Agustina passou quase toda a vida na pequena vila de Villa Acacia, um lugar tranquilo e agradável, longe das grandes cidades. Sempre numa vida calma, discreta e até numa monotonia cinzenta, típica de um povoado que não tinha muito a oferecer, quase parecia um mundo distante no tempo, de outra época. Dias tranquilos, sem pressa, sem grandes problemas, estresse era uma palavra que não se ouvia, e quase todo mundo parecia viver a vida em câmera lenta. Uma mulher de coração nobre, tinha estudado e se formado em tradução de inglês, ganhava uns trocados dando aulas particulares de idioma. Agustina tinha um complexo terrível com o corpo, desde pequena era das mais altas e corpulentas da turma, quando adulta passou do metro e noventa, seus peitões e quadris largos não passavam despercebidos, ela se achava bruta e até pouco feminina. Ficava angustiada por se sentir olhada de forma diferente, dava para dizer que suas curvas eram até intimidantes para muitos caras, e ela só escolhia como opção aqueles mais altos que ela, e por lógica, não era fácil achar. Casou-se jovem com quem muitos diziam ser o único homem da vida dela, logo foi mãe de uma menina e a vida pareceu se encaminhar, mas o paraíso não durou muito. Tinha pouco mais de trinta quando ficou viúva de repente, e apesar de ser muito nova, nunca mais procurou um novo amor, porque ela continuou apaixonada por aquele homem que o destino tinha arrancado dela sem pedir licença. E a sexualidade dela pareceu murchar de uma vez, não tinha tempo pra isso, carregou a mochila de ser mãe e pai ao mesmo tempo, obrigações demais, pressão demais, peso demais que a sufocava. E os anos passaram, a longa cabeleira preta começou a ser invadida pelos fios prateados da idade, ela estava chegando aos cinquenta quando a filha formou a própria família, e então o lar de toda a vida pareceu maior e mais solitária do que nunca. Foi quando percebeu que tinha passado tempo demais vivendo para os outros, não se sentia mais importante, não se sentia mais necessitada e, naquela vida que passava rápido demais, ou se entregava ao abandono ou se reinventava, vivendo para si mesma, se dando uma segunda chance? E essa segunda chance apareceria? Não teve muitos problemas em conseguir um emprego como professora de inglês num instituto de prestígio na cidade grande, sempre quis conhecer a cidade grande, e não hesitou em aceitar a proposta, preparou sua bolsa de mão com uma bagagem de ilusões e, virando a página, apostou numa nova vida. Aquela mole de concreto foi um mundo novo para ela, o Instituto também, estar todos os dias com uns quarenta adolescentes quase adultos era muito diferente das aulas particulares que tinha dado a vida inteira na sua pequena cidade natal. Os cinquenta e dois anos marcariam uma mudança na sua vida, ela estava irritada e deprimida, sua menstruação começava a ir embora, seus hormônios mudavam dia após dia, se sentia angustiada, se sentia menos mulher? Foi quando Rodrigo apareceu na sua vida, na hora certa, mais um entre tantos alunos, mas seria alguém que a marcaria para sempre. À primeira vista, Rodrigo pareceu um bombom de chocolate, um loiro de cachos grandes, alto como ela, forte, daqueles caras de academia, de olhos doces e cativantes e sorriso apaixonante, sua beleza se destacava entre os outros garotos, e era evidente como as colegas de turma se derretiam por ele. No começo, foi só mais um aluno, mas Agustina notava, aula após aula, como Rodrigo a olhava de um jeito diferente, sentia que ele a despia com o olhar, que a via como mulher e não como professora. Ele costumava se sentar nas primeiras filas, e isso só conseguia deixar Agustina nervosa, quando ela cruzava o olhar com o do jovem, sentia um arrepio por todo o corpo e as fantasias inundavam sua mente, ela precisava