Na quarentena com a mamãe 10

Deixei a mamãe sozinha, dormindo, e recém-comida. Não podia acreditar que de verdade podia fazer semelhante afirmação. Ainda estava meio confuso pelos tragos que tinha tomado, mas lúcido o suficiente para compreender e curtir o que tinha acabado de acontecer. Um pacto secreto… Só devia fechar a boca. Fazer de conta que o que aconteceu entre aquelas quatro paredes nunca aconteceu de verdade. Voltei para a sala de estar. Luana e tia Mariana estavam reviradas no sofá, como tantas vezes eu tinha visto, e no entanto nada no que estava acontecendo se parecia com o que eu conhecia. A primeira impressão foi um clarão de cores e tecidos: aquelas fantasias ridículas e lindas — a freira e a chapeuzinho vermelho com a capa mal puxada para um lado. Estavam enroscadas, literalmente, como se alguém as tivesse jogado uma contra a outra e elas tivessem decidido não se separar mais: as pernas cruzadas, as dobras das saias se misturando, o vermelho e o preto confundidos numa única mancha de tecido que respirava. O capuz vermelho caía sobre o ombro de Luana, deixando ver só o brilho do cabelo dela, enquanto o véu da "freira" tinha escorregado para trás, revelando um pescoço nu que se tensionava cada vez que a outra se inclinava.Na quarentena com a mamãe 10Se beijavam com uma concentração absoluta. Eu via os movimentos mínimos das bocas delas, o jeito que uma delas inclinava a cabeça de leve, buscando um ângulo melhor, o modo como a outra respondia sem pressa, como se conhecesse aquele ritmo de cor. As mãos estavam tão entrelaçadas quanto os corpos: dedos que deslizavam por cima do tecido preto do hábito, que paravam por um segundo na cintura, que voltavam a subir; a outra mão que se agarrava à capa vermelha, amassando-a sem cuidado, aproximando cada vez mais a dona daquele capuz do corpo que tinha à frente. De vez em quando uma das duas se afastava por um instante, só o suficiente pra olhar nos olhos da outra, como se precisassem confirmar que estavam ali, que não era ilusão nem pegadinha, e aquele olhar fugaz tinha mais eletricidade que qualquer palavra. Eu fiquei parado, a meio passo de entrar de vez, sentindo que tinha cruzado uma fronteira sem tocar em nada, só por estar ali, de pé, contemplando a cena. A mesinha de centro estava cheia de copos pela metade, restos da noite que a gente tinha compartilhado, mas tudo aquilo ficou embaçado diante da imagem delas, naquele sofá que de repente parecia mais estreito, mais íntimo, como se o móvel em si tivesse se dobrado pra caber as duas. Enroscadas, se beijando, se tocando, sim, mas não de qualquer jeito: havia em cada roçar uma familiaridade recente, uma confiança infinita, um jogo que tinha começado sem mim e que, naquele momento exato, parecia não precisar de mais nada além dos dois corpos disfarçados, das respirações misturadas e daquele silêncio denso que as envolvia, enquanto o mundo, lá fora, continuava girando sem saber de nada. Me perguntei o quanto elas sabiam do que tinha acabado de acontecer com a mamãe. Mariana tinha dado o comprimido pra ela. Mas por que ela tinha feito isso? Será que ela entendia pra que a mamãe ia usar aquilo? Será que deu justamente por isso? Mas eu não podia perguntar pra elas agora. Porque as duas estavam no mundo delas. Se é que Se tivessem desviado o olhar para mim por um instante, eu me aproximaria, pra ver se me permitiam me juntar a essa festinha íntima que estavam tendo. Mas não foi assim. Seja porque não notaram minha presença, ou porque simplesmente decidiram me ignorar, elas continuavam se beijando de língua, enquanto suas mãos percorriam a pele lisinha uma da outra.
Fui em direção à escada, deixando-as sozinhas. Me deitei na cama, me descobrindo muito mais cansado do que tinha percebido até uns segundos atrás. Dormi com a roupa no corpo, e acordei só no outro dia, quando o sol se infiltrava pelas pequenas frestas da persiana e o som dos pássaros, imunes à pandemia, chegavam aos meus ouvidos.
