Tudo começou com uma ligação do meu tio, coisa estranha porque nunca falei com ele, ele mora em Misiones, eu em Buenos Aires e nunca tivemos muita comunicação. Ele me disse que minha prima Sol ia se mudar pra Buenos Aires pra estudar e me pediu pra arrumar uma cama na minha casa pra ela até conseguir um trampo e poder ir morar em outro lugar. Eu disse que sim, quando desliguei o telefone comecei a me questionar: com a mina em casa, a putaria acaba, vou ter que pagar aluguel e hotel pra transar.
A verdade é que não tenho ninguém da família no Facebook, minha última lembrança dela era de quando eu tinha 15, ela 5, e era uma gordinha chata pra caralho. Procurei e adicionei ela pra trocar uma ideia antes dela se instalar na minha casa.
Tava num break no trampo quando vi no celular que ela tinha aceitado. Como qualquer um faria, fui bisbilhotar as fotos e sim, a guria tinha crescido e, como diria o Francella, "É uma nena!!!". Tinha um monte de fotos, milhares, depois fui direto pras fotos de verão, pra ver ela de biquíni, mas ela é bem reservada com isso, custei achar alguma de corpo inteiro de frente e de costas não consegui nada. Não tinha peitões, mas as pernas prometiam uma boa bunda, minha mente já começou a viajar, mas me deu um senso de moral... É minha prima e tem 10 anos a menos!!!!
Falei várias vezes com ela pelo chat do Facebook, a ideia dela era pegar qualquer trampo e se mudar pra uma pensão ou algo assim, ela disse pra eu fazer minha vida como se ela não estivesse ali, que tava muito grata por poder ficar na minha casa nos primeiros dias.
Chegou o dia e fui buscá-la de carro na rodoviária, ela veio com meia tonelada de bagagem. Quando vi ela, me surpreendi, é daquelas gostosas que são mais lindas pessoalmente do que na foto de perfil, estranho, deve ser pela atitude. Chegamos em casa e deixei ela escolher entre o sofá-cama da sala ou um futon que tenho num quarto que chamo de estúdio" que é onde trabalho em projetos independentes, geralmente à noite, porque de dia trabalho numa construtora. O "estúdio" é basicamente uma oficina e depósito de tranqueiras com duas mesas, um computador e um futon. Em qualquer um dos dois lugares, eu ia perturbá-la o tempo todo, seja pra trabalhar ou porque a sala é o centro da casa — a porta de entrada fica por ali, a da cozinha também, e dá pra um corredor que leva aos quartos e ao banheiro. Ela me disse que não tem problema em dormir com barulho ou luz, escolheu o estúdio, e levamos as duas malas, as quatro mochilas e o resto das coisas que ela trouxe.
Era uma quinta-feira, e no dia seguinte eu não precisava trabalhar cedo, só tinha que supervisionar umas obras à tarde, então sugeri irmos jantar. Ela tomou banho e se trocou enquanto eu estava no computador tentando ajustar um orçamento pro bolso do cliente. (Isso é um desafio, viu.)
Sol saiu do banheiro já vestida: uma blusa branca, casaco preto, saia preta curta, meia-calça escura e uns sapatos com um saltinho. Tava divina.
— Termino de me maquiar e vamos, primo.
— Fecha, vou ver se consigo terminar essa porra que tá me deixando louco.
— Essa roupa fica bem em mim?
— Fica sim, Sol, cê tá muito gostosa, vou ter que brigar com algum tarado.
— Me dá 5 minutos e já tô pronta.
15 minutos depois, ela já tava pronta, e fomos andando até um restaurante perto de casa que eu frequento, é de um amigo. Comemos, tomamos umas cervejinhas e, pra puxar papo:
— Sol, deixou algum coração partido em Misiones quando veio pra Buenos Aires?
— Não, nunca tive namorado.
— Por quê?
— Nunca rolou, além disso, não queria que ninguém me prendesse na cidade, já tinha em mente fugir daquele lugar. Sabe o que falam: cidade pequena, inferno grande. Tudo que você faz todo mundo fica sabendo, e ainda por cima todo mundo vive num ritmo muito lento.
— Isso quer dizer que você é rápida? — falei rindo e piscando um olho.
— Não, Santi! Nada a ver, realmente nunca aconteceu nada com... nenhum garoto.
– Então você é virgem?
– Sim, idiota! Nunca nem um beijo.
