Pra quem me pedia histórias entre irmãos e irmãs, trago essa trilogia, onde uma irmã vai caindo aos poucos diante da revelação de amor do próprio irmão.
Meu nome é Lesly, mas minha família e amigos me chamam de Les, tenho 22 anos, 1,65m e, segundo meus amigos e namorados que já tive, tenho um corpo de matar, modéstia à parte, mas é definitivamente assim.
Meu irmão Pedro tem 30 anos, 1,80m, é moreno, com uns olhos verdes lindos e um corpo muito bem trabalhado na base do puro exercício.
Nossa história começa há uns 2 anos, quando eu tinha 20 e ele 28. Naquela época, Pedro estava fora do país fazendo uma pós-graduação, e eu tinha acabado de começar a faculdade depois de tirar um ano sabático pra decidir o que queria estudar. No fim, optei por teatro e, depois de me preparar pesado, passei numa das melhores universidades do país.
No final daquele ano, meu irmão voltou pra casa depois de terminar a pós com sucesso e arrumar um emprego na cidade onde a gente morava. No dia que ele chegou, fizeram um jantão em família pra esperá-lo, já que fazia 2 anos que ele tava fora e a gente só tinha visto ele pelo Skype. Naquele dia, caprichei pra me arrumar e ajudar meus pais a organizar a recepção — afinal, eu e meu irmão sempre fomos muito unidos, apesar da diferença de idade. Ele sempre foi muito protetor comigo, e a gente sempre conseguia conversar sobre tudo.
Continuando sobre a roupa pra essa ocasião tão especial, comprei um vestido lindo que mal deixava espaço pra imaginação. Sempre fui uma garota que gosta de mostrar o que tem. Naquele dia, vesti um vestido cor de pérola que chegava um pouco abaixo da bunda, era justo no corpo e tinha um decote profundo que fazia meus peitos parecerem maiores do que realmente eram. Por fim, uns saltos altos que me alongavam bem. Quando o relógio marcou 20h, todo mundo já estava lá embaixo, na sala. esperando que a porta se abrisse e meu irmão aparecesse, na verdade não tivemos que esperar muito, pois ele chegou bem na hora que disse que viria. Quando entrou, todos gritamos em coro –Bem-vindo– e corremos pra abraçar ele. Meus pais foram os primeiros, com lágrimas nos olhos, abraçando e beijando ele, depois minhas tias, primas e primos, uns amigos e, finalmente, quando deixaram ele respirar, eu me aproximei tímida, com medo de que ele tivesse mudado depois de tanto tempo sem nos ver. Abri caminho entre tanta parentada e, quando cheguei perto dele, falei –Oi, irmãozinho–. Ele virou pra me olhar, o olhar dele ficou preso nos meus olhos e depois desceu pra percorrer meu corpo todo e meu vestido impressionante, aí disse –Les, ah, meu Deus, você virou uma mulherão, irmãzinha, você tá uma gostosa!–. Depois me abraçou e me ergueu do chão como se eu fosse uma boneca. –Você também tá um gato, irmãozinho– falei com uma cara de espanto que não conseguia disfarçar.
–Bom, bom– disse a mamãe– vamos comer e colocar a conversa em dia.
Fomos pra mesa e sentamos um de frente pro outro, eu percebia que de vez em quando ele me olhava como se não me reconhecesse. A conversa da noite foi super animada e todo mundo falava com todo mundo. Finalmente, uma prima sugeriu que todos os primos fossem pra um pub ou balada pra continuar celebrando a chegada do meu irmão. Todo mundo topou e saímos em bando de casa, enquanto os mais velhos ficaram entretidos numa conversa profunda sobre economia e política do país.
Chegamos na balada lá pela 01:00 da manhã e o clima tava pegando fogo. Fomos pro bar e eu já pedi uma tequila pra ir esquentando. Meu irmão, que ficava perto de mim, ao me ver pedir uma tequila, se aproximou e disse –Você não é muito novinha pra beber algo tão forte? Pode te fazer mal. Eu caí na risada e falei –Irmãozinho, já sou bem grandinha pra esse tipo de cuidado, eu bebo o que quiser, e além disso, sempre saio com minhas amigas/os e meu namorado e todo mundo bebeu-. Ele ficou surpreso com minha resposta e se afastou de mim sem dizer nada, me senti mal por ter falado daquele jeito e fui atrás dele, alcancei ele perto do vip – Pedro, Pedro (gritei), ele se virou- Desculpa falei, não queria ser tão chata, é que já passou o tempo em que você cuidava de mim e agora perdi o costume, a última coisa que quero é brigar com você no primeiro dia que está em casa.
– Não se preocupa Les, não tem problema, você tem razão, não devo me meter nos seus assuntos, você já é adulta. – Bom, pra quebrar esse gelo, quer dançar?
-Ok- falei- e fomos pra pista de dança. Começamos a dançar loucamente enquanto ríamos e eu começava a sentir os primeiros efeitos da bebida, de repente a música mudou e começou uma mais lenta, eu instintivamente encostei meu corpo no do meu irmão e comecei a me mexer devagar de costas pra ele, enquanto ele respirava pesado e ofegante na minha nuca, as mãos dele seguravam minha cintura e me abraçou me puxando ainda mais pra perto, depois ele sussurrou no meu ouvido- Chega Les, para de se mexer assim, lembra que sou seu irmão e além disso não sou de ferro- quando ele disse isso senti a rola dura dele no meu rabo. Me afastei dele bruscamente e fui pro balcão da balada, tava maluca mesmo, como pude provocar meu irmão daquele jeito, o que tava acontecendo comigo, quis ir embora dali e chamei meu namorado pra me buscar, quando ele chegou falei -me tira daqui por favor-.
- como quiser princesa- ele respondeu.
