Lupanar - 3ª parte

Voltei pras reuniões mais umas duas vezes só na esperança de ver a Marcela de novo… nunca mais vi ela.
Tava obcecado… pensando em como conseguir alguma pista sobre ela… minha única chance era apelar pro Rubén… não tinha “viciado” de qualquer tipo que ele não conhecesse ou arrumasse…

Fui no bar onde sabia que a gente costumava se encontrar… e onde, na primeira vez, o Rubén tinha me falado do puteiro… e onde, depois de cada informação sobre a reunião, eu pagava os “honorários” dele…

Como sempre, cheguei e fui pro balcão tomar um uísque… e matar tempo… embora meu contato fosse quando o Rubén me ligava no celular… eu não tinha o número dele, porque ele ligava de orelhão… era um profissional…
Minha intuição não falhou… e daí a pouco o Rubén entrou… a gente se cumprimentou com uma leve inclinada de cabeça… ele cumprimentou outros presentes… e veio pro meu lado no balcão. Todo mundo conhecia o Rubén.

Ele me cumprimentou com um tapinha no meu braço… pediu a bebida dele… e a gente começou uma conversa sem sentido.
Eu soltei o comentário sobre o último endereço que ele tinha me passado… e deixei escapar que o melhor que eu tinha conhecido foi uma mulher “cliente”… que tava na primeira vez… que outra vez eu tinha cruzado com ela… e que depois ela sumiu… “Uma loira, alta e gostosa pra caralho…”, falei, semicerrando os olhos. “Hum, loira alta…”, ele murmurou.

Não fez mais nenhum comentário. Sabia que conhecia ela. A gente tomou mais uma rodada de bebidas… e já mais solto, perguntei… “Como é que eu faço pra contatar ela?” Acho que ele já tinha sacado desde o começo que minha conversa ia terminar com essa pergunta. “Não é muito difícil, embora não saiba se seria muito conveniente… por uns negócios, que não vou mencionar, às vezes eu entro em contato com ela…” “Igual outras informações que te passei (isso queria dizer que era por dinheiro), eu poderia te avisar o dia e o lugar onde vou ver ela… e você sabe o que tem que fazer, mas não pode ficar no local…” “São negócios, né?”

Fechamos em Esse trato… embora a gente não tenha falado de um valor, eu imaginei que não seria muito diferente do que eu dava pra ela cada vez que me passava o endereço… e o acesso do próximo puteiro.

Terminamos nossos drinks, paguei a rodada… e saí do lugar. Passaram umas semanas até que o Rubén ligasse… naquele mesmo dia, em algumas horas… numa confeitaria do centro…

Pedi pra um colega me cobrir… avisei meu chefe com uma desculpa inventada de passagem… peguei um táxi… voltei pra casa, me troquei e peguei o carro… tava decidido a esperar por ela…

Estacionei perto do lugar… e na hora marcada… fiquei nos arredores da confeitaria… vi ela descer de um táxi pontual… os tratos eram assim… ela entrou na confeitaria… eu me virei olhando uma vitrine… pra ela não me ver…

Daí a pouco ela saiu, como se nada… procurando um táxi… eu tava na esquina… caminhei na direção dela, torcendo pra não passar nenhum táxi naquele instante… tava a poucos passos… ela virou a cabeça e me viu… meu coração disparou… senti um frio na barriga… cumprimentei ela com uma inclinada de cabeça… ela sorriu e inclinou a cabeça também… já do lado dela, peguei no braço dela… e a cumprimentei… um beijo amigável na bochecha.

Ela tava surpresa… e nervosa… “Tá passeando?”, perguntei… “É… vou na casa de uma amiga…” “Meu carro tá aqui perto… posso te levar?” Acho que ela entendeu que não era legal a gente ser visto conversando no meio da calçada. Ela aceitou… caminhamos uns metros… apertei o controle remoto do carro, pra ela ver qual era o meu… abri a porta pra ela… e ela entrou… eu fui pro lado do motorista, abri a porta, entrei e na hora… sem falar nada, liguei o carro… pra sair dali o mais rápido possível.

Já na estrada… perguntei como ela tava… “Muito bem, obrigada…” “Faz tempo que não te vejo…” Não era muito ético… se você encontrasse alguém que conheceu no meio, tentar abordar. Fazia parte dos códigos. “Tô ocupada com outras…” coisas",...seco,...cortante.
"Pra onde te levo..?" "Aqui já tá bom",...tinham sido só umas quadras. "Marcela,...sei que não é do jeito que a gente se trata, mas queria te ver de novo,...mais que isso, 'preciso' te ver de novo",...enfatizei a palavra preciso,...pra tentar mostrar que tinha algo além de sexo,...na vontade de vê-la,.... "Eu te falei que não te fazia bem,...mas você é insistente,...e às vezes isso compra",...ela tirou um cartão,...me deu "Esse é o número do meu trabalho",...desceu sem se despedir,...ao fechar a porta,...abaixou o rosto na altura da janela,...e fez uma leve inclinada de cabeça.

No dia seguinte na hora do almoço, fui pro endereço do cartão,...era uma galeria de arte na área da Recoleta,......entrei fingindo olhar uns quadros,...apareceu uma moça,...e me perguntou se eu tava interessado em algo,...falei que por enquanto só tava olhando,...ela se afastou,...como despedida, fiz uma leve inclinada de cabeça,...mas a mina não respondeu.

Continuei andando,...de vez em quando parava na frente de algum quadro,...esperava ela aparecer,...não precisei esperar muito,...de um escritório saiu a Marcela,...ao me ver, sorriu,...veio na minha direção,...e a uns passos, com a voz mais alta que o normal, falou..."Senhor Ruate, o que te traz aqui?"....todo mundo ouviu,...eu respondi "Ahh,...Marcela, que bom te ver.." Quando chegou perto, falou "Desculpa, mas não sabia como te chamar",...

Ela me convidou pra entrar no escritório,...aí descobri que era a dona da galeria,...deixou a porta aberta pra evitar qualquer suspeita,...Pediu café pros dois,...daí a pouco entrou uma funcionária com uma bandeja com os cafés.

Sabia que não tinha muito tempo,...então fui direto ao ponto,.... "Você confiou em mim ao me dar seu nome e um jeito de te achar,...quero agir com você do mesmo jeito,.." "Sou Patricio Terán,...trabalho na área de Finanças,...e esse é meu número" tirei um cartão do empresa.
Ela me examinou... como se atrás do meu cargo de Gerente... e daqueles números de telefone... pudesse ter mais informação... “Mas eu tô disposto a te dar toda a informação pessoal que você precisar... pra que possa confiar em mim... e a gente poder sair...”
Ela se recostou na cadeira... numa posição defensiva... “Talvez não seja muito conveniente a gente sair...”... fez uma pausa... “Mas considerando que nenhum de nós dois tem problema em fazer coisas inconvenientes... vou pensar.”
Essa resposta... entre pessoas da nossa classe... significava... assunto encerrado. Tomei o café... nos despedimos... e saí do escritório dela.
CONTINUA...

2 comentários - Lupanar - 3ª parte

espero el siguiente que ya voy leyendoooooo!!!gracias maestro! 😉