O preço do dinheiro - Parte 1

Desde que entrei na empresa,… tive uma carreira muito boa,… depois do meu estágio de 6 meses,… fui efetivado na hora,… e me mandaram pra área de atendimento corporativo, que era exatamente onde eu tinha dito pra minha chefe que queria me especializar,….

Já tinha me formado em Marketing,… falava inglês quase perfeitamente,… e achei que foi isso,… mais meu tempo e dedicação durante o estágio, que motivou minha ida praquele setor.

Devo dizer,… que junto com meu gosto pela área internacional, tinha o fato de poder viajar,… organizar eventos,… e andar com os melhores clientes da empresa. Ahh,… esqueci de contar que trabalhava pra uma das maiores empresas de cartão de crédito,… internacional,… e pertencer a ela tem seus benefícios.

Originalmente consegui o estágio por meio do meu padrinho,… que tinha sido colega da gerente em outra empresa,… e ela acabou sendo minha chefe no final,… Era uma senhora,… bem resolvida,… uns 47 anos,… muito cuidada,… e dava pra ver que tinha uma boa renda,… pelo jeito das roupas,… e dos gostos,….

Desde o começo ela foi muito legal comigo, o que no início eu achei que era por ser conhecida do meu padrinho. Aproveitei essa situação,… pra mostrar toda minha capacidade e vontade de trabalhar,… sou do tipo que acredita que pode estar bem momentaneamente se conhece alguém, mas nesse tipo de empresa é mais seguro criar a imagem de que você é um bom funcionário do que se esconder atrás de amizade. Mas era inegável,… que parte do tratamento dela vinha de uma certa amizade. No dia que me formei, foi ela quem organizou um almoço de comemoração,… junto com meus colegas de escritório,… pra me homenagear.

Assim que meu estágio terminou, foi ela quem me informou sobre minha contratação,… e as novas condições de trabalho.
Junto com uma jornada completa de 8 horas,… veio um pequeno aumento de Salário,..o plano de saúde,…e outros pequenos benefícios.
Eu agradeci a ela, politicamente,..e disse que esperava poder continuar minha carreira naquela empresa. Comecei a participar de eventos,..e ela atuava como minha tutora,..me dava instruções,..me explicava o que fazer e o que não fazer,…enfim,…todas aquelas coisas que não te ensinam na faculdade,…e que só se aprende ao lado de alguém que tem experiência e vontade de ensinar.

Os meses foram passando,..e aos poucos, eu ia ganhando experiência para me virar sozinho. Também vieram outros aumentos de salário,..outros benefícios,..a tal ponto que, depois de um ano da minha efetivação, eu já tinha um bom salário,…considerando meus 23 anos,..e que era um profissional recém-formado.

Um certo dia, ela me chamou no escritório dela,..para me apresentar aos filhos dela,…..a filha mais velha devia ter uns 26 anos,..e o filho mais novo, uns 19,…ao me apresentar, ela disse: “apresento a vocês o Guillermo,…talvez um dos melhores garotos que já tive o prazer de formar na empresa…”

Eu me senti lisonjeado,….cumprimentei os dois,..a filha dela com um beijo na bochecha,..e o filho com um aperto de mão,…conversamos sobre coisas genéricas,..da faculdade ,…dos estágios,….e até fizeram piadas,…sobre como devia ser ter a mãe deles como chefe,…eu, para retribuir os elogios,..disse: “não é sempre que a gente encontra uma pessoa com a experiência da sua mãe que tem paciência pra ensinar um profissional recém-formado como eu”….isso pareceu iluminar o rosto da minha chefe,….ela só comentou….”e você não faz ideia do quanto ainda vou te ensinar…”…o que soou como um aviso de muito trabalho pela frente.

Ao olhar para os filhos dela, pude ver a grande diferença que existia entre nós,….eles transbordavam “dinheiro”,…e eu tinha feito metade do ensino médio,..e a faculdade inteira,..trabalhando nas mais diversas atividades,….mas, segundo minha chefe,..”isso era o que dava um plus às conquistas,….”,…e ao Parecia ela, com um passado mais próximo do meu, me lembrava... que aprender a se virar sozinho desde cedo... embora destacasse o valor de ter uma família, era o que tinha permitido ela seguir em frente depois de ficar viúva há uns cinco anos atrás... "estudos... dedicação... e coragem..." são a fórmula do sucesso... ela repetia pra mim.
Depois descobri que tinha sido tudo isso... mais uma boa conta bancária e umas propriedades que tinha herdado do marido.

