Deixo os links de toda a história:http://www.poringa.net/posts/relatos/2984753/Victor-el-futuro-medico---1-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2984758/Victor-el-futuro-medico---2-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2984778/Victor-el-futuro-medico---3-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2984800/Victor-el-futuro-medico---4-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2986744/Victor-el-futuro-medico---5-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2987030/Victor-el-futuro-medico---6-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2987757/Victor-el-futuro-medico---7-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2987786/Victor-el-futuro-medico---8-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2991976/Victor-el-futuro-medico---9-parte.html
http://www.poringa.net/posts/relatos/2992000/Victor-el-futuro-medico---10-parte.html
Ano de 1978, plena ditadura militar. Eu tinha 19 anos e havia me formado como Perito Mercantil dois anos antes. Estudava à noite no professorado de Educação Física no bairro de Nuñez e morava perto da Plaza Italia, a três quadras do Zoológico. Um lugar que, quando era criança, pedia aos meus pais para ir com frequência e que, desde que nos mudamos tão perto, já fazia quase seis anos, nunca mais tinha visitado.
Durante o dia, geralmente estudava, treinava para passar em alguma matéria que tinha dificuldade, ou então não fazia absolutamente nada. De vez em quando, aparecia algum bico de poucos dias em coisas relacionadas à profissão (acampamentos, animações infantis, colônias de férias, etc.), e não muito mais. Assim era a minha vida naqueles anos.
Uma tarde do final de setembro, já fazia alguns meses que a Copa do Mundo de Futebol tinha terminado, entediado de ficar a tarde toda em casa, avisei à minha mãe que ia dar uma volta por ali e que, como não sabia quanto tempo ia demorar, levaria as coisas do professorado. Como naquele dia (quarta-feira) era o único com todas as matérias teóricas, não precisava carregar a bolsa, só um caderno de Arte e uma carteirinha de couro com meus documentos, carteira, chaveiro e alguns materiais escolares. Naqueles anos do final dos anos 70, os homens costumavam usar uma carteirinha de couro ou courino (hoje seria "couro ecológico"), porque, devido à moda da época, as calças jeans geralmente não tinham bolsos.
Saí à rua caminhando em direção à Plaza Italia e, vendo que eram 2 da tarde, me pareceu uma boa ideia visitar o Jardim Zoológico que tanto sentia saudades. Assim que atravessei o portão, centenas de lembranças vieram à minha mente, e foi então que me aproximei do mapa indicador dos diversos lugares e decidi ir especialmente a três deles. O fosso dos leões, o lugar dos elefantes e a jaula das girafas. Eram três lugares que, nas minhas memórias, me pareciam mágicos. não apenas pela magnificência desses animais, mas também pela imponência do tamanho dessas construções, que quando criança me pareciam enormes. Dirigi-me ao mais próximo, o fosso dos leões, uma enorme construção em pedra, com um fosso profundo para que os animais não se aproximem dos visitantes e uma grande "pradaria" para que os bichos circulem por ali, além de uma espécie de jaula/quarto para que os felinos descansem à noite e se abriguem de possíveis chuvas. Fiquei bastante tempo observando os leões, a ponto de que os poucos visitantes que estavam observando quando me aproximei já haviam se retirado para outros lugares. Menos um deles que estava bem à minha frente, do outro lado da construção oval, a uns trinta metros de distância. Troquei alguns olhares com ele e continuei absorto no que estava fazendo. Quando decido mudar de lugar e ir para onde estavam os elefantes, e de quebra parar na jaula dos chimpanzés, levanto a vista e não vejo o companheiro ocasional de alguns minutos atrás. Percorro com o olhar tudo ao redor do fosso e observo que ele estava a não menos de dez metros à minha direita. Trocamos um novo olhar e, sem prestar muita atenção, sigo para onde estavam os macacos. A jaula dos chimpanzés era um cercado circular pelo qual todas as jaulas se interligavam, ficando do lado de fora. Em cada uma delas havia não mais que dois ou três animais, alguns mais animados que outros. Paro em frente a uma jaula onde um dos chimpanzés se movia por todo o espaço. Percebo que a pessoa que havia visto no fosso dos leões se posiciona na mesma jaula que eu, a escassos dois metros, novamente à minha direita. Decido ver claramente quem era. Um homem de idade indefinida entre os 20 e 30 anos, rosto com traços indígenas, lábios grossos, mestiço, bonito, cabelo negro como azeviche bem cortado e penteado com uma risca do lado esquerdo da cabeça de uma Prolixidade invejável. Imaginei que ele fosse de alguma das províncias do norte (Tucumán, Salta ou Jujuy). Bem vestido. Sapatos pretos tipo mocassim, calça social preta, camisa azul-celeste de manga longa arregaçada até a metade do antebraço, aberta nos dois primeiros botões que deixavam ver parte de um peito totalmente liso, e um suéter azul sobre os ombros com as mangas caídas sobre o peito. Ele carregava uma maleta preta do tipo que os visitadores médicos usam. Ele percebeu que eu estava olhando, mas seu olhar estava fixo nos macacos. Quando decido ser eu a olhar para os chimpanzés, percebo que agora é ele quem me observa. Finjo distração, mas sinto seu olhar percorrendo todo o meu corpo. Eu também calçava sapatos pretos com salto e plataforma (a moda daqueles anos), uma calça cinza-claro tipo jeans com listras verticais pretas, uma camiseta de manga curta branca com gola redonda, um caderno de anotações e minha carteirinha. Meu cabelo, castanho-escuro, bem longo (o que me causava alguns problemas com a polícia) e penteado todo para trás, o que normalmente deixava uma risca no meio da minha cabeça.
