Desde pequena sempre fui assim, quando algo não me agradava, me trancava no quarto e me imaginava como a protagonista de uma história que eu inventava.
Uma história que sempre voltava, onde eu era a bela dama que esperava paciente — enquanto vivia uma situação complicada — que o amor, na forma do homem dos sonhos, viesse me levar para um mundo cheio de momentos felizes.
Tudo muda na vida — pelo menos pra mim —, tudo mudou, menos esse jeito de me abstrair do sofrimento imaginando uma fantasia; claro que não passo os dias trancada pensando naquelas histórias que eu fabulava quando era pequena, mas de vez em quando me permito, e surgem lembranças gostosas das minhas fantasias de infância.
Deixei muita coisa de lado pra construir o império que tenho. Sim! Pode parecer vaidoso, mas é a verdade. É um império onde, sendo sua presidente, tenho um grupo de assessores, e eles cuidam pra que os negócios que a gente encara sempre me deixem triunfar e manter um sorriso (uma mistura de satisfação e orgulho por eliminar possíveis adversários do caminho que tracei).
Chegar aos trinta e cinco anos e sentir que meu nome é pronunciado com respeito, e que pra muitas outras executivas sou um modelo a seguir, me enche de orgulho.
A virtude — minha virtude — está em enxergar negócios onde outros não veem — é instinto natural em mim —, mas na verdade é só ficar ligada nas variáveis do mercado e dar o bote na hora certa. Meus assessores dizem que pareço uma tigresa à espreita da presa e que eu curto — e curto mesmo — quando afundo minhas garras no novo troféu conquistado.
Até aí eu vou, depois é tarefa deles fazer os lucros multiplicarem e me deixar viver com os luxos que tanto me agradam.
Tenho tudo que desejo: inteligência, um corpo bonito, altura normal, um rosto agradável onde meus olhos, segundo dizem, podem hipnotizar dependendo da situação; também tenho uma mansão com um parque imenso, piscina aquecida, salões amplos. de recepção que uso duas vezes por ano pra celebrar as festas temáticas mais comentadas nas revistas de fofoca (me divirto vendo depois as fotos que os jornalistas tiram dos espectabundões), mas também tenho — isso pouca gente sabe — um apartamento simples onde me refugiar, onde meu nome não é conhecido.
Comprei ele há um tempo, quando tive um caso com o Sergio e nossa exposição pública já não permitia mais nenhum tipo de intimidade. Era nosso ninho, o lugar que guardava toda nossa paixão e aquelas palavras — as especiais, às vezes bregas, ou um tanto escandalosas — que, como casal apaixonado, podíamos dizer um pro outro.
Cumpriu essa função até eu descobrir que o Sergio mantinha uma situação paralela, e minhas ilusões e projetos desabaram pra sempre.
Fiquei trancada naquela época pelos doze piores dias da minha vida. Doze dias pra velar cada um dos meses que tinham sido do amor mais intenso que vivi, e no fim deles ressurgi forte e gostosa como sou agora.
Quando reapareci na frente da Mônica e da Graciela (depois do meu luto), era um trapo humano, abatida, com olheiras e muito mais magra porque minha única comida tinha sido chá de menta e quantidades industriais de cigarro.
Elas cuidaram de mim, me levaram ao melhor SPA da cidade e em uma semana, entre médicos, dermatologistas, estilistas, massagistas e os caralhos, conseguiram que minha aparência mudasse por completo.
Me analisar na frente do espelho — com a pele tão macia, os cabelos lisos e brilhantes, os olhos maquiados de um jeito que destacava ainda mais o verde natural deles, as mãos perfeitamente cuidadas, umas calças que pareciam minha segunda pele e uma jaqueta justa que só permitia usar um sutiã por baixo — fez com que eu me visse como um ser desejável e, desde então, mudei minha forma de viver. Nunca fui de duvidar de mim mesma, mas tenho que admitir que a aparência exterior reforça a imagem mental, e desde então continuo o culto a ela.
Hoje eu Decidi me dar uma licença — na minha vida e no meu trabalho — por vários dias. Avisei o Mariano que não vou à empresa e que deixo nas mãos dele as decisões que precisarem ser tomadas.
Mariano é "meu braço direito", e o esquerdo também. Ele entrou na minha, na época, média empresa, quando estava procurando emprego recém-formado. É ambicioso, inteligente e capaz; reconheço nele uma qualidade fundamental: ele curte o trabalho dele e é habilidoso no uso das zonas cinzentas das leis. Além disso, é um dos executivos que podem disputar as melhores empresas a qualquer custo.
A experiência me ensinou que ele jamais vai tomar uma decisão que me prejudique, porque isso o privaria do prazer que sente ao ver nossas "vítimas" assinando as cessões de direito. Mariano é um advogado brilhante, sabe o quanto eu o valorizo, mesmo quando chamo ele de "meu gurkha pessoal", e ele é isso mesmo; é selvagem como ninguém quando se trata de cumprir um objetivo, e nada o para até concretizá-lo. Na real, somos um o complemento exato do outro: eu caço, e ele despedaça pra mim.
Depois de comunicar meu descanso ao Mariano, decidi que não serei eu, a de todo dia, que vai sair pra ver o mundo. Vou ser uma aventureira em busca de algo. Já vou determinar o quê!
Jeans elastizado, uma camisa branca amarrada na cintura com umas manchinhas de tinta, a maleta típica de óleos e pincéis, meu cabelo preso, quase nada de maquiagem, e me jogo pra caminhar.
Assim vestida, sou mais uma pessoa andando pelas ruas da cidade, vou me afastando em direção às avenidas que a circundam porque tenho um propósito: encontrar um homem bonitão, um que me atraia de verdade.
Me acostumei a decidir o que quero, como quero, com quem quero, e pra isso, essa aparência de mina boêmia e simples é a melhor isca.
Tenho bem claros os motivos pelos quais penso em achar um homem. Acontece que os jovens precisam ser ensinados, mesmo quando Eles acham que sabem tudo, e eu não tenho vocação pra ser professora! Já com um homem é tudo mais fácil, eles sacam na hora qual é a parada e, como sempre têm obrigações pra cumprir, se deixam levar por uma experiência diferente.
Paro num ponto de ônibus e fico olhando os carros passando, observando os motoristas porque, nessa área, eles têm que reduzir a velocidade.
Minha presa se aproxima dirigindo uma BMW (pelo menos aprendi a diferenciar as marcas, porque de modelos e todo o resto dos detalhes, não entendo nada, e essa é daquelas com bancos de couro e painel de madeira envernizada, no fim das contas como todas dessa marca). É exatamente como eu quero, não passa dos quarenta anos e já me viu. Faço sinal e ele para (era certeza disso), pergunto se pode me levar alguns quilômetros adiante e ele topa.
— Valeu, gato. — Falo enquanto me acomodo no banco do carona.
— Você se atreve a tudo, né?
— Por quê?
— Parar um carro assim...
— Não tinha outra opção. — Respondo com um sorrisinho.