Aos poucos, fui me transformando numa espécie de assistente... todo meu trabalho era direto com ela... e meus horários se estendiam, assim como meu salário... acho que ela estava me dando um empurrão extra ao me passar tarefas que me fizessem progredir mais rápido...

Meu trabalho era full time... e, igual a ela, o trabalho acabou virando minha atividade quase exclusiva... minha vida social não era muito ampla... e de vez em quando ela me dizia que na minha idade eu tinha que fazer outras coisas... mas ao mesmo tempo me enchia de serviço, de um jeito que quase não dava tempo de terminar tudo na semana... as viagens viraram rotina... e ela me apresentava como o "golden boy" dela... eu era o produto da formação dela... e ela me mostrava nos círculos mais altos da empresa... isso tinha seu lado bom... mas também estava cobrando seu preço.
Certa vez, por falta de tempo pra fazer uma apresentação, ela me pediu se podíamos nos encontrar na casa dela no sábado de manhã pra terminar, já que na segunda a gente viajaria pra Miami.

Ela morava numa casa linda no bairro de Villa Devoto... quando entrei, notei que era cuidadosamente decorada... sóbria... mas com coisas caras... ela mandou a gente ir pro escritório, onde já tinha espalhado todo o material do trabalho... outra coisa que me chamou a atenção era que o que ela chamava de "escritório" parecia uma filial do escritório que ela tinha na empresa... tinha DE TUDO... computador com tela plana... fax... dois telefones... uma mesa ampla... biblioteca... fotocopiadora... e até uma tela plana "grandona" que ela disse que usava nas teleconferências com a matriz...

Tudo aquilo era fascinante pra mim... e cada vez entendia mais por que ela era tão viciada em trabalho... começamos com a nossa parada... quando a filha dela chegou... cumprimentou a gente... e só naquele momento percebi como ela era gostosa... corpo bonito... traços lindos... e vestidinha fina... a calça de moletom dela deixava ver a borda de uma fio dental que marcou bem quando ela se abaixou pra beijar a mãe... A mãe pediu pra ela trazer café... me perguntou se queria algo pra comer... mas sabendo do nojo dela se sujasse as coisas... falei que só café tava de boa...

Poucos minutos depois a filha voltou com uma bandeja de café... e quando se abaixou pra deixar as xícaras... também pude ver que tinha uns peitos generosos, embora não muito grandes... Me chamou a atenção que não tivessem uma empregada...

Chegou a hora do almoço... e minha chefa me convidou pra comer com eles... e que de quebra a gente podia continuar o trampo um pouco à tarde... fomos pro refeitório... e chegaram a filha dela (já trocada)... e o filho ainda de roupa de academia... dava pra ver que os dois, além de estudar, só faziam "nada"...

Apareceu uma empregada com uma bandeja de milanesas e duas saladeiras cheias. Deixou do lado da minha chefa, e foi ela mesma que foi servindo a gente... dava pra ver que por trás de toda aquela vida boa, ela ainda mantinha o toque de qualquer mãe de família.

A conversa foi desde esporte... até o quão competitivo era o mercado de trabalho... e a dedicação que exigia estar nos cargos tops de qualquer empresa.
A conversa era monopolizada por ela... e mostrava uma personalidade de mulher que conseguia tudo o que queria. Senti que admirava ela. Depois do almoço voltamos pro trampo até meio da tarde. Me despedi e combinamos de nos encontrar no aeroporto na segunda de manhã. Meus trampos de sábado começaram. a se tornar quase rotineiro... e eu comecei a me sentir em casa... eu morava sozinho... e a verdade é que comecei a gostar de passar esse tempo ao lado da minha mentora. Os filhos dela me tratavam como igual... e, embora a filha fosse alguns anos mais velha que eu... quando podia, dava em cima de mim, dizendo que ao lado da mãe dela eu me tornaria um executivo brilhante... com muito futuro... “você não tem ideia do que vai conseguir ao lado dela... desde que esteja disposto a pagar o preço...” ela me dizia com o sorriso cúmplice da mãe dela.

CONTINUA...

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