Se ainda não leu, aqui está minha história. Escrever ela realmente me liberta, tô tentando me descobrir e isso é libertador pra caralho...(estou postando da minha nova conta porque na outra não consegui mais entrar, espero que não apaguem)
Na verdade, não sei por onde começar. Tá sendo difícil escrever essa experiência, mas vou tentar. Tudo começou há muitos anos, achando que era uma brincadeira, uns dez anos atrás mais ou menos. Fui visitar minha família na cidade de Buenos Aires, cheguei na estação Constitución e peguei o trem, o "elétrico". Descia na estação de Lomas de Zamora, então tinha uma viagem longa. Como não podia ser diferente, na primeira parada lotou, e na segunda explodiu (desde aquela época já se viajava mal). Aí a gente se apertou todo. Não cabia mais ninguém e no meio do aperto sinto uma roçada. Pela suavidade e pelo acolchoado, era uma bunda. Puta que pariu, pensava, e eu namorando (tava muito noiado com chifre). Segurei a onda, relaxei e curti a roçada, que mais eu podia fazer? Olhei por cima do ombro e confirmei minha suspeita: vi um cabelo liso e longo, preto. Fiquei assim até descer e, como não sou de pedra, fiquei excitado, não tava duraço, mas começou a endurecer. Quando tô quase descendo, viro a cabeça de novo pra ver se conseguia guardar o rosto de lembrança e não vi nenhuma mulher, eram só caras e a de cabelo longo também. Passei a viagem toda roçando a bunda de um mano. Saí mais rápido e com muita vergonha. O cara nem percebeu, era tudo paranoia minha. Caminho pro apartamento que aluguei (família é família, mas melhor ficar sozinho), onde esperaria minha namorada, que viria uma semana depois. Cheguei, larguei as coisas e me joguei pra descansar, mas não conseguia dormir. Tava na minha cabeça tudo que tinha acontecido minutos antes. Não sei como caralho aconteceu, mas começou a endurecer involuntariamente. Tava ficando excitado com um homem. Isso não podia acontecer comigo. Levantei bem rápido e prometi a mim mesmo não pensar mais nisso. Fui tomar banho. Vou contar um pouco de mim: sou moreno e meio gordinho, tenho 1,80m e Peso uns 90 quilos, não tenho o corpo do Cristiano Ronaldo, mas também não sou o Diego... hahaha. Trabalho num escritório de contabilidade, foi lá que conheci a Clara, minha namorada. Saí do banheiro e preparei uns mates. E o que ela tinha me prometido não rolou. Voltei a pensar na viagem onde minha Booty se esfregava na de outro cara. Não aguentei mais e me masturbei...
Minha namorada chegou no apartamento uma semana depois da minha primeira experiência. A Clara vinha com muita vontade de ter nosso tempo a sós, fazia 20 dias que a gente não se via. Basicamente, queria transar. A Clarita tem uns peitos lindos e uma bunda boa, não é super empinada, mas se vira, é morena, 1,60m, e uma boca linda com uns lábios de dar inveja. Faz os melhores boquetes que você pode imaginar. Ela adora percorrer a rola dos ovos até a cabeça, se você descuidar, ela te seca em 15 minutos. E foi assim, ela me comeu de novo e de novo. A noite toda. Fiquei moído. Descansamos da trepada contínua, tomamos café e fomos passear em Caballito. Um primo veio nos buscar com a namorada dele. Ficamos de bobeira o dia todo. Voltamos pro apê e a Clara decidiu dormir cedo. Eu falei que ia ficar respondendo uns e-mails.
Então peguei o note e comecei a caça. Embora minha namorada tivesse me deixado muito excitado na noite anterior, ainda tinha na cabeça que eu tinha me masturbado pensando num homem. Tava super confuso e intrigado ao mesmo tempo. Foda-se, pensei, vou procurar umas fotos de homens pelados. Não sei por que tava fazendo aquilo. Talvez ainda estivesse obcecado com aquele cara, talvez quisesse saber se foi coisa do momento e o que aconteceria ao ver homens no pelo, ou talvez fosse gay ou bissexual. Uma puta bagunça na cabeça. A questão é que de página em página fui parar no Poringa. E entre uma coisa e outra, olhando fotos de shemales. Porra, pensava, parecem gostosas, mas com uma puta piroca. Comecei a ficar excitado e a ter uma ereção. Os vídeos me tentavam, mas a Clara tava no quarto e se eu vacilasse, dava merda, então continuei com as imagens e os contos (um deles me animou a escrever essa história, minha história). Tava tão vidrado que nem ouvi ela levantar. Ela falou: "O que você tá olhando?" Que merda, ela me pegou no flagra, com o pau duro igual uma pedra. Fechei tudo rápido, mas ela conseguiu ver um peito. "O que cê tá fazendo? Qual é o seu problema? É burro ou tarado?" Foda-se tudo. "Fala, me explica." Já era, falei a primeira coisa que veio na cabeça. "Sabe o que é, amor, fiquei com muito tesão pensando no que a gente fez ontem à noite, aí quis ver um pornozinho e não queria te acordar porque te vi morta de cansada." Já esperava um tapa e uma enxurrada de xingamentos. Mas não, ela soltou: "Podia ter me acordado, papai. Tô vendo que você tá com tesão mesmo, bebê. Olha o tamanho dessa pica." Duas opções: ou ela ainda tava meio bêbada (a gente jantou num restaurante que fica embaixo do hotel e bebeu pra caralho) ou se fez de sonsa. O ponto é que ela me fez um boquete foda e eu escapei. Tava tão excitado que gozei rápido, mais do que de costume. Será que foi por causa das carícias da Clarita no meu pau ou pelas coisas que a internet me mostrou? Quantas coisas numa cabeça só, porra! De madrugada, ela me acordou e literalmente me violentou. Por enquanto, tudo continuava igual.
