Javier nos ayuda (Capítulo 33)

Capítulo 33

Javier foi pro escritório dele porque tinha que preparar uns orçamentos.

— Vou dar uma corridinha que tô precisando, vai me ajudar a relaxar um pouco depois de tanta tensão — falei pra minha mina.

Ela me acompanhou até o quarto, onde eu ia trocar de roupa.

— Vou ver TV enquanto você volta. Tô muito cansada pra correr.

— Beleza, amor. O que achou da conversa com o Javier? — perguntei.

— Sei lá, querido, foi tudo muito de repente, mas acho que ele lidou bem com a situação.

— Ana, você quer continuar, né?

— Só se você quiser, mas não vou negar que vou sentir falta se a gente parar. De qualquer forma, acho que você tá com ciúme, deve ser isso que tá rolando.

— Não, juro que não, meu amor, ainda mais do Javier, com quem a gente se divertiu tanto os dois. Sabe que outro no lugar dele teria forçado mais a barra, mas ele respeitou as regras que a gente estabeleceu, tirando umas coisinhas por causa da atração que sente por você e do potencial sexual dele, que o filho da puta não para — falei, fazendo a gente rir junto.

— Conheço você como se tivesse te parido e continuo achando que você teve um ataque de ciúme. Pelo menos não descarta isso quando ficar remoendo na sua cabeça, a de cima, claro.

— Vamos fazer um teste? — sugeri.

— Que teste? — ela perguntou, já sacando o que eu ia propor.

— Fica com ele enquanto eu tiver fora, pra ver se quando eu voltar sinto ciúme ou não.

— Agora? — ela perguntou, incrédula.

— Claro, enquanto eu corro, você tem minha permissão.

— Mas não tô entendendo nada, querido — ela disse.

— Só quero provar que não tenho ciúme. Além do mais, não é a primeira vez que deixo vocês sozinhos. Vou nessa, depois me conta se vocês transaram.

Ela não falou nada, só olhava pro chão enquanto esfregava as mãos, me vendo ir embora.

Voltei mais ou menos uma hora depois, a sala tava vazia e as roupas da minha mina e do Javier estavam no chão do escritório. O quarto dele estava com a porta fechada, eles estavam lá dentro conversando quase sussurrando, com certeza comentando que eu tinha voltado. Fui até o banheiro tomar um banho. Em um minuto, a Ana chegou só de fio dental.

— Quando você terminar, eu vou tomar banho — ela me disse.

— Beleza, amor. E aí, como foi?

— Bem, tudo muito bom como sempre com ele, você sabe.

Abri o box pra sair e vi que o triângulo do fio dental estava molhado, com o sêmen escorrendo pelo lado de dentro das coxas dela. Dei um abraço forte e um beijo na boca antes dela entrar no chuveiro, aliás, o gosto era de pica pra caralho.

— Putaria, hein, sua vadia.

— Só realizei os desejos do meu corno manso — ela respondeu com um sorriso.

— Lava direito que você tá fedendo a pica por todo lado — falei enquanto me secava.

Tava indo pro nosso quarto quando o Javier entrou no banheiro só de cueca.

— Putaria que vocês aprontaram, seu filho da puta — falei enquanto entrava no quarto.

Ela não demorou depois do banho e veio logo pro nosso quarto, fechando a porta de novo.

— Ah, você veio? — perguntei —, achei que ia ficar mais um tempo com ele.

— Não, com o que a gente fez já tá bem resolvido. Ajeitei porque a gente reservou no restaurante de sempre.

— Claro, amor. Vamos ter que repor as energias, porque eu tô faminto de tanto correr e vocês de tanto foder.

Rimos juntos.

— Pois é, olha, porque eu gozei três vezes e ele duas. Isso também desgasta pra caralho.

Rimos de novo.

— Se você engoliu alguma das gozadas dele, não vai ter muita fome. Com o que esse filho da puta jorra...

— Impossível, engoli metade, o resto caiu na cama.

Minha pica ficou dura que nem um pilão, então fiz ela se apoiar na cama e, do jeito que tava, de pé atrás dela, enfiei até o talo. Ela riu no começo pela minha impaciência. mas ele brochou nas três primeiras investidas.

- Você vai ver o que é uma foda de verdade, sua puta.