– Sol, você tem 19, não sei como é aí, mas aqui não é normal, ainda mais pra alguém como você.
– Lá, fazer alguma coisa é como sair na capa do jornal no dia seguinte, e isso não é pra mim. Não é que eu não fiz nada porque não queria, não fiz nada porque não quero que enchem meu saco. E essa é minha primeira noite em anos fora daquela cidade. Ainda bem que convenci meu pai a me deixar vir, senão já me via a vida inteira trabalhando na loja de roupa meia-boca que era da vovó, fofocando quem usa cueca boxer ou slip, ou qual foi a mina que levou a tanga de oncinha.
– Ok, vejo que você trata a cidade como uma prisão.
– Pra ser sincera, sim. Odeio aquilo, é um fofoqueiro só, e o povo em vez de cuidar da própria vida, fica criticando a dos outros. E se alguém critica, tem que criticar de volta porque criticou. – Terminou o que restava de cerveja no copo e, enquanto enchia o copo de novo, continuou. – San, como é alguém como eu?
Peguei meu copo e tomei o que restava devagar pra tentar pensar naquilo. – Você é uma gostosa, linda, atraente, com uma energia boa. Mas sua decisão é sua, e cada um tem o direito de fazer o que quiser com o próprio corpo.
– Exato.
Fez-se um silêncio estranho, trocando olhares.
– Sol, peço outra cerveja ou vamos?
– Até tomaria outra, mas são caras aqui. Como você quiser.
– Tenho em casa a preço de supermercado. Que tal a gente continuar lá?
– Fechou, assim você não gasta dinheiro à toa. Vou ao banheiro e já volto.
Vi ela ir embora. Definitivamente, minha priminha tem uma bunda espetacular e umas pernas que estavam me deixando louco só de ver com aquelas meias escuras. A blusa marcava a cintura dela, e eu tava feito um idiota, um pouco alegre pelo álcool.
Me toquei e fui pagar.
– Lean, beleza? Fecha minha conta.
– Tudo certo, Santi?
– Bem, na paz.
– Dá 280.
– Deixa o troco pro cara.
– De onde você tirou a loira?
– É minha prima, vai ficar uns dias em casa. Depois ela vai pra capital. Se você falar alguma coisa, eu te mato, embora pela sua cara já devia te matar. –Falei rindo.
–Se é sua prima, pra mim ela tem bigode.
–Pra você nem meu pai tem bigode, Lean, eu te conheço.
–Não exagera!
–Minha prima tá chegando, falou, Lean!
–Tchau, Santi, falou.
Já fora do restaurante, Sol começou a me perguntar sobre minha vida.
–E aí, Santi, tá saindo com alguém?
–Não, no momento não. Saí com várias gatinhas, mas agora não tenho nenhuma fixa, só uma vizinha que a gente se encontra de vez em quando, mas nós dois sabemos que não vai dar em nada sério. (Pra quem me acompanha, a Alejandra)
–E pra que você tá com ela, então?
–Sexo, puramente sexo. Olha, a gente se gosta e não é idiota, mas a relação é baseada em sexo. Ela é divorciada, tem um filho, embora ultimamente ela se encontre de vez em quando com o ex-marido. Ela diz que é só sexo também.
–E você, o que acha?
–Que pode ser que ela pense que é só sexo, que ele pense o mesmo, mas de um dos lados, ou dos dois, a parada não deve ser assim. Eles foram casados, não são amigos que transam de vez em quando.
–Não te dá ciúme?
–Ciúme não, mas da última vez que liguei pra ela, faz um mês, me irritou um pouco. Eu sabia que naquele fim de semana o filho ia ficar com o pai, mas em vez disso, falaram pro cara que o pai ia viajar a trabalho, deixaram o menino com a avó e foram pra praia juntos. Me deu nos nervos, porque pra foder não precisa passar um fim de semana num hotel com spa em Pinamar.
Chegamos em casa.
–Sol, pega uma cerveja na geladeira e uns copos no freezer enquanto vou no banheiro.
Voltei e vi minha prima no sofá, com os pés na mesinha de centro, de pernas cruzadas. Ela tinha tirado o casaquinho e os sapatos, e meu cérebro já queria tirar até os brincos dela.
Tirei o tênis, sentei do lado dela. Ela já tinha enchido os copos. Peguei o meu e brindamos à chegada dela a Buenos Aires.
