VII
E agora, trancado no calabouço onde espero meu triste destino, minha alma se aperta ao lembrar daqueles tristes acontecimentos e encolhe até o tamanho de uma ervilha, enquanto escrevo nestes papéis amassados o que aconteceu.
Aquela noite infeliz, longa e dolorosa para Júlia e para mim, passei acordado, sentado às vezes perto da fogueira e quase sempre lá fora, olhando as estrelas frias e distantes.
Enquanto isso, Elias despiu Júlia com a brusquidão que sempre acompanhava seus atos e a beijou babando. Ela era como uma bonequinha nas mãos gigantescas dele.
Ele a colocou na cama, de joelhos e inclinada para frente, amarrou as mãos dela na cabeceira metálica. Depois, tirou o cinto, dizendo:
— Escravas têm que ser domadas, precise ou não.
Pegou o lenço ensebado e fedorento que usava no pescoço enorme e amordaçou ela com ele, completando:
— Não queremos incomodar meu amigo, né, escrava?
E começou a açoitá-la com o cinto. Os glúteos de Júlia ficaram vermelhos, enquanto ela tentava desesperadamente me chamar.
Elias então tirou a calça enorme, parecida com a lona dos circos ambulantes que andam por aí hoje em dia, e a cuecão caiu no chão, fedorenta. Júlia viu, aterrorizada, aquele pau imenso, erguido como uma espada flamejante.
O gigante agarrou a cintura da escrava e o membro dele penetrou, implacável e doloroso, o cu daquele corpo delicioso.
Eu continuava alheio a tudo aquilo, pensando que meu amigo ia tratar ela com delicadeza e amor. Iludido que fui!
Elias virou minha Júlia, colocando-a deitada de costas, sem soltá-la, e tirou a mordaça. Ela tentou gritar, mas aquele pau grosso calou ela, entupindo a garganta dela. Por pouco aquele bruto não a sufocou, mas, ainda insatisfeito, amordaçou ela de novo, pra então se dedicar a amassar os peitos lindos dela. A baba do gigante caía no corpo da triste escrava, enchendo ela de nojo, enquanto o O pau monstruoso entrava, destruía e machucava a buceta sensível da minha amada. Finalmente, o êxtase dourado chegou pro homem, que se jogou em cima dela, quase impedindo ela de respirar. Exausto, ele dormiu assim, enquanto Julia chorava e desejava que eu a livrasse daquele tormento. Não foi desse jeito, porque um tempo depois, Elias acordou e, cheio de força renovada, continuou o ataque contra a beleza submissa, repetindo isso inúmeras vezes naquela noite triste. Já de manhã, com o sol bem alto no horizonte, a porta do quarto se abriu, e saiu de lá um Elias exultante e feliz. Entrei como um raio no quarto, encontrando Julia chorando, amarrada de pés e mãos e amordaçada. O corpo dela tava cheio de hematomas e marcas de chicotadas e porradas. Eu a soltei e, furioso, gritei pro meu já ex-amigo: — Maldito seja, Elias! Você é um animal. — Lobo. Não seja idiota. É só uma escrava! Durante uns dois dias, Elias continuou hospedado na minha casa, apesar de Julia e de mim mesmo. Não quis expulsar ele da nossa casa por causa da lei da hospitalidade. Ele, insolente, pediu pra usar a Julia de novo, e eu recusei de vez. Ele aceitou numa situação tensa, com um sorriso cínico. No último dia que ele ficou na nossa casa, me pediu pra acompanhá-lo até um lugar entre as ruínas, onde ele dizia ter encontrado algo interessante pra mim. Queria, segundo ele, reparar de algum jeito o que tinha feito com a Julia. Fui com ele, confiante de que Elias tinha superado a ideia de possuir ela de novo. No caminho, ele me perguntou: — Me diz, Lobo, quanto você pede por essa escrava? — Pela Julia? Esquece essa ideia. — Eu sei que ela é uma garota especial, mas é só uma escrava! Qual é! Com certeza tem um preço. — Nem sonha. Espero envelhecer com ela. Casaria com ela se fosse livre. Você não sabe como eu amo ela. — Parece mesmo. É, infelizmente. Bom, vamos em frente. Finalmente chegamos a uma ruína sinistra, onde entramos. Nos aproximamos da borda de um abismo no centro da construção destruída. edifício e me perguntou de novo.
— Tem certeza que não me vende ela?
— Puta merda, Elias! Para com isso.
— Tá bom. Só queria tentar de novo. Olha então a máquina lá no fundo.
Espiei o abismo, sem enxergar nada.
— Onde, Elias? — perguntei me virando.
Foi quando vi aquele facão enorme na mão dele.
— Desculpa, Lobo. Não é nada pessoal, mas sua escrava me deixou louco.
Ele agarrou minha nuca com uma das mãos enormes, me puxou pra perto do corpanzil dele e cravou a faca na minha barriga.
Eu, ainda incrédulo, fiquei olhando nos olhos ferozes dele.
— Adeus, Lobo — disse Elias sorrindo.
E me dando um empurrão, me jogou no fundo do abismo profundo.
VIII
É engraçado como o tempo passa devagar em situações assim. Como se fosse em câmera lenta, eu caía no abismo, vendo o corpanzil enorme do Elias ficando cada vez menor. Senti então uma pancada num dos meus lados, ao bater nos restos de uma viga que estava saliente, e lembro como tentei, desesperadamente, me agarrar nela, sem conseguir. Continuei caindo devagar e de repente, cheguei ao fundo do abismo. Alguém, não sei por que motivo nem por que razão, tinha amontoado uns colchões velhos ali e, graças a isso, salvei a vida. O Elias não me via na escuridão do abismo e me deu por morto.
Aí toquei no ferimento na minha barriga e enfiei os dedos nele, tirando eles cheios de sangue. Me senti cada vez mais fraco e tudo ficou escuro. Senti o medo na minha alma e uma tristeza profunda pela Julia foi a última coisa que lembro.
Depois, passou não sei quanto tempo, até que ouvi uma voz conhecida.
— Lobo, Lobo! Me deixa foder sua escrava?
Acordei de vez e abri os olhos. Os raios de sol entravam no abismo e vi iluminada a cabeça careca e ossuda do Pancho, lá em cima. Tirei forças de não sei onde e gritei.
— Sim, Pancho! Pode comer ela, se chamar o Ferrer!
Aquela cabeça velha sorriu doidamente e partiu na hora.
O Pancho nos vi os dois entrando juntos nas ruínas e, ao ver Elias sair sozinho, se surpreendeu. Ficou rondando por lá e me encontrou horas depois. Depois que eu pedi, ele voltou com Ferrer, com Noa e com o marido dela. O médico desceu com uma corda e fez um primeiro curativo em mim. Conseguiram me tirar de lá entre os quatro e me levaram pra casa do Ferrer. Eu queria partir na hora, mas ele não deixou.
— Lobo, você não morreu por milagre! Tem três costelas quebradas e hematomas pelo corpo todo, além do ferimento na barriga. Se for atrás do Elias, não dura nem uma hora. E mais, que chance você tem assim contra ele? — ele me disse.
Fiquei uma semana na casa dele, me recuperando. Assim que me senti forte, saí de lá na mesma hora. Petrus, o prefeito, me aconselhou:
— Lobo. Se for matar alguém, que seja na zona proibida e ninguém fique sabendo. Pode arrumar problema!
— O problema quem vai ter é o Elias, receio — garanti.
Uns vizinhos tinham visto ele levar a Julia amarrada, montada no meu cavalo. Ele também pegou o dinheiro que encontrou e algumas das minhas armas. Peguei parte do dinheiro que a Julia tinha escondido, comprei outro cavalo e peguei um velho fuzil de assalto que eu tinha, além de uma pistola Astra de nove milímetros. Essas armas eu encontrei junto com os cadáveres de uns militares na zona proibida. Revistei elas às pressas e parti na hora. Tinha um objetivo claro: a casa do Elias bem na beira da fronteira da zona proibida.
Dois dias depois, na escuridão da noite, depois de amarrar o cavalo numa árvore longe daquela casa, entrei nela feito um vendaval.
Não tinha ninguém, embora a cinza ainda estivesse quente. Pensei que talvez ele tivesse me visto chegar ou que tivesse me pressentido. Depois soube que o Matias, o foda-se, tinha avisado ele, e ele saiu de lá fugindo, levando minha mulher. Isso aumentou minha raiva.
Segui o rastro dele, com medo de que, se sentindo encurralado, fizesse alguma coisa com a Julia. Isso fez com que eu agisse mais silencioso, mais cauteloso, mas sem parar a perseguição. Mas acontecia que eu sempre chegava onde eles tinham acampado, quando já tinham partido. Por pouco tempo, mas tarde. A busca começou a se alongar, afetando minha cabeça. Minha aparência mudou daquele homem civilizado que Julia tinha me transformado e voltei a ser aquele bárbaro selvagem que era antes de conhecê-la. Meu olhar esfriou, deixando de ser o de uma pessoa, se tornando o de uma fera selvagem, cheia de raiva e ódio.