Não era de levantar cedo, mas a mamãe sim. Além disso, lembrava que, entre sonhos, escutei de novo gemidos no quarto da minha irmã. Deviam ter passado a madrugada toda transando. Isso significava que, provavelmente, a mamãe estaria sozinha lá embaixo.
Então me espreguicei, tomei um banho rápido e desci as escadas. Estava muito ansioso pra encontrar com ela. Como ela agiria? Será que de verdade não lembrava de nada?
A encontrei na sala de estar. Estava completamente diferente de como estava na noite anterior. Agora parecia uma dona de casa de manual. Exceto pelo fato de que era muito mais gostosa e sexy que a dona de casa média, claro.
Vestia uma calça de linho cor bege. Era bem folgada. Em cima, uma camiseta branca sem ombros, e com o umbigo de fora. O cabelo loiro estava preso. Ao me ver chegar, me olhou de canto, mas logo voltou ao celular. Parecia estar mandando uma mensagem. Na outra mão tinha uma xícara de café. A televisão estava ligada. Não estava no noticiário, mas num filme velho. Embora também não desse importância.relatos—Como você dormiu? —perguntei, sentando do lado dela.
—Bem. Como um bebê —disse ela, sem olhar pra mim ainda—. Mas tô com vergonha por causa de ontem — acrescentou depois.
De repente meu coração começou a acelerar. "O de ontem", repeti pra mim mesmo, lembrando dela pelada, de bruços, soltando gemidos de prazer enquanto eu enfiava a rola nela várias e várias vezes.
—Deve ter sido muito vergonhoso pra você me ver vestida assim, e ainda por cima bêbada — acrescentou ela, agora sim, me olhando com aqueles lindos olhos azuis.
—Hã. Não, nada a ver. Gostei de te ver animada, relaxada — comentei, percebendo meu erro —. Na verdade, eu gostaria que a gente se divertisse mais vezes desse jeito.
—Comigo não contem — disse ela, taxativa —. E outra, aquela mina da Mariana… Não sei o que me deu. Mas não lembro quase de nada de ontem à noite.
—Sério? Mas você tá muito bem. Tá mais gostosa do que nunca — falei.
—Valeu, Lucio — disse ela, acariciando minha cabeça com uma ternura maternal que contrastava violentamente com a atitude dela no dia anterior —. Quer que eu prepare o café da manhã pra você?
Mamãe não costumava me mimar tanto. Normalmente esperava que eu fizesse meu próprio café da manhã. Mas quando eu falava algo que a elogiava e a deixava feliz, ela ficava bem menos severa, e acabava me tratando como um garoto muito menor do que eu era.
—Tá bom, mas termina seu café da manhã primeiro — falei.
Ela tomou um longo gole de café, terminando tudo. Se estava atuando, estava fazendo muito bem. Não havia rastro de que lembrasse o que a gente tinha feito.
Ela se levantou e foi em direção à cozinha. Apesar da calça ser bem folgada, não tinha como aquele rabo generoso e empinado ficar escondido sob nenhuma peça: o tecido caía solto desde o quadril, sim, mas grudava exatamente onde tinha que grudar, desenhando uma curva impossível de ignorar cada vez que ela dava um passo.
Meus olhos foram pra lá quase por reflexo, como se o resto do corpo de repente virasse um cenário dispensável e tudo O importante era que ela estivesse concentrada no vaivém lento e hipnótico da sua bunda. Só então, quando a luz da sala de jantar bateu direto nela por trás, notei o detalhe que terminou de me desarmar: uma calcinha fio-dental branca se adivinhava através do tecido finíssimo do linho, apenas uma sombra mais clara, uma linha delicada que entrava no mais profundo da bunda.
Eu a segui.
—Eu lavo, enquanto você prepara o leite pra mim —falei.
Peguei a xícara e o pires de café e coloquei na pia pequena. Ela foi até a geladeira. Abriu pra pegar o sachê de leite. Uma mecha de cabelo caiu sobre o rosto dela, enquanto se inclinava levemente. E os seios se apertaram na camisetinha. Como sempre, cada mínimo movimento que ela fazia parecia uma coreografia carregada de erotismo. Mamãe tinha uma sensualidade natural que sempre me deixava babando.
