Quando surgiu a possibilidade de participar daquele curso de verão, não hesitei nem por um segundo. Já estava há dois anos tentando encaixar minhas férias nas datas do curso e finalmente este ano tudo se encaixou, até a Maria, que tinha alguns dias de folga para usar, sugeriu vir comigo para Sevilha e fazer turismo enquanto eu assistia às aulas. Para termos mais flexibilidade, decidimos ir de carro, tínhamos um dia inteiro antes do curso começar e viajamos sem pressa.
Paramos perto de Puerto Lápice para abastecer, enquanto eu enchia o tanque, Maria foi até a lojinha do posto comprar algumas garrafas de água. Vi ela se afastando e fiquei hipnotizado olhando o jeito que ela andava. Ela estava de short branco, camiseta azul e sandálias de salto médio, o cabelo preso num coque baixo deixava o pescoço dela exposto. Observei o motorista de uma van que se virava para olhar para ela enquanto abastecia, uma pontada de tesão percorreu meu corpo, imaginei ela fazendo compras na loja, enquanto os homens na fila do caixa a desejavam.
Quando terminei de abastecer, olhei para a loja; Maria estava na fila do caixa e me procurava com o olhar, fiz um sinal de que tinha terminado e esperei ela pagar sentado no carro, espiando-a; através dos vidros, sua altura se destacava entre os outros homens, o que estava na frente dela se virou várias vezes fingindo procurar algo, quando na realidade só queria era dar uma olhada nela; eu estava ficando excitado a cada momento. Vi ela voltar para o carro andando calmamente, os quadris balançando, as coxas brilhando ao sol, uma mecha de cabelo se soltou e caiu sobre sua testa e ela a afastou com um gesto gracioso; atrás dela vinha um homem sem tirar os olhos dela. Em uma fração de segundo, uma imagem se formou na minha mente e, como um raio, criei o jogo.
"Quase te devoraram" – eu disse enquanto dava partida, ela sorriu.
"Parece que nunca viram uma mulher antes" – ela disse irritada.
"Como você, com certeza viram poucas" – eu Ela lançou um olhar cheio de carinho
"Sabia? Não conheço ninguém da lista de participantes" – disse a Maria depois de alguns quilômetros de viagem
"Ninguém? Que estranho!"
"Imagina, ninguém nos conhece, não podem saber se somos casados, namorados, ou..." – Maria virou o rosto para mim esperando que continuasse, mas me calei; pelo canto do olho vi um sorriso surgir em seu rosto
"Que maldade está pensando essa cabeça?" – sorri, entrando na brincadeira
"Maldade? Nenhuma... só... alguma travessura" – ela se acomodou no banco do carro
"É? Quão travessa?" – sua voz ficou sugestiva
"Muito, muito travessa... vamos imaginar que te apresento como uma amiga... imagina que você me busca na saída do curso e te apresento a algum dos participantes, a algum com quem eu tenha conversado durante o curso... vamos tomar alguma coisa e você não se comporta como minha mulher, mas como minha amiga..."
"Sua... amiguinha?" – Maria enfatizou a palavra dando o tom que eu buscava
"Isso mesmo, uma garota de Madrid, colega, parceira e... muito minha amiga. Entende?"
"Perfeitamente... você é um pervertido" – seu protesto era falso, sabia que ela estava com vontade de brincar
E se aparecer alguém que nos conhece? Você não pode ter certeza.
"Vou observar o terreno antes, naturalmente" – Maria ainda não tinha dito não.
"E se nos encontrarmos de novo algum dia? Imagina, esse mundinho é muito pequeno"
"Vou tentar fisgar alguém de fora"
"E o que você espera que eu faça?" – O plano estava seguindo em frente, ela não tinha levantado nenhuma objeção séria
"Brincar, imaginar que você é uma garota que aceitou viajar com um colega, compartilhando quarto e cama, claro" – Maria sorriu novamente
"E nossa vítima vai saber disso?"
"Claro que sim, senão não tem graça" – Maria não respondeu, continuamos alguns quilômetros em silêncio, ela estava pensativa, provavelmente imaginando a cena, de repente exclamou
"Você é louco!"
Continuamos nossa viagem brincando de desenvolver nossa história, Maria Eliminei detalhes que pareciam excessivos, no final o acordo foi simular que ela era uma colega solteira com quem eu tinha uma boa relação há tempos e que era a primeira vez que estávamos juntos. Ela recusou redondamente minha ideia de apresentá-la como uma casada adúltera.
Chegamos em Sevilha ao cair da tarde, fizemos check-in no hotel e, depois de um bom banho, saímos para jantar; durante o jantar continuei delineando o jogo, Maria participava com vontade e juntos montamos uma história sobre nosso relacionamento, como nos conhecíamos, como a pegação surgiu, etc.
No dia seguinte cheguei ao local do curso com quinze minutos de antecedência, peguei minhas credenciais e fui até a cafeteria tomar outro café, identifiquei várias pessoas que carregavam uma pasta idêntica à minha e comecei a selecionar quem poderia ser meu alvo. Era curioso: todo o interesse que acumulei durante dois anos por esse curso ficou em segundo plano, minha atenção estava focada em encontrar as pessoas certas para exibir Maria como minha amante.
O curso começou e consegui me concentrar no tema, na hora do coffee break saímos para uma salinha onde haviam preparado mesas com doces, salgados, jarros de suco, café e... me servi um suco e peguei alguns doces e comecei a circular pela sala, pequenos grupos de conhecidos começaram a se formar e me senti um pouco deslocado. Aproximei-me novamente de uma mesa para encher meu copo de suco e coincidi com o colega que sentava ao meu lado no curso, nos cumprimentamos com o olhar e iniciei uma frase de conveniência:
"Tudo bem?"
"Tudo, o curso parece interessante"
"Sim, gosto do jeito que estão conduzindo"
Assim começou uma conversa banal enquanto eu avaliava Pablo. Ele devia ter uns trinta e poucos anos, trinta e cinco no máximo, mais ou menos da minha altura, magro e com cabelo abundante, longo, bem cuidado, dava pra ver que ele valorizava seus cabelos. ele ajustava os óculos com a mão com certa frequência; uma armação de acetato dava um ar intelectual. Malagueño radicado em Córdoba, tinha uma conversa agradável, talvez brincalhão demais pro meu gosto, o típico andaluz com muita "graça".
A conversa foi de assuntos profissionais para pessoais, hobbies, interesses... assim soube que ele era solteiro, eu contei que era casado.
"Você veio sozinho?" – perguntei
"Sim, claro, e você?"
"Não, vim com... uma amiga" – sorri – "uma colega com quem tenho uma relação muito boa" – a mensagem estava lançada, suficientemente ambígua pra dar a entender o que eu queria sem cair no explícito.
"Opa, então você não vai se entediar quando a jornada acabar" – disse sorrindo
"Com a Maria é impossível se entediar, ela é uma mulher incrível" – tinha estimulado a curiosidade mórbida dele, ele queria saber mais
"Então vocês são muito amigos?" – olhei direto nos olhos dele antes de responder
"Mais que amigos, embora seja a primeira vez que ela se atreve a fazer uma viagem comigo, não foi fácil mas no final ela conseguiu se organizar"
"Por trabalho, suponho" – ele pensava em outra coisa mas não se atrevia a expor, eu peguei a deixa
"Tem um marido no meio, você sabe" – ambos sorrimos
"Que arriscado"
"A mulher merece"
Voltamos pra sala e seguimos o curso até a hora do almoço, tínhamos duas horas, eu tinha combinado com a Maria na entrada pra comermos juntos.
"Vamos almoçar?" – o Pablo me disse enquanto guardava suas coisas da mesa
"A Maria deve estar me esperando lá embaixo... Por que você não vem com a gente e a gente almoça junto?" – o Pablo pareceu pensar numa recusa educada mas não dei opção – "qualé, você vai gostar de conhecê-la, ela é uma garota encantadora e muito simpática" – como ele ainda hesitava, insisti – "sério, vem"
"Não quero atrapalhar, vocês combinaram só os dois, com certeza ela não espera mais ninguém" – ele não encontrava argumentos e não queria deixar passar a oportunidade
"A Maria é uma mulher muito aberta, ela vai adorar que Vem com a gente, você vai ver" – comecei a sair da sala sem parar de falar com ele – "Ela não tem complexos, você me entende" – não sabia exatamente o que queria dizer com aquela frase que acabara de pronunciar, deixava tanto espaço para a imaginação… Pablo me olhou e sorriu
"Tá bom, se você coloca assim…"
Descemos as escadas do prédio e através do antigo portão vi Maria em frente à entrada, ela usava um vestido de verão, estampado em tons de vermelho e rosa sobre fundo branco, na altura da metade da coxa, com decote amplo em V e amarrado no pescoço, uma bolsa vermelha e sandálias combinando, com salto médio, sua melena solta e seus óculos escuros faziam ela se destacar de longe; ainda não havíamos terminado de descer os degraus quando fiz um sinal na direção dela
"É ela" – Pablo ficou surpreso
"Caralho!" – exclamou sem conseguir evitar
"É, isso aí!" – disse eu rindo – "O que você acha?"
"Ela é… cara, é brutal!" – me senti cheio de orgulho, estava empolgado e dei mais um passo
"Brutal, em todos os sentidos"
Quando Maria me viu, seu rosto se iluminou com um sorriso, nos aproximamos dela e dei um beijo na boca
"Te apresento o Pablo, convidei ele para almoçar com a gente" – Maria se adiantou e deu dois beijos nele
"Ótimo, quanto tempo vocês têm?" – disse ela sem dar nenhum sinal de se sentir incomodada com a companhia
"Duas horas" – Pablo se apressou a intervir
"Bom, vi um restaurante aqui perto que parece muito bom, topam?"
"Com você, aonde você nos levar" – disse eu exagerando
Maria era quase uma cabeça mais alta que nós dois, ela tava tão gata que os olhares eram contínuos em direção a ela, caminhávamos conversando, Pablo perguntou a especialidade dela, falamos um pouco da profissão e logo cortei o assunto
"Por favor, ou param de falar de trabalho ou eu vou embora" – ambos riram
O restaurante, típico sevilhano, ainda estava meio vazio e pudemos escolher mesa sem problemas, Maria se ausentou para o banheiro e Pablo aproveitou para continuar com seus elogios
"Com certeza, você é um cara com sorte, vaya mulher" – essa palavra me excitou, a liberdade que o Pablo sentia falando da minha mulher, sem as amarras que teria se soubesse que era minha esposa, estava me provocando um nível de excitação inesperado.
"Eu sei, não foi fácil conseguir ela, mas valeu a pena…" – eu estava solto, o tesão da situação me provocava uma espécie de embriaguez que me fazia perder os limites – "… é a mulher mais sexual que já conheci" – o Pablo não perdia um detalhe das minhas palavras e queria mais – "Ela não diz não pra quase nada, é desinibida como poucas, enfim, uma joia"
"e o marido dela? Sabe de alguma coisa?" – improvisei, por um momento quis me colocar no lugar desse corno, como será que eu viveria isso?