De repente, o chimpanzé que não parava de se mexer para na nossa frente e começa a tocar seu pau até ficar ereto. Nesse momento, trocamos um olhar cúmplice e ele sorriu para mim. O chimpanzé começa a se masturbar furiosamente até finalmente ejacular com força contra as grades da jaula. Eu senti meu pau ficar duríssimo dentro da calça. Impossível esconder minha ereção, já que a moda da época eram calças justas. Decido sair dali para que os poucos visitantes não notassem o volume nas minhas calças. Vou me escondendo com o caderno até chegar na jaula dos elefantes.
Ao chegar onde estavam os elefantes, observo que novamente aquele homem "misterioso" estava a poucos centímetros de mim. Acho que se um de nós se mexesse um pouquinho, o antebraço ia tocar no braço do outro. A gente tinha se posicionado bem de frente pra um dos dois elefantes que estavam naquele cercado gigantesco. Éramos só nós dois, já que o resto dos visitantes tava junto do outro animal, uns trinta metros de distância. Pela primeira vez trocamos algumas palavras e ele me diz:- “Que bicho gostoso.”
- “Sim, mas este é um exemplar velho. O zoológico já faz vários anos que não traz animais novos.”
- "Claro, você deve ter visitado esse lugar um zilhão de vezes. Pra mim é a primeira vez.Percebi pelo seu sotaque e certa forma de usar a linguagem que você não era um compatriota como imaginei no início. Justo quando eu ia perguntar de onde você era, o elefante começa a urinar ao mesmo tempo que seu enorme pau começa a crescer. Como hipnotizados, viramos a cabeça na direção do animal. Era impressionante o tamanho daquela rola, mas também era incrível a quantidade de litros de urina que o elefante estava soltando. Ele estava como que possuído, observando aquela piroca monstruosa. Achei que até notei ele lambendo os lábios com a língua ao ver aquele pedação de carne.
Comecei a suspeitar se esse cara era viado ou não. Naquela época, não existia consciência sobre certas condições sexuais como hoje: gay, lésbica, homossexual, bissexual, heterossexual eram palavras inexistentes no vocabulário das pessoas comuns. Naquele tempo, dava-se como certo que o "normal" era homens gostarem de mulheres e vice-versa. O homem que gostava de caras era "bicha" ou "veado", e a mulher que gostava de gatinhas era "sapatão" ou "tortinha". Os homens que comiam bichas não eram considerados gays ou bissexuais, eram simplesmente "homens que comiam veados".
Quando a interminável mijada do elefante terminou, ele me disse:- "Que pau lindo! Como eu adoraria ter um assim...!Só consegui sorrir pra ele. Não sabia se ele estava falando que queria ter um pau grande, porque talvez o dele fosse pequeno, ou se ele preferia uma piroca grande pra chupar ou pra levar. Preferi ficar na dúvida. A partir daí, como se fosse um acordo tácito entre nós dois, ele começou a me seguir e eu agi como um guia turístico mostrando as belezas do lugar. Não trocamos mais uma palavra, mas claramente existia uma certa empatia entre nós. Percorremos quase todo o terreno por cerca de uma hora e meia. Decidi que era hora de descansar um pouco e quando chegamos no lago artificial das lontras, observei quase por acaso que, atravessando uma pequena ponte de concreto, bem debaixo de uma enorme umbuzeira, havia um velho banco de praça na sombra. Sugeri a ele:- “Que tal a gente sentar ali e descansar um pouco?”