Os meses passavam e eu não os encontrava. Estavam perto, eu sabia, mas nunca conseguia alcançá-los. Então mudei de estratégia, não os segui mais. Esperei, como uma aranha em sua teia, que eles voltassem a passar perto de mim. Fui paciente como um corno num lugar por onde tinha certeza que apareceriam alguma hora. Só era questão de tempo.
E esse tempo chegou.
Por fim, numa tarde fria, avistei com os binóculos do alto de uma montanha dois cavalos com duas pessoas montando neles. Uma delas era enorme. Conforme se aproximavam de uma fonte no fundo do vale, confirmei que eram eles.
No meio da noite, desci da montanha e me aproximei silenciosamente, como uma cobra. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver Julia, preparando o jantar para aquela besta. Me contive. Sabia que a paciência sempre me ajudou bem e decidi esperar que eles dormissem. Depois de Elias comer o que ela preparou, ele deu as sobras pra ela, como se fosse uma puta. Enquanto ela comia mal, ele, rindo, pegou um galho de uma das árvores perto da fonte e arrancou todas as folhas. Não deu muito tempo pra Julia descansar, levantou do chão e a sacudiu como se fosse uma boneca. Arrastou ela até uma árvore e amarrou as mãos da minha escrava num dos galhos. Baixou o vestido dela até a cintura, no meio de uma gargalhada estrondosa, e pegou a vara que tinha feito, açoitando ela com ela selvagemente. Depois ficou na frente dela e começou a apalpar os peitos dela grosseiramente, tentando beijá-la. Julia ele afastava o rosto, mas no fim, Elias conseguiu. Depois, desamarrou ela e, sentado perto de um tronco, baixou as calças e obrigou ela a se ajoelhar entre as pernas enormes dele, forçando ela a usar a boca naquela porra monstruosa. Vi quando ele gozou e o ódio cresceu ainda mais em mim. Por fim, amarrou as mãos e os pés dela, deixando ela deitada não muito longe dele. Elias demorou pra pegar no sono. Talvez ele sentisse que eu tava por perto, por isso deixou as armas do lado. Mas no fim, ele dormiu. Me aproximei devagar, largando meu fuzil no chão e sacando a pistola. Apontei pra testa dele, engatilhei e dei um leve chute na costela. Ele acordou e os olhos dele, ao me ver de pé ali, apontando a arma, se arregalaram de terror. —Tchau, Elias, —falei e apertei o gatilho. Clique! Não saiu tiro. Talvez o cão falhou ou a espoleta da bala tava zoada, mas o fato é que a arma não funcionou. —É isso que dá usar essas merdas velhas, —disse Elias rindo. —Nunca sabe quando vão te deixar na mão! Julia acordou com a voz de Elias e começou a gritar. —Lobo, cuidado! Ele, de repente, me acertou com um dos braços enormes e fortes, me derrubando e se levantando na mesma hora. Sacou uma pistola que reconheci como a que ele tinha me roubado do cinto e apontou pra mim. Eu, com um chute na mão dele, fiz a arma cair. Procurei meu fuzil com o olhar, mas tava longe do meu alcance, e empunhei minha faca. —Não, Lobo, ele vai te matar! —Julia continuava gritando, desesperada. Eu ria, louco. A raiva e o ódio não deixavam eu pensar direito e, obcecado pela ideia de recuperar ela, só queria matar aquela besta. Elias também sacou a adaga dele, a mesma que cravou em mim na caverna, e partiu pra cima. Desviei, mais ágil, e feri ele no braço. Então ele pegou um dos troncos acesos na fogueira, tentando me acertar. Desviei do primeiro golpe, mas não do segundo, que me acertou na cabeça. Ele soltou então o tronco, pra agarrar meu pescoço com as duas mãos enormes dele, me estrangulando.
Vi a Julia se debatendo e se arrastando, mas me concentrei de novo no meu inimigo. O ar já tava faltando perigosamente. Ele ria que nem um louco, falando:
—Tchau, Lobo! Dessa vez vou fazer melhor.
Pensei numa parada que já tinha funcionado comigo outras vezes nessa situação, contra bandidos e vários inimigos, e me joguei pra trás, pra virar ele e fazer ele cair. Mas eu não tava forte o suficiente, com três costelas quebradas mal curadas, e ele pesava demais pra mim. Meus braços fraquejaram e o corpo enorme dele caiu em cima de mim. Elias apertou ainda mais meu pescoço, já certo da vitória.
Soube que era meu fim e dirigi meu último olhar pra minha pobre Julia.
Aí vi que ela tinha o cano do meu fuzil apoiado nos pés amarrados dela e, com as mãos também amarradas, procurava o gatilho. Tava apontando a arma com dificuldade. Ouvi o estouro dos tiros e o monstro, surpreso, virou a cara feia dele pra olhar pra minha amada e falar:
—Maldita escrava!
E morreu. Os tiros tinham acertado ele e a massa enorme do corpo dele, sem vida, caiu em cima de mim. Custou uma barbaridade sair debaixo daquilo e, quando consegui, peguei a faca, cortei as cordas que amarravam minha escrava e falei, sem fôlego:
—Pelo amor, Julia! Quase me mata!
—Lobo! Seu estúpido e louco Lobo! — ela falava, chorando de alegria.
Nós nos beijamos e abraçamos, até que, exaustos, dormimos juntos, perto daquele cadáver enorme.
No dia seguinte, quando finalmente voltamos pras ruínas da cidade, Julia me contou que Elias pretendia vender ela pra alguém, mas que não sabia quem. Só tinha certeza que era um vizinho da cidade em ruínas. Ela, alegre, comentava que finalmente ia ficar do meu lado, sem outras mãos tocarem nela. Aí eu falei:
—Desculpa, Julia. Tenho que te ceder de novo.
—Lobo, não! De novo?
—Sim. Alguém salvou minha vida outra vez.
—Eu mesma fiz isso ontem à noite! E é assim que me agradece?
—Sim. Sei que não te Gosto do que você faz. Eu também odeio fazer isso, mas não pude recusar agora também!
—Maldito seja, Lobo. Se o dono de um bordel tivesse me comprado, teria passado por menos mãos.
—Desculpa. Te juro que é a última vez. Se algum homem colocar um dedo em você de novo, eu mato ele.
—E quem é o sortudo agora? —perguntou Julia com um cinismo triste.
—Pancho.
—Pancho? Aquele bicho?
—Sim.
—E a mulher dele? Os filhos?
—Ele é doido. É mentira. Nunca teve mulher.
—Maldito Lobo! Agora com um louco!
Ao chegar em casa, vimos que ela tinha sido saqueada. Por sorte, o dinheiro continuava escondido, mas tinha muito trabalho pra fazer. O pior foi que tive que oferecer a Julia.
Ela se lavou e se preparou pra entrega e, chorando, desceu as escadas gemendo.
—Olha, Lobo! Já não tenho nem meu colar de escrava. Aquele monstro jogou ele no fundo de um barranco depois de arrancar de mim.
—Parece que ele gostava de jogar coisas em lugares fundos —completei.
Pancho chegou mais tarde, nervoso e esfregando as mãos. Ele estava pronto pra cobrar a dívida.
—Já tá pronta, Lobo? Já tá?
—Sim, pega ela. Trata bem.
Ele pegou Julia pela mão e, correndo, quase arrastando ela, levou pra sua casa miserável. Ao entrar, se despiu em menos de dez segundos.
—Tira a roupa, escrava! —gritou. Finalmente tinha conseguido.
Julia, enojada, levantou o vestido e tirou pela cabeça.
—Aggggg! —gritou Pancho de novo.
Julia, surpresa, olhou pra parte de baixo do corpo dele e perguntou:
—O que foi?
—Deus! —gritou Pancho de novo—, você tá doente!
—Quem? Eu?
—Sim. Olha. Não tem pelo na buceta.
Eu gostava que Julia raspasse a ppk e naquela tarde ela tinha feito isso. É costume que os escravos tenham os genitais sem pelo, e parece que Pancho não conhecia isso. Ela então soube tirar vantagem disso.
—Olha, Pancho —disse ela mostrando as axilas depiladas.
—Céus! —exclamou ele horrorizado.
—Além disso —continuou Julia mentindo—, minha dentadura É postiça. Quer que eu tire também esta e a peruca?
– Careca? Santo Deus! Sai daqui, monstro do inferno!
Júlia saiu correndo da casa do Pancho, nua, se vestindo na rua.
Eu, triste, esperava por ela na porta da nossa casa. Ao vê-la voltar tão cedo, perguntei surpreso o que tinha acontecido.
– Nada. Acontece que você tem razão. Ele é doido varrido. Nem me tocou!
