Travesti

Isso foi há muitos anos, em outra vida. Naquela época, eu vivia à noite, por profissão e por gosto pessoal. As madrugadas costumavam me pegar na contramão do povo que começava o dia quando eu ainda estava voltando.
Por um lado brilhante, por outro escura. Assim é a vida noturna, que te leva a lugares estranhos, meio sórdidos, cheios de aprendizado.
Naquela época, eu morava perto do Terminal Rodoviário. Todo mundo sabe que esses lugares costumam ser palco da atividade mais antiga do mundo, da qual eu era frequentador mais ou menos assíduo. Noite, vício, risada e busca por algum prazer efêmero que me fizesse acordar com um sorriso depois do meio-dia, quando amanhecia. Não costumava acontecer. A prática da prostituição profissional é cheia de questões obscuras e malignas que fazem a gente se meter em lugares onde tem gente que não está bem. De muitos jeitos, me arrependo de ter feito parte disso e sugiro aos homens que leem estas linhas que façam de tudo para não fazer o mesmo. Sem clientes não há exploração — isso é muito mais que um lema, é uma verdade.
Mas enfim, não era esse o assunto.
O assunto é uma experiência com uma travesti que mudou minha mentalidade e minha visão sobre meu próprio corpo e o prazer.
Naquela época, eu já tinha decidido parar de pagar por sexo. Tinha tido algumas experiências muito boas, mas dava pra contar nos dedos. O resto, no geral, eram frustrações ou puro golpe. Mas naquela noite, umas quatro da manhã, eu andava pelas ruazinhas do Terminal Rodoviário meio cambaleando por causa da bebida que tinha compartilhado com amigos até alguns minutos antes, e numa esquina ela me pediu fogo. Mina, meio baixinha mesmo montada nos saltos altos. Cabelo castanho comprido, nariguda, sorriso brilhante. Vestia uma minissaia e uma camisetinha preta sem manga, tinha os peitos feitos, mas pequenos, nada de chamativo ou exagerado.
Ela puxou conversa comigo, como quase todas naquelas paragens. circunstâncias. Ela me perguntou de onde eu vinha. Eu fui na conversa porque tava meio entediado e achei que quatro horas era cedo demais pra dormir. Na primeira insinuação de "vamos", respondi que não pagava por sexo, que me desculpasse, mas que não me fazia sentir bem.
Ela aceitou e, em vez de me mandar embora, me ofereceu outro cigarro e um muro baixo pra sentar e continuar batendo papo. O fluxo de possíveis clientes era mais ou menos constante, mas ela tava mais interessada em trocar ideias sobre astrologia comigo. Ela Escorpião, eu Capricórnio. A briga dos astros arrancou umas risadas da gente e esticou o tempo naquela noite meio quente até os passarinhos começarem a cantar com os primeiros raios do dia.
De repente, ficamos em silêncio e nos beijamos fundo, sem hesitar. O hálito de tabaco dela se misturou com o meu. A língua dela percorreu minha boca de ponta a ponta. Quente, cheia de tesão, tentando entrar dentro de mim. O corpinho dela se grudou no meu. Ela montou nas minhas pernas e, me abraçando por cima dos ombros, continuou me beijando daquele jeito tão gostoso.
Senti o sangue ferver nas veias e a poronga subir igual mastro dentro da calça. Queria despir ela, comer ela ali mesmo. Passei as mãos por baixo da saia curta dela e agarrei com força os glúteos depilados. Puxando a tanga, procurei o buraco da bunda dela pra acariciar com a ponta do dedo médio. Ela gemeu com a língua dentro da minha boca. Senti ela começar a se remexer também com o prazer que começava a rolar entre a gente. A rola dura dela roçava na minha barriga no vai e vem.
