Meu nome é Andrea e tenho 25 anos. O que vou contar pra vocês agora é totalmente real e aconteceu comigo há 10 anos, quando eu tava no terceiro ano do ensino médio.
Quando eu era criança, era muito tímida e introvertida, tinha muita dificuldade em socializar com as outras crianças, incluindo meus vizinhos. Só alguns foram com quem consegui me dar bem durante minha infância, então nunca fui de ter muitos amigos.
Conforme fui crescendo, a insegurança e a timidez foram piorando, principalmente na adolescência. Durante meus dois primeiros anos do ensino médio, a única coisa que eu via era como as outras garotas da minha escola faziam de tudo pra chamar atenção; pegavam qualquer cara, deixavam se tocar, se insinuavam e as mais ousadas já transavam com os namorados ou com algum amigo.
Pra mim era muito difícil me destacar, os caras nem me olhavam, e quando olhavam; era só pra me zuar. Fui a típica garota que todo mundo fazia bullying.
Desde pequena, o povo me falava que eu era muito gostosa. Uma vez, um professor no ensino fundamental me disse que eu tinha uma cara de anjo. Adorei que ele falou isso. Mas minha timidez talvez escondia a beleza que alguns viam. Por dentro, eu sentia uma vontade enorme de me sentir segura como muitas das minhas colegas, queria ter amigos e conseguir conviver de boa com os outros.
Mas não conseguia. Meus pais sempre foram muito rígidos comigo, o que talvez contribuía pra minha insegurança, já que geralmente desqualificavam o que eu fazia ou os resultados que eu alcançava nunca eram suficientes pra eles.
Sempre fui uma aluna muito boa, tirava notas perfeitas na escola. Mas meus pais diziam que era minha obrigação e que não precisavam me elogiar. Isso me doía pra caralho.
Toda manhã, desde que eu estudava no ensino fundamental, eu levava meu cachorro pra um parque perto de casa pra ele fazer as necessidades dele. Desde que me lembro, toda manhã eu encontrava um cara jovem que saía pra correr e malhar no parque. Ele tinha um olhar muito gentil e sempre olhava pra mim e pro meu cachorro.
Nos meus medos, chegava a pensar que talvez ele não gostasse de nos ver e que incomodava ele meu cachorro fazer as necessidades dele, mesmo eu catando os dejetos do meu bicho com um saquinho. Muitas vezes eu pegava outro caminho pra não trombar com ele, mas no fim, o parque era o lugar ideal pro meu cachorro fazer o que tinha que fazer. Uma vez ele passou perto da gente e parou pra me falar.
- Que lindo tá o teu cachorro. Qual é o nome dele?
Tanto o comentário quanto a pergunta me pegaram de surpresa, então fiquei paralisada sem saber o que responder. Ele percebeu, por isso não insistiu e saiu correndo, mas não sem antes me dar um sorriso e desejar um bom dia. Essa pessoa não era uma beleza, mas a simpatia dele o tornava atraente. Toda manhã que eu ia no parque, ele estava lá se exercitando; quando, de vez em quando, nossos olhares se encontravam, ele me dava um sorriso amigável, o que, com o tempo, começou a me agradar.
Timidamente eu levantava o olhar pra observar ele, às vezes ele tava muito focado no que tava fazendo, mas outras tantas tava me encarando. Em certos momentos, quando eu levantava os olhos na esperança de que ele estivesse me olhando e via que sim, eu baixava o olhar rapidinho, tentando esconder o tesão que aquilo me dava.
Ele só sorria, o que me fazia imaginar que ele devia achar que eu era uma menina burra e imatura. Esses pensamentos me torturavam porque, pra ser sincera, eu adorava o fato de alguém olhar pra mim. E não é que eu fosse um horror de garota. Nunca fui uma menina feia, nem tinha um corpo feio.
Naquela época eu era magrinha, cabelo liso meio comprido, pele clara, bundinha empinada, peitos pequenos. Uma coisa que eu gostava muito no meu rosto era que ficavam umas bochechas rosadas, além de um pequeno sinal que eu tinha no lado direito do lábio superior. Com o tempo, acabei encontrando ele na loja. Toda vez que o via, ele me cumprimentava com um sorriso simpático e, de vez em quando, perguntava pelo meu cachorro. Descobri que ele morava a meia quadra da minha casa, num prédio.
