Manuela:
Sou uma idiota… eu mesma conquisto as coisas, mas por que ela fica assim comigo?...ah… não vou mais complicar minha vida, tentei conversar mas ela não quis, então sorte.
Me enchi de orgulho, sim, admito… nunca tinha implorado por alguém, bom… pelo menos não que eu estivesse apaixonada, mas será que eu estava? Merda… como me confunde o que sinto por essa garota-
Sento na mesa com todos os caras, eles começam a pedir bebida, e eu só me contento com um suco de laranja, se eu começar a beber – eu sei bem – vou falar coisas que, em sã consciência, vou me arrepender, então não. Vejo ela sair do banheiro com o cabelo preso pra trás…
Bahh… ela é linda… evito olhar pra ela e desvio o olhar pra outro lugar.
-linda, vem sentar comigo – ouço Carlos falar essas palavras, ela olha pra ele e sorri
-ah não, o casal perfeito – penso
-obrigada – ela responde e se senta ao lado dele, ou seja, na minha frente
Ela me olha, eu olho pra ela… ela me ignora na hora e eu faço o mesmo, Lucia me chuta a perna do meu lado esquerdo perguntando o que houve, e eu só digo "não tem importância".
Depois de nos acomodarmos no lugar, decidimos – finalmente – ir aproveitar as atrações, resolvemos primeiro todo mundo ir na montanha-russa.
Melanie:
Vi ela sair do banheiro furiosa comigo, poucos minutos depois saí também, quero sentar do lado dela e quando vou virar, Carlos me puxa pela mão e me convida pra sentar do lado dele; me resigno e sento, ela está bem na minha frente, olho pra ela e ela também, mas o olhar dela é de raiva, então desvio; depois de alguns minutos vamos pra fila da montanha-russa. Manuela está três passos na minha frente conversando com Nicolás.
-não resolveram nada, né? – Lucia se aproxima do meu lado
-ah… não… não resolvemos nada
-por que você não fala com ela?
-não
-tudo bem – ela se vira e está prestes a ir embora
-ei, me desculpa – seguro ela – é que eu não sei o que está acontecendo
-eu — Sim — ela me diz, direta.
— O que foi?
— Que você ficou com raiva da proximidade dela com a Paola.
As palavras dela foram como um balde de água fria. Como ela podia saber? Será que sou tão previsível assim? Ah…
— De onde você tirou isso, Lucia?
— Ah, Melanie, pelo amor — ela se aproximou de mim, mas ao mesmo tempo a gente seguia em direção à montanha-russa — não sou cega, ok? Tenho dois olhos que veem o jeito que você olha pra Manuela, como você fica quando ela fala com você, quando te roça sem querer ou quando chega mais perto do que devia.
— E como você me viu, se essa é só a segunda vez que te vejo?
— Correção — ela deu um tapinha nas minhas costas — foram três. A primeira foi no show da banda no parque — sorriu — a segunda foi no fim de semana na casa da Estefânia, e a terceira é hoje. O que acontece é que só agora a gente veio conversar, mas com essas três vezes já deu pra perceber que você gosta da Manuela.
O que eu podia dizer? Ela já tinha me descoberto, já sabia a verdade. Dei de ombros, sem saber o que falar…
— Tô certa, né?
Baixei a cabeça e, quando ia responder, um pouco encorajada e exausta, SIIIIIIIIM, os meninos vieram nos arrastando até a entrada do parque.
Entramos. Ela deveria ser minha parceira… mas foi direto pro primeiro banco, onde a Manuela estava com o Nicolás, e fez ela parar. Ficaram conversando um instante. Me senti envergonhada, talvez ela estivesse contando o que a gente tinha acabado de falar. Mas ela senta do lado do Nicolás, e a Manuela fica em pé, claramente ignorando a situação. Ouço ela dizer:
— Lucia, o que você tá fazendo?
— Vai sentar com a Melanie, que tenho algo pra falar com o Nicolás.
Ela me olha, e sem jeito, senta do meu lado. Não falamos nada.
— Te incomoda eu estar aqui?
— Não — respondo.
— Tem certeza?
— Sim.
O brinquedo começa a andar, e eu começo a me segurar firme. Em questão de 15 segundos, estamos subindo e descendo a toda velocidade. Estou com medo…
Manuela:
Sento do lado dela. Passamos por 2… palavras e a montanha-russa começa seu percurso, ela tá suando…tenta não gritar, mas o medo obriga ela, e sinto as mãos dela se agarrarem no meu braço, sorrio…adoro ter ela assim
-manu, tô com medo
-não vai acontecer nada
-não me solta, tá?
Dou um beijinho na testa dela e abraço ela forte, aproveito o máximo que posso aquele momento…a adrenalina vai e vem no ritmo da velocidade e da altura que a gente tá, ela não curte; tem muito medo, mas me divirto ouvindo os gritinhos dela quando a gente sobe e desce de novo.
A gente desce de lá, e ela continua com as mãos no meu braço
-a gente pode conversar direito, agora sim?
Ela me olha e se afasta de mim – tá bem, vamos conversar
A gente se afasta dos meninos e começa a andar na direção contrária de todo mundo, eles vão pra frente e a gente vai pra parte de trás do lugar, chegamos perto de um lago e eu falo pra gente sentar.