Depois daquela madrugada, passamos uma semana como namorados que acabaram de se conhecer. Era sair, comer e transar. Não sei se eu queria parar de pensar nos caras ou o quê, mas a rabuda me secava toda noite, sempre a mesma sequência, igual mas diferente a cada vez. Eu me jogava na cama e ela, suavemente, tirava minha camisa, beijava meu peito. Brincava com meus mamilos. Me percorria devagar até chegar na minha calça. Desabotoava. Puxava pra baixo e começava a acariciar a pica por cima da cueca. Colocava o rosto na minha barriga e, com os peitos lindos dela, roçava em mim. Depois de um tempo, juntava o rosto dela com o meu e implorava pra eu despir ela. Eu não era tão romântico, e ela adorava isso. Tirava a roupa dela na brutalidade e quase arrancava a calcinha. E naquele momento, ela pedia pra eu chupar a buceta dela. Que sucos gostosos. Depiladinha do jeito que eu gosto. Cada vez que eu passava minha língua, ela se contorcia de prazer. E, aos poucos, meus dedos iam brincando com a buceta dela. Quando ela tava bem molhadinha, a gente trocava os papéis. A Clara, com aqueles lábios carnudos, faz mágica, já contei pra vocês. Se você descuidar, ela te faz gozar na hora. Brincava um pouco com a minha cabeça e lambia como se fosse um sorvete até chegar nas minhas bolas. Outra festa. A gente se esquentava mais um pouco e partia pra ação. Nessa parte, a gente adorava brincar muito. De quatro, papai e mamãe, em pé, tradicional... um carnaval de posições. E o mais lindo era gozar juntos e descansar a trepada, não era algo comum essa última sequência, mas quando acontecia era sublime. Na última noite, ela entregou a raba. Que apertadinha que ela tinha. Bem fechadinha, tanto que me fazia sentir virgem. Essa foi a melhor. Primeiro a gente transou por frente e com os sucos dela lubrificamos atrás e, aos poucos, a festa ficou frenética. Uma loucura. Quando o ônibus que ia levá-la pra casa tava saindo, ela me disse algo tipo: — Te vi olhando pra travestis naquela noite, quando você voltar a gente conversa e, se quiser, a gente procura um pra nos acompanhar. Ela se afastou de mim devagar, não sem antes morder minha orelha de um jeito sensual, me olhou e sorriu safada. Me beijou e a língua dela percorreu toda a minha boca. Eu fiquei duro. Tava atônito. Vi o ônibus partir e a mão da Clara acenando. Não restavam dúvidas, a Clarita tinha se feito de sonsa. Eu tinha ficado sozinho. Tinha dois dias de liberdade total pra pensar e repensar tudo que tinha acontecido. Voltando pro apê, sentei num bar, pedi uma cerveja e fiquei olhando o povo passar. Tava meio entediado, então peguei meu celular e comecei a ver minhas redes sociais. Tava no Twitter (mais livre que o Facebook) e, de uma coisa e outra, comecei a procurar acompanhantes pra passar o tempo. Tava sozinho. Ela a caminho de casa. Talvez tenha sido minha curiosidade ou tinha que acontecer. De mulheres, passei a procurar homens. Resumindo, acabei marcando de encontrar uma shemale num cinema pornô, num bairro de Palermo. Esclarecendo, eu amo minha namorada, mas não podia ir embora sem tirar essa dúvida. Eu precisava disso. Algo dentro de mim me dizia. Ela se chamava Carolina. Eu disse a ela que me chamava Alberto. O encontro foi bem de filme. Ela me esperava na porta, devia estar usando uma calça jeans, uma jaqueta preta de couro e uma bolsa vermelha com uma flor grande. Tava meio assustado, com medo de cair num golpe e ser roubado, então pedi o número dela. Ela me passou na hora. Marcamos pras 23h. Meio na diagonal do cinema tem um bar. Na hora combinada, sentei numa mesa que me deixava ver a entrada do cinema. Foi lá que eu vi ela. Antes de me encontrar, queria ter certeza de que não era uma armadilha. 23:15 liguei pra ela e falei que tinha me atrasado. Ela disse que ia me esperar. Tava sozinha na porta. Lá pelas 23:45 criei coragem e atravessei. — Oi, Carolina? — Alberto? A gente respondeu com a cabeça e entramos. Nessas salas, o filme não importa muito, então não tem problema se você entra no meio ou no final, é meio contínuo. Também não importa onde você senta, não precisa se esconder porque todo mundo tá na mesma e cada um na sua. Sentamos. — Tava ficando impaciente, já achava que era zoeira. Ela falou, e aí me soltei e começamos a conversar sobre o trabalho dela e os perigos da noite, enquanto o filme passava. Era sobre um traveco que comia tudo que via pela frente. Carolina era de altura média, rosto bonito e lábios melhores ainda, peitos bons e uma bunda empinada (a calça ajudava muito). Se você olhasse rápido, nem percebia que ela tinha pau. Conversa vai, conversa vem, ela pegou na minha mão. Pra mim, ela percebeu que era minha primeira vez. — Não vai acontecer nada que você não queira. Carito sabe esperar. Foi o filme e os gemidos dela, ou a ternura com que ela disse aquelas palavras, não sei, mas a gente se entregou num beijo. Era meu primeiro contato com os lábios de um homem. Ficamos um tempão. Ela desceu as mãos e sentiu minha ereção. Fiquei paralisado. Ela se afastou um pouco e olhou nos meus olhos. Intuiu o que tava rolando comigo. — Calma, ela disse. Acariciou meu rosto, depois meu braço e foi descendo até chegar na minha mão. Me deixei levar. Devagar, levou minha mão até a virilha dela e eu senti. Era enorme. Acariciei com medo e voltei a olhar pra tela. Ela sabia. Me deu um beijo na testa e falou: — Você me liga amanhã? Concordei com a cabeça. — Umas 10 horas já tô de pé. Concordei de novo com um movimento tímido. Ela foi embora. Fiquei mais um tempo e fui embora também. Não me cobrou. Eu tava em outro mundo. Minha cabeça começava a abrir. Ela sabia.