De repente, ela parou de me beijar e me convidou pro quarto dela. Foi assim que ela disse "quarto". Apontou com o dedo pra um lugar a duas quadras dali. Entre ofegos e o sangue batendo forte nas têmporas, repeti de novo que não pagava por sexo, sem parar de mexer no cu dela com os dedos.
— Já sei, idiota, não precisa ficar esfregando na minha cara toda hora. Te dou uma trepada de graça. — disse ela, rindo. Levantando de cima de mim. Estendeu a mão e me indicou o caminho até o lugar combinado.
Paramos umas duas vezes pra continuar transando. Ela cada vez mais grudada em mim, cada vez mais quentes. Numa dessas, enfiou a mão dentro da minha calça e acariciou meu pau escorrendo, que já não aguentava mais ficar preso. Tirei ele na rua e ela se abaixou pra chupar. Atrás de uma árvore, no meio do canto dos passarinhos e uma claridade cada vez mais forte, enfiou meu pau na boca como se finalmente provasse o petisco tão desejado. Até a garganta, bem fundo, provocando até um pequeno engasgo. Senti aquele prazer incrível que dá quando fazem uma mamada profunda dessas. A saliva escorria pelas minhas bolas quando ela se levantou de repente porque ouviu um ônibus virando na esquina. Colou em mim, escondendo meu sexo exposto dos olhares indesejados.
— Você tem um pau gostoso pra caralho. — disse ela, me beijando de novo. Senti o cheiro do meu pau nos lábios dela misturado com tabaco. Levantei a vista e vi o rosto assustado de uma senhora idosa na janela do ônibus, e voltei pros beijos dela, que era um futuro muito mais promissor.
Quando o ônibus passou, ela me pegou pelo pau duro e exposto e me levou como um cachorrinho de colo pelos últimos quinze metros até nosso destino.
Finalmente chegamos na porta de chapa pintada de verde com duas janelinhas de vidro que dava pra uma escada. Subimos um andar no escuro até chegar num patamar. Tinha três portas, uma delas aberta com uma TV ligada no Crônica TV. Ela se aproximou e fechou.
— É a dona, fica dormindo vendo TV. — sussurrou, me guiando até a porta da esquerda. Abriu devagar, sem fazer barulho com a chave, e entramos num quartinho de dois por dois metros cujo único móvel era uma cama de solteiro e um criado-mudo com três livros em cima. Reconheci a capa do Horóscopo Chinês que eu também comprava todo ano. Algumas roupas de homem e mulher largados por aí, numa espécie de bagunça plácida bem limpa. Ela tirou os saltos e se jogou na cama com as pernas abertas. Levantou a saia e puxou a tanga, deixando à mostra um pequeno pau de no máximo 12 centímetros, liso e duro, um pouco torto pra direita. Puxou o prepúcio pra baixo, deixando a cabeça à mostra, e me disse:
– Quer provar?
Tirando a camiseta, perguntei se ela tinha camisinha. Não tinha precisado comprar, aquilo era de improviso.
Ela esticou a mão direita e tirou uma tira de três da gaveta do criado-mudo. Me entregou. Eu me abaixei e peguei o pau dela com a mão direita, sentando no chão ao lado dela. Acariciava e olhava meio estranhado. Nunca tinha segurado um pau na mão. Também acariciei as bolinhas lisas dela, chegando até o cu e voltando com a palma aberta. Vi que, enquanto tirava a camiseta, deixava no ar as tetinhas feitas, que terminavam firmes em dois bicos bem escuros e grandes. Me aproximei e comecei a chupá-los. Carnudos e duros entre meus lábios, eu passava a língua pela pele áspera e rígida que ficava lisa com meu toque. E enquanto continuava batendo uma pra ela e lambendo as tetinhas pequenas implantadas, o rosto dela jogado pra trás e com os olhos fechados. Ela tava gozando e se deixava levar.
– Não se anima a chupar? – ela disse, saindo do devaneio.