"Ele desconfia de algo, acho que a Maria conta mais pra ele do que me diz, pra mim parece que os dois curtem contar as aventuras um pro outro"
"Caralho, e ainda sem perigo, ele sabe que ela tá viajando com você?" – dava pra ver que ele tava excitado
"Não sei com certeza, mas eu diria que sim"
Vimos a Maria avançando pelo restaurante, cercada pelos olhares dos homens, e o Pablo disse baixinho
"Não tem um cara que não vira pra olhar pra ela, que mulher!"
O jantar transcorreu no meio de uma conversa agradável, em que às vezes o Pablo soltava algum comentário elogiando ela, eu curtia a liberdade que ele se dava pra flertar abertamente e acho que percebi na Maria que ela também tava curtindo. Antes das sobremesas o Pablo se desculpou e foi ao banheiro, a Maria aproveitou pra trocar uma ideia comigo
"Como tá indo a coisa?" – eu disse, a Maria me olhou com aquele brilho nos olhos que entrega a excitação dela
"Porra Carlos, ele tá dando em cima de mim descaradamente"
"E… você gosta?" – ela sorriu antes de responder
"É uma sensação estranha, fazia anos que não me sentia assim e ainda mais com você por perto, é como se ele achasse normal dar em cima de mim"
"Claro, aqui você não é minha mulher, só é…"
"Sua amante, né?" – ela cortou
"Isso… aliás, antes que ele volte, não vá dar mole… – Maria me olhou atenta, mas não me deu tempo de continuar, não havíamos visto o Pablo chegar.
"Interrompo alguma coisa?" – disse ao nos ver conversando tão próximos, sentou-se justo quando o garçom chegou com a carta de sobremesas.
Ainda tínhamos três quartos de hora para o início do curso e pedimos mais cafés, a conversa cada vez mais era conduzida pelo Pablo, percebia que ele estava se sentindo encorajado. Maria usava com força o poder do seu olhar profundo e sorria cada vez que Pablo lhe lançava um elogio, bem ao estilo andaluz. Após um desses comentários, Pablo cruzou a linha entre a ousadia e a vulgaridade.
"Seu marido deve ser uma pessoa muito especial, não deve ser fácil ter uma esposa tão… desejada" – Maria congelou o sorriso e me lançou um olhar glacial. Pablo entendeu imediatamente que tinha pisado na bola e tentou consertar – "Quero dizer que você desperta paixões por onde passa e isso nem sempre deve ser fácil de aguentar, não ter ciúmes de você não é tarefa simples, com certeza" – eu tentei recuperar o clima bom.
"Ciúmes é algo anacrônico, somos pessoas adultas, responsáveis e livres, a época dos ciúmes e da possessividade já passou, pelo menos em um certo nível" – a conversa derivou para a influência que a moral e os costumes dos imigrantes estavam tendo em nosso país, detectei um indício de xenofobia no Pablo que cortei imediatamente e que ele, ao intuir minha posição sobre o assunto, evitou. Maria continuava séria, embora progressivamente tivesse voltado a participar da conversa, seus olhares para mim destilavam raiva. Pablo, uma vez que achou que o impacto da sua primeira frase tinha passado, voltou ao ataque.
"Enfim, Maria, tenho inveja do seu marido" – Maria se virou para ele e, antes que começasse a falar, eu pressenti que algo estava sendo preparado.
"Você deveria é ter inveja do Carlos, não acha?" – me pegou tão de surpresa que não soube como reagir, algo parecido aconteceu com Pablo, que hesitou por um segundo.
"Eh… claro, claro…" – imediatamente ele achou que viu uma porta aberta e ele se lançou – "já tinha dito isso pra você esta manhã quando me contou da sua… relação"
"Então ele te contou da nossa relação, é?" – disse Maria me encarando desafiadoramente nos olhos
"Pouca coisa, Maria, pouca coisa" – falei eu
"Entre homens, pouca coisa significa…" – e ela fez um gesto com as mãos indicando abundância, todos rimos, mas eu sabia que um limiar tinha acabado de ser cruzado. Maria se sentiu tocada pela minha indiscrição, pela minha violação do acordo que havíamos feito e estava me desafiando. Eu a conhecia bem e agora ela estava me mandando uma mensagem: "não queria que eu jogasse, pois agora vou jogar"
Pablo, diante da atitude aberta de Maria, relaxou. Se até aquele momento ele tinha se mantido como o convidado do casal, a partir dali considerou que tinha alguma chance com ela. Minha inibição diante dos avanços dele não fazia nada além de confirmar sua ideia.
A atitude de Maria começou a me inquietar. Temia que seu despeito a levasse a se comportar de um jeito do qual depois se arrependeria. O caráter dela faz com que tolere mal as traições e, embora eu tivesse tentado avisá-la, estava certo de que ela considerava minha conduta como uma armadilha premeditada.
Centrado nesses pensamentos, tinha perdido o fio da conversa. Pablo contava causos da juventude e dos primeiros anos de carreira e Maria me ignorava ostensivamente; ela estava me punindo, isso estava claro. O que eu não sabia era até onde ela ia levar seu castigo. Pablo, consciente do interesse que parecia provocar em Maria, jogava todas as suas cartas sem nenhum reparo para comigo; na verdade, era eu mesmo quem tinha dado abertura para isso. Pouco tinha faltado para eu obrigá-lo a vir para o almoço e meus argumentos nesse sentido tinham sido mais do que uma insinuação. Não podia, portanto, me surpreender que ele lançasse toda sua artilharia contra minha mulher.
E ela… ela derramava charme, aquele charme natural tão distante da coquetice e da vaidade que a torna irresistível como amiga, mas também como mulher. Se fosse outra teria pensei que ele estava flertando com ela, mas nela essa capacidade de sedução é tão natural, que é difícil resistir ao seu charme. Ela participava animadamente da conversa, enquanto eu mal conseguia meter uma palavra; ela ria, brincava... e continuava me ignorando. Pablo interpretava essa atitude de maneira errada e cada vez parecia mais seguro de suas chances. No meio de uma história especialmente interessante, María apoiou os cotovelos na mesa, os olhos de Pablo se desviaram por uma fração de segundo para o seu decote, que se abrira e nos deixava ver mais do que ela imaginava. Eu sabia que aquele gesto não tinha nenhuma intenção oculta, mil vezes a tinha visto se apoiar assim para acompanhar com mais intensidade uma discussão ou conversa; aquele gesto, entre nossos amigos, não tem intencionalidade, faz parte da naturalidade e da espontaneidade de María, que não vê maldade em coisas assim; ela não é ingênua, mas também não vive reprimida pelas neuroses dos outros. Uma vez, um dos nossos melhores amigos, diante de uma situação similar, disse: "María, por favor, você sabe que eu sofro de vertigem, cuidado para eu não cair naquele precipício" – todos rimos e ninguém se ofendeu com a abordagem tão simples que nosso amigo deu às suas emoções ao ver o decote de Carmen, e ela também não se irritou com o comentário. Mas ali em Sevilha, María não era minha esposa, era uma mulher casada vivendo uma aventura comigo, e seu gesto tinha para Pablo outro valor; sua interpretação o levava a ver uma insinuação em María. Eu mesmo tinha dito a ele o quanto ela era solta e aberta. Poderia me surpreender com a reação de Pablo? Pablo continuou contando a história que havia começado, mas seus olhos se perdiam insistentemente no decote da minha mulher; finalmente, ela percebeu. Então, virou a cabeça para mim, sem mudar de postura, e me lançou um olhar profundo, daqueles que me desarmam completamente; nos entendemos perfeitamente. Com o olhar, ela me... dizia "Não é isso que você queria? Então toma"
E meu olhar... meu olhar queria dizer tantas coisas, tão conflitantes entre si... Queria dizer "Continua, vai em frente", também "toma cuidado"; Eu estava imerso numa confusão de ideias, numa tempestade de sensações; Morbo, excitação, medo, - ciúmes também, sim -, alegria, perigo... e algo novo para mim: humilhação.
Me sentia humilhado diante daquela cena; Pablo não sabia que estava cortejando minha esposa, mas ambos claramente me deixaram de lado, embora por razões diferentes; E essa humilhação, em vez de me machucar, meu Deus!, como era possível? Estava me excitando ainda mais, de uma maneira desconhecida, poderosa, avassaladora.
Vi Maria se erguer para prender o cabelo e observei os olhos de Pablo se deliciando com o peito e as axilas dela, que mantinha os braços atrás da nuca enquanto segurava o cabelo com uma presilha. Carmen percebia perfeitamente o efeito que causava em Pablo e me mandou outra mensagem com seus lindos olhos.
Compreendi que naquele dia algo importante estava acontecendo, uma mudança transcendental na reação de Maria diante dessas situações; Pela primeira vez a via curtindo, pela primeira vez não estava evitando, pela primeira vez estava se deixando levar, pela primeira vez estava seduzindo ativamente com seu corpo e com aqueles olhos tão perturbadores.
Quinze minutos antes do início do curso, encerramos a sobremesa e fomos caminhando lentamente até lá. Pablo continuava falando com Maria, monopolizando-a sem esconder sua intenção. Eu mantinha meu papel de acompanhante, quase de voyeur. Maria me olhava de vez em quando, buscando em meus olhos algum sinal das minhas emoções. Ela estava brincando comigo e com Pablo, mas além da brincadeira, Maria estava se descobrindo numa faceta que nunca havia experimentado.
Ao chegar na porta, me despedi dela com um beijo na boca.
"Nos vemos no hotel?" – ela sorriu com cumplicidade e disse, tentando dar uma entonação enigmática em sua frase
"Talvez" – devolvi o sorriso; Ela continuava brincando comigo.
Pablo se adiantou até ela para se despedir e a pegou pela cintura para dar dois beijos de despedida, me pareceu que ele se aproximou demais, excessivamente perto dela, mas talvez fosse minha visão dos fatos mais do que a realidade.
"María, foi um prazer autêntico, espero que tenhamos a chance de nos ver novamente nestes dias" – disse olhando para mim, eu fiz um gesto afirmativo com a cabeça e voltei a buscar os olhos de María, que mantinha um sorriso tênue no rosto.
"Claro! Por que não?" – disse ela sem fazer nenhum movimento que indicasse a Pablo que era hora de soltá-la. Um segundo, talvez dois, mas me pareceram eternos, nos quais ele manteve a mão em sua cintura, sem parar de olhá-la, e ela, altiva, poderosa, manteve o olhar.
Começamos a subir a escadaria quando Pablo parou e se virou para ver María se afastando, parei ao seu lado e admirei sua forma de caminhar: Ela estava linda, lembrei de um elogio que ela me contou que uma vez lhe dedicaram na rua e que ela gostou especialmente – "É assim que se dança" – disse um velhinho ao vê-la andar.
Pablo me olhou depois que María desapareceu de nossa vista, talvez procurando em mim alguma reprovação, alguma barreira, mas não encontrou e isso o fez relaxar.
