Depois de tudo que aconteceu nesses 5 anos… depois de tudo que rolou desde que a Melanie voltou, posso dizer que foi bem emocionante…
Acordo mergulhada nos meus pensamentos, viro e sinto o calor de um corpo do meu lado… Deus, é ela… vejo um lençol branco cobrindo o começo do quadril e metade das pernas dela… as costas totalmente nuas, o cabelo solto, lisinho, e uns fios bagunçados.
Chego mais perto dela e dou um beijinho no pescoço dela, levanto devagar, com cuidado pra não acordar, mas no esforço eu falho. Sinto ela se virar e, com a vozinha meio rouca, me fala:
— Onde cê vai?
— Ia fazer seu café da manhã, mas agora tô pensando em outra coisa — falo, voltando pra posição inicial, bem perto dos lábios dela.
— E… — ela faz cócegas no meu braço com a mão — que outra coisa é essa?
— Sei lá — falo, roubando um beijo dela — talvez se eu ficar aqui te enchendo disso — e continuo beijando ela.
— Aham…
— Talvez se — passo a mão nas costas dela — te acariciar todas as vezes que der — e sinto ela arquear as costas, mordendo o lábio — talvez se te abraçar forte e falar que não quero me separar de você nunca mais.
— Manu — ela me afasta pra olhar bem nos meus olhos — t… e… — fica calada por um momento — me abraça.
— Termina de falar o que começou.
— Não, não era nada importante — e ela me puxa de volta pra ficar colada no corpo dela de novo — continua no que tava fazendo.
— Tem certeza?
— Certeza.
Abraço ela fechando os olhos, sorrindo o máximo que posso, feliz por ter a mulher que amo… aqui… comigo…
Que amo?
Será que eu amo ela?
Hum… o que posso dizer?… adoro ela com toda a minha vida, sinto ela aqui comigo e parece que tudo ao meu redor muda, tudo para e só a gente se mexe, eu e ela; sim, sei muito bem que posso estar sendo a mais piegas que já fui na vida toda, mas preciso extravasar tudo que sinto quando ela tá comigo.
A manhã toda. passamos em beijos, carÃcias, palavras bonitas… abraços…
Chega meio-dia e meia e meu celular começa a tocar
— Vai atender, Manu
— Não quero — e me aperto mais no corpo dela — não quero
— Pode ser importante — insiste
— Tá bom, você venceu — levanto da cama contra minha vontade — que fique claro — e foda-se o celular que tá no bolso da minha calça, que larguei no chão ontem à noite quando a Melanie mandou eu tirar — lembro disso e um sorriso safado aparece nos meus lábios, ontem à noite foi inesquecÃvel, a gente transou como nunca antes, acho que foi o momento perfeito pra mostrar uma pra outra um "senti tanto a sua falta"...
— Já vou, já vou… — repito como se o telefone pudesse me ouvir e parar de tocar — alô?
— É a Manuela?
— Sim, quem fala?
— Sou o agente Sergio GarcÃa, é pra informar que a denúncia que fizeram contra a senhorita Lina, que foi presa umas duas semanas atrás, foi retirada
— Como assim? — pergunto bem irritada e alterada — ou seja, ela já tá solta?
— Isso mesmo, senhorita. O pai dela é comandante das forças armadas e exigiu que soltassem a filha, além de ter pago a fiança integralmente
— Não acredito, nesse paÃs… pfff… dá até pena, vocês que se dizem policiais…
— Senhorita — ele fala num tom mais alto — peço que me respeite, entendo — totalmente — sua raiva, mas quero que entenda que estou ligando escondido
— Por quê?
— Porque estou te dando uma informação que é puramente confidencial, é só que quero que fiquem de olho na filha do comandante, talvez ela faça a mesma coisa de novo
— Porra!
— Calma, preciso que vocês venham e coloquem à disposição de vocês e da Melanie seguranças, guarda-costas, protetores… como quiser chamar, pra não correrem risco
— Mas acho que a Lina não seria capaz de…
— Não sei que problemas vocês têm — ele murmura baixinho, como se estivesse mesmo escondidas – mas ela só fez uma vez pode – claro – fazer de novo.
- Ok, agente, muito obrigada pela sua ajuda
- Fica tranquila, não me agradece, se cuida, até logo
E desligou a ligação, me deixando com a pele arrepiada… tava com medo pela Melanie… de que acontecesse algo com ela, de que dessa vez não fosse um tapa, mas algo mais grave.