Quando liguei pra ela, já tava no busão. Não sabia como lidar com a situação. Carolina sabia que eu tava cagado de medo, então ela mesma se desculpou comigo, uma foda. Ficamos numa outra promessa, uma promessa absurda e forçada. Nos ver de novo. No fundo, eu sabia que era só conversa fiada, mas fazer o quê. Durante a viagem, a parada mudou um pouco, passamos um tempão trocando mensagem no zap. A coisa tava esquentando, ela literalmente mexeu com minha cabeça, manjava demais na hora de deixar um cara excitado. Me mandou umas fotos. Primeiro dos peitos, da boca sensual molhada pela língua, e, claro, não podia faltar uma daquela porra enorme apertada na calça, com a legenda "um dia pode ser seu". Pronto!!!! Os ratos tavam a mil. Pedi pra ela parar de mandar essas porque ou eu infartava ou voltava correndo. Aí a coisa desandou e a gente continuou falando besteira. Nos despedimos. De novo prometendo utopias, só que dessa vez parecia mais real.
Desci do busão. Tava em casa. Clarita me esperava na estação. Correu até onde eu tava e a gente se beijou forte, e de quebra ela pegou na minha rola. — Parece que você tá precisando, ela falou, e eu, óbvio, entrei na brincadeira. A viagem inteira até o bairro a gente fez num busão, o 524. O caminho todo ela foi me provocando. Abrimos a porta do apê (na verdade é uma casa daquelas tipo chalé) e ali mesmo ela me comeu. Literalmente me deixou moído. Não sobrou um canto da casa que não fosse testemunha do nosso love. No meio da maratona, quatro no total, Fiquei sem camisinha, mas por sorte ela toma anticoncepcional (como eu disse antes, sou muito cagão, por isso a dupla proteção). Depois dormimos um pouco. Já era um tempo considerável. Eu tinha chegado perto do meio-dia e já era hora do jantar.
Acordei e comecei a preparar a janta. Clara levantou um tempo depois. Comemos e fomos pro sofá, ligamos a TV. Não conseguia parar de pensar na Caro e nas últimas palavras dela. Acabamos dormindo de novo.
A campainha de casa tocou. Atendo o telefone e uma voz muito meiga diz:
- Me abre? Não podia ser, aquela voz era muito familiar.
- Sou a Carito. Como ela tinha conseguido meu endereço? Como sabia que a Clara não estava? A verdade é que não ligava muito.
- Sim, já vou. A primeira coisa que pensei, enquanto me trocava, foi que com as redes sociais hoje a privacidade perdeu o segredo, então com certeza foi lá que ela conseguiu meu endereço. Do apartamento até o portão de entrada deve ter uns 15 metros, assim que comecei a caminhada com a chave na mão, pude ver ela com a mochila e o rosto lindo meio cansado, mas nem por isso sem o brilho de uma mulher, já não importavam mais os órgãos sexuais dela. Aquela imagem era de uma mulher gostosa. Assim que me viu, me cumprimentou com a mão, igualzinho as adolescentes fazem. Vi ela sorrir. Eu também sorri. Acelerei o passo.
- Já coloquei a água no fogo.
- Show, com esse frio costeiro, uns mates vão cair muito bem.
- Pode crer, e eu faço muito bem. Abri o portão e nos abraçamos, como dois velhos amigos. Ficamos assim por um tempo. Fechei e começamos a curta caminhada até casa. Me sentia muito bem com ela. Aqueles poucos metros me permitiram admirar uma mulher natural, com uma graça esplêndida, cheia de vida, simples, meiga… Porra, tava fritando minha cabeça.
Rapidamente mostrei a casa, preparei umas torradas e a água já estava no ponto. No meio do preparo do café, olhei de canto pra ela. Ela tava me dando uma escaneada braba. De novo vi ela sorrir. Arrumei a mesa e começamos o papo. Ela me contou da pesquisa dela na web pra dar comigo (Não podia ser de outro jeito).
—Me ligava e evitava a espionagem.
—Você ia atender? Ia me passar seu endereço? Entre a espada e a parede.
—A verdade?
—Por favor.
—Não.
—Por quê?
—Não tenho muito claro. Talvez meu estado civil tenha algo a ver. Explosão de gargalhadas, até que o celular tocou. Porra, era a Clara. Pedi pra ela não fazer barulho. Ela piscou um olho. Muito esperta a portenha.
—Amor, não deu pra almoçar. Vou com a mãe até a Vidal. Volto à noite.
—Qual é a dessa? Já comecei a desconfiar, quer me passar a perna, com certeza tá com um otário (Uma grande hipócrita).
—Vou pela venda da casa.
—Fica tranquilo, filhote. Devolvo ela sã e salva.
—Lembra que em setembro a gente tinha que ir assinar?
—Ah, certo, desculpa.