"Porra, Carlos, é incrível"
"Fico feliz que você tenha gostado"
"Gostado? Ela me deixou… porra! Que mulher!" – não pude evitar rir diante da falta de palavras do meu amigo
"Vejo que ela te deixou sem palavras" – Pablo me olhou antes de continuar falando, imaginei que ele estava tentando avaliar até onde podia ir comigo
"Não queria te incomodar…" – sua pausa me deu a chance de dar permissão com um gesto – "Você viu como ela se inclinou para me mostrar os peitos? Que mulher! Ela ficou me provocando o almoço inteiro e depois, aquele jeito de prender o cabelo, me jogando os mamilos, me deixou a mil" – Suas palavras me provocaram uma pontada de prazer inesperada, talvez isso tenha sido o que me fez perder as precauções
"Já te falei que ela é uma mulher bem liberal" – eu sabia que estava pisando em terreno perigoso, mas a excitação me dominava e não conseguia parar com aquilo
"De verdade não te importa?" – eu não sabia aonde minha resposta me levaria, mas tinha certeza de que não iria desistir do jogo
"Por que eu me importaria? Não é minha mulher, nem minha irmã, é só uma amiga" – aquela mistura de vertigem, medo e tesão era poderosa demais para controlar; já estava dito, eu tinha acabado de dar todas as opções pra ele.
Naquele momento eu não queria nada além do que tinha acontecido, mas meu último comentário me atormentou a tarde toda. E se o Pablo tentasse agir por conta própria? E se ele arrumasse um jeito de chegar na Maria sem limites?
Mas também tinha certeza de que, se pudesse repetir aquela cena, não mudaria uma única palavra.
O Pablo também estava distraído, dava pra ver que ele estava nervoso, ansioso pra acabar a reunião. Quando chegou a hora, ele me disse:
"O que você acha se eu convidar vocês pra jantar hoje à noite? Conheço bem Sevilha, a gente podia jantar e depois tomar alguma coisa, dançar e... bem, o que surgir" – o sorriso safado dele me incomodou. Ele estava indo rápido demais, ou talvez no ritmo que eu mesmo tinha marcado, mas com certeza não era minha intenção colocar a Maria numa situação difícil. Improvisei uma desculpa que parecesse crível:
"Hoje à noite não vai dar, Pablo, a gente já tem um compromisso com uns amigos que moram aqui" – assim que falei, eu mesmo percebi os pontos fracos do meu argumento, que o Pablo rapidamente apontou:
"Não vão ser amigos da sua mulher, né?" – ele deu uma gargalhada, e eu ri junto
"Não, claro que não, são uns amigos da faculdade" – ele me deu uma cotovelada no braço, um gesto que sempre achei desagradável
"Amigos, hein? E ela sozinha? Como vocês vão se divertir! Tem vaga?" – o Pablo tinha acabado de foder tudo. Em um segundo, parei de estar excitado e fiquei preocupado e puto. Me incomodou o tom baixo que ele usou, com certeza. não era isso que eu procurava para a Maria
Mas, na verdade… O que eu estava procurando? Eu realmente queria avançar mais com o Pablo? Nem estava claro pra mim, nem achava que fosse o momento pra Maria nem pra mim. Uma coisa eram as fantasias, uma coisa era brincar com o risco e o tesão, e outra bem diferente… Senti algo parecido com vertigem, tudo aconteceu rápido demais, poucas horas antes estávamos improvisando uma brincadeira na estrada e agora tinha diante de mim um homem que, com o mínimo de abertura, levaria minha mulher pra cama, um homem com quem a Maria tinha flertado como nunca a vi fazer.
Dispensei o Pablo de forma muito seca, ele percebeu minha mudança de atitude e freou suas tentativas de se encaixar naquele encontro que na imaginação dele viraria uma orgia. Quando me vi sozinho, peguei um táxi enquanto discava o celular da Maria.
"Sim?"
"Onde você tá?"
"Fazendo compras" – tentei deduzir pelo tom dela como estava, mas não estava fácil.
"Quer que eu vá te buscar?"
"Tô perto do hotel, melhor a gente se encontrar lá, já tô terminando."
"Como você tá? Precisamos conversar" – não consegui evitar que soasse como um pedido de desculpas.
"Claro, então te vejo agora" – o tom dela não denotava raiva, mas isso também não me tranquilizava. Não queria que ela pensasse que eu tinha armado uma cilada de propósito.
Encontrei ela tirando das sacolas as roupas que tinha comprado. Me aproximei e a envolvi nos meus braços, cheirei o perfume do cabelo dela.
"Não deu tempo de te avisar, amor, desculpa."
"Você sempre tem que fazer do seu jeito, né?" – não tinha desculpa e achei que pioraria se tentasse inventar uma.
"Me deixei levar, quando quis reagir já tinha falado."
"Ah, tá! Vai me dizer agora que não conseguiu se controlar?" – não sabia ao certo se ela estava com raiva, muito puta da vida ou só chateada. Essa falta de certeza me deixou cauteloso.
"Não, é verdade, provavelmente poderia ter ficado quieto, mas você reconhece comigo que seu personagem ganhou muito na minha… Versão" – esperei sua reação, tinha apostado tudo em uma mão, agora podia acontecer qualquer coisa, desde que me mandasse à merda até que entrasse no jogo.
"Seu amigo me trata como se eu fosse uma puta"
"Não tanto, mais como se você fosse uma mulher... alcançável"
"Uma puta, foi assim que me senti"
"No entanto, não me pareceu te ver desconfortável" – desta vez foi Maria que ficou sem argumentos durante uma pausa que aproveitei para ganhar terreno – "você parecia relaxada, até diria que gostou quando ele ficou olhando seus peitos enquanto você arrumava o cabelo, ou quando você se inclinou para ele e abriu caminho para seu decote" – Maria virou o rosto e me olhou em silêncio, percebi que seu olhar tinha mudado
"Foi uma experiência interessante"
"Interessante?"
"Diferente, nova, às vezes me sentia como se não fosse eu"
"É porque não era você; Maria, minha mulher, não flerta com meus amigos e você hoje flertou abertamente"
"Não é verdade"
"Você brincou com ele e comigo, o seduziu com seu jeito de sorrir, com sua forma de olhar..." – Maria balançava a cabeça – "você viu ele olhando seu decote e nem se mexeu, só me olhou para ver se eu estava atento" – ela sorriu, se sentiu pega
"Queria ver como você reagia"
"E como você acha que eu reagi?" – Maria hesitou um momento antes de responder, minhas mãos já há um tempo brincavam com seus seios através do tecido fino do vestido, sentia sua bunda colada em mim e a dureza incipiente do meu pau batendo direto em suas nádegas
"Acho que você gostou de me ver dando mole" – desci uma das minhas mãos até seu ventre
"Querida, você não estava dando mole, estava esquentando ele" – Maria se mexeu, mas eu a segurava firme e evitei que se movesse, ela parou de lutar e voltei a acariciar seu ventre liso e duro
"Foi isso que fiz?"
"Foi o que ele me disse" – houve uma longa pausa, em que nenhum de nós disse nada, eu não queria interromper o curso dos pensamentos dela, ela não queria dizer nada ainda, nada do que não tivesse certeza.
Senti como... a tensão do corpo dela desaparecia, ela já não tentava se afastar de mim e eu também afrouxei o abraço que a segurava; ela continuou colada no meu corpo.
"O que mais ele te disse?"
"Ele está completamente apaixonado por você, queria nos convidar para jantar hoje à noite e depois nos levar para tomar alguma coisa, dançar..."
"E?..." – omiti deliberadamente a má impressão que seus últimos comentários me causaram.
"Eu disse que tínhamos um compromisso com uns amigos"
Achei ver um gesto fugaz de desaprovação, como se uma leve decepção cruzasse seus olhos, não era necessário, mas aquela sensação me levou a justificar minha decisão
"Mal conhecemos ele e depois do ataque que ele lançou em você hoje ao meio-dia, não me pareceu prudente sair com ele esta noite" – Maria me olhou.
"Sim, claro, teria sido demais" – havia uma certa dissonância entre suas palavras e o que seus gestos diziam, ela aparentava normalidade, mas eu continuei vendo nela algo parecido com frustração. Tudo era muito tênue, muito sutil, mas eu estava quase certo. Me aventurei.
"Você teria gostado que a gente saísse?" – Maria se afastou de mim e estava guardando as roupas que tinha comprado, fingiu estar distraída – "Me diz, você teria preferido que eu dissesse sim?" – ela largou as roupas que tinha nas mãos e se virou para mim.
"Não sei..." – encolheu os ombros, como tentando tirar a importância dos próprios pensamentos – "depende, só jantar, conversar, deixar ele continuar acreditando na nossa história..." – se aproximou de mim e colocou os braços no meu pescoço
"Você gostou que ele tentasse te dar em cima, né? Você estava curtindo, eu vi" – beijei sua boca
"Foi muito... não sei como expressar, muito intenso"
"Muito excitante, não é?" – Maria baixou os olhos e concordou com a cabeça – "Ele te tratava como se não tivesse nada a ver comigo, como se você fosse uma mulher casada sendo infiel" – ela levantou os olhos e vi em seu olhar a excitação que começava a crescer nela
"E você, gostou que ele me tratasse assim?"
"Muito, fiquei a mil, meu bem, e depois, quando voltamos, Eu ia que nem uma moto, ele ficou parado vendo você se afastar" – Maria se colou em mim
"E você deixou, não disse nada? Afinal de contas, sou sua parceira" – aproximei-me do ouvido dela e a beijei antes de continuar
"Você é minha parceira, sim, mas assim como você transa comigo, Pablo vai pensar que pode transar com você" – ela se apertou contra mim ao ouvir minhas palavras
"Acha que ele vai pensar isso?" – ela estava cada vez mais excitada
"Tenho certeza, não viu como ele tentou monopolizar você no jantar?
"Não tirava os olhos de mim, estava me despindo com o olhar"
"Mas você não fez nada para impedir"
"Estava brava com você, como você teve a ideia de dizer que sou casada?" – contei como as coisas tinham sido, tinha mudado os planos por conta própria, sim, mas também era verdade que tinha tentado avisá-la.
Continuávamos abraçados em pé perto da cama, levei-a até a beirada e a deitei, Maria se deixou levar, comecei a desabotoar sua blusa
"O que sentiu quando viu que ele estava olhando seus peitos?" – Maria ergueu os olhos como se estivesse recordando
"Não percebi que tinha me recostado tanto na mesa, quando peguei ele olhando quase me sentei melhor, mas então te vi pelo canto do olho, nos observando, e quis ver se você aguentava bem"
Ela se levantou um pouco, facilitando minha manobra para tirar a blusa, aproveitei para soltar o fecho do sutiã e quando a tive nua da cintura para cima, comecei a acariciar seus mamilos com meus lábios, ouvi um pequeno gemido brotar de sua garganta e continuei passando meus lábios por seus mamilos, sem apertar, sem pressa, apenas aquela caricia que a deixa louca e que mais de uma vez a levou ao orgasmo sem necessidade de maiores intensidades; Sempre me surpreendeu a sensibilidade extrema que ela tem nos seios.
"E você gostou de se deixar olhar, não é verdade?"
"Sim, nunca... nunca tinha me acontecido" – minhas carícias estavam fazendo um efeito devastador nela, eu estava apoiado no meu cotovelo direito, inclinado sobre ela, minha mão minha mão esquerda percorria sua pele desde o ombro até o estômago, soltei o botão da sua saia e comecei a descer, Maria levantou a bunda com urgência, precisava se sentir nua, desci sua saia e ela mesma a chutou para longe com os pés, deliberadamente não quis tirar sua calcinha ainda e comecei a brincar com o pequeno laço que enfeitava a cintura enquanto minha língua começava a umedecer seus mamilos.
"Nunca tinha acontecido com você, né?" – Maria acariciava meu cabelo com a mão esquerda.
