A Confissão da Minha Madrasta | Cap. IV

A Confissão da Minha Madrasta | Cap. IV


Quarta parte de A Confissão da Minha Madrasta...


Você pode ver a lista de capítulos disponíveis atuais desta história,No link a seguir: A Confissão da Minha Madrasta
Vários leitores me perguntaram se eu tinha Patreon.Vem me visitarAnnie Zarel

• • • • • • ✿ • • • • • • O sol caía sem trégua. Daqueles dias em que o calor não se sente só na pele, mas entra no corpo, pesado, constante. O jardim brilhava demais, cada folha, cada superfície refletindo a luz como se não houvesse descanso. —Cuidado aí, garoto. A voz de seu Anselmo me tirou do ritmo automático em que eu estava. —Isso —apontou com a pá—. Se afrouxar mais a terra, a raiz se fode. —Tá, tá. Diminuí a pressão, ajustando o movimento. O velho observou mais um segundo, depois assentiu, satisfeito. —Assim. Continuei trabalhando, enfiando a pá com mais controle dessa vez. A terra estava dura por causa do calor, mas cedendo aos poucos. Já fazia um bom tempo que eu estava ali. A camiseta grudada no corpo, úmida. O chapéu abaixado o suficiente pra cobrir meus olhos do sol direto. Não era um trabalho que me incomodava. Pelo contrário. Tinha algo nisso… simples. Direto. Você fazia força, via o resultado. Não precisava pensar demais. E isso ajudava. —E o senhor sempre vem nesses dias? —perguntei, mais pra quebrar o silêncio do que por curiosidade real. —Três vezes por semana —respondeu, sem parar de cortar uns galhos secos—. Segunda, quarta e sexta. Assenti. —Faz muito tempo? Soltou uma risada curta. —Mais do que você tem de vida. Isso me fez sorrir de leve. —Faz sentido. —Esse jardim eu vi crescer —acrescentou—. E mudar. Enfiei a pá de novo. Mudar. É. —E o senhor gosta de como tá agora? Levou um segundo antes de responder. —Tá bonito. Não disse mais nada. Mas não precisava. Continuei trabalhando em silêncio. O ritmo ajudava. Mas não o suficiente. Porque mesmo assim… Voltava. O fim de semana. Miguel. A piscina. A voz dele. "Essa bunda é ilegal." Apertei o maxilar, enfiando a pá com mais força do que precisava. —Com calma —disse seu Anselmo, sem levantar a voz. Afrouxei. —É. Expirei devagar. Não queria pensar nisso. Mas estava ali. Grudado. O jeito que ele olhava pra ela. Como se não houvesse limites. Como se nada importasse.

E ela…

Fechei os olhos por um segundo, me apoiando na pá.

Ela não o freava. Era isso que mais fodia. Não o fato de Miguel ser Miguel. Isso era previsível.

Era ela. Respondendo. Entrando no jogo dele. Sorrindo. Se acomodando. Como se gostasse.

— Tá tudo bem?

Abri os olhos. Seu Anselmo me olhava.

— Sim.

— Você tá enfiando essa pá como se fosse outra coisa.

Soltei uma risada curta.

— Desculpa.

— Não pense tanto.

Fácil falar.

Voltei ao trabalho.

Mas agora não era só Miguel. Era ela. Isabella. Os dias depois disso. Diferentes. Mais… silenciosos.

Eu tinha parado de procurá-la. Ou tentava. Respostas curtas. Distância. Evitar espaços.

Ela não disse nada. Não perguntou. Não insistiu. Só… ficou à margem.

Como se soubesse. Como se entendesse que eu tinha cruzado uma linha.

Mas isso não tirava a imagem. Nem a sensação. Nem o incômodo. Porque mesmo sem vê-la tanto…

Eu continuava pensando nela.

Demais.

— Bom — disse seu Anselmo, se espreguiçando —. Com isso, tá bom por hoje.

Olhei o trabalho feito. A terra revirada, as plantas ajustadas.

— Tem certeza?

— Certeza.

Limpou as mãos na calça.

— Você ajudou bastante.

Assenti.

— Valeu.

— Valeu a você.

Ficamos um segundo em silêncio.

— Isso te faz bem.

Olhei pra ele.

— É?

— É.

Não explicou. Não precisava.

Naquele momento, o portão do jardim se abriu.

Martha. Com uma bandeja nas mãos.