Fiquei parada pensando no que podia fazer, quando senti umas mãos passarem pela minha cintura
- Quem era, Manu?
- Ehh… - contava ou não a verdade? – Era um agente, Mel
O rosto dela mudou na hora – O que aconteceu?
- Soltaram a Lina
- Tão rápido?
- É…
- O que a gente vai fazer?
Meu celular tocou de novo…
- Alô?
- Oi, Manuela – ouvi a voz da Lina
- Lina?
- Claro, ou já esqueceu até da minha voz? – murmurou bem irritada
- O que você quer?
- Falar com você
- Não
- Sim
- Não
- Que sim
- Que não
- Por favor…
- Pra quê?
- Você voltou com ela?
- Sim
- Por que você faz isso comigo, Manuela?
- Você sempre soube que a Melanie vinha em primeiro lugar…
- Sim, mas pelo menos podia ter esperado terminar comigo, imagina o que eu senti ao te ver com ela se beijando naquele banheiro
Suspirei – ela tinha toda razão – Eu sei…
- Vamos conversar, pelo menos esclarecer as coisas…
Não sabia o que fazer, tava com medo…
- Fala que sim – sussurrou Melanie, ouvindo o que a Lina dizia – Fala que sim, Manu
- Tá bom
- Te espero na minha casa
- Ok
- Tchau
Melanie me abraçou, tinha certeza que sentia o mesmo medo que eu.
Me arrumei e saà de casa pra ir até a casa da mulher que machucou a pessoa que eu tava apaixonada. Que irônico, né?
O caminho pareceu eteeeeeeeeeeeeeerno… quase não cheguei, tava tremendo, deixei meu carro estacionado na garagem da casa da Lina, e bati na porta…
Melanie:
- Soltaram a Lina
Deus… essa palavra ecoava uma e outra vez na minha cabeça… soltaram ela!! E se ela fizesse o mesmo de novo, e se fizesse isso com a Manuela… não, eu morro.
Falei pra ela chamar alguém pra acompanhar, mas Ela não quis, esperei ela sair e liguei pro Pepe e pra Lúcia virem me buscar. Me arrumei o mais rápido que pude e fiquei esperando eles chegarem.
Saà do apartamento e entrei rapidinho no carro do Pepe.
— Que que houve, Mel?
— É a Manuela.
— Brigaram?
— Não.
— Então?
— É a Lina.
— Voltaram? — perguntou o Pepe, levantando as sobrancelhas.
— Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao — respondi, mandando um olhar fulminante pra ele — isso nunca, Pepe!
— Ok, foi mal, foi mal...
— Soltaram a Lina.
— Como assim?
— Não sei, a Manuela não me contou. Mas a Lina ligou pra ela e disse que precisava se encontrar com ela.
— E onde elas tão?
— Na casa da Lina.
— Vamos? — ele perguntou de novo. Meu irmãozinho, do jeito que era bonito, era bobo.
Eu e a Lúcia olhamos pra ele tipo: "cê acha mesmo?"
— Ok, já entendi — ele virou e ligou o carro.
Em uns 20 minutos chegamos no condomÃnio onde ficava a casa da Lina e também a dos meus pais. Vimos o carro da Manuela estacionado na garagem da Lina e a gente desceu três casas antes.
— Não dá pra ver nada — murmurou o Pepe, como se a gente não pudesse falar — que a gente faz?
— Pepe — a Lúcia falou no mesmo tom que ele — por que você tá falando assim? — disse, sem conseguir segurar a risada. Nós duas soltamos uma risada rápida.
— Suas palhaças — ele falou, fingindo que tava bravo — não gosto de vocês.
Esperamos por mais de uma hora e eu já não aguentava mais a ansiedade, então a Lúcia decidiu ligar pra Manuela do celular dela pra ver o que ela dizia.
— ...
— Manu, oi.
— ...
— A Melanie já me contou tudo. Cê tá bem?
— ...
— A gente tá aqui fora. Esperamos você?
— ...
— Se acontecer alguma coisa, dá algum sinal que a gente fica de olho, ok?
— ...
— Tchau.
— O que ela disse?
— Nada, que tava tudo bem, que elas só estavam conversando e pra gente esperar mais um pouco.
— Hummm — dei de ombros, soltando um suspiro longo. Vai ter que obedecer — vai ter que ser.