— Agora, o... por quê? É meu.
— Bom, percebi que não tenho dinheiro e tô cansada pra andar.
— Ah, então me escolheu como "motorista"?
— Fechou. Me descobriu! E quanto o "motorista" vai me cobrar pra me levar até meu apê?
— Depende. — Ele fala com um sorriso bem sensual, e eu finjo que tô ligada no jogo dele e respondo:
— Uau, tô ouvindo sua oferta. — Um sorriso cúmplice brota nos meus lábios.
— Te levo até seu apê se me pagar uma dose e um café, que tal? — Outro sorriso da parte dele e um olhar onde finjo estar totalmente apaixonada por ele.
— Fechado, mas pelo menos me diz seu nome.
— Pablo, e você se chama...
— Andrea. Me chamo Andrea, Pablo. — Falo com um sorrisão — triunfante, pra mim — porque consegui o que queria.
— Agora que sou oficialmente seu "motorista", me mostra o caminho.
Vou indicando o trajeto entre olhadinhas e comentários. Elogiador. Sei o nome dele, que tem quarenta anos (não aparenta), que vem de uma separação e não quer compromissos (isso eu gosto, também não quero), que é executivo de uma empresa (finjo não entender nada disso, e isso o diverte), que mora na zona norte da cidade, na área residencial, e que se mudou pra lá há pouco tempo (pelos dados que me dá, percebo que mora relativamente perto da minha mansão, e isso me faz duvidar, mas sigo com meu plano). Tem coisas que não preciso perguntar, dá pra ver um corpo atlético, cuidado, e ele tem muita presença.
Assim, quase de passagem, uma das mãos dele pousou no meu joelho, acaricia minha coxa, minha resposta não demorou e com um movimento suave e estudado, começo a acariciar a coxa dele, roçando com minhas unhas do joelho pra cima. O rosto dele mostra que causou o efeito que eu queria, e isso me deixa feliz porque então vou ter com ele o jogo que tanto me agradava.
Ele continua dirigindo conforme minhas instruções e também continua explorando o novo terreno que se apresenta servido de bandeja. A mão dele acaricia, aperta, tateia de novo não só minhas pernas, mas também minhas costas, pescoço e meus peitos.
Ele sabe fazer isso – é evidente que sim – porque tô gostando, e muito: eu incentivo com alguns suspiros, uns olhares e, principalmente, com minhas mãos que começaram a percorrer o pescoço dele e, quando uma sobe devagar pelo cabelo dele, a outra desabotoa um botão da camisa dele pra acariciar o peito. Ele gosta e só diz:
– Já provei suas mãos, agora quero provar sua boca.
– Pode ser perigoso.
– Por quê?
– Você tá dirigindo. – Falo com um sorriso cheio.
– Você sempre tem uma resposta?
– Eu tento, e você, sempre tem uma pergunta?
Nós dois rimos, e quando paramos num semáforo, ele me beijou. Digo bem, ele me beijou porque foi absolutamente possessivo naquele beijo e explorou minha boca como o melhor espeleólogo que pode existir. Gosto que ele tenha decisão, que não seja Não fiquei com vontade de nada, tentei dominar a situação, mostrar minha inteligência.
Quando chegamos ao prédio onde fica meu apartamento, o porteiro só pergunta se o senhor vai me acompanhar e se vai estacionar o carro na garagem; respondo que sim, que o senhor vai ficar um bom tempo no apartamento, porque vamos discutir negócios.
Pablo acena com a cabeça e eu continuo séria.
Subimos e ambos rimos, fazendo menção ao negócio que temos entre mãos, nunca tão bem empregado o termo, já que nossas mãos e nossas bocas reconhecem o terreno com gosto.
Entramos e ele gosta do lugar, me diz que é muito luxuoso para eu ser apenas uma pintora, que devo vender muito bem meus quadros, senão não conseguiria manter esse lugar. Olho para ele, mas não dou explicações, e só vou buscar algo para beber enquanto o convido a sentar no sofá.
Preparo algo simples, uísque com refrigerante Booty e levo numa bandeja com um balde de gelo. Ele – solícito – ajuda a distribuir na mesinha de centro que fica na frente do sofá.
Não tem preâmbulos, ou tem, porque enquanto bebemos nos pegamos de boca boa e estou descobrindo que gosto da boca dele, dos lábios, do jeito de beijar que às vezes é possessivo e outras vezes absolutamente suave e terno.
Ele tirou minha camisa, gostou do que encontrou e acaricia, amassa, sopra e lambe por cima do sutiã. Parece saber que isso me excita e eu já desabotoei a dele, afrouxei a gravata e soltei o cinto.
Nos olhamos no meio de tantas carícias e decido que merecemos o quarto. Levanto e, pegando a gravata dele, o puxo como se estivesse guiando um cachorro. A ideia me agrada, só digo:
– Olha, sua gravata é a coleira e eu te guio como se fosse meu cachorrinho.
– “Au, au”. É a resposta dele, sorrindo.
– Vem, cachorrinho, sobe na cama da sua dona.
– “Au”. De novo como resposta, isso me mostra que ele entrou no meu jogo.
Ele se joga na cama, eu me sento montada nele e tiro a gravata, de certa forma eu o tenho preso e à mercê do que eu quiser fazer. Sorrio com malícia e, semicerrando os olhos, digo:
– Você gostaria de ser totalmente dominado, está disposto a que eu tome a iniciativa?
– Nunca foi assim, adoraria!
– Você disse. Você disse que sim.
– Claro que eu disse, gosto muito de experimentar coisas diferentes.
– Beleza.
Me inclino para frente e seguro, com cada uma das minhas mãos, seus pulsos e os prendo no colchão. Ele não oferece resistência e exclama:
– Você é rápida, Andrea, pra começar os jogos.
– Quero me divertir tanto quanto você, e é melhor não perdermos tempo.
– Gosto que você seja assim, diferente, imperativa.
– Então se cuida, não vá ser que depois você não goste.
Sua risada ecoou no quarto, enquanto ele dizia: “Por acaso você pensa em me sequestrar?”.
Penso que é melhor ele rir, porque se for tão agradável, será meu parceiro de jogos por mais que algumas horas.
Solto uma das mãos dele e estico a minha até chegar na barra – que existe dos dois lados da cabeceira da minha cama – estico e tateio em busca da argola de um jogo de algemas e, com um movimento rápido, prendo o pulso dele. Faço o mesmo com a outra mão e assim o tenho seguro para mim.
Os olhos dele olham para os dois lados e não acreditam no que está acontecendo. Ele se olha e me olha, nota a mudança em mim, já não sorrio docemente, mas ele se recompõe e se entrega orgulhosamente ao jogo.
Me sinto triunfante. Cacei minha presa e isso me enche de adrenalina e desejos – desejos de brincar com ele, como se fosse uma gata com um rato que tem encurralado – aproveito o poder que me dá tê-lo amarrado e agora ele saberá o que é ser beijado.