- “Você teve uma ideia excelente.”Uma vez posicionados no banco, eu na beirada direita e ele à minha esquerda, começamos uma longa conversa com a ideia de nos conhecermos. Percebi, assim que apoiei meu caderno no banco, que as escrituras entalhadas na madeira mostravam que o lugar foi por anos um refúgio de apaixonados. O banco com vista para o lago estava estrategicamente colocado ao lado do ombuzeiro, para que este e a ponte evitassem olhares indiscretos. Já fazia um bom tempo que havíamos percorrido o lugar juntos, mas nada sabíamos um do outro. Decidi tomar a iniciativa:- “Acho que a gente devia se apresentar. Me chamo Eduardo e tenho 19 anos.”
- “Eu sou o Víctor e tenho 24, quase 25 anos. Vou fazer aniversário exatamente daqui a um mês, no próximo 27 de outubro.”
- "Claramente, pelo seu sotaque e pelas gírias que você usa ao falar, dá pra perceber que você não é argentino. De onde você é?
- “Sou chileno, natural de Valparaíso.”
- "Você é turista?
- “Não, sou um exilado por causa do Pinochet.”
- “Quer me contar?”
- "Sim, claro. Minha família era militante do Partido Comunista Chileno que levou Allende à presidência. Quando aconteceu o golpe militar, foram atrás dos meus pais, os levaram para Santiago e os colocaram no Estádio Nacional, e nunca mais os vi. Um mês depois, descobrimos que no Quartel da Polícia Secreta eles tinham sido torturados até a morte.Ao ouvir uma história dessas e ver como as feições dele se transformavam, eu disse que se falar sobre aquilo estava fazendo mal, a gente podia mudar de assunto. Mas ele continuou:- "Fiquei sozinho em Santiago, já que estudava na Universidade para me formar médico. Lá eu morava com minha tia Marta, irmã da minha mãe, e com minha prima Susana, filha dela. Quando soubemos da morte dos meus pais, nós três decidimos que era hora de nos exilarmos e viemos primeiro para a cidade de Mendoza e desde junho deste ano estamos aqui em Buenos Aires.
- "E o que você faz aqui? Digo, do que você vive, como você se vira?
- "Consegui entrar na UBA pra terminar meus estudos de medicina. Validaram várias matérias que eu tinha passado em Santiago e outras que cursei e aprovei na Universidade de Cuyo. Se tudo der certo, em uns dois anos eu me formo. E você, tá fazendo o quê?
- "Agora entendi essa maleta que você carrega, é a típica maleta de médico.
- Sim. É que às uma da tarde, eu saí do plantão do Hospital Fernández. Tô fazendo o estágio. Bom, mas... Conta de você.
- “Eu faço Educação Física de segunda a sexta, entre 19h e meia-noite. Vou me formar no final do ano que vem, se tudo correr como deve ser. Por acaso, daqui a mais ou menos uma hora, tenho que pegar o ônibus pra chegar na faculdade. Mas hoje, como não tenho matérias práticas, posso atrasar a chegada.”
- “Por quê?”
- “Porque às quartas eu não tenho nenhuma matéria de esporte, então não preciso chegar mais cedo pra treinar o que for necessário.”A gente conversou sobre um pouco de tudo. Ela me contou que morava com a tia Marta e a prima Susana numa casinha de três cômodos na região da estação Pacífico do trem San Martín, quase na esquina das ruas Charcas e Humboldt. Eu contei como era minha família (pais e dois irmãos homens, de 16 e 10 anos respectivamente) e onde morava (Charcas e Uriarte). Percebemos que morávamos a não mais de 7 quarteirões de distância um do outro (se não fosse o aterro do trem, seriam 4 quarteirões). De repente, apareceu perto da gente um casal de marrecos-patagônicos. Ele ficou meio assustado e eu disse:- "Não se preocupe, são capivaras da Patagônia. São roedores gigantes. Não vão fazer nada se você não incomodá-las. Aqui elas vivem soltas e sempre ficam circulando em volta dos lagos tentando comer a comida que dão para as aves aquáticas. Se fizermos de conta que ignoramos elas, vão ficar por aqui.Pois é, as maras ficaram rodando a menos de dois metros da gente. De cara, ela me pergunta:- “Você gosta de homens, né…?”
- “Não. De onde você tirou essa ideia?”