Comecei a meter com tudo desde o início, quase no estilo Rafa, e pensei em cinquenta coisas cada uma mais nojenta, até que depois de um bom tempo percebi que ela ia gozar, então mudei o foco pra estar no momento. Os gemidos dela junto com meus bufados, o filho da puta do Javier deve ter ouvido como se estivéssemos do lado dele. Que se foda.

Caímos na cama um do lado do outro, minhas pernas bambearam sem saber se era pela corrida ou pela foda que a gente tinha curtido. Ela não parava de contrair e esticar as pernas, como fazia nos melhores orgasmos dela. Quando isso acontecia, meu ego subia a alturas infinitas, meu peito se enchia de orgulho, eu me sentia mais alto e poderoso, enfim, um completo babaca assim que passavam dois minutos.

- Porra, cara, que foda da porra que você me deu - ela disse, já recuperada.

- E as que vou te dar essa tarde enquanto seu comedor faz orçamentos - falei, soltando uma gargalhada.

- E o ciúme, como é que fica? - ela perguntou.

- Você já viu que não sinto ciúme, minha vida, não sou ciumento. Confio em você como sempre. Sei como você me ama, tenho isso claríssimo, e acho que uma pessoa sente ciúme quando não confia no parceiro. Não é o caso, meu anjo.

Ela não parava de acariciar meu peito, meu rosto, os lóbulos... com uma entrega e um carinho que me transbordava.

- E agora, o que a gente faz? - ela disse - eu não quero continuar fazendo isso sozinha com ele, só se você participar eu voltaria a ter relações com o Javier.

- Claro que sim, minha vida, espera eu me achar e aí a gente vê.

A gente se deu um beijo suave e muito carinhoso antes de nos arrumar pra ir ao restaurante.

Na volta, sentamos na sala como sempre fazíamos. Estávamos contentes e muito carinhosos um com o outro.

Conversamos sobre muitas coisas, principalmente sobre o trabalho da Ana.

- Amanhã vou pedir ao meu chefe a rescisão do contrato. Segundo o Pelo acordo, eles poderiam me obrigar a ficar mais 15 dias, mas acho que não vão criar caso pra me liberar logo. Já falei que o trabalho tá bem fraco.

— E você, como tá a semana? — perguntei pro Javier.

— Agora tô tendo problemas com um dos meus fornecedores de sempre, então tô procurando alternativas. O ruim é que vou ter que viajar uns dois dias, um deles até pra Madrid.

— Coitadinho... — disse minha namorada, passando a mão no rosto dele como se fosse um moleque —, vamos sentir sua falta.

Nós dois caímos na risada. Depois ela veio na minha direção e sentou no meu colo.

Ele tinha combinado com o Rafa de tomar umas cervejas naquela tarde. Nós aproveitamos pra ir pro centro e ver um filme.

À noite, nos encontramos de novo os três em casa. Preparamos um pouco de janta e fomos pra sala pra encerrar o dia.

— Na terça-feira, fuck you, vou pra Madrid de avião, então vou sair daqui bem cedo. Volto à noite no último trem.

— Não precisa levar mala, né? — ela perguntou.

— Não, só a maleta.

— É uma fornecedora?

Ele soltou uma gargalhada.

— Não, sua putinha, é um fornecedor, gordo e feio. Se ainda parecesse com o Diego...

Nós três rimos.

— E amanhã, vai acordar cedo?

— Não, vou levantar mais ou menos na mesma hora que vocês. Meu primeiro cliente é às nove da manhã.

Vimos o próximo episódio de Game of Thrones, ela ficou um tempo encostada no meu lado e outro no do Javier, a safada não conseguia ficar parada sem a companhia de um de nós dois. Teve carícias entre a gente, mas não passou disso.

Depois fomos dormir os três na nossa cama.

Dormimos de conchinha e vestidos.

De manhã, eu levantei primeiro, como de costume. Tentei não acordar eles e fui pro banheiro, depois me vesti. Eles continuavam dormindo na posição de conchinha, com o braço direito dele passado por cima da cintura dela. Claro que a vara dele tava encostada na bunda da minha namorada.

Depois terminei o Tomei café da manhã e me preparei pra dar um beijinho na minha mina antes de vazar. Ela já tava sentada na beira da cama, colocando uma fio dental. O Javier tava acordado, mas ainda deitado. Ele não tava de cueca e tava mostrando um pau duro que não sabia se era o clássico tesão matinal ou se tinha ficado excitado pelo contato com a minha namorada.