– Fica quieto! Quero sua boca fechada! – digo – porque de agora em diante, você só vai fazer o que eu quiser, entendeu?
– Sim. Foi sua resposta lacônica e, em seguida, ele juntou os lábios.
Me acomodo ao lado dele, olho para ele e decido tirar sua calça e sua cueca. Deixo a calça dele de lado na cama, no chão. Sinto o cheiro da calcinha e, pendurada num dedo, passo ela roçando de leve no corpo dele. Ele tenta falar alguma coisa, e eu lembro que ele tem que ficar calado, ganhando um beliscão num dos mamilos (não curtiu muito, mas pra mim foi o mínimo castigo por não obedecer).
Pego o rosto dele com minhas mãos e começo a beijar os lábios dele, me dá vontade de mil beijinhos e minha língua sabe que desenhar os lábios dele com ela vai aumentar a temperatura. (Quero isso, quero ele quente e cheio de tesão pra depois decidir o que fazer). Continuo brincando na boca dele até que, sem querer, ele se abre pra mim, e é aí que quem explora sou eu, e quando ele tenta reagir, levo uma mordidinha na língua dele e continuo chupando com gosto.
É estranho, quando todo mundo se desconcentra com a mordida, no Pablo estimulou. O pau dele deu um pulo, agora a estimulada sou eu, que quero enlouquecer ele até o ponto de me pedir pra dar pra ele.
Desço até o queixo dele e meus dentes prendem ele, e minha língua molha. Vou percorrendo o pescoço dele em direção à orelha. Chego e mordo o lóbulo, solto e falo:
– Você não faz ideia de como vou te aproveitar. Vai me pedir por favor pra te cavalgar.
– Ahã – ele responde, única resposta (gosto do jeito dele mostrar que, mesmo amarrado, tenta dominar a situação).
Tô num jogo de forças, ele não se curva e eu quero curvá-lo. Curto isso. É um homem à altura que encontrei, não vai ser só um jogo sexual, vai ser também um jogo de inteligências.
Lambo o peito dele e, enquanto percorro, minhas unhas deixam marcas num rosa que, aos poucos, vira um tom mais forte. São minhas marcas na pele dele e continuo pela barriga, pelos quadris, coxas e chego nos pés dele.
Me esfrego na pele dele, me delicio sentindo o pau dele cada vez mais duro, roçando com meus mamilos, com minha buceta, com minhas coxas, de leve com meus pés.
Tô de pé agora, com os pés dos dois lados da cabeça dela e decidi que quero sentir a língua dela me lambendo, vou descendo e me seguro na cabeceira da cama e ordeno,
- me lambe até me fazer gozar, senão você nunca vai ter o seu.
A língua dela começa a agir, primeiro devagar, lambendo meus lábios, molhando eles ainda mais, depois são os lábios dela que sugam os meus e puxam eles. A ponta da língua dela brinca, percorre, separa, sobe e desce do meu clitóris até minha buceta.
Às vezes o percurso é lento, depois frenético, às vezes é uma ponta afiada, outras é uma lambida inteira onde a língua toda desliza por esse canal até minha buceta. Ela brinca na entrada, toca com ela, sopra o hálito quente e minha pele se arrepia.
Ela faz maravilhas e eu tô morrendo de vontade de sentir ele dentro, mas pedi um orgasmo e não vou ceder à tentação.
Os dentes dela roçam de leve no meu clitóris e escapa um gemido, um mar de fogo, então ela me ataca de novo em forma de língua, os dentes seguram e a língua roça e roça e quando acho que não aguento mais, é o momento em que ela enfia na minha buceta. Entra e sai, fica me acariciando até onde o comprimento da língua dela permite. Volta a roçar meu clitóris com mais força, e faz muito bem, nós duas sabemos que tô molhada e se continuar assim não vou me segurar. De repente ela para, tenta se rebelar e eu volto a ser imperativa. Enquanto aproximo ainda mais meu púbis da boca dela, ordeno,
- continua, não te mandei parar em momento nenhum. Vai, faz isso! Ao falar, pego os cabelos dela e puxando, aproximo a cabeça dela da minha buceta.
Ela reage e continua o trabalho, isso me conforta duplamente porque me excita no físico, mas também no mental, já que ela entendeu.
- Muito bem, continua assim. É um prazer saber que você me entende.
Ela não responde e sinto os dentes dela apertando mais meu clitóris (sorrio com a rebeldia dela) e puxo os cabelos dela de novo pra mostrar a relação de poder que existe. A realidade É que me excita não só porque ele atua magnificamente bem como amante, mas me excita a rebeldia dele, esse desejo de se impor que ele tem mesmo estando amarrado.
- Você é bom e, se conseguir, vou te mostrar o quão boa posso ser com você.
Sinto a língua dele novamente me atravessando, molhando, acariciando e, instintivamente, me movo no ritmo que ele propõe. Ele vai conseguir. Vai fazer eu ter um orgasmo porque minha respiração está ofegante, meu pulso acelera cada vez mais e todo o meu corpo responde ao estímulo que recebo. Meus peitos estão inchados e, se apenas roço meus mamilos, uma sensação de eletricidade me percorre e converge no meu púbis. Estou cada vez mais molhada, ele sabe porque agora a língua dele se dedica a entrar na minha buceta. É um punhal que entra e sai e cada vez consegue me acender mais e melhor até que eu explodo e me sacudo e me elevo e me tenso e arqueio e depois, a calma e o relaxamento dos músculos junto com um suspiro profundo.
- Você conseguiu e, como bom cachorrinho, vai receber a recompensa.
Ele me tirou do jogo, mentalmente conseguiu me afastar do jogo proposto e, ainda mantendo minhas habilidades de caçadora, estou desejosa de saborear minha presa. Deslizo sobre o peito dele até roçar o mastro dele e começa "meu jogo", o roçar é intenso. O pau dele está ereto, quente e, ao roçá-lo contra minha umidade, surgem novas sensações que adivinho no rosto dele.
Continuo por um momento me roçando contra ele, noto que a respiração dele acelera um pouco e isso me diverte. Quero que ele sinta que vai explodir, que não tem controle do orgasmo dele, quero ser eu quem decide sobre a vontade dele e lhe oferece o melhor, e de uma forma diferente.
Abandono o roçar contra meus lábios e desço sobre o corpo dele, minhas mãos tocam e apertam o peito dele e, quando o membro dele está ao alcance da minha boca, começa meu festim. Me posiciono entre as pernas dele e, como um deus pagão, o venero. Não sei como dar prazer sem senti-lo primeiro, e adoro me deliciar com um bom Fellatio.
Adoro quando minha língua percorre a maciez da pele dela, me excita sentir o calor que emana do botãozinho dela e eu quero apagá-lo com umas lambidas que começam curtas e se transformam em profundas.
O desejo de adorá-la cresce em mim quando eu a percorro com meus lábios por todo o comprimento e, ao voltar, minha língua deixa seu rastro de umidade nela.