Foi no terceiro ano do ensino médio que tive meu primeiro namorado. Ele era um cara que nunca escondeu a vontade de me comer, porque toda vez que me beijava, me abraçava e descia devagar as mãos pra colocar na minha bunda, o que não era lá muito agradável pra mim, já que ele fazia isso na rua, na vista de todo mundo. Mas, por outro lado, o fato de ele colocar as mãos na minha bunda arrepiava minha pele, me excitava, mas ao mesmo tempo me dava uma certa culpa. Eu não tava muito a fim do garoto, na real não sentia nada por ele. Só queria ter um namorado pra tentar me encaixar com os outros, e a sensação que me dava ficar pegando ele.
Uma vez, foi o aniversário de 15 anos de uma colega da minha sala, então ela convidou a turma toda pra festa. Pedi permissão pros meus pais e eles deixaram, com a condição de eu chegar em casa até meia-noite. Meu pai me avisou que, se eu não chegasse naquele horário, eles iam trancar a porta e não iam me deixar entrar, pra eu aprender o que era ficar na rua. Eu garanti que chegaria na hora que eles mandaram. A festa, como a maioria das festas de 15 anos, tava no auge à meia-noite, então quando percebi a hora, já tinha passado meia hora do que meus pais tinham falado. Saí correndo da festa pra pegar um táxi.
No caminho, caiu uma chuva que parecia tempestade. Quando cheguei em casa, desci correndo e me molhei toda pra ver se meu pai tinha cumprido a palavra; ele tinha trancado a porta com o seguro, então, cheia de medo, fiquei do lado de fora na chuva batendo pra alguém vir me abrir, mas ninguém saiu. Completamente molhada da cabeça aos pés, andei procurando um lugar pra me proteger da chuva. Me enfiei debaixo da entrada de uma casa, pensando no que fazer.
Caminhei em direção ao parque cheia de angústia, quando vi um prédio e entrei. Sentei nas escadas morrendo de frio e medo, com uma angústia terrível e uma solidão imensa. Não consegui evitar começar a chorar, me sentia completamente indefesa, com medo de que algo acontecesse comigo. Sentia meu corpo começando a ficar dormente de frio. Não podia acreditar que meu pai tinha me deixado fora de casa. Tinha decidido passar a noite nas escadas daquele prédio quando ouvi passos subindo. Não quis levantar o olhar de medo. A pessoa passou e só consegui ver os tênis molhados. Subiu cumprimentando:
- Boa noite.
A voz me pareceu familiar e levantei o olhar. Era o homem do parque, que também vinha encharcado. Ele me olhou com surpresa e perguntou:
- O que você tá fazendo aqui. Posso te ajudar em alguma coisa?
Só me soltei pra chorar. Ele desceu e sentou do meu lado.
- Me diz, o que você tem, o que houve, te fizeram alguma coisa?
Só balancei a cabeça negando, não conseguia falar de tanto chorar. Sem perceber, me apoiei nele. Me envolvendo com o braço dele, gentilmente me cobriu pra deixar eu chorar. Senti uma proteção que me deu confiança pra desabafar. Quando me acalmei, expliquei o que tinha acontecido.
— E o que você vai fazer? Ela me perguntou.
- Não sei. Tava pensando em passar a noite aqui na escada. Respondi entre soluços.
- Não, como assim? Você vai congelar aqui. Ele me disse, surpreso.
- É que não tenho pra onde ir.
- Olha, não leva a mal. Eu moro no terceiro andar, se quiser, pode ficar na minha casa e amanhã cedo você vai pra sua. Ele me disse.
Eu tava tão desesperada que já falei que sim na hora. A gente se levantou e subiu pro apartamento dele. Quando entrei, senti um calor gostoso. Ele pegou umas toalhas pra gente se secar.
— Te sugiro que entre num banho de água quente, senão você pode ficar doente. — ela me disse, educadamente.
- Não, como assim. Não tenho roupa seca. Respondi pra ela.
- Não se preocupa, posso te emprestar uma camiseta pra você dormir, tenho certeza que vai ficar como uma camisola.
Ele era alto, forte, pele morena clara, nada feio. Mas como eu disse antes, era muito gostoso.
- Pensa só no que eu vou entrar pra tomar banho
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
Entrei no chuveiro enquanto eu fiquei observando o apartamento dele, que era muito bonito. Bem aconchegante e decorado com muito bom gosto. A luz fraca do abajur da sala deixava tudo ainda mais quente. Entrei no quarto dele pra tirar a roupa molhada. Sentei na cama enorme king size. O quarto tinha um cheiro gostoso que dava vontade de não sair de lá. Me despi completamente e me cobri com a toalha. Quando ele saiu do chuveiro, me encontrou no quarto dele.
- Toma um banho enquanto eu coloco sua roupa na secadora e preparo algo pra jantar.
