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Compêndio IDesculpa se eu vou devagar. Tô me sentindo muito cansada e ele não quer me ajudar.
Diz que gosta do meu jeito de escrever, mas não acho que sou tão boa assim.
😞
Na faculdade, sempre enchem o saco com meus relatórios. Falam que são muito longos e que eu preciso resumir.
O semestre começa semana que vem e não tô muito a fim de começar, porque entrei de forma irregular ano passado e tenho que pegar matérias de nivelamento.
Ele é um santo, porque cuida das pequenas, cozinha e mantém a casa. Mas me preocupo um pouco com quem vai cuidar das pequenas se meu marido voltar a trabalhar e a vizinha tiver o próprio filhote.
A partir daquela noite, Susana e eu ficamos mais amigas.
A gente se encontrou no mesmo restaurante da noite anterior, com mais liberdade das pequenas, já que dormiam sem problemas enquanto a gente não estava.
Sentia que ela era minha irmã mais velha, porque me dava a sensação de que cuidava de mim, algo que sempre invejei no meu marido, já que ele é o caçula da família.
No entanto, minha cunhada morava longe e a gente raramente a via, então nunca conseguimos ter essa relação.
Ele dizia que era melhor assim, porque a irmã dele o "enquadrava" muito quando pequeno.
"Você sabe que aquela safada quer roubar seu marido?" perguntou Susana, quando Nery convidava meu marido pra dançar salsa.
"Sim... mas ela não é má..." respondi, sorrindo ao vê-lo me pedir ajuda com o olhar.
"Como não é má? Ela já comeu 4 caras meus!"
Eu ri.
"Bom... um dos grandes defeitos do meu marido é que ele acha que sabe dançar..." falei, mostrando como a irmã dele ria da rigidez do meu esposo.
"Mas isso não te incomoda?" perguntou ela, meio preocupada.
"Não, porque ela não é má." Respondi, sorrindo. "Só quer brincar e nada mais..."
Ela riu.
"E pra você, como é uma 'vadia má'?"
"Alguém que realmente queira roubá-lo de mim..." respondi.
"Sério, Mari, não te entendo!..." disse ela, tomando um gole de cerveja.
"Bom... alguém que quisesse roubá-lo de mim, levaria ele do meu lado." Expliquei. "Mas sua irmã quer ele por um tempo..."
"E você não se preocupa que ele se aproveite?"
😃
Sorri com essa ideia.
"De jeito nenhum! Pra ele me trair, só podem acontecer duas coisas: uma mina se jogar em cima dele ou eu mesma pedir."
😈
Ela riu de novo.
"Mari, você é muito iludida!" disse ela, bebendo mais um gole.
"Você viu ele! É um pai super responsável e um marido muito carinhoso..."
"Sim, Mari!" Disse ela, tentando me dar um sermão. "Mas os caras pensam diferente. Se pintar uma oportunidade com uma gostosa, eles pegam e não pensam duas vezes..."
"Pois eu te digo que meu marido é diferente." Expliquei. "Pra ele transar com alguém, tem que ser uma mina especial, que veja o quão lindo ele é..."
"Não sei, Mari!" disse ela, suspirando. "Talvez você pense isso agora... mas se a Nery roubar ele, pode ser que mude de ideia..."
😈
"Mudando de assunto... Posso te perguntar uma coisa?"
"Pode perguntar, Mari!"
"Por que você surfa sozinha?"
"Ah!... É isso que você quer saber!..." respondeu, pedindo outra garrafa de cerveja. "Pois é, porque o Giacopo é um idiota!"
Eu ri, porque ela falou com tanta graça.
"Por que você diz isso?"
Ela também riu ao ver minha cara.
"Porque ele é um cara imaturo..." respondeu, com um olhar mais triste.
"Talvez você não me entenda, Mari, porque nunca pegou uma onda. Mas eu curto, sabe? Aquela sensação, quando a água te envolve e você entra no túnel, não tem preço... e talvez você não tenha me visto, mas eu não faço acrobacias na água. Só aproveito o momento quando a onda te rodeia e respiro aquela sensação, como se o tempo congelasse. Não sei se você consegue me entender..."
💕 💕
Senti uma sensação gostosa quando a ouvi, porque aquele olhar eu já tinha visto muitas vezes antes, em outro cara que eu achava que sabia dançar enquanto lava a louça...
☺️
"Acredite, eu entendo você!" respondi, o que a deixou feliz. "Mas por que não com o Giacopo?"
"Porque É um baita de um babaca!" ela respondeu, irritada. "Ele sai com todos os amigos dele, cruza no meu caminho, se acha o Tony Hawk e tudo mais!"
Imagino que pra ela, aquilo era como se alguém dissesse que "mangá é coisa de nerd".
😡
"E se o meu marido te pedisse pra ensinar ele?" eu perguntei.
"Por quê? Ele se interessa por skate?"
"Bom... pelo que você conta, acho que ele adoraria aprender..."
"Sei lá! Não é algo que se ensine tão fácil!" ela disse, desconfiada.
"Além do mais, você simpatiza muito com ele..." eu completei, maliciosamente, quando o par de dança voltava.