No momento em que decido por uma comunhão profunda, começo a chupar e sugar, sinto prazer em sentir como ela invade minha boca, ali me dedico a molhá-la completamente com minha saliva e a percorro de forma que inúmeras vezes entre e saia da minha boca.
Não existe nada tão especial, único e prazeroso quanto senti-la na minha boca e dar a ela o tratamento e a adoração que merece.
Não perdi o toque mágico. Sei que ele já não se controla quando ouço ele dizer:
– Não aguento mais!
É o momento que eu esperava e as palavras certas. Tiro ele da minha boca e sopro no pau dele. A reação não demora:
– O que você tá fazendo?!
– Prolongar minha diversão e seu prazer. Por acaso você pode me dizer que foi ruim?
– Ruim não. Estranho, talvez. Diferente de tudo que eu esperava.
– Nunca espere o comum de mim. – falei enquanto meus dedos polegar e indicador, em formato de anel, tentavam abarcar a grossura do falo dele e deslizavam por ele.
Coloquei o pau dele de volta na minha boca e, dessa vez, causei a sensação de vibrações só com o som de um "mmm" reverberando na minha cavidade bucal. Só ouvi dele um:
– Me fode agora, por favor. Me entrego. Não vou mais resistir.
Consegui o que queria e me levanto triunfante pra montar nele como uma mulher no cio. Eu cavalgo ele do meu jeito, de vez em quando me inclino pra que meus mamilos rocem a pele dele, depois me ergo, subo e desço rapidamente, até que finalmente meu orgasmo é incentivado por um rio de lava quente que me inunda por dentro e eu termino deitada sobre o peito dele.
Assim deitada em cima do Pablo, me estico pra tirar as algemas dele, depois vou tomar um banho.
– Vem, anda aqui, cachorrinho lindo!, você merece um bom banho.
- Como você quiser.
Eu escuto e sorrio, gosto que ele continue esse jogo.
Ele entra no chuveiro dizendo,
- Gostei do seu jogo, é algo diferente e divertido. Diz sorrindo.
- Fico feliz, porque me diverti muito.
- É?
- Sim, por quê? E enquanto falo, ele pega minhas mãos e as amarra com a gravata dele, dizendo: "Seu jogo me mostrou que me privar de te tocar foi uma experiência onde tive que aprender a receber prazer sem poder intervir diretamente. Agora você será, no chuveiro, quem vai tomar do seu próprio remédio."
A água cai sobre meu corpo e ao mesmo tempo suas mãos me percorrem. Ele me acaricia, belisca meus mamilos, morde meus lábios antes de me beijar e depois faz isso sendo absolutamente possessivo.
Puxando meu cabelo, consegue que eu me ajoelhe, beijo e chupo, mas ele não me permite muito mais. Ele me manda levantar e me vira, ficando de costas para ele. Beija minha nuca, me mordisca enquanto acaricia por trás minha buceta, me inclina para frente e sinto o pau dele me penetrar,
- Você gosta, né? Gosta de sentir que não tem o controle.
- Sim, eu gosto!
- Aprendi rápido seu jogo e é muito gostoso.
Sinto ele entrar e sair e fico molhada. Já fazia tempo que tinha esquecido como era se deixar levar pelo outro. Aproveito um orgasmo que não esperava e as últimas estocadas ele dá me segurando forte contra ele ao mesmo tempo que beija e mordisca meu pescoço.
Ele me vira de novo, solta minhas mãos e agora me beija com uma suavidade incrível. Nos olhamos nos olhos e sorrimos.
Enrolados cada um em uma toalha, saímos do banheiro e sem pensar vou preparar café, enquanto bebemos, ambos temos vontade de conversar, mas nos seguramos.
Na minha mente, flashes do que aconteceu há pouco tempo atrás se sucedem e também vislumbro uma possibilidade, a de ter na minha frente o homem que tem os mesmos gostos que eu. É evidente que nos damos bem, senão ele teria ido embora ou dito algo. Em Nesse momento, aflora em mim aquele instinto que me fez ser uma boa empresária e pergunto:
– Você curtiu?
– O quê?
– Ficar amarrado?
– Com certeza, sim.
– E você, curtiu o banho?
– Aham. Posso te propor uma coisa?
– Tô ouvindo...
– Você não sabe nada sobre mim, assim como eu não sei nada sobre você, mas é óbvio que nós dois curtimos umas brincadeiras sexuais e nos entregamos a elas sem preconceitos nem inibições. Você toparia ter encontros regulares como esse, ou até melhores?
– Você é direta, sem dúvida, e também rápida pra tomar decisões. Não tô acostumado com esse tipo de proposta – aliás, é a primeira que recebo –, mas vou dizer que sim.
– Agora me diz: por que você aceitou?
– Pelo mesmo motivo que me fez parar o carro. Você é gostosa e eu não resisto a isso, mostrou ser inteligente e isso me agradou ainda mais, e agora prova que quando algo te interessa, você fala na lata, sem rodeios.
– Pelo visto a gente fala a mesma língua. Quer alguma coisa disso por escrito?
– Acha necessário?
– Só pra garantir meus direitos caso você se arrependa.
– Você toma precaução pra tudo, não tem aquele espírito livre de artista.
– Tô acostumada a ser precavida.
– Parece até aquela maldita executiva com quem vou discutir negócios daqui a três dias.
– Quem?
– Andrea Sinclair.
– Tem medo dela?
– Não, ainda não, mas me disseram que ela é implacável e nunca deixa nada ao acaso, que tudo tem que ficar por escrito e que, quando quer alguma coisa, não desiste até conseguir.
– Isso me parece perfeito. E o que mais sabe sobre ela?
– Os fofocas de sempre: que é bonita, inteligente, astuta e habilidosa pra conseguir o que quer.
– Ah, igual a mim.
– É verdade, você mostrou ter as mesmas qualidades que ela.
Prefiro ficar quieta, porque pelo visto em poucos dias a gente vai se encontrar cara a cara por causa de algum negócio especial.
Vai ser divertido ver a cara dele quando a gente negociar. Dessa vez a situação vai ter um algo a mais. Nem esperava por isso. Conheci minha próxima "vítima" sem ela saber quem sou.
- No que você tá pensando?
- Besteiras, só queria saber como vai ser a Andrea Sinclair na cama.
- Com certeza uma mulher tradicional, sem criatividade, totalmente previsível, incapaz de propor nada pro parceiro. Esse tipo de mulher que coloca toda a libido no trabalho e em casa é a maior das sem graça.
- Você acha?
(Vou falar com o Mariano pra ele adiar a entrevista até eu conseguir que o Pablo e eu cheguemos a um acordo sobre nossas brincadeiras. Caso ele não aceite, tô pronta pra chantagear ele com o vídeo de tudo que rolou no quarto. Já sabia que gravar com aquela câmera escondida uma hora ia dar resultado).
Já não fico mais criando fantasias na minha cabeça, não preciso de príncipes pra me salvar. Eu me salvo sozinha toda vez que tiro dois dias de folga do trabalho.