"Isso, como eu reagi quando senti que estava me olhando…"
"Os peitos?" – eu buscava excitá-la ainda mais e para isso, uma linguagem um pouco mais direta, mais vulgar até, sabia que era um bom recurso
"Sim, os peitos, estava me olhando os peitos e… porra, eu gostei!" – deslizei meus dedos para o interior de suas coxas e ela me recebeu separando-as para facilitar, senti o calor úmido que emanava através da calcinha e percorri com meu dedo médio a fenda que se marcava no tecido fino, seus mamilos estavam duros como pedras e minha língua atuava como uma palheta dedilhando aquele belo instrumento, Maria respondia como se minha língua, ao forçar o mamilo, provocasse uma cãibra nela
"Por isso você se deixou"
"Sim"
"Você se deixou ser olhada"
"Sim" – sua voz era quase um gemido
"Puta!" – seus dedos se agarraram ao meu couro cabeludo ao ouvir essa palavra
"Cuzão!" – um relâmpago de prazer me atingiu
"Te deixa com tesão que outros caras olhem seus peitos, puta"
"E você gosta que olhem, hein, cuzão?" – fiquei de joelhos sobre a cama e praticamente arranquei minha roupa enquanto ela me olhava com os olhos embriagados de prazer, quando fiquei nu vi seu olhar com vontade para meu pau, então a despi de sua calcinha e ela ficou com as pernas abertas, me convidando a pegá-la, mas eu não tinha pressa, me posicionei como antes e voltei a acariciar seus seios, desta vez olhando em seus olhos, bem perto de seu rosto
"E se eu tivesse dito que sim e saíssemos esta noite e você voltasse a Olhar assim, como esta manhã?..." – seu olhar era pura luxúria
"Eu deixaria ele fazer" – eu brincava com seus pelos pubianos que formavam uma linha vertical fina, a pele de sua virilha estava macia, cuidadosamente depilada.
"Ele vai pensar que você quer deixá-lo excitado"
"Ele vai acertar" – eu estava completamente imersa na fantasia
"Ele vai pensar que pode transar com você..." – observei enquanto ela fechava os olhos e continuei acariciando suavemente sua virilha sem me aproximar de seus lábios – "... que se você faz comigo, se é tão puta a ponto de enganar seu marido e vir comigo para Sevilha, ele tem chances de te comer, é isso que ele vai pensar, você sabe disso, né?" – sua voz, quase inaudível, ecoou no meio de um suspiro profundo
"Siii"
"Sim, o quê? Que sabe ou que quer transar com ele?" – ela começou a tremer seguindo o ritmo dos meus dedos em seu clitóris
"Você gostaria, hein?" – ela evitava me dar uma resposta direta
"Eu ficaria louco. E você, gostaria de experimentar outro pau?" – minha linguagem ficava cada vez mais vulgar, mais provocadora para conseguir que Maria se desinibisse totalmente.
"Não preciso de mais ninguém, quero você"
"Não é essa a questão, meu amor, isso eu já sei" – meus dedos afundavam em seu sexo, em sua buceta completamente encharcada – "mas me diz, você não gostaria de realizar sua fantasia, ficar com dois homens ao mesmo tempo, comigo e com o Pablo?" – Quantas vezes tínhamos brincado com aquela fantasia dela; Maria tremia de prazer, eu sabia que seu orgasmo estava prestes a chegar e queria, precisava, ouvir de sua boca o que meu pensamento colocava em sua mente, comecei a mordiscar seu pescoço enquanto meus dedos não davam trégua ao seu clitóris. E aconteceu.
"Siii, sim, sim... transando com o Pablo... e você... você... ao meu lado... na minha frente... olhando... olhando como ele me come... siiiiii" – ela não conseguiu continuar falando, todo seu corpo se convulsionou em um orgasmo violento, suas palavras tinham acabado de superar tudo que eu esperava ouvir e eu explodi batendo em seu púbis com cada arremesso do meu próprio orgasmo.
Eu Deitei sobre ela, suando copiosamente, beijando-a enquanto ela acariciava minhas costas e minhas nádegas, ambos murmurando "te quero, te amo"
Descansávamos lado a lado, sem falar; de olhos fechados, eu alterava esse momento e adicionava Pablo do outro lado de Maria, na mesma cama os três, descansando depois de terem fodido, ao meu lado, junto a mim; meu pau começou a reagir às imagens que minha mente criava
"Carlos, espero que você não diga nada ao Pablo" – sua voz me tirou dos meus devaneios
"Nada do quê?" – me levantei para olhá-la
"Disso" – sorri para ela
"Como você acha que vou contar que você e eu fodemos pensando nele, tá louca?" – ela desviou o olhar
"Acho você muito capaz de dizer algo, não exatamente assim, mas é capaz de insinuar alguma coisa. E eu não quero" – ela ficou séria de repente, beijei-a, voltei aos seus seios
"Amor, o que aconteceu esta manhã foi uma idiotice, sinto muito de verdade, você sabe que não vou fazer nada pelas suas costas"
"Por favor"
"Eu prometo" – ela envolveu meu pescoço com os braços, Maria queria mais e eu ainda estava excitado pelas imagens que continuavam vindo à minha cabeça: Maria fodendo com Pablo, Maria abraçando Pablo com braços e pernas enquanto eu observava, Maria beijando-o... rastejei pela cama até ficar de frente para seu púbis, seu cheiro de mulher no cio completou o trabalho que minha fantasia havia feito com meu sexo; beijei suavemente seus pelos e comecei a percorrer com meus lábios sua virilha, aspirando, embriagando-me com seu aroma de mulher.
"Em troca..." – disse antes de perfurar sua fenda com minha língua
"Em troca... do quê?" – disse com a voz alterada pelo efeito da minha língua
"Duas coisinhas" – Maria flexionou as pernas para me dar via livre, minhas mãos seguravam seus quadris, outras vezes as elevava até tocar a base de seus seios, enquanto minha língua bebia de sua fonte.
"O quê?" – sua voz era apenas um gemido
"Vamos fazer ele acreditar que estava certo, que esta noite estamos em orgia Você é louco" – ela me dava margem para contar mais detalhes da minha ideia
"Ele vai fazer tudo, nós não vamos dizer nada explícito, mas ele vai entender do jeito que quiser entender" – Maria ofegava
"E a segunda?" – Ótimo! Ela não tinha dito não… ainda
"Vamos deixar ele nos convidar para jantar amanhã"
"Não, isso não"
"Por quê? Tem medo que ele se jogue em cima de você e te coma no meio do restaurante?"
"Idiota!" – ela mal conseguia falar, estava chegando ao clímax de novo
"Ou tem medo de si mesma?"
"E se eu der mole pra ele, e aí?" – ela tinha entrado na fantasia irrealizável, mas eu queria mantê-la dentro de uma realidade possível
"Isso não vai acontecer, mas…" – afundei minha língua profundamente na sua buceta antes de continuar e ouvi um longo gemido brotando da sua garganta – "… e se formos dançar depois do jantar… e se ele dançar com você… e se ele colar em você… imagina se ele descer a mão mais do que devia… só um pouquinho… quase na sua bunda mas sem chegar… o que você vai fazer, hein, putinha?" – Maria se convulsionava, sua garganta soltava gemidos cada vez mais agudos e rápidos, eu não queria que acabasse ainda e reduzi o ritmo da minha carícia
"O que você quer que eu faça?" – meu coração estava acelerado pra caralho, será que era mais uma fantasia da Maria ou ela realmente estava se oferecendo para jogar um passo além
"Que você me deixe ver como ele te toca, que ele perceba que você deixa ele fazer isso, quero que você saiba como é ser uma mina fácil, quero que ele te passe a mão, na minha frente, e que você me olhe nos olhos enquanto ele faz" – Maria ouviu o final das minhas palavras entre gritos abafados pela mão que tentava tapar sua boca, eu estava pronto para me afundar nela de novo – "Quero ver a mão dele na sua bunda e seus olhos de viciada me oferecendo isso" – subi em cima dela, ela estava mole, exausta pelos dois orgasmos, parecia uma boneca sem tensão no corpo, de uma vez me enfiei nela e arranquei um novo grito, dessa vez incontrolável pelo inesperado
"E quero te contar depois o que ele disser de você, cada coisa que ele me contar sobre você eu vou te contar aqui, na cama quando voltarmos" - comecei a me mover lentamente, ainda precisava me recuperar, Maria reagiu e cruzou as pernas nas minhas costas, suas mãos percorriam meus ombros, desciam até minhas nádegas, marcando-me com as unhas
"Vou te ver abraçada a ele, na pista de dança, com certeza ele vai colar bem em você, você vai sentir ele grudado e não vai fazer nada porque será aquela mulher casada que veio para Sevilla dar uns bons gozadas comigo e meus amigos, e vai deixar ele apertar sua bunda"
"E se ele quiser mais? Como eu paro?" - aquela frase me deu a entender que Maria já dava como certo, sabia que depois, quando estivesse calma, a sanidade voltaria e ela reconsideraria, mas mesmo que tudo ficasse só na fantasia, tinha valido a pena; Continuei me movendo lentamente dentro dela e levantei suas pernas nos meus ombros para poder penetrar ainda mais fundo
"Você sabe como parar essas coisas, meu amor, além do mais, estarei por perto" - mil imagens bombardeavam minha cabeça, imagens em que via Pablo me olhando da pista, procurando uma reação ruim da minha parte, e eu retribuía com um sorriso, talvez um gesto com o polegar levantado; Mil flashes em que via a mão de Pablo avançando do quadril até a nádega, Maria com os braços no pescoço dele aguentando... e a cada volta, quando ela encarasse meus olhos, aquele olhar de luxúria tão profundo que ela tem quando está muito excitada, aquele olhar que derrete qualquer homem... Senti o orgasmo chegando e no meio de um gemido ainda consegui dizer
"Deixa ele fazer, siiim, deixa!"
Meia hora depois tomamos banho e saímos para dar uma volta por Sevilla antes do jantar; Só na hora da sobremesa que tentei tocar no assunto de novo
"Que tarde intensa, será que deixamos algo para a noite?" - Maria sorriu olhando nos meus olhos por um longo tempo
"Que loucura, né?"
"Qual, a que vamos fazer?" - o sorriso dela se abriu ainda mais e ela começou a balançar a cabeça
"Bobo!"
"Me diz que você não quer"
"Você me vê capaz de deixar alguém me pegar? Você está... Loco?" "Sim à primeira pergunta e sim à segunda" – peguei sua mão por cima da mesa – "me diga que a ideia não te excita… mas que a mentira seja convincente, hein?" – Maria riu, estava lindíssima e seus olhos irradiavam um brilho especial "Você acha que ele ia se contentar só com isso?" "Ele vai ter que se contentar com o que você quiser dar, nem mais nem menos. Você é quem manda no jogo, tem personalidade de sobra pra deixar ele exatamente onde você quiser" – estava mexendo com o orgulho dela. Ela se considera uma mulher de personalidade, autônoma, independente, feita por si mesma, é uma líder natural e tem orgulho disso. Esperava que meu reconhecimento a fizesse se sentir segura "E o que vamos contar sobre essa noite de orgia?" – ela destacou as três últimas palavras com um gesto estereotipado de escândalo "Frases ambíguas, que possam ser interpretadas de mil formas" – apontei para ela com meu dedo – "surpreenda-me amanhã" – ela sorriu de novo, estava imersa no jogo, suas dúvidas estavam desaparecendo aos poucos, pelo menos no que se referia a simular a orgia noturna
Paramos perto de Puerto Lápice para abastecer, enquanto eu enchia o tanque, Maria foi até a lojinha do posto comprar algumas garrafas de água. Vi ela se afastando e fiquei hipnotizado olhando o jeito que ela andava. Ela estava de short branco, camiseta azul e sandálias de salto médio, o cabelo preso num coque baixo deixava o pescoço dela exposto. Observei o motorista de uma van que se virava para olhar para ela enquanto abastecia, uma pontada de tesão percorreu meu corpo, imaginei ela fazendo compras na loja, enquanto os homens na fila do caixa a desejavam.