A gentileza dele me agradava pra caralho. Eu me sentia valorizada, respeitada, ele me fazia sentir muito segura. Quando saí do banho, sequei meu corpo e vesti a camiseta que ele tinha me emprestado. Tava completamente pelada debaixo da camiseta, isso me dava uma sensação de liberdade que me fazia sentir muito bem. Quando saí do banheiro, ele já tinha preparado sincronizadas e chá gelado pra jantar. Enquanto a gente jantava, ficávamos batendo papo sobre mil e uma coisas.
Falamos do meu cachorro, da minha escola, dos meus pais, da solteirice dele, da carreira dele (era médico), de cinema. O papo era muito gostoso. Pela primeira vez me senti segura o suficiente pra conversar com alguém. Com o tempo, percebi que o que me fez sentir segura foi o jeito que ele me tratou naquele momento; ele respeitava meu jeito de ver as coisas, me ouvia, prestava atenção no que eu falava, não me desqualificava. Um homem encantador. Deviam ser umas 3 da manhã quando ele disse:
- Bom, vamos dormir, porque amanhã a gente tem que acordar cedo pra você ir pra sua casa.
- Ok.
- Dorme no meu quarto que eu durmo no sofá. Sugeriu.
— Não, como é que você acha? Respondi.
— Prefere que você durma no sofá e eu na cama? — perguntou.
Fiquei pensativa. A verdade é que sentia muito medo e me sentia muito sozinha. Queria que ele dissesse pra gente dormir na mesma cama. Ele parecia ler meus pensamentos, porque na hora falou:
- Se preferir, nós dois podemos dormir na mesma cama, ela é bem grande.
- Sim. Respondi na hora.
Fomos pro quarto, onde a luz dos abajures nas mesinhas de cabeceira dava um toque aconchegante ao ambiente. Nunca tinha ficado com um homem antes, muito menos dormido com um. Não sentia nervoso nenhum, não me sentia desconfortável, pelo contrário, sentia uma leve emoção no peito por estar com alguém que me fazia sentir bem. Deitamos e apagamos a luz dos abajures. Ficamos deitados de lado, um de frente pro outro, mantendo uma distância prudente.
— Tenha uma boa noite e descanse bem. Disse em voz baixa com seu clássico tom amável.
- Valeu, igualmente. Respondeu também em voz baixa.
Fiquei deitada de olhos abertos. Quando meus olhos se acostumaram com a escuridão, eu conseguia olhar pra ele de olhos fechados, ouvia a respiração calma dele. Senti naquele momento uma emoção enorme de estar na frente de um homem que não tentava, em momento nenhum, se aproveitar de mim, mas ao mesmo tempo um desejo imenso de que ele fizesse isso. Então, quebrando o silêncio da noite, me atrevi a falar com ele.
- Ei.
- Me diga.
- Muito obrigada por tudo que você fez por mim. Acredite, tô muito grata por isso.
Falei com a maior sinceridade que eu conseguia.
- De nada. Só tô fazendo o que você talvez faria por mim se eu estivesse numa situação parecida.
— Cê acha mesmo que eu teria feito isso? — perguntei.
- Não sei, imagino que sim.
- Talvez eu não tivesse feito. Falei, arrependida.
- Talvez antes disso você não teria feito porque é jovem e um pouco desconfiada.
Mas acho que se acontecesse agora; você faria sim. Disse com toda a segurança.
Não aguentei mais e me aproximei pra abraçar ele. Ele abriu os braços e me abraçou com muito carinho enquanto eu apertava ele com toda minha força.
- Obrigado, muito obrigado por ser assim comigo. Eu disse entre lágrimas.
- De nada.
- Por favor, não me solta, quero ficar assim a noite toda com você. Não me solta, por favor. Eu implorei.
- Ok, tá bom, tá bom, calma, não tem problema. Ele falava sussurrando no meu ouvido.
Tirei meu rosto do ombro dele e, sem perceber, encostei meus lábios nos dele. Ele ficou parado, sem reação, talvez com medo de que aquilo pudesse dar alguma merda legal por eu ser menor de idade.
— Cê não gosta? Perguntei.
- Não, não é isso, é que não sei se é uma boa ideia.
Respondeu um pouco nervoso.
- Não se preocupa, ninguém vai ficar sabendo. Assim como você, não quero que isso saia daqui. Garanti.
Agora foi ele quem, segurando minha nuca, me puxou pra perto pra me dar um beijo carinhoso, que eu correspondi abrindo a boca pra deixar a língua dele entrar na minha. Com a mesma ternura, ele mordeu de leve meu lábio inferior. Ninguém nunca tinha me beijado daquele jeito, me deixei levar pelos beijos dele. A gente continuou se beijando, brincando com as línguas, enquanto ele acariciava minhas pernas devagar, de cima pra baixo, com a ponta dos dedos.
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