–Santi, faz sentido. sexo sem amor?
—Olha, quando eu era mais novo, achava que não. Namorei uma garota chamada Andrea e, aos 17, perdi a virgindade com ela. Na época, eu imaginava um amor eterno e essas merdas que acabaram um ano depois, quando fui a uma balada sabendo que ela estaria lá. Eu tava num aniversário e, supostamente, ela não ia. Cheguei e encontrei ela beijando outro encostada numa coluna. Acho que isso me mudou. Quando a gente é novo, se apaixona por uma imagem idealizada de alguém que não conhece. Depois, você conhece um pouco, beija, conhece bem mais, transa. Já quando fica mais velho, você decide se quer conhecer a pessoa antes de transar e, com o tempo, talvez se envolva e se apaixone. Se as estrelas se alinharem, rola o mesmo do outro lado. Hoje em dia, se tô com alguém, é porque me atrai, acho ela gostosa.
—A TV e a cultura vendem outra coisa.
—A TV vende ficção, e a cultura mostra o que quer que você seja, não a realidade. Você tem que ter consciência de que os códigos são diferentes na vida real, ainda mais se comparar sua cidade com o que é aqui. Vai ter que aprender a se cuidar, a se cuidar muito.
—Por que você diz isso?
—Ser gostosa é um privilégio que nem sempre joga a seu favor. Você atrai gente com boas e más intenções. Quem tem más intenções vai parecer bonzinho, até mais bonzinho que os outros. Podem te pintar um mundo cor-de-rosa, transar com você algumas vezes prometendo o país das maravilhas e te foder toda.
—Uma coisa que tenho certeza é que o primeiro homem com quem eu ficar tem que me cuidar. Não tô falando de namorado, mas alguém com quem eu me sinta confortável.
—E que você ache bonito fisicamente, né?
—Sim, claro, tem que ser lindo. —Ela disse, sorrindo pra mim e olhando nos meus olhos, depois desceu o olhar pra minha boca.
Eu me aproximei um pouco mais dela e a beijei. Era o primeiro beijo dela. Os lábios dela eram macios e doces, mas dava pra perceber que era o primeiro beijo. Olhei pra ela e falei pra relaxar, se deixar levar. e que ela não esteja nervosa.
A gente se beijou por um bom tempo, mas nada além disso, dormimos abraçados no sofá. Não fiz mais nada por respeito, preferia que ela curtisse cada momento…
Continua…
A verdade é que não tenho ninguém da família no Facebook, minha última lembrança dela era de quando eu tinha 15, ela 5, e era uma gordinha chata pra caralho. Procurei e adicionei ela pra trocar uma ideia antes dela se instalar na minha casa.
Tava num break no trampo quando vi no celular que ela tinha aceitado. Como qualquer um faria, fui bisbilhotar as fotos e sim, a guria tinha crescido e, como diria o Francella, "É uma nena!!!". Tinha um monte de fotos, milhares, depois fui direto pras fotos de verão, pra ver ela de biquíni, mas ela é bem reservada com isso, custei achar alguma de corpo inteiro de frente e de costas não consegui nada. Não tinha peitões, mas as pernas prometiam uma boa bunda, minha mente já começou a viajar, mas me deu um senso de moral... É minha prima e tem 10 anos a menos!!!!
Falei várias vezes com ela pelo chat do Facebook, a ideia dela era pegar qualquer trampo e se mudar pra uma pensão ou algo assim, ela disse pra eu fazer minha vida como se ela não estivesse ali, que tava muito grata por poder ficar na minha casa nos primeiros dias.
Chegou o dia e fui buscá-la de carro na rodoviária, ela veio com meia tonelada de bagagem. Quando vi ela, me surpreendi, é daquelas gostosas que são mais lindas pessoalmente do que na foto de perfil, estranho, deve ser pela atitude. Chegamos em casa e deixei ela escolher entre o sofá-cama da sala ou um futon que tenho num quarto que chamo de estúdio" que é onde trabalho em projetos independentes, geralmente à noite, porque de dia trabalho numa construtora. O "estúdio" é basicamente uma oficina e depósito de tranqueiras com duas mesas, um computador e um futon. Em qualquer um dos dois lugares, eu ia perturbá-la o tempo todo, seja pra trabalhar ou porque a sala é o centro da casa — a porta de entrada fica por ali, a da cozinha também, e dá pra um corredor que leva aos quartos e ao banheiro. Ela me disse que não tem problema em dormir com barulho ou luz, escolheu o estúdio, e levamos as duas malas, as quatro mochilas e o resto das coisas que ela trouxe.