Quando terminei de abastecer, olhei para a loja; Maria estava na fila do caixa e me procurava com o olhar, fiz um sinal de que tinha terminado e esperei ela pagar sentado no carro, espiando-a; através dos vidros, sua altura se destacava entre os outros homens, o que estava na frente dela se virou várias vezes fingindo procurar algo, quando na realidade só queria era dar uma olhada nela; eu estava ficando excitado a cada momento. Vi ela voltar para o carro andando calmamente, os quadris balançando, as coxas brilhando ao sol, uma mecha de cabelo se soltou e caiu sobre sua testa e ela a afastou com um gesto gracioso; atrás dela vinha um homem sem tirar os olhos dela. Em uma fração de segundo, uma imagem se formou na minha mente e, como um raio, criei o jogo.
"Quase te devoraram" – eu disse enquanto dava partida, ela sorriu.
"Parece que nunca viram uma mulher antes" – ela disse irritada.
"Como você, com certeza viram poucas" – eu Ela lançou um olhar cheio de carinho
"Sabia? Não conheço ninguém da lista de participantes" – disse a Maria depois de alguns quilômetros de viagem
"Ninguém? Que estranho!"
"Imagina, ninguém nos conhece, não podem saber se somos casados, namorados, ou..." – Maria virou o rosto para mim esperando que continuasse, mas me calei; pelo canto do olho vi um sorriso surgir em seu rosto
"Que maldade está pensando essa cabeça?" – sorri, entrando na brincadeira
"Maldade? Nenhuma... só... alguma travessura" – ela se acomodou no banco do carro
"É? Quão travessa?" – sua voz ficou sugestiva
"Muito, muito travessa... vamos imaginar que te apresento como uma amiga... imagina que você me busca na saída do curso e te apresento a algum dos participantes, a algum com quem eu tenha conversado durante o curso... vamos tomar alguma coisa e você não se comporta como minha mulher, mas como minha amiga..."
"Sua... amiguinha?" – Maria enfatizou a palavra dando o tom que eu buscava
"Isso mesmo, uma garota de Madrid, colega, parceira e... muito minha amiga. Entende?"
"Perfeitamente... você é um pervertido" – seu protesto era falso, sabia que ela estava com vontade de brincar
E se aparecer alguém que nos conhece? Você não pode ter certeza.
"Vou observar o terreno antes, naturalmente" – Maria ainda não tinha dito não.
"E se nos encontrarmos de novo algum dia? Imagina, esse mundinho é muito pequeno"
"Vou tentar fisgar alguém de fora"
"E o que você espera que eu faça?" – O plano estava seguindo em frente, ela não tinha levantado nenhuma objeção séria
"Brincar, imaginar que você é uma garota que aceitou viajar com um colega, compartilhando quarto e cama, claro" – Maria sorriu novamente
"E nossa vítima vai saber disso?"
"Claro que sim, senão não tem graça" – Maria não respondeu, continuamos alguns quilômetros em silêncio, ela estava pensativa, provavelmente imaginando a cena, de repente exclamou
"Você é louco!"
Continuamos nossa viagem brincando de desenvolver nossa história, Maria Eliminei detalhes que pareciam excessivos, no final o acordo foi simular que ela era uma colega solteira com quem eu tinha uma boa relação há tempos e que era a primeira vez que estávamos juntos. Ela recusou redondamente minha ideia de apresentá-la como uma casada adúltera.
Chegamos em Sevilha ao cair da tarde, fizemos check-in no hotel e, depois de um bom banho, saímos para jantar; durante o jantar continuei delineando o jogo, Maria participava com vontade e juntos montamos uma história sobre nosso relacionamento, como nos conhecíamos, como a pegação surgiu, etc.
No dia seguinte cheguei ao local do curso com quinze minutos de antecedência, peguei minhas credenciais e fui até a cafeteria tomar outro café, identifiquei várias pessoas que carregavam uma pasta idêntica à minha e comecei a selecionar quem poderia ser meu alvo. Era curioso: todo o interesse que acumulei durante dois anos por esse curso ficou em segundo plano, minha atenção estava focada em encontrar as pessoas certas para exibir Maria como minha amante.
O curso começou e consegui me concentrar no tema, na hora do coffee break saímos para uma salinha onde haviam preparado mesas com doces, salgados, jarros de suco, café e... me servi um suco e peguei alguns doces e comecei a circular pela sala, pequenos grupos de conhecidos começaram a se formar e me senti um pouco deslocado. Aproximei-me novamente de uma mesa para encher meu copo de suco e coincidi com o colega que sentava ao meu lado no curso, nos cumprimentamos com o olhar e iniciei uma frase de conveniência:
"Tudo bem?"
"Tudo, o curso parece interessante"
"Sim, gosto do jeito que estão conduzindo"
Assim começou uma conversa banal enquanto eu avaliava Pablo. Ele devia ter uns trinta e poucos anos, trinta e cinco no máximo, mais ou menos da minha altura, magro e com cabelo abundante, longo, bem cuidado, dava pra ver que ele valorizava seus cabelos. ele ajustava os óculos com a mão com certa frequência; uma armação de acetato dava um ar intelectual. Malagueño radicado em Córdoba, tinha uma conversa agradável, talvez brincalhão demais pro meu gosto, o típico andaluz com muita "graça".
A conversa foi de assuntos profissionais para pessoais, hobbies, interesses... assim soube que ele era solteiro, eu contei que era casado.
"Você veio sozinho?" – perguntei
"Sim, claro, e você?"
"Não, vim com... uma amiga" – sorri – "uma colega com quem tenho uma relação muito boa" – a mensagem estava lançada, suficientemente ambígua pra dar a entender o que eu queria sem cair no explícito.
"Opa, então você não vai se entediar quando a jornada acabar" – disse sorrindo
"Com a Maria é impossível se entediar, ela é uma mulher incrível" – tinha estimulado a curiosidade mórbida dele, ele queria saber mais
"Então vocês são muito amigos?" – olhei direto nos olhos dele antes de responder
"Mais que amigos, embora seja a primeira vez que ela se atreve a fazer uma viagem comigo, não foi fácil mas no final ela conseguiu se organizar"
"Por trabalho, suponho" – ele pensava em outra coisa mas não se atrevia a expor, eu peguei a deixa
"Tem um marido no meio, você sabe" – ambos sorrimos
"Que arriscado"
"A mulher merece"
Voltamos pra sala e seguimos o curso até a hora do almoço, tínhamos duas horas, eu tinha combinado com a Maria na entrada pra comermos juntos.
"Vamos almoçar?" – o Pablo me disse enquanto guardava suas coisas da mesa
"A Maria deve estar me esperando lá embaixo... Por que você não vem com a gente e a gente almoça junto?" – o Pablo pareceu pensar numa recusa educada mas não dei opção – "qualé, você vai gostar de conhecê-la, ela é uma garota encantadora e muito simpática" – como ele ainda hesitava, insisti – "sério, vem"
"Não quero atrapalhar, vocês combinaram só os dois, com certeza ela não espera mais ninguém" – ele não encontrava argumentos e não queria deixar passar a oportunidade
"A Maria é uma mulher muito aberta, ela vai adorar que Vem com a gente, você vai ver" – comecei a sair da sala sem parar de falar com ele – "Ela não tem complexos, você me entende" – não sabia exatamente o que queria dizer com aquela frase que acabara de pronunciar, deixava tanto espaço para a imaginação… Pablo me olhou e sorriu
"Tá bom, se você coloca assim…"
Descemos as escadas do prédio e através do antigo portão vi Maria em frente à entrada, ela usava um vestido de verão, estampado em tons de vermelho e rosa sobre fundo branco, na altura da metade da coxa, com decote amplo em V e amarrado no pescoço, uma bolsa vermelha e sandálias combinando, com salto médio, sua melena solta e seus óculos escuros faziam ela se destacar de longe; ainda não havíamos terminado de descer os degraus quando fiz um sinal na direção dela
"É ela" – Pablo ficou surpreso
"Caralho!" – exclamou sem conseguir evitar
"É, isso aí!" – disse eu rindo – "O que você acha?"
"Ela é… cara, é brutal!" – me senti cheio de orgulho, estava empolgado e dei mais um passo
"Brutal, em todos os sentidos"
Quando Maria me viu, seu rosto se iluminou com um sorriso, nos aproximamos dela e dei um beijo na boca
"Te apresento o Pablo, convidei ele para almoçar com a gente" – Maria se adiantou e deu dois beijos nele
"Ótimo, quanto tempo vocês têm?" – disse ela sem dar nenhum sinal de se sentir incomodada com a companhia
"Duas horas" – Pablo se apressou a intervir
"Bom, vi um restaurante aqui perto que parece muito bom, topam?"
"Com você, aonde você nos levar" – disse eu exagerando
Maria era quase uma cabeça mais alta que nós dois, ela tava tão gata que os olhares eram contínuos em direção a ela, caminhávamos conversando, Pablo perguntou a especialidade dela, falamos um pouco da profissão e logo cortei o assunto
"Por favor, ou param de falar de trabalho ou eu vou embora" – ambos riram
O restaurante, típico sevilhano, ainda estava meio vazio e pudemos escolher mesa sem problemas, Maria se ausentou para o banheiro e Pablo aproveitou para continuar com seus elogios
"Com certeza, você é um cara com sorte, vaya mulher" – essa palavra me excitou, a liberdade que o Pablo sentia falando da minha mulher, sem as amarras que teria se soubesse que era minha esposa, estava me provocando um nível de excitação inesperado.
"Eu sei, não foi fácil conseguir ela, mas valeu a pena…" – eu estava solto, o tesão da situação me provocava uma espécie de embriaguez que me fazia perder os limites – "… é a mulher mais sexual que já conheci" – o Pablo não perdia um detalhe das minhas palavras e queria mais – "Ela não diz não pra quase nada, é desinibida como poucas, enfim, uma joia"
"e o marido dela? Sabe de alguma coisa?" – improvisei, por um momento quis me colocar no lugar desse corno, como será que eu viveria isso?
"Ele desconfia de algo, acho que a Maria conta mais pra ele do que me diz, pra mim parece que os dois curtem contar as aventuras um pro outro"
"Caralho, e ainda sem perigo, ele sabe que ela tá viajando com você?" – dava pra ver que ele tava excitado
"Não sei com certeza, mas eu diria que sim"
Vimos a Maria avançando pelo restaurante, cercada pelos olhares dos homens, e o Pablo disse baixinho
"Não tem um cara que não vira pra olhar pra ela, que mulher!"
