Antes de sair do banheiro, se olhou no espelho: baixinha, magra, seios pequenos, olhos castanhos (com olheiras) e cabelo nos ombros, também castanho. A pele era branca e os pelos da buceta escuros. "O que você vai fazer sobre seu irmão, gostosa?" — perguntou à jovem no espelho. Mas ainda não tinha uma resposta pra isso. Fisicamente, Esteban não era o tipo dela e também não era como se ela estivesse apaixonada por ele ou coisa do tipo. Ele era educado, organizado, limpo, homossexual e meio misógino. No geral, era um cara legal, embora tivesse um pouco de pavio curto. Ela achava que tinha muito claro que o que fizeram no dia anterior não tinha nada de sentimental, era algo físico, atávico... "Tem certeza de tudo isso, ou só tá tentando se convencer?". Carla contemplou o corpo jovial da garota no espelho e tentou se colocar no lugar de Esteban, lembrando do que fizeram juntos naquele mesmo banheiro na tarde anterior. "Carlo, foi assim que ele me chamou. Na fantasia dele, eu era um garoto. Se ele me deixou tocar nele foi porque, na mente dele, eu deixei de ser Carla". Tava quente lá dentro e a garota no espelho começou a suar. "Esteban não ficou excitado porque era você, ele ficou durão porque inventou uma fantasia onde a Carla nem existia... mesmo com você ali, enfiando o pau dele na boca". Um rubor surgiu nas bochechas da garota refletida. "Você foi só um meio pra chegar a um fim, igual aqueles lenços que você rouba do seu irmão de vez em quando". A risada leve soou mais como um soluço. A enxaqueca aumentou e ela levou a mão à cabeça. "Foi isso que eu fui ontem? Algo pra usar e jogar fora? Uma metáfora ruim? Um lenço sujo?". Ela fechou os olhos com força, porque não queria chorar. "Você também usou ele". Mas Carla sabia que isso não era certo. Ela tinha curtido com Esteban, não com uma fantasia imaginária. Ela tinha gozado com o fato de chupar o pau do irmão, tinha curtido com ele, o irmão real, e não com um avatar fictício inventado pela sua imaginação tarada. "Não, isso não é verdade — retrucou a garota no espelho —, você não curtiu com seu irmão. Você curtiu com um pau, independentemente de ser do seu irmão ou de qualquer outro. Você gozou pelo morbo de enfiar um pau na boca e engolir a porra fresquinha que saía dele. Naqueles momentos, teria Eu não importo uma porra se aquele pau era do seu irmão, do vizinho ou do Papa de Roma". Carla apertou ainda mais as pálpebras, cerrando os punhos com os braços esticados e bem colados ao corpo, segurando as lágrimas à força e sentindo a cabeça latejar com uma dor surda nas têmporas. "Você chupou o pau do seu irmão porque teve a oportunidade de fazer isso. Porque ele estava ali, na sua frente. Você o chupou da mesma forma que chuparia qualquer outro cara que tivesse coragem de pegar, se não fosse pelo pânico que tem de estranhos desde que Miguel quase te matou". Carla não queria mais ouvir o que a garota no espelho dizia e tapou os ouvidos com as mãos. "Se você não tem namorado é porque tem medo que aquilo aconteça de novo". "Cala a boca!". Carla entrou no chuveiro e abriu o registro de uma vez, sentindo o jato de água fria como uma marretada no rosto, afogando assim seus soluços. Mais tarde tentou tomar café da manhã, mas a dor de garganta só permitiu que tomasse um pouco de suco. A enxaqueca tinha diminuído, mas ela estava claramente febril e suava constantemente. Para ficar confortável, vestiu apenas uma camiseta que estava grande nela e uma calcinha de ginástica. Tentou se distrair lendo e estudando, mas era impossível se concentrar. A televisão e o Facebook deram ainda mais dor de cabeça e no final optou por se deitar novamente na cama, fuçando no smartphone, mas sua cabeça sempre dava voltas no mesmo assunto e seus pensamentos voltavam irremediavelmente aos acontecimentos do dia anterior. Sem poder evitar, ficou excitada. Sejam quais fossem os motivos pelos quais ela entrou no chuveiro com seu irmão, era inegável que ela gostou muito do que aconteceu lá, pelo menos enquanto o ato durou. Não conseguia tirar da cabeça a visão do membro do Esteban logo antes de entrar em sua boca; ou a pressão que sentiu no palato quando o chupava; ou o quanto aquilo estava quente e... porra recém-ordenhada. Eram tantas e tantas sensações que ela não conseguia se concentrar em uma só. "Não acredito que você está prestes a bater uma pensando nisso". Carla estava cada dia mais convencida de que era uma doida mental, uma ninfomaníaca, uma pervertida ou algo do tipo, porque