Era uma quinta-feira, e no dia seguinte eu não precisava trabalhar cedo, só tinha que supervisionar umas obras à tarde, então sugeri irmos jantar. Ela tomou banho e se trocou enquanto eu estava no computador tentando ajustar um orçamento pro bolso do cliente. (Isso é um desafio, viu.)
Sol saiu do banheiro já vestida: uma blusa branca, casaco preto, saia preta curta, meia-calça escura e uns sapatos com um saltinho. Tava divina.
— Termino de me maquiar e vamos, primo.
— Fecha, vou ver se consigo terminar essa porra que tá me deixando louco.
— Essa roupa fica bem em mim?
— Fica sim, Sol, cê tá muito gostosa, vou ter que brigar com algum tarado.
— Me dá 5 minutos e já tô pronta.
15 minutos depois, ela já tava pronta, e fomos andando até um restaurante perto de casa que eu frequento, é de um amigo. Comemos, tomamos umas cervejinhas e, pra puxar papo:
— Sol, deixou algum coração partido em Misiones quando veio pra Buenos Aires?
— Não, nunca tive namorado.
— Por quê?
— Nunca rolou, além disso, não queria que ninguém me prendesse na cidade, já tinha em mente fugir daquele lugar. Sabe o que falam: cidade pequena, inferno grande. Tudo que você faz todo mundo fica sabendo, e ainda por cima todo mundo vive num ritmo muito lento.
— Isso quer dizer que você é rápida? — falei rindo e piscando um olho.
— Não, Santi! Nada a ver, realmente nunca aconteceu nada com... nenhum garoto.
– Então você é virgem?
– Sim, idiota! Nunca nem um beijo.
– Sol, você tem 19, não sei como é aí, mas aqui não é normal, ainda mais pra alguém como você.
– Lá, fazer alguma coisa é como sair na capa do jornal no dia seguinte, e isso não é pra mim. Não é que eu não fiz nada porque não queria, não fiz nada porque não quero que enchem meu saco. E essa é minha primeira noite em anos fora daquela cidade. Ainda bem que convenci meu pai a me deixar vir, senão já me via a vida inteira trabalhando na loja de roupa meia-boca que era da vovó, fofocando quem usa cueca boxer ou slip, ou qual foi a mina que levou a tanga de oncinha.
– Ok, vejo que você trata a cidade como uma prisão.
– Pra ser sincera, sim. Odeio aquilo, é um fofoqueiro só, e o povo em vez de cuidar da própria vida, fica criticando a dos outros. E se alguém critica, tem que criticar de volta porque criticou. – Terminou o que restava de cerveja no copo e, enquanto enchia o copo de novo, continuou. – San, como é alguém como eu?
Peguei meu copo e tomei o que restava devagar pra tentar pensar naquilo. – Você é uma gostosa, linda, atraente, com uma energia boa. Mas sua decisão é sua, e cada um tem o direito de fazer o que quiser com o próprio corpo.
– Exato.
Fez-se um silêncio estranho, trocando olhares.
– Sol, peço outra cerveja ou vamos?
– Até tomaria outra, mas são caras aqui. Como você quiser.
– Tenho em casa a preço de supermercado. Que tal a gente continuar lá?
– Fechou, assim você não gasta dinheiro à toa. Vou ao banheiro e já volto.
Vi ela ir embora. Definitivamente, minha priminha tem uma bunda espetacular e umas pernas que estavam me deixando louco só de ver com aquelas meias escuras. A blusa marcava a cintura dela, e eu tava feito um idiota, um pouco alegre pelo álcool.
Me toquei e fui pagar.
– Lean, beleza? Fecha minha conta.
– Tudo certo, Santi?
– Bem, na paz.
– Dá 280.
– Deixa o troco pro cara.
– De onde você tirou a loira?
– É minha prima, vai ficar uns dias em casa. Depois ela vai pra capital. Se você falar alguma coisa, eu te mato, embora pela sua cara já devia te matar. –Falei rindo.
–Se é sua prima, pra mim ela tem bigode.
–Pra você nem meu pai tem bigode, Lean, eu te conheço.
–Não exagera!