—O que foi? —ela me perguntou, com um sorriso inquisitivo.
Despejou o leite numa jarra e acendeu o fogo. Depois, pegou minha xícara e uma colher. Percebi que estava demorando mais do que devia pra responder uma pergunta muito simples.
—Nada… É que… Eu gosto de te ver assim.
—Assim, como? —ela perguntou, com a sobrancelha levemente franzida. Depois colocou uma colherada de açúcar na xícara.
—É que… ontem fiquei um pouco preocupado com você. Você estava muito tensa. Quando você fica assim, eu me preocupo com você.
—Obrigada, Lucio, você é um doce. E sim, sei que às vezes sou assustadora.
—Mas agora você está mais relaxada —soltei—. Até parece alegre.
—É verdade, me sinto assim —ela disse, pra depois colocar uma colherada grande de chocolate na xícara—. Talvez eu precise desabafar como ontem de vez em quando. Não lembro quase nada, mas acho que a gente se divertiu. Você dançou comigo, né?
Lembrei como tinha beijado a boca dela, como os quadris dela se esfregaram na minha ereção, como minhas mãos desceram até a bunda dela.
—Hum, sim. Foi divertido.
—E olha que você nunca dança —comentou, com ternura.
—Bom, fiz por você. Além disso, era uma coisa íntima, de família. E também Eu estava um pouquinho bêbado. Então não senti vergonha, como teria sentido em outro momento.
De repente, a mamãe estendeu a mão. Acariciou meu rosto suavemente, enquanto me olhava com ternura. Parecia o gesto de uma mãe carinhosa.
Mas eu não sentia só isso. Sentia o perfume da pele dela, a textura da mão delicada enquanto me tocava, e lembrava como tinha montado nela na noite anterior. E o fato de que, por causa daquela foda, ela estava agora muito mais calma, não tornava as coisas mais fáceis.
—Então obrigada, bebê —ela disse.
—Mas eu não fiz nada —eu disse.
Ela continuou me acariciando, e eu me aproximei alguns centímetros, sem saber bem aonde tudo aquilo ia dar. Claramente eu devia continuar fingindo que nada tinha acontecido, que a gente não tinha transado. E claramente aquele gesto dela não tinha nada de luxúria. Mas eu já sentia o tesão percorrendo todo o meu corpo.
Então a fervura do gozo nos interrompeu. O líquido branco subiu, borbulhante. A mamãe saiu correndo. Em vez de apagar o fogo, ela tirou a jarra, segurando pelo cabo. Um pouco de gozo fervendo caiu sobre os dedos dela.
—Ai, puta que pariu! —ela gritou.
Eu sabia que queimaduras devem ser tratadas colocando gelo o quanto antes.
Então corri até a geladeira. Peguei uns cubinhos de gelo e me aproximei da mamãe.
—Deixa eu ver —eu disse.
—Não é nada, foi só o susto. Ai! —Ela soltou um gritinho quando apoiei o gelo no dedo avermelhado—. Mas mesmo assim o gelo tá bom. Obrigada, Lucio.
—Hoje você tá me agradecendo várias vezes. Vou começar a me preocupar —eu disse.
—Preocupar, por quê?
—Não sei… Você é mesmo minha mãe?
Ela riu. Estávamos muito perto. Eu segurando a mão dela, enquanto esfregava o gelo onde o gozo tinha caído.
Ficamos em silêncio por um tempo. Notei que a respiração dela estava ficando mais profunda.
—Bom, tem que limpar, e colocar mais gozo —ela disse.
—Eu limpo depois. Mas não precisa de mais leite. Com o que sobrou na jarra já basta.
—E agora meus dedos ficaram Todos grudados pela porra. Mas mesmo assim não quero parar de passar o gelo. Não tão cedo. Então, num ato instintivo, parei de esfregar o gelo. Em vez disso, levei a mão dela à minha boca e engoli o dedo indicador e o médio ao mesmo tempo, chupando a porra que tinha ficado impregnada nele.