– O quê? – perguntei de novo, contente. – Você não agradou ele?
– Não. Ele acha que estou doente.
Então eu a abracei, beijei e, pegando-a pela cintura, levantei-a girando como um louco. Subimos correndo pro quarto e ela se despiu e se deitou na cama. Eu tirei então da cômoda um estojo e o abri.
– É pra você, Júlia. É seu.
Era um anel de ouro, com um pingente onde estava gravado que ela era minha escrava.
– Lobo. Escravas não podem ter nada – disse ela, chorando de alegria.
– Legalmente é uma coleira de escrava. Pra mim não é. É uma joia, sua.
Júlia se ajoelhou na cama e eu coloquei a coleira no pescoço dela. Então ela puxou meu pau pra fora da braguilha, dizendo:
– Agora vou ser a melhor escrava. Você nunca vai ter do que reclamar de mim – e meteu meu pinto na boca dela. Eu, acariciando os lindos cabelos dela, respondi:
– Não, Júlia. Eu quero que você continue sendo como é.
E em poucos minutos eu gozei. Então me dediquei a lamber a buceta dela e dar todo o prazer que eu sabia, até sentirmos fome e descermos pra jantar, já tarde da noite.
Mais tarde, os dois sentados juntos perto da lareira, ela me perguntou, brincando:
– Ainda pensa em me vender?
– Nunca mais! – respondi.
Ela se encostou em mim, sorrindo. Eu continuei.
– Mais ainda, quero subir de novo pra fazer amor e meter tanto em você até te deixar grávida.
Júlia riu, me respondendo:
– Lobo, você é um selvagem. Sempre com loucuras.
– Não é loucura. Todo esse tempo, pensei muito em você e no que podia te acontecer, se algo me acontecesse.
– O que quer dizer? Você me assusta. — Se eu morrer, vão te leiloar, igualzinho a Noa e o resto das propriedades.
— Não tô te entendendo.
— Amanhã vou pedir informação pro Ferrer. Eu sei que tem dias em que as mulheres são mais férteis.
— Lobo! O que você tá querendo?
— E também sei que o sêmen tá cada vez pior. Nós dois vamos ter que tomar o que o Ferrer preparar.
— Pra quê?
— Pra ter um filho, que vai ser meu herdeiro e assim nunca vão poder te leiloar.
Botamos o plano em prática e, um ano depois, nasceu nosso filho.
Parecia que a felicidade tava ao alcance, quando, uma tarde, uns cavaleiros atrapalharam tudo.
— Oi, escrava. É aqui que mora o Lobo das Ruínas? — perguntaram a Júlia três guardas armados, encontrando ela na porta da nossa casa.
— Não, senhores. Não tá — respondeu ela, mentindo.
Mas eu tava saindo da oficina naquele momento. Eles me viram e perguntaram pra mim.
— O senhor é o Lobo?
— Sim. Sou eu.
Então os guardas sacaram as armas, apontando pra mim. Dois deles desceram dos cavalos e algemaram minhas mãos nas costas. O terceiro me informou:
— Lobo das Ruínas, você é acusado da morte de Elias, o Touro, e recebemos ordens de te levar até Flores pra ser julgado.
Gritei pra Júlia avisar o Petrus, enquanto me obrigavam a montar num cavalo e vi ela se afastando chorando com nosso filho nos braços.
Me levaram diante do juiz Frías. Ele me disse que Matias, o vai se foder, tinha me denunciado, falando que eu matei o Elias pelo cavalo dele. Expliquei sobre o sequestro da minha escrava, mas não acreditaram em mim. Matias fez isso pra tomar minha casa, a Noa e a Júlia, mas não sabia do nosso filho. A existência dele impedia todas as pretensões do filho da puta.
Petrus foi meu advogado. E ele fez tão bem o trabalho que, em dois dias, fui condenado à morte.
Me ofereceram trocar a pena por escravidão, mas eu tenho orgulho demais pra isso e, diante do desespero da Júlia e dos amigos, escolhi a forca.
Agora, depois de ouvir nos últimos dias uns escravos montando... O cadafalso onde serei enforcado amanhã, apresso meus minutos escrevendo minha história, restando apenas dizer que só desejo que Julia guarde uma boa lembrança de mim e que saiba fazer do meu filho o homem bom que eu nunca fui.
Assinado
Lobo das Ruínas
Anexo
Este texto foi encontrado vários anos depois. Levantou-se uma forte polêmica sobre sua autoria. Descartou-se de imediato que fosse Lobo das Ruínas quem escreveu este fragmento e durante algum tempo pensou-se que talvez tivesse sido algum de seus filhos. Atualmente é aceito por todos que a autora foi a escrava Julia.
Nota do copista.
Lobo sempre pensou que o dia de sua morte seria triste e cinzento, bem nublado, quase certeza de chuva, mas se surpreendeu muito quando o tiraram do calabouço a caminho da forca e viu aquela manhã tão ensolarada e luminosa. Ouviu inúmeras vozes quando saiu na rua e achou normal, pois sabia da mania do povo de ir ver execuções, mas quando seus olhos se acostumaram à luz do sol, depois de tanto tempo no calabouço, se espantou de que fossem muitos os que queriam vê-lo morrer.
— Ei, Lobo! É verdade que você chegou na cidade da morte no centro da zona proibida? — perguntou exaltado um moleque.
— Você matou três piratas quando queriam roubar sua escrava? — indagou uma mulher.
Lobo não respondia a essas perguntas, só olhava pra frente.
— Você ficou famoso, Lobo! Alguém tá por aí cantando suas façanhas — disse rindo um dos dois guardas que o levavam algemado pra forca.
Chegou até a escada do cadafalso e subiu por ela sem parar. Esperavam-no o juiz que o condenara e o carrasco. Lobo tinha pedido à sua escrava Julia que não fosse à execução, mas quando viu o rosto dela chorando, sorriu e se alegrou, pois isso o ajudou a encontrar algo agradável.
— Tem algo a dizer, Lobo? — perguntou o juiz.
— Não. Vamos acabar logo com isso — respondeu ele.
O condenado olhou finalmente para o lindo rosto de sua A mulher e o carrasco colocaram um capuz nela. Sentiu então a corda apertando seu pescoço e esperou, estoico, o som do mecanismo que a faria cair pendurada na forca.
Aquele sol sufocante a fazia suar, com aquele capuz infernal.
— Por que não fazem logo isso? — pensou Lobo.
Então ouviu uma voz se aproximando, gritando.
— Alto! Parem! Suspendei a execução!
O som de passos subindo as escadas chegou aos seus ouvidos.
— O que houve, secretário Peláez?
— Juiz Frías, olhe. Um dos guardas encontrou isso entre os pertences desse homem.
— Certo, secretário, vejamos o que é, embora, sinceramente, não acredito que seja tão importante a ponto de parar a execução.
— Talvez seja, sim, senhor. Olhe.
Os minutos passavam lentos para Lobo, angustiantes, com aquele capuz sufocante e a corda no pescoço.
— Não sei, hummm, talvez... — murmurou o juiz.
— Porra! — pensou Lobo. — Não gosto dessa espera besta. Se vão fazer, que façam logo.
— O que está escrito aí, juiz? — gritou alguém da plateia.
— É, o que está escrito? — acrescentou uma voz feminina.
— Tá bem — respondeu o juiz. — É uma espécie de relato do que ele viveu nos últimos anos.
— E daí? — gritou outra voz.
— Bem, parece, pelo que está aqui — continuou o juiz — que ele não matou Elías.
— Ele já disse isso no julgamento! Deve ser tudo mentira — ouviu-se ao longe.
— Sim, mas quem iria mentir num escrito desses, já estando condenado? — comentou alguém.
— Talvez seja um truque! — disse o juiz.
— Não, acho que não! — sugeriu uma senhora.
— E não tem mais nada? — perguntou um velho.
— Bem, tem. Tem muito mais — respondeu o juiz. — Entre outras coisas, diz que foi a escrava dele quem matou Elías.
Um murmúrio geral se espalhou pela praça.
— Então enforquem ela! — gritou um rapaz, ávido por espetáculo.
— Escutem. Se é verdade que Elías roubou a escrava dele e que não foi ele quem o matou, isso muda tudo — acrescentou o secretário. — Explica isso, juiz! — berrou um bêbado.
O juiz se aproximou do secretário e discutiram por alguns segundos. Chegaram a um acordo, e ele apontou o dedo para a escrava Júlia, perguntando:
— Você é propriedade do Lobo?
— Sim, senhor — respondeu ela.
— E é verdade o que seu dono escreveu aqui?
— Sim, senhor.
A multidão soltou outro murmúrio.
— Não! Fui eu! — gritou Lobo, com o capuz abafando a voz.
— Cale a boca, Lobo. Você já falou no julgamento — disse o secretário —, além disso, naquela hora você contou tudo ao contrário do que está aqui.