** **
Manuela:
Ela abriu a porta e eu vi... os olhos inchados, a figura dela reduzida a nada. como se não tivesse dormido nada nesses dias todos.
- oi
- passa – estendeu a mão pra eu entrar na casa dela – entra
Sentei no sofá de sempre, cruzei as pernas fingindo estar "aparentemente bem"
- e então…
- cê tá com ela, né?
- sim – concordei sem olhar nos olhos dela
- não sente minha falta?
- Lina, pelo amor…
Ela chegou perto e sentou no meu colo, segurando meu rosto com força pra me dar um beijo
- ei, o que cê tá fazendo? – afastei ela e me levantei
- você gostava dos meus beijos
- do que cê tá falando? agora cê me dá medo…
Uma lágrima escorreu do olho direito dela, o olhar tava terrivelmente triste
- por que cê tá fazendo isso comigo, Manuela?
- Lina… o que a gente tinha era mais sexo, e cê sabe bem disso
- não! porque eu me apaixonei, Manuela
Fiquei em silêncio
- eu te amo, Manuela – ela continuou – me dói saber que três anos praticamente juntas você jogou no lixo porque ela apareceu
- me desculpa
- desculpa? Pff… dá pena
- não vim brigar com você, só queria esclarecer as coisas e te falar – aumentei o tom de voz, falando mais forte – que não se atreva a fazer nada com ela de novo
- cê tá me ameaçando? – ela falou num tom desafiador – é?
- não, Lina. Não sou assim. Só tô te dizendo que o que cê fez não foi certo, isso não é de você… não entendo por que reagiu desse jeito, entendo que ficou puta, tudo bem se tivesse gritado, mas não chegar nesse ponto. E tô te falando pra não fazer de novo
- Manu, não entendo por que fiz isso. Desde que vi ela… desde o primeiro dia que vi ela chegar de novo, um medo imenso tomou conta de mim. Sabia que isso, pro mal, seria o fim da gente
Baixei o rosto sem saber o que dizer – eu… me desculpa
- Manuela, pensa bem. A gente se entendia em todos os sentidos… só pensa nisso
- não. Lina – cheguei mais perto dela do que devia – eu gosto de você, sim? Gosto. Mas ver ela de novo me fez perceber que nunca vou te amar Querer você nem nenhuma outra mulher como eu a quero.
Mais uma lágrima escorreu dos olhos dela, como me doÃa ver alguém chorar, e ainda mais por minha causa – me perdoa.
Ela me abraçou, se refugiando nos meus braços, seus choros cada vez mais eram contÃnuos e seguidos.
– Você não vai se afastar de mim de vez?
– Não vou – falei segura.
– Me promete?
– Eu pro...
Meu celular tocou, olhei a tela e era a Lucia, imaginei que a Melanie tinha procurado ela e já sabia de tudo.
– Alô?
– ...
– Oi, Luci, o que foi?
– ...
– Ahã
– ...
– Sim, acho que não vou demorar muito
– Fica tranquila que não tem problema, a gente se fala depois. Tchau
– ...
Desliguei e abracei ela de novo, sabia pelo que ela estava passando, um dia eu também senti a mesma coisa.
Conversei mais um tempo ao lado dela e consegui fazer com que a gente ficasse bem, que nossa relação ficasse no passado e tivéssemos um presente como amigas. Me surpreendi quando ouvi ela dizer que falaria com a Melanie e pediria desculpas.
Saà daquela casa com um imenso suspiro de satisfação... já estava mais tranquila, não tanto pela Melanie e por mim, mas pela Lina também e pelo bem-estar emocional dela. Nunca quis machucá-la.
Entrei no meu carro e segui o do Pepe até chegar num restaurante.
Melanie:
Vi ela sair daquela casa sã e salva e agradeci a Deus... tinha medo de que algo ruim fosse acontecer com ela, mas não.
O Pepe fez sinal pra ela nos seguir e chegamos num restaurante conhecido. Desci do carro rápido e fui abraçá-la. Não me importava – agora – quem poderia nos ver, fofocar, quem poderia falar... não me importava nada disso, só queria tocar nela e sentir que estava bem.
As coisas saÃram melhor do que eu pensei.
(...)
Deviam ser umas 10:00 da manhã quando – no trabalho – recebi uma mensagem da Manuela.
"Oi, bebê... eh, amor? Quero que no almoço você venha pra minha casa, quero te dizer uma coisa. Te quero."