😊
"Seu marido é muito divertido, Mari! Você precisa tirar ele pra dançar mais vezes!" Nery me disse, morrendo de rir e brilhando de suor.
"Rouxinol, quer dançar comigo?" ele me perguntou, quando começaram a tocar algo mais lento.
"Amor, danço contigo toda hora!" respondi. "Por que não dança com a Susi?... aposto que ela adoraria dançar com você também..."
☺️
Bastou um olhar meu pra ele entender...
"Mari... Não precisa se preocupar comigo!... Tô super de boa com minha cerveja!" ela disse, toda vermelha, segurando a garrafa.
Mas eu empurrei ela pelos ombros.
"Anda, Susi!" ordenei. "Que a gente não tenha que implorar!"
E enquanto a gente via eles dançando e meu marido segurando ela pela cintura, Nery me disse:
"Tá percebendo que minha irmã tá olhando estranho pro seu marido?"
😚
Foi divertido enquanto durou...
Porque não passaram nem 20 segundos, quando Giacopo apareceu puto.
😔
Ele não é maior que meu marido, nem parece mais forte. Mas vinha gritando sei lá que merdas em italiano que matou o clima do lugar.
Ele defendia a Susi dos xingamentos, protegendo ela com o peito corajoso e os braços, pra impedir que ele a agarrasse.
Tentou argumentar em inglês com ele, mas falava muito mal e o cara também não queria se acalmar.
Finalmente, Susana pediu licença pro meu marido, falou com Giacopo e saíram do lugar.
😔
Infelizmente, todo mundo olhou pra gente, porque a Nery tava idêntica à Susana e não tivemos outra opção senão sair.
A gente ouviu a Susana gritar algo tipo “Ragatzo sei lá o quê” e olhar pra nós, toda envergonhada.
“Nery, você tem problema se eu dormir com você?”
“Você não é homem, né?! Mas é minha irmã, sua idiota!…” ela respondeu, abraçando ela.
“Mari, me desculpa por aquele babaca!” disse a Susana, com uma cara bem triste.
Na real, ela falou pro meu marido, mas acho que o nome dele é melhor que o protagonista de “Metal Slug”…
😚
Além disso, não é ele que tá escrevendo agora… XD
😊
Mas ela era minha amiga. Minha “irmã mais velha postiça”, como meu marido chama…
E também não foi culpa dela.
“Não se preocupa!” a gente disse e eu abracei ela também, pra ela ver que não tinha rancor.
Meu marido e a Nery foram conversando super animados no caminho até o porto sobre política, promotores e sei lá mais o quê…
Parece que ela tinha sacado que a chave da atenção do meu marido não é no decote, mas numa conversa divertida e inteligente.
“Gostei que seu marido te chamou de ‘Rouxinol’!…” me disse a Susana, meio melancólica. “Aposto que ele deve te amar muito…”
“Ele me chama assim porque, segundo ele, eu canto muito bem… mas na real, não canto sempre…”
Ela sorriu.
“Deve ser bonito ter alguém que te conheça tão bem…”
☺️
“E por que você tá com o Giacopo?” perguntei.
Ela estranhou minha pergunta.
“Mari, foi só um ataque de ciúme!” respondeu, toda envergonhada, ao entender o que eu tava dizendo. “Eu amo o Giacopo… talvez tanto quanto você ama seu marido…”
Mas “Do dito ao feito, vai um baita trecho…”
E dava pra ver, porque meu marido, mesmo com ciúme, NUNCA me impediu de dançar com outro cara.
“Rouxinol, olha!” meu marido falou de repente. “Tem lua!…”
Eu conheço ele e quando ele fala assim, tem um motivo…
“Meninas… vocês topam ver algo… brega, mas romântico?”
Elas riram, mas “a curiosidade matou a puta”…
😊
Ele nos levou até o porto que liga as outras ilhas, que tava fechado e com as luzes apagadas.
Fomos pra um mirante um pouco mais escuro e aí vimos o que ela queria nos mostrar…
“Meus pais chamavam isso de ‘Caminho de Lua’… porque claro, é óbvio…”
😍 😍
Nós três devemos ter sentido a mesma coisa.
A luz da lua, branca, formava um caminho prateado sobre o mar. Era lindo…
E muito, muito romântico…
<3<3<3
❤️ ❤️ ❤️ ❤️ ❤️
“Aqui, ou faltam caras… ou sobram gatas…” brincou a Nery.
“Já sei!… Podemos fazer um acordo!…” sugeri eu.
Elas riram…
Mas só meu marido achou que eu não tava brincando.
😭 T-T
Chegamos no hostel onde elas estavam hospedadas.
“Então… eu fico no nº 5…” disse Nery, olhando especialmente pro meu marido. “E podem vir quando quiserem…”
Meu marido acariciou com carinho a bochecha da Susi.
“Tá se sentindo melhor?”
“Sim, não se preocupa!” respondeu ela, vermelha que nem tomate.
“Me desculpa!”
“Não precisa se desculpar, cara!”
😈
Naquela noite, era a Nery quem tava de bico…
“Você é especial!” disse Susi, antes de dar o beijo de despedida…
💕 💕 💕 💕Próximo post
1 comentários - Sete por sete (75): O sonho do cara (IV)