Quando Sérgio pegou minha mão alguém me segurou pelo ombro por trás- aonde você pensa que vai Les? Você veio com a gente e vai embora com a gente.
- E esse, quem é? Perguntou Sérgio com cara de querer quebrar a cara dele.
- Eeeehhhmmm, Sérgio ele é o Pedro... meu irmão, Pedro ele é o Sérgio meu namorado, então é que vou embora com ele porque já quero ir e o Sérgio vai me levar pra casa, você pode continuar se divertindo.
- Mas Les, se queria ir, por que nao me falou...
- Nao queria te incomodar e alem disso hoje nao tinha visto o Sergio e ja tava com saudade, entao foi ideal ele me levar pra gente passar um tempinho juntos.
- Isso irmao, disse Sergio- eu levo ela em casa sã e salva e junto com as palavras me abraçou e me deu um beijinho.
- Ok- disse Pedro- a gente se ve em casa entao...
- A gente se ve...
- Tchau irmao- disse Sergio- foi um prazer, nao se preocupa que eu cuido dela (e piscou o olho com malicia).
- Mais te vale que sim- disse Pedro-.
Fomos pra casa e no meio do caminho pedi pro meu namorado parar o carro e fiz um boquete daqueles profissionais que deixavam ele louco, depois a gente trepou no meio da estrada e no pelo. Meu namorado é um cara muito gostoso e fode muito bem.
Chegamos na minha casa e me despedi dele na porta com um beijao, depois subi o mais devagar que pude pro meu quarto, eram 5 da manha, coloquei o pijama e dormi quase na hora. Nao senti meu irmao chegar, nem muito menos entrar no meu quarto e deitar do meu lado. Acordei as 14:00 hrs e pra minha surpresa nao tava sozinha, meu irmao tava abraçado em mim e a gente quase respirava o mesmo ar.
- Pedro, Pedro- sussurrei pra ele acordar.
- O que foi? Perguntou abrindo os olhos lindos dele.
- O que foi? Respondi eu- é a mesma coisa que te pergunto- O que cê ta fazendo aqui?
- Mmmmm... ah, desculpa Les, acabei dormindo aqui, é que ontem quando cheguei vim direto pro seu quarto ver se cê ja tinha chegado e entao sentei do seu lado pra te ver dormir enquanto lembrava que quando cê era pequena vinha pra minha cama quando tinha medo...
- Sorri e falei- que fofo, lembro tambem, na epoca eu tinha uns 10 anos... hahahaha....
- Sim, cê era uma bebe linda, mas olha no que cê se transformou agora...
- Como assim? Falei franzindo a testa. Hahahaha… bom, você já sabe – ele disse – você é toda uma mulher, ontem quando te vi na minha recepção quase fiquei sem respirar, você estava linda, se tornou uma moça estupenda… até namorado você tem… onde conheceu ele?
- Obrigada por tantos elogios, mas você também está muito gostoso, muito trabalhado… hahahaha… dá pra ver que sua estadia no exterior te fez muito bem… eeeehhhmm… bom, o Sérgio eu conheci na faculdade, ele estuda teatro e já está no penúltimo ano. É um cara muito bom…
- Aaaahhhhh, fico feliz que você seja feliz… (ele disse num tom bem pouco convincente) – bom, é melhor eu ir pro meu quarto continuar dormindo…
Antes que eu pudesse dizer algo, ele se levantou e foi embora… Eu fiquei pensando em tudo que tinha acontecido nas últimas horas.
Me levantei, entrei no banho e tomei uma ducha, depois fui pro meu quarto e me vesti, desci pra cozinha e meus pais não estavam, tinham ido almoçar fora e não quiseram nos acordar. Na verdade não tava com fome, então subi de volta pro meu quarto e, vendo que tava fazendo bastante calor, coloquei um dos meus biquínis e desci pra piscina. Depois de nadar, me deitei pra pegar um sol, virei de bruços e desatei as alças do sutiã pra não ficar marcado. Tinham passado vários minutos quando de repente senti alguém massageando minhas costas, levantei a cabeça e virei, era meu irmão.
- Desculpa, não queria te acordar, é que você tava se queimando e quis passar mais protetor…
- Obrigada – falei – é que eu acabei dormindo.
- Devo dizer que você tava muito gostosa dormindo, fiquei um tempão te observando… além disso, esse biquíni cai muito bem em você…
- Eu olhei pra ele surpresa e falei – acho que você precisa parar de me elogiar tanto, não tô acostumada com tanta bajulação… mas bom, vamos mudar de assunto, já que estamos sozinhos, por que não me conta sobre sua vida em Barcelona…
- Ok – disse Pedro sentando do meu lado. Naquela tarde conversamos por mais de três horas seguidas. Depois comemos e continuamos batendo papo, meu irmão tinha muita coisa pra contar e eu tava super interessada em ouvir ele. A gente falou dos estudos dele, de como era o país, de quantos amigos novos ele tinha feito, das duas namoradas que ele arrumou nesses dois anos, e por aí vai...
De repente, olhei no relógio e já eram 9 da noite, então falei pro meu irmão que precisava ir tomar banho porque ia sair com meu namorado. Ele não gostou muito da cara, mas não falou nada, então fui me arrumar. Levei mais ou menos uma hora pra ficar pronta e, quando desci, meu irmão tava na sala vendo TV. Quando me viu, os olhos dele se arregalaram, sem conseguir disfarçar o espanto... Eu tinha escolhido um vestido preto que batia abaixo da bunda, com gola alta e sem decote, tinha alisado o cabelo e deixado solto, e calcei uns saltos altos. Completava o look uma jaquetinha curta, mas que na hora eu não tava usando.
Meu irmão, ao me ver, falou: — Uau, e você sempre se veste assim pra sair?
