La promotora

Acontece que ela estava entediada, e eu estava naqueles dias em que desejava imaginar que desta vez meus desejos seriam realizados. Não sei o que poderia implicar um desafio tão grande contra o cenário atual, mas talvez eu esperasse por isso, como tantas outras vezes.

A tarde passava lentamente e, olhando para o teto, os filmes mais ousados se projetavam no alto da casa, bem diante de mim. Ela parecia dormir, ou quase. Sem a menor noção dos meus pensamentos, nem curiosidade sobre eles, apesar dos meus olhos bem abertos. Justo quando eu começava a pegar no sono, como nos filmes, a campainha tocou, irritante e incômoda, fui ver do que se tratava. Uma entrevistadora de uma tabacalera vinha pelo meu tempo e pelo trabalho dela, que eu não podia deixar de considerar na hora de dispensá-la sem atendê-la. Acontece que a vi antes de falar, era elegante e, sob seu traje esporte, simulava um corpo bonito, com certeza. Por trás de seus óculos, seus olhos suplicavam por atenção depois de uma tarde em que quase não conseguira visitar nenhuma casa.

Certamente, se minha namorada a tivesse visto, teria suspeitado dela e de seu trabalho. Também de mim e dos meus pensamentos, embora eu tenha resolvido que era melhor deixá-la entrar, já que ela, minha namorada, não se importava com meus pensamentos há um bom tempo. Para minha sorte, minha namorada continuava deitada na cama, e eu, na sala, um pouco afastado do quarto, observava as curvas da entrevistadora com toda discrição possível, ela mal desviava o olhar de suas anotações.

Depois de alguns minutos, ela pediu algo para beber e eu obedeci, sobressaltado, como culpado por minha desatenção. Ela agradeceu o copo e olhou ao redor, como se estudasse o cenário, coloquei um pouco de música e continuamos. Quando apoiou o copo na mesa, derrubou o conteúdo em suas calças. Parecia um mundo em sobressalto, no qual ambos nos levantamos de nossos lugares como se algo tivesse explodido. Suas pernas manchadas, seu bloco de anotações molhado, e eu sem saber o que fazer, a não ser trazer um guardanapo, algo pra parecer preocupado. Ela parecia angustiada, aí me contou que depois teria uma reunião com o diretor do projeto dela e que não podia aparecer assim, o que quase a tiraria do trabalho já que ela era só mais uma de várias interessadas e o pior desempenho, sem dúvida, era o dela. A verdade é que eu não podia fazer nada, me sentia impotente e sem jeito de ajudar, tudo estava fora do meu alcance. Parecia uma oportunidade, mas uma oportunidade pra quê, se eu não era um sedutor pra conquistá-la e fazê-la esquecer do drama.

De repente, ao olhar pra trás, vejo minha namorada, que não sei desde quando observava a situação. Ela me pediu pra me aproximar e eu já imaginei aquele típico esporro por causa da minha cara de tarado. Aí ela me pede pra deixar que ela resolva o drama. Se aproximou da promotora, se apresentou e conversaram alguns minutinhos, então eu vejo lá de cima do mezanino a promotora desabotoar a calça, deixá-la cair, mostrando pernas lindíssimas, embora a calcinha não desse pra ver porque a camisa caía por fora. Eu imaginava uma lingerie minúscula, já que não marcava nada quando ela estava de calça e, obviamente, eu tinha observado radiografando aquele bumbum firme e proporcional.

Ela agradeceu à minha namorada, que se dispôs a tirar aquela mancha. Minha namorada se aproximou de mim enquanto ia pro lavandero continuar com a tarefa na calça e, ao passar, sussurrou no meu ouvido...

– Agora pra você, ela é toda sua.

Não podia acreditar no que ela disse, mas ela disse. Minha culpa pesava tanto que eu não faria nada com aquela mulher em casa, e menos ainda com minha namorada sob o mesmo teto, mesmo que ela tivesse dito aquilo de verdade.

Minha namorada era a mulher que mais me excitava, todo dia era um prazer absurdo ver ela andando pela casa com suas calcinhas fio-dental minúsculas, aquele rabinho tentador depois de cada banho e uns peitos proeminentes que me provocavam orgasmos toda vez que os acariciava. Sua sexualidade, mesmo assim, era cumpridora, embora nunca... Nunca imaginei que ela tivesse uma fantasia dessas fervilhando na cabeça.