—Lucio… o que você tá fazendo?
Levantei o olhar. Ela parecia estupefata, mas não escandalizada.
—Nada… Só… —balbuciei, sem entender direito o que eu mesmo estava fazendo—. Queria tirar a porra de você, só isso.
—E agora você me deixou cheia de baba, bobão —disse ela, rindo—. Tá bom, aceito. Limpa a cozinha e engole a porra.
Ela pegou os cubos de gelo e foi pra sala, pressionando a queimadura por conta própria.
Mas se com a mamãe a tensão sexual já era insuportável, com a tia Mariana era muito pior. Porque com a mamãe pelo menos tinha a questão da amnésia. Já com a minha tia… Eu supunha que ela lembrava muito bem como eu tinha comido ela no banheiro. Ou, de qualquer forma, eu ia descobrir.
O momento não demorou. Lá pelas dez da manhã ela começou a lavar os lençóis —eu já imaginava como deviam estar, depois de várias noites de putaria com a minha irmã—. Então esperei ela sair pra pendurar no sol e fui pra fora.
Pra piorar, minha tia não estava facilitando com aquele visual. Tinha se colocado à vontade, com uma legging curta que marcava a bunda dela de um jeito pornográfico e deixava as pernas musculosas nuas. Em cima, uma camiseta justa que mal conseguia conter os peitos. O cabelo castanho estava preso, o que, de algum jeito, realçava a beleza do rosto dela.maeMe aproximei dela.
—Você nunca pensou em tirar? — falei, de repente.
—O quê? — ela perguntou, enquanto pendurava um dos lençóis no varal que atravessava o quintal.
—Os peitos… Você nunca pensou em diminuir um pouco?
—Você me faz rir. Já me fizeram essa pergunta mil vezes, mas nunca esperei isso de você — disse ela, divertida. Mas logo apagou o sorriso do rosto, disposta a falar sério sobre o assunto, o que me pegou de surpresa —. Olha… A parte engraçada é que todo mundo acha que é um privilégio. "Ai, que sorte você tem, eu pago uma fortuna pra ter metade", me dizem. E é, sei lá, as fotos ficam ótimas, os sutiãs ficam cheios, tudo isso… Mas ninguém pensa que também é uma dor nas costas literal. Termino o dia com a coluna fodida — continuou —. Se não uso um sutiã bom, eu quero morrer. E os sutiãs bons são caríssimos. E ainda por cima não acha em qualquer lugar.
Ela se inclinou pra pegar outro lençol, e eu vi como aqueles balões enormes ficavam suspensos no ar. Senti pena dela, porque estava claro que era um peso extra que devia ser muito incômodo. Além disso, me senti um idiota por não pegar o lençol eu mesmo. Mas estava hipnotizado com o balanço suave daqueles peitos.
—Depois tem a outra parte… — ela fez uma pausa, procurando as palavras —. O jeito que te olham. Aos doze já me olhavam como se eu tivesse vinte e cinco. Professores, pais de colegas, caras na rua. De repente você deixa de ser menina. Não importa que eu tivesse a mesma idade das minhas coleguinhas de classe. Eu tinha aqueles quilos de carne extra que automaticamente faziam os caras virarem animais.
Ela riu, mas sem alegria.
—Claro, entendo. Deve ser muito ruim — falei.
Eu sentia compaixão sincera por ela, mas isso não impedia que o pau já estivesse ficando duro só de vê-la e ouvi-la.