— Não — respondi. É que essa é uma ocasião especial. Parece que o Sergio tem algo importante pra me dizer e pediu pra eu me vestir mais gostosa do que o normal...
— Ah, bom — disse meu irmão —, parece que esse cara tá falando sério. Espero que ele seja um cara bom pra você... não quero te ver sofrendo.
— Ele é, não precisa se preocupar. Bom, já vou saindo... O Sergio tá lá fora me esperando. A gente se vê.
— Beleza, se cuida, vai com Deus (e depois dessas palavras, ele se levantou do sofá, veio até mim e me deu um beijão na bochecha).
Meu namorado me levou num restaurante da hora, a gente comeu uma comida deliciosa enquanto conversava sobre um monte de coisas. Aí, quando chegou a sobremesa, o Sergio tirou do bolso da jaqueta uma caixinha e segurou minha mão:
— Eu venho pensando nisso há dias, e queria te falar num lugar especial... e não sabia como... mas... agora tô aqui e quero que você saiba que tô apaixonado por você, que quero ficar contigo pra sempre, que preciso de você, que... Você é tudo que eu quero e por isso quero te pedir pra ser minha mulher… tipo, quero que você seja minha esposa… Les, você quer casar comigo?...
- Eu não sabia o que fazer, nem o que dizer, nunca pensei que o jantar era pra me pedir em casamento, tipo, tava fora de contexto pra mim, não sabia o que responder, eu não amava o Sergio, ele era um cara incrível, a gente transava gostoso e ele beijava muito bem… mas daí a casar… além disso, nenhum de nós tinha terminado a faculdade ainda…
- Você tá falando sério?
- Claro que sim, já te falei… eu te amo…
- Pois… eu não sei o que te responder agora, não posso te falar nada nesse momento, você me pegou de surpresa… me dá um tempo… (eu levantei e saí de lá, travada pelos meus pensamentos e sentimentos, meu namorado não falou nada nem me seguiu)
Cheguei em casa e, ao entrar, fechei a porta e sentei no chão, segurei minha cabeça entre as mãos e lembrei de tudo que tinha vivido naquela noite, tava confusa, me sentia estranha, não conseguia decifrar meus sentimentos, não conseguia explicar, minha cabeça e meu coração eram um mar de confusão. De repente, alguém acendeu a luz da sala e eu dei um pequeno pulo de susto, era meu irmão…
- O que que tem? Por que você tá assim? Esse desgraçado fez alguma coisa com você?... fala comigo, pelo amor, você tá me preocupando…
- Não tem nada não-, não tem nada não- gaguejei me levantando enquanto me apoiava na parede, meu irmão chegou perto e me segurou pela cintura me ajudando a me levantar…
- Pelo amor, Les, você tá pálida, não mente pra mim (Ele segurou meu rosto entre as mãos e me forçou a olhar nos olhos dele)- não mente pra mim, guria, eu sei que alguma coisa aconteceu com você e não vou te deixar em paz até você me contar…
- Ele me pediu em casamento- sussurrei-
- O QUÊ?- Meu irmão falou num tom desconcertado- E o que você disse pra ele?... me conta…
- Não consegui responder, falei pra ele, saí de lá e deixei ele sentado com o anel na mão… sei lá, não consegui responder…
- Meu irmão me abraçou e o Mudança de tom de voz — "Você precisa pensar bem, princesa" — ele disse com doçura — "não pode se precipitar, ou talvez ainda não seja hora de dar um passo tão importante... ainda mais se você não tem certeza... você ama ele?" — perguntou num tom de expectativa.
— "Por que você me pergunta isso?" — respondi — "não sei, estou confusa" — olhei nos olhos dele e, sem hesitar, falei — "eu gosto de outro cara, mas não sei se eu também gosto dele..."
— Meu irmão não esperava por essa resposta e, num tom ainda mais ansioso, perguntou... "e posso saber quem é esse cara?"
— Eu me virei para ir em direção à escada e, enquanto caminhava para o meu quarto, falei: "sério que você não imagina quem pode ser?..."
— Acho que ele ficou parado ali, com a resposta ecoando na cabeça dele, enquanto em mim crescia um desejo que eu sabia que ia explodir a qualquer momento... naquela noite, dormi na minha cama completamente pelada...
Na manhã seguinte, acordei bem tarde, ou melhor, fui acordada. Quando me virei para o lado da porta para continuar dormindo, abri os olhos de leve e lá estava o Pedro, de pé na entrada do meu quarto, me olhando com olhos de tesão, ou melhor, me devorando com o olhar e com uma ereção evidente. De repente, lembrei que tinha dormido pelada e me sentei rapidamente, me cobrindo com os lençóis...
— "O que você está fazendo aqui? Por que não bate antes de entrar? Tá aí parado há quanto tempo?" — meu tom era de raiva, e ainda percebi que estava com uma dor de cabeça da porra...
— "Desculpa" — disse meu irmão, saindo do transe — "não queria te acordar, mas meus pais querem que você desça pra almoçar..."
— "Tá bom" — falei — "já vou... vou tomar um banho primeiro..."
Pedro, sem responder, saiu do meu quarto. Eu levantei e fui pro banheiro, depois voltei pro meu quarto pra me vestir. Escolhi um look mais esportivo porque, depois do almoço, pensei em ir correr pra clarear a mente. Tinha bastante coisa pra pensar e não queria fazer isso em casa.
O almoço foi normal... ou melhor, relativamente normal, já que que meu irmão não tirava os olhos de mim, comi rápido e depois me desculpei pra sair e ir caminhar. Já tinha andado um bom pedaço, mergulhada nos meus pensamentos, quando de repente meu celular tocou e, ao atender, reconheci a voz do meu namorado...
— Como você está? — ele perguntou.
— Bem — respondi, com um pouco de dúvida.
