Voltei, depois de tanto tempo! Essa história é fictícia.
Carlos Carreira não teve uma vida fácil. Aos 19 anos, já tinha enfrentado dores muito fortes, principalmente nos últimos tempos. Há 3 anos, seus pais morreram em um confuso acidente de trânsito em Entre Ríos. Eles também não tinham família, eram filhos únicos e seus pais faleceram antes dele nascer. O único lugar disponível para Charly, como era chamado pelos próximos, era a casa do amigo Federico. Compreendendo as circunstâncias trágicas, não hesitou em aceitar, nem ele nem a mãe Adriana, que o amava como se fosse um segundo filho. Ambos os garotos eram bons: se comportavam bem, eram tranquilos e estudiosos. Na verdade, tiveram médias excelentes ao terminar o ensino médio. No que não eram tão bons era no love: Federico era um pouco “banana” e tinha namoricos esporádicos com algumas colegas; Charly, por outro lado, continuava casto e puro, sem nem ter beijado uma garota. Ser rejeitado o afetava muito, até que um dia ele disse pra si mesmo “não preciso ficar correndo atrás de ninguém”. Dessa decisão drástica já tinham se passado 4 anos. Apesar das aulas na faculdade já terem começado, Adriana sugeriu que ele visitasse um psicólogo para se “soltar” um pouco mais, já que naquele ambiente ele conheceria uma variedade de pessoas, e precisava estar preparado para esses novos desafios. “Te recomendo uma amiga minha; ela é muito boa e é infalível! Se quiser, posso te arrumar uma consulta para a semana que vem”, continuou Adriana, enquanto Charly abria um sorriso de orelha a orelha. Ele concordou com a cabeça.
Quinta-feira, 20 de abril. O relógio marcava 17 horas. Charly esperava sentado no consultório, enquanto lia “Los árboles mueren de pie” em papel. Já tinha pago a consulta pra secretária, que estava distraída mexendo no celular. De repente, uma porta lateral se abre, e de lá sai uma garota, muito jovem, acompanhada pela mãe. Ambas estavam sorrindo. Atrás dela... Estava a mulher que mudaria sua vida para sempre: a doutora Soledad Martel, psicóloga especialista em adolescentes e jovens, como dizia a plaquinha colada na porta. Uma mulher absolutamente deslumbrante, inteligente, formada com honras pela universidade; cativante, quase indescritível para o que os olhos inocentes de Charly conseguiam perceber. Ele ficou bem distraído naquele primeiro contato com a doutora, mas voltou a pisar no chão quando ela o convidou para entrar.
— Me conta: por que você está aqui hoje? — perguntou ela, com seu sorriso lindo, enquanto mexia levemente os cabelos castanhos.
— Vim porque preciso de uma mudança radical na minha vida — respondeu o jovem, de cabeça baixa.
— O que você quer dizer com radical?
— Sinto que não sou feliz: tenho a autoestima lá embaixo e quero aproveitar a vida — ele se abriu, com algumas lágrimas nos olhos.
— Acho perfeito! Isso é o importante: tomar a decisão de querer melhorar. Quer um pouco de água?
Ele concordou e pegou o copo com as mãos meio trêmulas. Uma presença daquelas na frente dele o tinha deixado nocauteado.
— Por que assunto você gostaria de começar? — perguntou Soledad, enquanto pegava um caderninho e uma caneta. Charly, por sua vez, limpava o rosto com um lenço.
Decidido de vez a melhorar, ele falou sobre os anos em que foi alvo de piadas e humilhações, em que chegava todo dia chorando em casa porque os colegas o zuavam. Por motivos óbvios, não quis comentar o que rolou com os pais porque teria se quebrado demais e precisava seguir em frente. Com tudo isso, a primeira hora voou. Quando deu 6 horas, ele agradeceu à mulher por ter ouvido ele e a cumprimentou timidamente com um beijo na bochecha. No caminho de volta pra casa, continuava bobão: nunca tinha sentido isso nem com uma garota da escola dele. Por que ele tinha olhos pra uma pessoa que poderia ser mãe dele? Concluiu que tudo devia ficar no campo de uma Fantasiazinha simples. O problema é que a cara de felicidade dele tava muito na cara, e a Adriana percebeu na hora que ele chegou. Ela desconfiou que era por causa da visita dela, mas não quis entrar em detalhes. Quem ouviu tudo, pela confiança que tinha, foi o Federico.
"E aí, a psicóloga? Curtiu?", perguntou Federico, já querendo zoar ele.
"Sim, acho que me apaixonei", respondeu ele, ainda meio grogue.
"Não acredito em nada. Você não tá apaixonado, tá é de pau duro!", rebateu Federico. "Além disso, a mina é uma gostosa; inclusive, uns anos atrás ela foi com a gente pra praia no Brasil, e tava de biquíni na areia, de boa na dela", continuou.
"Tá me zoando?"
"Zoa nada, olha só!", seguiu Federico com o celular na mão, onde mostrava a Soledad usando um biquíni branco lindo que destacava as curvas dela.
"Que porra vocês tão fazendo a essa hora?", gritou Adriana, cortando a conversa. "Amanhã vocês têm que acordar cedo, que faculdade não é brincadeira".
"Tava só conversando", responderam os dois garotos em coro.
"Sobre o quê?"
"Sobre buceta", se adiantou Federico, enquanto Charly ficava vermelho de vergonha.
"Sobre buceta?" fez uma pausa Adriana. "Durmam, pelo amor de Deus, que às 6:30 eu chamo. Boa noite", finalizou, dando um leve tapa na porta.
"Vou te matar! Você é maluco?", Charly explodiu.
"Não se ofende, idiota, relaxa aí. Não é tão grave", dizia Federico entre gargalhadas.
"Pelo menos podia ter falado que a gente tava falando de nanotecnologia, né?"
"Fica tranquilo que ela não ia acreditar nessa merda!"
Charly acabou dormindo sem perceber. O inconsciente dele pregou uma peça bem suja. Naquela noite, ele teve um sonho erótico muito intenso que causou uma culpa danada e muito prazer. A psicóloga dele tava montando nele, pelada, gritando o nome dele e segurando ele forte pelo peito; enquanto ele, com toda a inexperiência exposta, tentava aproveitar, mesmo se horrorizando com as imagens que a sexualidade reprimida dele produzia. Quando chegou Ao orgasmo, ele acordou com os lençóis sujos de esperma. Pensou por que essas coisas tinham que acontecer com ele, ainda mais quando não se considerava um ser sexual. Mal se masturbava duas vezes por dia, mas isso não parecia significar muito pra ele. Correu pro banheiro pra tomar um banho: tinha suado durante o sono e pequenas gotas de sêmen ainda escorriam pela virilha. Se esfregou com sabão até remover todos aqueles fluidos do corpo. Pegou uma toalha e se secou. Eram 6 da manhã. Não faltava muito pra hora "oficial" de acordar, então ficou de pé, preparou um café e ligou a TV assim que terminou de se vestir. Antes das 8, os dois caras já estavam entrando nas respectivas aulas na universidade. Chegaram bem pontuais porque a Adriana levava eles todos os dias de carro. O Charly ficou disperso na aula por causa daquele sonho quente, e só levantou a cabeça da carteira quando a professora chamou a lista. Na verdade, quase dormiu e um colega acordou ele bem discretamente pra ele não passar vergonha. Esse tropeço durou um dia. Nos dias seguintes, ele retomou a participação ativa, levantando a mão com frequência e entregando alguns trabalhos práticos. Quanto às outras sessões com a psicóloga, continuaram normalmente, onde ele foi revelando as pequenas coisas que o afligiam, sem chorar e conseguindo manter o olhar, o que era uma conquista importante, destacada pela própria doutora. O que chamou a atenção do jovem é que a roupa dela estava um pouco mais ousada: saias curtas, camisas desabotoadas e óculos bem sensuais que realçavam os olhos verdes dela, mas não passou disso.
Duas semanas depois, no dia 5 de maio, em outro ponto da cidade de San Justo, enquanto Charly e Federico estavam na aula, Adriana foi visitar uma "velha amiga". Pelo menos foi o que disse pra eles, mas o que não revelou é que essa "velha amiga" era a Soledad, e que as eles tinham sido muito felizes num tempo passado, uns 20 anos atrás, quando eram uma espécie de "casal liberal" que se juntava pra transar, embora ambas tivessem namorados e estivessem comprometidas com eles. Um dos pontos da conversa era a atração que Soledad sentia por garotões "inocentes", dos quais já tinha adicionado dois ao seu currículo. Por trás do rostinho angelical dessa psicóloga, se escondia uma bomba sexual que podia explodir a qualquer momento.
"Ô, desses dois moleques eu tirei um baita proveito, véia!", se gabava Soledad, em voz baixa, com uma xícara de café na mão, se referindo aos dois amigos do filho dela, Sebastián, que ela descabaçou no ano passado. "Chegou uns boatos pra mim que eles não param de rebolar a chancleta", continuou comentando, entre risadas.
