Seis por Oito (107): Fogo Contra Fogo




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Compêndio IAssim que entramos, arrumamos as coisas, nos abraçamos e beijamos, nos acariciando como sempre fazemos.
Depois, preparamos o jantar.
— Marco, a geladeira tá vazia! — disse Marisol.
— Relaxa! Amanhã a gente vai fazer compras! — respondi.
— Fazer o quê! Acho que você não tem problema em comer comida enlatada, né, marido? — perguntou ela.
— Então agora você lembra que sou seu marido! — falei, fazendo cócegas nela. — Cadê você quando tava de olho no Kevin?
Ela tentava se proteger, mas não parava de rir. No fim, me beijou.
— Idiota! — disse ela. — Achei ele gostoso... mas ainda sou casada com você.
Essa frase me fez pensar o resto da tarde. Abrimos as latas que tinham um presunto defumado delicioso e comemoramos. Porque claro, essa casa seria nossa.
Mas à noite, comecei com minhas dúvidas. Era um mau pressentimento... forjado pelos meus próprios medos e noções idiotas de justiça.
— Marisol, e se você tivesse algo com o Kevin? — perguntei a mãe de todos os meus terrores.
— Idiota! Do que você tá falando? — perguntou ela.
Olhei nos olhos dela.
— Tô falando de você ter um caso com o Kevin. — insisti.
Marisol me olhou, meio irritada.
— Parece que vou ter que explicar pra você também. — disse ela, mostrando a mão esquerda. — Marco, o que você vê aqui?
Ela mostrou os anéis.
— É seu anel de noivado. — falei, olhando pro golfinho.
— Certo, e por que você me deu ele? — perguntou.
— Ué, porque você gosta de golfinhos... — respondi.
— Não, idiota! — me corrigiu, rindo. — Você me deu porque disse que só podia se entregar pra mim!
— Mas é esse meu problema, Marisol. — expliquei. — Fiz tanta coisa com tanta mulher, que tenho medo de você também fazer.
— Então, a gente tá com um problema de confiança, Marco. — esclareceu ela. — Como você bem sabe, "Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades", e você me deu esses poderes ao me entregar esse anel. Mas eu ter assumido essa responsabilidade do meu jeito, não Você deveria se preocupar."
"Do que você tá falando?" perguntei, sem entender.
"Eu sei que você me ama, mas se eu deixei você fazer essas coisas, é porque sei que você vai voltar." Ela explicou. "Afinal, você continua sendo o único homem que eu quero como pai dos meus bebês e com quem eu gostaria de comer presunto defumado em latas, na nossa casa nova..."
"Mas Marisol..." suspirei. "Se você tivesse algo com o Kevin, eu..."
"Eu o quê?" perguntou.
"Não poderia... reclamar." Expliquei. "Iria doer pra caralho... não vou negar... mas acho que mereço isso..."
Ela riu.
"Por quê?"
"Porque acho injusto eu fazer isso com você. Eu deveria ter só você e mais ninguém..." desabafei.
Ela fez a carinha de menina safada.
"Então... segundo você... eu deveria transar com o Kevin... só porque acho ele gostoso?" ela perguntou.
"S-s-sim..." respondi, tremendo só de pensar.
"E não importaria se eu não amasse ele?" perguntou.
"Não... acho que não..." respondi, confuso.
"Que cruel você é, Marco!" disse Marisol, rindo. "Eu não peço pra você transar sem amor. Eu sei que você ama elas e pra você, esse amor não é necessariamente sexual nem incondicional. É algo que te dão, que elas precisam e você dá. Mas no fundo, você sabe que me pertence e eu gosto disso, porque você sempre volta. Podem ser as mais gostosas, as mais carinhosas, as mais sensuais ou até as mais putas, mas no fundo, você sempre volta pra mim. Eu gosto de transar com você, amor, porque você não trepa comigo. Você faz amor comigo e por isso, não preciso transar com mais ninguém..."
"Eu gosto de você... porque é você" falei, beijando a bochecha dela.
"Bom, eu gosto que você seja romântico. Expliquei pra Fiona como você me deu esse anel e pelo visto, meu inglês tá melhorando, porque os olhos dela ficaram bem brilhantes quando contei" ela disse.
Ela me beijou e começamos a fazer amor na nossa casa nova. Depois da nossa lua de mel, Marisol descobriu que gritando se sentia muito melhor. Como quem acompanhou meus primeiros relatos deve lembrar, antes a gente era extremamente discreto, porque adorávamos transar ao ar livre.
Mas foram justamente essas mudanças de rotina que me colocaram chifre na cabeça…