Respondi que nunca tinha chupado um pau. Ela mesma colocou a camisinha que eu ainda segurava na mão esquerda e, guiando minha nuca, me aproximou do presente que me dava.
– Não tem ciência. Pensa em como você gosta de ser chupado.
Obedeci e lembrei da Marisa, uma das minhas primeiras namoradas, que me mamava até eu gozar na boca dela como ninguém nunca mais fez. Lembrava dos lábios dela sempre acariciando a pele. A mão acompanhando o movimento. O céu da boca que também servia de refúgio pro meu pau. E assim me joguei pra chupar. No começo, o látex incomodou um pouco. Depois Me acostumbrei e comecei a gostar do vai e vem da pica dentro da minha boca. A excitação que eu sentia vindo do corpo dela cada vez que ela enfiava de novo e eu acariciava com a língua. Minha mão que ia e vinha no mesmo ritmo, fazendo ela gozar. Ela apoiou as mãos quentinhas na minha nuca e começou a guiar melhor meu ritmo desordenado até eu pegar um vai e vem compassado que fazia ela gemer igual uma louca. Até que num momento ela se levantou, mandou eu tirar a calça e disse:
- Me fura o cu, por favor! - e se ajoelhou de quatro, me oferecendo a bunda, depois de passar saliva com a mão direita.

Enquanto eu colocava a camisinha, via aquele cuzinho lisinho, a calcinha fio dental puxada pro lado, o cu bem aberto, a rola balançando entre as pernas finas dela e as mãos dela abrindo as nádegas. Pensei na androginia dela. Era como um homenzinho magro e desengonçado. Mas ao mesmo tempo era uma mulher doce, com peitos e uma pele adorável pra chupar e chupar, toda depilada. Os pés dela me atraíam e, sem querer, me vi de repente dentro do cu dela, bombando e segurando ela pela cintura. Furando a bunda dela até as bolas baterem nas dela. Num momento, peguei na rola dela pela frente sem parar de foder. Ela ofegava louca, mas sem fazer muito barulho. Achei que era pra não acordar a dona da casa. Ela se levantou um pouco, se jogou de costas contra mim, me agarrou pela nuca pra eu beijar o pescoço dela e assim, colados e de joelhos naquela cama de solteiro, vendo o amanhecer pela janela, senti ela tremer e gozar nos meus braços, se revirando de prazer com minha pica no cu dela e jorrando gozo na minha mão e nos lençóis.

Parei de bombar, mas deixei a pica dentro do cu dela, só fazendo um movimento circular que me enlouquecia de tesão. Passei minha mão lambuzada de gozo dela nos peitinhos dela e beijei o pescoço dela, deixando ela cair nos lençóis também cheios de porra.
- Vem que eu chupo você. - ela disse, se deitando de barriga pra cima com a Cabeça perto da beirada da cama..
Uma das mãos dela começou a brincar com minhas bolas e um pouco mais pra baixo. Foi abrindo caminho devagar e apoiou um dedo na entrada do meu cu.
E eu, que não tava entendendo nada, de repente me joguei pra acariciar os peitos dela com frenesi. Ela teve que me parar porque eu tava machucando. Enquanto isso, peguei a cabeça dela por baixo das orelhas e comecei a meter forte na boca dela. Ela se deixava levar e, aos poucos, vi a pica dela ficar dura de novo.
Era o momento, finalmente.
— Coloca em mim, nunca fui comido — falei, ofegante e bêbado de tesão.
Ela riu no começo. Depois me fez ficar de quatro. Nunca tinha estado assim, totalmente à disposição dela, oferecendo o cu virgem pra uma completa desconhecida.
Na real, meu cu não era totalmente virgem. Meus dedos foram cúmplices eventuais nas minhas punhetas por muito tempo. De vez em quando enfiava uns objetos quando tava sozinho e com vontade.
Uma das minhas ex-namoradas gostava de chupar ele quando ficava bêbada.
