A mulher misteriosa
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/A-Mysterious-Invitation-from-Behind-the-Bamboo-1401509497
Depois que a delegação de Salakanagara se dirigiu a um assentamento pesqueiro em Ujong Tanah, um dos guardas, Jaka, se viu caminhando por uma densa floresta tropical cercada de bambus imponentes. De repente, ouviu a voz de uma mulher vindo de trás dos talos de bambu. Ele parou e se virou na direção do som. Uma mulher de uma beleza deslumbrante emergiu de trás do bambu, com sua longa cabeleira negra caindo graciosamente sobre os ombros. Com um sorriso sedutor, ela o convidou a se aproximar.
"Oi, gostoso. Vem aqui."
Jaka olhou fixamente para ela, momentaneamente cativado por sua beleza. Não fazia ideia de quem ela era nem por que estava sozinha na floresta. No entanto, algo em seu olhar o impedia de desviar os olhos. A curiosidade venceu a cautela, e ele deu um passo na direção dela, sem saber que esse encontro inesperado o levaria para longe do mundo que conhecia.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Deeper-into-the-Enchanted-Forest-1401509511
Incapaz de resistir ao convite da mulher misteriosa, Jaka a segue adentrando a selva tropical. Ela caminha alguns passos à frente, virando-se de vez em quando para ele com um sorriso sedutor para garantir que ele a está seguindo. Os sons familiares da costa vão sumindo aos poucos enquanto árvores imponentes, raízes emaranhadas e bambus densos os cercam. —Aonde você está me levando? —pergunta Jaka. —A um lugar lindo —responde ela com um sorriso misterioso—. Só me segue.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/The-Hidden-Settlement-1401509526
Depois de caminhar um bom tempo, Jaka e a misteriosa mulher chegam a um assentamento escondido no fundo da floresta tropical. Jaka contempla o ambiente ao redor com espanto. Tudo parece perfeito: as casas bonitas, a paisagem exuberante e os moradores, cujos rostos e corpos são impecáveis, sem uma única imperfeição. Jaka pergunta à mulher: "Onde estamos? Chegamos a Svarga Loka?". Ela sorri e responde: "Não, gostoso. Esta é a nossa casa". Jaka continua maravilhado com a beleza extraordinária ao seu redor, sem saber que este lugar aparentemente perfeito guarda um segredo que escapa à sua compreensão.
Jaka desaparece
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Badra-and-a-Woman-of-Ujong-Tanah-1401509484
Sem saber o que Jaka está passando, o comandante Badra, o cansado primeiro oficial, entra num bordel mal iluminado em Ujong Tanah, na esperança de encontrar as mulheres bonitas que disse à princesa Indira que procurava. Ujong Tanah é um pequeno povoado pesqueiro costeiro, com casas simples de madeira e bambu, barcos de pesca de madeira amarrados na beira e a floresta tropical ao redor. O ar está impregnado do aroma da água salgada e da vegetação exuberante. Lá dentro, Badra procura com o olhar um alívio, e o encontra em Melur, uma beleza local cuja juba espessa e selvagem cai sobre os ombros e cujo denso pelo escuro nas axilas o cativa por completo. Badra se aproxima dela, segurando-a firmemente pela cintura. "Você é perfeita", murmura, enrolando os dedos nos grossos fios do cabelo dela e puxando a cabeça para trás, deixando o pescoço à mostra. "Adoro seu cabelo... e olha essas axilas. São tão grossas e selvagens. Vou aproveitar cada centímetro de você". Sem demora, Melur pega a mão de Badra e o leva a um quarto pequeno e simples. Lá dentro, ela não opõe resistência enquanto Badra a guia para o centro. Não há parede para se apoiar; o chão teria que aguentar o peso da paixão deles. Badra se posiciona atrás dela, o corpo colado às costas dela, sua antecipação evidente e seu desejo à flor da pele. —Ai! Tá doendo! —grita Melur na hora em que ele a penetra, o corpo se retesando diante da invasão repentina. O atrito é intenso e doloroso. —Relaxa —ordena Badra suavemente, a voz um grunhido baixo junto ao ouvido dela—. Só sente. Ele começa a meter, os quadris se movendo num ritmo implacável. A cada investida, os peitos dela balançam e quicam, uma visão hipnótica que só atiça ainda mais o desejo dele. Ele puxa o cabelo dela com mais força, arqueando a coluna. —Aaaah... senhor! —grita Melur, a voz falhando entre dor e prazer. Ela agarra a mão dele, os dedos entrelaçados com os de ele enquanto ele puxa o cabelo dela, agarrando-se com todas as forças. «Tá fundo demais... tá queimando!». «Você tá tão apertada», geme Badra, o hálito quente dele contra o pescoço dela. «Seu corpo é incrível. Adoro como seu cabelo se mexe... parece uma juba». «Mais forte... deuses... não para!», ela grita, o corpo tremendo enquanto ele a penetra com força implacável. O mundo lá fora desaparece, deixando só o som dos corpos deles se chocando e os gritos de Melur preenchendo o quartinho.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/One-More-Day-1401521768
Enquanto Jaka permanece em um assentamento oculto, a tripulação do Salakanagara o procura por todo Ujong Tanah. Após revistarem cada canto do assentamento sem sucesso, eles voltam para informar suas descobertas ao capitão Ragawa. Um guarda se aproxima de Ragawa e de seu primeiro oficial, o comandante Badra.