se esforçar para se concentrar de novo. nos pensamentos dela como professora. Dia após dia as coisas mudavam, Rodrigo sempre se deslocava de bicicleta, e ela procurava encontrá-lo com o olhar nesses momentos, quando ele chegava, quando ele ia embora, seu corpo musculoso e bronzeado, a sagacidade da juventude, o jeito viril dos seus movimentos, ela não conseguia se controlar, sentia naqueles instantes como se mil borboletas passeassem pela sua barriga. Rodrigo seria quem daria o primeiro passo, o que só confirmaria que o que Agustina pensava não estava só na cabeça dela, mas era um sentimento mútuo. Naquele dia, ao revisar suas coisas em cima da mesa, encontrou uma caixinha que não era dela, surpresa, discretamente para a turma não perceber nada, observou os detalhes dela escondendo-a debaixo da bolsa, um pequeno cartão dizia "Para a professora mais gostosa, do seu admirador secreto". Ela teve que segurar o riso pelo brega e antiquado que achou a situação, mas ergueu o olhar para ver diretamente Rodrigo, como suspeitava o jovem estava com o olhar fixo nela, e mexia nervosamente as pernas debaixo da carteira como se estivesse tocando os bumbos de uma bateria. Agustina respirou fundo, se reajustou no tempo e no espaço, e continuou a aula naturalmente. Ao final dela, e depois de se despedir de todos os alunos, pediu para Rodrigo ficar uns minutos. Não tinha mais ninguém na sala, só o jovem loiro e a professora veterana, sentaram-se um de cada lado da mesa, como se fosse uma prova, então, ela, seja pela idade, ou por ser a professora: "Rodrigo, muito obrigada pelo presente, mas a que se deve?" "Presente? A que a senhora se refere?" Ele respondeu meio nervoso, estalando os dedos, Agustina ainda achava a história toda brega, então pegou a caixinha, abriu e se surpreendeu com uns bombons deliciosos, então pegou um, cheirou e levou à boca, saboreou e disse: "Hum! Deliciosos! mas sabe de uma coisa? Você vai me fazer engordar com isso? Engordar? A senhora está esplêndida! A senhora é perfeita! Não mente, sou velha, estou gorda? Sério, professora, a senhora é a mulher mais gostosa que eu já vi na vida? Agustina tinha uma mistura de sentimentos, aquelas bajulações a encantavam, mas ele era só seu aluno, e ela decidiu que politicamente não era correto continuar aquela conversa naquele lugar, então tentou dar um corte drástico na situação, mas a proposta meio infantil do aluno arrancou dela um sorriso inesperado. Te convido amanhã pra tomar um sorvete! Ela pensou e respondeu Melhor a gente tomar um café, né? na cafeteria do Seu Júlio, que fica a umas quadras daqui, você conhece? Ele concordou com um sorriso, como se tivesse ganhado na loteria, e foi embora satisfeito. Naquela noite, Agustina, sem querer, teve sonhos eróticos com aquele jovem, acordou de repente agitada, suada e confusa, que diabos estava acontecendo com ela? O dia seguinte foi um inferno, naquele dia ela não teria aula com a turma do Rodrigo, mas a imagem dele estava presente a cada segundo, em cada suspiro, em cada palavra. Ao entardecer, a professora foi correndo pro encontro no bar, fez questão de chegar primeiro pra escolher um lugar o mais escondido possível, não queria ter que dar explicação pra nenhum curioso de plantão que pudesse vê-los. Mas Rodrigo não pensava da mesma forma, quando ela o viu entrar com um baita buquê de rosas vermelhas na mão, sentiu o corpo pegar fogo por dentro, quis que a terra a engolisse naquele momento, será que esse garoto era um amante à moda antiga? ou ele não se ligava no que tava rolando? Ele chegou na mesa e entregou as flores, Agustina sorriu nervosa, deixou elas de lado e enquanto ele se sentava, reclamou na grosseria Que diabos você pensa que tá fazendo? É um presente pra você, muitas flores pra mais linda das