O juiz coçou a cabeça, hesitante, e depois se ergueu sério e solene, dizendo:
— A execução está suspensa. Declara-se inocente o cidadão Lobo.
Parte do público aplaudiu, com alguns gritos de alegria, enquanto outros reclamavam por não poder ver uma execução. O carrasco tirou a corda do pescoço de Lobo, esquecendo de tirar o capuz, enquanto ele começava a gritar de novo:
— Não, não! Fui eu!
Os guardas prenderam a escrava, levando-a para os calabouços, e o juiz falou de novo:
— Agora, o secretário e eu vamos discutir o castigo que será aplicado à culpada.
Eles se retiraram, e o público, barulhento, começou a deixar a praça.
— Ei, malditos! Deixem minha escrava em paz, porcos, e tirem esse capuz de mim. Vocês querem me matar sufocado com esse calor? — continuou Lobo gritando, até que alguém destampou sua cabeça e soltou suas mãos.
Não deixaram Lobo ver a prisioneira, e ele ficou destruído, pois achava que o futuro de Júlia estava decidido, mas Petrus, péssimo advogado e pior prefeito da cidade em ruínas, o tranquilizou, dizendo:
— Não se preocupa. Isso tá resolvido.
— Cê acha? Tá maluco.
— Não, Lobo. Confia em mim.
Ele olhou incrédulo, tentando pensar em como tirar Júlia dos calabouços.
Mas um par de horas depois, uns guardas avisaram que ele tinha que ir ao salão de audiências, onde o castigo da escrava seria anunciado. Ele foi rápido. cheio de nervosismo e maus presságios, acompanhado por Petrus.
— Bem, senhor Lobo — começou o juiz —. Considerando que o cidadão Elias tentou matá-lo, roubando depois a escrava, um cavalo, armas e dinheiro, já tomamos a decisão.
Lobo tremia, vendo Júlia sentada e algemada na cadeira dos réus. Ela olhava para ele, assustada.
— A autora do crime é uma escrava. Pela sua condição servil, não tem identidade jurídica e, portanto, não se podem aplicar a ela os mesmos castigos que a uma pessoa livre. Além disso, esta mulher já foi condenada à escravidão perpétua por um crime semelhante, o que é algo que devemos levar em conta.
O juiz pegou um copo d'água e começou a beber, esvaziando-o com uma lentidão angustiante. Depois, após olhar para um nervoso Lobo, continuou.
— O secretário e eu chegamos à conclusão de que, se condenarmos a escrava à morte, infligimos danos econômicos significativos ao cidadão Lobo, que, no fim das contas, não tem por que sair prejudicado com isso. Considerou-se a possibilidade de entregar-lhe outra escrava, de qualidades semelhantes, após executar a autora do crime, mas nos pareceu caro demais para os fracos cofres do Estado.
Enquanto Petrus sorria satisfeito, Lobo não entendia nada.
— Portanto, decidimos punir a escrava pela morte do cidadão Elias...
Lobo ouviu com o coração na mão.
— ...com duzentas chibatadas, que o carrasco aplicará amanhã mesmo. Não podemos desperdiçar o cadafalso. Com o dinheiro que nos custou!
Júlia sorriu timidamente ao ouvir isso, olhando para Lobo, e os guardas a levaram imediatamente, sem deixar que ele se aproximasse dela, nem permitiram que ele a visitasse depois no calabouço.
No dia seguinte, a multidão se reuniu de novo na praça. Não era uma execução, mas uma boa rodada de chibatadas era um espetáculo mais que aceitável. Para Lobo, os guardas lhe deram um lugar na primeira fila, por ser o dono da condenada.
Depois de se fazer esperar, saiu Finalmente, o juiz, seguido pelo escrivão e por Júlia, algemada e escoltada por dois guardas. Subiram ao cadafalso, onde o carrasco os esperava, impaciente. Depois que o juiz leu a sentença, ele arrancou o vestido da escrava, rasgando-o de forma meio teatral. A corda da qual Lobo deveria ter pendurado foi usada para amarrar as mãos da condenada e, já satisfeito, o carrasco empunhou um chicote de couro duro de boi. Após olhar para a plateia ansiosa, começou a açoitar as belas costas da mulher. Depois passou para a região lombar, arrancando gritos tristes de dor de Júlia. Lobo sentiu cada chicotada como se fosse ele mesmo quem estivesse recebendo. O carrasco focou então nas nádegas rosadas da escrava, para depois percorrer o resto da parte traseira, dos tornozelos ao pescoço, deixando-a marcada por terríveis vergões vermelhos. O carrasco, exausto, parou por alguns minutos, após a primeira leva de cem chicotadas, que estavam sendo elegantemente contadas pelo escrivão.
Depois, bruscamente, virou a escrava de frente, aplicando as chicotadas restantes na parte frontal do corpo dela, se deliciando especialmente nos peitos de Júlia, algo que foi muito celebrado pela plateia.
Quando finalmente o escrivão contou os duzentos açoites, Lobo subiu ao cadafalso e disse ao juiz:
— Já chega. Me devolve minha escrava de uma vez.
O juiz concordou com a cabeça e o carrasco soltou Júlia. Lobo cobriu a nudez dela com um cobertor, algo que a plateia reprovou ruidosamente, e a levou, terrivelmente dolorida, para um quarto que ele havia alugado.
Enquanto um médico tratava os vergões da escrava Júlia, Lobo, quase chorando, segurava as mãos dela, dizendo:
— Me desculpa muito, Júlia. Eu tive culpa de tudo isso.
— Não, senhor. Não se preocupe — respondeu ela com lágrimas nos olhos. — Eu não teria aguentado ver você enforcado. Agora acabou tudo.
A escrava não conseguiu dormir naquela noite, por causa da dor terrível dos açoites, e se virava de mil maneiras. maneiras na cama, enquanto Lobo dormia mal numa cadeira desconfortável.
Vários dias depois, quando Julia já estava recuperada, saíram de Flores em direção às ruínas da cidade. No primeiro dia, saíram da estrada para se aproximar de um lugar lindo que Lobo conhecia, onde um rio formava umas poças e puderam se banhar depois de comer algo.
Nus, entraram na água refrescante e se abraçaram e beijaram, brincando como adolescentes. Ao sair, deitaram-se ainda sem roupa num cobertor sobre a grama. Lobo se deitou de lado, apoiado num cotovelo. A escrava Julia, sorrindo, ficou de quatro e, depois de jogar o cabelo lindo para um lado do pescoço fininho, pegou o pau de Lobo e colocou na boca.
— Não, Julia — disse Lobo.
— Por que, amo? Eu gosto de te dar prazer. Adoro ver como você curte comigo e me sinto orgulhosa disso.
Lobo se ajoelhou e colocou Julia na mesma posição. Viu, triste, as marcas evidentes dos chicotes e, sorrindo depois, tirou o colar de escrava dela.
— O que você tá fazendo, Lobo?
— Eu sou um filho da puta, Julia. Sempre fiquei feliz de você ser uma escrava, porque senão, nunca teria te conhecido, e isso é uma merda.
Julia, meio envergonhada, respondeu:
— Não, amo. Você é um homem bom, e eu também fico muito feliz de ter te conhecido, mesmo você sendo meu amo e eu sua escrava.
— Pra mim, você é uma mulher livre, e vou te tratar assim pelo resto da minha vida.
— Não, amo, eu...
Lobo a beijou, calando ela, e continuou:
— Por isso tirei o colar, pra você se sentir livre, mesmo que só por um tempo, e depois tenha que usar de novo porque a lei obriga.
Beijou ela de novo e acariciou os peitos lindos. Com cuidado, pra não machucar os ferimentos, deitou ela no cobertor de barriga pra cima e, com suavidade, abriu as pernas dela. Sorrindo, Lobo ficou de quatro e aproximou o rosto da buceta da escrava. Ela acariciou os cabelos cacheados dele e fechou os olhos ao sentir a língua dele. língua penetrando entre os lábios da buceta dela. Lobo queria dar prazer a ela e logo sentiu sua escrava gemendo e se mexendo, vibrando de gozo, até sentir os fluidos vaginais de Julia no rosto dele. Então ele se deitou sobre sua amada, com extremo cuidado para não machucá-la e a abraçou. Penetrou ela com o pau e depois de um tempo a inundou de porra, enquanto as pernas da mulher se cruzavam sobre os rins dele.
Pouco depois, Lobo dormiu, apoiando a cabeça na barriga de Julia, que olhava ele descansando, satisfeita. Sabia que estava apaixonada por aquele homem. Então tocou o pescoço, se sentindo estranha. Lembrou que ele tinha tirado o colar de escrava dela. Pegou ele e o colocou no pescoço, satisfeita.
Pensou, feliz, que talvez seu amo quisesse possuí-la de novo quando acordasse, e isso a excitou.
Então o acordou. Não conseguia esperar tanto.