"Pois é", interrompeu Adriana, tentando segurar o riso, mas fingindo seriedade, "quando é que você vai parar de arrastar esses caras pro caminho da perdição?"
"Desculpa, mas eles escolheram se perder. Não tem devolução, querida."
"Não seja assim", disse Adriana, antes de explodir. "Acho isso tão estranho. Você tem que dar uma segurada nisso. Você é uma pessoa adulta, e se dedica a ajudar, não a fuder com os outros!", questionou.
"Desculpa por ser tão liberal, gata, mas é assim que eu me divirto. Não tenho que ficar dando satisfação pra ninguém. Além disso, você sabe como eu sou", finalizou a psicóloga. "E aí, como tá a festa à fantasia?"
"Vai ficar muito bonita, espero. Mas ainda faltam duas semanas: é sábado, dia 20. Você vai vir?"
"Claro. Tô morrendo de vontade de encontrar um pouco de carne fresca", rematou Soledad, com um sorriso lascivo. "Os meninos vão estar lá ou é só pra adultos?"
"É pra maiores de 18, então eles vão estar lá, me dando uma força". Um silêncio cai, enquanto ambas tomam os últimos goles de café.
"Que meninos lindos que eles são! Cresceram tão rápido. Ainda lembro quando o Federico nasceu: sinto que foi ontem."
"Você não vai querer... Meter com o meu guri, né, sua desgraçada? Olha que ele ainda é virgem, hein!, e a candidata quem vai aprovar sou eu", disse Adriana, entre risadas, mas deixando escapar um dos seus princípios mais secretos.
"Teu gato é bonito. É igual a você", comentou Soledad, "mas tô morrendo de vontade do outro garoto, meu novo paciente. Daquele eu tenho uma puta vontade..."
"Não seja sacana, o Charly é muito tímido e precisa de muito amor. Te peço por favor que seja cuidadosa. Olha que nenhum dos dois sabe se cuidar!"
"Mas isso não deviam ter ensinado na escola?"
"Sim, mas parece que pularam essa parte", enfatizou. "Olha, tenho que ir ao cartório, e devo voltar pro meio-dia. Depois a gente continua conversando", se despediu.
"Tchau, até mais", disse Soledad. As duas saíram uma atrás da outra depois de pagar seus respectivos cafés e subiram nos seus carros. O relógio marcava 8:50 naquela manhã de sexta-feira. Estava ensolarado e o fim de semana ia ser ainda melhor; pelo menos todo mundo achava isso até aquele momento.
Sábado, 11 da manhã. Federico vinha arrastando um par de caixas do sótão. Semanas antes, Charly tava enchendo o saco dele por uns VHS velhos que queria ver, mas não tinha coragem de subir sozinho. As fitas não tinham nada de interessante: só uma dezena de programas velhos e noticiários de TV de 1995, 1997 e 1998, gravados dos canais da capital, mas que pra esse adolescente ingênuo era como ganhar na loteria.
"Olha o que achei!" gritava Federico, que usava umas luvas brancas pra não danificar as fitas.
"Quantas fitas! Não quer que eu te dê uma mão?"
"Não precisa, obrigado. Limpei e revisei: têm tudo que você precisava. Agora só falta você arrumar um jeito de capturar e subir pra internet", dizia Federico enquanto tirava as luvas e batia elas na parede pra tirar o pó.
"Mesmo assim, isso é a longo prazo, não agora", respondia Charly, fascinado, lendo alguns dos títulos. Grudados nas etiquetas. Pra sempre Mulherzinhas, Nuevediario, Videomatch, A aventura do homem, jogos da França 1998, entre outros, eram algumas das coisas que tinham sido gravadas, vai saber por que motivo.
"Sabia que mais achei? Álbuns de foto pra todo lado, a maioria é de quando éramos crianças. Mas esse aqui guardei pra você", continuava Federico, tentando prender a atenção dele com imagens adoráveis. Charly continuava ali, feliz que nem um bicho, rebobinando e avançando as fitas, tentando achar algo do interesse dele, e era bem na hora que ele achou que ninguém mais ia encher o saco. Federico, ansioso, afastou aquelas imagens fofinhas pra dizer, sem usar a palavra, a mais pura verdade.
"Tá reconhecendo essa gostosa?", perguntou ele, enquanto tentava descobrir quem era aquela jovem linda de olhos grandes, nariz e lábios pequenos, que mal vestia uma camisola transparente, deixando os bicos dos peitos à mostra.
"Sei lá, mas por que ela tá com tão pouca roupa?", se espantou Charly, enquanto virava as páginas daquele álbum de fotos preto e branco de 1995, e via que em cada página a mina tava com menos roupa, até ficar pelada e exposta, levando as mãos na buceta, enquanto se satisfazia na frente da câmera.
"Essas fotos foram tiradas pela mamãe quando ela estudava fotografia e era assistente de uma aula de arte num instituto", respondeu Federico, antes de soltar a verdade nua e crua.
"São fotos muito bonitas, apesar de serem explícitas demais pro meu gosto", garantiu Charly.
"Idiota, usa a cabeça um minuto! Essa mina é a Soledad, sua psicóloga. Não percebeu?"
"Não é ela, parece", devolveu o negador.
"É ela, a mamãe me contou. Ou não era isso que você queria?"
"Sei lá", disse Charly antes de ficar calado. Depois disso, se trancou no banheiro pra chorar. Se acalmou rápido, mas o que mais pesava na consciência era o que ele sentia, principalmente quando em poucos dias mais a encontraria de novo. Como encararia olhar nos olhos dela sem esquecer aquelas imagens eróticas, sem querer colocar as mãos no corpo nu dela enquanto tenta beijá-la? Isso não seria uma tarefa fácil.
Quinta-feira, 11 de maio. "Era hora de ter coragem e entrar por aquela porta pra encarar meu destino", pensava Charly na mente enquanto se sentava no escritório da Soledad. As roupas dela estavam bem mais largas que o normal. A blusa branca dela era semitransparente e dava pra ver, com uma certa posição da luz do sol, que ela não tava usando sutiã. A saia preta dela ia até os joelhos e ela tava usando sapatos pretos de salto alto que faziam barulho. Assim que ele sentou na cadeira, ela sugeriu que talvez devessem ir pro divã, pra ficar mais confortáveis. Era estranho: fazia pouco tempo que se conheciam e nunca tinham feito a sessão naquele lugar que já tinha saído de moda. Charly se deitou no divã e colocou um travesseiro na nuca pra não machucar as costas. O tema que Soledad escolheu pra discutir hoje era o da intimidade… que coincidência, né?
"É estranho que hoje você queira que a gente fale sobre isso, mas isso também me permite visualizar como é seu comportamento social, Charly", sermoneia a psicóloga, enquanto cruza as pernas e mal deixa ver que tava de calcinha. Charly tenta ignorar esses "sinais" e responde o que foi perguntado.
"Eu nunca saí com uma garota"
"Nunca?"
"Nunca. É estranho eu contar essas coisas pra outra pessoa que não sejam meus amigos, Soledad", ele disse, meio envergonhado.
"Você não precisa se sentir mal por isso. Nem todo mundo começa do mesmo jeito nem no mesmo momento"
"Eu entendo, mas hoje em dia a gente se sente estranho quando não faz as mesmas coisas que os outros. Na verdade, é uma sensação que tenho a vida inteira".
"Olha, todos nós fazemos coisas que todo mundo faz, mas cada um de nós faz coisas que os outros não fazem. Isso é o que nos torna diferentes, e é bom. Não dá importância pra isso".
"Tá bom"
"A A licenciada ficou anotando um monte", pensava o garoto. Era verdade, mas ela estava escrevendo outra coisa: seu diário íntimo, que conseguia disfarçar bem de caderneta, onde detalhava tudo o que queria fazer com ele na cama, que ia ensinar com paciência, quando fosse possível.
"Mesmo nunca tendo saído com uma garota, você lembra do seu primeiro beijo?"
"Não."
"Por que não lembra? Foi uma experiência ruim?" perguntou ela, com um sorrisinho quase malvado. Ele estava meio assustado e gaguejava, principalmente quando percebeu que os mamilos dela estavam aparecendo um pouco mais pela blusa. Os peitinhos dela eram lindos demais.
"Ainda não dei meu primeiro beijo", respondeu ele, com um sentimento estranho no estômago. Tava com uma pequena ereção na calça que, por sorte, não aparecia muito, e isso o preocupava. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos até que ela levantou a cabeça e viu que eram 6 horas.
"Desculpa, Charly, mas o tempo acabou. Semana que vem a gente continua, tá?"
"Sim, sem problema", respondeu ele, meio tonto.