— Já tão acordados, seus vagabundos — falei me aproximando dela e dando um beijinho —, bom, vou nessa que tô no limite do tempo.

— Beleza, amor, assim que falar com meu chefe te mando uma mensagem.

— Ok, vou ficar esperando. E você aí, tampa esse rabo que tem uma dama presente. Falou, seus arrombados.

Eles soltaram umas risadinhas enquanto eu saía do quarto.

Lá pelo meio da manhã, recebi a mensagem que tava esperando da Ana.

Meu chefe pediu pra eu ficar até quarta, que é fim de mês. Depois te passo os detalhes.Acompanhado de vários ícones com beijos.

Pensei que era lógico, pedi mais três dias pra ela passar as tarefas pra outro colega, fazendo a rescisão coincidir com o fim do mês.

Respondi com o clássico “OK” junto com outros emojis de beijo.

Tentei comer mais leve e liguei pra ela um tempinho antes de voltar pro escritório.

— Oi, amor, já comeu? — ela respondeu na hora.

— Sim, meu love, cadê você?

— A cinco minutos do portão de casa.

— Me conta como foi a conversa com seu chefe.

— Tive que esperar ele terminar uma reunião, por isso não te mandei a mensagem antes. Expliquei que tinha arrumado outro trampo e que tavam me esperando pra começar assim que eu pedisse demissão. Ele perguntou qual era o trabalho, mas não dei muitos detalhes, só falei que era na área de hotelaria. Aí ficou olhando o calendário, analisando as tarefas que eu tava fazendo, quem ia ter que assumir, enfim, ficou matutando pra decidir. Depois disse que, pelo acordo, eu teria que avisar 15 dias antes, mas insisti que eu trabalhava meio período, então não tinha motivo pra esperar tantos dias. No fim, ele ofereceu me dar a baixa na quarta, batendo com o fim do mês.

— Acho que é justo, né? O que você acha?

— Penso igual você, são só mais dois dias e quinta, dia um, vai ser perfeito pra começar no novo trampo.

— Vai falar com o administrador?

— Vou, mas quando você estiver aqui comigo.

— Tá bom, céu. Bom, preciso ir agora. Um beijo, minha vida.

— Outro pra você, meu love.

Quando cheguei em casa, ela tava na sala com o notebook.

— Oi, amor — falei, dando um selinho e sentando do lado dela —, o que cê tá fazendo?

— Oi, minha vida, tô aqui planejando as tarefas pro novo trabalho.

— O quêêê...? Sério? — Claro, também tô atrás das melhores empresas de marketing. Sabe que elas precisam melhorar a captação de clientes.
— Porra, te falei, nem imagina a sorte que tiveram de te encontrar.

Ela caiu na risada.

— Qual é, queria eu ser tão otimista quanto você.
— Pois vai mostrar pra eles que você é a melhor do planeta pra essa vaga.

Ela não parava de rir.

— Beleza, tem mais alguma coisa pra me contar da conversa com seu chefe?
— Não, só que contei pros meus colegas e eles ficaram felizes por mim, já sabe que são gente boa.
— E a Cris?
— Ela já sabia, e quando saí de falar com meu chefe, te mandei a mensagem e depois contei pra ela. A coitada desabou no choro, me fez chorar também, você me conhece. Foram anos muito bons naquele trabalho com ela do meu lado.
— Claro, amor, comigo foi a mesma coisa quando fui mandada embora do meu. Mas temos que ser otimistas e agradecer pelos trampos novos que temos agora.
— Sim, mas esse foi muito importante pra mim. Me deu a experiência que vou precisar daqui pra frente.
— Sabe de algo do Javier?
— Não, ele só disse que não voltaria muito tarde. Acho que deve estar chegando.
— Teve alguma coisa essa noite ou de manhã entre vocês?
— Essa noite, de vez em quando, ele me acordava com as carícias dele.
— Porra, esse Javier. E você, o que sentiu?
— Pergunta difícil — ela respondeu com uma gargalhada —, é que adoro, mas na hora certa. A gente tava nas oito horas pra descansar.
— É que você deixa ele a mil, ainda mais deitada do lado.
— Pois você também me deixa, porque tá com um pau duro de campeão.
— Vamos pra cama, antes que esse filho da puta chegue. Além disso, marquei com o Carlos às oito pra tomar umas cervejas.