Os patos tão fazendo a parte deles, adoro esse clima, os bichos, o ar, ela…eu…
-você gosta de patos?
-sim, são fofos – ela responde emotiva – e você?
-adoro – me sento um pouquinho mais perto dela de um jeito que nossas mãos e braços fiquem se encostando
-por que você tá assim comigo?
Melanie:
Sabia que ela ia me perguntar isso
Olho pra ela sem saber o que dizer
-não sei
-Melanie, não me responde assim, por favor
-sei que você tem razão, manu, mas como você quer que eu fique, seus olhares me dizem que eu te interesso, quando você me beija me diz que sente algo por mim, quando me toca ou simplesmente quando me dá sua mão como agora – procuro a mão dela e junto com a minha – sinto que tem algo entre a gente
-ahã – ela diz compreensiva me olhando com uma ternura que faz ela ficar ainda mais irresistível
-mas…olha…sábado…sábado…
-vai, fala, sábado o quê?
-sábado a gente se beijou, e eu te ligo, você me chama…mas te vejo e tenho que aguentar aquele show daquela mulher com você, hein?
Ela sorri ao mesmo tempo que se aproxima mais do meu rosto – Melanie, ela se chama Paola, é minha vizinha… digamos que ela tem uma quase obsessão, embora eu encare como se ela tivesse feito uma aposta com alguém e quisesse me levar pra cama pra ganhar, ela se acha minha namorada…
- você já teve algo com ela?
- nunca
- Manu, me fala a verdade, eu sei que sim
- não, Melanie… eu nunca tive nada com ela, nem um beijo, nada
Eu olhava nos olhos dela, as palavras pareciam sinceras… o rosto dela tava igual quando uma criança tem medo de levar uma surra dos pais por ter tirado notas ruins na escola, assim que ela tava…
Ela se aproximou mais de mim e fez de novo aquilo que me deixa fraca diante dela, tocou meu rosto com as mãos, começou a acariciar enquanto eu me deixava vencer pelos meus medos.
- o que você tá pensando?
- Manu…
- me fala
- fiquei com raiva de te ver com ela
- muita?
- sim
Ela sorriu pra mim e me abraçou, fiz aquele abraço ser forte… e ao mesmo tempo frágil… ser sutil e carinhoso…
Assim passamos a tarde toda, vendo os animais passarem, as pessoas sorrirem e se divertirem, esquecemos dos caras e do resto do mundo.
Ela se encostou numa árvore e eu fiquei dormindo no colo dela, com meu corpo em cima da blusa.
Meu celular me acordou, vibrava e mais que vibrar, tocava bem alto, acordei assustada e atendi
- alô?
- Melanie, onde vocês tão, porra?
A voz do Carlos me fez olhar pro céu, já tinha escurecido
- que horas são?
- 8:30
- onde vocês tão?
- na saída do parque, num barzinho
- a gente já vai
- não demorem, então
Tentei me mexer em silêncio pra não acordar aquela mulher linda que tava do meu lado
Nossa… que gostosa ela é…
Que linda ela é…
Fiquei olhando pra ela naquela posição por mais de 5 minutos seguidos, até que senti um dos seguranças me pedindo pra sair do local.
- Manuela
Toquei delicadamente o rosto dela com a mão – Manuela – repeti de novo
- eh… - ela foi se mexendo, abrindo os olhinhos
- já é hora de ir embora -aahh…que pena, eu acabei dormindo -pois é Ela me olhou e mandou um beijo – vamo nessa? – perguntou me dando a mão -bora Saímos do parque de diversões juntas, não fomos onde os caras estavam, pegamos um taxi direto pro bairro. O silêncio entre a gente já era mais que qualquer coisa, um costume. Chegamos na minha casa, ela pagou o taxi e desceu comigo. -valeu por me trazer -não vai me convidar pra entrar na sua casa? – ela perguntou me deixando sem palavras, cada vez me surpreendia mais -claro – me apressei em dizer – vem. Entramos na minha casa, falamos com a minha mãe… Só ela tava… Depois disso, convidei ela pro meu quarto, a gente precisava conversar. -entra – falei, abrindo a porta pra ela entrar primeiro no meu quarto -valeu – ela sentou no sofá – agora dá pra gente conversar, ou não? -hahaha agora dá Sentei do lado dela, olhando bem nos olhos dela, me aproximei um pouco mais…e me aninhei no pescoço dela, chegando no peito, ela passou a mão direita por cima do meu ombro e começou a acariciar. Me sentia tão completa naquele momento, tão feliz… Mas faltava alguma coisa, sentir o calor do corpo dela através do meu, vi os peitos dela subindo e descendo no ritmo da respiração, começou um formigamento em mim um pouco abaixo da barriga, levantei o rosto pra olhar pra ela e ela continuava acariciando meu ombro. -posso entrar? Ouvimos a voz da minha mãe lá de fora e nos separamos, mesmo não estando fazendo nada de errado -pode sim mãe – falei Ela entrou com um sorriso de orelha a orelha que não conseguia esconder -amor, seu pai não vem hoje porque dobraram o turno dele, eu vou sair um pouco com a Maria e a Carla Sorri (isso queria dizer que a Manuela e eu podíamos ficar sozinhas na minha casa) -tá bom mãe -tchau Manu, se cuida linda -até logo senhora, boa sorte Olhei pra ela e sorri, tava com vergonha, não sabia o que dizer. Ela se levantou, e me olhou pela janela – acho que também já é hora de ir Que?