"Você não precisa ter vergonha de ser quem é", disse ela, dando um beijo perto dos lábios dele. "Te vejo quinta-feira", finalizou, sorrindo e acenando antes de fechar a porta. Ele foi embora sorrindo e pensando enquanto caminhava os 15 quarteirões que separavam o consultório de casa. Precisava falar com Federico pra pedir um conselho. Tinha algo que não batia.
"Ela me deu um beijo quase na boca, mano, e tô me sentindo meio tonto. O que pode estar rolando comigo?" ele se perguntou, enquanto falava com Federico, que ouvia atrás da cortina do banheiro.
"Pode ser que você esteja fantasiando demais, moleque. Talvez a parada do beijo foi coisa da sua cabeça, mas a da calcinha é chamativa. Quem sabe você não tá afim dela, sei lá...", sugeriu Federico enquanto Charly pedia pra ele passar o sabonete.
"Eu, afim de uma coroa de quarenta? Cê tá Seguro?"
"Tudo pode acontecer nessa vida, cara. Tem muito moleque que perde a virgindade com coroas, então não devia perder essa chance se pintar."
"O que eu faço agora?"
"Faz de conta que não sente nada, mesmo que esteja prestes a explodir. Além disso, você é ligado e nunca ia se passar com alguém."
"É verdade. Agora passa as toalhas que a Adriana esqueceu de colocar aqui", disse ele a Federico entre gargalhadas. Eram oito e meia da noite e iam jantar pizza caseira. Durante a comida, Adriana perguntou sobre "a festa mais famosa do bairro", como já tinham apelidado aquela reuniãozinha que preparavam para a semana seguinte.
"Já têm suas fantasias ou tenho que ir com vocês alugar?"
"Amanhã mesmo vou ver os paletós, ver quanto custam", disse Charly, enquanto o queijo escorria entre os dentes de Federico.
"De que você vai se fantasiar?"
"De garçom. Vou servir a comida."
"Que originalidade! Tudo pra não gastar um centavo, hein!"
"E você, Adriana?", perguntou Federico, que às vezes desafiava a própria mãe chamando-a pelo nome.
"Da Mulher-Maravilha. Ainda tenho o corpo pra caber nessa roupa", respondeu ela, enquanto eles batiam na mesa e riam.
"Vou dar um chinelo na cabeça de vocês dois! Não sejam malvados!"
"Eu vou me fantasiar de Pablo Mármore", comentou Federico, enquanto Charly continuava rindo.
"Vocês percebem que são sempre as mesmas fantasias? Agora é torcer pra ninguém vestir a mesma coisa ou vão ferrar com a nossa vida", comentou Adriana. "Hoje falei com a Soledad e ela confirmou que já tem o vestido de vampira pronto", completou.
"Soledad? Pensei que ela não ia vir...", disse Charly, enquanto Federico piscava o olho e dava cotoveladas leves.
"Ela vai sim. É minha amiga e vai nos acompanhar. Se comportem, por favor, eu peço", sugeriu a senhora. Ambos concordaram e levantaram a mesa enquanto tentavam não se distrair com um filme na televisão.
"De vampira? Que Fantasia mais doida!", comentou Charly baixinho pro Federico, pra Adriana não ouvir.
"Sabia que ia te interessar, safado", respondeu o outro, rindo.
"Preciso me acalmar e esquecer ela. Isso vai passar. Agora vou escovar os dentes e dormir, que amanhã é outro dia."
A contagem regressiva pra festa tinha começado. Assim que as aulas acabaram às 6 da tarde, Adriana foi buscar o Charly e levou ele pra provar o terno e a gravata, que por sorte ficaram bem. Acertaram com o vendedor que em uma semana iam retirar e pagar. Agora só faltava esperar se na quinta o moleque ia ser virado ou não. Ela tentava não alimentar a mente com "pensamentos sujos" e focar nas responsabilidades da escola, mas às vezes era impossível.
Quinta-feira, 18 de maio. Seria a antesala do desastre, da loucura, da paixão? Ou só mais um dia qualquer na vida desses indivíduos?
O relógio marca 17h. A Soledad tá vestida bem parecido com a última vez, mas com delineador que realça os olhos e um batom avermelhado que destaca os lábios carnudos. Charly entra no consultório com o pau duro, escondido na calça jeans, depois que aquelas imagens bateram na cabeça dele. Vai direto pro divã, sem perguntar pra psicóloga se devia sentar ali ou na escrivaninha. Então ela já se adianta: vão continuar com o assunto íntimo hoje, mas até onde vão chegar, nem eles sabem.
"Você se masturba, Charly? Desculpa a pergunta. Talvez seja íntima demais, mas na sua idade é super normal", ela se justifica, curtindo o desconforto dele, que começa a tremer e gaguejar um pouco.
"Por que a pergunta?", ele tenta responder.
"Porque é algo que os garotos da sua idade fazem o tempo todo, e não tem nada de errado. Aliás, já peguei meu filho fazendo isso e nunca castiguei ele por causa disso. Fica tranquilo", ela sorri pra ele, tirando os óculos de um jeito sensual. muito sensual e colocando eles em cima de um caixote.
“Sim, eu me masturbo”, ele finalmente responde, gaguejando.
“Você faz isso com muita frequência ou de vez em quando?”, ela pergunta, enquanto seu sorriso lascivo vai aumentando. Ela adora controlar a situação e que ele a obedeça.
“Todo dia, Soledad”, ele responde, ainda gaguejando.
“Em quem você pensa?” O golpe final da psicóloga no jovem, que gritaria aos quatro ventos que pensa nela, mas por razões éticas óbvias, responde outra coisa.
“Eu vejo pornografia; não penso em ninguém em particular.”
“Você não gosta de nenhuma modelo ou atriz?”
“Não.”
“Você não precisa ter vergonha disso, Charly. Você não está cometendo um crime, só está confiando seus assuntos mais íntimos a alguém que pode te ajudar”, ela afirma, enquanto se levanta da cadeira e se ajoelha no chão, apoiando a mão em uma das pernas dele.
“Eu não te agrado?” Essa pergunta fez explodir um submarino nuclear na mente dele. Ele já não consegue pronunciar palavras nem se mexer. Só gagueja, enquanto ela o beija na bochecha e desliza a boca até os lábios dele. Surpreendentemente, ela coloca as mãos nas costas dele, o abraça e lhe dá calor com os lábios. Como diz o ditado, “as coisas acontecem quando a gente menos espera”, e foi assim com esse garoto que por anos quis ser amado, e a vida fez com que ele encontrasse uma mulher experiente para instruí-lo suavemente nas artes do amor. Depois de soltar os lábios, ele continuava sorrindo, ainda sem conseguir falar e com uma ereção considerável no jeans que podia ser vista por Soledad, e que ela começa a acariciar com os dedos.
“Você gosta?”, ela pergunta, com uma voz suave e magnética, olhando nos olhos dele, enquanto ele permanece imóvel e seus traços infantis o fazem parecer mais ingênuo, segundo o que a própria psicóloga acreditava.
“Você gosta de mim?”, ela pergunta de novo, com a mesma voz. Ele fica vermelho, mas não se mexe, só balança a cabeça que sim. “E se você gosta de mim, por que Você não me disse isso antes, nene?"
"Eu tava com medo...", ele diz, depois de minutos em silêncio.
"Chega de ter medo de tudo. Quando você passar por aquela porta ao sair daqui, lembra que viver com medo é não viver", afirmou ela. "Isso que eu tô fazendo agora com você é viver", continuou, enquanto os gemidos dele aumentavam. "Quero que você seja feliz, que tenha uma vida onde consiga tudo que quiser, mas tem que começar por algo. Eu começo por aqui, seu ponto mais fraco e sensível, que é o love", finalizou, depois de ter apertado um pouco os genitais dele sem abrir o zíper da calça jeans.
"Tô me sentindo muito estranho, Soledad"
"Isso se chama 'contato físico', e não é nada estranho pra mim. Espero que no sábado à noite a gente possa ter mais disso", ela disse piscando um olho. "O que você acha?"
Charly só concordou com a cabeça e deu um beijo na bochecha dela antes de sair. O relógio marcava 18:25 e já tava ficando muito tarde. Ele sorria muito no caminho pra casa, mas agora precisava pensar em como se comportar na festa.