Nas primeiras semanas, tudo seguiu normal. Ainda faltavam alguns meses para eu começar a trabalhar, mas já me sentia desconfortável com tanto tempo livre. É verdade, a gente transava umas 4 ou 5 vezes por dia, mas quando você não tem muito o que fazer ou algo para se distrair (além de transar), a vida começa a ficar monótona.

Por essas razões, Marisol começou a convidar Fiona para almoçar em casa. A coitadinha passava a maior parte do dia sozinha, feito um cachorrinho esquecido pelo dono, e a gente via ela arrumando o jardim, tirando o lixo e cuidando da casa, até umas 6 ou 7 da tarde, quando Kevin voltava… de algum lugar…

Mas as coisas começaram a mudar, e eu percebia que Marisol ia me pedir para fazer aquilo de novo.

“Marisol, simplesmente não dá agora…” expliquei na vez que ela tocou no assunto.

“Vamos, Marco!” ela implorou. “Você viu ela! É uma esposa tão dedicada e vive sozinha. Eu conversei com ela, e ela tá se perguntando por que casou, se ainda não pode ter filhos…”

“Mas isso já é demais, Marisol!” me defendi. “Entendo que você fique excitada com essas paradas com suas amigas, mas tá me pedindo pra transar com ela pra gerar um filho. Isso é loucura!… Além disso, qualquer relação que eu pudesse ter com ela é impossível agora…”

“Ah, é? Por quê?” ela perguntou.

“Porque tanto você quanto eu passamos o tempo todo em casa. Por isso!” respondi.

“Mas qual é o problema?” ela perguntou, sem entender a lógica.

“Porque todas essas relações começaram com a premissa de que você não estaria por perto. Mas agora você não pode se esquivar, porque tá sempre em casa…” argumentei, achando que finalmente ia escapar dessa.

“Você tem toda razão, amor! Tá completamente certo!” ela respondeu. surpresa com minha reflexão.
Mas como sempre, meu ego tirou o pior de mim…
“Seria diferente se você estivesse estudando na universidade. Você teria aulas e sairia de casa… me deixando sozinho… mas enquanto você estiver aqui, simplesmente, isso não vai poder acontecer…” expliquei, com um sorriso enorme.

Então, percebi o lado determinado da Marisol. Ela realmente queria que eu a engravidasse e, no dia seguinte, já tinha os folhetos da Universidade de Adelaide.
“Marisol, vai ser impossível você entrar!” falei, tentando fazê-la desistir. “Pra começar, você não domina bem o idioma, está grávida e o semestre já vai começar. Acho que não vão te aceitar…”

Mas ela tinha todas as cartas na manga: tinha pedido as notas da universidade, apresentado o caso de que queria continuar os estudos e colocou tudo no formulário de inscrição.
Acontece que, por ter dois semestres com notas excelentes, eles consideraram a proposta. Além disso, os argumentos que ela apresentou aos avaliadores — de que era uma esposa recém-casada, grávida, que não se virava bem no idioma e que a única coisa que queria era voltar pra universidade pra sair da rotina de casa e da gravidez — os convenceram, aceitando-a como aluna pro segundo semestre (já que o parto estava previsto pro final do primeiro), mas com a facilidade de assistir como “aluna ouvinte” no primeiro, pra se acostumar com o estilo de vida, o idioma e o nível de exigência da universidade.

Ela ainda conseguiu bolsas pra pagar os estudos, graças ao Ministério da Educação do nosso país.
Quando se viu vitoriosa, Marisol me olhou e perguntou…
“Agora você pode ficar com a Fiona?”