- "Pela bolsinha que você carrega. No meu país só os viados usam esse tipo de acessório e em Mendoza não vi ninguém com isso. Desculpa se te ofendi
- “Não, não me ofendeu. Aqui, graças a essa moda de calças sem bolsos, a maioria de nós usa.”As maras, que sem se afastar muito, não ficavam paradas, começam a transar freneticamente diante dos nossos olhos. O cara sobe em cima da mina e ambos nos oferecem um close do sexo. Ficamos hipnotizados com o que víamos e em silêncio, observando a cópula até o final. Minha rola endureceu de novo dentro da minha calça apertada e, sentado com as pernas esticadas, dava pra ver todo o volume e o contorno exagerado do meu pau. Percebi que o Victor, bem disfarçado, estava se masturbando por cima do bolso da calça, enquanto o olhar dele alternava entre as maras transando e minha rola saliente. As maras terminaram e ficou aquele silêncio constrangedor. Ele continuou se masturbando e começou a olhar descaradamente pro meu pau, que lutava pra ser solto. De propósito, comecei a esfregar ele por cima da calça e disse:- “Você gosta mesmo é de homem. Né…?”
- “Sim. Eu sempre gostei, mas comecei a me soltar mesmo quando deixei meus pais em Valparaíso e fui para Santiago estudar. Minha tia e minha prima sabem que eu sou bicha. Elas perceberam na hora quando comecei a morar com elas. Elas me incentivaram a assumir minha condição de bicha.”
- “Viado.”
- “Não. Viado.”
- “E segundo você, qual é a diferença? Porque pra mim são sinônimos.”
- “Não tem a ver com linguística. Tem a ver com sentimentos e situações. Eu gosto de homens, e me sinto viado. Mas minha bunda ainda é virgem. Quando deixar de ser, vou permitir que me chamem de puto.”Eu continuei esfregando meu pau e ele não parava de olhar o que eu fazia. Eu convido ele:- “Quer tocar minha buceta? Tá com vontade?”
- “Só se você não estiver namorando.”
- "Não tô entendendo o que você tá me falando. O que significa 'pololear'?
- “Pololear é ficar sério. Você tem namorada?”
- "Nesse momento não. Terminei com a que eu tinha, logo antes da Copa.Então ele se aproximou mais de onde eu estava sentado, tirou minha mão que estava sobre meu pau e foi a dele que ocupou aquele lugar. Ele começou a me masturbar bem devagar e meu pau ficou cada vez mais louco. Eu sentia ele pulsando dentro da minha cueca. Lembrei da minha experiência no metrô de alguns anos atrás e ele ficou duro como uma pedra. Ele percebeu a dureza e me ordenou:- "Tira ela pra fora. Quero sentir o calor e as pulsações dela.
- “Você tá louco. Podem nos ver. Os milicos desse país caçam os viados e bichas.”
- “Eu adoraria poder tocar na sua buceta.”
- “Você está conseguindo.”
- “Sim. Mas quero sentir ela com a palma da minha mão, não através do tecido da sua calça.”
- “Já tá na hora de eu ir embora. Vamos saindo e vemos se dá pra fazer alguma coisa nos banheiros públicos.”Caminamos em direção à saída da Plaza Italia e avistamos os banheiros ao longe. Eu me cobria com meu caderno porque estava com uma ereção animal. Chegamos. O lugar para mijar era contra uma parede com água escorrendo por ela. Verificamos juntos que estávamos sozinhos e então liberto da prisão meu pau, que duro como estava apontava para o teto. Imediatamente Víctor o pega com a mão direita e começa a me fazer uma punheta linda, sem pressa mas sem pausa. Com a mão esquerda ele abaixa o zíper, tira o pau dele (que também estava duro) e começa a se masturbar. Víctor com dois paus, um em cada mão, começou a acelerar o ritmo das duas punhetas. Ele gozou primeiro e eu alguns segundos depois. A água levou nosso leite. Sem soltar meu pau em nenhum momento, Víctor guardou o dele e decide se agachar e beber a última gota que escorria do meu pau. Ele dá um beijo terno na cabeça e me ajuda a guardá-lo dentro da calça.
Uma vez fora ele me diz que iria para casa, então decido acompanhá-lo em parte do caminho, já que o ônibus da linha 29 ele poderia pegar tanto na Plaza Italia quanto no Pacífico. No trajeto trocamos os números de telefone (de rede, não existiam celulares) e eu propus nos encontrarmos de novo no dia seguinte. Ali descobri que só poderiam ser às segundas, quartas e sextas, já que eram os dias em que ele fazia plantão no Hospital Fernández pela manhã e depois tinha as tardes livres. Terças e quintas ele passava o dia todo na Faculdade de Medicina. Quando chegamos na Av. Santa Fe e Av. Bullrich nos separamos. Tentei dar um beijo na bochecha (costume que entre os homens começou nos anos da ditadura) que Víctor recusou e me ofereceu a mão. Nos apertamos as mãos e nos despedimos até depois de amanhã, sexta-feira.
