O Negócio (1ª parte)

Eu sei que meus leitores estão acostumados com relatos mais diretos. Mas acho que este merece uma introdução, e esta primeira parte não vai ter tudo o que vocês gostam de explícito. Vocês é que vão julgar.

Não estou feliz com o que fiz.
Mas era uma oportunidade que não podia nem queria desperdiçar.
Vamos começar pelo começo.
Trabalho numa empresa há muitos anos. Tenho um cargo gerencial que é confortável e lucrativo.
Na empresa trabalham umas 30 pessoas, entre homens e mulheres. As relações são cordiais e todos se conhecem há bastante tempo. Uma vez tive um caso com uma colega de trabalho, mas foi coisa de um tempo e ficamos amigos como sempre. Na verdade, diria que mais amigos. Hoje ela tem outro parceiro e continuamos conversando como se nada tivesse rolado entre nós. Ainda dá até pra relembrar os velhos tempos nas nossas conversas, mas sem nunca ter passado pela cabeça repetir a dose. Li em algum lugar uma frase bem sugestiva: "Se o passado te ligar, não atenda... Não tem nada de novo pra te dizer." E é verdade. Embora a gente tenha se divertido muito naquela fase, já era água passada e todo mundo em paz.

Mas o que aconteceu comigo foi curioso. No arquivo trabalha uma morena muito gostosa, pequenininha, mas bem sensual e atraente, e que tem dez anos a menos que meus 50. Eu era uns 15 cm mais alto que ela. Sempre conversamos sem nenhuma intenção. Ela é casada e tem dois filhos, e eu sou separado há muitos anos, não via ela como um prospecto interessante. A verdade é que meu relacionamento anterior tinha me cegado para as outras funcionárias, pra evitar confusão.