Eu tava entre a cruz e a espada. Já descrevi como a Fiona é, mas engravidar ela era outra história. Realmente, não queria fazer isso e, simplesmente, decidi aumentar a aposta…
“Tá bom!” falei. “Vou aproveitar que você não está pra passar mais tempo com a Fiona… mas você vai ter que…” ter algo com o Kevin..."
"Eu? Por quê?" ela me perguntou, surpresa.
"Porque é você quem me diz 'que sempre vou voltar pra você' e todas essas coisas. Isso vai nos colocar numa posição mais justa..." expliquei.
Naquela altura, Marisol já tinha se desapaixonado pelo Kevin. Embora no fundo ele não seja um cara ruim, desde que contei o que ele fazia com minha esposa e como nossos quartos são vizinhos e a Marisol gemia pra caralho quando a gente transava, o Kevin começou a fazer comentários indecentes pra ela e a tocar um pouco mais do que devia, enquanto nem eu nem a Fiona estávamos olhando, o que deixava minha esposa desconfortável. Além disso, ele bebia demais e era um pedante.
"E você... não vai ficar com ciúmes?" ela disse, tentando me dobrar. "Porque você sabe... ele pode acabar me beijando... me apalpando... até fazer algo que só você fez comigo..."
Esses pensamentos me deixavam puto, mas eu precisava me controlar. Conhecia a Marisol e ela não seria capaz... só tava falando aquilo pra eu obedecer ela.
"Sem problemas!" falei, apertando o estômago...
"Sério?..." ela perguntou, sabendo que esse era meu ponto fraco.
"Sim..." falei, forçando um sorriso. "Você quer que a Fiona se sinta uma esposa amada... pois o Kevin se sente um marido frustrado... se você quer que eu ensine ela, você também vai ter que ensinar ele..."
Ela via que eu não ia desistir, mas um dos pequenos defeitos dela é ser uma péssima perdedora.
"Tá bom, Marco!" disse, com um sorriso e um olhar desafiador. "Se você não se importa... então vou começar um caso com ele... mas você não pode ficar triste se as coisas passarem do ponto..."
E assim começou essa batalha... Fiona ficou surpresa quando contei.
"Marisol must be a real go-getter!" ela me disse na primeira tarde que ficamos a sós.
(Marisol deve ser uma garota muito empenhosa!)
"Yes, she is. Stubborn as a mule, as well." respondi.
(Sim, ela é. Teimosa como uma mula, também.)
"Well... since we were going to be alone, I decided to bring some tv dinners para esquentar no microondas..." Fiona me disse, passando as bandejas pra mim.
(Bom... já que vamos ficar sozinhos, resolvi trazer jantares congelados pra esquentar no microondas...)

Depois de olhar as caixas, tive que recusar. A gente já tinha provado aquilo antes e era uma bosta: o purê de batata tinha gosto de plástico e a carne ficava mal passada... e olha que nem falei das ervilhas ainda.

"De jeito nenhum! Vamos cozinhar comida de verdade!" falei, devolvendo as bandejas pra ela.
(De jeito nenhum! Vamos comer comida de verdade!)

"Mas... eu cozinho elas... do jeito que a caixa manda..." Fiona disse, meio tristonha.
(Mas... eu cozinho elas... seguindo as instruções da caixa...)

"Eu sei! E essa comida tem um gosto horrível do mesmo jeito..." falei, abrindo a geladeira.
(Eu sei! E essa comida tem um gosto horrível, do mesmo jeito...)

E comecei a tirar tomates, filés, azeite, cenouras e outros ingredientes. Depois virei e coloquei água pra ferver na chaleira. Por último, peguei um pacote de arroz soltinho, umas xícaras e peguei o sal, o orégano e a pimenta.

"Nossa! Você parece um chef de verdade!" ela disse, toda impressionada.
(Nossa! Você parece um chef de verdade!)

Eu fiquei meio sem graça.

"Bom, não é bem assim também." Expliquei. "Eu sei que a Marisol tá estudando pesado e se eu fizer essa porcaria, ela vai odiar de vez. O melhor que posso fazer é cozinhar algo que sei que ela vai amar."
(Bom, não é bem assim também... eu sei que a Marisol tá estudando pesado e se eu cozinhar isso pra ela, ela vai odiar completamente. O melhor que posso fazer é cozinhar algo que sei que ela vai amar)

Fiona suspirou.

"Queria que o Kevin me deixasse cozinhar de vez em quando..."
(Queria que o Kevin me deixasse cozinhar de vez em quando...)