Fim
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E agora, trancado no calabouço onde espero meu triste destino, minha alma se aperta ao lembrar daqueles tristes acontecimentos e encolhe até o tamanho de uma ervilha, enquanto escrevo nestes papéis amassados o que aconteceu.
Aquela noite infeliz, longa e dolorosa para Júlia e para mim, passei acordado, sentado às vezes perto da fogueira e quase sempre lá fora, olhando as estrelas frias e distantes.
Enquanto isso, Elias despiu Júlia com a brusquidão que sempre acompanhava seus atos e a beijou babando. Ela era como uma bonequinha nas mãos gigantescas dele.
Ele a colocou na cama, de joelhos e inclinada para frente, amarrou as mãos dela na cabeceira metálica. Depois, tirou o cinto, dizendo:
— Escravas têm que ser domadas, precise ou não.
Pegou o lenço ensebado e fedorento que usava no pescoço enorme e amordaçou ela com ele, completando:
— Não queremos incomodar meu amigo, né, escrava?
E começou a açoitá-la com o cinto. Os glúteos de Júlia ficaram vermelhos, enquanto ela tentava desesperadamente me chamar.
Elias então tirou a calça enorme, parecida com a lona dos circos ambulantes que andam por aí hoje em dia, e a cuecão caiu no chão, fedorenta. Júlia viu, aterrorizada, aquele pau imenso, erguido como uma espada flamejante.
O gigante agarrou a cintura da escrava e o membro dele penetrou, implacável e doloroso, o cu daquele corpo delicioso.
Eu continuava alheio a tudo aquilo, pensando que meu amigo ia tratar ela com delicadeza e amor. Iludido que fui!
Elias virou minha Júlia, colocando-a deitada de costas, sem soltá-la, e tirou a mordaça. Ela tentou gritar, mas aquele pau grosso calou ela, entupindo a garganta dela. Por pouco aquele bruto não a sufocou, mas, ainda insatisfeito, amordaçou ela de novo, pra então se dedicar a amassar os peitos lindos dela. A baba do gigante caía no corpo da triste escrava, enchendo ela de nojo, enquanto o O pau monstruoso entrava, destruía e machucava a buceta sensível da minha amada. Finalmente, o êxtase dourado chegou pro homem, que se jogou em cima dela, quase impedindo ela de respirar. Exausto, ele dormiu assim, enquanto Julia chorava e desejava que eu a livrasse daquele tormento. Não foi desse jeito, porque um tempo depois, Elias acordou e, cheio de força renovada, continuou o ataque contra a beleza submissa, repetindo isso inúmeras vezes naquela noite triste. Já de manhã, com o sol bem alto no horizonte, a porta do quarto se abriu, e saiu de lá um Elias exultante e feliz. Entrei como um raio no quarto, encontrando Julia chorando, amarrada de pés e mãos e amordaçada. O corpo dela tava cheio de hematomas e marcas de chicotadas e porradas. Eu a soltei e, furioso, gritei pro meu já ex-amigo: — Maldito seja, Elias! Você é um animal. — Lobo. Não seja idiota. É só uma escrava! Durante uns dois dias, Elias continuou hospedado na minha casa, apesar de Julia e de mim mesmo. Não quis expulsar ele da nossa casa por causa da lei da hospitalidade. Ele, insolente, pediu pra usar a Julia de novo, e eu recusei de vez. Ele aceitou numa situação tensa, com um sorriso cínico. No último dia que ele ficou na nossa casa, me pediu pra acompanhá-lo até um lugar entre as ruínas, onde ele dizia ter encontrado algo interessante pra mim. Queria, segundo ele, reparar de algum jeito o que tinha feito com a Julia. Fui com ele, confiante de que Elias tinha superado a ideia de possuir ela de novo. No caminho, ele me perguntou: — Me diz, Lobo, quanto você pede por essa escrava? — Pela Julia? Esquece essa ideia. — Eu sei que ela é uma garota especial, mas é só uma escrava! Qual é! Com certeza tem um preço. — Nem sonha. Espero envelhecer com ela. Casaria com ela se fosse livre. Você não sabe como eu amo ela. — Parece mesmo. É, infelizmente. Bom, vamos em frente. Finalmente chegamos a uma ruína sinistra, onde entramos. Nos aproximamos da borda de um abismo no centro da construção destruída. edifício e me perguntou de novo.
— Tem certeza que não me vende ela?
— Puta merda, Elias! Para com isso.
— Tá bom. Só queria tentar de novo. Olha então a máquina lá no fundo.
Espiei o abismo, sem enxergar nada.
— Onde, Elias? — perguntei me virando.
Foi quando vi aquele facão enorme na mão dele.
— Desculpa, Lobo. Não é nada pessoal, mas sua escrava me deixou louco.
Ele agarrou minha nuca com uma das mãos enormes, me puxou pra perto do corpanzil dele e cravou a faca na minha barriga.
Eu, ainda incrédulo, fiquei olhando nos olhos ferozes dele.
— Adeus, Lobo — disse Elias sorrindo.
E me dando um empurrão, me jogou no fundo do abismo profundo.
VIII
É engraçado como o tempo passa devagar em situações assim. Como se fosse em câmera lenta, eu caía no abismo, vendo o corpanzil enorme do Elias ficando cada vez menor. Senti então uma pancada num dos meus lados, ao bater nos restos de uma viga que estava saliente, e lembro como tentei, desesperadamente, me agarrar nela, sem conseguir. Continuei caindo devagar e de repente, cheguei ao fundo do abismo. Alguém, não sei por que motivo nem por que razão, tinha amontoado uns colchões velhos ali e, graças a isso, salvei a vida. O Elias não me via na escuridão do abismo e me deu por morto.
Aí toquei no ferimento na minha barriga e enfiei os dedos nele, tirando eles cheios de sangue. Me senti cada vez mais fraco e tudo ficou escuro. Senti o medo na minha alma e uma tristeza profunda pela Julia foi a última coisa que lembro.
Depois, passou não sei quanto tempo, até que ouvi uma voz conhecida.
— Lobo, Lobo! Me deixa foder sua escrava?
Acordei de vez e abri os olhos. Os raios de sol entravam no abismo e vi iluminada a cabeça careca e ossuda do Pancho, lá em cima. Tirei forças de não sei onde e gritei.
— Sim, Pancho! Pode comer ela, se chamar o Ferrer!
Aquela cabeça velha sorriu doidamente e partiu na hora.
O Pancho nos vi os dois entrando juntos nas ruínas e, ao ver Elias sair sozinho, se surpreendeu. Ficou rondando por lá e me encontrou horas depois. Depois que eu pedi, ele voltou com Ferrer, com Noa e com o marido dela. O médico desceu com uma corda e fez um primeiro curativo em mim. Conseguiram me tirar de lá entre os quatro e me levaram pra casa do Ferrer. Eu queria partir na hora, mas ele não deixou.
— Lobo, você não morreu por milagre! Tem três costelas quebradas e hematomas pelo corpo todo, além do ferimento na barriga. Se for atrás do Elias, não dura nem uma hora. E mais, que chance você tem assim contra ele? — ele me disse.
Fiquei uma semana na casa dele, me recuperando. Assim que me senti forte, saí de lá na mesma hora. Petrus, o prefeito, me aconselhou:
— Lobo. Se for matar alguém, que seja na zona proibida e ninguém fique sabendo. Pode arrumar problema!
— O problema quem vai ter é o Elias, receio — garanti.
Uns vizinhos tinham visto ele levar a Julia amarrada, montada no meu cavalo. Ele também pegou o dinheiro que encontrou e algumas das minhas armas. Peguei parte do dinheiro que a Julia tinha escondido, comprei outro cavalo e peguei um velho fuzil de assalto que eu tinha, além de uma pistola Astra de nove milímetros. Essas armas eu encontrei junto com os cadáveres de uns militares na zona proibida. Revistei elas às pressas e parti na hora. Tinha um objetivo claro: a casa do Elias bem na beira da fronteira da zona proibida.
Dois dias depois, na escuridão da noite, depois de amarrar o cavalo numa árvore longe daquela casa, entrei nela feito um vendaval.
Não tinha ninguém, embora a cinza ainda estivesse quente. Pensei que talvez ele tivesse me visto chegar ou que tivesse me pressentido. Depois soube que o Matias, o foda-se, tinha avisado ele, e ele saiu de lá fugindo, levando minha mulher. Isso aumentou minha raiva.
Segui o rastro dele, com medo de que, se sentindo encurralado, fizesse alguma coisa com a Julia. Isso fez com que eu agisse mais silencioso, mais cauteloso, mas sem parar a perseguição. Mas acontecia que eu sempre chegava onde eles tinham acampado, quando já tinham partido. Por pouco tempo, mas tarde. A busca começou a se alongar, afetando minha cabeça. Minha aparência mudou daquele homem civilizado que Julia tinha me transformado e voltei a ser aquele bárbaro selvagem que era antes de conhecê-la. Meu olhar esfriou, deixando de ser o de uma pessoa, se tornando o de uma fera selvagem, cheia de raiva e ódio.