—A gente se vê à noite, beijos. Te amo.
—Eu também. A gente se vê à noite, se cuidem na estrada. Esse "te amo" foi uma facada. Não dava pra continuar assim. Tinha que tomar uma atitude. Mas isso ficaria pra outro momento.
Preciso confessar que aquela ligação me deixou meio tenso. E ela percebeu.
—Que momento, né?
—Verdade, sim. Obviamente ela tinha notado minha mudança de humor. Silêncio.
Precisava sair de casa. Propus mostrar a cidade pra ela e ela aceitou feliz. Também queria dar um tempo naquele clima. Subimos no carro e começamos a dar voltas até parar de frente pro mar. Era quase 6 da tarde.
—Você tem onde ficar?
—Sim, no hotel Améyummy.
—Fica aqui perto.
—Quer que eu vá embora?
—A verdade?
—Por favor.
—Não.
Nos olhamos por um bom tempo, ouvindo só nossas respirações. Os vidros começaram a embaçar. Ela começou a me acariciar. Minha mente voava. A gente se beijou. Ela me beijou com ternura. Como não podia ser diferente, fiquei de pau duro. Ela percebeu.
—Não vai rolar nada que você não queira. Olhei pra ela desejando que as coisas rolassem. Ela desabotoou minha calça e, por dentro da minha cueca, pegou meu pau com a mão. Fechei os olhos e me deixei levar. Ela começou a lamber, brincava com minhas bolas. Pra Caro, era como um brinquedo. preciado. Fui enfiando ele devagar na boca dela, até desaparecer. Foi o boquete mais gostoso que já tinha recebido. Em pouco tempo gozei na boca dela. Ela engoliu meu leite. Foi descendo pelo meu peito, desviando dos poucos botões que ainda estavam presos na minha camisa. A gente se encarou. Cruzamos nossos olhares e nos fundimos num beijo. Um beijo sujo e excitante.
Ficamos um tempo em silêncio. Eu tava duro de novo.
— Melhor parar por aqui.
— Como quiser. Você me liga amanhã? Saio às 4 da tarde.
— Sim.
Não tinha dúvida, eu queria continuar.
— Não me machuca. Meu coração parou.
— Como pensar em te machucar. Clara estava quase chegando. Liguei o carro e fomos até o hotel. Ela desceu. Não teve beijo. Prometemos deixar pra manhã seguinte. A gente gostou de encontrar um jeito novo de sentir saudade. Voltei pra casa.
O despertador tocou. Acordei feliz. Virei a cabeça e lá estava ela. Abriu os olhos. Não sei o que era. Mas a Clarita tava linda. Me beijou a testa e foi preparar o café. Meus lábios lembraram a maciez do último beijo naquele cinema. Me troquei e fui pra sala de jantar na esperança de sonhar assim de novo.
O café foi normal, arrumamos as coisas e ela me encarou.
— Você fica entediado comigo?
— Imagina, que isso.
— Tem certeza? E essa história das fotos de travestis que te peguei vendo em Capital? Tava fudido. Não soube o que dizer. Então me desculpei como sempre. Clara não acreditou, mas percebeu que não adiantava insistir. Terminei de me trocar e saí pro escritório. O celular toca. Mensagem da Carito perguntando como eu tava. Nada demais, uma pergunta inocente, mas já comecei a viajar. A puta da mãe, não podia ser que a cada insinuação eu já ficasse pilhado. Respondi. Palavra vai, palavra vem, liguei pra ela e contei do sonho... a gente riu pra caralho. Já tava chegando, desligamos com a ideia de falar mais tarde. Deixei minhas coisas na mesa, repeti os cumprimentos de sempre, preparei o mate e abri o e-mail. Um E-mail da diretoria. Porra, que merda será que queriamam dessa vez. Semana cheia, na quarta-feira tinha que estar no escritório em Córdoba pra fechar uns memorandos e umas papeladas absurdas, que tranquilamente dava pra fazer do sofá de casa. Um dia de merda, e por isso não acabava nunca. Quando finalmente tava voltando pra casa, enfiei o viva-voz e liguei pra Carolina. Não sei por que caralhos não liguei pra Clarita, sei lá... naquele momento tava com tesão e foi a primeira coisa que me veio na cabeça. Talvez ajudasse que em casa eu sempre tenho a mesma resposta e naquela hora precisava ouvir outra opinião. Ela não atendeu. Não podia piorar. No tempo que levei da garagem até em casa, mandei um áudio no WhatsApp contando tudo. Jantamos e fui dormir cedo, nada de carinho nem sexo, no dia seguinte eu ia viajar e, sinceramente, zero vontade. De madrugada, levantei pra ir ao banheiro e vi que a luzinha do celular tava piscando com uma notificação. Tinha 4 chamadas perdidas da Carolina e uma mensagem no WhatsApp que dizia (palavras textuais, ainda guardo): "Que merda, lindo, tranquilo, já vamos nos ver"... Quê? Só isso? Fiquei puto, não respondi e voltei a dormir. Tinha contado uma parada pesada e ela me mandava essa, não era obrigada a ter pena nem nada, mas esperava mais. Como tinha que viajar, de manhã não fui. Almocei com a Clari e fui pro terminal pegar o ônibus pra Córdoba capital. Já no busão, quis responder, mas não fazia mais sentido, que se foda... me senti um otário, depositando uma parte de mim em alguém que mal conhecia. Cheguei bem cedo, quase de madrugada na quarta. Tinha dois dias de trampo a muitos quilômetros de casa, sozinho e esperando sexta-feira pra voltar. Era hora de relaxar e seguir com minha vida, ou pelo menos era o que eu achava...