Fomos e deu tempo de dar uma trepada gostosa, tranquila, mas bem intensa. Depois voltamos pra sala.

— Liga pro administrador agora.

Ela avisou que começava na quinta-feira, dia um. Combinaram que ele mesmo Ela receberia. Já tinha o escritório preparado, além de um computador de mesa e um notebook. Depois, uma secretária ajudaria nos primeiros dias de trabalho. Também a apresentaria para o resto do pessoal que trabalhava naquelas salas.

— Tudo perfeito — ela me disse quando terminou de falar com ele. Amor, vou precisar alugar outra vaga de garagem para o carro novo.

— Ah, tá bom, então se quiser a gente desce e pega a que você mais gostar das disponíveis.

Nessa hora, Javier entrou em casa, bem na hora que a gente tava saindo. A gente explicou o que ia fazer, e ele ficou pra tomar um banho e ficar à vontade.

Ana escolheu três garagens e anotou os telefones. Depois, a gente subiu pro ático.

Javier tava no banho naquele momento, e ela, da sala, conseguiu a vaga pro ano inteiro na segunda ligação.

Tudo tava indo conforme o planejado. Depois, ela foi pro terraço pra falar com a amiga Cris e com nossas irmãs.

Eu fiquei vendo TV, até o Javier chegar na sala.

— E aí, mano, como foi tudo com o trampo da Ana?

Contei sobre a demissão dela do emprego antigo e que ela começava o novo na quinta.

— Você não sabe como eu fico feliz que tudo esteja indo tão bem.

— Relaxa que não vou te agradecer, porque pra um amigo que muda sua vida, que arruma um trampo melhor do que o que você tinha, que se preocupa com a gente como ninguém faria, não dá pra agradecer nada, porque ainda por cima te enche o saco pra caralho.

— Isso, não me agradece e para de história, seu filho da puta.

— Amanhã a gente tem consulta pra fazer os exames de HIV. A gente demorou um pouco, mas em alguns dias a gente tem os resultados.

— O Rafa deve ter ido hoje à tarde.

— Sim, foi ele quem nos deu o contato da clínica.

— E a Ana?

— Tá no terraço falando com a Cris e com nossas irmãs. Vai demorar um pouco.

— Ela te contou o que eu fiz essa noite?

— Claro, a gente não se Não escondemos nada, você já sabe.

— Vou ter que dormir na minha cama, porque do lado dela não consigo dormir e também não deixo ela dormir.

— Acho que é o melhor. Temos que cumprir as condições, Javier, e não pode ter sexo nas oito horas antes de levantar pra trabalhar.

— Tem razão. Bom, também não transamos, sabe, só uns roçados e pronto.

— Além disso, por enquanto não vamos continuar transando até eu me esclarecer — respondi.

— A Ana me disse que a foda de domingo foi uma proposta sua. Por que você fez isso? — ele perguntou.

— Porque ela achava que o que eu tava sentindo era ciúme, e eu disse que não. Pra provar, dei permissão pra ela transar com você enquanto eu corria.

— Porra, Diego, queria te entender. Quando a Ana veio ao meu escritório, não acreditei no que ela tava propondo, mas você não sabe como agradeço sua generosidade com a gente.

— Sei, a Ana me disse que vocês deram uma boa trepada.

Nós dois soltamos umas gargalhadas.

— Então você vai deixar a gente continuar fazendo isso?

Olhei pra ele e percebi o quanto tava ansioso pela minha resposta.

— Não sei, cara. Ontem aconteceu assim e me senti bem, mas não sei se vou dar permissão de novo. Agora o corpo não tá pedindo, desculpa.

Ele concordou, soltando ao mesmo tempo todo o ar que tava preso nos pulmões.

— Tá bom, mas saiba que sempre vou estar à disposição de vocês — ele disse, e nós dois entendemos que ele continuava disponível pra foder com minha mina quantas vezes quiséssemos.

Pouco depois, me arrumei pra ir ver meu amigo Carlos. Eles ficaram na sala vendo TV e conversando. Dei um beijinho na minha mina e fui embora.