— Descansem um pouco.

Se aproximou, deixando os copos sobre uma mesinha.

— Tá fazendo calor demais.

— Valeu, Martha — disse seu Anselmo.

— Imagina.

Peguei o copo de limonada. Gelada. O primeiro gole caiu como um soco.

— Isso — disse ela, me olhando —. Algo útil, pelo menos.

Levantei uma sobrancelha.

— Algo?

— Algo.

Mas tinha um sorriso leve.

Seu Anselmo soltou uma risada baixa.

— O rapaz trabalha bem.

— É, isso eu vejo.

Ela me olhou um mais do que o necessário. —Deveria fazer isso mais vezes. —Vou pensar. Ela não insistiu. Mas também não foi embora de imediato. Ficou ali, observando. Como sempre. —Já vou terminar —falei, deixando o copo. —Não tem pressa. Mas eu já estava me mexendo. Precisava sair dali. Entrar. Tomar banho. Me livrar do calor… e de todo o resto. Me despedi do seu Anselmo e entrei em casa. A mudança de temperatura foi imediata. O ar mais fresco. Mais contido. Subi as escadas sem parar. E bem na curva do corredor— Ela. Isabella. Ela parou também. Como se tivesse calculado o momento. Usava uma blusa leve. Clara. Mais aberta do que o normal. Não exagerada. Mas o suficiente. O decote deixava ver mais do que deveria. Ou do que costumava. O cabelo solto, caindo sobre os ombros. Tudo… no lugar. —Oi. A voz dela foi suave. Controlada. —Oi. Tentei manter o tom neutro. Não funcionou muito bem. —Você estava lá fora? —Sim. —Está muito calor. —Bastante. Silêncio breve. Olhei pra ela. Erro. Porque baixei o olhar sem querer. Direto. O decote. O jeito que o tecido abria mais quando ela respirava. Os peitos fartos. Apertados naquela blusinha, como se fossem saltar pra fora. Levantei os olhos na hora. Tarde demais. Ela percebeu. Claro que percebeu. Os lábios dela se curvaram de leve. —Você parece cansado. —Um pouco. Ela deu um passo. Se aproximando. Não muito. O suficiente. —Você devia tomar um banho. —Era o que eu ia fazer. O olhar dela não desviava. Nem o meu. Mais um segundo. E então— Ela ajeitou o cabelo. Devagar. O movimento fez a blusa escorregar um pouco. O decote se aprofundou. Mais. Os peitos dela mostraram mais do seu tamanho. Quase dava pra ver o mamilo. Cerrei a mandíbula. —Bem… Bom… Minha voz falhou de leve. —Vou… —Sim. Ela não se mexeu. Eu sim. Passei ao lado dela. O espaço era estreito. Mais do que o necessário. O roçar foi mínimo. Mas aconteceu. Claro. Os peitos dela roçaram meu braço quando passei do lado dela.

Cheguei ao banheiro e fechei a porta com mais força do que precisava. Me apoiei por um segundo. Respirando.

—Porra…

Abri o chuveiro sem pensar mais. A água fria caiu de uma vez. Direto. Na cabeça. O corpo reagiu na hora.

Mas não apagou nada. Pelo contrário. Intensificou.

Fechei os olhos.

Erro. Eu a vi. De novo.

A piscina. O biquíni. O jeito como ela se mexia. O jeito como olhava pra ele, tão descarada.

O jeito como ela tinha se ajeitado agora pouco. O decote. A pele. O roçar.

—Não…

Apoiei a mão na parede.

Tentando me ancorar. Mas não funcionava. Porque agora não era só lembrança. Era recente. Recente demais.

E o corpo…

Respondia. Sem pedir licença. Sem lógica. Sem filtro.

Engoli em seco.

Tentei pensar em outra coisa. Não consegui. Porque tudo voltava pro mesmo ponto.

Nela. Em como ela se mexia. Em como ela sabia o que provocava. Em como…

Não evitava.

Apertei os dentes. A sensação que o corpo dela me causava era muito forte.

Desejo.

—Isso não tá certo…

Mas o pensamento não freou nada.

A água continuava caindo.

O corpo continuava reagindo. Senti como minha ereção continuava crescendo. Tão dura como eu nunca tinha sentido antes.

E eu…

Ali.

Sem conseguir cortar de vez o que já estava começando a ser impossível de ignorar.

**>>>>>>>**

Os dias começaram a se misturar.