O jantar transcorreu no meio de uma conversa agradável, em que às vezes o Pablo soltava algum comentário elogiando ela, eu curtia a liberdade que ele se dava pra flertar abertamente e acho que percebi na Maria que ela também tava curtindo. Antes das sobremesas o Pablo se desculpou e foi ao banheiro, a Maria aproveitou pra trocar uma ideia comigo
"Como tá indo a coisa?" – eu disse, a Maria me olhou com aquele brilho nos olhos que entrega a excitação dela
"Porra Carlos, ele tá dando em cima de mim descaradamente"
"E… você gosta?" – ela sorriu antes de responder
"É uma sensação estranha, fazia anos que não me sentia assim e ainda mais com você por perto, é como se ele achasse normal dar em cima de mim"
"Claro, aqui você não é minha mulher, só é…"
"Sua amante, né?" – ela cortou
"Isso… aliás, antes que ele volte, não vá dar mole… – Maria me olhou atenta, mas não me deu tempo de continuar, não havíamos visto o Pablo chegar.
"Interrompo alguma coisa?" – disse ao nos ver conversando tão próximos, sentou-se justo quando o garçom chegou com a carta de sobremesas.
Ainda tínhamos três quartos de hora para o início do curso e pedimos mais cafés, a conversa cada vez mais era conduzida pelo Pablo, percebia que ele estava se sentindo encorajado. Maria usava com força o poder do seu olhar profundo e sorria cada vez que Pablo lhe lançava um elogio, bem ao estilo andaluz. Após um desses comentários, Pablo cruzou a linha entre a ousadia e a vulgaridade.
"Seu marido deve ser uma pessoa muito especial, não deve ser fácil ter uma esposa tão… desejada" – Maria congelou o sorriso e me lançou um olhar glacial. Pablo entendeu imediatamente que tinha pisado na bola e tentou consertar – "Quero dizer que você desperta paixões por onde passa e isso nem sempre deve ser fácil de aguentar, não ter ciúmes de você não é tarefa simples, com certeza" – eu tentei recuperar o clima bom.
"Ciúmes é algo anacrônico, somos pessoas adultas, responsáveis e livres, a época dos ciúmes e da possessividade já passou, pelo menos em um certo nível" – a conversa derivou para a influência que a moral e os costumes dos imigrantes estavam tendo em nosso país, detectei um indício de xenofobia no Pablo que cortei imediatamente e que ele, ao intuir minha posição sobre o assunto, evitou. Maria continuava séria, embora progressivamente tivesse voltado a participar da conversa, seus olhares para mim destilavam raiva. Pablo, uma vez que achou que o impacto da sua primeira frase tinha passado, voltou ao ataque.
"Enfim, Maria, tenho inveja do seu marido" – Maria se virou para ele e, antes que começasse a falar, eu pressenti que algo estava sendo preparado.
"Você deveria é ter inveja do Carlos, não acha?" – me pegou tão de surpresa que não soube como reagir, algo parecido aconteceu com Pablo, que hesitou por um segundo.
"Eh… claro, claro…" – imediatamente ele achou que viu uma porta aberta e ele se lançou – "já tinha dito isso pra você esta manhã quando me contou da sua… relação"
"Então ele te contou da nossa relação, é?" – disse Maria me encarando desafiadoramente nos olhos
"Pouca coisa, Maria, pouca coisa" – falei eu
"Entre homens, pouca coisa significa…" – e ela fez um gesto com as mãos indicando abundância, todos rimos, mas eu sabia que um limiar tinha acabado de ser cruzado. Maria se sentiu tocada pela minha indiscrição, pela minha violação do acordo que havíamos feito e estava me desafiando. Eu a conhecia bem e agora ela estava me mandando uma mensagem: "não queria que eu jogasse, pois agora vou jogar"
Pablo, diante da atitude aberta de Maria, relaxou. Se até aquele momento ele tinha se mantido como o convidado do casal, a partir dali considerou que tinha alguma chance com ela. Minha inibição diante dos avanços dele não fazia nada além de confirmar sua ideia.
A atitude de Maria começou a me inquietar. Temia que seu despeito a levasse a se comportar de um jeito do qual depois se arrependeria. O caráter dela faz com que tolere mal as traições e, embora eu tivesse tentado avisá-la, estava certo de que ela considerava minha conduta como uma armadilha premeditada.
Centrado nesses pensamentos, tinha perdido o fio da conversa. Pablo contava causos da juventude e dos primeiros anos de carreira e Maria me ignorava ostensivamente; ela estava me punindo, isso estava claro. O que eu não sabia era até onde ela ia levar seu castigo. Pablo, consciente do interesse que parecia provocar em Maria, jogava todas as suas cartas sem nenhum reparo para comigo; na verdade, era eu mesmo quem tinha dado abertura para isso. Pouco tinha faltado para eu obrigá-lo a vir para o almoço e meus argumentos nesse sentido tinham sido mais do que uma insinuação. Não podia, portanto, me surpreender que ele lançasse toda sua artilharia contra minha mulher.
E ela… ela derramava charme, aquele charme natural tão distante da coquetice e da vaidade que a torna irresistível como amiga, mas também como mulher. Se fosse outra teria pensei que ele estava flertando com ela, mas nela essa capacidade de sedução é tão natural, que é difícil resistir ao seu charme. Ela participava animadamente da conversa, enquanto eu mal conseguia meter uma palavra; ela ria, brincava... e continuava me ignorando. Pablo interpretava essa atitude de maneira errada e cada vez parecia mais seguro de suas chances. No meio de uma história especialmente interessante, María apoiou os cotovelos na mesa, os olhos de Pablo se desviaram por uma fração de segundo para o seu decote, que se abrira e nos deixava ver mais do que ela imaginava. Eu sabia que aquele gesto não tinha nenhuma intenção oculta, mil vezes a tinha visto se apoiar assim para acompanhar com mais intensidade uma discussão ou conversa; aquele gesto, entre nossos amigos, não tem intencionalidade, faz parte da naturalidade e da espontaneidade de María, que não vê maldade em coisas assim; ela não é ingênua, mas também não vive reprimida pelas neuroses dos outros. Uma vez, um dos nossos melhores amigos, diante de uma situação similar, disse: "María, por favor, você sabe que eu sofro de vertigem, cuidado para eu não cair naquele precipício" – todos rimos e ninguém se ofendeu com a abordagem tão simples que nosso amigo deu às suas emoções ao ver o decote de Carmen, e ela também não se irritou com o comentário. Mas ali em Sevilha, María não era minha esposa, era uma mulher casada vivendo uma aventura comigo, e seu gesto tinha para Pablo outro valor; sua interpretação o levava a ver uma insinuação em María. Eu mesmo tinha dito a ele o quanto ela era solta e aberta. Poderia me surpreender com a reação de Pablo? Pablo continuou contando a história que havia começado, mas seus olhos se perdiam insistentemente no decote da minha mulher; finalmente, ela percebeu. Então, virou a cabeça para mim, sem mudar de postura, e me lançou um olhar profundo, daqueles que me desarmam completamente; nos entendemos perfeitamente. Com o olhar, ela me... dizia "Não é isso que você queria? Então toma"
E meu olhar... meu olhar queria dizer tantas coisas, tão conflitantes entre si... Queria dizer "Continua, vai em frente", também "toma cuidado"; Eu estava imerso numa confusão de ideias, numa tempestade de sensações; Morbo, excitação, medo, - ciúmes também, sim -, alegria, perigo... e algo novo para mim: humilhação.
Me sentia humilhado diante daquela cena; Pablo não sabia que estava cortejando minha esposa, mas ambos claramente me deixaram de lado, embora por razões diferentes; E essa humilhação, em vez de me machucar, meu Deus!, como era possível? Estava me excitando ainda mais, de uma maneira desconhecida, poderosa, avassaladora.
Vi Maria se erguer para prender o cabelo e observei os olhos de Pablo se deliciando com o peito e as axilas dela, que mantinha os braços atrás da nuca enquanto segurava o cabelo com uma presilha. Carmen percebia perfeitamente o efeito que causava em Pablo e me mandou outra mensagem com seus lindos olhos.
Compreendi que naquele dia algo importante estava acontecendo, uma mudança transcendental na reação de Maria diante dessas situações; Pela primeira vez a via curtindo, pela primeira vez não estava evitando, pela primeira vez estava se deixando levar, pela primeira vez estava seduzindo ativamente com seu corpo e com aqueles olhos tão perturbadores.
Quinze minutos antes do início do curso, encerramos a sobremesa e fomos caminhando lentamente até lá. Pablo continuava falando com Maria, monopolizando-a sem esconder sua intenção. Eu mantinha meu papel de acompanhante, quase de voyeur. Maria me olhava de vez em quando, buscando em meus olhos algum sinal das minhas emoções. Ela estava brincando comigo e com Pablo, mas além da brincadeira, Maria estava se descobrindo numa faceta que nunca havia experimentado.
Ao chegar na porta, me despedi dela com um beijo na boca.
"Nos vemos no hotel?" – ela sorriu com cumplicidade e disse, tentando dar uma entonação enigmática em sua frase
"Talvez" – devolvi o sorriso; Ela continuava brincando comigo.
Pablo se adiantou até ela para se despedir e a pegou pela cintura para dar dois beijos de despedida, me pareceu que ele se aproximou demais, excessivamente perto dela, mas talvez fosse minha visão dos fatos mais do que a realidade.
"María, foi um prazer autêntico, espero que tenhamos a chance de nos ver novamente nestes dias" – disse olhando para mim, eu fiz um gesto afirmativo com a cabeça e voltei a buscar os olhos de María, que mantinha um sorriso tênue no rosto.
"Claro! Por que não?" – disse ela sem fazer nenhum movimento que indicasse a Pablo que era hora de soltá-la. Um segundo, talvez dois, mas me pareceram eternos, nos quais ele manteve a mão em sua cintura, sem parar de olhá-la, e ela, altiva, poderosa, manteve o olhar.
Começamos a subir a escadaria quando Pablo parou e se virou para ver María se afastando, parei ao seu lado e admirei sua forma de caminhar: Ela estava linda, lembrei de um elogio que ela me contou que uma vez lhe dedicaram na rua e que ela gostou especialmente – "É assim que se dança" – disse um velhinho ao vê-la andar.
Pablo me olhou depois que María desapareceu de nossa vista, talvez procurando em mim alguma reprovação, alguma barreira, mas não encontrou e isso o fez relaxar.
"Porra, Carlos, é incrível"
"Fico feliz que você tenha gostado"
"Gostado? Ela me deixou… porra! Que mulher!" – não pude evitar rir diante da falta de palavras do meu amigo
"Vejo que ela te deixou sem palavras" – Pablo me olhou antes de continuar falando, imaginei que ele estava tentando avaliar até onde podia ir comigo
"Não queria te incomodar…" – sua pausa me deu a chance de dar permissão com um gesto – "Você viu como ela se inclinou para me mostrar os peitos? Que mulher! Ela ficou me provocando o almoço inteiro e depois, aquele jeito de prender o cabelo, me jogando os mamilos, me deixou a mil" – Suas palavras me provocaram uma pontada de prazer inesperada, talvez isso tenha sido o que me fez perder as precauções
"Já te falei que ela é uma mulher bem liberal" – eu sabia que estava pisando em terreno perigoso, mas a excitação me dominava e não conseguia parar com aquilo
"De verdade não te importa?" – eu não sabia aonde minha resposta me levaria, mas tinha certeza de que não iria desistir do jogo
"Por que eu me importaria? Não é minha mulher, nem minha irmã, é só uma amiga" – aquela mistura de vertigem, medo e tesão era poderosa demais para controlar; já estava dito, eu tinha acabado de dar todas as opções pra ele.