- Por que não?
- Eu quero que você fique
- Tá bom… me diz como a gente vai resolver isso
- Manu, por que as coisas com você são tão confusas?
- Não sei, por que você diz isso?
- Porque eu nem sei o que a gente é
- Fácil, o que você quer ser comigo?
E agora, o que eu ia dizer pra ela?... Não queria que a gente continuasse assim, mas ser namoradas?? Deus… acho que não aguentaria a pressão de todo mundo por estar com outra mulher.
- Por que você cala a boca, Melanie?
Eu me aproximei dela e, de repente, a beijei. Primeiro, fui abrindo meus lábios devagarinho e os encaixei no meio dos dela, fechei meus olhos e comecei a sentir a maravilha de sensações que sinto toda vez que a beijo.
Esperei ela tomar a iniciativa, queria estar com ela… queria tocá-la, acariciá-la, senti-la… mas ela só tocava meu rosto e aprofundava mais o beijo, foi terno, mas dessa vez não me beijou como fez naquela vez na casa dela. Me arrisquei e desci minhas duas mãos pelas laterais da cintura dela, enquanto ao mesmo tempo enfiava minha língua na boca dela, ela abriu mais os lábios e juntas fizemos aquele beijo ser inesquecível.
Ela me abraçou, mostrando num reflexo sua máxima ternura, era incrível ver que alguém com uma aparência às vezes tão dura e friamente cruel pudesse ser tão frágil e sensível.
Eu estava me apaixonando pela Manuela, o que sentia por ela ficava cada vez mais forte.
Ela pegou minhas mãos, levou aos lábios e deu beijinhos nelas, eu procurei o olhar dela e a beijei de novo.
Por que era tão difícil fazer ela entender que eu queria estar com ela?
Ela me abraçou de novo, sussurrando no meu ouvido que adorava estar assim comigo.
- Manu…
- Fala
Não consegui dizer nada, só beijei o pescoço dela, e subi por toda a orelha esquerda, molhando a orelhinha dela com minha língua, me afastei e vi que ela estava de olhos fechados e começou a morder o lábio.
- Não faz isso – ela disse, tentando abrir os olhos enquanto eu continuava beijando ela do mesmo jeito
- Por quê? — Por que se você continuar fazendo a mesma coisa, acho que depois não vou conseguir me controlar.
Era isso que eu queria…
Enfiei minha mão dentro da blusa dela
E senti o corpo dela tremer. Levei ela pra minha cama e, com um nervosismo danado, consegui que ela deitasse e eu ficasse por cima do corpo dela.
Ela me olhava
E o olhar dela dizia tudo, mas ao mesmo tempo eu não conseguia decifrar nada
Senti a mão dela subir pelas minhas coxas, minha bunda, minha cintura e pelas minhas costas
Deus… sério, eu tava começando a ficar excitada
MANUELA
Ela me deu a entender que queria ficar comigo, me levou pra cama dela e me beijou de novo com uma paixão inexplicável. Senti minha calcinha ficar molhada e foi aí que decidi me levantar e parar o que estava prestes a acontecer.
— O que foi?
— Nada — levantei da cama e arrumei minha roupa e meu cabelo — já é hora de ir, Melanie.
— Por quê?
— Porque já é tarde.
Ela se levantou e me pegou pela mão — Será que você não quer ficar comigo? — e a carinha de menina inocente dela me matava.
Não respondi nada, só dei um beijo no canto dos lábios dela e fui embora da casa dela.
O caminho pra minha casa foi… foi… estranho. Tava morrendo de vontade de ficar com ela, de tocar os lábios dela, de sentir o corpo dela, de ouvi-la…
Mas não, não queria que ela ficasse com uma lembrança ruim de novo, não outra vez.
(No dia seguinte)
— Ei, Manu, onde você ficou ontem com a Melanie, hein? — meu amigo Nicolás se aproximou.
— Ah… Não… em lugar especial nenhum.
Ele me olhou, erguendo a sobrancelha — Ah, pelo amor de Deus… você tem algo com essa gostosa, né?
Olhei pra ele com um sorriso maroto — Não me diga que você gosta dela?
— Hahaha, a mina é bem gata mesmo, mas se você tem algo com ela, eu não vou fazer nada.
— Hahaha, tá… a gente tá meio que junto, mas não conta pra ninguém, que ainda não sei bem o que a gente é, ok?
— Eita… Manuela, mas você se garante, hein? Pegando as melhores sempre, né? Hahahaha
— Ahh… mas qual é a culpa de ser tão linda? — falei na mesma hora que a Lina (uma colega da escola) passou.
— Isso é verdade — ela sussurrou. no ouvido e foi embora de novo
Nós dois caímos na risada, a manhã passou normal
Saímos da escola todo mundo, e a Lina me alcançou
— Manu, podemos conversar?
— Manuela, fala que não — sussurrou o Nicolás pra mim
— Por quê?