flores? Agustina se sentia lisonjeada pelo jeito que ele a tratava, mais próprio de um cinquentão do que de um adolescente, mas percebia Com nervosismo, vendo que seu aluno pulava barreiras e ela não sabia como pará-lo, percebeu que ele tinha a tratado por "você" pela primeira vez, quebrando o muro professora-aluno que os separava. Então, ela tentou ser franca com ele: "Rodrigo, olha... quero ser honesta contigo. Você é um jovem lindo, másculo, encantador. Poderia te encher de elogios, mas... o que você quer comigo? Quantos anos você tem?" "Vinte e um, mas em dois meses faço vinte e dois!" Ela achou graça do jeito que ele disse, e continuou: "Olha, o que essa velha pode te dar? Sabe quantos anos tem minha filha? Quase trinta. A qualquer momento vou ser avó... até ela já é velha pra você, saca?" Rodrigo então segurou as mãos de Agustina, que estavam sobre a mesa do bar, olhou nos olhos dela como ninguém nunca tinha olhado, e disse: "Agustina, eu não ligo pra idade. Não me interessam as garotas da minha idade. São ocas, vazias, sem projetos, problemáticas, histéricas... não, isso não é o que eu procuro. Sempre gostei de mulheres milf, mais velhas, que já viveram a vida e sabem o que querem. Eu te amo desde o momento em que te vi, e não consigo evitar. Me entende?" A professora tirou as mãos com força, meio assustada, meio surpresa, porque todas as palavras dele a lisonjeavam demais, mas ela não podia aceitar dar um passo adiante, mesmo sentindo todos os seus alicerces abalados, mesmo sentindo um ardor em toda a sua sexualidade que há anos não sentia — porque, no fim das contas, Rodrigo fazia ela se sentir viva. Ela mediu cada palavra e respondeu: "Mas... e o que vão dizer nossos conhecidos, seus pais, seus colegas, meus colegas? Nem consigo imaginar o que minha filha diria..." "Agus, posso te chamar de Agus? Não vamos pensar, não vamos explicar. Vamos só viver essa loucura. Só você, só eu..." Agustina preferiu dar tempo ao tempo. Prometeu pensar e não dar passos em falso. Naquele dia, se despediu de Rodrigo sem fechar a conversa, sem um sim, sem um não. Chegou em casa, Era tarde. Encheu um vaso com água e arrumou cuidadosamente as rosas vermelhas, saboreou o doce aroma delas, depois pegou a caixa de bombons e sentou-se para meditar. Um por um, sem o menor remorso, foi comendo os quase vinte bombons que ainda restavam. Parecia perdida, com o olhar fixo nas flores que decoravam sua casa. Já não lembrava mais o que podia sentir diante daqueles presentes. Suspirava, dando grandes baforadas de ar. Sentiu o calor de mulher que se escondia dentro dela. Teve vontade de se tocar, quase nem lembrava como fazer. E muito menos lembrava como era gostoso aquilo. Acariciou o pescoço, serenamente, como imaginou que Rodrigo faria. Relaxou. Ainda tinha na boca gosto de chocolate e licor. Passou a língua pelos lábios, estavam secos. Fechou os olhos, conseguiu sentir os bicos dos peitos duros por baixo do sutiã. Levou as pontas dos dedos ao começo dos seus peitões grandes, e escondeu uma das mãos entre a camiseta e o sutiã. Acariciou por cima do tecido os bicos dos peitos, que estavam duros e quentes. Relaxou ainda mais na cadeira, reclinou a cabeça para trás, a longa cabeleira ficou pendurada. Começou a soltar o ar com força pelas narinas. Abriu as pernas, a saia estava suficientemente levantada. Precisava chegar na buceta. Notou então que as meias de nylon que iam até a cintura iam atrapalhar, mas não foi obstáculo para o seu tesão. Começou a esfregar o clitóris, por cima das meias, por cima da calcinha. Mordeu os lábios. Um orgasmo a abraçou de repente. Fazia anos que não tinha um. Uma lágrima escorreu pela bochecha. Agustina não estava morta em vida. Agustina era uma mulher? CONTINUA
5 comentários - A professora de inglês parte 1