Não acontecia nada concreto.

E ao mesmo tempo… acontecia demais.

Eu seguia com a mesma ideia na cabeça: manter distância. Não olhar pra ela mais do que o necessário. Não ficar nos mesmos espaços. Não ficar remoendo o do fim de semana.

Na teoria.

Na prática… eu falhava.

Sempre.

Isabella não voltou a mencionar o Miguel diretamente. Não precisou. A atitude dela mudou o suficiente pra dar pra notar.

Mais suave. Mais… próxima.

Como se estivesse corrigindo alguma coisa. Como se quisesse recuperar terreno. E ela fazia bem. Bem demais.

—Você toma café da manhã aqui ou lá?

—Aqui.

—Senta, que eu já te sirvo.

Esse coisas assim. Normais. Domésticas. Mas carregadas.

Porque não era só o que ela dizia. Era como dizia. O tom. O olhar que ficava um segundo a mais. O jeito como se movia ao meu redor. Sempre no limite. Sempre calculado.

E eu…

Cedendo. Aos poucos. Sem perceber quando deixei de resistir tanto.

Os roces começaram a aparecer. Primeiro acidentais. Ou pareciam ser.

Na cozinha, passando um ao lado do outro. No corredor, ao nos cruzarmos em espaços apertados demais. Na sala, ao se inclinar para pegar algo perto de onde eu estava.

Contato leve. Mas constante. E cada vez…

Mais difícil de ignorar.

Uma manhã, por exemplo. Eu estava me servindo de água quando ela entrou atrás de mim. Não a ouvi chegar.

— Me passa um copo?

Virei de leve. Perto demais. Nossos braços se roçaram. Pele contra pele. Um segundo. Mas o suficiente.

Senti o impulso de me afastar.

Não fiz de imediato. Ela também não. Segurou o espaço. Como se medisse minha reação.

Passei o copo pra ela. Sem falar. Sem olhar diretamente.

Mas já era tarde.

O corpo já tinha reagido.

E isso começava a ser um problema constante. Porque não era algo pontual. Era o tempo todo.

O jeito dela de se vestir não ajudava. Nada.

Era verão.

E isso dava pra notar.

Vestidos leves, curtos, que terminavam no meio da coxa. Tecidos macios, que se moviam a cada passo. Alcinhas finas que deixavam os ombros à mostra.

E os decotes.

Sempre os decotes.

Às vezes ela ia tão decotada que eu achava que via o despontar das auréolas. Rosadas. E os seios volumosos que pareciam querer explodir.

Às vezes usava shorts. Curtos. Mais do que o necessário.

Com camisetas pequenas, tops justos ou blusas que pareciam não conter tudo o que tinham que conter.

E eu…

Perdia. Sempre.

Meus olhos iam sozinhos. Pras pernas dela. Pros quadris. Mas principalmente…

Pros peitos.

Era automático. Como se eu não pudesse evitar.

Tinha momentos em que o tecido Era tão justo que mal deixava espaço para a imaginação. O formato… claro demais. Presente demais.

Cheguei a notar detalhes que não deveria ter notado. E não consegui parar de vê-los depois.

Apertei a mandíbula mais de uma vez por causa disso.

Tentando controlar algo que já não estava totalmente sob controle. Porque não era só olhar.

Era a reação. Constante. Incontrolável. Desconfortável. Minha calça me apertava o tempo todo. Era doloroso.

Tinha momentos em que eu precisava me levantar sem explicação, sair de onde estivesse, me trancar no banheiro ou no meu quarto só pra recuperar um pouco de controle.

Respirar.

Baixar a intensidade. Baixar a tensão acumulada na minha calça. Me aliviar. Tentar fazer o corpo parar de responder como se tivesse vida própria.

Às vezes funcionava. Às vezes não. E isso…

Começava a me frustrar. Porque por mais que eu tentasse racionalizar, colocar limites, dizer pra mim mesmo que não…

O desejo estava ali. Claro. Direto. Sem filtros.

Eu tinha dezenove anos. E isso pesava. Mais do que eu queria admitir.

Isabella sabia. Não tudo. Mas o suficiente.

Eu percebia nos olhares dela.

No jeito que, às vezes, ela se ajeitava sabendo exatamente o que estava fazendo. Em como se inclinava um pouco mais do que devia ao pegar algo. Em como cruzava as pernas, devagar, sem pressa. Em como deixava o silêncio durar o tempo exato pra que eu não conseguisse desviar o olhar.