Uma história que sempre voltava, onde eu era a bela dama que esperava paciente — enquanto vivia uma situação complicada — que o amor, na forma do homem dos sonhos, viesse me levar para um mundo cheio de momentos felizes.
Tudo muda na vida — pelo menos pra mim —, tudo mudou, menos esse jeito de me abstrair do sofrimento imaginando uma fantasia; claro que não passo os dias trancada pensando naquelas histórias que eu fabulava quando era pequena, mas de vez em quando me permito, e surgem lembranças gostosas das minhas fantasias de infância.
Deixei muita coisa de lado pra construir o império que tenho. Sim! Pode parecer vaidoso, mas é a verdade. É um império onde, sendo sua presidente, tenho um grupo de assessores, e eles cuidam pra que os negócios que a gente encara sempre me deixem triunfar e manter um sorriso (uma mistura de satisfação e orgulho por eliminar possíveis adversários do caminho que tracei).
Chegar aos trinta e cinco anos e sentir que meu nome é pronunciado com respeito, e que pra muitas outras executivas sou um modelo a seguir, me enche de orgulho.
A virtude — minha virtude — está em enxergar negócios onde outros não veem — é instinto natural em mim —, mas na verdade é só ficar ligada nas variáveis do mercado e dar o bote na hora certa. Meus assessores dizem que pareço uma tigresa à espreita da presa e que eu curto — e curto mesmo — quando afundo minhas garras no novo troféu conquistado.
Até aí eu vou, depois é tarefa deles fazer os lucros multiplicarem e me deixar viver com os luxos que tanto me agradam.
Tenho tudo que desejo: inteligência, um corpo bonito, altura normal, um rosto agradável onde meus olhos, segundo dizem, podem hipnotizar dependendo da situação; também tenho uma mansão com um parque imenso, piscina aquecida, salões amplos. de recepção que uso duas vezes por ano pra celebrar as festas temáticas mais comentadas nas revistas de fofoca (me divirto vendo depois as fotos que os jornalistas tiram dos espectabundões), mas também tenho — isso pouca gente sabe — um apartamento simples onde me refugiar, onde meu nome não é conhecido.
Comprei ele há um tempo, quando tive um caso com o Sergio e nossa exposição pública já não permitia mais nenhum tipo de intimidade. Era nosso ninho, o lugar que guardava toda nossa paixão e aquelas palavras — as especiais, às vezes bregas, ou um tanto escandalosas — que, como casal apaixonado, podíamos dizer um pro outro.
Cumpriu essa função até eu descobrir que o Sergio mantinha uma situação paralela, e minhas ilusões e projetos desabaram pra sempre.
Fiquei trancada naquela época pelos doze piores dias da minha vida. Doze dias pra velar cada um dos meses que tinham sido do amor mais intenso que vivi, e no fim deles ressurgi forte e gostosa como sou agora.
Quando reapareci na frente da Mônica e da Graciela (depois do meu luto), era um trapo humano, abatida, com olheiras e muito mais magra porque minha única comida tinha sido chá de menta e quantidades industriais de cigarro.
Elas cuidaram de mim, me levaram ao melhor SPA da cidade e em uma semana, entre médicos, dermatologistas, estilistas, massagistas e os caralhos, conseguiram que minha aparência mudasse por completo.
Me analisar na frente do espelho — com a pele tão macia, os cabelos lisos e brilhantes, os olhos maquiados de um jeito que destacava ainda mais o verde natural deles, as mãos perfeitamente cuidadas, umas calças que pareciam minha segunda pele e uma jaqueta justa que só permitia usar um sutiã por baixo — fez com que eu me visse como um ser desejável e, desde então, mudei minha forma de viver. Nunca fui de duvidar de mim mesma, mas tenho que admitir que a aparência exterior reforça a imagem mental, e desde então continuo o culto a ela.
Hoje eu Decidi me dar uma licença — na minha vida e no meu trabalho — por vários dias. Avisei o Mariano que não vou à empresa e que deixo nas mãos dele as decisões que precisarem ser tomadas.
Mariano é "meu braço direito", e o esquerdo também. Ele entrou na minha, na época, média empresa, quando estava procurando emprego recém-formado. É ambicioso, inteligente e capaz; reconheço nele uma qualidade fundamental: ele curte o trabalho dele e é habilidoso no uso das zonas cinzentas das leis. Além disso, é um dos executivos que podem disputar as melhores empresas a qualquer custo.
A experiência me ensinou que ele jamais vai tomar uma decisão que me prejudique, porque isso o privaria do prazer que sente ao ver nossas "vítimas" assinando as cessões de direito. Mariano é um advogado brilhante, sabe o quanto eu o valorizo, mesmo quando chamo ele de "meu gurkha pessoal", e ele é isso mesmo; é selvagem como ninguém quando se trata de cumprir um objetivo, e nada o para até concretizá-lo. Na real, somos um o complemento exato do outro: eu caço, e ele despedaça pra mim.
Depois de comunicar meu descanso ao Mariano, decidi que não serei eu, a de todo dia, que vai sair pra ver o mundo. Vou ser uma aventureira em busca de algo. Já vou determinar o quê!
Jeans elastizado, uma camisa branca amarrada na cintura com umas manchinhas de tinta, a maleta típica de óleos e pincéis, meu cabelo preso, quase nada de maquiagem, e me jogo pra caminhar.
Assim vestida, sou mais uma pessoa andando pelas ruas da cidade, vou me afastando em direção às avenidas que a circundam porque tenho um propósito: encontrar um homem bonitão, um que me atraia de verdade.
Me acostumei a decidir o que quero, como quero, com quem quero, e pra isso, essa aparência de mina boêmia e simples é a melhor isca.
Tenho bem claros os motivos pelos quais penso em achar um homem. Acontece que os jovens precisam ser ensinados, mesmo quando Eles acham que sabem tudo, e eu não tenho vocação pra ser professora! Já com um homem é tudo mais fácil, eles sacam na hora qual é a parada e, como sempre têm obrigações pra cumprir, se deixam levar por uma experiência diferente.
Paro num ponto de ônibus e fico olhando os carros passando, observando os motoristas porque, nessa área, eles têm que reduzir a velocidade.
Minha presa se aproxima dirigindo uma BMW (pelo menos aprendi a diferenciar as marcas, porque de modelos e todo o resto dos detalhes, não entendo nada, e essa é daquelas com bancos de couro e painel de madeira envernizada, no fim das contas como todas dessa marca). É exatamente como eu quero, não passa dos quarenta anos e já me viu. Faço sinal e ele para (era certeza disso), pergunto se pode me levar alguns quilômetros adiante e ele topa.
— Valeu, gato. — Falo enquanto me acomodo no banco do carona.
— Você se atreve a tudo, né?
— Por quê?
— Parar um carro assim...
— Não tinha outra opção. — Respondo com um sorrisinho.
— Agora, o... por quê? É meu.