— Ok, não sei o que dizer sobre o que aconteceu ontem à noite...
— Por favor... não fala nada... já passou... e ontem à noite eu te falei... preciso pensar... sei lá, talvez você deva me dar uns dias... o que você tá me propondo é um passo grande demais e eu... não esperava por isso de jeito nenhum... então, por favor, me dá o tempo que tô pedindo...
— Les... não se preocupa — ele disse — eu entendo... vou deixar você pensar por uns dias... um beijão... não esquece que eu te amo... — e desligou.
— Um beijo — falei e desliguei.
Continuei andando pelo parque e depois voltei pra casa. A verdade é que a caminhada me fez bem, voltei um pouco mais animada. Quando cheguei, subi em silêncio pro meu quarto e me joguei na cama, onde acabei dormindo.
Quando acordei já era noite. Desci pra comer com meus pais e meu irmão, depois sentamos pra ver um filme.
— Tá se sentindo melhor? — meu irmão perguntou baixinho.
— Tô... — respondi, sem dizer mais nada.
Na real, minha mente não tava na trama do filme que a gente tava vendo, mas na minha situação sentimental. Lá no fundo, eu sabia que os sentimentos que eu tinha pelo meu irmão iam me levar pra um caminho sem volta e que eu ia acabar me ferrando, mas não conseguia fazer nada pra evitar o que sentia por ele. Quando o filme terminou, subi pro meu quarto pra estudar, mas não conseguia me concentrar. No fim, decidi dormir pra não ter que pensar em mais nada. Fui tomar banho e, quando voltei pro quarto, coloquei uma pijama bem curtinha que eu não usava há um tempão e me sentei na cama pra ler, porque tava calor pra deitar... De repente, tive a sensação de que alguém tava me olhando bem de perto e me dei Me virei pra ver quem era, e era o Pedro que, de novo, tinha entrado no meu quarto sem bater.
— Pedro, o que eu te falei hoje... que por favor batesse antes de entrar... podia estar pelada ou algo assim... — falei.
— Isso teria sido um sonho realizado... — ele sussurrou.
— O quê? — perguntei.
— Não... nada, desculpa, é que preciso falar com você — disse ele, meio tímido e sem parar de olhar pra minha bunda.
— Pedrãããooo — gritei —, cê pode parar de olhar pra minha bunda desse jeito sem vergonha, por favor? Falei, tenha um pouco de juízo... melhor eu vestir um roupão.
— Nããão, não, Les, por favor — ele disse —, fica assim, desculpa, é que não consigo evitar, você tá muito gostosa... eeeehhhmm... eu... queria falar com você sobre o que você me disse... é que eu acho que você não devia casar com o Sérgio...
— Por favor — falei —, acho que isso é um assunto meu... e não acho boa ideia você se meter...
— É que me desculpa de novo... mas sinto que é meu dever de irmão mais velho te dar esse conselho e...
— "Seu dever de irmão mais velho" — falei —, ou seja, é só por isso mesmo... certeza? — me levantei de costas pra ele.
— Ele ficou sentado na cama e disse: Bom, Les, sinto que é o certo a fazer, além disso... bom... eu...
— Eu o quê? — falei —, por favor, Pedro, me fala a verdade, por que você tá me dizendo isso?
— Pedro se levantou atrás de mim, me abraçou, beijou meu pescoço e disse: — Bom, Les, eu não consigo te enganar, apesar de todo o tempo que ficamos separados, você me conhece muito bem... — ele passou as mãos devagar pela minha cintura e me virou pra ele... ficamos de frente um pro outro e ele falou de novo — eu... não consigo evitar fazer isso... — e num movimento rápido, aproximou o rosto do meu e me beijou. Foi um beijo lento, suave e profundo; ninguém nunca tinha me beijado assim, me senti no céu, senti que o mundo não existia mais e que só existíamos eu e o Pedro.
De repente, meu sonho maravilhoso virou pesadelo quando voltei à realidade. realidade e perceber que estava beijando meu irmão... me afastei dele empurrando-o e ele me olhou como se não me conhecesse...
— O que foi? — perguntou.
— Como você me pergunta isso, é óbvio, não acha?... você é meu irmão mais velho, a gente não pode ficar fazendo isso... não é certo, não faz o menor sentido...
— Les, eu sei muito bem que tudo isso não faz sentido, você nem precisa me falar... mas é que o que eu sinto por você vai além de qualquer razão, desde que voltei pra casa e te vi, soube que não te via mais como minha "irmãzinha", mas como uma mulher... e foi dessa mulher que eu fui me apaixonando durante esses dias... Les... eu não aguento a ideia de te perder... desde que soube que você tinha namorado, meu ciúme só foi crescendo... eu... eu... tô perdendo a cabeça por você...
— Eu estava em choque, não conseguia acreditar no que ouvia, minha cabeça girava a mil e meu coração parecia que ia explodir... estava tão atordoada que não consegui responder, simplesmente saí do quarto e desci as escadas em direção à rua, não dava pra ficar ali... precisava processar aquilo tudo. Meu irmão não me seguiu e nas horas seguintes fui pra casa de uma amiga com a desculpa de estudar pra que meus pais não me enchessem.
Quando voltei pra casa perto das 20h, não tinha ninguém, todos tinham saído e aproveitei pra tomar um banho e comer alguma coisa, depois fui direto pro meu quarto dormir. Acordei lá pelas duas da madrugada e percebi que meu irmão estava sentado na minha escrivaninha me olhando dormir, dei um pulo de susto e soltei um grito que abafei com a mão.
— O que você tá fazendo aqui? tá maluco?...
— Sim — disse — tô maluco por você... e não vou sair desse quarto até você responder o que sente por mim... eu preciso saber seus sentimentos por mim... será que você me vê só como seu irmão mais velho? ou sente a mesma coisa que eu?