Mas um belo dia, notei nela uma certa deferência comigo. Começamos a conversar com mais frequência e nossa amizade ficou mais íntima.
Comentando com um colega da empresa, surgiu o assunto da Lorena, que é como se chama a arquivista, e ele me disse que a situação dessa mulher era meio complicada. O marido dela bebia muito, até se drogava às vezes, e não lhe Ela gostava muito de trabalhar, então praticamente sustentava a casa.
Um dia estávamos batendo papo com a Lorena e um silêncio pesado caiu. Ela sentada na mesa dela, eu de pé do lado, nos olhamos por uns segundos, e algo aconteceu.
Já perceberam aquele momento em que o clima fica denso, e um certo magnetismo paira no ar, aproximando duas pessoas, e onde parece inevitável que a situação termine num beijo? Pois foi isso que eu senti. Senti a excitação no ar, mas bem quando ia me aproximar dela, outra colega entrou no arquivo e ficamos ali parados, disfarçando como se nada estivesse prestes a rolar.
Naquela noite não dormi. Podia jurar que nós dois sentimos a mesma coisa. E no dia seguinte, quando consegui ficar a sós com ela, declarei que gostava muito dela. O susto na cara dela me travou.
— Não, Diego, você não pode me dizer isso.
— Mas é o que eu sinto, Lorena, e acho que não sou totalmente indiferente pra você.
— De jeito nenhum. Sou casada, tenho filhos. Não posso aceitar uma declaração dessas.
— Fica tranquila. Nunca mais vou tocar no assunto, falei, virando as costas e saindo dali.
Fiquei totalmente pilhado. Não podia ter me enganado tanto sobre o que ela sentia, e então escrevi uma nota detalhando o que tava rolando comigo, o que a gente podia curtir se ela se soltasse, e que nada das nossas vidas mudaria pros outros, acontecesse o que acontecesse entre nós. Ela não respondeu. Mas aos poucos foi retomando o papo comigo. Primeiro na frente dos outros e depois também quando estávamos sozinhos, embora o assunto não tenha voltado à tona.
Nem preciso dizer que fiquei excitado e puto. Nenhuma mulher tinha me tratado daquele jeito, quando era claro pelas atitudes dela que eu a atraía. Mas resolvi levar na boa.
Naquele verão, como quem foge, ela foi com a família pra passar férias no Brasil, com toda a intenção de mostrar que o casamento dela tava melhor do que nunca e, com certeza, tentando dar uma renovada. pra neutralizar o que eu tava sentindo de verdade.
E de repente, os fatos foram mudando a situação.
A viagem, os gastos dos filhos, o carro novo que compraram, e a falta de grana do marido dela, foram complicando a vida financeira dela.
Cada dia ela tava mais nervosa e preocupada. Ela pegou todos os créditos que conseguiu, e depois adiantou o salário no trampo. Eu tava acompanhando tudo de perto, e me mantendo por perto pra o que eu já imaginava que ia rolar. E rolou.
Um belo dia, entro no arquivo e vejo ela toda nervosa e preocupada.
– Oi Lorena, como cê tá?
– Bem, Diego, respondeu seca.
– Pois não parece, vem cá, me conta o que te preocupa.
E aí ela começou a me contar a situação financeira complicada dela pros próximos dois meses, e a esperança de que depois desse tempo melhorasse, mas não sabia como chegar até lá.
– E a verdade, Diego, é que já não sei mais a quem recorrer. Preciso de 5 mil reais agora, senão vou ficar devendo as parcelas do carro e os estudos do meu filho, e depois vou precisar de uma grana muito maior.
– Entendo seu problema. É uma grana pesada mesmo. Deve ser metade do salário que cê ganha aqui. Mas cê pode pedir um adiantamento, falei, sabendo muito bem que ela já tava no vermelho. Por dentro, tava difícil fingir que não sabia de nada.
O rosto dela escureceu.
– Isso eu fiz mês passado, e esse mês tão descontando, então meu salário já tá comprometido.
– E o trampo do seu marido?
– Nem me fala, faz meses que ele não faz nada. Tem dias que dá vontade de botar ele pra fora de casa, disse irritada.
– É por isso que a gente tem que ter sempre uma reserva pra esses casos, falei, sem demonstrar nenhum sentimento.
– Cê tem esse dinheiro? Perguntou ansiosa.
– Sim, claro, falei calculista.
– Ai, Diego, preciso que cê me ajude.
Eu olhei pra ela e fiquei em silêncio, sem mostrar nada no olhar.
– Se é verdade o que cê me disse, então vai me ajudar, falou, tentando mexer com meus sentimentos pra amolecer.
— Suponhamos que eu te facilite essa grana. O que eu ganho com isso? — perguntei, curioso.
Ela me olhou surpresa. Depois, aos poucos, foi avaliando a situação e caiu na real do que eu queria dizer. O rosto dela endureceu.
— Acho que não tô entendendo. Pensei que a gente fosse amigo — disse ela, sondando o terreno.
— E somos, Lorena. E poderíamos ser muito mais se você tivesse querido. Mas você não quis. Então vamos deixar os sentimentos de lado. Tamo falando de uma questão comercial. Se eu investir 5.000 pesos, quero saber o que vou ganhar. Só isso, e não se ofenda.
— Pois me ofende, sim. Não sei o que você pensa que eu sou — disse ela, se firmando.
— Você é uma mulher gostosa que tem um problema e tem os meios pra resolvê-lo. E se eu soubesse que você não sente nada por mim, não estaria agora fazendo essa proposta. O que vou ganhar se eu for bonzinho e generoso e te der a grana que você precisa? E não vem com essa de que vai ter meu eterno agradecimento. Quero algo mais palpável, que me mostre que você realmente valoriza o esforço que vou fazer — falei, sentando na mesa dela sem tirar os olhos dela.
— Acho que foi uma má ideia conversar com você. Se me der licença, vou continuar trabalhando.
— Sem problema, Lorena, eu também tenho trabalho pra fazer. — E saí de lá tranquilo, como se nada me importasse. Claro, foi difícil simular tanta calma, mas agora a bola tava no campo dela e ela tinha que decidir o que ia fazer.