Desde que o Javier se mudou pra nossa casa, não tinha tido chance de me encontrar com o Carlos, exceto na noite que a gente terminou na balada.

Como sempre, a gente tinha combinado num pub, onde podíamos jogar umas partidas de sinuca, que nós dois éramos muito fãs desde a adolescência. Eu era até que bom, mas o filho da puta tinha desenvolvido uma técnica que até fazia alguns espectadores se aproximarem da gente. Eu não ganhava uma partida sequer.

Depois fomos jantar num chinês, onde também era costume a gente terminar nossas conversas durante a semana.

Cheguei em casa depois das onze da noite e fui direto pro quarto, porque já era hora de dormir. Mas o Javier estava no escritório dele.

— Oi Javier, tô de volta — falei.

A cara séria dele me deixou alerta na hora. Alguma coisa tinha acontecido enquanto eu não estava.

Antes que ele começasse a falar, minha namorada já vinha pelo corredor, se jogou nos meus braços na mesma hora e começou a soluçar. Parecia que a parada tinha sido bem grave.

— Diego, foi imperdoável... — disse Javier, com os cotovelos apoiados nos joelhos, o corpo inclinado e o rosto coberto pelas mãos. Ele não queria me olhar na cara, assim como minha namorada, que não se soltava do meu pescoço, chorando que nem uma madalena.

Eu devia estar nervoso, mas não tava, apesar da cena que tinha acabado de encontrar assim que cheguei. Será que eles tinham transado? Era o que parecia, e eu continuava bem tranquilo, sem me alterar. Deixei minha namorada ir se acalmando enquanto passava o braço na cintura dela, dando uns apertinhos leves contra meu quadril.

— A gente conversa numa boa na sala? — falei pra tirar os dois do transe que estavam vivendo naquele momento.

Ela não parecia querer sair dali, mas não se opôs quando peguei a mão dela pra levar comigo até o sofá. Javier sentou na poltrona da frente pela primeira vez desde que era nosso inquilino. Ela olhava pro chão sem soltar minha mão.

— O que aconteceu? — perguntei pra minha namorada, preferindo a versão dela à do Javier.

— A gente tava vendo um filme na TV e eu tava quase dormindo. Aí encostei as costas no peito do Javier, como a gente faz tantas vezes quando estamos os três... — ela começou. entrecortou e começou a soluçar de novo.

Não quis dar corda pra ela continuar, só esperei que ela fizesse isso por conta própria. Peguei um lenço da caixa que a gente sempre deixava na bandeja de baixo da mesinha de centro, e ela enxugou as lágrimas e assoou o nariz. No fim, conseguiu retomar a história.

— A gente foi se roçando e se acariciando até que demos um beijinho, depois passou pra um beijo mais longo e aí não deu mais pra parar, até que eu tirei o pau dele da calça. Ele tinha tirado minha blusa e soltado o sutiã. Foi aí que eu recuperei a lucidez, percebendo que não era certo o que a gente tava fazendo, e saí correndo pro nosso quarto. Não saí de lá até você chegar.

— E a sua versão? Tem algo a dizer? — perguntei pra ele.

— Não, Diego, a Ana já te explicou tudo nos detalhes. Tô destruído porque não sei o que teria acontecido se ela não tivesse parado. Não tenho desculpa, me desculpa.

— Agora não quero mais conversar com vocês. Melhor a gente ir dormir, e amanhã eu falo com a minha namorada. Com você, eu converso quando voltar da viagem.

Ninguém disse mais uma palavra. A gente se levantou e foi pros nossos quartos, fechando a porta nova do nosso.

— Você devia comer alguma coisa, porque não jantou, né?

— Não, mas não tô com fome.

— Por favor, vai na cozinha e prepara qualquer coisa. Se quiser, eu vou com você.

— Não, Diego, não consigo. Não me apetece comer nada agora.

Não falamos mais nada. Fui no banheiro por uns dois minutos, depois ela foi, e logo a gente se deitou pra dormir. Ela se aninhou contra mim, pegou minha mão e colocou entre as dela, mas naquela noite eu não preguei o olho, e acho que ela também não.

Quando acordamos, vimos que o Javier já tinha ido embora. O trem dele saía muito cedo.