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Ano de 1978, plena ditadura militar. Eu tinha 19 anos e havia me formado como Perito Mercantil dois anos antes. Estudava à noite no professorado de Educação Física no bairro de Nuñez e morava perto da Plaza Italia, a três quadras do Zoológico. Um lugar que, quando era criança, pedia aos meus pais para ir com frequência e que, desde que nos mudamos tão perto, já fazia quase seis anos, nunca mais tinha visitado.
Durante o dia, geralmente estudava, treinava para passar em alguma matéria que tinha dificuldade, ou então não fazia absolutamente nada. De vez em quando, aparecia algum bico de poucos dias em coisas relacionadas à profissão (acampamentos, animações infantis, colônias de férias, etc.), e não muito mais. Assim era a minha vida naqueles anos.
Uma tarde do final de setembro, já fazia alguns meses que a Copa do Mundo de Futebol tinha terminado, entediado de ficar a tarde toda em casa, avisei à minha mãe que ia dar uma volta por ali e que, como não sabia quanto tempo ia demorar, levaria as coisas do professorado. Como naquele dia (quarta-feira) era o único com todas as matérias teóricas, não precisava carregar a bolsa, só um caderno de Arte e uma carteirinha de couro com meus documentos, carteira, chaveiro e alguns materiais escolares. Naqueles anos do final dos anos 70, os homens costumavam usar uma carteirinha de couro ou courino (hoje seria "couro ecológico"), porque, devido à moda da época, as calças jeans geralmente não tinham bolsos.
Saí à rua caminhando em direção à Plaza Italia e, vendo que eram 2 da tarde, me pareceu uma boa ideia visitar o Jardim Zoológico que tanto sentia saudades. Assim que atravessei o portão, centenas de lembranças vieram à minha mente, e foi então que me aproximei do mapa indicador dos diversos lugares e decidi ir especialmente a três deles. O fosso dos leões, o lugar dos elefantes e a jaula das girafas. Eram três lugares que, nas minhas memórias, me pareciam mágicos. não apenas pela magnificência desses animais, mas também pela imponência do tamanho dessas construções, que quando criança me pareciam enormes. Dirigi-me ao mais próximo, o fosso dos leões, uma enorme construção em pedra, com um fosso profundo para que os animais não se aproximem dos visitantes e uma grande "pradaria" para que os bichos circulem por ali, além de uma espécie de jaula/quarto para que os felinos descansem à noite e se abriguem de possíveis chuvas. Fiquei bastante tempo observando os leões, a ponto de que os poucos visitantes que estavam observando quando me aproximei já haviam se retirado para outros lugares. Menos um deles que estava bem à minha frente, do outro lado da construção oval, a uns trinta metros de distância. Troquei alguns olhares com ele e continuei absorto no que estava fazendo. Quando decido mudar de lugar e ir para onde estavam os elefantes, e de quebra parar na jaula dos chimpanzés, levanto a vista e não vejo o companheiro ocasional de alguns minutos atrás. Percorro com o olhar tudo ao redor do fosso e observo que ele estava a não menos de dez metros à minha direita. Trocamos um novo olhar e, sem prestar muita atenção, sigo para onde estavam os macacos. A jaula dos chimpanzés era um cercado circular pelo qual todas as jaulas se interligavam, ficando do lado de fora. Em cada uma delas havia não mais que dois ou três animais, alguns mais animados que outros. Paro em frente a uma jaula onde um dos chimpanzés se movia por todo o espaço. Percebo que a pessoa que havia visto no fosso dos leões se posiciona na mesma jaula que eu, a escassos dois metros, novamente à minha direita. Decido ver claramente quem era. Um homem de idade indefinida entre os 20 e 30 anos, rosto com traços indígenas, lábios grossos, mestiço, bonito, cabelo negro como azeviche bem cortado e penteado com uma risca do lado esquerdo da cabeça de uma Prolixidade invejável. Imaginei que ele fosse de alguma das províncias do norte (Tucumán, Salta ou Jujuy). Bem vestido. Sapatos pretos tipo mocassim, calça social preta, camisa azul-celeste de manga longa arregaçada até a metade do antebraço, aberta nos dois primeiros botões que deixavam ver parte de um peito totalmente liso, e um suéter azul sobre os ombros com as mangas caídas sobre o peito. Ele carregava uma maleta preta do tipo que os visitadores médicos usam. Ele percebeu que eu estava olhando, mas seu olhar estava fixo nos macacos. Quando decido ser eu a olhar para os chimpanzés, percebo que agora é ele quem me observa. Finjo distração, mas sinto seu olhar percorrendo todo o meu corpo. Eu também calçava sapatos pretos com salto e plataforma (a moda daqueles anos), uma calça cinza-claro tipo jeans com listras verticais pretas, uma camiseta de manga curta branca com gola redonda, um caderno de anotações e minha carteirinha. Meu cabelo, castanho-escuro, bem longo (o que me causava alguns problemas com a polícia) e penteado todo para trás, o que normalmente deixava uma risca no meio da minha cabeça.