Os meses passavam e eu não os encontrava. Estavam perto, eu sabia, mas nunca conseguia alcançá-los. Então mudei de estratégia, não os segui mais. Esperei, como uma aranha em sua teia, que eles voltassem a passar perto de mim. Fui paciente como um corno num lugar por onde tinha certeza que apareceriam alguma hora. Só era questão de tempo.
E esse tempo chegou.
Por fim, numa tarde fria, avistei com os binóculos do alto de uma montanha dois cavalos com duas pessoas montando neles. Uma delas era enorme. Conforme se aproximavam de uma fonte no fundo do vale, confirmei que eram eles.
No meio da noite, desci da montanha e me aproximei silenciosamente, como uma cobra. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver Julia, preparando o jantar para aquela besta. Me contive. Sabia que a paciência sempre me ajudou bem e decidi esperar que eles dormissem. Depois de Elias comer o que ela preparou, ele deu as sobras pra ela, como se fosse uma puta. Enquanto ela comia mal, ele, rindo, pegou um galho de uma das árvores perto da fonte e arrancou todas as folhas. Não deu muito tempo pra Julia descansar, levantou do chão e a sacudiu como se fosse uma boneca. Arrastou ela até uma árvore e amarrou as mãos da minha escrava num dos galhos. Baixou o vestido dela até a cintura, no meio de uma gargalhada estrondosa, e pegou a vara que tinha feito, açoitando ela com ela selvagemente. Depois ficou na frente dela e começou a apalpar os peitos dela grosseiramente, tentando beijá-la. Julia ele afastava o rosto, mas no fim, Elias conseguiu. Depois, desamarrou ela e, sentado perto de um tronco, baixou as calças e obrigou ela a se ajoelhar entre as pernas enormes dele, forçando ela a usar a boca naquela porra monstruosa. Vi quando ele gozou e o ódio cresceu ainda mais em mim. Por fim, amarrou as mãos e os pés dela, deixando ela deitada não muito longe dele. Elias demorou pra pegar no sono. Talvez ele sentisse que eu tava por perto, por isso deixou as armas do lado. Mas no fim, ele dormiu. Me aproximei devagar, largando meu fuzil no chão e sacando a pistola. Apontei pra testa dele, engatilhei e dei um leve chute na costela. Ele acordou e os olhos dele, ao me ver de pé ali, apontando a arma, se arregalaram de terror. —Tchau, Elias, —falei e apertei o gatilho. Clique! Não saiu tiro. Talvez o cão falhou ou a espoleta da bala tava zoada, mas o fato é que a arma não funcionou. —É isso que dá usar essas merdas velhas, —disse Elias rindo. —Nunca sabe quando vão te deixar na mão! Julia acordou com a voz de Elias e começou a gritar. —Lobo, cuidado! Ele, de repente, me acertou com um dos braços enormes e fortes, me derrubando e se levantando na mesma hora. Sacou uma pistola que reconheci como a que ele tinha me roubado do cinto e apontou pra mim. Eu, com um chute na mão dele, fiz a arma cair. Procurei meu fuzil com o olhar, mas tava longe do meu alcance, e empunhei minha faca. —Não, Lobo, ele vai te matar! —Julia continuava gritando, desesperada. Eu ria, louco. A raiva e o ódio não deixavam eu pensar direito e, obcecado pela ideia de recuperar ela, só queria matar aquela besta. Elias também sacou a adaga dele, a mesma que cravou em mim na caverna, e partiu pra cima. Desviei, mais ágil, e feri ele no braço. Então ele pegou um dos troncos acesos na fogueira, tentando me acertar. Desviei do primeiro golpe, mas não do segundo, que me acertou na cabeça. Ele soltou então o tronco, pra agarrar meu pescoço com as duas mãos enormes dele, me estrangulando.
Vi a Julia se debatendo e se arrastando, mas me concentrei de novo no meu inimigo. O ar já tava faltando perigosamente. Ele ria que nem um louco, falando:
—Tchau, Lobo! Dessa vez vou fazer melhor.
Pensei numa parada que já tinha funcionado comigo outras vezes nessa situação, contra bandidos e vários inimigos, e me joguei pra trás, pra virar ele e fazer ele cair. Mas eu não tava forte o suficiente, com três costelas quebradas mal curadas, e ele pesava demais pra mim. Meus braços fraquejaram e o corpo enorme dele caiu em cima de mim. Elias apertou ainda mais meu pescoço, já certo da vitória.
Soube que era meu fim e dirigi meu último olhar pra minha pobre Julia.
Aí vi que ela tinha o cano do meu fuzil apoiado nos pés amarrados dela e, com as mãos também amarradas, procurava o gatilho. Tava apontando a arma com dificuldade. Ouvi o estouro dos tiros e o monstro, surpreso, virou a cara feia dele pra olhar pra minha amada e falar:
—Maldita escrava!
E morreu. Os tiros tinham acertado ele e a massa enorme do corpo dele, sem vida, caiu em cima de mim. Custou uma barbaridade sair debaixo daquilo e, quando consegui, peguei a faca, cortei as cordas que amarravam minha escrava e falei, sem fôlego:
—Pelo amor, Julia! Quase me mata!
—Lobo! Seu estúpido e louco Lobo! — ela falava, chorando de alegria.
Nós nos beijamos e abraçamos, até que, exaustos, dormimos juntos, perto daquele cadáver enorme.
No dia seguinte, quando finalmente voltamos pras ruínas da cidade, Julia me contou que Elias pretendia vender ela pra alguém, mas que não sabia quem. Só tinha certeza que era um vizinho da cidade em ruínas. Ela, alegre, comentava que finalmente ia ficar do meu lado, sem outras mãos tocarem nela. Aí eu falei:
—Desculpa, Julia. Tenho que te ceder de novo.
—Lobo, não! De novo?
—Sim. Alguém salvou minha vida outra vez.
—Eu mesma fiz isso ontem à noite! E é assim que me agradece?
—Sim. Sei que não te Gosto do que você faz. Eu também odeio fazer isso, mas não pude recusar agora também!
—Maldito seja, Lobo. Se o dono de um bordel tivesse me comprado, teria passado por menos mãos.
—Desculpa. Te juro que é a última vez. Se algum homem colocar um dedo em você de novo, eu mato ele.
—E quem é o sortudo agora? —perguntou Julia com um cinismo triste.
—Pancho.
—Pancho? Aquele bicho?
—Sim.
—E a mulher dele? Os filhos?
—Ele é doido. É mentira. Nunca teve mulher.
—Maldito Lobo! Agora com um louco!
Ao chegar em casa, vimos que ela tinha sido saqueada. Por sorte, o dinheiro continuava escondido, mas tinha muito trabalho pra fazer. O pior foi que tive que oferecer a Julia.
Ela se lavou e se preparou pra entrega e, chorando, desceu as escadas gemendo.
—Olha, Lobo! Já não tenho nem meu colar de escrava. Aquele monstro jogou ele no fundo de um barranco depois de arrancar de mim.
—Parece que ele gostava de jogar coisas em lugares fundos —completei.
Pancho chegou mais tarde, nervoso e esfregando as mãos. Ele estava pronto pra cobrar a dívida.
—Já tá pronta, Lobo? Já tá?
—Sim, pega ela. Trata bem.
Ele pegou Julia pela mão e, correndo, quase arrastando ela, levou pra sua casa miserável. Ao entrar, se despiu em menos de dez segundos.
—Tira a roupa, escrava! —gritou. Finalmente tinha conseguido.
Julia, enojada, levantou o vestido e tirou pela cabeça.
—Aggggg! —gritou Pancho de novo.
Julia, surpresa, olhou pra parte de baixo do corpo dele e perguntou:
—O que foi?
—Deus! —gritou Pancho de novo—, você tá doente!
—Quem? Eu?
—Sim. Olha. Não tem pelo na buceta.
Eu gostava que Julia raspasse a ppk e naquela tarde ela tinha feito isso. É costume que os escravos tenham os genitais sem pelo, e parece que Pancho não conhecia isso. Ela então soube tirar vantagem disso.
—Olha, Pancho —disse ela mostrando as axilas depiladas.
—Céus! —exclamou ele horrorizado.
—Além disso —continuou Julia mentindo—, minha dentadura É postiça. Quer que eu tire também esta e a peruca?
– Careca? Santo Deus! Sai daqui, monstro do inferno!
Júlia saiu correndo da casa do Pancho, nua, se vestindo na rua.
Eu, triste, esperava por ela na porta da nossa casa. Ao vê-la voltar tão cedo, perguntei surpreso o que tinha acontecido.
– Nada. Acontece que você tem razão. Ele é doido varrido. Nem me tocou!