Então o prazer do cu não era uma novidade completa pra mim. Mas uma pica, nunca. E aquele foi o momento certo pra começar.
Ela cuspiu duas vezes no meu cu. Senti a viscosidade e a mão dela passando por cima, enfiando um dedo primeiro pra ir abrindo. Fez isso de um jeito magistral. Devagar, com delicadeza. Esticando aos poucos os músculos do cu de um jeito que meu desejo e vontade de pica só cresciam. Até que ela colocou e eu vi estrelas.
O resto dos minutos que vieram foi uma onda de prazer que me levou e me fez rodar mentalmente pelo quarto inteiro. Sentindo o gozo inteiro dentro do meu cu, com a pica explodindo de prazer, me punhetando com uma mão. E ela furando sem piedade, cada vez mais fundo, cada vez mais pra dentro.
Senti ela gozar bem na hora que a dor começou a incomodar. Caí rendido de barriga pra cima. Ela me virou e, me punhetando com habilidade, me fez gozar em menos de um minuto. Gozei e fiquei ofegante, olhando fixo pro teto, tentando entender as novas sensações que percorriam meu corpo. Ela se deitou do meu lado e apoiou a cabeça no meu ombro.
O silêncio e o cansaço fizeram a gente dormir por uma hora, mais ou menos. Acordei assustado, sem saber direito onde tava. Levantei e vi ela nua, menos gostosa do que há pouco. Me vesti rápido e acordei ela, dizendo que precisava ir.
Ela me deu um selinho e falou pra eu sair direto, sem dar bola pra dona da casa.
— Qual é seu nome? — ela perguntou antes de eu passar pela porta.
— Abel, é meio feio.
— É bonito! Prazer, Abel, eu sou a Luchi. Se cuida. Foi um puta sexo!
Fechei a porta atrás de mim. Passei na frente da porta entreaberta, onde uma senhora de cabelos grisalhos sentada assistia Crônica TV. Saí na rua e tudo parecia igual. O movimento mecânico da cidade preenchia o silêncio de pouco tempo atrás.

10 comentários - Travesti

Hermoso relato, tan natural y sórdido como sólo Ud sabe contar....
Me dió tristeza la frase: "Me paré y la vi desnuda y menos bella que hacía un rato"...
gracias Lady! Las cosas a veces hay que contarlas como son, no? Y a quien no le ha pasado de levantarse y ver menos bell@ a la pareja de la noche anterior?
Muy buena historia . .muy buena pluma .van pts
Muchas gracias por el piropo, los puntos y sobre todo por detenerse a leer.
La practica de la prostitución profesional está llena de cuestiones oscuras y malvadas que hacen que uno se meta en lugares donde hay gente que no la pasa bien. completamente de acuerdo estimado
Uno a veces se equivoca y transmito un deseo de que los demas no caigan en el mismo error. Creo fervientemente en que no hay que pagar por sexo, sobre todo por quienes son victimas de explotacion de hijos de puta que ganan con el sufriento ajeno.
P! Quizas no sea el mas indicado, pero si un buen lugar para decirlo
todas las trincheras hay que ocupar (me salio a lo Yoda), ademas creo mas posible que alguien tome conciencia si le hablas en un lenguaje que pueda comprender y no uno que lo ponga a la defensiva inmediatamente...el debate entre las abolicionistas y las regulacionistas es arduo, largo y complejo pero no hay que olvidar que lo gordo del iceberg es la explotacion y la trata de personas
Excelente el relato, bien caliente como siempre y sin prejuicios, y no menos importante el mje del principio al cual adhiero..
Muchisimas gracias!
El alcohol y la oscuridad dan mucha belleza jajaja Por eso las discotecas y los pubs están tan oscuros jajajaja
Buen relato, van puntos
Sobre la prostitución, yo soy partidario de la regulación, intentar perseguirla solo consigue hacerla clandestina y por tanto mejor para las mafias.