Na verdade, não sei por onde começar. Tá sendo difícil escrever essa experiência, mas vou tentar. Tudo começou há muitos anos, achando que era uma brincadeira, uns dez anos atrás mais ou menos. Fui visitar minha família na cidade de Buenos Aires, cheguei na estação Constitución e peguei o trem, o "elétrico". Descia na estação de Lomas de Zamora, então tinha uma viagem longa. Como não podia ser diferente, na primeira parada lotou, e na segunda explodiu (desde aquela época já se viajava mal). Aí a gente se apertou todo. Não cabia mais ninguém e no meio do aperto sinto uma roçada. Pela suavidade e pelo acolchoado, era uma bunda. Puta que pariu, pensava, e eu namorando (tava muito noiado com chifre). Segurei a onda, relaxei e curti a roçada, que mais eu podia fazer? Olhei por cima do ombro e confirmei minha suspeita: vi um cabelo liso e longo, preto. Fiquei assim até descer e, como não sou de pedra, fiquei excitado, não tava duraço, mas começou a endurecer. Quando tô quase descendo, viro a cabeça de novo pra ver se conseguia guardar o rosto de lembrança e não vi nenhuma mulher, eram só caras e a de cabelo longo também. Passei a viagem toda roçando a bunda de um mano. Saí mais rápido e com muita vergonha. O cara nem percebeu, era tudo paranoia minha. Caminho pro apartamento que aluguei (família é família, mas melhor ficar sozinho), onde esperaria minha namorada, que viria uma semana depois. Cheguei, larguei as coisas e me joguei pra descansar, mas não conseguia dormir. Tava na minha cabeça tudo que tinha acontecido minutos antes. Não sei como caralho aconteceu, mas começou a endurecer involuntariamente. Tava ficando excitado com um homem. Isso não podia acontecer comigo. Levantei bem rápido e prometi a mim mesmo não pensar mais nisso. Fui tomar banho. Vou contar um pouco de mim: sou moreno e meio gordinho, tenho 1,80m e Peso uns 90 quilos, não tenho o corpo do Cristiano Ronaldo, mas também não sou o Diego... hahaha. Trabalho num escritório de contabilidade, foi lá que conheci a Clara, minha namorada. Saí do banheiro e preparei uns mates. E o que ela tinha me prometido não rolou. Voltei a pensar na viagem onde minha Booty se esfregava na de outro cara. Não aguentei mais e me masturbei...
Minha namorada chegou no apartamento uma semana depois da minha primeira experiência. A Clara vinha com muita vontade de ter nosso tempo a sós, fazia 20 dias que a gente não se via. Basicamente, queria transar. A Clarita tem uns peitos lindos e uma bunda boa, não é super empinada, mas se vira, é morena, 1,60m, e uma boca linda com uns lábios de dar inveja. Faz os melhores boquetes que você pode imaginar. Ela adora percorrer a rola dos ovos até a cabeça, se você descuidar, ela te seca em 15 minutos. E foi assim, ela me comeu de novo e de novo. A noite toda. Fiquei moído. Descansamos da trepada contínua, tomamos café e fomos passear em Caballito. Um primo veio nos buscar com a namorada dele. Ficamos de bobeira o dia todo. Voltamos pro apê e a Clara decidiu dormir cedo. Eu falei que ia ficar respondendo uns e-mails.
Então peguei o note e comecei a caça. Embora minha namorada tivesse me deixado muito excitado na noite anterior, ainda tinha na cabeça que eu tinha me masturbado pensando num homem. Tava super confuso e intrigado ao mesmo tempo. Foda-se, pensei, vou procurar umas fotos de homens pelados. Não sei por que tava fazendo aquilo. Talvez ainda estivesse obcecado com aquele cara, talvez quisesse saber se foi coisa do momento e o que aconteceria ao ver homens no pelo, ou talvez fosse gay ou bissexual. Uma puta bagunça na cabeça. A questão é que de página em página fui parar no Poringa. E entre uma coisa e outra, olhando fotos de shemales. Porra, pensava, parecem gostosas, mas com uma puta piroca. Comecei a ficar excitado e a ter uma ereção. Os vídeos me tentavam, mas a Clara tava no quarto e se eu vacilasse, dava merda, então continuei com as imagens e os contos (um deles me animou a escrever essa história, minha história). Tava tão vidrado que nem ouvi ela levantar. Ela falou: "O que você tá olhando?" Que merda, ela me pegou no flagra, com o pau duro igual uma pedra. Fechei tudo rápido, mas ela conseguiu ver um peito. "O que cê tá fazendo? Qual é o seu problema? É burro ou tarado?" Foda-se tudo. "Fala, me explica." Já era, falei a primeira coisa que veio na cabeça. "Sabe o que é, amor, fiquei com muito tesão pensando no que a gente fez ontem à noite, aí quis ver um pornozinho e não queria te acordar porque te vi morta de cansada." Já esperava um tapa e uma enxurrada de xingamentos. Mas não, ela soltou: "Podia ter me acordado, papai. Tô vendo que você tá com tesão mesmo, bebê. Olha o tamanho dessa pica." Duas opções: ou ela ainda tava meio bêbada (a gente jantou num restaurante que fica embaixo do hotel e bebeu pra caralho) ou se fez de sonsa. O ponto é que ela me fez um boquete foda e eu escapei. Tava tão excitado que gozei rápido, mais do que de costume. Será que foi por causa das carícias da Clarita no meu pau ou pelas coisas que a internet me mostrou? Quantas coisas numa cabeça só, porra! De madrugada, ela me acordou e literalmente me violentou. Por enquanto, tudo continuava igual.