Minha resposta você vai saber na segunda parte dessa história... ...Continua...
Meu nome é Lesly, mas minha família e amigos me chamam de Les, tenho 22 anos, 1,65m e, segundo meus amigos e namorados que já tive, tenho um corpo de matar, modéstia à parte, mas é definitivamente assim.
Meu irmão Pedro tem 30 anos, 1,80m, é moreno, com uns olhos verdes lindos e um corpo muito bem trabalhado na base do puro exercício.
Nossa história começa há uns 2 anos, quando eu tinha 20 e ele 28. Naquela época, Pedro estava fora do país fazendo uma pós-graduação, e eu tinha acabado de começar a faculdade depois de tirar um ano sabático pra decidir o que queria estudar. No fim, optei por teatro e, depois de me preparar pesado, passei numa das melhores universidades do país.
No final daquele ano, meu irmão voltou pra casa depois de terminar a pós com sucesso e arrumar um emprego na cidade onde a gente morava. No dia que ele chegou, fizeram um jantão em família pra esperá-lo, já que fazia 2 anos que ele tava fora e a gente só tinha visto ele pelo Skype. Naquele dia, caprichei pra me arrumar e ajudar meus pais a organizar a recepção — afinal, eu e meu irmão sempre fomos muito unidos, apesar da diferença de idade. Ele sempre foi muito protetor comigo, e a gente sempre conseguia conversar sobre tudo.
Continuando sobre a roupa pra essa ocasião tão especial, comprei um vestido lindo que mal deixava espaço pra imaginação. Sempre fui uma garota que gosta de mostrar o que tem. Naquele dia, vesti um vestido cor de pérola que chegava um pouco abaixo da bunda, era justo no corpo e tinha um decote profundo que fazia meus peitos parecerem maiores do que realmente eram. Por fim, uns saltos altos que me alongavam bem. Quando o relógio marcou 20h, todo mundo já estava lá embaixo, na sala. esperando que a porta se abrisse e meu irmão aparecesse, na verdade não tivemos que esperar muito, pois ele chegou bem na hora que disse que viria. Quando entrou, todos gritamos em coro –Bem-vindo– e corremos pra abraçar ele. Meus pais foram os primeiros, com lágrimas nos olhos, abraçando e beijando ele, depois minhas tias, primas e primos, uns amigos e, finalmente, quando deixaram ele respirar, eu me aproximei tímida, com medo de que ele tivesse mudado depois de tanto tempo sem nos ver. Abri caminho entre tanta parentada e, quando cheguei perto dele, falei –Oi, irmãozinho–. Ele virou pra me olhar, o olhar dele ficou preso nos meus olhos e depois desceu pra percorrer meu corpo todo e meu vestido impressionante, aí disse –Les, ah, meu Deus, você virou uma mulherão, irmãzinha, você tá uma gostosa!–. Depois me abraçou e me ergueu do chão como se eu fosse uma boneca. –Você também tá um gato, irmãozinho– falei com uma cara de espanto que não conseguia disfarçar.
–Bom, bom– disse a mamãe– vamos comer e colocar a conversa em dia.
Fomos pra mesa e sentamos um de frente pro outro, eu percebia que de vez em quando ele me olhava como se não me reconhecesse. A conversa da noite foi super animada e todo mundo falava com todo mundo. Finalmente, uma prima sugeriu que todos os primos fossem pra um pub ou balada pra continuar celebrando a chegada do meu irmão. Todo mundo topou e saímos em bando de casa, enquanto os mais velhos ficaram entretidos numa conversa profunda sobre economia e política do país.
Chegamos na balada lá pela 01:00 da manhã e o clima tava pegando fogo. Fomos pro bar e eu já pedi uma tequila pra ir esquentando. Meu irmão, que ficava perto de mim, ao me ver pedir uma tequila, se aproximou e disse –Você não é muito novinha pra beber algo tão forte? Pode te fazer mal. Eu caí na risada e falei –Irmãozinho, já sou bem grandinha pra esse tipo de cuidado, eu bebo o que quiser, e além disso, sempre saio com minhas amigas/os e meu namorado e todo mundo bebeu-. Ele ficou surpreso com minha resposta e se afastou de mim sem dizer nada, me senti mal por ter falado daquele jeito e fui atrás dele, alcancei ele perto do vip – Pedro, Pedro (gritei), ele se virou- Desculpa falei, não queria ser tão chata, é que já passou o tempo em que você cuidava de mim e agora perdi o costume, a última coisa que quero é brigar com você no primeiro dia que está em casa.
– Não se preocupa Les, não tem problema, você tem razão, não devo me meter nos seus assuntos, você já é adulta. – Bom, pra quebrar esse gelo, quer dançar?
-Ok- falei- e fomos pra pista de dança. Começamos a dançar loucamente enquanto ríamos e eu começava a sentir os primeiros efeitos da bebida, de repente a música mudou e começou uma mais lenta, eu instintivamente encostei meu corpo no do meu irmão e comecei a me mexer devagar de costas pra ele, enquanto ele respirava pesado e ofegante na minha nuca, as mãos dele seguravam minha cintura e me abraçou me puxando ainda mais pra perto, depois ele sussurrou no meu ouvido- Chega Les, para de se mexer assim, lembra que sou seu irmão e além disso não sou de ferro- quando ele disse isso senti a rola dura dele no meu rabo. Me afastei dele bruscamente e fui pro balcão da balada, tava maluca mesmo, como pude provocar meu irmão daquele jeito, o que tava acontecendo comigo, quis ir embora dali e chamei meu namorado pra me buscar, quando ele chegou falei -me tira daqui por favor-.
- como quiser princesa- ele respondeu.
Quando Sérgio pegou minha mão alguém me segurou pelo ombro por trás- aonde você pensa que vai Les? Você veio com a gente e vai embora com a gente.