Sábado, 20 de maio. O grande dia chegou e tudo tá normal na casa. Escolheram a música, compraram as coisas necessárias pra fazer a comida e decoraram um pouco o lugar. Umas 30 pessoas iam ser convidadas pra essa festa que duraria a noite toda, só se a dona quisesse, brincava Adriana durante os preparativos. Lá pelas 21:30 começaram a chegar os convidados, incluindo amigos, colegas de trabalho, algum parente e alguns amigos de Charly e Federico que foram com eles pra escola. A música começou devagar, pra ir climatizando o lugar, muitos clássicos dos anos 80 e um pouco dos anos 90, mas a temperatura ia subir, não só na pista de dança, mas também num dos quartos, quando nosso virgem predileto for iniciado por uma vampira infartante, como o próprio Charly descrevia na mente até vê-la pessoalmente, por volta das 22:30. Ele ia e vinha carregando bandejas com pizzetas, tortas e hambúrgueres, mas de vez em quando, ela dava uma pausa pra bater um papo com Adrián e Mauro, que ela não via desde dezembro de 2015 e finalmente tinha conseguido contatar. Quando um deles vai falar da ex-namorada do Federico, de repente a música para e todo mundo fica quieto ao ver a entrada triunfal de Soledad, a vampiresa ardente vestida de vermelho, com o cabelo que batia na metade das costas e aqueles lábios vermelhos que destacavam a palidez do seu lindo rosto. A primeira pessoa que ela cumprimentou foi Adriana, a quem parabenizou pela organização da festa. Depois, foi em direção aos jovens, que estavam rindo enquanto falavam das minas com quem tinham saído no passado. Eles se calam e ficam de boca aberta ao vê-la passar.
“E aí, galera?”, ela pergunta, com uma voz bem grave.
“Beleza, Soledad, e você?”, responde Federico, que apresenta os dois otários como amigos da mãe dele.
“Tô bem. Ficou muito bom nesse disfarce de Mármol, garoto! Acho que hoje você vai pegar geral, hein!”, fala pro moleque, piscando um olho e deixando ele continuar conversando com os outros. Ela vai pra cozinha e eles não conseguem tirar os olhos dela. Essa era uma das razões pelas quais ela adorava os jovens: eles sempre a desejavam em silêncio. Quem tava focado no trampo de servo era o Charly, que conversava com o cozinheiro sobre uma receita de risoto, mas a aparição de Soledad interrompeu o papo.
“Oi, gato, como você tá hoje?”, cumprimentou ele, com um beijo que ficou marcado na bochecha. Ele ficou todo vermelho e ansioso, ninguém nunca tinha chamado ele assim em 19 anos.
“Tô bem, graças a Deus”, respondeu ele, gaguejando.
“O que eu te falei da outra vez? Não tem mais medo. Eu não mordo”, respondeu ela, num tom quase maternal, mas ao mesmo tempo sensual. “Te vejo à 1 da manhã no seu quarto. Não me decepciona”, sussurrou no ouvido dele. Ela saiu andando com toda elegância e ele ficou ficou petrificado, e o cozinheiro teve que acordá-lo porque ele não respondia ao chamado. À meia-noite, não tinha mais comida nem serviço. Charly podia tirar um novo descanso depois de tantas horas de exercício e cautela. Justo começava o concurso de dança e ele queria ver quem ia dançar. Não era surpresa que Soledad estaria lá, pra exibir o corpo escultural na frente de todo mundo, mas ela não entrou na pista até o reggaeton tocar. A música estava muito alta e Charly sentia o coração parar ao vê-la rebolando, sozinha, com aquele vestido que iluminava o lugar de vermelho, brilhando na escuridão total, sem ninguém pra fazer companhia. Os movimentos dela eram tão eróticos que ele interpretou como uma amostra das maravilhas que aquela mulher podia fazer na cama em questão de instantes. Ela sabia que ele tava olhando, e adorava ser o centro das atenções, mesmo que fosse só pra uma pessoa. Quando a música acabou, as partes dele estavam prestes a explodir. Ele se trancou no banheiro e colocou o prepúcio debaixo da torneira da pia enquanto se masturbava, imaginando como seriam os movimentos delicados da língua de Soledad, percorrendo a cabeça e o tronco do pau dele. A coisa durou só uns minutos, até alguém bater na porta.
“Ocupado”, gritou Charly, sem saber que tudo estava prestes a acabar. A porta se abriu violentamente e ele tentou guardar o pau dentro da calça, mas não deu tempo. Era Soledad, com o olhar perverso e sexual que penetrava os olhos assustados dele, enquanto curtia pegá-lo em flagrante se satisfazendo sozinho no banheiro, numa brincadeira que pra ela parecia inocente.
“Então não aguenta mais? Não pode esperar meia hora?”, ela o encurralou, colocando ele contra a parede.
“Desculpa”, ele respondeu, gaguejando. “Não quis…”
“Adoro que você seja meu escravo, gatinho. Adoro ter você nas minhas mãos”, continuou ela, enquanto acariciava o cabelo e o rosto dele. “Acho que eu também não…” Posso esperar mais. Vamos pro teu quarto pra ficar mais tranquilo", insistiu. Tentaram ir rápido, sem que ela pisasse no vestido, principalmente quando subiam as escadas. Ele abriu a porta e deixou ela entrar primeiro. Acendeu a luz por um momento e ela observou a decoração, os pôsteres, os móveis, os livros. Ela parecia uma princesa naquele vestido, mas nenhum dos dois ia terminar num conto de fadas naquela noite. O inferno os esperava entre os lençóis. Ela tomou a iniciativa: fez ele sentar na beirada da cama enquanto o beijava apaixonadamente, segurando o pescoço dele com delicadeza com uma mão e abrindo o vestido com a outra. Ficou completamente nua, e ele, de boca aberta ao ver que o corpo dela era ardente, chamativo, fogoso, magnífico, etc. Queria ser possuído por aquela vampira, que cravasse os dentes no pescoço dele, e que não só chupasse seu sangue virgem, mas também seus fluidos reprodutivos. Ela se ajoelhou no chão e abriu o zíper da calça, pegando o pau com os dedos macios e começou a subir e descer com a língua, chupando de leve na cabecinha, que soltava bastante líquido do prazer, e depois no tronco duro. Ele gemia forte e segurava o cabelo dela sem machucar. Alguns fios roçavam a virilha e ele os afastava pra não atrapalhar. Não aguentou mais de cinco minutos antes de gozar na língua dela. Ela engoliu o leite sem nenhuma dificuldade, já que era uma das práticas favoritas dela. Ele se desculpou pelo ocorrido, mas ela entendia que os virgens não duravam muito quando são estimulados pela primeira vez, então não ficou ofendida. "Agora você vai aguentar mais", sussurrou ela no ouvido dele. Se acomodaram melhor na cama, onde ela continuava por cima dele, mas pra que ele aprendesse como satisfazer uma mulher. Ele queria lamber os peitinhos dela e aqueles bicos um pouco pontudos. Ela sentia ele tão suave e estimulante que deixou ele fazer isso por um tempo. Ela o segurava como se fosse uma criatura, sem prendê-lo, guiando ele pelo gosto da pele. Amava dominar ele e usar do jeito que queria, e ainda faltava um ponto chave: a buceta dela. Apresentou ele ao mundo do clitóris e como tratar ele pra ela gozar pra caralho. "Movimentos suaves, não esquece", ela dizia, com toda a experiência dela, enquanto ele colocava as mãos ao redor da região vaginal pra se concentrar nas lambidas intensas, de cima pra baixo, intermitentes, constantes, invasivas, que deixavam ela louca. Já tinha perdido a sanidade de tanto prazer que agora apertava ele contra a intimidade dela pra ele continuar lambendo. Tinha conseguido que um virgem fizesse ela gozar sem usar o pau dele: pra ela, isso era a glória e o passo final das aulas práticas. Agora que os dois tinham tido a felicidade separados, era hora da união, dessas duas forças explodirem os dois, pegando a mesma carga sexual de cada lado. Charly tava nervoso, bem menos que no começo, mas precisava colocar a camisinha e não sabia como. Soledad teve a gentileza de deslizar ela pelo tronco enquanto ele segurava na ponta.
"É simples assim", ela falou pra ele gravar pra sempre.
"Não vai muito rápido", ele pediu, com medo de machucar.
"Vou acelerar conforme eu ver que não tá doendo, mas fica tranquilo. Não quero te machucar. Quero que a gente se divirta", ela garantiu, beijando e acariciando ele. Sentou devagar no pau duro enfiado na camisinha, e montou ele sem pressa por alguns minutos, sempre perguntando como ele tava se sentindo. Não teve dor nem dificuldade. Ele pegou confiança rápido. 10 minutos depois, os braços dos dois estavam entrelaçados nas costas, se beijando com paixão e gemendo forte, até caírem deitados, com a camisinha cheia que ele esvaziou no vaso, sabendo que todos os convidados já tinham ido embora.
"Valeu, Soledad, ninguém nunca me fez sentir tão feliz. Como vocês", disse ele ao voltar.
"De nada, e faria de novo, porque vale a pena", respondeu ela, com os olhos semicerrados.
Dormiram juntos sem serem incomodados, abraçados como se tivessem se amado por décadas. Lá pelo amanhecer, Adriana abriu a porta e os encontrou, mas não quis atrapalhar. Sabendo das intenções de Soledad, esse final era previsível para ela, então fechou a porta silenciosamente e foi embora, não sem antes dizer "obrigada", porque agora ele não ia mais sofrer. Era a redenção que a vida deu depois de tanta tragédia.