Depois daquela madrugada, passamos uma semana como namorados que acabaram de se conhecer. Era sair, comer e transar. Não sei se eu queria parar de pensar nos caras ou o quê, mas a rabuda me secava toda noite, sempre a mesma sequência, igual mas diferente a cada vez. Eu me jogava na cama e ela, suavemente, tirava minha camisa, beijava meu peito. Brincava com meus mamilos. Me percorria devagar até chegar na minha calça. Desabotoava. Puxava pra baixo e começava a acariciar a pica por cima da cueca. Colocava o rosto na minha barriga e, com os peitos lindos dela, roçava em mim. Depois de um tempo, juntava o rosto dela com o meu e implorava pra eu despir ela. Eu não era tão romântico, e ela adorava isso. Tirava a roupa dela na brutalidade e quase arrancava a calcinha. E naquele momento, ela pedia pra eu chupar a buceta dela. Que sucos gostosos. Depiladinha do jeito que eu gosto. Cada vez que eu passava minha língua, ela se contorcia de prazer. E, aos poucos, meus dedos iam brincando com a buceta dela. Quando ela tava bem molhadinha, a gente trocava os papéis. A Clara, com aqueles lábios carnudos, faz mágica, já contei pra vocês. Se você descuidar, ela te faz gozar na hora. Brincava um pouco com a minha cabeça e lambia como se fosse um sorvete até chegar nas minhas bolas. Outra festa. A gente se esquentava mais um pouco e partia pra ação. Nessa parte, a gente adorava brincar muito. De quatro, papai e mamãe, em pé, tradicional... um carnaval de posições. E o mais lindo era gozar juntos e descansar a trepada, não era algo comum essa última sequência, mas quando acontecia era sublime. Na última noite, ela entregou a raba. Que apertadinha que ela tinha. Bem fechadinha, tanto que me fazia sentir virgem. Essa foi a melhor. Primeiro a gente transou por frente e com os sucos dela lubrificamos atrás e, aos poucos, a festa ficou frenética. Uma loucura. Quando o ônibus que ia levá-la pra casa tava saindo, ela me disse algo tipo: — Te vi olhando pra travestis naquela noite, quando você voltar a gente conversa e, se quiser, a gente procura um pra nos acompanhar. Ela se afastou de mim devagar, não sem antes morder minha orelha de um jeito sensual, me olhou e sorriu safada. Me beijou e a língua dela percorreu toda a minha boca. Eu fiquei duro. Tava atônito. Vi o ônibus partir e a mão da Clara acenando. Não restavam dúvidas, a Clarita tinha se feito de sonsa. Eu tinha ficado sozinho. Tinha dois dias de liberdade total pra pensar e repensar tudo que tinha acontecido. Voltando pro apê, sentei num bar, pedi uma cerveja e fiquei olhando o povo passar. Tava meio entediado, então peguei meu celular e comecei a ver minhas redes sociais. Tava no Twitter (mais livre que o Facebook) e, de uma coisa e outra, comecei a procurar acompanhantes pra passar o tempo. Tava sozinho. Ela a caminho de casa. Talvez tenha sido minha curiosidade ou tinha que acontecer. De mulheres, passei a procurar homens. Resumindo, acabei marcando de encontrar uma shemale num cinema pornô, num bairro de Palermo. Esclarecendo, eu amo minha namorada, mas não podia ir embora sem tirar essa dúvida. Eu precisava disso. Algo dentro de mim me dizia. Ela se chamava Carolina. Eu disse a ela que me chamava Alberto. O encontro foi bem de filme. Ela me esperava na porta, devia estar usando uma calça jeans, uma jaqueta preta de couro e uma bolsa vermelha com uma flor grande. Tava meio assustado, com medo de cair num golpe e ser roubado, então pedi o número dela. Ela me passou na hora. Marcamos pras 23h. Meio na diagonal do cinema tem um bar. Na hora combinada, sentei numa mesa que me deixava ver a entrada do cinema. Foi lá que eu vi ela. Antes de me encontrar, queria ter certeza de que não era uma armadilha. 23:15 liguei pra ela e falei que tinha me atrasado. Ela disse que ia me esperar. Tava sozinha na porta. Lá pelas 23:45 criei coragem e atravessei. — Oi, Carolina? — Alberto? A gente respondeu com a cabeça e entramos. Nessas salas, o filme não importa muito, então não tem problema se você entra no meio ou no final, é meio contínuo. Também não importa onde você senta, não precisa se esconder porque todo mundo tá na mesma e cada um na sua. Sentamos. — Tava ficando impaciente, já achava que era zoeira. Ela falou, e aí me soltei e começamos a conversar sobre o trabalho dela e os perigos da noite, enquanto o filme passava. Era sobre um traveco que comia tudo que via pela frente. Carolina era de altura média, rosto bonito e lábios melhores ainda, peitos bons e uma bunda empinada (a calça ajudava muito). Se você olhasse rápido, nem percebia que ela tinha pau. Conversa vai, conversa vem, ela pegou na minha mão. Pra mim, ela percebeu que era minha primeira vez. — Não vai acontecer nada que você não queira. Carito sabe esperar. Foi o filme e os gemidos dela, ou a ternura com que ela disse aquelas palavras, não sei, mas a gente se entregou num beijo. Era meu primeiro contato com os lábios de um homem. Ficamos um tempão. Ela desceu as mãos e sentiu minha ereção. Fiquei paralisado. Ela se afastou um pouco e olhou nos meus olhos. Intuiu o que tava rolando comigo. — Calma, ela disse. Acariciou meu rosto, depois meu braço e foi descendo até chegar na minha mão. Me deixei levar. Devagar, levou minha mão até a virilha dela e eu senti. Era enorme. Acariciei com medo e voltei a olhar pra tela. Ela sabia. Me deu um beijo na testa e falou: — Você me liga amanhã? Concordei com a cabeça. — Umas 10 horas já tô de pé. Concordei de novo com um movimento tímido. Ela foi embora. Fiquei mais um tempo e fui embora também. Não me cobrou. Eu tava em outro mundo. Minha cabeça começava a abrir. Ela sabia.