- E esse, quem é? Perguntou Sérgio com cara de querer quebrar a cara dele.
- Eeeehhhmmm, Sérgio ele é o Pedro... meu irmão, Pedro ele é o Sérgio meu namorado, então é que vou embora com ele porque já quero ir e o Sérgio vai me levar pra casa, você pode continuar se divertindo.
- Mas Les, se queria ir, por que nao me falou...
- Nao queria te incomodar e alem disso hoje nao tinha visto o Sergio e ja tava com saudade, entao foi ideal ele me levar pra gente passar um tempinho juntos.
- Isso irmao, disse Sergio- eu levo ela em casa sã e salva e junto com as palavras me abraçou e me deu um beijinho.
- Ok- disse Pedro- a gente se ve em casa entao...
- A gente se ve...
- Tchau irmao- disse Sergio- foi um prazer, nao se preocupa que eu cuido dela (e piscou o olho com malicia).
- Mais te vale que sim- disse Pedro-.
Fomos pra casa e no meio do caminho pedi pro meu namorado parar o carro e fiz um boquete daqueles profissionais que deixavam ele louco, depois a gente trepou no meio da estrada e no pelo. Meu namorado é um cara muito gostoso e fode muito bem.
Chegamos na minha casa e me despedi dele na porta com um beijao, depois subi o mais devagar que pude pro meu quarto, eram 5 da manha, coloquei o pijama e dormi quase na hora. Nao senti meu irmao chegar, nem muito menos entrar no meu quarto e deitar do meu lado. Acordei as 14:00 hrs e pra minha surpresa nao tava sozinha, meu irmao tava abraçado em mim e a gente quase respirava o mesmo ar.
- Pedro, Pedro- sussurrei pra ele acordar.
- O que foi? Perguntou abrindo os olhos lindos dele.
- O que foi? Respondi eu- é a mesma coisa que te pergunto- O que cê ta fazendo aqui?
- Mmmmm... ah, desculpa Les, acabei dormindo aqui, é que ontem quando cheguei vim direto pro seu quarto ver se cê ja tinha chegado e entao sentei do seu lado pra te ver dormir enquanto lembrava que quando cê era pequena vinha pra minha cama quando tinha medo...
- Sorri e falei- que fofo, lembro tambem, na epoca eu tinha uns 10 anos... hahahaha....
- Sim, cê era uma bebe linda, mas olha no que cê se transformou agora...
- Como assim? Falei franzindo a testa. Hahahaha… bom, você já sabe – ele disse – você é toda uma mulher, ontem quando te vi na minha recepção quase fiquei sem respirar, você estava linda, se tornou uma moça estupenda… até namorado você tem… onde conheceu ele?
- Obrigada por tantos elogios, mas você também está muito gostoso, muito trabalhado… hahahaha… dá pra ver que sua estadia no exterior te fez muito bem… eeeehhhmm… bom, o Sérgio eu conheci na faculdade, ele estuda teatro e já está no penúltimo ano. É um cara muito bom…
- Aaaahhhhh, fico feliz que você seja feliz… (ele disse num tom bem pouco convincente) – bom, é melhor eu ir pro meu quarto continuar dormindo…
Antes que eu pudesse dizer algo, ele se levantou e foi embora… Eu fiquei pensando em tudo que tinha acontecido nas últimas horas.
Me levantei, entrei no banho e tomei uma ducha, depois fui pro meu quarto e me vesti, desci pra cozinha e meus pais não estavam, tinham ido almoçar fora e não quiseram nos acordar. Na verdade não tava com fome, então subi de volta pro meu quarto e, vendo que tava fazendo bastante calor, coloquei um dos meus biquínis e desci pra piscina. Depois de nadar, me deitei pra pegar um sol, virei de bruços e desatei as alças do sutiã pra não ficar marcado. Tinham passado vários minutos quando de repente senti alguém massageando minhas costas, levantei a cabeça e virei, era meu irmão.
- Desculpa, não queria te acordar, é que você tava se queimando e quis passar mais protetor…
- Obrigada – falei – é que eu acabei dormindo.
- Devo dizer que você tava muito gostosa dormindo, fiquei um tempão te observando… além disso, esse biquíni cai muito bem em você…
- Eu olhei pra ele surpresa e falei – acho que você precisa parar de me elogiar tanto, não tô acostumada com tanta bajulação… mas bom, vamos mudar de assunto, já que estamos sozinhos, por que não me conta sobre sua vida em Barcelona…
- Ok – disse Pedro sentando do meu lado. Naquela tarde conversamos por mais de três horas seguidas. Depois comemos e continuamos batendo papo, meu irmão tinha muita coisa pra contar e eu tava super interessada em ouvir ele. A gente falou dos estudos dele, de como era o país, de quantos amigos novos ele tinha feito, das duas namoradas que ele arrumou nesses dois anos, e por aí vai...
De repente, olhei no relógio e já eram 9 da noite, então falei pro meu irmão que precisava ir tomar banho porque ia sair com meu namorado. Ele não gostou muito da cara, mas não falou nada, então fui me arrumar. Levei mais ou menos uma hora pra ficar pronta e, quando desci, meu irmão tava na sala vendo TV. Quando me viu, os olhos dele se arregalaram, sem conseguir disfarçar o espanto... Eu tinha escolhido um vestido preto que batia abaixo da bunda, com gola alta e sem decote, tinha alisado o cabelo e deixado solto, e calcei uns saltos altos. Completava o look uma jaquetinha curta, mas que na hora eu não tava usando.
Meu irmão, ao me ver, falou: — Uau, e você sempre se veste assim pra sair?
— Não — respondi. É que essa é uma ocasião especial. Parece que o Sergio tem algo importante pra me dizer e pediu pra eu me vestir mais gostosa do que o normal...