— Eu sei o motivo de te falar isso
— Não, espera aí que eu alcanço vocês
— Manu, podemos conversar? — repetiu de novo
— Claro — sorri — fala aí
— Hoje à noite vou fazer uma festa na minha casa, e obviamente você e seus amigos estão convidados
O olhar dela era meio safado, sabia que ela gostava de mim mas nunca rolou nada, ou bom... talvez mês passado no banheiro teve uns beijos mas não passou disso, puta merda... o que tô falando??
— Ahh, beleza, então pode contar com a gente
— Fechou — ela chegou perto de mim e me beijou bem perto dos meus lábios, me deixando de boca aberta, na hora todo mundo que viu começou a vaiar e zuar, falando que entre a gente tinha algo.
Aí me virei e vi a Melanie com duas amigas dela, me encarando de frente, meu coração começou a bater mais e mais forte, mais e mais rápido.
— Oi — andei pra chegar perto dela e dar um beijo
Ela não respondeu e me ignorou completamente
Na sequência, peguei na mão dela e falei que podia explicar aquilo, mas pra piorar a Lina chegou perto da gente
— Love, não vai me apresentar sua amiga? — disse se referindo à Melanie
— Love? Amiga? Que pena, menina — empurrou ela um pouco e chegou do meu lado — mas ela não é seu love e não é minha amiga, ok?
— Gente... já chega — falei me metendo no meio das duas — Lina, a gente fala depois.
— Não, Manuela — a Melanie me segurou — fala pra ela quem eu sou pra você, vai, fala se sou sua amiga, fala...
A voz dela era desafiadora, desafiadora demais
Sorri ao ver que tava no meio de um ridículo e simplesmente patético show de ciúmes, isso nunca me agradou e não ia começar a gostar agora, hoje nem nunca, mas vi a Melanie tão puta que não queria perder ela de novo.
— Ok, Lina... essa menina que você vê aqui — abracei ela — é... é minha namorada Peguei na mão dela e beijei na frente de todo mundo.
Melanie:
Imagina que ela ia dizer que eu era mais que uma amiga, mas não a namorada dela, além de que não foi tão sutil, agora metade da escola sabia, principalmente minhas amigas.
Ela me deu a mão e, quando menos esperava, tava me beijando. Imediatamente me afastei do lado dela, deixando ela surpresa com minha reação.
Mas o que mais eu podia fazer? Não tava preparada pra ser lésbica, muito menos pra que as pessoas já soubessem.
— O que houve com você? — ela me perguntou — Por que você agiu assim, hein?
Olhei pra ela sem saber bem o que dizer. — Vamos embora daqui, tá?
— Você tem vergonha de mim? É isso que tá rolando?
Fiquei em silêncio, ela foi embora e a única coisa que consegui ouvir foi um "perfeito, não se preocupa".
A tarde foi um completo desequilíbrio e bagunça na minha vida. Em casa, com meus amigos, ligava pra ela e ela não atendia… e eu tinha medo de ir na casa dela e ser rejeitada, além de que ela tava toda certa.
Deitei na minha cama deixando o tempo passar, não queria pensar, porque se pensasse, teria que agir, e se agisse, terminaria perdendo de novo.
Não sei quanto tempo fiquei dormindo, não sei… só lembro que a campainha da minha casa tocava e tocava. Chamei minha mãe várias vezes pra atender, mas pelo visto ela não tava em casa. Levantei meio desesperada com a pessoa que tava tocando, desci as escadas e abri a porta quando vi ela.
— Oi — ela falou, meio hesitante.
Percebi que nem me olhei no espelho pra arrumar o cabelo.
— Manuela — exclamei, surpresa — Tava indo na sua casa.
— Precisamos conversar, Melanie.
— Eu sei.
— Posso entrar?
— Claro.
As coisas não precisavam ser discutidas, eu já tinha deixado tudo claro com minha atitude na frente do colégio dela. Só pedi que me desse tempo pra me adaptar a tudo de novo que tava rolando na minha vida.
Ela, cada vez mais, me surpreendia. Levou as coisas com uma maturidade invejável, me abraçou e só disse que eu podia contar com ela.
— Te quero – sussurrei bem perto do ouvido dela
Ela me beijou
Mmm
Que delícia, tava sentindo a mesma coisa que ontem…
Dessa vez não esperei tanto pra enfiar minha língua quando senti ela mordendo meu lábio com os dentes.
Gemi sem pensar
Ela sorriu e continuou me beijando
Sentei no colo dela e levantei as mãos dela pra tirar a blusa
– Ei… para… para
– O que foi, Manuela? Cê não gosta de mim?
– Claro que gosto, quer dizer; eu te adoro, mas você me disse que…
– Shhh – interrompi com outro beijo – esquece o que eu falei, só importa que quero ficar com você
– Mas não assim
– Então como?
– Vou te mostrar que não sou igual ao seu ex-namorado nem a nenhum homem, vou te mostrar que fazer com uma mulher é muito melhor, mas principalmente é muito mais carinhoso quando você faz amor e não só transa, e com você quero fazer a primeira opção.
Manuela:
Peguei na mão dela e levei pro quarto dela
Pronta pra fazer aquela noite inesquecível pra ela.