Cheguei no meu escritório e, depois de um tempo, consegui me desligar do assunto e começar a cuidar do meu trampo.
Umas duas horas depois, umas batidas na porta do escritório me tiraram da minha tarefa.
— Entra — falei, enquanto continuava tentando montar um gráfico no notebook.
A porta abriu e fechou. Eu tava de costas pra porta, então não consegui ver quem tinha entrado.
— Vou ser sua numa tarde — disse uma voz trêmula que eu reconheceria entre milhares.
Me virei devagar e lá estava a Lorena, tão gostosa como sempre, mas mais entregada que nunca.
- Repete isso, falei baixinho.
Ela corou e, baixando o olhar, repetiu a frase.
- Me olha quando fala, exigi.
Ela me encarou com um pouco de raiva.
- Falei que serei sua por uma tarde, se você me ajudar.
- Não sei se você vale tanto. Acho que no mínimo umas três noites, falei, aproveitando a situação. Mas me explica esse "serei sua".
- Isso não é um leilão. Pensa no que você tá me pedindo, e não se aproveita da minha necessidade, disse ela sem levantar a voz, implorando com aquele par de olhos verdes que tirava o sono de mais de um. Além disso, de noite é totalmente impossível. Quero dizer que farei tudo o que você quiser, completou.
Olhei ela de cima a baixo.
- Tá bom. Uma tarde e uma noite, se possível, senão duas tardes. E você vai fazer tudo o que eu quiser.
Ela me encarou com raiva.
- Tá certo, concordou.
- E quero um adiantamento agora, falei enquanto me levantava.
Lorena recuou até a porta.
- Aqui? Nem pense.
- Não seja tão maliciosa. Só quero um beijo. E amanhã, logo cedo, você vai ter o envelope com seu dinheiro na mão, falei enquanto me aproximava devagar dela. Lorena ficou encostada na porta e me deixou fazer. Me aproximei, peguei o rosto dela e minha boca tomou conta da dela, depois meus braços a envolveram e puxaram o corpo dela contra o meu, fazendo ela sentir claramente minha pica dura contra a barriga dela. Ficamos assim uns dois minutos, e finalmente soltei ela e me afastei. Ela ficou lá, de olhos fechados, sem reação.
- Bom, agora amadurece isso, que não queremos que desconfiem. Amanhã trago o dinheiro e a gente combina quando você começa a me pagar, falei, enquanto me sentava de novo no meu posto de trabalho.
Lorena abriu a porta e foi embora.

No dia seguinte, mal 10 minutos depois da entrada, as batidas na minha porta se repetiram.
- Pode entrar.
Lorena entrou e dava pra ver que estava tensa.
- Oi, Lore, não esperava você tão cedo.
- Preciso sair um momento pra cancelar minhas obrigações, disse ela, enquanto se sentava na frente da minha mesa.
Abri um gaveta e peguei duas notas promissórias, cada uma de 2500 pesos, e entreguei pra ela, enquanto tirava da mesma gaveta um envelope com o dinheiro prometido.
Ela olhou os documentos.
— O que é isso? — disse, surpresa.
— São dois documentos que você vai assinar pra mim. Depois de cada encontro, vou te devolver um e, no final do trato, você vai ter os dois documentos e os 5000 pesos serão totalmente seus, sem me dever nada.
Ela examinou por um momento e, pegando uma das minhas canetas, assinou. Na hora, entreguei o dinheiro. Ela pegou o envelope e se levantou.
— Não vai contar?
— Não precisa, imagino — disse, séria.
— Sábado que vem, às duas da tarde na minha casa. Até as 20h, você vai ser minha — falei com calma.
— Combinado — disse, indo em direção à porta. Antes de abri-la, virou-se e ficou encostada nela. Me olhou.
— Pensei que você ia querer outro adiantamento — falou, me encarando fundo.
Me aproximei devagar e acariciei o pescoço dela com as costas da mão. Brinquei com os cabelos cacheados dela. Minha mão segurou seu pescoço então, e lentamente meus lábios pressionaram os dela. Quando ela entreabriu a boca, minha língua se enfiou na dela.
Depois de alguns instantes, minha outra mão começou a acariciar os peitos dela por cima da roupa, suavemente, com prazer, sentindo o corpo quente dela.
Lorena se deixava fazer, sem resistir, mas também sem colaborar abertamente. Até que minha mão entrou por baixo da blusa dela e se posicionou sobre o sutiã. Os peitos dela, pequenos mas duros, vibraram com o contato tão próximo da minha mão, e o corpo dela ficou tenso.
Minha boca desceu pelo pescoço dela.
— Já chega — disse ela —, podem nos pegar de surpresa e não quero que ninguém pense o que não é. É só um negócio, nada mais — falou, tirando minha mão dos peitos dela e se soltando, pra depois abrir a porta e sair rapidamente.

Continua

7 comentários - O Negócio (1ª parte)

Copado lindo relato , para cuando la segunda parte ??