De repente, o chimpanzé que não parava de se mexer para na nossa frente e começa a tocar seu pau até ficar ereto. Nesse momento, trocamos um olhar cúmplice e ele sorriu para mim. O chimpanzé começa a se masturbar furiosamente até finalmente ejacular com força contra as grades da jaula. Eu senti meu pau ficar duríssimo dentro da calça. Impossível esconder minha ereção, já que a moda da época eram calças justas. Decido sair dali para que os poucos visitantes não notassem o volume nas minhas calças. Vou me escondendo com o caderno até chegar na jaula dos elefantes.
Ao chegar onde estavam os elefantes, observo que novamente aquele homem "misterioso" estava a poucos centímetros de mim. Acho que se um de nós se mexesse um pouquinho, o antebraço ia tocar no braço do outro. A gente tinha se posicionado bem de frente pra um dos dois elefantes que estavam naquele cercado gigantesco. Éramos só nós dois, já que o resto dos visitantes tava junto do outro animal, uns trinta metros de distância. Pela primeira vez trocamos algumas palavras e ele me diz:- “Que bicho gostoso.”
- “Sim, mas este é um exemplar velho. O zoológico já faz vários anos que não traz animais novos.”
- "Claro, você deve ter visitado esse lugar um zilhão de vezes. Pra mim é a primeira vez.Percebi pelo seu sotaque e certa forma de usar a linguagem que você não era um compatriota como imaginei no início. Justo quando eu ia perguntar de onde você era, o elefante começa a urinar ao mesmo tempo que seu enorme pau começa a crescer. Como hipnotizados, viramos a cabeça na direção do animal. Era impressionante o tamanho daquela rola, mas também era incrível a quantidade de litros de urina que o elefante estava soltando. Ele estava como que possuído, observando aquela piroca monstruosa. Achei que até notei ele lambendo os lábios com a língua ao ver aquele pedação de carne.
Comecei a suspeitar se esse cara era viado ou não. Naquela época, não existia consciência sobre certas condições sexuais como hoje: gay, lésbica, homossexual, bissexual, heterossexual eram palavras inexistentes no vocabulário das pessoas comuns. Naquele tempo, dava-se como certo que o "normal" era homens gostarem de mulheres e vice-versa. O homem que gostava de caras era "bicha" ou "veado", e a mulher que gostava de gatinhas era "sapatão" ou "tortinha". Os homens que comiam bichas não eram considerados gays ou bissexuais, eram simplesmente "homens que comiam veados".
Quando a interminável mijada do elefante terminou, ele me disse:- "Que pau lindo! Como eu adoraria ter um assim...!Só consegui sorrir pra ele. Não sabia se ele estava falando que queria ter um pau grande, porque talvez o dele fosse pequeno, ou se ele preferia uma piroca grande pra chupar ou pra levar. Preferi ficar na dúvida. A partir daí, como se fosse um acordo tácito entre nós dois, ele começou a me seguir e eu agi como um guia turístico mostrando as belezas do lugar. Não trocamos mais uma palavra, mas claramente existia uma certa empatia entre nós. Percorremos quase todo o terreno por cerca de uma hora e meia. Decidi que era hora de descansar um pouco e quando chegamos no lago artificial das lontras, observei quase por acaso que, atravessando uma pequena ponte de concreto, bem debaixo de uma enorme umbuzeira, havia um velho banco de praça na sombra. Sugeri a ele:- “Que tal a gente sentar ali e descansar um pouco?”