aquilo tudo não podia ser normal. Sua mão já estava descendo em direção à virilha quando uma notificação tocou no celular. Carla deu uma olhada. "Falando em pervertidas..." Era sua amiga Lena, perguntando por que ela não tinha ido à biblioteca. Clara respondeu de forma curta e se jogou de novo na cama com um braço cruzado sobre o rosto, pensando no seu irmão Esteban e no boquete que ela tinha feito nele. Sem conseguir evitar, ela fantasiou com a possibilidade de repetir aquilo. Mas dessa vez ela iria até o fim, com certeza. Se ajoelharia diante dele e enfiaria o pau dele na boca de novo, como ontem, mas dessa vez, antes que aquele frutinha gozasse, ela mesma enfiaria o pau no buraco da sua buceta. Seu irmão ia ficar louco, mas quando sentisse em volta do pênis o bucetinha apertada da sua irmã virgem, tão apertada e quente quanto um cu, ele ia meter como Deus manda. Carla tentou imaginar como seria sentir sua buceta se enchendo de porra, como seria sentir um cilindro de carne quente entrando e saindo, com a cabeça grossa esfregando as paredes internas e alargando a vagina no caminho. Carla imaginou todas essas coisas e muitas outras montada em cima de um travesseiro, com a calça vestida, esfregando sua buceta contra a almofada pra frente e pra trás sem parar, sentindo o coelho queimar por causa da fricção. Os fluidos que vazavam da calça serviram para lubrificar o balanço constante, manchando a capa do travesseiro com uma substância bem aromática. Carla gostava muito do cheiro de bacalhau da sua xota e de vez em quando molhava a mão com aquilo e levava até o rosto para sentir melhor o cheiro. No seu Fantasias: Carla obrigava o irmão a comer sua buceta enquanto o insultava, puxando seus cabelos: "Come essa buceta, viadinho! Enfia a língua até minha barriga e lambe meu mijo, seu bicha de merda". Ela estava quase gozando quando a campainha da porta tocou, deixando-a com a boceta molhada, dolorida e aberta. "Por favor, agora não". Ela pegou uma saia curta que estava por perto e colocou por cima da calça para esconder a mancha na virilha. Depois saiu descalça do quarto e deu uma olhada pela fechadura da porta principal. No patamar havia um senhor mais velho vestido com roupas de trabalho. Era gordo e tinha costeletas ridiculamente grandes que escondiam suas bochechas. Em uma de suas mãos enormes, ele segurava uma pesada maleta de ferramentas. Então Carla lembrou da mensagem que sua mãe havia enviado sobre um encanador. "Merda". VÍCTOR Embora fosse bem tarde, Rosa, a mulher que precisava de um novo box para o chuveiro, respondeu suas mensagens. Eles combinaram que ele passaria na manhã seguinte (segunda-feira) para ver o banheiro e tirar as medidas do chuveiro, assim poderia fazer um orçamento. Ambos ficaram agradavelmente surpresos ao descobrir que eram praticamente vizinhos, já que moravam no mesmo condomínio, do outro lado da rua. A suspeita começou quando Victor viu que a senhora morava no quarto andar. Naquela mesma noite, ele saiu à rua e comparou o endereço daquela mulher com a janela da octogenária leprosa com síndrome de Diógenes que jogava absorventes usados na rua. Não havia dúvidas: era a mesma pessoa. Para ter certeza, ele contou as janelas várias vezes, comparando a distribuição da fachada com a do seu próprio prédio, gêmeo daquele. "Vai tomar no cu". Victor passou a noite toda elaborando todo tipo de teorias. Ele sabia que toda aquela história dos algodões e do sangue poderia ter uma explicação lógica e boba (por exemplo, que tinham sido jogados por uma criança pequena), mas por alguma A maldita ideia não saía da cabeça dele: uma mulher mais velha, feia, suja e com problemas mentais, trancada ali, se revirando no lixo. "Você é burro, cara. Sério, para de pensar nisso." Mas a cabeça dele insistia em voltar para aquilo de novo e de novo, e ele mal conseguiu dormir a noite toda. No dia seguinte, ele estava convencido de que, ao abrir a porta, se depararia com uma velha nojenta envolta em trapos, suja e fedendo a lixo podre, com o cabelo despenteado e emaranhado em restos de comida, cercada por gatos infestados de parasitas. A casa seria um horror, um chiqueiro cheio de imundície, com os cômodos abarrotados de detritos e sacos de lixo. E o fedor seria insuportável. Então, ele quase não conseguiu evitar um suspiro de alívio quando foi recebido por uma garota muito jovem, limpa e arrumada. Ela era baixinha (mal chegava ao peito dele) e muito bonita. A garota, precavida, não abriu a porta totalmente.