– O quê? – perguntei de novo, contente. – Você não agradou ele?
– Não. Ele acha que estou doente.
Então eu a abracei, beijei e, pegando-a pela cintura, levantei-a girando como um louco. Subimos correndo pro quarto e ela se despiu e se deitou na cama. Eu tirei então da cômoda um estojo e o abri.
– É pra você, Júlia. É seu.
Era um anel de ouro, com um pingente onde estava gravado que ela era minha escrava.
– Lobo. Escravas não podem ter nada – disse ela, chorando de alegria.
– Legalmente é uma coleira de escrava. Pra mim não é. É uma joia, sua.
Júlia se ajoelhou na cama e eu coloquei a coleira no pescoço dela. Então ela puxou meu pau pra fora da braguilha, dizendo:
– Agora vou ser a melhor escrava. Você nunca vai ter do que reclamar de mim – e meteu meu pinto na boca dela. Eu, acariciando os lindos cabelos dela, respondi:
– Não, Júlia. Eu quero que você continue sendo como é.
E em poucos minutos eu gozei. Então me dediquei a lamber a buceta dela e dar todo o prazer que eu sabia, até sentirmos fome e descermos pra jantar, já tarde da noite.
Mais tarde, os dois sentados juntos perto da lareira, ela me perguntou, brincando:
– Ainda pensa em me vender?
– Nunca mais! – respondi.
Ela se encostou em mim, sorrindo. Eu continuei.
– Mais ainda, quero subir de novo pra fazer amor e meter tanto em você até te deixar grávida.
Júlia riu, me respondendo:
– Lobo, você é um selvagem. Sempre com loucuras.
– Não é loucura. Todo esse tempo, pensei muito em você e no que podia te acontecer, se algo me acontecesse.
– O que quer dizer? Você me assusta. — Se eu morrer, vão te leiloar, igualzinho a Noa e o resto das propriedades.
— Não tô te entendendo.
— Amanhã vou pedir informação pro Ferrer. Eu sei que tem dias em que as mulheres são mais férteis.
— Lobo! O que você tá querendo?
— E também sei que o sêmen tá cada vez pior. Nós dois vamos ter que tomar o que o Ferrer preparar.
— Pra quê?
— Pra ter um filho, que vai ser meu herdeiro e assim nunca vão poder te leiloar.
Botamos o plano em prática e, um ano depois, nasceu nosso filho.
Parecia que a felicidade tava ao alcance, quando, uma tarde, uns cavaleiros atrapalharam tudo.
— Oi, escrava. É aqui que mora o Lobo das Ruínas? — perguntaram a Júlia três guardas armados, encontrando ela na porta da nossa casa.
— Não, senhores. Não tá — respondeu ela, mentindo.
Mas eu tava saindo da oficina naquele momento. Eles me viram e perguntaram pra mim.
— O senhor é o Lobo?
— Sim. Sou eu.
Então os guardas sacaram as armas, apontando pra mim. Dois deles desceram dos cavalos e algemaram minhas mãos nas costas. O terceiro me informou:
— Lobo das Ruínas, você é acusado da morte de Elias, o Touro, e recebemos ordens de te levar até Flores pra ser julgado.
Gritei pra Júlia avisar o Petrus, enquanto me obrigavam a montar num cavalo e vi ela se afastando chorando com nosso filho nos braços.
Me levaram diante do juiz Frías. Ele me disse que Matias, o vai se foder, tinha me denunciado, falando que eu matei o Elias pelo cavalo dele. Expliquei sobre o sequestro da minha escrava, mas não acreditaram em mim. Matias fez isso pra tomar minha casa, a Noa e a Júlia, mas não sabia do nosso filho. A existência dele impedia todas as pretensões do filho da puta.
Petrus foi meu advogado. E ele fez tão bem o trabalho que, em dois dias, fui condenado à morte.
Me ofereceram trocar a pena por escravidão, mas eu tenho orgulho demais pra isso e, diante do desespero da Júlia e dos amigos, escolhi a forca.
Agora, depois de ouvir nos últimos dias uns escravos montando... O cadafalso onde serei enforcado amanhã, apresso meus minutos escrevendo minha história, restando apenas dizer que só desejo que Julia guarde uma boa lembrança de mim e que saiba fazer do meu filho o homem bom que eu nunca fui.
Assinado
Lobo das Ruínas
Anexo
Este texto foi encontrado vários anos depois. Levantou-se uma forte polêmica sobre sua autoria. Descartou-se de imediato que fosse Lobo das Ruínas quem escreveu este fragmento e durante algum tempo pensou-se que talvez tivesse sido algum de seus filhos. Atualmente é aceito por todos que a autora foi a escrava Julia.
Nota do copista.
Lobo sempre pensou que o dia de sua morte seria triste e cinzento, bem nublado, quase certeza de chuva, mas se surpreendeu muito quando o tiraram do calabouço a caminho da forca e viu aquela manhã tão ensolarada e luminosa. Ouviu inúmeras vozes quando saiu na rua e achou normal, pois sabia da mania do povo de ir ver execuções, mas quando seus olhos se acostumaram à luz do sol, depois de tanto tempo no calabouço, se espantou de que fossem muitos os que queriam vê-lo morrer.
— Ei, Lobo! É verdade que você chegou na cidade da morte no centro da zona proibida? — perguntou exaltado um moleque.
— Você matou três piratas quando queriam roubar sua escrava? — indagou uma mulher.
Lobo não respondia a essas perguntas, só olhava pra frente.
— Você ficou famoso, Lobo! Alguém tá por aí cantando suas façanhas — disse rindo um dos dois guardas que o levavam algemado pra forca.
Chegou até a escada do cadafalso e subiu por ela sem parar. Esperavam-no o juiz que o condenara e o carrasco. Lobo tinha pedido à sua escrava Julia que não fosse à execução, mas quando viu o rosto dela chorando, sorriu e se alegrou, pois isso o ajudou a encontrar algo agradável.
— Tem algo a dizer, Lobo? — perguntou o juiz.
— Não. Vamos acabar logo com isso — respondeu ele.
O condenado olhou finalmente para o lindo rosto de sua A mulher e o carrasco colocaram um capuz nela. Sentiu então a corda apertando seu pescoço e esperou, estoico, o som do mecanismo que a faria cair pendurada na forca.
Aquele sol sufocante a fazia suar, com aquele capuz infernal.
— Por que não fazem logo isso? — pensou Lobo.
Então ouviu uma voz se aproximando, gritando.
— Alto! Parem! Suspendei a execução!
O som de passos subindo as escadas chegou aos seus ouvidos.
— O que houve, secretário Peláez?
— Juiz Frías, olhe. Um dos guardas encontrou isso entre os pertences desse homem.
— Certo, secretário, vejamos o que é, embora, sinceramente, não acredito que seja tão importante a ponto de parar a execução.
— Talvez seja, sim, senhor. Olhe.
Os minutos passavam lentos para Lobo, angustiantes, com aquele capuz sufocante e a corda no pescoço.
— Não sei, hummm, talvez... — murmurou o juiz.
— Porra! — pensou Lobo. — Não gosto dessa espera besta. Se vão fazer, que façam logo.
— O que está escrito aí, juiz? — gritou alguém da plateia.
— É, o que está escrito? — acrescentou uma voz feminina.
— Tá bem — respondeu o juiz. — É uma espécie de relato do que ele viveu nos últimos anos.
— E daí? — gritou outra voz.
— Bem, parece, pelo que está aqui — continuou o juiz — que ele não matou Elías.
— Ele já disse isso no julgamento! Deve ser tudo mentira — ouviu-se ao longe.
— Sim, mas quem iria mentir num escrito desses, já estando condenado? — comentou alguém.
— Talvez seja um truque! — disse o juiz.
— Não, acho que não! — sugeriu uma senhora.
— E não tem mais nada? — perguntou um velho.
— Bem, tem. Tem muito mais — respondeu o juiz. — Entre outras coisas, diz que foi a escrava dele quem matou Elías.
Um murmúrio geral se espalhou pela praça.
— Então enforquem ela! — gritou um rapaz, ávido por espetáculo.
— Escutem. Se é verdade que Elías roubou a escrava dele e que não foi ele quem o matou, isso muda tudo — acrescentou o secretário. — Explica isso, juiz! — berrou um bêbado.
O juiz se aproximou do secretário e discutiram por alguns segundos. Chegaram a um acordo, e ele apontou o dedo para a escrava Júlia, perguntando:
— Você é propriedade do Lobo?
— Sim, senhor — respondeu ela.
— E é verdade o que seu dono escreveu aqui?
— Sim, senhor.
A multidão soltou outro murmúrio.
— Não! Fui eu! — gritou Lobo, com o capuz abafando a voz.
— Cale a boca, Lobo. Você já falou no julgamento — disse o secretário —, além disso, naquela hora você contou tudo ao contrário do que está aqui.