– Qual é o mistério? – pensei.
Já fazia mais ou menos um mês que estava na cidade, ainda estava ficando no hotel, mas Manuela nunca tinha feito isso antes. Suspirei sorrindo só de pensar em vê-la em poucas horas.
Trabalhei mais rápido e terminei meu serviço pontualmente à 1:00. Fui de volta ao hotel, troquei de roupa e me organizei rapidamente — não que estivesse feia, mas queria que ela me visse ainda melhor.
Peguei um táxi direto pro apartamento dela.
Quando cheguei, o porteiro me recebeu com um sorrisão e um buquê de rosas.
— Moça, isso é pra senhora, deixou a Manuela.
— Ela não está? — perguntei, surpresa.
— Tá sim, esperando lá em cima.
— Valeu.
Não fazia ideia do que tava rolando. Subi no elevador nervosa… isso era muito estranho, a única coisa que pensei foi que ela tinha sido promovida.
Manuela:
Depois de pensar por dois dias inteiros, cheguei na mesma conclusão: queria passar o resto da minha vida com ela. Morar com outra pessoa sempre foi algo que eu evitava, não tinha nada melhor — pra mim — do que ser independente e ter muita liberdade.
Mas com a Melanie era diferente. A gente tava junto e… quando ela ia embora… era… agh… sei lá, não me sentia bem. Queria passar o máximo de tempo possÃvel com ela. Queria que ela fosse alguém mais oficial na minha vida.
Então decidi chamar ela pra morar comigo.
Liguei pra todos os meus amigos, pros pais dela, pro irmão dela… liguei pra minha mãe… nunca tive uma boa relação com ela porque, simplesmente, ela acabou sendo pior do que a mãe da Melanie já foi um dia. Ela me expulsou de casa e me largou à própria sorte, mas fui forte, me virei e mostrei pra ela que conseguia vencer sem o apoio dela.
Agora a gente só se falava de vez em quando. Supostamente ela já tinha aceitado, e era importante pra mim que ela estivesse lá… eu precisava que ela estivesse comigo. E pra minha surpresa, depois que me abri com ela, com um abraço e um sorriso, ela disse: "Manuela, vou estar com você".
Tudo tava indo bem, perfeito. Deixei um buquê de rosas na portaria pra ela pelo menos ter uma ideia do rumo das coisas. Me vesti elegantemente. Tava com um vestido vermelho (já pensou? haha) colado no corpo, uns saltos normais, cabelo bem escovado, maquiagem impecável… me olhei no espelho e sorri, satisfeita comigo mesma.
Bateram na porta, sabia que era ela… sempre aqueles três toquinhos (toc, toc, toc)
Todo mundo olhando… fui lá e abri, e vi ela.
— Oi, meu amor — falei, abraçando ela
— Manu, que que tá rolando? — ela perguntou entrando em casa — Por que todo mundo tá aqui?
— Mel… antes de qualquer coisa, e sei que tô me apressando, quero te perguntar se você topa vir…
— Boa noite — a Lina apareceu na porta.
Fiquei sem reação, sem saber o que falar
— Oi — fui a única que cumprimentou ela
— Sei que vocês estranham eu ter vindo, mas só quero fazer uma coisinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Melanie olhava pra ela com um certo medo, mas eu sabia bem que ela não ia fazer nada de mal.
— Melanie — ela chegou perto e segurou as mãos dela — Me perdoa por ter sido uma das causas da separação de vocês… por esconder da Manuela que você tinha chegado, por te esnobar… por ser egoÃsta e por ter te machucado, nunca pensei em fazer isso, só tava com muita raiva e… infelizmente me deixei levar por ela.
Melanie olhou pra ela por uns segundos, todo mundo em silêncio total…
— Tá perdoada, Lina, e me desculpa se… te fiz sentir mal.
— Relaxa, desde o começo eu soube bem que o amor da vida da Manuela sempre foi você.
Ela se virou e me olhou, me dando um abraço.
— Quer vir morar comigo? — foi a única coisa que consegui sentir ao ter ela nos meus braços.
Os olhos dela brilhavam, a pele começou a tremer — É sério?
— Melanie… eu
— EU TE AMO — ela continuou… terminando de dizer o que eu tinha começado.