Sou uma idiota… eu mesma conquisto as coisas, mas por que ela fica assim comigo?...ah… não vou mais complicar minha vida, tentei conversar mas ela não quis, então sorte.
Me enchi de orgulho, sim, admito… nunca tinha implorado por alguém, bom… pelo menos não que eu estivesse apaixonada, mas será que eu estava? Merda… como me confunde o que sinto por essa garota-
Sento na mesa com todos os caras, eles começam a pedir bebida, e eu só me contento com um suco de laranja, se eu começar a beber – eu sei bem – vou falar coisas que, em sã consciência, vou me arrepender, então não. Vejo ela sair do banheiro com o cabelo preso pra trás…
Bahh… ela é linda… evito olhar pra ela e desvio o olhar pra outro lugar.
-linda, vem sentar comigo – ouço Carlos falar essas palavras, ela olha pra ele e sorri
-ah não, o casal perfeito – penso
-obrigada – ela responde e se senta ao lado dele, ou seja, na minha frente
Ela me olha, eu olho pra ela… ela me ignora na hora e eu faço o mesmo, Lucia me chuta a perna do meu lado esquerdo perguntando o que houve, e eu só digo "não tem importância".
Depois de nos acomodarmos no lugar, decidimos – finalmente – ir aproveitar as atrações, resolvemos primeiro todo mundo ir na montanha-russa.
Melanie:
Vi ela sair do banheiro furiosa comigo, poucos minutos depois saí também, quero sentar do lado dela e quando vou virar, Carlos me puxa pela mão e me convida pra sentar do lado dele; me resigno e sento, ela está bem na minha frente, olho pra ela e ela também, mas o olhar dela é de raiva, então desvio; depois de alguns minutos vamos pra fila da montanha-russa. Manuela está três passos na minha frente conversando com Nicolás.
-não resolveram nada, né? – Lucia se aproxima do meu lado
-ah… não… não resolvemos nada
-por que você não fala com ela?
-não
-tudo bem – ela se vira e está prestes a ir embora
-ei, me desculpa – seguro ela – é que eu não sei o que está acontecendo
-eu — Sim — ela me diz, direta.
— O que foi?
— Que você ficou com raiva da proximidade dela com a Paola.
As palavras dela foram como um balde de água fria. Como ela podia saber? Será que sou tão previsível assim? Ah…
— De onde você tirou isso, Lucia?
— Ah, Melanie, pelo amor — ela se aproximou de mim, mas ao mesmo tempo a gente seguia em direção à montanha-russa — não sou cega, ok? Tenho dois olhos que veem o jeito que você olha pra Manuela, como você fica quando ela fala com você, quando te roça sem querer ou quando chega mais perto do que devia.
— E como você me viu, se essa é só a segunda vez que te vejo?
— Correção — ela deu um tapinha nas minhas costas — foram três. A primeira foi no show da banda no parque — sorriu — a segunda foi no fim de semana na casa da Estefânia, e a terceira é hoje. O que acontece é que só agora a gente veio conversar, mas com essas três vezes já deu pra perceber que você gosta da Manuela.
O que eu podia dizer? Ela já tinha me descoberto, já sabia a verdade. Dei de ombros, sem saber o que falar…
— Tô certa, né?
Baixei a cabeça e, quando ia responder, um pouco encorajada e exausta, SIIIIIIIIM, os meninos vieram nos arrastando até a entrada do parque.
Entramos. Ela deveria ser minha parceira… mas foi direto pro primeiro banco, onde a Manuela estava com o Nicolás, e fez ela parar. Ficaram conversando um instante. Me senti envergonhada, talvez ela estivesse contando o que a gente tinha acabado de falar. Mas ela senta do lado do Nicolás, e a Manuela fica em pé, claramente ignorando a situação. Ouço ela dizer:
— Lucia, o que você tá fazendo?
— Vai sentar com a Melanie, que tenho algo pra falar com o Nicolás.
Ela me olha, e sem jeito, senta do meu lado. Não falamos nada.
— Te incomoda eu estar aqui?
— Não — respondo.
— Tem certeza?
— Sim.
O brinquedo começa a andar, e eu começo a me segurar firme. Em questão de 15 segundos, estamos subindo e descendo a toda velocidade. Estou com medo…
Manuela:
Sento do lado dela. Passamos por 2… palavras e a montanha-russa começa seu percurso, ela tá suando…tenta não gritar, mas o medo obriga ela, e sinto as mãos dela se agarrarem no meu braço, sorrio…adoro ter ela assim
-manu, tô com medo
-não vai acontecer nada
-não me solta, tá?
Dou um beijinho na testa dela e abraço ela forte, aproveito o máximo que posso aquele momento…a adrenalina vai e vem no ritmo da velocidade e da altura que a gente tá, ela não curte; tem muito medo, mas me divirto ouvindo os gritinhos dela quando a gente sobe e desce de novo.
A gente desce de lá, e ela continua com as mãos no meu braço
-a gente pode conversar direito, agora sim?
Ela me olha e se afasta de mim – tá bem, vamos conversar
A gente se afasta dos meninos e começa a andar na direção contrária de todo mundo, eles vão pra frente e a gente vai pra parte de trás do lugar, chegamos perto de um lago e eu falo pra gente sentar.