"Capitão, comandante, revistamos todo o assentamento, mas ainda não encontramos Jaka. Toda a tripulação se juntou à busca e verificamos cada canto de Ujong Tanah. Não há rastro dele."
Ragawa reflete sobre o relatório. A expedição não pode permanecer em Ujong Tanah indefinidamente. Eles precisam continuar sua viagem.
"Deem mais um dia", diz Ragawa. "Se Jaka não aparecer até amanhã, o navio zarpará sem ele. Com sorte, poderemos pegá-lo na nossa viagem de volta de Funan."
"Entendido, capitão", responde o guarda.
O segredo revelado
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/A-Feast-in-the-Hidden-Settlement-1402163265
Jaka é recebido no misterioso assentamento oculto por seus habitantes. Servem-lhe um banquete suntuoso, repleto de pratos deliciosos que não se parecem com nada que ele já tenha provado em suas viagens. A misteriosa mulher que o trouxe até ali se senta ao seu lado, envolvendo-o com um braço enquanto o incentiva a comer.
"Aproveita, gostoso", diz ela com um sorriso caloroso. "Você é nosso convidado. Esta noite não tem com o que se preocupar".
Jaka prova a comida, saboreando seus sabores exquisitos.
"A hospitalidade de vocês é extraordinária. Nunca provei nada igual".
"Então você precisa provar mais".
Ela aproxima outro prato dele, envolvendo-o com o braço.
"Há muita coisa deste lugar que você ainda tem para descobrir".
Antes que Jaka possa responder, três mulheres aparecem diante dos presentes e começam a dançar. Completamente nuas, elas se movem com graça ao ritmo da música enquanto o banquete continua ao redor. Jaka observa o espetáculo inesperado, entre o assombro e a curiosidade. A pele delas é incrivelmente macia, radiante e sem imperfeições. A misteriosa mulher nota sua reação e sorri.
—Esse é o entretenimento habitual para os convidados de vocês? —pergunta Jaka, virando-se para ela.
—Você não gostou? —responde ela com malícia, se aproximando.
—De jeito nenhum. É que eu nunca tinha visto nada igual.
—Então, talvez sua estadia aqui seja mais memorável do que você imagina —sussurra ela.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/We-Are-the-Bunian-1401758039
O banquete continua, a mesa transbordando de iguarias enquanto a música inunda o misterioso assentamento oculto. As três dançarinas nuas se movem com graça diante dos presentes, cativando Jaka com seus movimentos. Ao seu lado, a misteriosa mulher se aproxima, envolvendo seus ombros com um braço.
"Depois disso, venha dormir comigo", sussurra.
Jaka se vira para ela, avivado por sua beleza e seu sorriso sedutor. A abraça pela cintura e a encara fixamente, admirando seus traços delicados.
"Como eu poderia recusar um convite desses?", responde com um sorriso.