"Por quê? Ele cozinha?" perguntei.
(Por quê? Ele cozinha?)

"Não... é que... eu sou um perigo de incêndio no fogão..." ela confessou, toda envergonhada.
(Não... é que... eu sou um perigo de incêndio no fogão...)

"Sério?" perguntei.

"Sim. Ele não me deixaria cozinhar esses filés, se estivesse aqui..." ela respondeu, muito sem graça.
(Sim. Ele não me deixaria cozinhar esses filés, se estivesse aqui...) Cozinhar esses filés, se ela estivesse aqui.)
“Ok! Você cozinha eles, então!” eu ordenei.
(Beleza! Cozinha você, então!)
“O quê? Você é louco?”
“Olha, todo mundo comete erros, especialmente na cozinha. Até eu já tive meus incêndios inesperados ou arroz queimado, de vez em quando. Mas a parada é que você precisa aprender onde errou, pra não repetir de novo.” Eu disse, passando a frigideira pra ela.
(Olha, todo mundo comete erros, especialmente na cozinha. Até eu já tive meus incêndios inesperados ou arroz queimado, de vez em quando. Mas o que você precisa aprender é onde errou, pra não repetir de novo.)
E deixei ela cozinhar, enquanto eu picava os tomates. De repente, o alarme de incêndio disparou e vi a Fiona, apavorada ao ver as chamas queimando a carne.
“Tá tudo bem! Você só usou óleo demais! É só isso!” eu disse, tentando acalmá-la. “Que tal você sentar dessa vez e me ver cozinhar?”
(Tá tudo bem! Você só usou óleo demais! É só isso! Por que você não senta dessa vez e me vê cozinhar?)
“Não adianta! Sou uma cozinheira horrível!” ela disse, começando a chorar.
(Não tem jeito! Sou uma péssima cozinheira!)
“Você só não achou seu ritmo! Não fica mal!” eu disse, tentando consolá-la.
(Você só não achou seu ritmo! Não se sinta mal!)
“Meu ritmo?” ela perguntou, sem me entender.
E o furacão Marco arrasou a cozinha… Como eu já tinha alguma prática por conta própria, procurando o tempero secreto da Verônica e depois de ter cozinhado com ela, descobri que todo mundo que gosta de cozinhar tem um ritmo particular pra fazer as coisas.
No meu caso, sou versátil: sou do tipo que cozinha os filés, enquanto tempera a salada e prepara o arroz. Pico as cenouras, os tomates, o coentro, de um jeito bem rápido e bem fininho.
Depois me viro e vejo a cor da carne, virando ela com o pegador se acho que tão bem douradas. Aí confiro o estado do arroz, se tá soltinho ou não e se Precisa ou não de mais pimenta, sal ou orégano.
Volto pras saladas, jogando azeite de oliva, sal e mexendo elas, deixando no ponto. Depois olho a carne e sirvo no prato, junto com o restinho de óleo que ficou na frigideira pra temperar ela e, por último, coloco o arroz com uma xícara e boto no prato. O almoço tá servido…

“This is amazing! How can you do it?” ela me perguntou, depois de provar a comida.
(É incrível! Como você faz isso?)

“Well… some people think that ‘To get to a man’s heart is through his stomach’… but I believe that cooking is like making love…” eu respondi.
(Bom, alguns acham que “Pra conquistar um homem, é pelo estômago”… mas eu acredito que cozinhar é tipo fazer amor…)

Ela ficou confusa com essa analogia.

“Like making love?” ela perguntou, toda envergonhada.

“Yeah… well, not in your case, at least. I know what Marisol loves: which texture, which flavor and I learned how to cook it. In every little detail, I make sure that Marisol will enjoy it when she tastes it… Do you understand me?” eu respondi, explicando minha analogia.
(É… bom, não no seu caso, pelo menos. Eu sei o que a Marisol gosta: que textura, que sabor e aprendi a cozinhar também. Em cada detalhezinho, eu garanto que a Marisol vai curtir quando provar… Tá me entendendo?)

“I kind of do… but I can’t really cook at all…” ela disse, meio triste.
(Mais ou menos… mas eu realmente não sei cozinhar nada)

“It’s ok! I bet Marisol would like very much that I taught you…” eu falei, com um certo sarcasmo.
(Tá de boa! Aposto que a Marisol ia adorar que eu te ensinasse!)