Os patos tão fazendo a parte deles, adoro esse clima, os bichos, o ar, ela…eu…
-você gosta de patos?
-sim, são fofos – ela responde emotiva – e você?
-adoro – me sento um pouquinho mais perto dela de um jeito que nossas mãos e braços fiquem se encostando
-por que você tá assim comigo?
Melanie:
Sabia que ela ia me perguntar isso
Olho pra ela sem saber o que dizer
-não sei
-Melanie, não me responde assim, por favor
-sei que você tem razão, manu, mas como você quer que eu fique, seus olhares me dizem que eu te interesso, quando você me beija me diz que sente algo por mim, quando me toca ou simplesmente quando me dá sua mão como agora – procuro a mão dela e junto com a minha – sinto que tem algo entre a gente
-ahã – ela diz compreensiva me olhando com uma ternura que faz ela ficar ainda mais irresistível
-mas…olha…sábado…sábado…
-vai, fala, sábado o quê?
-sábado a gente se beijou, e eu te ligo, você me chama…mas te vejo e tenho que aguentar aquele show daquela mulher com você, hein?
Ela sorri ao mesmo tempo que se aproxima mais do meu rosto – Melanie, ela se chama Paola, é minha vizinha… digamos que ela tem uma quase obsessão, embora eu encare como se ela tivesse feito uma aposta com alguém e quisesse me levar pra cama pra ganhar, ela se acha minha namorada…
- você já teve algo com ela?
- nunca
- Manu, me fala a verdade, eu sei que sim
- não, Melanie… eu nunca tive nada com ela, nem um beijo, nada
Eu olhava nos olhos dela, as palavras pareciam sinceras… o rosto dela tava igual quando uma criança tem medo de levar uma surra dos pais por ter tirado notas ruins na escola, assim que ela tava…
Ela se aproximou mais de mim e fez de novo aquilo que me deixa fraca diante dela, tocou meu rosto com as mãos, começou a acariciar enquanto eu me deixava vencer pelos meus medos.
- o que você tá pensando?
- Manu…
- me fala
- fiquei com raiva de te ver com ela
- muita?
- sim
Ela sorriu pra mim e me abraçou, fiz aquele abraço ser forte… e ao mesmo tempo frágil… ser sutil e carinhoso…
Assim passamos a tarde toda, vendo os animais passarem, as pessoas sorrirem e se divertirem, esquecemos dos caras e do resto do mundo.
Ela se encostou numa árvore e eu fiquei dormindo no colo dela, com meu corpo em cima da blusa.
Meu celular me acordou, vibrava e mais que vibrar, tocava bem alto, acordei assustada e atendi
- alô?
- Melanie, onde vocês tão, porra?
A voz do Carlos me fez olhar pro céu, já tinha escurecido
- que horas são?
- 8:30
- onde vocês tão?
- na saída do parque, num barzinho
- a gente já vai
- não demorem, então
Tentei me mexer em silêncio pra não acordar aquela mulher linda que tava do meu lado
Nossa… que gostosa ela é…
Que linda ela é…
Fiquei olhando pra ela naquela posição por mais de 5 minutos seguidos, até que senti um dos seguranças me pedindo pra sair do local.
- Manuela
Toquei delicadamente o rosto dela com a mão – Manuela – repeti de novo
- eh… - ela foi se mexendo, abrindo os olhinhos
- já é hora de ir embora -aahh…que pena, eu acabei dormindo -pois é Ela me olhou e mandou um beijo – vamo nessa? – perguntou me dando a mão -bora Saímos do parque de diversões juntas, não fomos onde os caras estavam, pegamos um taxi direto pro bairro. O silêncio entre a gente já era mais que qualquer coisa, um costume. Chegamos na minha casa, ela pagou o taxi e desceu comigo. -valeu por me trazer -não vai me convidar pra entrar na sua casa? – ela perguntou me deixando sem palavras, cada vez me surpreendia mais -claro – me apressei em dizer – vem. Entramos na minha casa, falamos com a minha mãe… Só ela tava… Depois disso, convidei ela pro meu quarto, a gente precisava conversar. -entra – falei, abrindo a porta pra ela entrar primeiro no meu quarto -valeu – ela sentou no sofá – agora dá pra gente conversar, ou não? -hahaha agora dá Sentei do lado dela, olhando bem nos olhos dela, me aproximei um pouco mais…e me aninhei no pescoço dela, chegando no peito, ela passou a mão direita por cima do meu ombro e começou a acariciar. Me sentia tão completa naquele momento, tão feliz… Mas faltava alguma coisa, sentir o calor do corpo dela através do meu, vi os peitos dela subindo e descendo no ritmo da respiração, começou um formigamento em mim um pouco abaixo da barriga, levantei o rosto pra olhar pra ela e ela continuava acariciando meu ombro. -posso entrar? Ouvimos a voz da minha mãe lá de fora e nos separamos, mesmo não estando fazendo nada de errado -pode sim mãe – falei Ela entrou com um sorriso de orelha a orelha que não conseguia esconder -amor, seu pai não vem hoje porque dobraram o turno dele, eu vou sair um pouco com a Maria e a Carla Sorri (isso queria dizer que a Manuela e eu podíamos ficar sozinhas na minha casa) -tá bom mãe -tchau Manu, se cuida linda -até logo senhora, boa sorte Olhei pra ela e sorri, tava com vergonha, não sabia o que dizer. Ela se levantou, e me olhou pela janela – acho que também já é hora de ir Que?