Quando liguei pra ela, já tava no busão. Não sabia como lidar com a situação. Carolina sabia que eu tava cagado de medo, então ela mesma se desculpou comigo, uma foda. Ficamos numa outra promessa, uma promessa absurda e forçada. Nos ver de novo. No fundo, eu sabia que era só conversa fiada, mas fazer o quê. Durante a viagem, a parada mudou um pouco, passamos um tempão trocando mensagem no zap. A coisa tava esquentando, ela literalmente mexeu com minha cabeça, manjava demais na hora de deixar um cara excitado. Me mandou umas fotos. Primeiro dos peitos, da boca sensual molhada pela língua, e, claro, não podia faltar uma daquela porra enorme apertada na calça, com a legenda "um dia pode ser seu". Pronto!!!! Os ratos tavam a mil. Pedi pra ela parar de mandar essas porque ou eu infartava ou voltava correndo. Aí a coisa desandou e a gente continuou falando besteira. Nos despedimos. De novo prometendo utopias, só que dessa vez parecia mais real.
Desci do busão. Tava em casa. Clarita me esperava na estação. Correu até onde eu tava e a gente se beijou forte, e de quebra ela pegou na minha rola. — Parece que você tá precisando, ela falou, e eu, óbvio, entrei na brincadeira. A viagem inteira até o bairro a gente fez num busão, o 524. O caminho todo ela foi me provocando. Abrimos a porta do apê (na verdade é uma casa daquelas tipo chalé) e ali mesmo ela me comeu. Literalmente me deixou moído. Não sobrou um canto da casa que não fosse testemunha do nosso love. No meio da maratona, quatro no total, Fiquei sem camisinha, mas por sorte ela toma anticoncepcional (como eu disse antes, sou muito cagão, por isso a dupla proteção). Depois dormimos um pouco. Já era um tempo considerável. Eu tinha chegado perto do meio-dia e já era hora do jantar.
Acordei e comecei a preparar a janta. Clara levantou um tempo depois. Comemos e fomos pro sofá, ligamos a TV. Não conseguia parar de pensar na Caro e nas últimas palavras dela. Acabamos dormindo de novo.
A campainha de casa tocou. Atendo o telefone e uma voz muito meiga diz:
- Me abre? Não podia ser, aquela voz era muito familiar.
- Sou a Carito. Como ela tinha conseguido meu endereço? Como sabia que a Clara não estava? A verdade é que não ligava muito.
- Sim, já vou. A primeira coisa que pensei, enquanto me trocava, foi que com as redes sociais hoje a privacidade perdeu o segredo, então com certeza foi lá que ela conseguiu meu endereço. Do apartamento até o portão de entrada deve ter uns 15 metros, assim que comecei a caminhada com a chave na mão, pude ver ela com a mochila e o rosto lindo meio cansado, mas nem por isso sem o brilho de uma mulher, já não importavam mais os órgãos sexuais dela. Aquela imagem era de uma mulher gostosa. Assim que me viu, me cumprimentou com a mão, igualzinho as adolescentes fazem. Vi ela sorrir. Eu também sorri. Acelerei o passo.
- Já coloquei a água no fogo.
- Show, com esse frio costeiro, uns mates vão cair muito bem.
- Pode crer, e eu faço muito bem. Abri o portão e nos abraçamos, como dois velhos amigos. Ficamos assim por um tempo. Fechei e começamos a curta caminhada até casa. Me sentia muito bem com ela. Aqueles poucos metros me permitiram admirar uma mulher natural, com uma graça esplêndida, cheia de vida, simples, meiga… Porra, tava fritando minha cabeça.
Rapidamente mostrei a casa, preparei umas torradas e a água já estava no ponto. No meio do preparo do café, olhei de canto pra ela. Ela tava me dando uma escaneada braba. De novo vi ela sorrir. Arrumei a mesa e começamos o papo. Ela me contou da pesquisa dela na web pra dar comigo (Não podia ser de outro jeito).
—Me ligava e evitava a espionagem.
—Você ia atender? Ia me passar seu endereço? Entre a espada e a parede.
—A verdade?
—Por favor.
—Não.
—Por quê?
—Não tenho muito claro. Talvez meu estado civil tenha algo a ver. Explosão de gargalhadas, até que o celular tocou. Porra, era a Clara. Pedi pra ela não fazer barulho. Ela piscou um olho. Muito esperta a portenha.
—Amor, não deu pra almoçar. Vou com a mãe até a Vidal. Volto à noite.
—Qual é a dessa? Já comecei a desconfiar, quer me passar a perna, com certeza tá com um otário (Uma grande hipócrita).
—Vou pela venda da casa.
—Fica tranquilo, filhote. Devolvo ela sã e salva.
—Lembra que em setembro a gente tinha que ir assinar?
—Ah, certo, desculpa.
—A gente se vê à noite, beijos. Te amo.
—Eu também. A gente se vê à noite, se cuidem na estrada. Esse "te amo" foi uma facada. Não dava pra continuar assim. Tinha que tomar uma atitude. Mas isso ficaria pra outro momento.