Sempre era eu quem acordava primeiro, mas naquele dia a Ana acordou comigo, e enquanto eu me arrumava, ela fez café da manhã pra nós dois. Tava muito séria, provavelmente pensando que a gente ia comentar algo sobre o que aconteceu. Noite passada, pela primeira vez, eu tinha perdido a iniciativa e a gente só conversava pra passar a manteiga, arrumar o nó da minha gravata, enfim, o de sempre de qualquer manhã quando a gente tomava café junto.

Eu tava pensando em falar com ela à tarde, sem pressa, depois de pensar bem durante o dia, se o trabalho desse uma trégua. Então já tava quase na hora de eu ir embora.

- Até logo, amor - falei, me aproximando pra dar aquele selinho de todo dia.

Mas não consegui dar porque ela se jogou no meu pescoço, começando a chorar de novo.

- Me perdoa, meu amor, me perdoa porque você não sabe o que eu tô sofrendo desde ontem à noite. Quero morrer, céus, te traí e não mereço você, minha vida...

Porra, que enrascada eu tinha acabado de me meter. Se ela queria morrer, eu ia com ela pro céu sem dúvida nenhuma.

- Para, para, por favor, querida, não quero que você se desespere. Deixa eu pensar e a gente conversa à tarde, tá? Mas não tenho nada pra te perdoar, fui eu que te joguei nos braços do Javier, não esquece. Se acalma porque você me conhece e sabe que assim não posso ir embora se você não fizer isso.

Em segundos, ela começou a se soltar de mim, abaixando a cabeça sem conseguir me olhar nos olhos. Não deixei, peguei ela pelo queixo e forcei ela a olhar, só pra ficar destruído ao ver os olhos dela cheios de lágrimas e sofrimento.

- Sujei seu paletó - ela disse, acho que pra aliviar a tensão -, vamos pro quarto trocar por outro.

Ela pegou minha mão e, meio apressada, a gente fez a troca. Depois, ela me acompanhou de volta à entrada pra se despedir.

- Já tô bem, querido, vai trabalhar tranquilo e a gente conversa depois. Você ainda me ama? - ela perguntou, mostrando uma ansiedade enorme pela minha resposta.

- Meu amor, ainda te amo e vou te amar até morrer. O que aconteceu não vai fazer eu mudar o amor imenso que sinto por você.

- Eu te amo mais do que nunca, minha vida. Vai, vai trabalhar que Você vai chegar atrasada. Não corre, meu amor.

Aí sim a gente se deu aquele selinho de todas as manhãs e eu fui pro trabalho.

Pelo menos a gente tinha conseguido conversar um pouco. Do jeito que a gente falou, eu sabia que aquele perrengue a gente ia superar na hora. Mas será que iam vir mais perrengues no futuro? Essa era a dúvida que mais me preocupava agora.

Ainda bem que no trabalho eu não parei um minuto, a gente tava no meio de um projeto crucial pra diretoria e meu chefe de TI não parou de encher o saco, mas no bom sentido.

Cheguei em casa quase uma hora antes da minha namorada, que tinha me mandado uma mensagem avisando que ia se atrasar. Deu tempo de pedalar um pouco na bicicleta ergométrica, tomar um banho, vestir a roupa de ficar em casa e esperar ela sentado na sala enquanto me distraía no celular.

Não tinha nem cinco minutos esperando quando ouvi ela abrir a porta. Ela vinha com várias sacolas das compras que tinha feito. Largou tudo na poltrona e veio me dar um selinho. Eu já tinha me levantado e, conforme ela vinha, segurei ela pela cintura pra dar um beijo de verdade, carinhoso, como a gente chamava.

— Comprou muita coisa? — perguntei de cumprimento, olhando pras sacolas.

— É roupa pro novo trabalho que começo quinta-feira, eu tinha pouca coisa do estilo que vou precisar lá.

— Acho ótimo, amor, não se preocupa que eu fiquei entretido enquanto você chegava.

Ela foi se trocar e voltou dez minutos depois vestida como sempre, de fio dental e camiseta de verão. Sentou do meu lado, enlaçou o braço no meu e segurou minha mão.

— Você pensou no que aconteceu ontem? — me surpreendeu a ansiedade dela em entrar no assunto.

Eu, verdade seja dita, não tinha pensado muito nisso desde minhas elucubrações da manhã.

— O que você me contou foi tudo o que rolou, né? — perguntei.

— Sim, amor, não teve mais nada, te contei exatamente como aconteceu.