— Oi — cumprimentou Victor —, a Rosa está? Vim por causa do box do chuveiro.

A garota balançou a cabeça, agitando levemente a longa cabeleira castanha.

— Não — disse secamente. Ela parecia agitada, nervosa. Tinha ficado corada, e o rosto avermelhado contrastava com a brancura da sua pele. "Parece assustada."

— Ontem à noite eu estava conversando com ela, com a Rosa, e ela disse que eu poderia passar hoje, para tirar as medidas.

Victor sorriu, e o branco dos seus dentes se destacou entre as bochechas peludas.

— Posso vir em outro momento — acrescentou, ao ver a expressão hesitante da garota.

O homem percebeu que a moça estava suando e que algumas gotas de suor perlavam suas têmporas e a nuca.

— Desculpe — disse finalmente a baixinha —, sem problema. Minha mãe me mandou uma mensagem. Pode entrar, por favor.

— Obrigado — disse ele, passando ao lado de Carla enquanto ela terminava de abrir a porta por completo. Victor deu alguns passos para dentro da casa e parou no estrejo hall de entrada, esperando que a garota o guiasse. Ela, cabisbaixa, passou ao lado dele, roçando um de seus... braços. Victor não pôde evitar notar que ela não usava sutiã. A garota caminhou até o banheiro e o encanador a seguiu. A jovem estava descalça e a visão de seus pés delicados caminhando sobre o piso lhe pareceu uma imagem terrivelmente erótica.
— Rosa é sua mãe? — perguntou Victor enquanto também olhava para a bunda da garota. A saia curta destacava a perfeita redondeza de nádegas jovens e de aspecto túrgido.
— Sim, é minha mãe. Ela… Ela está trabalhando. O banheiro é este.
A voz transparecia nervosismo. «Você e seus malditos costeletas — pensou Victor —, parece um bandido piolhento do século dezenove e assusta todo mundo».
— Obrigado.
Victor sorriu, cravando seus olhos cor de mel nos de Carla. O homem viu que eram marrons, com pequenas veias verdes. A garota pareceu ficar perturbada e seu rubor aumentou.
— Me chamo Victor, aliás — disse ele, ampliando o sorriso e erguendo uma enorme mão calejada coberta de pequenas cicatrizes.
A garota hesitou por alguns segundos e então apertou levemente seus dedos.
— Carla.
Victor poupou-se de dizer algo como «que nome mais bonito!» ou qualquer elogio do tipo. A garota estava desconfortável, quase parecia indisposta, e suas próximas palavras confirmaram isso.
— Desculpe, mas não estou me sentindo bem — disse sem aspereza —. Precisa de alguma coisa?
— Não, não, fique tranquila — disse Victor enquanto colocava as ferramentas no chão —, só vou tirar medidas. Não vou demorar muito.
Carla assentiu e disse algo em voz baixa: «tá bom». O homem robusto contemplou a garota e deduziu que, debaixo daquela camiseta, devia haver um corpo magro e esbelto, perfeitamente proporcionado. Carla apontou para uma porta próxima.
— Vou estar ali, caso precise de alguma coisa.
— Relaxa — disse Victor, agitando uma mão à sua frente —, vou ser rápido. Não vou te incomodar.
Carla entrou em um quarto (Victor supôs que fosse seu quarto) e fechou a porta. Em seguida, ele ouviu o som da tranca de segurança interna. «Garota precavida» — pensou ele, exalando um suspiro. Foi então, enquanto olhava para a porta trancada, quando percebeu que, pela distribuição dos cômodos, aquele devia ser o quarto de onde jogaram os algodões e, talvez, o absorvente manchado. "Mas isso não significa que fossem dela, ou que ela quem os jogou." Mesmo assim... Victor balançou a cabeça e focou no trabalho.