Preciso confessar que aquela ligação me deixou meio tenso. E ela percebeu.
—Que momento, né?
—Verdade, sim. Obviamente ela tinha notado minha mudança de humor. Silêncio.
Precisava sair de casa. Propus mostrar a cidade pra ela e ela aceitou feliz. Também queria dar um tempo naquele clima. Subimos no carro e começamos a dar voltas até parar de frente pro mar. Era quase 6 da tarde.
—Você tem onde ficar?
—Sim, no hotel Améyummy.
—Fica aqui perto.
—Quer que eu vá embora?
—A verdade?
—Por favor.
—Não.
Nos olhamos por um bom tempo, ouvindo só nossas respirações. Os vidros começaram a embaçar. Ela começou a me acariciar. Minha mente voava. A gente se beijou. Ela me beijou com ternura. Como não podia ser diferente, fiquei de pau duro. Ela percebeu.
—Não vai rolar nada que você não queira. Olhei pra ela desejando que as coisas rolassem. Ela desabotoou minha calça e, por dentro da minha cueca, pegou meu pau com a mão. Fechei os olhos e me deixei levar. Ela começou a lamber, brincava com minhas bolas. Pra Caro, era como um brinquedo. preciado. Fui enfiando ele devagar na boca dela, até desaparecer. Foi o boquete mais gostoso que já tinha recebido. Em pouco tempo gozei na boca dela. Ela engoliu meu leite. Foi descendo pelo meu peito, desviando dos poucos botões que ainda estavam presos na minha camisa. A gente se encarou. Cruzamos nossos olhares e nos fundimos num beijo. Um beijo sujo e excitante.
Ficamos um tempo em silêncio. Eu tava duro de novo.
— Melhor parar por aqui.
— Como quiser. Você me liga amanhã? Saio às 4 da tarde.
— Sim.
Não tinha dúvida, eu queria continuar.
— Não me machuca. Meu coração parou.
— Como pensar em te machucar. Clara estava quase chegando. Liguei o carro e fomos até o hotel. Ela desceu. Não teve beijo. Prometemos deixar pra manhã seguinte. A gente gostou de encontrar um jeito novo de sentir saudade. Voltei pra casa.
O despertador tocou. Acordei feliz. Virei a cabeça e lá estava ela. Abriu os olhos. Não sei o que era. Mas a Clarita tava linda. Me beijou a testa e foi preparar o café. Meus lábios lembraram a maciez do último beijo naquele cinema. Me troquei e fui pra sala de jantar na esperança de sonhar assim de novo.
O café foi normal, arrumamos as coisas e ela me encarou.
— Você fica entediado comigo?
— Imagina, que isso.
— Tem certeza? E essa história das fotos de travestis que te peguei vendo em Capital? Tava fudido. Não soube o que dizer. Então me desculpei como sempre. Clara não acreditou, mas percebeu que não adiantava insistir. Terminei de me trocar e saí pro escritório. O celular toca. Mensagem da Carito perguntando como eu tava. Nada demais, uma pergunta inocente, mas já comecei a viajar. A puta da mãe, não podia ser que a cada insinuação eu já ficasse pilhado. Respondi. Palavra vai, palavra vem, liguei pra ela e contei do sonho... a gente riu pra caralho. Já tava chegando, desligamos com a ideia de falar mais tarde. Deixei minhas coisas na mesa, repeti os cumprimentos de sempre, preparei o mate e abri o e-mail. Um E-mail da diretoria. Porra, que merda será que queriamam dessa vez. Semana cheia, na quarta-feira tinha que estar no escritório em Córdoba pra fechar uns memorandos e umas papeladas absurdas, que tranquilamente dava pra fazer do sofá de casa. Um dia de merda, e por isso não acabava nunca. Quando finalmente tava voltando pra casa, enfiei o viva-voz e liguei pra Carolina. Não sei por que caralhos não liguei pra Clarita, sei lá... naquele momento tava com tesão e foi a primeira coisa que me veio na cabeça. Talvez ajudasse que em casa eu sempre tenho a mesma resposta e naquela hora precisava ouvir outra opinião. Ela não atendeu. Não podia piorar. No tempo que levei da garagem até em casa, mandei um áudio no WhatsApp contando tudo. Jantamos e fui dormir cedo, nada de carinho nem sexo, no dia seguinte eu ia viajar e, sinceramente, zero vontade. De madrugada, levantei pra ir ao banheiro e vi que a luzinha do celular tava piscando com uma notificação. Tinha 4 chamadas perdidas da Carolina e uma mensagem no WhatsApp que dizia (palavras textuais, ainda guardo): "Que merda, lindo, tranquilo, já vamos nos ver"... Quê? Só isso? Fiquei puto, não respondi e voltei a dormir. Tinha contado uma parada pesada e ela me mandava essa, não era obrigada a ter pena nem nada, mas esperava mais. Como tinha que viajar, de manhã não fui. Almocei com a Clari e fui pro terminal pegar o ônibus pra Córdoba capital. Já no busão, quis responder, mas não fazia mais sentido, que se foda... me senti um otário, depositando uma parte de mim em alguém que mal conhecia. Cheguei bem cedo, quase de madrugada na quarta. Tinha dois dias de trampo a muitos quilômetros de casa, sozinho e esperando sexta-feira pra voltar. Era hora de relaxar e seguir com minha vida, ou pelo menos era o que eu achava...
3 comentários - Descubriendo mi Identidad
saludos
No es lo mismo arañar el paquete, que comerse la masita....ja!
Hay más...?