- Por que não?
- Eu quero que você fique
- Tá bom… me diz como a gente vai resolver isso
- Manu, por que as coisas com você são tão confusas?
- Não sei, por que você diz isso?
- Porque eu nem sei o que a gente é
- Fácil, o que você quer ser comigo?
E agora, o que eu ia dizer pra ela?... Não queria que a gente continuasse assim, mas ser namoradas?? Deus… acho que não aguentaria a pressão de todo mundo por estar com outra mulher.
- Por que você cala a boca, Melanie?
Eu me aproximei dela e, de repente, a beijei. Primeiro, fui abrindo meus lábios devagarinho e os encaixei no meio dos dela, fechei meus olhos e comecei a sentir a maravilha de sensações que sinto toda vez que a beijo.
Esperei ela tomar a iniciativa, queria estar com ela… queria tocá-la, acariciá-la, senti-la… mas ela só tocava meu rosto e aprofundava mais o beijo, foi terno, mas dessa vez não me beijou como fez naquela vez na casa dela. Me arrisquei e desci minhas duas mãos pelas laterais da cintura dela, enquanto ao mesmo tempo enfiava minha língua na boca dela, ela abriu mais os lábios e juntas fizemos aquele beijo ser inesquecível.
Ela me abraçou, mostrando num reflexo sua máxima ternura, era incrível ver que alguém com uma aparência às vezes tão dura e friamente cruel pudesse ser tão frágil e sensível.
Eu estava me apaixonando pela Manuela, o que sentia por ela ficava cada vez mais forte.
Ela pegou minhas mãos, levou aos lábios e deu beijinhos nelas, eu procurei o olhar dela e a beijei de novo.
Por que era tão difícil fazer ela entender que eu queria estar com ela?
Ela me abraçou de novo, sussurrando no meu ouvido que adorava estar assim comigo.
- Manu…
- Fala
Não consegui dizer nada, só beijei o pescoço dela, e subi por toda a orelha esquerda, molhando a orelhinha dela com minha língua, me afastei e vi que ela estava de olhos fechados e começou a morder o lábio.
- Não faz isso – ela disse, tentando abrir os olhos enquanto eu continuava beijando ela do mesmo jeito
- Por quê? — Por que se você continuar fazendo a mesma coisa, acho que depois não vou conseguir me controlar.
Era isso que eu queria…
Enfiei minha mão dentro da blusa dela
E senti o corpo dela tremer. Levei ela pra minha cama e, com um nervosismo danado, consegui que ela deitasse e eu ficasse por cima do corpo dela.
Ela me olhava
E o olhar dela dizia tudo, mas ao mesmo tempo eu não conseguia decifrar nada
Senti a mão dela subir pelas minhas coxas, minha bunda, minha cintura e pelas minhas costas
Deus… sério, eu tava começando a ficar excitada
MANUELA
Ela me deu a entender que queria ficar comigo, me levou pra cama dela e me beijou de novo com uma paixão inexplicável. Senti minha calcinha ficar molhada e foi aí que decidi me levantar e parar o que estava prestes a acontecer.
— O que foi?
— Nada — levantei da cama e arrumei minha roupa e meu cabelo — já é hora de ir, Melanie.
— Por quê?
— Porque já é tarde.
Ela se levantou e me pegou pela mão — Será que você não quer ficar comigo? — e a carinha de menina inocente dela me matava.
Não respondi nada, só dei um beijo no canto dos lábios dela e fui embora da casa dela.
O caminho pra minha casa foi… foi… estranho. Tava morrendo de vontade de ficar com ela, de tocar os lábios dela, de sentir o corpo dela, de ouvi-la…
Mas não, não queria que ela ficasse com uma lembrança ruim de novo, não outra vez.
(No dia seguinte)
— Ei, Manu, onde você ficou ontem com a Melanie, hein? — meu amigo Nicolás se aproximou.
— Ah… Não… em lugar especial nenhum.
Ele me olhou, erguendo a sobrancelha — Ah, pelo amor de Deus… você tem algo com essa gostosa, né?
Olhei pra ele com um sorriso maroto — Não me diga que você gosta dela?
— Hahaha, a mina é bem gata mesmo, mas se você tem algo com ela, eu não vou fazer nada.
— Hahaha, tá… a gente tá meio que junto, mas não conta pra ninguém, que ainda não sei bem o que a gente é, ok?
— Eita… Manuela, mas você se garante, hein? Pegando as melhores sempre, né? Hahahaha
— Ahh… mas qual é a culpa de ser tão linda? — falei na mesma hora que a Lina (uma colega da escola) passou.
— Isso é verdade — ela sussurrou. no ouvido e foi embora de novo
Nós dois caímos na risada, a manhã passou normal
Saímos da escola todo mundo, e a Lina me alcançou
— Manu, podemos conversar?
— Manuela, fala que não — sussurrou o Nicolás pra mim
— Por quê?