— Não vou tirar a importância do que aconteceu, que tem, e muita, porque se Fez isso sem que eu estivesse presente ou tivesse minha permissão, como dizem as regras, muito pelo contrário, porque neste momento as relações sexuais estão suspensas a meu pedido — falei num tom mais sério —, mas tenho que avaliar sua reação com nota máxima. Outra no seu lugar teria terminado o serviço, isso eu garanto, mas você conseguiu impor sua força de vontade sobre a atração que sente pelo Javier.

Ela não queria me olhar na cara, os olhos dela iam para qualquer canto da sala como se aqueles pontos tivessem a maior importância. Houve uma pausa longa demais que estava sufocando nós dois.

— Preciso esclarecer umas dúvidas que estão rondando minha cabeça, amor — continuei —, a primeira é se você sente algo mais do que atração sexual pelo Javier.

— Não, te juro que não, até posso te dizer que nem sinto tanta atração sexual por ele. Só que se a gente se toca, aí sim, me dá vontade. A mesma coisa que quando você me dá permissão, eu faço sem problema nenhum, quando não tenho, nem penso nisso.

— Você acha que o que aconteceu ontem pode se repetir? — perguntei sobre a segunda questão.

— Nas mesmas circunstâncias, pode acontecer, você sabe que se eu fico excitada, tenho dificuldade em parar. O importante é evitar esses aquecimentos, os roçares, carícias, beijos... no fim, manter distância, isso é o mais importante pra não repetir o de ontem.

— Ana, isso não me tranquiliza muito e você sabe. Javier mora com a gente, as oportunidades vão se multiplicar com o tempo e eu já não posso confiar na palavra dele, o desejo carnal por você supera as boas intenções dele.

— Mas é que eu não vou me deixar tocar por ele se não estiverem dadas as condições que combinamos. Nisso eu tenho muita certeza.

— Tá bom, vamos esquecer esse incidente e seguir como sempre. Vou falar com ele quando voltar, mas por enquanto, se prepare que não vai ter mais permissões.

Decidimos fazer a limpeza do sótão como fazíamos regularmente. depois a gente viu um pouco de TV, fez alguma coisa pra jantar e tava se preparando pra ir dormir quando o Javier voltou da viagem dele pra Madrid.

Ele cumprimentou a gente com mais seriedade que de costume, falou que ia se trocar pra voltar pra ficar com a gente e pouco depois nós três tava na sala, repetindo aquela história de sentar na poltrona.

— Como foi a viagem? — perguntei pra aliviar um pouco o clima pesado.

— Foi bem, melhor do que bem, consegui os objetivos que queria e já resolvi o problema com o fornecedor — ele respondeu.

— Fico feliz por você, Javier. Vejo que tem muito trampo. Se um dia precisar de uma mãozinha em alguma coisa, é só pedir.

— Pode ser que em breve eu precise de alguém pra me ajudar com as notas fiscais, pedidos, orçamentos, cê sabe, toda a papelada. Mas por enquanto eu dou conta sozinho. Se eu decidir, vou ter que conversar com vocês.

— Quando você quiser. Agora vamos pro assunto que mais preocupa nós três. Tudo bem pra você? — perguntei.

— Claro que sim — ele afirmou.

— O que aconteceu foi muito grave, Javier. Se a Ana não tivesse parado, vocês teriam ido até o fim. Não quero que você me diga que isso não vai acontecer de novo, porque você é incapaz de cumprir. Perdi a confiança em você, Javier. Você é a melhor pessoa que já conheci na vida, mas esse seu fogo te perde a ponto de não respeitar nem um dos seus melhores amigos, ou seja, eu.

— É que eu não sei o que acontece comigo, mas não consigo ficar perto da Ana sem querer tocar nela. Juro que não é nada além de um desejo carnal, já te falei várias vezes. Não tem mais nada, sério, acredita em mim, por favor. Essa semana vou ver a Claudia de novo e vou transar com ela porque acontece a mesma coisa, sinto uma atração sexual enorme por ela, também já te falei isso alguma vez, mas também não tô apaixonado por ela, nem quero que ela seja minha namorada, nem morar junto, nem nada do tipo, entende? — ele se defendia, mostrando bastante convicção no que dizia. O que é sagrado pra vocês é sagrado pra mim, e fico muito feliz vendo o quanto vocês se amam. É que vocês são tipo minha única família, porra!