Carlos Carreira não teve uma vida fácil. Aos 19 anos, já tinha enfrentado dores muito fortes, principalmente nos últimos tempos. Há 3 anos, seus pais morreram em um confuso acidente de trânsito em Entre Ríos. Eles também não tinham família, eram filhos únicos e seus pais faleceram antes dele nascer. O único lugar disponível para Charly, como era chamado pelos próximos, era a casa do amigo Federico. Compreendendo as circunstâncias trágicas, não hesitou em aceitar, nem ele nem a mãe Adriana, que o amava como se fosse um segundo filho. Ambos os garotos eram bons: se comportavam bem, eram tranquilos e estudiosos. Na verdade, tiveram médias excelentes ao terminar o ensino médio. No que não eram tão bons era no love: Federico era um pouco “banana” e tinha namoricos esporádicos com algumas colegas; Charly, por outro lado, continuava casto e puro, sem nem ter beijado uma garota. Ser rejeitado o afetava muito, até que um dia ele disse pra si mesmo “não preciso ficar correndo atrás de ninguém”. Dessa decisão drástica já tinham se passado 4 anos. Apesar das aulas na faculdade já terem começado, Adriana sugeriu que ele visitasse um psicólogo para se “soltar” um pouco mais, já que naquele ambiente ele conheceria uma variedade de pessoas, e precisava estar preparado para esses novos desafios. “Te recomendo uma amiga minha; ela é muito boa e é infalível! Se quiser, posso te arrumar uma consulta para a semana que vem”, continuou Adriana, enquanto Charly abria um sorriso de orelha a orelha. Ele concordou com a cabeça.
Quinta-feira, 20 de abril. O relógio marcava 17 horas. Charly esperava sentado no consultório, enquanto lia “Los árboles mueren de pie” em papel. Já tinha pago a consulta pra secretária, que estava distraída mexendo no celular. De repente, uma porta lateral se abre, e de lá sai uma garota, muito jovem, acompanhada pela mãe. Ambas estavam sorrindo. Atrás dela... Estava a mulher que mudaria sua vida para sempre: a doutora Soledad Martel, psicóloga especialista em adolescentes e jovens, como dizia a plaquinha colada na porta. Uma mulher absolutamente deslumbrante, inteligente, formada com honras pela universidade; cativante, quase indescritível para o que os olhos inocentes de Charly conseguiam perceber. Ele ficou bem distraído naquele primeiro contato com a doutora, mas voltou a pisar no chão quando ela o convidou para entrar.
— Me conta: por que você está aqui hoje? — perguntou ela, com seu sorriso lindo, enquanto mexia levemente os cabelos castanhos.
— Vim porque preciso de uma mudança radical na minha vida — respondeu o jovem, de cabeça baixa.
— O que você quer dizer com radical?
— Sinto que não sou feliz: tenho a autoestima lá embaixo e quero aproveitar a vida — ele se abriu, com algumas lágrimas nos olhos.
— Acho perfeito! Isso é o importante: tomar a decisão de querer melhorar. Quer um pouco de água?
Ele concordou e pegou o copo com as mãos meio trêmulas. Uma presença daquelas na frente dele o tinha deixado nocauteado.
— Por que assunto você gostaria de começar? — perguntou Soledad, enquanto pegava um caderninho e uma caneta. Charly, por sua vez, limpava o rosto com um lenço.
Decidido de vez a melhorar, ele falou sobre os anos em que foi alvo de piadas e humilhações, em que chegava todo dia chorando em casa porque os colegas o zuavam. Por motivos óbvios, não quis comentar o que rolou com os pais porque teria se quebrado demais e precisava seguir em frente. Com tudo isso, a primeira hora voou. Quando deu 6 horas, ele agradeceu à mulher por ter ouvido ele e a cumprimentou timidamente com um beijo na bochecha. No caminho de volta pra casa, continuava bobão: nunca tinha sentido isso nem com uma garota da escola dele. Por que ele tinha olhos pra uma pessoa que poderia ser mãe dele? Concluiu que tudo devia ficar no campo de uma Fantasiazinha simples. O problema é que a cara de felicidade dele tava muito na cara, e a Adriana percebeu na hora que ele chegou. Ela desconfiou que era por causa da visita dela, mas não quis entrar em detalhes. Quem ouviu tudo, pela confiança que tinha, foi o Federico.
"E aí, a psicóloga? Curtiu?", perguntou Federico, já querendo zoar ele.
"Sim, acho que me apaixonei", respondeu ele, ainda meio grogue.
"Não acredito em nada. Você não tá apaixonado, tá é de pau duro!", rebateu Federico. "Além disso, a mina é uma gostosa; inclusive, uns anos atrás ela foi com a gente pra praia no Brasil, e tava de biquíni na areia, de boa na dela", continuou.
"Tá me zoando?"
"Zoa nada, olha só!", seguiu Federico com o celular na mão, onde mostrava a Soledad usando um biquíni branco lindo que destacava as curvas dela.
"Que porra vocês tão fazendo a essa hora?", gritou Adriana, cortando a conversa. "Amanhã vocês têm que acordar cedo, que faculdade não é brincadeira".
"Tava só conversando", responderam os dois garotos em coro.
"Sobre o quê?"
"Sobre buceta", se adiantou Federico, enquanto Charly ficava vermelho de vergonha.
"Sobre buceta?" fez uma pausa Adriana. "Durmam, pelo amor de Deus, que às 6:30 eu chamo. Boa noite", finalizou, dando um leve tapa na porta.
"Vou te matar! Você é maluco?", Charly explodiu.
"Não se ofende, idiota, relaxa aí. Não é tão grave", dizia Federico entre gargalhadas.
"Pelo menos podia ter falado que a gente tava falando de nanotecnologia, né?"
"Fica tranquilo que ela não ia acreditar nessa merda!"
Charly acabou dormindo sem perceber. O inconsciente dele pregou uma peça bem suja. Naquela noite, ele teve um sonho erótico muito intenso que causou uma culpa danada e muito prazer. A psicóloga dele tava montando nele, pelada, gritando o nome dele e segurando ele forte pelo peito; enquanto ele, com toda a inexperiência exposta, tentava aproveitar, mesmo se horrorizando com as imagens que a sexualidade reprimida dele produzia. Quando chegou Ao orgasmo, ele acordou com os lençóis sujos de esperma. Pensou por que essas coisas tinham que acontecer com ele, ainda mais quando não se considerava um ser sexual. Mal se masturbava duas vezes por dia, mas isso não parecia significar muito pra ele. Correu pro banheiro pra tomar um banho: tinha suado durante o sono e pequenas gotas de sêmen ainda escorriam pela virilha. Se esfregou com sabão até remover todos aqueles fluidos do corpo. Pegou uma toalha e se secou. Eram 6 da manhã. Não faltava muito pra hora "oficial" de acordar, então ficou de pé, preparou um café e ligou a TV assim que terminou de se vestir. Antes das 8, os dois caras já estavam entrando nas respectivas aulas na universidade. Chegaram bem pontuais porque a Adriana levava eles todos os dias de carro. O Charly ficou disperso na aula por causa daquele sonho quente, e só levantou a cabeça da carteira quando a professora chamou a lista. Na verdade, quase dormiu e um colega acordou ele bem discretamente pra ele não passar vergonha. Esse tropeço durou um dia. Nos dias seguintes, ele retomou a participação ativa, levantando a mão com frequência e entregando alguns trabalhos práticos. Quanto às outras sessões com a psicóloga, continuaram normalmente, onde ele foi revelando as pequenas coisas que o afligiam, sem chorar e conseguindo manter o olhar, o que era uma conquista importante, destacada pela própria doutora. O que chamou a atenção do jovem é que a roupa dela estava um pouco mais ousada: saias curtas, camisas desabotoadas e óculos bem sensuais que realçavam os olhos verdes dela, mas não passou disso.
Duas semanas depois, no dia 5 de maio, em outro ponto da cidade de San Justo, enquanto Charly e Federico estavam na aula, Adriana foi visitar uma "velha amiga". Pelo menos foi o que disse pra eles, mas o que não revelou é que essa "velha amiga" era a Soledad, e que as eles tinham sido muito felizes num tempo passado, uns 20 anos atrás, quando eram uma espécie de "casal liberal" que se juntava pra transar, embora ambas tivessem namorados e estivessem comprometidas com eles. Um dos pontos da conversa era a atração que Soledad sentia por garotões "inocentes", dos quais já tinha adicionado dois ao seu currículo. Por trás do rostinho angelical dessa psicóloga, se escondia uma bomba sexual que podia explodir a qualquer momento.
"Ô, desses dois moleques eu tirei um baita proveito, véia!", se gabava Soledad, em voz baixa, com uma xícara de café na mão, se referindo aos dois amigos do filho dela, Sebastián, que ela descabaçou no ano passado. "Chegou uns boatos pra mim que eles não param de rebolar a chancleta", continuou comentando, entre risadas.