— Bom, percebi que não tenho dinheiro e tô cansada pra andar.
— Ah, então me escolheu como "motorista"?
— Fechou. Me descobriu! E quanto o "motorista" vai me cobrar pra me levar até meu apê?
— Depende. — Ele fala com um sorriso bem sensual, e eu finjo que tô ligada no jogo dele e respondo:
— Uau, tô ouvindo sua oferta. — Um sorriso cúmplice brota nos meus lábios.
— Te levo até seu apê se me pagar uma dose e um café, que tal? — Outro sorriso da parte dele e um olhar onde finjo estar totalmente apaixonada por ele.
— Fechado, mas pelo menos me diz seu nome.
— Pablo, e você se chama...
— Andrea. Me chamo Andrea, Pablo. — Falo com um sorrisão — triunfante, pra mim — porque consegui o que queria.
— Agora que sou oficialmente seu "motorista", me mostra o caminho.
Vou indicando o trajeto entre olhadinhas e comentários. Elogiador. Sei o nome dele, que tem quarenta anos (não aparenta), que vem de uma separação e não quer compromissos (isso eu gosto, também não quero), que é executivo de uma empresa (finjo não entender nada disso, e isso o diverte), que mora na zona norte da cidade, na área residencial, e que se mudou pra lá há pouco tempo (pelos dados que me dá, percebo que mora relativamente perto da minha mansão, e isso me faz duvidar, mas sigo com meu plano). Tem coisas que não preciso perguntar, dá pra ver um corpo atlético, cuidado, e ele tem muita presença.
Assim, quase de passagem, uma das mãos dele pousou no meu joelho, acaricia minha coxa, minha resposta não demorou e com um movimento suave e estudado, começo a acariciar a coxa dele, roçando com minhas unhas do joelho pra cima. O rosto dele mostra que causou o efeito que eu queria, e isso me deixa feliz porque então vou ter com ele o jogo que tanto me agradava.
Ele continua dirigindo conforme minhas instruções e também continua explorando o novo terreno que se apresenta servido de bandeja. A mão dele acaricia, aperta, tateia de novo não só minhas pernas, mas também minhas costas, pescoço e meus peitos.
Ele sabe fazer isso – é evidente que sim – porque tô gostando, e muito: eu incentivo com alguns suspiros, uns olhares e, principalmente, com minhas mãos que começaram a percorrer o pescoço dele e, quando uma sobe devagar pelo cabelo dele, a outra desabotoa um botão da camisa dele pra acariciar o peito. Ele gosta e só diz:
– Já provei suas mãos, agora quero provar sua boca.
– Pode ser perigoso.
– Por quê?
– Você tá dirigindo. – Falo com um sorriso cheio.
– Você sempre tem uma resposta?
– Eu tento, e você, sempre tem uma pergunta?
Nós dois rimos, e quando paramos num semáforo, ele me beijou. Digo bem, ele me beijou porque foi absolutamente possessivo naquele beijo e explorou minha boca como o melhor espeleólogo que pode existir. Gosto que ele tenha decisão, que não seja Não fiquei com vontade de nada, tentei dominar a situação, mostrar minha inteligência.
Quando chegamos ao prédio onde fica meu apartamento, o porteiro só pergunta se o senhor vai me acompanhar e se vai estacionar o carro na garagem; respondo que sim, que o senhor vai ficar um bom tempo no apartamento, porque vamos discutir negócios.
Pablo acena com a cabeça e eu continuo séria.
Subimos e ambos rimos, fazendo menção ao negócio que temos entre mãos, nunca tão bem empregado o termo, já que nossas mãos e nossas bocas reconhecem o terreno com gosto.
Entramos e ele gosta do lugar, me diz que é muito luxuoso para eu ser apenas uma pintora, que devo vender muito bem meus quadros, senão não conseguiria manter esse lugar. Olho para ele, mas não dou explicações, e só vou buscar algo para beber enquanto o convido a sentar no sofá.
Preparo algo simples, uísque com refrigerante Booty e levo numa bandeja com um balde de gelo. Ele – solícito – ajuda a distribuir na mesinha de centro que fica na frente do sofá.
Não tem preâmbulos, ou tem, porque enquanto bebemos nos pegamos de boca boa e estou descobrindo que gosto da boca dele, dos lábios, do jeito de beijar que às vezes é possessivo e outras vezes absolutamente suave e terno.
Ele tirou minha camisa, gostou do que encontrou e acaricia, amassa, sopra e lambe por cima do sutiã. Parece saber que isso me excita e eu já desabotoei a dele, afrouxei a gravata e soltei o cinto.
Nos olhamos no meio de tantas carícias e decido que merecemos o quarto. Levanto e, pegando a gravata dele, o puxo como se estivesse guiando um cachorro. A ideia me agrada, só digo:
– Olha, sua gravata é a coleira e eu te guio como se fosse meu cachorrinho.
– “Au, au”. É a resposta dele, sorrindo.
– Vem, cachorrinho, sobe na cama da sua dona.
– “Au”. De novo como resposta, isso me mostra que ele entrou no meu jogo.
Ele se joga na cama, eu me sento montada nele e tiro a gravata, de certa forma eu o tenho preso e à mercê do que eu quiser fazer. Sorrio com malícia e, semicerrando os olhos, digo:
– Você gostaria de ser totalmente dominado, está disposto a que eu tome a iniciativa?
– Nunca foi assim, adoraria!
– Você disse. Você disse que sim.
– Claro que eu disse, gosto muito de experimentar coisas diferentes.
– Beleza.
Me inclino para frente e seguro, com cada uma das minhas mãos, seus pulsos e os prendo no colchão. Ele não oferece resistência e exclama:
– Você é rápida, Andrea, pra começar os jogos.
– Quero me divertir tanto quanto você, e é melhor não perdermos tempo.
– Gosto que você seja assim, diferente, imperativa.
– Então se cuida, não vá ser que depois você não goste.
Sua risada ecoou no quarto, enquanto ele dizia: “Por acaso você pensa em me sequestrar?”.
Penso que é melhor ele rir, porque se for tão agradável, será meu parceiro de jogos por mais que algumas horas.
Solto uma das mãos dele e estico a minha até chegar na barra – que existe dos dois lados da cabeceira da minha cama – estico e tateio em busca da argola de um jogo de algemas e, com um movimento rápido, prendo o pulso dele. Faço o mesmo com a outra mão e assim o tenho seguro para mim.
Os olhos dele olham para os dois lados e não acreditam no que está acontecendo. Ele se olha e me olha, nota a mudança em mim, já não sorrio docemente, mas ele se recompõe e se entrega orgulhosamente ao jogo.
Me sinto triunfante. Cacei minha presa e isso me enche de adrenalina e desejos – desejos de brincar com ele, como se fosse uma gata com um rato que tem encurralado – aproveito o poder que me dá tê-lo amarrado e agora ele saberá o que é ser beijado.
– Fica quieto! Quero sua boca fechada! – digo – porque de agora em diante, você só vai fazer o que eu quiser, entendeu?