Fez uma pausa, que eu cortei de novo.

- Então me diz qual é a solução, considerando que nem eu nem minha namorada queremos que vocês voltem a transar se um de nós não quiser, e eu, agora, não quero.

- A solução é não ficarmos mais juntos quando estivermos sozinhos em casa. Vamos ter que manter distância física. Não vejo outra saída, Diego.

Virei o rosto pra olhar nos olhos da minha namorada. Os dois tinham me dado a mesma resposta. Se se tocassem, iam perder a cabeça, iam se esquecer de mim e iam começar a foder que nem coelhos. Ela sustentou meu olhar, como se confirmasse todos os meus pensamentos.

- Acho que isso escapou do nosso controle, principalmente o meu, claro, fui eu que comecei tudo isso sem ver até onde podia chegar. Me sinto mais culpado que vocês e, pra ser sincero, não sei o que fazer, nem o que dizer.

- Não fala isso, Diego, a solução é bem simples. Quando estivermos sozinhos, vamos ficar longe um do outro e não vai rolar nada entre a gente. Você concorda? - perguntou pra minha namorada.

- Javier, eu tô disposta a acabar com isso de uma vez, assim não vai ter mais conflito. Eu amo meu namorado, não consigo nem imaginar colocar nosso relacionamento em risco por uma transa casual que eu me arrependeria pro resto da vida. Não vai ter mais aproximação nem mais sexo entre a gente.

- Bom, mas se o Diego der permissão, a gente pode fazer, né? - ele se virou pra mim.

- Não sei se isso vai acontecer, mas já te falei que com o consentimento dos três, não tem que ter problema se eu compartilhar ou não. Você concorda? - agora eu buscava a resposta da minha mina.

- Sim, se for assim, por que não?

A conversa tinha terminado sem que eu ficasse totalmente tranquilo, mas era a melhor solução pro que a gente tinha levantado naquela noite.

- Você jantou? - perguntou a Ana. Se quiser, te ajudo a preparar alguma coisa. — Comi um lanche no trem, mas se me ajudar, agradeço.

Os dois foram pra cozinha e eu fiquei na sala vendo as redes sociais dos amigos. Eles conversavam na cozinha, mas falavam bem baixinho e eu não entendia nada. Era bom que dissessem o que precisassem pra eles também se acertarem. Depois de um tempo, os dois voltaram pra sala mais relaxados. Numa bandeja, ele trouxe uma canja de galinha e um cachorro-quente. Tava claro que ele tava com fome.

— A gente tava comentando o problema na cozinha — me disse minha namorada —, e prometemos que isso não vai se repetir. Se não tivermos sua permissão, não rola nada.

— Tá bom, agora é só cumprir essa promessa. Dou o problema por encerrado. Fez-se um novo silêncio enquanto ele tomava a canja sem levantar a cara do prato. Quando terminou, ergueu o rosto e, com os olhos brilhando, pediu pra gente se abraçar.

Nós três nos levantamos pra nos abraçar bem forte por quase um minuto. Depois, esperamos ele terminar a janta e fomos dormir. Amanhã seria outro dia.

Na quarta-feira à tarde, a médica da Ana deu os resultados dos exames. Quando cheguei em casa, encontrei ela no quarto se trocando, porque tinha chegado quase ao mesmo tempo que eu. Então sentei ela do meu lado na beira da cama pra ela me contar como tinha sido a consulta.

— Como a médica já previa, todos os exames deram normal, tudo certo. Ela não receitou nem um comprimido. Só falou que, se em algum momento eu sentir que pode repetir, pra tentar relaxar, não focar no que vai vir em poucos instantes.

— Então é pra pensar numa campanha antes do orgasmo chegar — falei dando uma gargalhada.

— Pois é, o problema é que você é muito bruto pra falar as coisas.

Deitei sobre ela, e ficamos os dois abraçados na cama com as pernas no chão. Ficamos assim por um bom tempo, mas eu via como ela fez bico e eu quis cortar isso. Era um momento de alegria e eu queria que ela se animasse com outras coisas.

—Vamos, bora nos preparar pra ir pro salão com esse putão.

—Cacete, você é um baita caso...

0 comentários - Javier nos ayuda (Capítulo 33)