CARLA

No patamar havia um senhor mais velho vestido com roupa de trabalho. Era gordo e tinha suíças ridiculamente grandes que escondiam suas bochechas. Em uma de suas mãos enormes, segurava uma pesada maleta de ferramentas. Então Carla se lembrou da mensagem que sua mãe tinha enviado sobre um encanador. "Merda." Carla continuou olhando pela fechadura, tentando lembrar exatamente o que dizia a mensagem que sua mãe enviou, sem se decidir ainda a abrir a porta para aquele estranho. Na verdade, o cara dava um pouco de medo. "Minha nossa, que suíças. De onde saiu esse cara?" Era um homem maduro, de uns cinquenta anos. Era muito grande, com muita barriga, um peito enorme e uma costas largas. Apesar das suíças enormes e ridículas que cobriam suas bochechas, seu rosto não era desagradável. Mesmo assim, Carla só abriu a porta alguns centímetros.

—Oi —disse o desconhecido. Tinha uma voz profunda e grave, condizente com aquele corpão—. A Rosa está? Vim por causa do box do chuveiro.

—Não —disse Carla. A garota notou que o encanador tinha uns belos olhos cor de âmbar e corou sem motivo algum.

—Ontem à noite eu estava conversando com ela, com a Rosa —disse Victor—, e ela disse que eu poderia passar hoje para tomar as medidas.