Naquele momento eu não queria nada além do que tinha acontecido, mas meu último comentário me atormentou a tarde toda. E se o Pablo tentasse agir por conta própria? E se ele arrumasse um jeito de chegar na Maria sem limites?
Mas também tinha certeza de que, se pudesse repetir aquela cena, não mudaria uma única palavra.
O Pablo também estava distraído, dava pra ver que ele estava nervoso, ansioso pra acabar a reunião. Quando chegou a hora, ele me disse:
"O que você acha se eu convidar vocês pra jantar hoje à noite? Conheço bem Sevilha, a gente podia jantar e depois tomar alguma coisa, dançar e... bem, o que surgir" – o sorriso safado dele me incomodou. Ele estava indo rápido demais, ou talvez no ritmo que eu mesmo tinha marcado, mas com certeza não era minha intenção colocar a Maria numa situação difícil. Improvisei uma desculpa que parecesse crível:
"Hoje à noite não vai dar, Pablo, a gente já tem um compromisso com uns amigos que moram aqui" – assim que falei, eu mesmo percebi os pontos fracos do meu argumento, que o Pablo rapidamente apontou:
"Não vão ser amigos da sua mulher, né?" – ele deu uma gargalhada, e eu ri junto
"Não, claro que não, são uns amigos da faculdade" – ele me deu uma cotovelada no braço, um gesto que sempre achei desagradável
"Amigos, hein? E ela sozinha? Como vocês vão se divertir! Tem vaga?" – o Pablo tinha acabado de foder tudo. Em um segundo, parei de estar excitado e fiquei preocupado e puto. Me incomodou o tom baixo que ele usou, com certeza. não era isso que eu procurava para a Maria
Mas, na verdade… O que eu estava procurando? Eu realmente queria avançar mais com o Pablo? Nem estava claro pra mim, nem achava que fosse o momento pra Maria nem pra mim. Uma coisa eram as fantasias, uma coisa era brincar com o risco e o tesão, e outra bem diferente… Senti algo parecido com vertigem, tudo aconteceu rápido demais, poucas horas antes estávamos improvisando uma brincadeira na estrada e agora tinha diante de mim um homem que, com o mínimo de abertura, levaria minha mulher pra cama, um homem com quem a Maria tinha flertado como nunca a vi fazer.
Dispensei o Pablo de forma muito seca, ele percebeu minha mudança de atitude e freou suas tentativas de se encaixar naquele encontro que na imaginação dele viraria uma orgia. Quando me vi sozinho, peguei um táxi enquanto discava o celular da Maria.
"Sim?"
"Onde você tá?"
"Fazendo compras" – tentei deduzir pelo tom dela como estava, mas não estava fácil.
"Quer que eu vá te buscar?"
"Tô perto do hotel, melhor a gente se encontrar lá, já tô terminando."
"Como você tá? Precisamos conversar" – não consegui evitar que soasse como um pedido de desculpas.
"Claro, então te vejo agora" – o tom dela não denotava raiva, mas isso também não me tranquilizava. Não queria que ela pensasse que eu tinha armado uma cilada de propósito.
Encontrei ela tirando das sacolas as roupas que tinha comprado. Me aproximei e a envolvi nos meus braços, cheirei o perfume do cabelo dela.
"Não deu tempo de te avisar, amor, desculpa."
"Você sempre tem que fazer do seu jeito, né?" – não tinha desculpa e achei que pioraria se tentasse inventar uma.
"Me deixei levar, quando quis reagir já tinha falado."
"Ah, tá! Vai me dizer agora que não conseguiu se controlar?" – não sabia ao certo se ela estava com raiva, muito puta da vida ou só chateada. Essa falta de certeza me deixou cauteloso.
"Não, é verdade, provavelmente poderia ter ficado quieto, mas você reconhece comigo que seu personagem ganhou muito na minha… Versão" – esperei sua reação, tinha apostado tudo em uma mão, agora podia acontecer qualquer coisa, desde que me mandasse à merda até que entrasse no jogo.
"Seu amigo me trata como se eu fosse uma puta"
"Não tanto, mais como se você fosse uma mulher... alcançável"
"Uma puta, foi assim que me senti"
"No entanto, não me pareceu te ver desconfortável" – desta vez foi Maria que ficou sem argumentos durante uma pausa que aproveitei para ganhar terreno – "você parecia relaxada, até diria que gostou quando ele ficou olhando seus peitos enquanto você arrumava o cabelo, ou quando você se inclinou para ele e abriu caminho para seu decote" – Maria virou o rosto e me olhou em silêncio, percebi que seu olhar tinha mudado
"Foi uma experiência interessante"
"Interessante?"
"Diferente, nova, às vezes me sentia como se não fosse eu"
"É porque não era você; Maria, minha mulher, não flerta com meus amigos e você hoje flertou abertamente"
"Não é verdade"
"Você brincou com ele e comigo, o seduziu com seu jeito de sorrir, com sua forma de olhar..." – Maria balançava a cabeça – "você viu ele olhando seu decote e nem se mexeu, só me olhou para ver se eu estava atento" – ela sorriu, se sentiu pega
"Queria ver como você reagia"
"E como você acha que eu reagi?" – Maria hesitou um momento antes de responder, minhas mãos já há um tempo brincavam com seus seios através do tecido fino do vestido, sentia sua bunda colada em mim e a dureza incipiente do meu pau batendo direto em suas nádegas
"Acho que você gostou de me ver dando mole" – desci uma das minhas mãos até seu ventre
"Querida, você não estava dando mole, estava esquentando ele" – Maria se mexeu, mas eu a segurava firme e evitei que se movesse, ela parou de lutar e voltei a acariciar seu ventre liso e duro
"Foi isso que fiz?"
"Foi o que ele me disse" – houve uma longa pausa, em que nenhum de nós disse nada, eu não queria interromper o curso dos pensamentos dela, ela não queria dizer nada ainda, nada do que não tivesse certeza.
Senti como... a tensão do corpo dela desaparecia, ela já não tentava se afastar de mim e eu também afrouxei o abraço que a segurava; ela continuou colada no meu corpo.
"O que mais ele te disse?"
"Ele está completamente apaixonado por você, queria nos convidar para jantar hoje à noite e depois nos levar para tomar alguma coisa, dançar..."
"E?..." – omiti deliberadamente a má impressão que seus últimos comentários me causaram.
"Eu disse que tínhamos um compromisso com uns amigos"
Achei ver um gesto fugaz de desaprovação, como se uma leve decepção cruzasse seus olhos, não era necessário, mas aquela sensação me levou a justificar minha decisão
"Mal conhecemos ele e depois do ataque que ele lançou em você hoje ao meio-dia, não me pareceu prudente sair com ele esta noite" – Maria me olhou.
"Sim, claro, teria sido demais" – havia uma certa dissonância entre suas palavras e o que seus gestos diziam, ela aparentava normalidade, mas eu continuei vendo nela algo parecido com frustração. Tudo era muito tênue, muito sutil, mas eu estava quase certo. Me aventurei.
"Você teria gostado que a gente saísse?" – Maria se afastou de mim e estava guardando as roupas que tinha comprado, fingiu estar distraída – "Me diz, você teria preferido que eu dissesse sim?" – ela largou as roupas que tinha nas mãos e se virou para mim.
"Não sei..." – encolheu os ombros, como tentando tirar a importância dos próprios pensamentos – "depende, só jantar, conversar, deixar ele continuar acreditando na nossa história..." – se aproximou de mim e colocou os braços no meu pescoço
"Você gostou que ele tentasse te dar em cima, né? Você estava curtindo, eu vi" – beijei sua boca
"Foi muito... não sei como expressar, muito intenso"
"Muito excitante, não é?" – Maria baixou os olhos e concordou com a cabeça – "Ele te tratava como se não tivesse nada a ver comigo, como se você fosse uma mulher casada sendo infiel" – ela levantou os olhos e vi em seu olhar a excitação que começava a crescer nela
"E você, gostou que ele me tratasse assim?"
"Muito, fiquei a mil, meu bem, e depois, quando voltamos, Eu ia que nem uma moto, ele ficou parado vendo você se afastar" – Maria se colou em mim
"E você deixou, não disse nada? Afinal de contas, sou sua parceira" – aproximei-me do ouvido dela e a beijei antes de continuar
"Você é minha parceira, sim, mas assim como você transa comigo, Pablo vai pensar que pode transar com você" – ela se apertou contra mim ao ouvir minhas palavras
"Acha que ele vai pensar isso?" – ela estava cada vez mais excitada
"Tenho certeza, não viu como ele tentou monopolizar você no jantar?
"Não tirava os olhos de mim, estava me despindo com o olhar"
"Mas você não fez nada para impedir"
"Estava brava com você, como você teve a ideia de dizer que sou casada?" – contei como as coisas tinham sido, tinha mudado os planos por conta própria, sim, mas também era verdade que tinha tentado avisá-la.
Continuávamos abraçados em pé perto da cama, levei-a até a beirada e a deitei, Maria se deixou levar, comecei a desabotoar sua blusa
"O que sentiu quando viu que ele estava olhando seus peitos?" – Maria ergueu os olhos como se estivesse recordando
"Não percebi que tinha me recostado tanto na mesa, quando peguei ele olhando quase me sentei melhor, mas então te vi pelo canto do olho, nos observando, e quis ver se você aguentava bem"
Ela se levantou um pouco, facilitando minha manobra para tirar a blusa, aproveitei para soltar o fecho do sutiã e quando a tive nua da cintura para cima, comecei a acariciar seus mamilos com meus lábios, ouvi um pequeno gemido brotar de sua garganta e continuei passando meus lábios por seus mamilos, sem apertar, sem pressa, apenas aquela caricia que a deixa louca e que mais de uma vez a levou ao orgasmo sem necessidade de maiores intensidades; Sempre me surpreendeu a sensibilidade extrema que ela tem nos seios.
"E você gostou de se deixar olhar, não é verdade?"
"Sim, nunca... nunca tinha me acontecido" – minhas carícias estavam fazendo um efeito devastador nela, eu estava apoiado no meu cotovelo direito, inclinado sobre ela, minha mão minha mão esquerda percorria sua pele desde o ombro até o estômago, soltei o botão da sua saia e comecei a descer, Maria levantou a bunda com urgência, precisava se sentir nua, desci sua saia e ela mesma a chutou para longe com os pés, deliberadamente não quis tirar sua calcinha ainda e comecei a brincar com o pequeno laço que enfeitava a cintura enquanto minha língua começava a umedecer seus mamilos.
"Nunca tinha acontecido com você, né?" – Maria acariciava meu cabelo com a mão esquerda.