Beijei ela…
Coloquei um anel de ouro com dois "m" (mxm)
Ela aceitou…
e…
Finalmente entendi…
Que não tinha mais motivo pra ter medo do amor.
fim
Acordo mergulhada nos meus pensamentos, viro e sinto o calor de um corpo do meu lado… Deus, é ela… vejo um lençol branco cobrindo o começo do quadril e metade das pernas dela… as costas totalmente nuas, o cabelo solto, lisinho, e uns fios bagunçados.
Chego mais perto dela e dou um beijinho no pescoço dela, levanto devagar, com cuidado pra não acordar, mas no esforço eu falho. Sinto ela se virar e, com a vozinha meio rouca, me fala:
— Onde cê vai?
— Ia fazer seu café da manhã, mas agora tô pensando em outra coisa — falo, voltando pra posição inicial, bem perto dos lábios dela.
— E… — ela faz cócegas no meu braço com a mão — que outra coisa é essa?
— Sei lá — falo, roubando um beijo dela — talvez se eu ficar aqui te enchendo disso — e continuo beijando ela.
— Aham…
— Talvez se — passo a mão nas costas dela — te acariciar todas as vezes que der — e sinto ela arquear as costas, mordendo o lábio — talvez se te abraçar forte e falar que não quero me separar de você nunca mais.
— Manu — ela me afasta pra olhar bem nos meus olhos — t… e… — fica calada por um momento — me abraça.
— Termina de falar o que começou.
— Não, não era nada importante — e ela me puxa de volta pra ficar colada no corpo dela de novo — continua no que tava fazendo.
— Tem certeza?
— Certeza.
Abraço ela fechando os olhos, sorrindo o máximo que posso, feliz por ter a mulher que amo… aqui… comigo…
Que amo?
Será que eu amo ela?
Hum… o que posso dizer?… adoro ela com toda a minha vida, sinto ela aqui comigo e parece que tudo ao meu redor muda, tudo para e só a gente se mexe, eu e ela; sim, sei muito bem que posso estar sendo a mais piegas que já fui na vida toda, mas preciso extravasar tudo que sinto quando ela tá comigo.
A manhã toda. passamos em beijos, carÃcias, palavras bonitas… abraços…
Chega meio-dia e meia e meu celular começa a tocar
— Vai atender, Manu
— Não quero — e me aperto mais no corpo dela — não quero
— Pode ser importante — insiste
— Tá bom, você venceu — levanto da cama contra minha vontade — que fique claro — e foda-se o celular que tá no bolso da minha calça, que larguei no chão ontem à noite quando a Melanie mandou eu tirar — lembro disso e um sorriso safado aparece nos meus lábios, ontem à noite foi inesquecÃvel, a gente transou como nunca antes, acho que foi o momento perfeito pra mostrar uma pra outra um "senti tanto a sua falta"...
— Já vou, já vou… — repito como se o telefone pudesse me ouvir e parar de tocar — alô?
— É a Manuela?
— Sim, quem fala?
— Sou o agente Sergio GarcÃa, é pra informar que a denúncia que fizeram contra a senhorita Lina, que foi presa umas duas semanas atrás, foi retirada
— Como assim? — pergunto bem irritada e alterada — ou seja, ela já tá solta?
— Isso mesmo, senhorita. O pai dela é comandante das forças armadas e exigiu que soltassem a filha, além de ter pago a fiança integralmente
— Não acredito, nesse paÃs… pfff… dá até pena, vocês que se dizem policiais…
— Senhorita — ele fala num tom mais alto — peço que me respeite, entendo — totalmente — sua raiva, mas quero que entenda que estou ligando escondido
— Por quê?
— Porque estou te dando uma informação que é puramente confidencial, é só que quero que fiquem de olho na filha do comandante, talvez ela faça a mesma coisa de novo
— Porra!
— Calma, preciso que vocês venham e coloquem à disposição de vocês e da Melanie seguranças, guarda-costas, protetores… como quiser chamar, pra não correrem risco
— Mas acho que a Lina não seria capaz de…
— Não sei que problemas vocês têm — ele murmura baixinho, como se estivesse mesmo escondidas – mas ela só fez uma vez pode – claro – fazer de novo.
- Ok, agente, muito obrigada pela sua ajuda
- Fica tranquila, não me agradece, se cuida, até logo
E desligou a ligação, me deixando com a pele arrepiada… tava com medo pela Melanie… de que acontecesse algo com ela, de que dessa vez não fosse um tapa, mas algo mais grave.