- “Você teve uma ideia excelente.”Uma vez posicionados no banco, eu na beirada direita e ele à minha esquerda, começamos uma longa conversa com a ideia de nos conhecermos. Percebi, assim que apoiei meu caderno no banco, que as escrituras entalhadas na madeira mostravam que o lugar foi por anos um refúgio de apaixonados. O banco com vista para o lago estava estrategicamente colocado ao lado do ombuzeiro, para que este e a ponte evitassem olhares indiscretos. Já fazia um bom tempo que havíamos percorrido o lugar juntos, mas nada sabíamos um do outro. Decidi tomar a iniciativa:- “Acho que a gente devia se apresentar. Me chamo Eduardo e tenho 19 anos.”
- “Eu sou o Víctor e tenho 24, quase 25 anos. Vou fazer aniversário exatamente daqui a um mês, no próximo 27 de outubro.”
- "Claramente, pelo seu sotaque e pelas gírias que você usa ao falar, dá pra perceber que você não é argentino. De onde você é?
- “Sou chileno, natural de Valparaíso.”
- "Você é turista?
- “Não, sou um exilado por causa do Pinochet.”
- “Quer me contar?”
- "Sim, claro. Minha família era militante do Partido Comunista Chileno que levou Allende à presidência. Quando aconteceu o golpe militar, foram atrás dos meus pais, os levaram para Santiago e os colocaram no Estádio Nacional, e nunca mais os vi. Um mês depois, descobrimos que no Quartel da Polícia Secreta eles tinham sido torturados até a morte.Ao ouvir uma história dessas e ver como as feições dele se transformavam, eu disse que se falar sobre aquilo estava fazendo mal, a gente podia mudar de assunto. Mas ele continuou:- "Fiquei sozinho em Santiago, já que estudava na Universidade para me formar médico. Lá eu morava com minha tia Marta, irmã da minha mãe, e com minha prima Susana, filha dela. Quando soubemos da morte dos meus pais, nós três decidimos que era hora de nos exilarmos e viemos primeiro para a cidade de Mendoza e desde junho deste ano estamos aqui em Buenos Aires.
- "E o que você faz aqui? Digo, do que você vive, como você se vira?
- "Consegui entrar na UBA pra terminar meus estudos de medicina. Validaram várias matérias que eu tinha passado em Santiago e outras que cursei e aprovei na Universidade de Cuyo. Se tudo der certo, em uns dois anos eu me formo. E você, tá fazendo o quê?
- "Agora entendi essa maleta que você carrega, é a típica maleta de médico.
- Sim. É que às uma da tarde, eu saí do plantão do Hospital Fernández. Tô fazendo o estágio. Bom, mas... Conta de você.
- “Eu faço Educação Física de segunda a sexta, entre 19h e meia-noite. Vou me formar no final do ano que vem, se tudo correr como deve ser. Por acaso, daqui a mais ou menos uma hora, tenho que pegar o ônibus pra chegar na faculdade. Mas hoje, como não tenho matérias práticas, posso atrasar a chegada.”
- “Por quê?”
- “Porque às quartas eu não tenho nenhuma matéria de esporte, então não preciso chegar mais cedo pra treinar o que for necessário.”A gente conversou sobre um pouco de tudo. Ela me contou que morava com a tia Marta e a prima Susana numa casinha de três cômodos na região da estação Pacífico do trem San Martín, quase na esquina das ruas Charcas e Humboldt. Eu contei como era minha família (pais e dois irmãos homens, de 16 e 10 anos respectivamente) e onde morava (Charcas e Uriarte). Percebemos que morávamos a não mais de 7 quarteirões de distância um do outro (se não fosse o aterro do trem, seriam 4 quarteirões). De repente, apareceu perto da gente um casal de marrecos-patagônicos. Ele ficou meio assustado e eu disse:- "Não se preocupe, são capivaras da Patagônia. São roedores gigantes. Não vão fazer nada se você não incomodá-las. Aqui elas vivem soltas e sempre ficam circulando em volta dos lagos tentando comer a comida que dão para as aves aquáticas. Se fizermos de conta que ignoramos elas, vão ficar por aqui.Pois é, as maras ficaram rodando a menos de dois metros da gente. De cara, ela me pergunta:- “Você gosta de homens, né…?”
- “Não. De onde você tirou essa ideia?”