E depois de comer, a Fiona se ofereceu pra lavar a louça, mas eu não deixei. Falei pra ela secar, enquanto eu ligava o rádio.
Odeio lavar a louça. Então, quando é minha vez, lavo com a música que eu gosto: rock and roll e essas paradas, então acabo dançando.

Mesmo que a Fiona achasse engraçado, ela percebeu que era um jeito gostoso de fazer as coisas. De repente, Pedi pra ela dançar comigo. No começo, ela resistiu, dizendo que não sabia, mas eu falei que já que a Marisol não tava, ela tinha que dançar comigo.
Não foi nada sensual. Só pulamos igual doidos, mas ela curtiu. Quando voltou pra casa, foi embora com um sorrisão.

Enquanto acompanhava ela no jantar, contei pra minha passarinhona o que tinha rolado e como a gente tinha começado a criar mais amizade. Marisol sorria pra mim, enquanto eu admirava ela.
“O que foi?” perguntou, com uma voz meiga.
“Nada… só tô esperando você cumprir sua parte da aposta…” respondi.
“Ah, isso!” ela disse, sorrindo. “Bom, pensa que tô te dando vantagem. Por enquanto, vocês tão se conhecendo e se eu for pra lá, provavelmente vou me pegar ou me apalpar. Temos que ir no mesmo ritmo, já que você tá ensinando ela a ser uma esposa melhor e eu vou ensinar ela a ser uma amante melhor…”
“Tá bom! Mas não esquece!” lembrei.
“Não vou esquecer!” respondeu.

E os dias foram passando. Fiona vinha e eu ensinava culinária pra ela: fazia ela picar a salada, descascar os tomates e outras coisas básicas.
Mas toda vez que cozinhava, chamava ela pra dar a opinião sobre a comida.
“Remember: Every time you try your food, think of the person that you love and try to figure out whether he will like it or not” Reforçava toda vez.
(Lembra: Toda vez que provar sua comida, pensa na pessoa que você ama e tenta perceber se ele vai gostar ou não)

E lá pela 6ª ou 7ª provada, o olhar dela mudou. Mais ligada nos meus ensinamentos…

E finalmente, chegou a semana da história anterior, quando Diana e eu fomos ver a pedrona…