Fiquei parada pensando no que podia fazer, quando senti umas mãos passarem pela minha cintura
- Quem era, Manu?
- Ehh… - contava ou não a verdade? – Era um agente, Mel
O rosto dela mudou na hora – O que aconteceu?
- Soltaram a Lina
- Tão rápido?
- É…
- O que a gente vai fazer?
Meu celular tocou de novo…
- Alô?
- Oi, Manuela – ouvi a voz da Lina
- Lina?
- Claro, ou já esqueceu até da minha voz? – murmurou bem irritada
- O que você quer?
- Falar com você
- Não
- Sim
- Não
- Que sim
- Que não
- Por favor…
- Pra quê?
- Você voltou com ela?
- Sim
- Por que você faz isso comigo, Manuela?
- Você sempre soube que a Melanie vinha em primeiro lugar…
- Sim, mas pelo menos podia ter esperado terminar comigo, imagina o que eu senti ao te ver com ela se beijando naquele banheiro
Suspirei – ela tinha toda razão – Eu sei…
- Vamos conversar, pelo menos esclarecer as coisas…
Não sabia o que fazer, tava com medo…
- Fala que sim – sussurrou Melanie, ouvindo o que a Lina dizia – Fala que sim, Manu
- Tá bom
- Te espero na minha casa
- Ok
- Tchau
Melanie me abraçou, tinha certeza que sentia o mesmo medo que eu.
Me arrumei e saà de casa pra ir até a casa da mulher que machucou a pessoa que eu tava apaixonada. Que irônico, né?
O caminho pareceu eteeeeeeeeeeeeeerno… quase não cheguei, tava tremendo, deixei meu carro estacionado na garagem da casa da Lina, e bati na porta…
Melanie:
- Soltaram a Lina
Deus… essa palavra ecoava uma e outra vez na minha cabeça… soltaram ela!! E se ela fizesse o mesmo de novo, e se fizesse isso com a Manuela… não, eu morro.
Falei pra ela chamar alguém pra acompanhar, mas Ela não quis, esperei ela sair e liguei pro Pepe e pra Lúcia virem me buscar. Me arrumei o mais rápido que pude e fiquei esperando eles chegarem.
Saà do apartamento e entrei rapidinho no carro do Pepe.
— Que que houve, Mel?
— É a Manuela.
— Brigaram?
— Não.
— Então?
— É a Lina.
— Voltaram? — perguntou o Pepe, levantando as sobrancelhas.
— Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao — respondi, mandando um olhar fulminante pra ele — isso nunca, Pepe!
— Ok, foi mal, foi mal...
— Soltaram a Lina.
— Como assim?
— Não sei, a Manuela não me contou. Mas a Lina ligou pra ela e disse que precisava se encontrar com ela.
— E onde elas tão?
— Na casa da Lina.
— Vamos? — ele perguntou de novo. Meu irmãozinho, do jeito que era bonito, era bobo.
Eu e a Lúcia olhamos pra ele tipo: "cê acha mesmo?"
— Ok, já entendi — ele virou e ligou o carro.
Em uns 20 minutos chegamos no condomÃnio onde ficava a casa da Lina e também a dos meus pais. Vimos o carro da Manuela estacionado na garagem da Lina e a gente desceu três casas antes.
— Não dá pra ver nada — murmurou o Pepe, como se a gente não pudesse falar — que a gente faz?
— Pepe — a Lúcia falou no mesmo tom que ele — por que você tá falando assim? — disse, sem conseguir segurar a risada. Nós duas soltamos uma risada rápida.
— Suas palhaças — ele falou, fingindo que tava bravo — não gosto de vocês.
Esperamos por mais de uma hora e eu já não aguentava mais a ansiedade, então a Lúcia decidiu ligar pra Manuela do celular dela pra ver o que ela dizia.
— ...
— Manu, oi.
— ...
— A Melanie já me contou tudo. Cê tá bem?
— ...
— A gente tá aqui fora. Esperamos você?
— ...
— Se acontecer alguma coisa, dá algum sinal que a gente fica de olho, ok?
— ...
— Tchau.
— O que ela disse?
— Nada, que tava tudo bem, que elas só estavam conversando e pra gente esperar mais um pouco.
— Hummm — dei de ombros, soltando um suspiro longo. Vai ter que obedecer — vai ter que ser.