— Eu sei o motivo de te falar isso
— Não, espera aí que eu alcanço vocês
— Manu, podemos conversar? — repetiu de novo
— Claro — sorri — fala aí
— Hoje à noite vou fazer uma festa na minha casa, e obviamente você e seus amigos estão convidados
O olhar dela era meio safado, sabia que ela gostava de mim mas nunca rolou nada, ou bom... talvez mês passado no banheiro teve uns beijos mas não passou disso, puta merda... o que tô falando??
— Ahh, beleza, então pode contar com a gente
— Fechou — ela chegou perto de mim e me beijou bem perto dos meus lábios, me deixando de boca aberta, na hora todo mundo que viu começou a vaiar e zuar, falando que entre a gente tinha algo.
Aí me virei e vi a Melanie com duas amigas dela, me encarando de frente, meu coração começou a bater mais e mais forte, mais e mais rápido.
— Oi — andei pra chegar perto dela e dar um beijo
Ela não respondeu e me ignorou completamente
Na sequência, peguei na mão dela e falei que podia explicar aquilo, mas pra piorar a Lina chegou perto da gente
— Love, não vai me apresentar sua amiga? — disse se referindo à Melanie
— Love? Amiga? Que pena, menina — empurrou ela um pouco e chegou do meu lado — mas ela não é seu love e não é minha amiga, ok?
— Gente... já chega — falei me metendo no meio das duas — Lina, a gente fala depois.
— Não, Manuela — a Melanie me segurou — fala pra ela quem eu sou pra você, vai, fala se sou sua amiga, fala...
A voz dela era desafiadora, desafiadora demais
Sorri ao ver que tava no meio de um ridículo e simplesmente patético show de ciúmes, isso nunca me agradou e não ia começar a gostar agora, hoje nem nunca, mas vi a Melanie tão puta que não queria perder ela de novo.
— Ok, Lina... essa menina que você vê aqui — abracei ela — é... é minha namorada Peguei na mão dela e beijei na frente de todo mundo.
Melanie:
Imagina que ela ia dizer que eu era mais que uma amiga, mas não a namorada dela, além de que não foi tão sutil, agora metade da escola sabia, principalmente minhas amigas.
Ela me deu a mão e, quando menos esperava, tava me beijando. Imediatamente me afastei do lado dela, deixando ela surpresa com minha reação.
Mas o que mais eu podia fazer? Não tava preparada pra ser lésbica, muito menos pra que as pessoas já soubessem.
— O que houve com você? — ela me perguntou — Por que você agiu assim, hein?
Olhei pra ela sem saber bem o que dizer. — Vamos embora daqui, tá?
— Você tem vergonha de mim? É isso que tá rolando?
Fiquei em silêncio, ela foi embora e a única coisa que consegui ouvir foi um "perfeito, não se preocupa".
A tarde foi um completo desequilíbrio e bagunça na minha vida. Em casa, com meus amigos, ligava pra ela e ela não atendia… e eu tinha medo de ir na casa dela e ser rejeitada, além de que ela tava toda certa.
Deitei na minha cama deixando o tempo passar, não queria pensar, porque se pensasse, teria que agir, e se agisse, terminaria perdendo de novo.
Não sei quanto tempo fiquei dormindo, não sei… só lembro que a campainha da minha casa tocava e tocava. Chamei minha mãe várias vezes pra atender, mas pelo visto ela não tava em casa. Levantei meio desesperada com a pessoa que tava tocando, desci as escadas e abri a porta quando vi ela.
— Oi — ela falou, meio hesitante.
Percebi que nem me olhei no espelho pra arrumar o cabelo.
— Manuela — exclamei, surpresa — Tava indo na sua casa.
— Precisamos conversar, Melanie.
— Eu sei.
— Posso entrar?
— Claro.
As coisas não precisavam ser discutidas, eu já tinha deixado tudo claro com minha atitude na frente do colégio dela. Só pedi que me desse tempo pra me adaptar a tudo de novo que tava rolando na minha vida.
Ela, cada vez mais, me surpreendia. Levou as coisas com uma maturidade invejável, me abraçou e só disse que eu podia contar com ela.
— Te quero – sussurrei bem perto do ouvido dela
Ela me beijou
Mmm
Que delícia, tava sentindo a mesma coisa que ontem…
Dessa vez não esperei tanto pra enfiar minha língua quando senti ela mordendo meu lábio com os dentes.
Gemi sem pensar
Ela sorriu e continuou me beijando
Sentei no colo dela e levantei as mãos dela pra tirar a blusa
– Ei… para… para
– O que foi, Manuela? Cê não gosta de mim?
– Claro que gosto, quer dizer; eu te adoro, mas você me disse que…
– Shhh – interrompi com outro beijo – esquece o que eu falei, só importa que quero ficar com você
– Mas não assim
– Então como?
– Vou te mostrar que não sou igual ao seu ex-namorado nem a nenhum homem, vou te mostrar que fazer com uma mulher é muito melhor, mas principalmente é muito mais carinhoso quando você faz amor e não só transa, e com você quero fazer a primeira opção.
Manuela:
Peguei na mão dela e levei pro quarto dela
Pronta pra fazer aquela noite inesquecível pra ela.
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