"Isso, como eu reagi quando senti que estava me olhando…"
"Os peitos?" – eu buscava excitá-la ainda mais e para isso, uma linguagem um pouco mais direta, mais vulgar até, sabia que era um bom recurso
"Sim, os peitos, estava me olhando os peitos e… porra, eu gostei!" – deslizei meus dedos para o interior de suas coxas e ela me recebeu separando-as para facilitar, senti o calor úmido que emanava através da calcinha e percorri com meu dedo médio a fenda que se marcava no tecido fino, seus mamilos estavam duros como pedras e minha língua atuava como uma palheta dedilhando aquele belo instrumento, Maria respondia como se minha língua, ao forçar o mamilo, provocasse uma cãibra nela
"Por isso você se deixou"
"Sim"
"Você se deixou ser olhada"
"Sim" – sua voz era quase um gemido
"Puta!" – seus dedos se agarraram ao meu couro cabeludo ao ouvir essa palavra
"Cuzão!" – um relâmpago de prazer me atingiu
"Te deixa com tesão que outros caras olhem seus peitos, puta"
"E você gosta que olhem, hein, cuzão?" – fiquei de joelhos sobre a cama e praticamente arranquei minha roupa enquanto ela me olhava com os olhos embriagados de prazer, quando fiquei nu vi seu olhar com vontade para meu pau, então a despi de sua calcinha e ela ficou com as pernas abertas, me convidando a pegá-la, mas eu não tinha pressa, me posicionei como antes e voltei a acariciar seus seios, desta vez olhando em seus olhos, bem perto de seu rosto
"E se eu tivesse dito que sim e saíssemos esta noite e você voltasse a Olhar assim, como esta manhã?..." – seu olhar era pura luxúria
"Eu deixaria ele fazer" – eu brincava com seus pelos pubianos que formavam uma linha vertical fina, a pele de sua virilha estava macia, cuidadosamente depilada.
"Ele vai pensar que você quer deixá-lo excitado"
"Ele vai acertar" – eu estava completamente imersa na fantasia
"Ele vai pensar que pode transar com você..." – observei enquanto ela fechava os olhos e continuei acariciando suavemente sua virilha sem me aproximar de seus lábios – "... que se você faz comigo, se é tão puta a ponto de enganar seu marido e vir comigo para Sevilha, ele tem chances de te comer, é isso que ele vai pensar, você sabe disso, né?" – sua voz, quase inaudível, ecoou no meio de um suspiro profundo
"Siii"
"Sim, o quê? Que sabe ou que quer transar com ele?" – ela começou a tremer seguindo o ritmo dos meus dedos em seu clitóris
"Você gostaria, hein?" – ela evitava me dar uma resposta direta
"Eu ficaria louco. E você, gostaria de experimentar outro pau?" – minha linguagem ficava cada vez mais vulgar, mais provocadora para conseguir que Maria se desinibisse totalmente.
"Não preciso de mais ninguém, quero você"
"Não é essa a questão, meu amor, isso eu já sei" – meus dedos afundavam em seu sexo, em sua buceta completamente encharcada – "mas me diz, você não gostaria de realizar sua fantasia, ficar com dois homens ao mesmo tempo, comigo e com o Pablo?" – Quantas vezes tínhamos brincado com aquela fantasia dela; Maria tremia de prazer, eu sabia que seu orgasmo estava prestes a chegar e queria, precisava, ouvir de sua boca o que meu pensamento colocava em sua mente, comecei a mordiscar seu pescoço enquanto meus dedos não davam trégua ao seu clitóris. E aconteceu.
"Siii, sim, sim... transando com o Pablo... e você... você... ao meu lado... na minha frente... olhando... olhando como ele me come... siiiiii" – ela não conseguiu continuar falando, todo seu corpo se convulsionou em um orgasmo violento, suas palavras tinham acabado de superar tudo que eu esperava ouvir e eu explodi batendo em seu púbis com cada arremesso do meu próprio orgasmo.
Eu Deitei sobre ela, suando copiosamente, beijando-a enquanto ela acariciava minhas costas e minhas nádegas, ambos murmurando "te quero, te amo"
Descansávamos lado a lado, sem falar; de olhos fechados, eu alterava esse momento e adicionava Pablo do outro lado de Maria, na mesma cama os três, descansando depois de terem fodido, ao meu lado, junto a mim; meu pau começou a reagir às imagens que minha mente criava
"Carlos, espero que você não diga nada ao Pablo" – sua voz me tirou dos meus devaneios
"Nada do quê?" – me levantei para olhá-la
"Disso" – sorri para ela
"Como você acha que vou contar que você e eu fodemos pensando nele, tá louca?" – ela desviou o olhar
"Acho você muito capaz de dizer algo, não exatamente assim, mas é capaz de insinuar alguma coisa. E eu não quero" – ela ficou séria de repente, beijei-a, voltei aos seus seios
"Amor, o que aconteceu esta manhã foi uma idiotice, sinto muito de verdade, você sabe que não vou fazer nada pelas suas costas"
"Por favor"
"Eu prometo" – ela envolveu meu pescoço com os braços, Maria queria mais e eu ainda estava excitado pelas imagens que continuavam vindo à minha cabeça: Maria fodendo com Pablo, Maria abraçando Pablo com braços e pernas enquanto eu observava, Maria beijando-o... rastejei pela cama até ficar de frente para seu púbis, seu cheiro de mulher no cio completou o trabalho que minha fantasia havia feito com meu sexo; beijei suavemente seus pelos e comecei a percorrer com meus lábios sua virilha, aspirando, embriagando-me com seu aroma de mulher.
"Em troca..." – disse antes de perfurar sua fenda com minha língua
"Em troca... do quê?" – disse com a voz alterada pelo efeito da minha língua
"Duas coisinhas" – Maria flexionou as pernas para me dar via livre, minhas mãos seguravam seus quadris, outras vezes as elevava até tocar a base de seus seios, enquanto minha língua bebia de sua fonte.
"O quê?" – sua voz era apenas um gemido
"Vamos fazer ele acreditar que estava certo, que esta noite estamos em orgia Você é louco" – ela me dava margem para contar mais detalhes da minha ideia
"Ele vai fazer tudo, nós não vamos dizer nada explícito, mas ele vai entender do jeito que quiser entender" – Maria ofegava
"E a segunda?" – Ótimo! Ela não tinha dito não… ainda
"Vamos deixar ele nos convidar para jantar amanhã"
"Não, isso não"
"Por quê? Tem medo que ele se jogue em cima de você e te coma no meio do restaurante?"
"Idiota!" – ela mal conseguia falar, estava chegando ao clímax de novo
"Ou tem medo de si mesma?"
"E se eu der mole pra ele, e aí?" – ela tinha entrado na fantasia irrealizável, mas eu queria mantê-la dentro de uma realidade possível
"Isso não vai acontecer, mas…" – afundei minha língua profundamente na sua buceta antes de continuar e ouvi um longo gemido brotando da sua garganta – "… e se formos dançar depois do jantar… e se ele dançar com você… e se ele colar em você… imagina se ele descer a mão mais do que devia… só um pouquinho… quase na sua bunda mas sem chegar… o que você vai fazer, hein, putinha?" – Maria se convulsionava, sua garganta soltava gemidos cada vez mais agudos e rápidos, eu não queria que acabasse ainda e reduzi o ritmo da minha carícia
"O que você quer que eu faça?" – meu coração estava acelerado pra caralho, será que era mais uma fantasia da Maria ou ela realmente estava se oferecendo para jogar um passo além
"Que você me deixe ver como ele te toca, que ele perceba que você deixa ele fazer isso, quero que você saiba como é ser uma mina fácil, quero que ele te passe a mão, na minha frente, e que você me olhe nos olhos enquanto ele faz" – Maria ouviu o final das minhas palavras entre gritos abafados pela mão que tentava tapar sua boca, eu estava pronto para me afundar nela de novo – "Quero ver a mão dele na sua bunda e seus olhos de viciada me oferecendo isso" – subi em cima dela, ela estava mole, exausta pelos dois orgasmos, parecia uma boneca sem tensão no corpo, de uma vez me enfiei nela e arranquei um novo grito, dessa vez incontrolável pelo inesperado
"E quero te contar depois o que ele disser de você, cada coisa que ele me contar sobre você eu vou te contar aqui, na cama quando voltarmos" - comecei a me mover lentamente, ainda precisava me recuperar, Maria reagiu e cruzou as pernas nas minhas costas, suas mãos percorriam meus ombros, desciam até minhas nádegas, marcando-me com as unhas
"Vou te ver abraçada a ele, na pista de dança, com certeza ele vai colar bem em você, você vai sentir ele grudado e não vai fazer nada porque será aquela mulher casada que veio para Sevilla dar uns bons gozadas comigo e meus amigos, e vai deixar ele apertar sua bunda"
"E se ele quiser mais? Como eu paro?" - aquela frase me deu a entender que Maria já dava como certo, sabia que depois, quando estivesse calma, a sanidade voltaria e ela reconsideraria, mas mesmo que tudo ficasse só na fantasia, tinha valido a pena; Continuei me movendo lentamente dentro dela e levantei suas pernas nos meus ombros para poder penetrar ainda mais fundo
"Você sabe como parar essas coisas, meu amor, além do mais, estarei por perto" - mil imagens bombardeavam minha cabeça, imagens em que via Pablo me olhando da pista, procurando uma reação ruim da minha parte, e eu retribuía com um sorriso, talvez um gesto com o polegar levantado; Mil flashes em que via a mão de Pablo avançando do quadril até a nádega, Maria com os braços no pescoço dele aguentando... e a cada volta, quando ela encarasse meus olhos, aquele olhar de luxúria tão profundo que ela tem quando está muito excitada, aquele olhar que derrete qualquer homem... Senti o orgasmo chegando e no meio de um gemido ainda consegui dizer
"Deixa ele fazer, siiim, deixa!"
Meia hora depois tomamos banho e saímos para dar uma volta por Sevilla antes do jantar; Só na hora da sobremesa que tentei tocar no assunto de novo
"Que tarde intensa, será que deixamos algo para a noite?" - Maria sorriu olhando nos meus olhos por um longo tempo
"Que loucura, né?"
"Qual, a que vamos fazer?" - o sorriso dela se abriu ainda mais e ela começou a balançar a cabeça
"Bobo!"
"Me diz que você não quer"
"Você me vê capaz de deixar alguém me pegar? Você está... Loco?" "Sim à primeira pergunta e sim à segunda" – peguei sua mão por cima da mesa – "me diga que a ideia não te excita… mas que a mentira seja convincente, hein?" – Maria riu, estava lindíssima e seus olhos irradiavam um brilho especial "Você acha que ele ia se contentar só com isso?" "Ele vai ter que se contentar com o que você quiser dar, nem mais nem menos. Você é quem manda no jogo, tem personalidade de sobra pra deixar ele exatamente onde você quiser" – estava mexendo com o orgulho dela. Ela se considera uma mulher de personalidade, autônoma, independente, feita por si mesma, é uma líder natural e tem orgulho disso. Esperava que meu reconhecimento a fizesse se sentir segura "E o que vamos contar sobre essa noite de orgia?" – ela destacou as três últimas palavras com um gesto estereotipado de escândalo "Frases ambíguas, que possam ser interpretadas de mil formas" – apontei para ela com meu dedo – "surpreenda-me amanhã" – ela sorriu de novo, estava imersa no jogo, suas dúvidas estavam desaparecendo aos poucos, pelo menos no que se referia a simular a orgia noturna
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