** **
Manuela:
Ela abriu a porta e eu vi... os olhos inchados, a figura dela reduzida a nada. como se não tivesse dormido nada nesses dias todos.
- oi
- passa – estendeu a mão pra eu entrar na casa dela – entra
Sentei no sofá de sempre, cruzei as pernas fingindo estar "aparentemente bem"
- e então…
- cê tá com ela, né?
- sim – concordei sem olhar nos olhos dela
- não sente minha falta?
- Lina, pelo amor…
Ela chegou perto e sentou no meu colo, segurando meu rosto com força pra me dar um beijo
- ei, o que cê tá fazendo? – afastei ela e me levantei
- você gostava dos meus beijos
- do que cê tá falando? agora cê me dá medo…
Uma lágrima escorreu do olho direito dela, o olhar tava terrivelmente triste
- por que cê tá fazendo isso comigo, Manuela?
- Lina… o que a gente tinha era mais sexo, e cê sabe bem disso
- não! porque eu me apaixonei, Manuela
Fiquei em silêncio
- eu te amo, Manuela – ela continuou – me dói saber que três anos praticamente juntas você jogou no lixo porque ela apareceu
- me desculpa
- desculpa? Pff… dá pena
- não vim brigar com você, só queria esclarecer as coisas e te falar – aumentei o tom de voz, falando mais forte – que não se atreva a fazer nada com ela de novo
- cê tá me ameaçando? – ela falou num tom desafiador – é?
- não, Lina. Não sou assim. Só tô te dizendo que o que cê fez não foi certo, isso não é de você… não entendo por que reagiu desse jeito, entendo que ficou puta, tudo bem se tivesse gritado, mas não chegar nesse ponto. E tô te falando pra não fazer de novo
- Manu, não entendo por que fiz isso. Desde que vi ela… desde o primeiro dia que vi ela chegar de novo, um medo imenso tomou conta de mim. Sabia que isso, pro mal, seria o fim da gente
Baixei o rosto sem saber o que dizer – eu… me desculpa
- Manuela, pensa bem. A gente se entendia em todos os sentidos… só pensa nisso
- não. Lina – cheguei mais perto dela do que devia – eu gosto de você, sim? Gosto. Mas ver ela de novo me fez perceber que nunca vou te amar Querer você nem nenhuma outra mulher como eu a quero.
Mais uma lágrima escorreu dos olhos dela, como me doÃa ver alguém chorar, e ainda mais por minha causa – me perdoa.
Ela me abraçou, se refugiando nos meus braços, seus choros cada vez mais eram contÃnuos e seguidos.
– Você não vai se afastar de mim de vez?
– Não vou – falei segura.
– Me promete?
– Eu pro...
Meu celular tocou, olhei a tela e era a Lucia, imaginei que a Melanie tinha procurado ela e já sabia de tudo.
– Alô?
– ...
– Oi, Luci, o que foi?
– ...
– Ahã
– ...
– Sim, acho que não vou demorar muito
– Fica tranquila que não tem problema, a gente se fala depois. Tchau
– ...
Desliguei e abracei ela de novo, sabia pelo que ela estava passando, um dia eu também senti a mesma coisa.
Conversei mais um tempo ao lado dela e consegui fazer com que a gente ficasse bem, que nossa relação ficasse no passado e tivéssemos um presente como amigas. Me surpreendi quando ouvi ela dizer que falaria com a Melanie e pediria desculpas.
Saà daquela casa com um imenso suspiro de satisfação... já estava mais tranquila, não tanto pela Melanie e por mim, mas pela Lina também e pelo bem-estar emocional dela. Nunca quis machucá-la.
Entrei no meu carro e segui o do Pepe até chegar num restaurante.
Melanie:
Vi ela sair daquela casa sã e salva e agradeci a Deus... tinha medo de que algo ruim fosse acontecer com ela, mas não.
O Pepe fez sinal pra ela nos seguir e chegamos num restaurante conhecido. Desci do carro rápido e fui abraçá-la. Não me importava – agora – quem poderia nos ver, fofocar, quem poderia falar... não me importava nada disso, só queria tocar nela e sentir que estava bem.
As coisas saÃram melhor do que eu pensei.
(...)
Deviam ser umas 10:00 da manhã quando – no trabalho – recebi uma mensagem da Manuela.
"Oi, bebê... eh, amor? Quero que no almoço você venha pra minha casa, quero te dizer uma coisa. Te quero."
– Qual é o mistério? – pensei.