O juiz coçou a cabeça, hesitante, e depois se ergueu sério e solene, dizendo:
— A execução está suspensa. Declara-se inocente o cidadão Lobo.
Parte do público aplaudiu, com alguns gritos de alegria, enquanto outros reclamavam por não poder ver uma execução. O carrasco tirou a corda do pescoço de Lobo, esquecendo de tirar o capuz, enquanto ele começava a gritar de novo:
— Não, não! Fui eu!
Os guardas prenderam a escrava, levando-a para os calabouços, e o juiz falou de novo:
— Agora, o secretário e eu vamos discutir o castigo que será aplicado à culpada.
Eles se retiraram, e o público, barulhento, começou a deixar a praça.
— Ei, malditos! Deixem minha escrava em paz, porcos, e tirem esse capuz de mim. Vocês querem me matar sufocado com esse calor? — continuou Lobo gritando, até que alguém destampou sua cabeça e soltou suas mãos.
Não deixaram Lobo ver a prisioneira, e ele ficou destruído, pois achava que o futuro de Júlia estava decidido, mas Petrus, péssimo advogado e pior prefeito da cidade em ruínas, o tranquilizou, dizendo:
— Não se preocupa. Isso tá resolvido.
— Cê acha? Tá maluco.
— Não, Lobo. Confia em mim.
Ele olhou incrédulo, tentando pensar em como tirar Júlia dos calabouços.
Mas um par de horas depois, uns guardas avisaram que ele tinha que ir ao salão de audiências, onde o castigo da escrava seria anunciado. Ele foi rápido. cheio de nervosismo e maus presságios, acompanhado por Petrus.
— Bem, senhor Lobo — começou o juiz —. Considerando que o cidadão Elias tentou matá-lo, roubando depois a escrava, um cavalo, armas e dinheiro, já tomamos a decisão.
Lobo tremia, vendo Júlia sentada e algemada na cadeira dos réus. Ela olhava para ele, assustada.
— A autora do crime é uma escrava. Pela sua condição servil, não tem identidade jurídica e, portanto, não se podem aplicar a ela os mesmos castigos que a uma pessoa livre. Além disso, esta mulher já foi condenada à escravidão perpétua por um crime semelhante, o que é algo que devemos levar em conta.
O juiz pegou um copo d'água e começou a beber, esvaziando-o com uma lentidão angustiante. Depois, após olhar para um nervoso Lobo, continuou.
— O secretário e eu chegamos à conclusão de que, se condenarmos a escrava à morte, infligimos danos econômicos significativos ao cidadão Lobo, que, no fim das contas, não tem por que sair prejudicado com isso. Considerou-se a possibilidade de entregar-lhe outra escrava, de qualidades semelhantes, após executar a autora do crime, mas nos pareceu caro demais para os fracos cofres do Estado.
Enquanto Petrus sorria satisfeito, Lobo não entendia nada.
— Portanto, decidimos punir a escrava pela morte do cidadão Elias...
Lobo ouviu com o coração na mão.
— ...com duzentas chibatadas, que o carrasco aplicará amanhã mesmo. Não podemos desperdiçar o cadafalso. Com o dinheiro que nos custou!
Júlia sorriu timidamente ao ouvir isso, olhando para Lobo, e os guardas a levaram imediatamente, sem deixar que ele se aproximasse dela, nem permitiram que ele a visitasse depois no calabouço.
No dia seguinte, a multidão se reuniu de novo na praça. Não era uma execução, mas uma boa rodada de chibatadas era um espetáculo mais que aceitável. Para Lobo, os guardas lhe deram um lugar na primeira fila, por ser o dono da condenada.
Depois de se fazer esperar, saiu Finalmente, o juiz, seguido pelo escrivão e por Júlia, algemada e escoltada por dois guardas. Subiram ao cadafalso, onde o carrasco os esperava, impaciente. Depois que o juiz leu a sentença, ele arrancou o vestido da escrava, rasgando-o de forma meio teatral. A corda da qual Lobo deveria ter pendurado foi usada para amarrar as mãos da condenada e, já satisfeito, o carrasco empunhou um chicote de couro duro de boi. Após olhar para a plateia ansiosa, começou a açoitar as belas costas da mulher. Depois passou para a região lombar, arrancando gritos tristes de dor de Júlia. Lobo sentiu cada chicotada como se fosse ele mesmo quem estivesse recebendo. O carrasco focou então nas nádegas rosadas da escrava, para depois percorrer o resto da parte traseira, dos tornozelos ao pescoço, deixando-a marcada por terríveis vergões vermelhos. O carrasco, exausto, parou por alguns minutos, após a primeira leva de cem chicotadas, que estavam sendo elegantemente contadas pelo escrivão.
Depois, bruscamente, virou a escrava de frente, aplicando as chicotadas restantes na parte frontal do corpo dela, se deliciando especialmente nos peitos de Júlia, algo que foi muito celebrado pela plateia.
Quando finalmente o escrivão contou os duzentos açoites, Lobo subiu ao cadafalso e disse ao juiz:
— Já chega. Me devolve minha escrava de uma vez.
O juiz concordou com a cabeça e o carrasco soltou Júlia. Lobo cobriu a nudez dela com um cobertor, algo que a plateia reprovou ruidosamente, e a levou, terrivelmente dolorida, para um quarto que ele havia alugado.
Enquanto um médico tratava os vergões da escrava Júlia, Lobo, quase chorando, segurava as mãos dela, dizendo:
— Me desculpa muito, Júlia. Eu tive culpa de tudo isso.
— Não, senhor. Não se preocupe — respondeu ela com lágrimas nos olhos. — Eu não teria aguentado ver você enforcado. Agora acabou tudo.
A escrava não conseguiu dormir naquela noite, por causa da dor terrível dos açoites, e se virava de mil maneiras. maneiras na cama, enquanto Lobo dormia mal numa cadeira desconfortável.
Vários dias depois, quando Julia já estava recuperada, saíram de Flores em direção às ruínas da cidade. No primeiro dia, saíram da estrada para se aproximar de um lugar lindo que Lobo conhecia, onde um rio formava umas poças e puderam se banhar depois de comer algo.
Nus, entraram na água refrescante e se abraçaram e beijaram, brincando como adolescentes. Ao sair, deitaram-se ainda sem roupa num cobertor sobre a grama. Lobo se deitou de lado, apoiado num cotovelo. A escrava Julia, sorrindo, ficou de quatro e, depois de jogar o cabelo lindo para um lado do pescoço fininho, pegou o pau de Lobo e colocou na boca.
— Não, Julia — disse Lobo.
— Por que, amo? Eu gosto de te dar prazer. Adoro ver como você curte comigo e me sinto orgulhosa disso.
Lobo se ajoelhou e colocou Julia na mesma posição. Viu, triste, as marcas evidentes dos chicotes e, sorrindo depois, tirou o colar de escrava dela.
— O que você tá fazendo, Lobo?
— Eu sou um filho da puta, Julia. Sempre fiquei feliz de você ser uma escrava, porque senão, nunca teria te conhecido, e isso é uma merda.
Julia, meio envergonhada, respondeu:
— Não, amo. Você é um homem bom, e eu também fico muito feliz de ter te conhecido, mesmo você sendo meu amo e eu sua escrava.
— Pra mim, você é uma mulher livre, e vou te tratar assim pelo resto da minha vida.
— Não, amo, eu...
Lobo a beijou, calando ela, e continuou:
— Por isso tirei o colar, pra você se sentir livre, mesmo que só por um tempo, e depois tenha que usar de novo porque a lei obriga.
Beijou ela de novo e acariciou os peitos lindos. Com cuidado, pra não machucar os ferimentos, deitou ela no cobertor de barriga pra cima e, com suavidade, abriu as pernas dela. Sorrindo, Lobo ficou de quatro e aproximou o rosto da buceta da escrava. Ela acariciou os cabelos cacheados dele e fechou os olhos ao sentir a língua dele. língua penetrando entre os lábios da buceta dela. Lobo queria dar prazer a ela e logo sentiu sua escrava gemendo e se mexendo, vibrando de gozo, até sentir os fluidos vaginais de Julia no rosto dele. Então ele se deitou sobre sua amada, com extremo cuidado para não machucá-la e a abraçou. Penetrou ela com o pau e depois de um tempo a inundou de porra, enquanto as pernas da mulher se cruzavam sobre os rins dele.
Pouco depois, Lobo dormiu, apoiando a cabeça na barriga de Julia, que olhava ele descansando, satisfeita. Sabia que estava apaixonada por aquele homem. Então tocou o pescoço, se sentindo estranha. Lembrou que ele tinha tirado o colar de escrava dela. Pegou ele e o colocou no pescoço, satisfeita.
Pensou, feliz, que talvez seu amo quisesse possuí-la de novo quando acordasse, e isso a excitou.
Então o acordou. Não conseguia esperar tanto.
Fim
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