Mas nem sempre.

Tinha momentos em que ela mudava. Em que algo nela se ativava e freava tudo. Ficava mais distante. Mais… correta.

Como se lembrasse a si mesma quem era. Onde estava. O que estava fazendo. Nesses momentos, a diferença era clara.

O tom. A postura. A distância.

Tudo voltava pra um lugar mais seguro. Mais lógico.

Mas durava pouco.

Porque depois…

Voltava.

Essa outra parte.

Mais solta.

Mais… perigosa.

E era essa que dominava a maior parte do tempo. A que jogava. A que sustentava os olhares. A que não recuava. Eu já não conseguia fingir que não percebia. Que não entendia. Porque entendia. E mesmo assim… Não parava. Pelo contrário. Comecei a provocar. Coisinhas. Sem pensar muito. Ficar um segundo a mais na cozinha quando ela estava. Passar pelo corredor mesmo podendo evitar. Arranjar desculpas mínimas pra coincidir. Nada evidente. Mas o suficiente. E ela… Respondia. Sempre meio passo atrás. Nunca cruzando de vez. Mas também não fechando a porta. Uma tarde, enquanto ela mexia em alguma coisa na mesa da sala de jantar, fiquei mais tempo do que precisava por perto. —Precisa de alguma coisa? —Não. Silêncio. Não me mexi. Ela levantou o olhar. —Tem certeza? Assenti. Mas não fui embora. Ela sustentou. Mais um segundo. E depois voltou ao que estava fazendo. Mas sem fechar de vez. Deixando o espaço. Era isso que ela fazia. Sempre. Deixava o espaço. E eu preenchia. Do meu jeito. Errado. Mas preenchia. Às vezes até brincava comigo de formas mais diretas. —Você falou com o Miguel? A primeira vez que ela disse isso, fiquei tenso na hora. —Não. —Ele não te escreveu? —Não. —Que estranho. O tom dela era leve. Mas eu sabia. Sabia exatamente o que ela estava fazendo. —Não me interessa. Ela levantou a vista. —Não? Neguei. —Não. Uma pausa. —Ele é simpático. Apertei a mandíbula. —É —bufei. Ela sorriu de leve. E aí eu percebi. Ela se divertia. Se divertia me vendo assim. O incômodo. O desconforto. A reação. Mas nem sempre. Porque às vezes, logo depois disso, ela mudava. Como se se arrependesse. Como se percebesse que estava empurrando demais. E então abaixava o tom. Se afastava um pouco. Me dava espaço. Tarde demais. Porque o efeito já estava feito. E eu… Ficava com aquilo. Com a mistura. O incômodo. E algo mais. Algo que crescia. Sem controle. Cada dia um pouco mais. Até que deixou de ser algo que eu podia ignorar. E passou a ser algo que eu tinha que administrar. Como fosse. Porque se não… Ia sair do controle. **>>>>>>>** O calor já era rotina.

Aquele tipo de calor que não vai embora nem se você ficar na piscina a manhã inteira. Saí de lá com a pele ainda molhada, o cabelo grudado na testa, o corpo cansado de nadar sem parar.

Entrei direto na cozinha.

—De novo? —disse Martha sem olhar pra mim—. Você vai virar peixe.

Abri a geladeira.

—Tá calor demais.

—Sempre tá calor.

Peguei a jarra de limonada e me servi um copo cheio, sem medir. O primeiro gole desceu de uma vez, direto. Gelado. Necessário.

Apoiei uma mão na bancada, respirando um pouco mais devagar.

—Comeu alguma coisa? —perguntou.

—Não.

—Depois não venha passar mal.

—Não vou passar mal.

Ia dar outro gole quando senti. Não ouvi ela chegar. Senti. Aquela mudança leve no ambiente.

Virei a cabeça. Erro. Isabella.

Vinha da academia. Legging, cor azul-turquesa. Apertada. Demais. Me pareceu que dava pra ver a marca da calcinha fio-dental que ela tava usando.

O top igual, colado no corpo, marcando tudo sem deixar nada solto. Os peitos totalmente apertados naquela peça. Redondos. A pele levemente úmida, o cabelo preso num coque alto.

E…

Não precisei olhar muito. Dava pra ver. A linha. O tecido. Tudo. O corpo dela.

O copo escapou um pouco. A limonada entrou errado.