- "Pela bolsinha que você carrega. No meu país só os viados usam esse tipo de acessório e em Mendoza não vi ninguém com isso. Desculpa se te ofendi
- “Não, não me ofendeu. Aqui, graças a essa moda de calças sem bolsos, a maioria de nós usa.”As maras, que sem se afastar muito, não ficavam paradas, começam a transar freneticamente diante dos nossos olhos. O cara sobe em cima da mina e ambos nos oferecem um close do sexo. Ficamos hipnotizados com o que víamos e em silêncio, observando a cópula até o final. Minha rola endureceu de novo dentro da minha calça apertada e, sentado com as pernas esticadas, dava pra ver todo o volume e o contorno exagerado do meu pau. Percebi que o Victor, bem disfarçado, estava se masturbando por cima do bolso da calça, enquanto o olhar dele alternava entre as maras transando e minha rola saliente. As maras terminaram e ficou aquele silêncio constrangedor. Ele continuou se masturbando e começou a olhar descaradamente pro meu pau, que lutava pra ser solto. De propósito, comecei a esfregar ele por cima da calça e disse:- “Você gosta mesmo é de homem. Né…?”
- “Sim. Eu sempre gostei, mas comecei a me soltar mesmo quando deixei meus pais em Valparaíso e fui para Santiago estudar. Minha tia e minha prima sabem que eu sou bicha. Elas perceberam na hora quando comecei a morar com elas. Elas me incentivaram a assumir minha condição de bicha.”
- “Viado.”
- “Não. Viado.”
- “E segundo você, qual é a diferença? Porque pra mim são sinônimos.”
- “Não tem a ver com linguística. Tem a ver com sentimentos e situações. Eu gosto de homens, e me sinto viado. Mas minha bunda ainda é virgem. Quando deixar de ser, vou permitir que me chamem de puto.”Eu continuei esfregando meu pau e ele não parava de olhar o que eu fazia. Eu convido ele:- “Quer tocar minha buceta? Tá com vontade?”
- “Só se você não estiver namorando.”
- "Não tô entendendo o que você tá me falando. O que significa 'pololear'?
- “Pololear é ficar sério. Você tem namorada?”
- "Nesse momento não. Terminei com a que eu tinha, logo antes da Copa.Então ele se aproximou mais de onde eu estava sentado, tirou minha mão que estava sobre meu pau e foi a dele que ocupou aquele lugar. Ele começou a me masturbar bem devagar e meu pau ficou cada vez mais louco. Eu sentia ele pulsando dentro da minha cueca. Lembrei da minha experiência no metrô de alguns anos atrás e ele ficou duro como uma pedra. Ele percebeu a dureza e me ordenou:- "Tira ela pra fora. Quero sentir o calor e as pulsações dela.
- “Você tá louco. Podem nos ver. Os milicos desse país caçam os viados e bichas.”
- “Eu adoraria poder tocar na sua buceta.”
- “Você está conseguindo.”
- “Sim. Mas quero sentir ela com a palma da minha mão, não através do tecido da sua calça.”
- “Já tá na hora de eu ir embora. Vamos saindo e vemos se dá pra fazer alguma coisa nos banheiros públicos.”Caminamos em direção à saída da Plaza Italia e avistamos os banheiros ao longe. Eu me cobria com meu caderno porque estava com uma ereção animal. Chegamos. O lugar para mijar era contra uma parede com água escorrendo por ela. Verificamos juntos que estávamos sozinhos e então liberto da prisão meu pau, que duro como estava apontava para o teto. Imediatamente Víctor o pega com a mão direita e começa a me fazer uma punheta linda, sem pressa mas sem pausa. Com a mão esquerda ele abaixa o zíper, tira o pau dele (que também estava duro) e começa a se masturbar. Víctor com dois paus, um em cada mão, começou a acelerar o ritmo das duas punhetas. Ele gozou primeiro e eu alguns segundos depois. A água levou nosso leite. Sem soltar meu pau em nenhum momento, Víctor guardou o dele e decide se agachar e beber a última gota que escorria do meu pau. Ele dá um beijo terno na cabeça e me ajuda a guardá-lo dentro da calça.
Uma vez fora ele me diz que iria para casa, então decido acompanhá-lo em parte do caminho, já que o ônibus da linha 29 ele poderia pegar tanto na Plaza Italia quanto no Pacífico. No trajeto trocamos os números de telefone (de rede, não existiam celulares) e eu propus nos encontrarmos de novo no dia seguinte. Ali descobri que só poderiam ser às segundas, quartas e sextas, já que eram os dias em que ele fazia plantão no Hospital Fernández pela manhã e depois tinha as tardes livres. Terças e quintas ele passava o dia todo na Faculdade de Medicina. Quando chegamos na Av. Santa Fe e Av. Bullrich nos separamos. Tentei dar um beijo na bochecha (costume que entre os homens começou nos anos da ditadura) que Víctor recusou e me ofereceu a mão. Nos apertamos as mãos e nos despedimos até depois de amanhã, sexta-feira.
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4 comentários - Víctor, o Futuro Médico - Parte 1