"Pois é", interrompeu Adriana, tentando segurar o riso, mas fingindo seriedade, "quando é que você vai parar de arrastar esses caras pro caminho da perdição?"
"Desculpa, mas eles escolheram se perder. Não tem devolução, querida."
"Não seja assim", disse Adriana, antes de explodir. "Acho isso tão estranho. Você tem que dar uma segurada nisso. Você é uma pessoa adulta, e se dedica a ajudar, não a fuder com os outros!", questionou.
"Desculpa por ser tão liberal, gata, mas é assim que eu me divirto. Não tenho que ficar dando satisfação pra ninguém. Além disso, você sabe como eu sou", finalizou a psicóloga. "E aí, como tá a festa à fantasia?"
"Vai ficar muito bonita, espero. Mas ainda faltam duas semanas: é sábado, dia 20. Você vai vir?"
"Claro. Tô morrendo de vontade de encontrar um pouco de carne fresca", rematou Soledad, com um sorriso lascivo. "Os meninos vão estar lá ou é só pra adultos?"
"É pra maiores de 18, então eles vão estar lá, me dando uma força". Um silêncio cai, enquanto ambas tomam os últimos goles de café.
"Que meninos lindos que eles são! Cresceram tão rápido. Ainda lembro quando o Federico nasceu: sinto que foi ontem."
"Você não vai querer... Meter com o meu guri, né, sua desgraçada? Olha que ele ainda é virgem, hein!, e a candidata quem vai aprovar sou eu", disse Adriana, entre risadas, mas deixando escapar um dos seus princípios mais secretos.
"Teu gato é bonito. É igual a você", comentou Soledad, "mas tô morrendo de vontade do outro garoto, meu novo paciente. Daquele eu tenho uma puta vontade..."
"Não seja sacana, o Charly é muito tímido e precisa de muito amor. Te peço por favor que seja cuidadosa. Olha que nenhum dos dois sabe se cuidar!"
"Mas isso não deviam ter ensinado na escola?"
"Sim, mas parece que pularam essa parte", enfatizou. "Olha, tenho que ir ao cartório, e devo voltar pro meio-dia. Depois a gente continua conversando", se despediu.
"Tchau, até mais", disse Soledad. As duas saíram uma atrás da outra depois de pagar seus respectivos cafés e subiram nos seus carros. O relógio marcava 8:50 naquela manhã de sexta-feira. Estava ensolarado e o fim de semana ia ser ainda melhor; pelo menos todo mundo achava isso até aquele momento.
Sábado, 11 da manhã. Federico vinha arrastando um par de caixas do sótão. Semanas antes, Charly tava enchendo o saco dele por uns VHS velhos que queria ver, mas não tinha coragem de subir sozinho. As fitas não tinham nada de interessante: só uma dezena de programas velhos e noticiários de TV de 1995, 1997 e 1998, gravados dos canais da capital, mas que pra esse adolescente ingênuo era como ganhar na loteria.
"Olha o que achei!" gritava Federico, que usava umas luvas brancas pra não danificar as fitas.
"Quantas fitas! Não quer que eu te dê uma mão?"
"Não precisa, obrigado. Limpei e revisei: têm tudo que você precisava. Agora só falta você arrumar um jeito de capturar e subir pra internet", dizia Federico enquanto tirava as luvas e batia elas na parede pra tirar o pó.
"Mesmo assim, isso é a longo prazo, não agora", respondia Charly, fascinado, lendo alguns dos títulos. Grudados nas etiquetas. Pra sempre Mulherzinhas, Nuevediario, Videomatch, A aventura do homem, jogos da França 1998, entre outros, eram algumas das coisas que tinham sido gravadas, vai saber por que motivo.
"Sabia que mais achei? Álbuns de foto pra todo lado, a maioria é de quando éramos crianças. Mas esse aqui guardei pra você", continuava Federico, tentando prender a atenção dele com imagens adoráveis. Charly continuava ali, feliz que nem um bicho, rebobinando e avançando as fitas, tentando achar algo do interesse dele, e era bem na hora que ele achou que ninguém mais ia encher o saco. Federico, ansioso, afastou aquelas imagens fofinhas pra dizer, sem usar a palavra, a mais pura verdade.
"Tá reconhecendo essa gostosa?", perguntou ele, enquanto tentava descobrir quem era aquela jovem linda de olhos grandes, nariz e lábios pequenos, que mal vestia uma camisola transparente, deixando os bicos dos peitos à mostra.
"Sei lá, mas por que ela tá com tão pouca roupa?", se espantou Charly, enquanto virava as páginas daquele álbum de fotos preto e branco de 1995, e via que em cada página a mina tava com menos roupa, até ficar pelada e exposta, levando as mãos na buceta, enquanto se satisfazia na frente da câmera.
"Essas fotos foram tiradas pela mamãe quando ela estudava fotografia e era assistente de uma aula de arte num instituto", respondeu Federico, antes de soltar a verdade nua e crua.
"São fotos muito bonitas, apesar de serem explícitas demais pro meu gosto", garantiu Charly.
"Idiota, usa a cabeça um minuto! Essa mina é a Soledad, sua psicóloga. Não percebeu?"
"Não é ela, parece", devolveu o negador.
"É ela, a mamãe me contou. Ou não era isso que você queria?"
"Sei lá", disse Charly antes de ficar calado. Depois disso, se trancou no banheiro pra chorar. Se acalmou rápido, mas o que mais pesava na consciência era o que ele sentia, principalmente quando em poucos dias mais a encontraria de novo. Como encararia olhar nos olhos dela sem esquecer aquelas imagens eróticas, sem querer colocar as mãos no corpo nu dela enquanto tenta beijá-la? Isso não seria uma tarefa fácil.
Quinta-feira, 11 de maio. "Era hora de ter coragem e entrar por aquela porta pra encarar meu destino", pensava Charly na mente enquanto se sentava no escritório da Soledad. As roupas dela estavam bem mais largas que o normal. A blusa branca dela era semitransparente e dava pra ver, com uma certa posição da luz do sol, que ela não tava usando sutiã. A saia preta dela ia até os joelhos e ela tava usando sapatos pretos de salto alto que faziam barulho. Assim que ele sentou na cadeira, ela sugeriu que talvez devessem ir pro divã, pra ficar mais confortáveis. Era estranho: fazia pouco tempo que se conheciam e nunca tinham feito a sessão naquele lugar que já tinha saído de moda. Charly se deitou no divã e colocou um travesseiro na nuca pra não machucar as costas. O tema que Soledad escolheu pra discutir hoje era o da intimidade… que coincidência, né?
"É estranho que hoje você queira que a gente fale sobre isso, mas isso também me permite visualizar como é seu comportamento social, Charly", sermoneia a psicóloga, enquanto cruza as pernas e mal deixa ver que tava de calcinha. Charly tenta ignorar esses "sinais" e responde o que foi perguntado.
"Eu nunca saí com uma garota"
"Nunca?"
"Nunca. É estranho eu contar essas coisas pra outra pessoa que não sejam meus amigos, Soledad", ele disse, meio envergonhado.
"Você não precisa se sentir mal por isso. Nem todo mundo começa do mesmo jeito nem no mesmo momento"
"Eu entendo, mas hoje em dia a gente se sente estranho quando não faz as mesmas coisas que os outros. Na verdade, é uma sensação que tenho a vida inteira".
"Olha, todos nós fazemos coisas que todo mundo faz, mas cada um de nós faz coisas que os outros não fazem. Isso é o que nos torna diferentes, e é bom. Não dá importância pra isso".
"Tá bom"
"A A licenciada ficou anotando um monte", pensava o garoto. Era verdade, mas ela estava escrevendo outra coisa: seu diário íntimo, que conseguia disfarçar bem de caderneta, onde detalhava tudo o que queria fazer com ele na cama, que ia ensinar com paciência, quando fosse possível.
"Mesmo nunca tendo saído com uma garota, você lembra do seu primeiro beijo?"
"Não."
"Por que não lembra? Foi uma experiência ruim?" perguntou ela, com um sorrisinho quase malvado. Ele estava meio assustado e gaguejava, principalmente quando percebeu que os mamilos dela estavam aparecendo um pouco mais pela blusa. Os peitinhos dela eram lindos demais.
"Ainda não dei meu primeiro beijo", respondeu ele, com um sentimento estranho no estômago. Tava com uma pequena ereção na calça que, por sorte, não aparecia muito, e isso o preocupava. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos até que ela levantou a cabeça e viu que eram 6 horas.
"Desculpa, Charly, mas o tempo acabou. Semana que vem a gente continua, tá?"
"Sim, sem problema", respondeu ele, meio tonto.