–Minha prima tá chegando, falou, Lean!
–Tchau, Santi, falou.
Já fora do restaurante, Sol começou a me perguntar sobre minha vida.
–E aí, Santi, tá saindo com alguém?
–Não, no momento não. Saí com várias gatinhas, mas agora não tenho nenhuma fixa, só uma vizinha que a gente se encontra de vez em quando, mas nós dois sabemos que não vai dar em nada sério. (Pra quem me acompanha, a Alejandra)
–E pra que você tá com ela, então?
–Sexo, puramente sexo. Olha, a gente se gosta e não é idiota, mas a relação é baseada em sexo. Ela é divorciada, tem um filho, embora ultimamente ela se encontre de vez em quando com o ex-marido. Ela diz que é só sexo também.
–E você, o que acha?
–Que pode ser que ela pense que é só sexo, que ele pense o mesmo, mas de um dos lados, ou dos dois, a parada não deve ser assim. Eles foram casados, não são amigos que transam de vez em quando.
–Não te dá ciúme?
–Ciúme não, mas da última vez que liguei pra ela, faz um mês, me irritou um pouco. Eu sabia que naquele fim de semana o filho ia ficar com o pai, mas em vez disso, falaram pro cara que o pai ia viajar a trabalho, deixaram o menino com a avó e foram pra praia juntos. Me deu nos nervos, porque pra foder não precisa passar um fim de semana num hotel com spa em Pinamar.
Chegamos em casa.
–Sol, pega uma cerveja na geladeira e uns copos no freezer enquanto vou no banheiro.
Voltei e vi minha prima no sofá, com os pés na mesinha de centro, de pernas cruzadas. Ela tinha tirado o casaquinho e os sapatos, e meu cérebro já queria tirar até os brincos dela.
Tirei o tênis, sentei do lado dela. Ela já tinha enchido os copos. Peguei o meu e brindamos à chegada dela a Buenos Aires.
–Santi, faz sentido. sexo sem amor?
—Olha, quando eu era mais novo, achava que não. Namorei uma garota chamada Andrea e, aos 17, perdi a virgindade com ela. Na época, eu imaginava um amor eterno e essas merdas que acabaram um ano depois, quando fui a uma balada sabendo que ela estaria lá. Eu tava num aniversário e, supostamente, ela não ia. Cheguei e encontrei ela beijando outro encostada numa coluna. Acho que isso me mudou. Quando a gente é novo, se apaixona por uma imagem idealizada de alguém que não conhece. Depois, você conhece um pouco, beija, conhece bem mais, transa. Já quando fica mais velho, você decide se quer conhecer a pessoa antes de transar e, com o tempo, talvez se envolva e se apaixone. Se as estrelas se alinharem, rola o mesmo do outro lado. Hoje em dia, se tô com alguém, é porque me atrai, acho ela gostosa.
—A TV e a cultura vendem outra coisa.
—A TV vende ficção, e a cultura mostra o que quer que você seja, não a realidade. Você tem que ter consciência de que os códigos são diferentes na vida real, ainda mais se comparar sua cidade com o que é aqui. Vai ter que aprender a se cuidar, a se cuidar muito.
—Por que você diz isso?
—Ser gostosa é um privilégio que nem sempre joga a seu favor. Você atrai gente com boas e más intenções. Quem tem más intenções vai parecer bonzinho, até mais bonzinho que os outros. Podem te pintar um mundo cor-de-rosa, transar com você algumas vezes prometendo o país das maravilhas e te foder toda.
—Uma coisa que tenho certeza é que o primeiro homem com quem eu ficar tem que me cuidar. Não tô falando de namorado, mas alguém com quem eu me sinta confortável.
—E que você ache bonito fisicamente, né?
—Sim, claro, tem que ser lindo. —Ela disse, sorrindo pra mim e olhando nos meus olhos, depois desceu o olhar pra minha boca.
Eu me aproximei um pouco mais dela e a beijei. Era o primeiro beijo dela. Os lábios dela eram macios e doces, mas dava pra perceber que era o primeiro beijo. Olhei pra ela e falei pra relaxar, se deixar levar. e que ela não esteja nervosa.
A gente se beijou por um bom tempo, mas nada além disso, dormimos abraçados no sofá. Não fiz mais nada por respeito, preferia que ela curtisse cada momento…
Continua…
4 comentários - Sol, mi primita misionera (1)