Já fazia mais ou menos um mês que estava na cidade, ainda estava ficando no hotel, mas Manuela nunca tinha feito isso antes. Suspirei sorrindo só de pensar em vê-la em poucas horas.
Trabalhei mais rápido e terminei meu serviço pontualmente à 1:00. Fui de volta ao hotel, troquei de roupa e me organizei rapidamente — não que estivesse feia, mas queria que ela me visse ainda melhor.
Peguei um táxi direto pro apartamento dela.
Quando cheguei, o porteiro me recebeu com um sorrisão e um buquê de rosas.
— Moça, isso é pra senhora, deixou a Manuela.
— Ela não está? — perguntei, surpresa.
— Tá sim, esperando lá em cima.
— Valeu.
Não fazia ideia do que tava rolando. Subi no elevador nervosa… isso era muito estranho, a única coisa que pensei foi que ela tinha sido promovida.
Manuela:
Depois de pensar por dois dias inteiros, cheguei na mesma conclusão: queria passar o resto da minha vida com ela. Morar com outra pessoa sempre foi algo que eu evitava, não tinha nada melhor — pra mim — do que ser independente e ter muita liberdade.
Mas com a Melanie era diferente. A gente tava junto e… quando ela ia embora… era… agh… sei lá, não me sentia bem. Queria passar o máximo de tempo possÃvel com ela. Queria que ela fosse alguém mais oficial na minha vida.
Então decidi chamar ela pra morar comigo.
Liguei pra todos os meus amigos, pros pais dela, pro irmão dela… liguei pra minha mãe… nunca tive uma boa relação com ela porque, simplesmente, ela acabou sendo pior do que a mãe da Melanie já foi um dia. Ela me expulsou de casa e me largou à própria sorte, mas fui forte, me virei e mostrei pra ela que conseguia vencer sem o apoio dela.
Agora a gente só se falava de vez em quando. Supostamente ela já tinha aceitado, e era importante pra mim que ela estivesse lá… eu precisava que ela estivesse comigo. E pra minha surpresa, depois que me abri com ela, com um abraço e um sorriso, ela disse: "Manuela, vou estar com você".
Tudo tava indo bem, perfeito. Deixei um buquê de rosas na portaria pra ela pelo menos ter uma ideia do rumo das coisas. Me vesti elegantemente. Tava com um vestido vermelho (já pensou? haha) colado no corpo, uns saltos normais, cabelo bem escovado, maquiagem impecável… me olhei no espelho e sorri, satisfeita comigo mesma.
Bateram na porta, sabia que era ela… sempre aqueles três toquinhos (toc, toc, toc)
Todo mundo olhando… fui lá e abri, e vi ela.
— Oi, meu amor — falei, abraçando ela
— Manu, que que tá rolando? — ela perguntou entrando em casa — Por que todo mundo tá aqui?
— Mel… antes de qualquer coisa, e sei que tô me apressando, quero te perguntar se você topa vir…
— Boa noite — a Lina apareceu na porta.
Fiquei sem reação, sem saber o que falar
— Oi — fui a única que cumprimentou ela
— Sei que vocês estranham eu ter vindo, mas só quero fazer uma coisinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Melanie olhava pra ela com um certo medo, mas eu sabia bem que ela não ia fazer nada de mal.
— Melanie — ela chegou perto e segurou as mãos dela — Me perdoa por ter sido uma das causas da separação de vocês… por esconder da Manuela que você tinha chegado, por te esnobar… por ser egoÃsta e por ter te machucado, nunca pensei em fazer isso, só tava com muita raiva e… infelizmente me deixei levar por ela.
Melanie olhou pra ela por uns segundos, todo mundo em silêncio total…
— Tá perdoada, Lina, e me desculpa se… te fiz sentir mal.
— Relaxa, desde o começo eu soube bem que o amor da vida da Manuela sempre foi você.
Ela se virou e me olhou, me dando um abraço.
— Quer vir morar comigo? — foi a única coisa que consegui sentir ao ter ela nos meus braços.
Os olhos dela brilhavam, a pele começou a tremer — É sério?
— Melanie… eu
— EU TE AMO — ela continuou… terminando de dizer o que eu tinha começado.
Beijei ela…
Coloquei um anel de ouro com dois "m" (mxm)
Ela aceitou…
e…
Finalmente entendi…
Que não tinha mais motivo pra ter medo do amor.
fim
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