—Você tá com calor e quer vestir uma regata comum, como qualquer um, e já é "ai, olha como provoca". Se você usa algo folgado, parece uma lona de circo. Se você usa algo justo, é uma puta. Não tem meio-termo. —Ela se endireitou um pouco e me olhou, cravando os olhos em mim—. E o que mais me dá raiva é isso: as pessoas acham que eu tenho esses peitos pra elas, pra darem opinião, ficarem excitadas, julgarem, o que for. Como se fossem de uso público. Eu fiquei calado. Ela continuou, como se estivesse pegando embalo: —No ônibus, por exemplo —levantou uma sobrancelha—. Tenta subir no horário de pico com isso. Sempre tem uma mão que "sem querer" roça, um torso que gruda demais, olhos que nunca te olham na cara. E se você reclama, é exagerada. Então você aprende a se encolher, a cruzar os braços, a se esconder. Você anda pela vida como se tivesse que pedir desculpa por ocupar espaço. —Mas você não se encolhe —comentei. —Não —disse ela, rindo—. Isso me acontecia quando era mais nova. Me custou, mas aprendi… E nem falo do resto… —acrescentou, mais devagar—. De que muita gente te subestima. "A das tetas grandes". Como se não houvesse mais nada. Em entrevistas de emprego, na faculdade, em todo lugar. Você fala, mas eles continuam pensando no decote. E se você vai bem em algo, sempre tem o comentário: "Bom, com esse corpo, qualquer uma". Sempre tive que me esforçar o dobro que os outros porque é a única maneira de me fazer valer. Ela ficou um momento em silêncio, olhando os lençóis sob o sol. —Por isso me irrita quando perguntam se eu não pensei em "tirar" —disse, imitando meu tom, mas sem maldade—. Como se fosse tão simples. Como se você cortasse um pedaço de tecido e pronto. Eu cresci com isso. Doem, pesam, complicam… mas também são parte de mim. O problema não são elas, entende? O problema é tudo o que as pessoas constroem em volta. Ela me olhou de novo, dessa vez com um meio sorriso, quase cansado. —Desculpa —disse eu. —Não tem problema. Sei que você não fez por mal. Não soube quanto tempo fiquei calado, olhando pra ela como um idiota. —Eu… —disse no final, mais pra preencher o silêncio do que por —coragem—. Igual… sei lá… Às vezes você usa isso a seu favor, né?
Ela levantou os olhos, com uma sobrancelha arqueada.
—A favor como? —perguntou, mas já tinha o sorriso aparecendo no canto da boca, como se soubesse perfeitamente do que eu estava falando e estivesse se fazendo de sonsa de propósito.
—É… —dei de ombros—. Sei lá. Pra conseguir coisas. Pra te tratarem diferente. Pra te fazerem um favor. Digo… com o que você acabou de falar, do que geram… Você nunca se aproveitou um pouco disso?
Ela ficou pensando por um segundo, apoiando os nós dos dedos na borda da bacia. Depois soltou uma risada curta.
—Óbvio que sim —disse—. Não vou mentir pra você. Todas fazemos isso, de algum jeito. Todas as mulheres gostam de seduzir, nem que seja um pouquinho. A diferença é o que você faz com isso.
Ela se endireitou, secou as mãos no short e se apoiou de costas contra a parede, bem embaixo do varal. A camiseta se ajustou ainda mais no peito, mas tentei não ficar vidrado ali enquanto ela falava.
—Olha —começou—. Se eu te disser que nunca me pagaram uma bebida só por eu dar uma leve inclinada no decote, eu estaria mentindo na sua cara. Baladas, bares, shows… É quase um roteiro: você entra, os caras te escaneiam inteira e se veem que tem “material”, já sabe que alguma bebida rola, que eles chegam mais perto, que o segurança olha pro outro lado se você furar a fila com suas amigas. Não é que eu saia por aí dizendo “olhem meus peitos, paguem tudo vocês”, mas tem momentos em que você sabe que pode conseguir coisas só pelo jeito que você se parece.
Ela fez um gesto vago com a mão, como desenhando uma curva no ar.