O homem mostrou um sorriso branco que tornou seu olhar ainda mais quente, dando-lhe um aspecto mais afável. De repente, Carla percebeu que aquele cara era o arquétipo de homem que sempre povoava suas fantasias mais safadas, e o coração começou a bater muito rápido. "Maduro, fofinho, grande, forte... até tem os braços cheios de pelos... e que braços. Um deles é tão grande quanto minha perna." Carla ficou muito nervosa e o homem deve ter notado algo. — Posso voltar em outro momento — disse ele. Carla estava excitada. A masturbação que aquele homem interrompera deixara sua buceta quente e molhada, mas aquele cara ainda a assustava um pouco, já que parecia meio bruto, apesar de ter um rosto agradável e um olhar inteligente. De qualquer forma, a temperatura pareceu subir na entrada de sua casa e Carla começou a suar, sentindo o calor aumentar também lá embaixo. «Decide de uma vez o que vai fazer, garota, mas sua mãe vai te matar se você disser que não deixou o encanador entrar porque tinha medo das suas costeletas». — Não — disse finalmente —, sem problema. Minha mãe me mandou uma mensagem. Pode entrar, por favor. — Obrigado. Carla deu passagem e fechou a porta atrás dele, observando-o disfarçadamente de cima a baixo. Ele era muito mais alto que ela e tinha uma barriga saliente. Na verdade, tudo nele era saliente: os braços, as pernas, o pescoço, as costas… A garota lembrou-se da caricatura daqueles forçudos de circo, com bigodes retorcidos e halteres redondos. Ou melhor, daqueles malucos da luta livre americana… mas com um pouco mais de gordura e pelos pelo corpo. Carla passou à frente para mostrar o banheiro, mas ao cruzar com ele não resistiu à tentação de roçar um daqueles braços, peludos e musculosos. «Você tá doida, mulher» — pensou pela enésima vez. — Rosa é sua mãe? — perguntou Victor atrás dela. — Sim, é minha mãe. De repente lembrou que não estava usando sutiã e ficou ainda mais nervosa. — Ela… Ela está trabalhando. O banheiro é este. — Obrigado. O homem sorriu novamente e olhou para Carla. A garota admirou as rugas que se estendiam dos cantos de seus olhos, acentuando a maturidade por trás daquele olhar cor de mel. Incrivelmente, o rubor de Carla aumentou ainda mais. — Me chamo Victor, aliás — disse o homem oferecendo a mão. — Carla — disse ela apertando levemente a mão de Victor. Era uma mão enorme, o dobro do tamanho da Carla. Ela tinha os dedos e as palmas das mãos cheios de calos e pequenas cicatrizes. As unhas eram irregulares, mas limpas. O contato daqueles dedos foi eletrizante para ela. Imediatamente percebeu o calor e a força daquela mão rude e de aparência forte, sentindo um vazio repentino no estômago ao imaginar aqueles dedos entrando dentro dela. "Você está doente, Carla. Esse cara poderia ser seu pai… que pussy, poderia ser seu avô". O calor continuava subindo dentro de seu corpo e ela notou como o suor escorria de seu pescoço e entrava entre seus peitos. Isso lembrou-a novamente que não estava usando sutiã e que, com aquela camiseta, dava para notar o movimento dos peitos soltos, marcando os mamilos. —Desculpe, mas não estou me sentindo bem —disse Carla com a ideia de voltar ao seu quarto para trocar de roupa—. Precisa de alguma coisa? —Não, não, tranquila, só vou tirar medidas. Não vou demorar muito. —Tá —sussurrou Carla. A garota apontou para sua porta. —Estarei ali, caso precise de alguma coisa. "Merda, isso soou como um convite?". —Pode ficar descansada, vou ser rápido. Não vou te incomodar. Carla entrou em seu quarto e trancou a porta, encostando as costas nela e fechando os olhos. Por sua cabeça não passava nada além de todo tipo de ideias e fantasias nas quais ela e aquele homem eram os protagonistas. Seu coração estava a mil por hora e a dor de cabeça começou a latejar em suas têmporas novamente. "Sozinha em casa com um desconhecido… Sabe quantos filmes pornô começam assim?". Ao abrir os olhos, a primeira coisa que viu foi o travesseiro em cima de sua cama, amassado e úmido, e ela ficou com muita vontade de continuar de onde havia parado, mas tinha medo de fazer barulho. "Fazer barulho e aquele velho de cinquenta anos te ouvir se masturbando, ele ficar com tesão e entrar para te dar uma mãozinha, não é?". "Você está doente". "Ou você também poderia sair lá fora e dizer que está com vontade de fazer xixi, mas que ele não se preocupe, que não precisa interromper o trabalho, que você não se importa de fazer na frente dele… e de quebra que ele limpe sua buceta depois que você terminar de mijar». «Para, Carla, não continua». Mas Carla não conseguia parar. Sabia que aquele velhão grandalhão com cara de brutamontes estava a poucos metros dela, que estavam sozinhos e que, se ela quisesse, poderiam fazer todas as loucuras que desejassem. Sua mão desceu e enfiou-se entre suas coxas, tocando sua xota por cima da saia e da bermuda. Enquanto se tocava, não parava de fantasiar situações obscenas e sujas em que aquele homem, Víctor, fazia de tudo com ela. Sentia a buceta inchada e encharcada; tinha a xota prestes a explodir e… e percebeu que realmente estava com vontade de mijar. Isso era um problema, porque Carla tinha medo de Víctor. Uma coisa era fantasiar, outra bem diferente era a realidade. E a realidade era que Carla tinha medo de estar sozinha em casa com um desconhecido. Embora ela estivesse convencida (quase) de que aquele cara era inofensivo, o medo ainda estava lá. «Miguel também parecia inofensivo». Carla torceu as pernas, segurando o xixi ainda encostada na porta. «Isso é ridículo. Você estava se masturbando pensando naquele homem, e agora tem medo de sair para mijar por causa dele? Na sua própria casa?». Carla se virou e tirou a tranca devagar, sem fazer barulho. «Isso é ridículo» — pensou de novo. Abriu a porta alguns centímetros e espiou o corredor. A porta do banheiro estava aberta e de lá vinham os sons que Víctor fazia trabalhando. Carla saiu sem fazer barulho e foi ao outro banheiro da casa, que ficava na direção oposta. «Você está na sua casa, moça. Parece uma criança, aquele homem não vai te machucar». Lá, ela fez um mijo rápido, tentando não fazer muito barulho. Ao voltar, viu que a porta do banheiro onde o encanador estava havia se fechado parcialmente, ficando entreaberta. Carla teve outro momento de déjà vu, o segundo daquele dia. «Isso é igual à noite passada, quando espiei Esteban». Carla detectou movimento por baixo da porta e uma ideia pairou sobre ela: "Talvez ele também esteja mijando." O tesão subiu pelo corpo dela e as palmas das mãos começaram a suar. Ela se aproximou um pouco, mas da sua posição só via os azulejos da parede, então se deslocou para o lado. Ao mudar de ângulo, conseguiu ver parte do espelho, onde se refletia o Victor trabalhando atrás da porta. Carla continuou espiando de certa distância, com o coração batendo acelerado no peito, fantasiando com a possibilidade de ver o pau daquele grandalhão. "Você tá doente, sério mesmo." CONTINUA

0 comentários - Amantes