– Sim. Foi sua resposta lacônica e, em seguida, ele juntou os lábios.
Me acomodo ao lado dele, olho para ele e decido tirar sua calça e sua cueca. Deixo a calça dele de lado na cama, no chão. Sinto o cheiro da calcinha e, pendurada num dedo, passo ela roçando de leve no corpo dele. Ele tenta falar alguma coisa, e eu lembro que ele tem que ficar calado, ganhando um beliscão num dos mamilos (não curtiu muito, mas pra mim foi o mínimo castigo por não obedecer).
Pego o rosto dele com minhas mãos e começo a beijar os lábios dele, me dá vontade de mil beijinhos e minha língua sabe que desenhar os lábios dele com ela vai aumentar a temperatura. (Quero isso, quero ele quente e cheio de tesão pra depois decidir o que fazer). Continuo brincando na boca dele até que, sem querer, ele se abre pra mim, e é aí que quem explora sou eu, e quando ele tenta reagir, levo uma mordidinha na língua dele e continuo chupando com gosto.
É estranho, quando todo mundo se desconcentra com a mordida, no Pablo estimulou. O pau dele deu um pulo, agora a estimulada sou eu, que quero enlouquecer ele até o ponto de me pedir pra dar pra ele.
Desço até o queixo dele e meus dentes prendem ele, e minha língua molha. Vou percorrendo o pescoço dele em direção à orelha. Chego e mordo o lóbulo, solto e falo:
– Você não faz ideia de como vou te aproveitar. Vai me pedir por favor pra te cavalgar.
– Ahã – ele responde, única resposta (gosto do jeito dele mostrar que, mesmo amarrado, tenta dominar a situação).
Tô num jogo de forças, ele não se curva e eu quero curvá-lo. Curto isso. É um homem à altura que encontrei, não vai ser só um jogo sexual, vai ser também um jogo de inteligências.
Lambo o peito dele e, enquanto percorro, minhas unhas deixam marcas num rosa que, aos poucos, vira um tom mais forte. São minhas marcas na pele dele e continuo pela barriga, pelos quadris, coxas e chego nos pés dele.
Me esfrego na pele dele, me delicio sentindo o pau dele cada vez mais duro, roçando com meus mamilos, com minha buceta, com minhas coxas, de leve com meus pés.
Tô de pé agora, com os pés dos dois lados da cabeça dela e decidi que quero sentir a língua dela me lambendo, vou descendo e me seguro na cabeceira da cama e ordeno,
- me lambe até me fazer gozar, senão você nunca vai ter o seu.
A língua dela começa a agir, primeiro devagar, lambendo meus lábios, molhando eles ainda mais, depois são os lábios dela que sugam os meus e puxam eles. A ponta da língua dela brinca, percorre, separa, sobe e desce do meu clitóris até minha buceta.
Às vezes o percurso é lento, depois frenético, às vezes é uma ponta afiada, outras é uma lambida inteira onde a língua toda desliza por esse canal até minha buceta. Ela brinca na entrada, toca com ela, sopra o hálito quente e minha pele se arrepia.
Ela faz maravilhas e eu tô morrendo de vontade de sentir ele dentro, mas pedi um orgasmo e não vou ceder à tentação.
Os dentes dela roçam de leve no meu clitóris e escapa um gemido, um mar de fogo, então ela me ataca de novo em forma de língua, os dentes seguram e a língua roça e roça e quando acho que não aguento mais, é o momento em que ela enfia na minha buceta. Entra e sai, fica me acariciando até onde o comprimento da língua dela permite. Volta a roçar meu clitóris com mais força, e faz muito bem, nós duas sabemos que tô molhada e se continuar assim não vou me segurar. De repente ela para, tenta se rebelar e eu volto a ser imperativa. Enquanto aproximo ainda mais meu púbis da boca dela, ordeno,
- continua, não te mandei parar em momento nenhum. Vai, faz isso! Ao falar, pego os cabelos dela e puxando, aproximo a cabeça dela da minha buceta.
Ela reage e continua o trabalho, isso me conforta duplamente porque me excita no físico, mas também no mental, já que ela entendeu.
- Muito bem, continua assim. É um prazer saber que você me entende.
Ela não responde e sinto os dentes dela apertando mais meu clitóris (sorrio com a rebeldia dela) e puxo os cabelos dela de novo pra mostrar a relação de poder que existe. A realidade É que me excita não só porque ele atua magnificamente bem como amante, mas me excita a rebeldia dele, esse desejo de se impor que ele tem mesmo estando amarrado.
- Você é bom e, se conseguir, vou te mostrar o quão boa posso ser com você.
Sinto a língua dele novamente me atravessando, molhando, acariciando e, instintivamente, me movo no ritmo que ele propõe. Ele vai conseguir. Vai fazer eu ter um orgasmo porque minha respiração está ofegante, meu pulso acelera cada vez mais e todo o meu corpo responde ao estímulo que recebo. Meus peitos estão inchados e, se apenas roço meus mamilos, uma sensação de eletricidade me percorre e converge no meu púbis. Estou cada vez mais molhada, ele sabe porque agora a língua dele se dedica a entrar na minha buceta. É um punhal que entra e sai e cada vez consegue me acender mais e melhor até que eu explodo e me sacudo e me elevo e me tenso e arqueio e depois, a calma e o relaxamento dos músculos junto com um suspiro profundo.
- Você conseguiu e, como bom cachorrinho, vai receber a recompensa.
Ele me tirou do jogo, mentalmente conseguiu me afastar do jogo proposto e, ainda mantendo minhas habilidades de caçadora, estou desejosa de saborear minha presa. Deslizo sobre o peito dele até roçar o mastro dele e começa "meu jogo", o roçar é intenso. O pau dele está ereto, quente e, ao roçá-lo contra minha umidade, surgem novas sensações que adivinho no rosto dele.
Continuo por um momento me roçando contra ele, noto que a respiração dele acelera um pouco e isso me diverte. Quero que ele sinta que vai explodir, que não tem controle do orgasmo dele, quero ser eu quem decide sobre a vontade dele e lhe oferece o melhor, e de uma forma diferente.
Abandono o roçar contra meus lábios e desço sobre o corpo dele, minhas mãos tocam e apertam o peito dele e, quando o membro dele está ao alcance da minha boca, começa meu festim. Me posiciono entre as pernas dele e, como um deus pagão, o venero. Não sei como dar prazer sem senti-lo primeiro, e adoro me deliciar com um bom Fellatio.
Adoro quando minha língua percorre a maciez da pele dela, me excita sentir o calor que emana do botãozinho dela e eu quero apagá-lo com umas lambidas que começam curtas e se transformam em profundas.
O desejo de adorá-la cresce em mim quando eu a percorro com meus lábios por todo o comprimento e, ao voltar, minha língua deixa seu rastro de umidade nela.