Comecei a tossir muito forte. Tinha engasgado.

—O que foi? —Martha reagiu na hora, se aproximando.

Me deu umas batidas nas costas.

—Calma, calma…

Isabella também se aproximou.

—Você tá bem?

Senti a mão dela no meu ombro.

—Sim… —tossi de novo—. Sim, foi… o gole.

—Certeza? —insistiu Martha.

Assenti, limpando a boca com as costas da mão.

—Sim.

Respirei fundo. Tentando recuperar o controle.

Mas já era tarde. Porque eu tinha visto. E não conseguia parar de olhar.

Levantei o olhar.

Mal.

Porque meus olhos foram direto. De novo. Pro corpo dela. Pro jeito que tudo se ajustava. Pro fato de não ter nada escondido.

Subi na hora.

Mas Isabella já tinha notado. Claro que eu tinha notado. E algo na expressão dela mudou. Não muito. O suficiente. Ela estava sorrindo. Martha continuava de olho em mim. —Bebe isso devagar —disse ela, aproximando o copo de novo. —Tá. Dei um gole mais curto dessa vez. Controlado. —Já estou bem. —Sei. Martha ficou ali, ainda me olhando com atenção. Preocupada. Isabella também não se mexeu. Ficou ali. Perto. Perto demais. —Treinou pesado? —perguntei, mais pra dizer algo do que por outra coisa. —Um pouco. O tom dela era diferente. Mais suave. Mais… próximo. Ela se apoiou de leve na bancada. O movimento fez o top esticar um pouco mais. Apertei a mandíbula. —Tá calor pra isso. —Por isso. Ela sorriu de leve. E então começou. Não foi direto. Foi sutil. Ela ajeitou o cabelo. Levantando os braços. O top subiu um pouquinho. O suficiente. Depois mudou o peso de uma perna pra outra. Devagar. Marcando mais os quadris. Não era exagerado. Mas não era casual. E ela sabia. Eu sabia. E mesmo assim… Não conseguia parar de olhar. Tentava disfarçar. De verdade. Mas era inútil. Comecei a sentir meu sunga apertar. Ou não. De novo. —Vai sair de novo? —perguntou ela. —Não… —engoli em seco—. Acho que não. —Devia. —É? —É. Ela se inclinou um pouco pra frente, como se fosse pegar algo na ilha no meio da cozinha. Os peitos foram pra baixo, pela gravidade. Ajustados. Apertados naquele top minúsculo. Os mamilos marcando. Não pegou nada. Mas o gesto ficou. Claro demais. Ela me olhava com aquele sorriso malicioso. Desviei o olhar. Tarde. Senti meu corpo reagir. De novo. Mais forte. Mais duro. —Vou no banheiro —falei de repente. Rápido demais. Felizmente a bancada me escondia. Mas mesmo assim levei as mãos pro meio das pernas pra me cobrir. —De novo? —Martha levantou os olhos. —É… um instante. Não esperei resposta. Saí. Subi as escadas quase sem pensar. Mais rápido do que normal. Sentia o pulso no pescoço. Forte.

Cheguei ao banheiro e fechei a porta. Apoiei as mãos na pia. Respirando.

—Porra!…

Olhei meu reflexo. Não ajudava.

Baixei o olhar. Também não. Tinha uma grande barraca no meio das pernas. Doía. Sentia latejar.

Passei a mão pelo rosto.

Tinha que baixar aquilo. Me acalmar. Como sempre. Já era rotina.

Me preparei pra abaixar o short de banho.

Quando me deu vontade de virar pra ducha. E ali…

Vi.

Pendurada na maçaneta. Pequena. Pequena demais. Renda. Vermelha.

Uma peça íntima feminina.

Levei um choque, desde o ventre até o meio das pernas. Que fez latejar mais.

Me aproximei.

Uma fio-dental.

Fiquei parado. Um segundo. Dois. Processando.

Não estava ali por acidente. Não podia estar.

Me aproximei devagar. Como se alguém fosse aparecer a qualquer momento. Não aconteceu nada.

Peguei. Leve. Quase inexistente nas mãos. A renda macia entre os dedos. Os fios bem fininhos.

Engoli em seco. O coração batendo mais forte.

Levei um pouco mais perto. Sem pensar muito.

E então—

O cheiro.

Não forte. Não invasivo. Mas claro.