Como a Rachel tava doente, a Marisol faltou uns dois dias na faculdade. Mas no terceiro dia da nossa viagem, a Rachel se recuperou do resfriado e a Marisol voltou pras aulas.
A Rachel contou que a vizinha tinha vindo visitar ela, enquanto tava na aula, perguntando por mim, porque queria que eu ensinasse ela a cozinhar. Já que a Marisol percebeu um Ciúmes na Rachel, ela contou que era uma vizinha casada que estava aprendendo a cozinhar comigo.
Pelo visto, a Rachel não acreditou muito, mas à tarde, encontrou o Kevin e começou a conversar com ele, achando ele bonitão, mas também um baita de um babaca.
E bom, acho que não precisa repetir o que rolou naquele fim de semana…
Na segunda-feira, bem cedo, uma Fiona toda puta da vida apareceu na minha casa. Ela veio com uma panela na mão, que por um momento, pensei que ia me acertar na cabeça com ela.
“So you went to Ayers Rock and you didn’t tell me?” ela reclamou, assim que abri a porta de casa.
(Então você foi pra Ayers Rock e não me contou?)
“I’m sorry! Foi algo que a gente planejou com a Marisol desde que chegamos aqui e acho que esqueci de te falar.” respondi.
(Desculpa! Foi algo que planejamos com a Marisol desde que chegamos e acho que esqueci de te contar.)
“But Marisol ficou aqui, com aquela mulher ruiva!...” ela avisou, toda nervosa.
(Mas a Marisol ficou aqui, com aquela mulher ruiva!...)
“I know, mas fui com uma amiga dela e foi uma viagem bem legal…” respondi.
(Eu sei, mas fui com uma amiga dela e foi uma viagem bem divertida…)
“You went with that other woman?” ela perguntou, ainda mais furiosa.
(Você foi com a outra mulher?)
“Yeah… mas levei 2 barracas. Às vezes, ela até dormiu na caminhonete, pra evitar dingos e tal… Cê tá com ciúmes?” perguntei, encarando ela.
(Sim… mas levei 2 barracas. Às vezes, ela até dormiu na caminhonete, pra evitar dingos e essas coisas. Tá com ciúmes?)
“Of course not!” ela disse, bem vermelha. “Mas o Kevin passou a semana toda falando ‘como a ruiva do lado é gostosa…’, ‘como a ruiva do lado é gostosa…’ Quem são essas minas, afinal?”
(Claro que não!... mas o Kevin passou a semana toda falando ‘como a ruiva do lado é gostosa…’, ‘como a ruiva do lado é gostosa…’ de qualquer jeito, quem eram aquelas mulheres?)
Pelo jeito… de desviar o olhar, Fiona estava com ciúmes...
"Bem, as duas são amigas minhas e da Marisol. São aeromoças e vêm aqui, uma vez por mês, pra curtir um ambiente caseiro..." expliquei, suspirando.
"Poxa! Por que elas não ficam na casa delas e fazem um ambiente caseiro?" ela perguntou, ainda agitada.
"Tem certeza que não tá com ciúmes?" perguntei, mais uma vez.
"Não, não tô com ciúmes! Só tô puta... porque você sumiu da cidade... e bem... porque o Kevin gosta mais daquela ruiva do que de mim... Você gosta de ruivas?" Ela perguntou, um pouco mais calma.
"Sim!... Gosto tanto de ruivas que acabei casando com uma..." respondi com sarcasmo.
Ela riu.
"Mas... você acha que cor de cabelo faz diferença? ... porque alguns caras são vidrados em loiras... ou no meu caso... morenas..." ela perguntou, enfatizando a última parte, me encarando com interesse.
"Olha! Sou um engenheiro que gosta de cozinhar. Não me preocupo com cabelo... talvez você devesse ir a um salão." falei, pra sair dessa enrascada.
"Desculpa!... é que... eu queria te contar... que aprendi a fazer purê de batata... e queria saber... o que você acha dele..." ela se desculpou, com um olhar mais doce e me mostrando a panela dela. Fazer purê de batata… e queria saber… o que você achou delas…)
Eu provei e não estavam ruins.
“Elas podem estar um pouco velhas. Eu queria que você provasse no dia que fiz… mas você não estava aqui… então guardei na geladeira… e queria te perguntar… o que você acha delas…” ela me explicou.
(Pode ser que estejam um pouco passadas. Queria que você as provasse no dia que fiz… mas você não estava aqui… então as mantive na geladeira… e queria te perguntar… o que você acha delas…)
“Estão uma delícia!... Você devia deixar o Kevin provar…” eu falei, passando o dedo.
(Estão ótimas!... você devia deixar o Kevin provar…)
Ela ficou sem graça.
“Não, o Kevin não gosta de batata. Ele só gosta de batata frita…” ela revelou.
(Não, o Kevin não gosta de batata. Só gosta de batata frita…)
“Então… você cozinhou isso… só pra mim?” perguntei, já sabendo a resposta.
(Então você cozinhou isso… só pra mim?)
“Não… Preciso ir agora! … Você vai me ensinar mais um pouco… de novo?” ela perguntou, pegando a panela, toda apressada.
(Não… Tenho que ir!... Você vai me ensinar a cozinhar… de novo?)
“Sim.” Respondi, dando um sorriso. A Fiona também ficou feliz…
Naquela noite, tivemos uma pequena discussão com a Marisol.
“E você não beijou ela?” a Marisol me perguntou, de noite.
“Claro que não! ...Temos que ficar iguais… Lembra?” lembrei ela.
“Sim… mas… ela tava na bandeja pra você…” ela respondia, se lamentando.
“Não tô nem aí! Acordo é acordo!” falei.
Mas a Marisol ainda queria me manipular… pra eu engravidar a Fiona e ela não ficar com o Kevin…
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1 comentários - Seis por Oito (107): Fogo Contra Fogo

😳 😳 😳 😳 😳 😳
mi amigo me sorprende ese trato de tu señora pero bueno tu disfrutas escribiendo y yo leyendo
por cierto +5