No momento em que decido por uma comunhão profunda, começo a chupar e sugar, sinto prazer em sentir como ela invade minha boca, ali me dedico a molhá-la completamente com minha saliva e a percorro de forma que inúmeras vezes entre e saia da minha boca.
Não existe nada tão especial, único e prazeroso quanto senti-la na minha boca e dar a ela o tratamento e a adoração que merece.
Não perdi o toque mágico. Sei que ele já não se controla quando ouço ele dizer:
– Não aguento mais!
É o momento que eu esperava e as palavras certas. Tiro ele da minha boca e sopro no pau dele. A reação não demora:
– O que você tá fazendo?!
– Prolongar minha diversão e seu prazer. Por acaso você pode me dizer que foi ruim?
– Ruim não. Estranho, talvez. Diferente de tudo que eu esperava.
– Nunca espere o comum de mim. – falei enquanto meus dedos polegar e indicador, em formato de anel, tentavam abarcar a grossura do falo dele e deslizavam por ele.
Coloquei o pau dele de volta na minha boca e, dessa vez, causei a sensação de vibrações só com o som de um "mmm" reverberando na minha cavidade bucal. Só ouvi dele um:
– Me fode agora, por favor. Me entrego. Não vou mais resistir.
Consegui o que queria e me levanto triunfante pra montar nele como uma mulher no cio. Eu cavalgo ele do meu jeito, de vez em quando me inclino pra que meus mamilos rocem a pele dele, depois me ergo, subo e desço rapidamente, até que finalmente meu orgasmo é incentivado por um rio de lava quente que me inunda por dentro e eu termino deitada sobre o peito dele.
Assim deitada em cima do Pablo, me estico pra tirar as algemas dele, depois vou tomar um banho.
– Vem, anda aqui, cachorrinho lindo!, você merece um bom banho.
- Como você quiser.
Eu escuto e sorrio, gosto que ele continue esse jogo.
Ele entra no chuveiro dizendo,
- Gostei do seu jogo, é algo diferente e divertido. Diz sorrindo.
- Fico feliz, porque me diverti muito.
- É?
- Sim, por quê? E enquanto falo, ele pega minhas mãos e as amarra com a gravata dele, dizendo: "Seu jogo me mostrou que me privar de te tocar foi uma experiência onde tive que aprender a receber prazer sem poder intervir diretamente. Agora você será, no chuveiro, quem vai tomar do seu próprio remédio."
A água cai sobre meu corpo e ao mesmo tempo suas mãos me percorrem. Ele me acaricia, belisca meus mamilos, morde meus lábios antes de me beijar e depois faz isso sendo absolutamente possessivo.
Puxando meu cabelo, consegue que eu me ajoelhe, beijo e chupo, mas ele não me permite muito mais. Ele me manda levantar e me vira, ficando de costas para ele. Beija minha nuca, me mordisca enquanto acaricia por trás minha buceta, me inclina para frente e sinto o pau dele me penetrar,
- Você gosta, né? Gosta de sentir que não tem o controle.
- Sim, eu gosto!
- Aprendi rápido seu jogo e é muito gostoso.
Sinto ele entrar e sair e fico molhada. Já fazia tempo que tinha esquecido como era se deixar levar pelo outro. Aproveito um orgasmo que não esperava e as últimas estocadas ele dá me segurando forte contra ele ao mesmo tempo que beija e mordisca meu pescoço.
Ele me vira de novo, solta minhas mãos e agora me beija com uma suavidade incrível. Nos olhamos nos olhos e sorrimos.
Enrolados cada um em uma toalha, saímos do banheiro e sem pensar vou preparar café, enquanto bebemos, ambos temos vontade de conversar, mas nos seguramos.
Na minha mente, flashes do que aconteceu há pouco tempo atrás se sucedem e também vislumbro uma possibilidade, a de ter na minha frente o homem que tem os mesmos gostos que eu. É evidente que nos damos bem, senão ele teria ido embora ou dito algo. Em Nesse momento, aflora em mim aquele instinto que me fez ser uma boa empresária e pergunto:
– Você curtiu?
– O quê?
– Ficar amarrado?
– Com certeza, sim.
– E você, curtiu o banho?
– Aham. Posso te propor uma coisa?
– Tô ouvindo...
– Você não sabe nada sobre mim, assim como eu não sei nada sobre você, mas é óbvio que nós dois curtimos umas brincadeiras sexuais e nos entregamos a elas sem preconceitos nem inibições. Você toparia ter encontros regulares como esse, ou até melhores?
– Você é direta, sem dúvida, e também rápida pra tomar decisões. Não tô acostumado com esse tipo de proposta – aliás, é a primeira que recebo –, mas vou dizer que sim.
– Agora me diz: por que você aceitou?
– Pelo mesmo motivo que me fez parar o carro. Você é gostosa e eu não resisto a isso, mostrou ser inteligente e isso me agradou ainda mais, e agora prova que quando algo te interessa, você fala na lata, sem rodeios.
– Pelo visto a gente fala a mesma língua. Quer alguma coisa disso por escrito?
– Acha necessário?
– Só pra garantir meus direitos caso você se arrependa.
– Você toma precaução pra tudo, não tem aquele espírito livre de artista.
– Tô acostumada a ser precavida.
– Parece até aquela maldita executiva com quem vou discutir negócios daqui a três dias.
– Quem?
– Andrea Sinclair.
– Tem medo dela?
– Não, ainda não, mas me disseram que ela é implacável e nunca deixa nada ao acaso, que tudo tem que ficar por escrito e que, quando quer alguma coisa, não desiste até conseguir.
– Isso me parece perfeito. E o que mais sabe sobre ela?
– Os fofocas de sempre: que é bonita, inteligente, astuta e habilidosa pra conseguir o que quer.
– Ah, igual a mim.
– É verdade, você mostrou ter as mesmas qualidades que ela.
Prefiro ficar quieta, porque pelo visto em poucos dias a gente vai se encontrar cara a cara por causa de algum negócio especial.
Vai ser divertido ver a cara dele quando a gente negociar. Dessa vez a situação vai ter um algo a mais. Nem esperava por isso. Conheci minha próxima "vítima" sem ela saber quem sou.
- No que você tá pensando?
- Besteiras, só queria saber como vai ser a Andrea Sinclair na cama.
- Com certeza uma mulher tradicional, sem criatividade, totalmente previsível, incapaz de propor nada pro parceiro. Esse tipo de mulher que coloca toda a libido no trabalho e em casa é a maior das sem graça.
- Você acha?
(Vou falar com o Mariano pra ele adiar a entrevista até eu conseguir que o Pablo e eu cheguemos a um acordo sobre nossas brincadeiras. Caso ele não aceite, tô pronta pra chantagear ele com o vídeo de tudo que rolou no quarto. Já sabia que gravar com aquela câmera escondida uma hora ia dar resultado).
Já não fico mais criando fantasias na minha cabeça, não preciso de príncipes pra me salvar. Eu me salvo sozinha toda vez que tiro dois dias de folga do trabalho.
1 comentários - O Resgate da Gostosa