"Você não precisa ter vergonha de ser quem é", disse ela, dando um beijo perto dos lábios dele. "Te vejo quinta-feira", finalizou, sorrindo e acenando antes de fechar a porta. Ele foi embora sorrindo e pensando enquanto caminhava os 15 quarteirões que separavam o consultório de casa. Precisava falar com Federico pra pedir um conselho. Tinha algo que não batia.
"Ela me deu um beijo quase na boca, mano, e tô me sentindo meio tonto. O que pode estar rolando comigo?" ele se perguntou, enquanto falava com Federico, que ouvia atrás da cortina do banheiro.
"Pode ser que você esteja fantasiando demais, moleque. Talvez a parada do beijo foi coisa da sua cabeça, mas a da calcinha é chamativa. Quem sabe você não tá afim dela, sei lá...", sugeriu Federico enquanto Charly pedia pra ele passar o sabonete.
"Eu, afim de uma coroa de quarenta? Cê tá Seguro?"
"Tudo pode acontecer nessa vida, cara. Tem muito moleque que perde a virgindade com coroas, então não devia perder essa chance se pintar."
"O que eu faço agora?"
"Faz de conta que não sente nada, mesmo que esteja prestes a explodir. Além disso, você é ligado e nunca ia se passar com alguém."
"É verdade. Agora passa as toalhas que a Adriana esqueceu de colocar aqui", disse ele a Federico entre gargalhadas. Eram oito e meia da noite e iam jantar pizza caseira. Durante a comida, Adriana perguntou sobre "a festa mais famosa do bairro", como já tinham apelidado aquela reuniãozinha que preparavam para a semana seguinte.
"Já têm suas fantasias ou tenho que ir com vocês alugar?"
"Amanhã mesmo vou ver os paletós, ver quanto custam", disse Charly, enquanto o queijo escorria entre os dentes de Federico.
"De que você vai se fantasiar?"
"De garçom. Vou servir a comida."
"Que originalidade! Tudo pra não gastar um centavo, hein!"
"E você, Adriana?", perguntou Federico, que às vezes desafiava a própria mãe chamando-a pelo nome.
"Da Mulher-Maravilha. Ainda tenho o corpo pra caber nessa roupa", respondeu ela, enquanto eles batiam na mesa e riam.
"Vou dar um chinelo na cabeça de vocês dois! Não sejam malvados!"
"Eu vou me fantasiar de Pablo Mármore", comentou Federico, enquanto Charly continuava rindo.
"Vocês percebem que são sempre as mesmas fantasias? Agora é torcer pra ninguém vestir a mesma coisa ou vão ferrar com a nossa vida", comentou Adriana. "Hoje falei com a Soledad e ela confirmou que já tem o vestido de vampira pronto", completou.
"Soledad? Pensei que ela não ia vir...", disse Charly, enquanto Federico piscava o olho e dava cotoveladas leves.
"Ela vai sim. É minha amiga e vai nos acompanhar. Se comportem, por favor, eu peço", sugeriu a senhora. Ambos concordaram e levantaram a mesa enquanto tentavam não se distrair com um filme na televisão.
"De vampira? Que Fantasia mais doida!", comentou Charly baixinho pro Federico, pra Adriana não ouvir.
"Sabia que ia te interessar, safado", respondeu o outro, rindo.
"Preciso me acalmar e esquecer ela. Isso vai passar. Agora vou escovar os dentes e dormir, que amanhã é outro dia."
A contagem regressiva pra festa tinha começado. Assim que as aulas acabaram às 6 da tarde, Adriana foi buscar o Charly e levou ele pra provar o terno e a gravata, que por sorte ficaram bem. Acertaram com o vendedor que em uma semana iam retirar e pagar. Agora só faltava esperar se na quinta o moleque ia ser virado ou não. Ela tentava não alimentar a mente com "pensamentos sujos" e focar nas responsabilidades da escola, mas às vezes era impossível.
Quinta-feira, 18 de maio. Seria a antesala do desastre, da loucura, da paixão? Ou só mais um dia qualquer na vida desses indivíduos?
O relógio marca 17h. A Soledad tá vestida bem parecido com a última vez, mas com delineador que realça os olhos e um batom avermelhado que destaca os lábios carnudos. Charly entra no consultório com o pau duro, escondido na calça jeans, depois que aquelas imagens bateram na cabeça dele. Vai direto pro divã, sem perguntar pra psicóloga se devia sentar ali ou na escrivaninha. Então ela já se adianta: vão continuar com o assunto íntimo hoje, mas até onde vão chegar, nem eles sabem.
"Você se masturba, Charly? Desculpa a pergunta. Talvez seja íntima demais, mas na sua idade é super normal", ela se justifica, curtindo o desconforto dele, que começa a tremer e gaguejar um pouco.
"Por que a pergunta?", ele tenta responder.
"Porque é algo que os garotos da sua idade fazem o tempo todo, e não tem nada de errado. Aliás, já peguei meu filho fazendo isso e nunca castiguei ele por causa disso. Fica tranquilo", ela sorri pra ele, tirando os óculos de um jeito sensual. muito sensual e colocando eles em cima de um caixote.
“Sim, eu me masturbo”, ele finalmente responde, gaguejando.
“Você faz isso com muita frequência ou de vez em quando?”, ela pergunta, enquanto seu sorriso lascivo vai aumentando. Ela adora controlar a situação e que ele a obedeça.
“Todo dia, Soledad”, ele responde, ainda gaguejando.
“Em quem você pensa?” O golpe final da psicóloga no jovem, que gritaria aos quatro ventos que pensa nela, mas por razões éticas óbvias, responde outra coisa.
“Eu vejo pornografia; não penso em ninguém em particular.”
“Você não gosta de nenhuma modelo ou atriz?”
“Não.”
“Você não precisa ter vergonha disso, Charly. Você não está cometendo um crime, só está confiando seus assuntos mais íntimos a alguém que pode te ajudar”, ela afirma, enquanto se levanta da cadeira e se ajoelha no chão, apoiando a mão em uma das pernas dele.
“Eu não te agrado?” Essa pergunta fez explodir um submarino nuclear na mente dele. Ele já não consegue pronunciar palavras nem se mexer. Só gagueja, enquanto ela o beija na bochecha e desliza a boca até os lábios dele. Surpreendentemente, ela coloca as mãos nas costas dele, o abraça e lhe dá calor com os lábios. Como diz o ditado, “as coisas acontecem quando a gente menos espera”, e foi assim com esse garoto que por anos quis ser amado, e a vida fez com que ele encontrasse uma mulher experiente para instruí-lo suavemente nas artes do amor. Depois de soltar os lábios, ele continuava sorrindo, ainda sem conseguir falar e com uma ereção considerável no jeans que podia ser vista por Soledad, e que ela começa a acariciar com os dedos.
“Você gosta?”, ela pergunta, com uma voz suave e magnética, olhando nos olhos dele, enquanto ele permanece imóvel e seus traços infantis o fazem parecer mais ingênuo, segundo o que a própria psicóloga acreditava.
“Você gosta de mim?”, ela pergunta de novo, com a mesma voz. Ele fica vermelho, mas não se mexe, só balança a cabeça que sim. “E se você gosta de mim, por que Você não me disse isso antes, nene?"
"Eu tava com medo...", ele diz, depois de minutos em silêncio.
"Chega de ter medo de tudo. Quando você passar por aquela porta ao sair daqui, lembra que viver com medo é não viver", afirmou ela. "Isso que eu tô fazendo agora com você é viver", continuou, enquanto os gemidos dele aumentavam. "Quero que você seja feliz, que tenha uma vida onde consiga tudo que quiser, mas tem que começar por algo. Eu começo por aqui, seu ponto mais fraco e sensível, que é o love", finalizou, depois de ter apertado um pouco os genitais dele sem abrir o zíper da calça jeans.
"Tô me sentindo muito estranho, Soledad"
"Isso se chama 'contato físico', e não é nada estranho pra mim. Espero que no sábado à noite a gente possa ter mais disso", ela disse piscando um olho. "O que você acha?"
Charly só concordou com a cabeça e deu um beijo na bochecha dela antes de sair. O relógio marcava 18:25 e já tava ficando muito tarde. Ele sorria muito no caminho pra casa, mas agora precisava pensar em como se comportar na festa.