— Ah, bom — disse meu irmão —, parece que esse cara tá falando sério. Espero que ele seja um cara bom pra você... não quero te ver sofrendo.
— Ele é, não precisa se preocupar. Bom, já vou saindo... O Sergio tá lá fora me esperando. A gente se vê.
— Beleza, se cuida, vai com Deus (e depois dessas palavras, ele se levantou do sofá, veio até mim e me deu um beijão na bochecha).
Meu namorado me levou num restaurante da hora, a gente comeu uma comida deliciosa enquanto conversava sobre um monte de coisas. Aí, quando chegou a sobremesa, o Sergio tirou do bolso da jaqueta uma caixinha e segurou minha mão:
— Eu venho pensando nisso há dias, e queria te falar num lugar especial... e não sabia como... mas... agora tô aqui e quero que você saiba que tô apaixonado por você, que quero ficar contigo pra sempre, que preciso de você, que... Você é tudo que eu quero e por isso quero te pedir pra ser minha mulher… tipo, quero que você seja minha esposa… Les, você quer casar comigo?...
- Eu não sabia o que fazer, nem o que dizer, nunca pensei que o jantar era pra me pedir em casamento, tipo, tava fora de contexto pra mim, não sabia o que responder, eu não amava o Sergio, ele era um cara incrível, a gente transava gostoso e ele beijava muito bem… mas daí a casar… além disso, nenhum de nós tinha terminado a faculdade ainda…
- Você tá falando sério?
- Claro que sim, já te falei… eu te amo…
- Pois… eu não sei o que te responder agora, não posso te falar nada nesse momento, você me pegou de surpresa… me dá um tempo… (eu levantei e saí de lá, travada pelos meus pensamentos e sentimentos, meu namorado não falou nada nem me seguiu)
Cheguei em casa e, ao entrar, fechei a porta e sentei no chão, segurei minha cabeça entre as mãos e lembrei de tudo que tinha vivido naquela noite, tava confusa, me sentia estranha, não conseguia decifrar meus sentimentos, não conseguia explicar, minha cabeça e meu coração eram um mar de confusão. De repente, alguém acendeu a luz da sala e eu dei um pequeno pulo de susto, era meu irmão…
- O que que tem? Por que você tá assim? Esse desgraçado fez alguma coisa com você?... fala comigo, pelo amor, você tá me preocupando…
- Não tem nada não-, não tem nada não- gaguejei me levantando enquanto me apoiava na parede, meu irmão chegou perto e me segurou pela cintura me ajudando a me levantar…
- Pelo amor, Les, você tá pálida, não mente pra mim (Ele segurou meu rosto entre as mãos e me forçou a olhar nos olhos dele)- não mente pra mim, guria, eu sei que alguma coisa aconteceu com você e não vou te deixar em paz até você me contar…
- Ele me pediu em casamento- sussurrei-
- O QUÊ?- Meu irmão falou num tom desconcertado- E o que você disse pra ele?... me conta…
- Não consegui responder, falei pra ele, saí de lá e deixei ele sentado com o anel na mão… sei lá, não consegui responder…
- Meu irmão me abraçou e o Mudança de tom de voz — "Você precisa pensar bem, princesa" — ele disse com doçura — "não pode se precipitar, ou talvez ainda não seja hora de dar um passo tão importante... ainda mais se você não tem certeza... você ama ele?" — perguntou num tom de expectativa.
— "Por que você me pergunta isso?" — respondi — "não sei, estou confusa" — olhei nos olhos dele e, sem hesitar, falei — "eu gosto de outro cara, mas não sei se eu também gosto dele..."
— Meu irmão não esperava por essa resposta e, num tom ainda mais ansioso, perguntou... "e posso saber quem é esse cara?"
— Eu me virei para ir em direção à escada e, enquanto caminhava para o meu quarto, falei: "sério que você não imagina quem pode ser?..."
— Acho que ele ficou parado ali, com a resposta ecoando na cabeça dele, enquanto em mim crescia um desejo que eu sabia que ia explodir a qualquer momento... naquela noite, dormi na minha cama completamente pelada...
Na manhã seguinte, acordei bem tarde, ou melhor, fui acordada. Quando me virei para o lado da porta para continuar dormindo, abri os olhos de leve e lá estava o Pedro, de pé na entrada do meu quarto, me olhando com olhos de tesão, ou melhor, me devorando com o olhar e com uma ereção evidente. De repente, lembrei que tinha dormido pelada e me sentei rapidamente, me cobrindo com os lençóis...
— "O que você está fazendo aqui? Por que não bate antes de entrar? Tá aí parado há quanto tempo?" — meu tom era de raiva, e ainda percebi que estava com uma dor de cabeça da porra...
— "Desculpa" — disse meu irmão, saindo do transe — "não queria te acordar, mas meus pais querem que você desça pra almoçar..."
— "Tá bom" — falei — "já vou... vou tomar um banho primeiro..."
Pedro, sem responder, saiu do meu quarto. Eu levantei e fui pro banheiro, depois voltei pro meu quarto pra me vestir. Escolhi um look mais esportivo porque, depois do almoço, pensei em ir correr pra clarear a mente. Tinha bastante coisa pra pensar e não queria fazer isso em casa.
O almoço foi normal... ou melhor, relativamente normal, já que que meu irmão não tirava os olhos de mim, comi rápido e depois me desculpei pra sair e ir caminhar. Já tinha andado um bom pedaço, mergulhada nos meus pensamentos, quando de repente meu celular tocou e, ao atender, reconheci a voz do meu namorado...
— Como você está? — ele perguntou.
— Bem — respondi, com um pouco de dúvida.
— Ok, não sei o que dizer sobre o que aconteceu ontem à noite...