Perfume. O perfume dela. E algo mais. Mais íntimo. Mais… real.

Fechei os olhos um segundo.

Erro. Porque isso terminou de quebrar qualquer tentativa de controle. A respiração mudou. Mais pesada. Mais curta.

—Merda…

Segurei com mais força.

O corpo já não estava respondendo. Estava reagindo. Direto. Sem filtro. Sem pausa. E dessa vez…

Não tentei parar. Não pude. Não quis. Tudo era demais.

A lembrança. A imagem. O corpo dela. Como tinha se movido. Como sabia o que fazia. Como me olhava.

Tudo se misturou. Num único ponto. Mais intenso. Mais… cru.

Me apoiei contra a parede. Fechando os olhos. Me deixando levar. Sem pensar. Sem medir. Só… seguindo.

O tecido era tão pequeno que mal pesava na minha mão. Vermelho, de renda, com aqueles fios laterais que são só enfeite.

Levei ao nariz de novo. O perfume dela ainda resistia em desaparecer, misturado com aquele aroma mais profundo, mais íntimo, que eu reconheceria entre mil.
Fechei os olhos e inspirei devagar, sentindo como o ar ficava denso nos meus pulmões.

Esses dias tinham sido uma tortura. Ela com aqueles vestidos curtos, se inclinando na frente da geladeira, deixando ver a curva das coxas. No corredor, roçando em mim com aquela casualidade que eu já não achava inocente. Os peitos redondos aparecendo pelos decotes, e aquela vez que jurei ver o rosado das aréolas. E na piscina… os biquínis minúsculos, o corpo molhado brilhando sob o sol.

Há pouco, na cozinha, me deixando louco. As leggings que se colavam em cada curva, marcando a fio-dental que ela usa por baixo com uma precisão obscena. O top mal continha os peitos, e os mamilos se marcavam contra o tecido.

Tirei meu pau, já duro como nunca tinha sentido. Com a urgência de quem tá há dias se segurando. Enrolei a fio-dental em volta dele, sentindo a renda áspera contra a pele sensível, e comecei a me esfregar.

O aroma se intensificou com o calor, com a umidade da minha própria excitação.

Imaginei ela inclinada pra frente, aquela bunda redonda oferecida. Eu baixava as leggings devagar, puxava os fios vermelhos pro lado, e via ela. Sentia ela.

Comecei a me mover mais rápido. Meus dedos apertavam o tecido contra meu pau, esfregando, imaginando que era ela quem me envolvia. Pensei em empurrar forte, em ouvir a respiração dela se quebrar, em agarrar o quadril dela com força enquanto penetrava sem delicadeza. Fodia ela. Comia ela. Metia com aquela necessidade animal que vinha me consumindo dia após dia.

O ritmo ficou frenético. Minha respiração virava gemidos que rebatiam nos azulejos do banheiro. A renda vermelha subia e descia, e eu só conseguia pensar no corpo dela, nos olhos verdes me olhando de baixo, nos lábios entreabertos.

Chegou o momento em que não aguentei mais.

Um gemido rouco escapou de mim garganta enquanto sentia como todo o meu corpo se tensionava, como o prazer se concentrava num ponto até explodir.
Me acabei na thong, na minha mão, num espasmo longo e intenso que me deixou tremendo, apoiado contra a parede.

Fiquei ali um momento, com a respiração ofegante, olhando a pequena peça agora manchada.

O perfume dela já não estava mais. Só restava o meu, e a certeza de que isso não ia parar por aqui.

Fechei os olhos. Tentando acalmar minha respiração.

O tempo ficou difuso. Não sei quanto tempo passou. Só sei que não havia volta atrás.

Quando abri os olhos de novo, o ar parecia diferente. Mais pesado. Mais denso.

A respiração ainda um pouco irregular.

Olhei a thong na minha mão. Ensopada.

Fiquei parado um segundo. Pensando. Ou tentando.

Mas não havia muito o que pensar. Porque no fundo…

Eu sabia. Desde que a vi ali.

Não era casual. Não podia ser.

Levantei o olhar para o registro do chuveiro. E pendurei ela lá. Exatamente onde estava.

Sem limpar. Sem mudar nada.

Um gesto simples. Mas claro. Claro demais.

Me olhei de novo no espelho.

—O que você tá fazendo…?

Não havia resposta. Só aquela sensação. De que algo já tinha cruzado um limite. E que não ia voltar atrás.


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