Sábado, 20 de maio. O grande dia chegou e tudo tá normal na casa. Escolheram a música, compraram as coisas necessárias pra fazer a comida e decoraram um pouco o lugar. Umas 30 pessoas iam ser convidadas pra essa festa que duraria a noite toda, só se a dona quisesse, brincava Adriana durante os preparativos. Lá pelas 21:30 começaram a chegar os convidados, incluindo amigos, colegas de trabalho, algum parente e alguns amigos de Charly e Federico que foram com eles pra escola. A música começou devagar, pra ir climatizando o lugar, muitos clássicos dos anos 80 e um pouco dos anos 90, mas a temperatura ia subir, não só na pista de dança, mas também num dos quartos, quando nosso virgem predileto for iniciado por uma vampira infartante, como o próprio Charly descrevia na mente até vê-la pessoalmente, por volta das 22:30. Ele ia e vinha carregando bandejas com pizzetas, tortas e hambúrgueres, mas de vez em quando, ela dava uma pausa pra bater um papo com Adrián e Mauro, que ela não via desde dezembro de 2015 e finalmente tinha conseguido contatar. Quando um deles vai falar da ex-namorada do Federico, de repente a música para e todo mundo fica quieto ao ver a entrada triunfal de Soledad, a vampiresa ardente vestida de vermelho, com o cabelo que batia na metade das costas e aqueles lábios vermelhos que destacavam a palidez do seu lindo rosto. A primeira pessoa que ela cumprimentou foi Adriana, a quem parabenizou pela organização da festa. Depois, foi em direção aos jovens, que estavam rindo enquanto falavam das minas com quem tinham saído no passado. Eles se calam e ficam de boca aberta ao vê-la passar.
“E aí, galera?”, ela pergunta, com uma voz bem grave.
“Beleza, Soledad, e você?”, responde Federico, que apresenta os dois otários como amigos da mãe dele.
“Tô bem. Ficou muito bom nesse disfarce de Mármol, garoto! Acho que hoje você vai pegar geral, hein!”, fala pro moleque, piscando um olho e deixando ele continuar conversando com os outros. Ela vai pra cozinha e eles não conseguem tirar os olhos dela. Essa era uma das razões pelas quais ela adorava os jovens: eles sempre a desejavam em silêncio. Quem tava focado no trampo de servo era o Charly, que conversava com o cozinheiro sobre uma receita de risoto, mas a aparição de Soledad interrompeu o papo.
“Oi, gato, como você tá hoje?”, cumprimentou ele, com um beijo que ficou marcado na bochecha. Ele ficou todo vermelho e ansioso, ninguém nunca tinha chamado ele assim em 19 anos.
“Tô bem, graças a Deus”, respondeu ele, gaguejando.
“O que eu te falei da outra vez? Não tem mais medo. Eu não mordo”, respondeu ela, num tom quase maternal, mas ao mesmo tempo sensual. “Te vejo à 1 da manhã no seu quarto. Não me decepciona”, sussurrou no ouvido dele. Ela saiu andando com toda elegância e ele ficou ficou petrificado, e o cozinheiro teve que acordá-lo porque ele não respondia ao chamado. À meia-noite, não tinha mais comida nem serviço. Charly podia tirar um novo descanso depois de tantas horas de exercício e cautela. Justo começava o concurso de dança e ele queria ver quem ia dançar. Não era surpresa que Soledad estaria lá, pra exibir o corpo escultural na frente de todo mundo, mas ela não entrou na pista até o reggaeton tocar. A música estava muito alta e Charly sentia o coração parar ao vê-la rebolando, sozinha, com aquele vestido que iluminava o lugar de vermelho, brilhando na escuridão total, sem ninguém pra fazer companhia. Os movimentos dela eram tão eróticos que ele interpretou como uma amostra das maravilhas que aquela mulher podia fazer na cama em questão de instantes. Ela sabia que ele tava olhando, e adorava ser o centro das atenções, mesmo que fosse só pra uma pessoa. Quando a música acabou, as partes dele estavam prestes a explodir. Ele se trancou no banheiro e colocou o prepúcio debaixo da torneira da pia enquanto se masturbava, imaginando como seriam os movimentos delicados da língua de Soledad, percorrendo a cabeça e o tronco do pau dele. A coisa durou só uns minutos, até alguém bater na porta.
“Ocupado”, gritou Charly, sem saber que tudo estava prestes a acabar. A porta se abriu violentamente e ele tentou guardar o pau dentro da calça, mas não deu tempo. Era Soledad, com o olhar perverso e sexual que penetrava os olhos assustados dele, enquanto curtia pegá-lo em flagrante se satisfazendo sozinho no banheiro, numa brincadeira que pra ela parecia inocente.
“Então não aguenta mais? Não pode esperar meia hora?”, ela o encurralou, colocando ele contra a parede.
“Desculpa”, ele respondeu, gaguejando. “Não quis…”
“Adoro que você seja meu escravo, gatinho. Adoro ter você nas minhas mãos”, continuou ela, enquanto acariciava o cabelo e o rosto dele. “Acho que eu também não…” Posso esperar mais. Vamos pro teu quarto pra ficar mais tranquilo", insistiu. Tentaram ir rápido, sem que ela pisasse no vestido, principalmente quando subiam as escadas. Ele abriu a porta e deixou ela entrar primeiro. Acendeu a luz por um momento e ela observou a decoração, os pôsteres, os móveis, os livros. Ela parecia uma princesa naquele vestido, mas nenhum dos dois ia terminar num conto de fadas naquela noite. O inferno os esperava entre os lençóis. Ela tomou a iniciativa: fez ele sentar na beirada da cama enquanto o beijava apaixonadamente, segurando o pescoço dele com delicadeza com uma mão e abrindo o vestido com a outra. Ficou completamente nua, e ele, de boca aberta ao ver que o corpo dela era ardente, chamativo, fogoso, magnífico, etc. Queria ser possuído por aquela vampira, que cravasse os dentes no pescoço dele, e que não só chupasse seu sangue virgem, mas também seus fluidos reprodutivos. Ela se ajoelhou no chão e abriu o zíper da calça, pegando o pau com os dedos macios e começou a subir e descer com a língua, chupando de leve na cabecinha, que soltava bastante líquido do prazer, e depois no tronco duro. Ele gemia forte e segurava o cabelo dela sem machucar. Alguns fios roçavam a virilha e ele os afastava pra não atrapalhar. Não aguentou mais de cinco minutos antes de gozar na língua dela. Ela engoliu o leite sem nenhuma dificuldade, já que era uma das práticas favoritas dela. Ele se desculpou pelo ocorrido, mas ela entendia que os virgens não duravam muito quando são estimulados pela primeira vez, então não ficou ofendida. "Agora você vai aguentar mais", sussurrou ela no ouvido dele. Se acomodaram melhor na cama, onde ela continuava por cima dele, mas pra que ele aprendesse como satisfazer uma mulher. Ele queria lamber os peitinhos dela e aqueles bicos um pouco pontudos. Ela sentia ele tão suave e estimulante que deixou ele fazer isso por um tempo. Ela o segurava como se fosse uma criatura, sem prendê-lo, guiando ele pelo gosto da pele. Amava dominar ele e usar do jeito que queria, e ainda faltava um ponto chave: a buceta dela. Apresentou ele ao mundo do clitóris e como tratar ele pra ela gozar pra caralho. "Movimentos suaves, não esquece", ela dizia, com toda a experiência dela, enquanto ele colocava as mãos ao redor da região vaginal pra se concentrar nas lambidas intensas, de cima pra baixo, intermitentes, constantes, invasivas, que deixavam ela louca. Já tinha perdido a sanidade de tanto prazer que agora apertava ele contra a intimidade dela pra ele continuar lambendo. Tinha conseguido que um virgem fizesse ela gozar sem usar o pau dele: pra ela, isso era a glória e o passo final das aulas práticas. Agora que os dois tinham tido a felicidade separados, era hora da união, dessas duas forças explodirem os dois, pegando a mesma carga sexual de cada lado. Charly tava nervoso, bem menos que no começo, mas precisava colocar a camisinha e não sabia como. Soledad teve a gentileza de deslizar ela pelo tronco enquanto ele segurava na ponta.
"É simples assim", ela falou pra ele gravar pra sempre.
"Não vai muito rápido", ele pediu, com medo de machucar.
"Vou acelerar conforme eu ver que não tá doendo, mas fica tranquilo. Não quero te machucar. Quero que a gente se divirta", ela garantiu, beijando e acariciando ele. Sentou devagar no pau duro enfiado na camisinha, e montou ele sem pressa por alguns minutos, sempre perguntando como ele tava se sentindo. Não teve dor nem dificuldade. Ele pegou confiança rápido. 10 minutos depois, os braços dos dois estavam entrelaçados nas costas, se beijando com paixão e gemendo forte, até caírem deitados, com a camisinha cheia que ele esvaziou no vaso, sabendo que todos os convidados já tinham ido embora.
"Valeu, Soledad, ninguém nunca me fez sentir tão feliz. Como vocês", disse ele ao voltar.
"De nada, e faria de novo, porque vale a pena", respondeu ela, com os olhos semicerrados.
Dormiram juntos sem serem incomodados, abraçados como se tivessem se amado por décadas. Lá pelo amanhecer, Adriana abriu a porta e os encontrou, mas não quis atrapalhar. Sabendo das intenções de Soledad, esse final era previsível para ela, então fechou a porta silenciosamente e foi embora, não sem antes dizer "obrigada", porque agora ele não ia mais sofrer. Era a redenção que a vida deu depois de tanta tragédia.
2 comentários - Terapia dos inocentes