Me aproximei da sala e a garota não pareceu surpresa com minha presença diante do seu corpo quase nu. Então pedi que me desse a camisa, assim eu removeria a mancha que havia passado da minha calça para a blusa dela. Ela quase não hesitou, não sei se por nossa hospitalidade ou pela sua desinibição. Floresceram dois seios enormes sustentados por um sutiã transparente e justo – não conseguia evitar olhar, embora disfarçasse o máximo possível. Ela pediu desculpas pelo incômodo e eu levei a camisa dela junto com minha calça. Nesse momento, encontro minha namorada espiando, com a mão dentro da calcinha, apoiada na moldura da porta, e me pedindo com os olhos uma atuação boa o suficiente para não estragar a oportunidade de algo diferente entre nós.

Voltei para a promotora e me sentei no sofá, ao lado dela. Ela me olhava agora cúmplice da nossa situação: sozinhos, ela seminus, eu ao seu lado e sem nada para fazer além de realizar um sonho – talvez de ambos, ou mais concretamente, dos três.

O silêncio parecia imbatível, o tempo que girava ao nosso redor parecia infinito e pesado, inamovível. Ela pareceu tomar a iniciativa e se ajoelhou na minha frente, baixou o zíper da minha calça e desabotoou tudo necessário para abaixar minhas roupas sem impedimento. Sem titubear, começou a introduzir meu pau na sua boca, até o fundo e sem cerimônia. Deixou dentro, aquecendo meu sexo como em um forno quente e macio, deixou crescer ao máximo em seu interior sem piscar um olho, até que senti sua língua brincando com meu tronco ereto dentro da boca dela. Com uma mão acariciava minhas bolas em um jogo repetitivo e extremamente prazeroso, com a outra sustentava o corpo sobre minha perna. Depois, ela tirava e colocava na sua caverna, provocando sons de chupeta iguais aos das crianças, mas com gemidos que vinham do fundo da sua sexualidade. Alternava olhares nos meus olhos, como perguntando se Eu podia continuar, ela certamente intuía que com minha cara de êxtase não precisava falar muito, então prosseguia lambendo e apertando meu pau intermitentemente, quando chegava lá em cima ela ia até a cabeça e descia com meu pênis ereto em sua boca quente e úmida.

Quando ela decidiu mudar de posição, eu faria qualquer coisa que ela pedisse, depois de uma cena daquelas. Foi aí que minha namorada apareceu, atrás da porta, de calcinha e com um peito escapando da roupa, um peito que me excitava só de imaginar que tinha sido acariciado por ela mesma. Ela se sentou na nossa frente e começou a se tocar com as pernas abertas, apoiadas nos braços do sofá.

A promotora tirou a calcinha, virou de costas pra mim, apoiou-se no encosto do sofá e disse:

- É seu, me faz gozar - então enfiei meu membro úmido da boca dela.

Lentamente ele afundava no seu ânus acompanhado por um suspiro que acumulava ar dentro dela, deixando-o escapar num gemido que era digno de um áudio erótico por si só. Depois dessa penetração, quando eu achava que ia gozar de uma vez, minha namorada me parou, me afastou da promotora e disse:

- Agora me encharca toda, mas com sua porra.

Foi então que ela me deitou no chão, amarrou minhas mãos nas pernas da mesa e meus pés nas do sofá. A garota assistia à cena tirando a única peça de roupa que lhe restava, mostrando suas curvas e seus cabelos flutuando sobre os ombros. Minha namorada sentou no meu pau, duro e úmido, começou a esfregar o clitóris no membro rígido molhando-o com os fluidos da sua buceta, e incentivou a promotora a sentar na minha cara, fazendo minha língua trabalhar no clitóris dela enquanto eu obedecia aos seus desejos mais ardentes de prazer. Os da minha namorada estavam na sua virilha, com meu membro duro introduzido, ofegante de prazer entre o que via e o que sentia dentro de si.

Meu prazer era supremo, sentia como minha namorada se movia, e a promotora não parava de esfregar-se na minha boca, ambas gemiam de loucura, parecia inacreditável pelo menos para minha namorada, até que ela começou freneticamente a se mover para frente e para trás sobre meu ventre, com o tronco do meu pau enfiado até o fundo dela. Os gritos antecipavam um orgasmo que não demorou a chegar, parecia uma maré oceânica contra a gravidade que alcançaria seu pescoço se não fosse pela toca em que meu pau estava, ereto, pulsando, encharcado de porra, dolorido de tanta ereção. A promotora teve o dela simultaneamente só de ouvir os gritos da sala, os meus mais profundos. Depois minha namorada se aproximou de mim, ainda comigo amarrado, e disse:

- Da próxima vez não cale suas fantasias, você mandou muito bem.La promotora

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