— Por favor... não fala nada... já passou... e ontem à noite eu te falei... preciso pensar... sei lá, talvez você deva me dar uns dias... o que você tá me propondo é um passo grande demais e eu... não esperava por isso de jeito nenhum... então, por favor, me dá o tempo que tô pedindo...
— Les... não se preocupa — ele disse — eu entendo... vou deixar você pensar por uns dias... um beijão... não esquece que eu te amo... — e desligou.
— Um beijo — falei e desliguei.
Continuei andando pelo parque e depois voltei pra casa. A verdade é que a caminhada me fez bem, voltei um pouco mais animada. Quando cheguei, subi em silêncio pro meu quarto e me joguei na cama, onde acabei dormindo.
Quando acordei já era noite. Desci pra comer com meus pais e meu irmão, depois sentamos pra ver um filme.
— Tá se sentindo melhor? — meu irmão perguntou baixinho.
— Tô... — respondi, sem dizer mais nada.
Na real, minha mente não tava na trama do filme que a gente tava vendo, mas na minha situação sentimental. Lá no fundo, eu sabia que os sentimentos que eu tinha pelo meu irmão iam me levar pra um caminho sem volta e que eu ia acabar me ferrando, mas não conseguia fazer nada pra evitar o que sentia por ele. Quando o filme terminou, subi pro meu quarto pra estudar, mas não conseguia me concentrar. No fim, decidi dormir pra não ter que pensar em mais nada. Fui tomar banho e, quando voltei pro quarto, coloquei uma pijama bem curtinha que eu não usava há um tempão e me sentei na cama pra ler, porque tava calor pra deitar... De repente, tive a sensação de que alguém tava me olhando bem de perto e me dei Me virei pra ver quem era, e era o Pedro que, de novo, tinha entrado no meu quarto sem bater.
— Pedro, o que eu te falei hoje... que por favor batesse antes de entrar... podia estar pelada ou algo assim... — falei.
— Isso teria sido um sonho realizado... — ele sussurrou.
— O quê? — perguntei.
— Não... nada, desculpa, é que preciso falar com você — disse ele, meio tímido e sem parar de olhar pra minha bunda.
— Pedrãããooo — gritei —, cê pode parar de olhar pra minha bunda desse jeito sem vergonha, por favor? Falei, tenha um pouco de juízo... melhor eu vestir um roupão.
— Nããão, não, Les, por favor — ele disse —, fica assim, desculpa, é que não consigo evitar, você tá muito gostosa... eeeehhhmm... eu... queria falar com você sobre o que você me disse... é que eu acho que você não devia casar com o Sérgio...
— Por favor — falei —, acho que isso é um assunto meu... e não acho boa ideia você se meter...
— É que me desculpa de novo... mas sinto que é meu dever de irmão mais velho te dar esse conselho e...
— "Seu dever de irmão mais velho" — falei —, ou seja, é só por isso mesmo... certeza? — me levantei de costas pra ele.
— Ele ficou sentado na cama e disse: Bom, Les, sinto que é o certo a fazer, além disso... bom... eu...
— Eu o quê? — falei —, por favor, Pedro, me fala a verdade, por que você tá me dizendo isso?
— Pedro se levantou atrás de mim, me abraçou, beijou meu pescoço e disse: — Bom, Les, eu não consigo te enganar, apesar de todo o tempo que ficamos separados, você me conhece muito bem... — ele passou as mãos devagar pela minha cintura e me virou pra ele... ficamos de frente um pro outro e ele falou de novo — eu... não consigo evitar fazer isso... — e num movimento rápido, aproximou o rosto do meu e me beijou. Foi um beijo lento, suave e profundo; ninguém nunca tinha me beijado assim, me senti no céu, senti que o mundo não existia mais e que só existíamos eu e o Pedro.
De repente, meu sonho maravilhoso virou pesadelo quando voltei à realidade. realidade e perceber que estava beijando meu irmão... me afastei dele empurrando-o e ele me olhou como se não me conhecesse...
— O que foi? — perguntou.
— Como você me pergunta isso, é óbvio, não acha?... você é meu irmão mais velho, a gente não pode ficar fazendo isso... não é certo, não faz o menor sentido...
— Les, eu sei muito bem que tudo isso não faz sentido, você nem precisa me falar... mas é que o que eu sinto por você vai além de qualquer razão, desde que voltei pra casa e te vi, soube que não te via mais como minha "irmãzinha", mas como uma mulher... e foi dessa mulher que eu fui me apaixonando durante esses dias... Les... eu não aguento a ideia de te perder... desde que soube que você tinha namorado, meu ciúme só foi crescendo... eu... eu... tô perdendo a cabeça por você...
— Eu estava em choque, não conseguia acreditar no que ouvia, minha cabeça girava a mil e meu coração parecia que ia explodir... estava tão atordoada que não consegui responder, simplesmente saí do quarto e desci as escadas em direção à rua, não dava pra ficar ali... precisava processar aquilo tudo. Meu irmão não me seguiu e nas horas seguintes fui pra casa de uma amiga com a desculpa de estudar pra que meus pais não me enchessem.
Quando voltei pra casa perto das 20h, não tinha ninguém, todos tinham saído e aproveitei pra tomar um banho e comer alguma coisa, depois fui direto pro meu quarto dormir. Acordei lá pelas duas da madrugada e percebi que meu irmão estava sentado na minha escrivaninha me olhando dormir, dei um pulo de susto e soltei um grito que abafei com a mão.
— O que você tá fazendo aqui? tá maluco?...
— Sim — disse — tô maluco por você... e não vou sair desse quarto até você responder o que sente por mim... eu preciso saber seus sentimentos por mim... será que você me vê só como seu irmão mais velho? ou sente a mesma coisa que eu?
Minha resposta você vai saber na segunda parte dessa história... ...Continua...
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