—Na faculdade também acontecia —continuou—. Professores que eram impecáveis corrigindo, mas na hora de uma consulta, se eu ia com uma camiseta um pouco mais justa, ficavam loucos. De repente tinham tempo, paciência, te explicavam o mesmo exercício três vezes. E olha, eu estudava, tá? Me matava de estudar. Mas isso não impedia que algum quisesse me dar uma moral, como pra eu lembrar que Eu devia um favor a você. —Entendo. —Depois vêm os trâmites, as janelinhas… —continuou —. Tem dias em que estou cansada e não quero discutir com ninguém. Então me maquio um pouco, ponho um decote decente, vou e pronto: o do balcão fica mais amável, o do banco te explica tudo com um sorriso, o policial da esquina te deixa passar onde não deveria. Tá bom? E… não. É injusto? É. Mas o sistema já tá montado assim. Você só aprende a se mover dentro. Só que tem que ter cuidado. Porque se quem te atende não for um homem, mas uma mina, as coisas podem sair pior pra você. Não tem nada mais perigoso que uma cutie invejosa. Ela parou, me olhando fixo. — Isso não tira tudo o outro que te disse — esclareceu —. A dor nas costas, os preconceitos, a sensação de estar sempre na vitrine. Mas seria hipócrita dizer que nunca joguei com isso quando me convinha. Assenti devagar. Tinha algo na honestidade dela que me desarmava mais que qualquer pose. — E com os caras… — disse, quase sem pensar —. Digo… na cama. Devem ficar loucos com suas… boobs. Ela soltou uma gargalhada mais franca dessa vez. — Tá falando sério que me pergunta? — disse —. É uma fixação. Te juro. Pra muitos as tetas são tipo… sei lá… o centro do universo. Até alguns caras que dizem que não ligam pro tamanho, a primeira coisa que fazem se estão comigo é brincar com elas. Ela ajeitou uma mecha rebelde atrás da orelha. Eu estava mais animado agora que a conversa estava ficando mais íntima. — Tem caras que simplesmente não te olham na cara em momento nenhum — continuou —. E na cama… — fez uma breve pausa, escolhendo como dizer — …na cama é parecido: querem ficar ali o tempo todo, tocando, apertando, se apoiando. E se te ouvem suspirar quando te tocam ali, chau, se acham deuses, e não te livra mais deles. Ela riu, divertida. Fez um pequeno silêncio. — E você? — perguntei no final —. Você curte? Quer dizer… quando transa, você gosta que se concentrem nessa zona? Ela não respondeu logo. Baixou o olhar por um segundo, como se repassasse cenas na cabeça, e depois voltou a levantá-lo. —Sim —disse, simples, sem rodeios—. Sim, claro que sim. Cruzou os braços, mas não num gesto defensivo, e sim como se precisasse acompanhar com o corpo o que estava dizendo. —Vamos ver… —começou, buscando as palavras—. Tem o físico, óbvio. Tem uma sensibilidade ali que se sente diferente do resto do corpo. Não é a mesma coisa uma mão no ombro que uma mão bem posta no peito, né? É outro tipo de sensação. Muito mais intensa e prazerosa. Levou uma mão ao esterno, de leve, sem se tocar de verdade, marcando mais uma zona do que um ponto. —Mas também tem o outro lado —continuou—. O que a cabeça faz com você. Ver a cara do outro quando ele te olha, quando percebe que você está gostando. Essa mistura de concentração e de loucura, sabe? Saber que com um gesto mínimo, com um movimento, com o jeito que você respira, você pode subir ou baixar a temperatura do ambiente. Tem um pouco de poder nisso, não vou mentir. E esse poder também dá prazer. As palavras dela ficaram flutuando entre nós e os lençóis úmidos. —Então sim —resumiu, com um meio sorriso—. Eu gosto quando se concentram nas minhas tetas, mas pensando não só no prazer deles, mas no meu também. Porque quando são egoístas, são muito brutos, me tratam como um pedaço de carne, e até podem me machucar. De repente, me aproximei dela. Estava com o pau duríssimo de tanto falar sobre as tetas dela. Coloquei a mão na cintura dela. Ela sorriu, divertida. —Tia —eu disse. —O quê. —Não vou mentir. Eu adoro suas tetas. Ela soltou uma risada suave. —Não precisava dizer. Dá pra notar. —Tia Mariana —eu disse. —O quê, Lucio. —Adorei o que a gente fez ontem no banheiro. —O quê? Eu não lembro do que a gente fez no banheiro —disse ela. Mas, diferente da mamãe, ela não mentia bem, nem se esforçava pra isso. Ela se afastou de mim, e caminhou em direção à casa, com a bacia na mano. Fiquei ali, com o pau duríssimo, sem conseguir acreditar que tinha comido aqueles dois docinhos, mas com muita vontade de fazer de novo.

0 comentários - Na quarentena com a mamãe 10