Então a observa com mais atenção. Algo não bate. Sua pele é incrivelmente lisa, sem uma única imperfeição, ruga ou defeito visível. Não tem sulco nasolabial, nem um sulco natural entre o nariz e o lábio superior. Suas sobrancelhas são unidas, com pelos individuais que se estendem continuamente pela ponte do nariz em vez de formar duas sobrancelhas separadas. No entanto, são seus olhos que o mantêm cativo. Ela não piscou nem uma única vez. Jaka espera, observando seu rosto. Certamente piscará em algum momento. Não pisca. Seu sorriso se desvanece lentamente. Examina seus olhos, depois sua pele de uma perfeição antinatural e os pelos individuais das sobrancelhas que se unem sobre seu nariz. A beleza que momentos antes havia despertado seu desejo agora o enche de uma crescente sensação de pavor. Afrouxa o braço que a envolvia pela cintura.
"Seu rosto...", murmura. "Por que você nunca pisca?"
A mulher sorri para ele, com o olhar fixo no dele.
"Meu rosto te assusta agora, Jaka?", pergunta em voz baixa.
Jaka olha ao redor. As três dançarinas pararam. Seus rostos têm a mesma suavidade impossível, as mesmas sobrancelhas unidas com pelos que crescem continuamente sobre a ponte do nariz e a mesma ausência de filtro. Nenhuma pisca. Os outros o observam com o mesmo olhar inabalável. Seu coração começa a bater forte.
"O que vocês são?"
A mulher se inclina mais, o rosto impecável a poucos centímetros do dele. "Somos os Bunian", sussurra.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/When-the-Illusion-Shatters-1402163026
Com um movimento rápido do braço, Jaka joga a comida que estava na frente dele na mesa, fazendo-a cair. Mas o banquete que parecia tão apetitoso momentos antes já não é o que parecia. Onde antes repousavam pratos aromáticos, agora só há folhas secas, minhocas se contorcendo e insetos rastejantes. Jaka fica paralisado, encarando fixamente as coisas repugnantes sobre a mesa. Lentamente, ele se vira para a mulher buniana que está ao seu lado. Seu rosto lindo se transformou numa máscara grotesca, com os olhos esbugalhados fixos nele sem piscar. "O que... o que você é?", gagueja Jaka. A mulher buniana inclina a cabeça, seus lábios finos se curvam num sorriso assustador. "Você arruinou nosso banquete", sussurra ela. As outras mulheres bunianas se aproximam dele, com os rostos macilentos contraídos em expressões de silenciosa ameaça. "Isso não é real!", grita Jaka, recuando da mesa. A mulher solta uma risada baixa e arrepiante. —Que parte, gostoso? O banquete? O assentamento? Ou os rostos que você achou tão lindos? Jaka encara fixamente as criaturas que o rodeiam; a verdade o envolve como um manto de escuridão. Tudo o que ele viu, tudo o que ele acreditou, foi uma mentira.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Fleeing-the-Bunian%27s-Clutches-1402163042
Jaka se vira e corre apavorado pela escuridão absoluta, com a respiração entrecortada e o coração batendo forte. Atrás dele, criaturas invisíveis estendem suas mãos ossudas saindo da escuridão, seus dedos retorcidos procurando desesperadamente seu corpo que foge. Os galhos chicoteiam seu rosto enquanto ele corre pelo mato emaranhado. Ele não ousa olhar para trás. A revelação aterrorizante no banquete destruiu toda ilusão, deixando-o com um único instinto: escapar. No entanto, a escuridão parece viva, e as mãos que o agarram continuam se aproximando. Até onde Jaka terá que correr antes de conseguir escapar das criaturas do assentamento oculto?
Jogado no futuro
Com um último esforço desesperado, Jaka atravessa o véu invisível que oculta o reino de Bunian. Ele sai cambaleando do bambuzal, ofegante, com o corpo tremendo pela experiência aterrorizante. A escuridão atrás dele se desvanece quando a ilusão sobrenatural se rompe. Mas antes que ele possa se orientar, um par de faróis ofuscantes inunda sua visão. Jaka recua, levantando um braço para proteger os olhos. Um carro para na frente dele, seus faróis iluminam o bambuzal e revelam um mundo que parece incrivelmente normal depois dos horrores dos quais ele acabou de escapar. Ele encara o veículo, desnorteado e sem fôlego. Quanto tempo se passou dentro daquele reino oculto? E o que o espera agora, à beira de um mundo que ele achava que conhecia?
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Lost-for-Eighteen-Centuries-1402163008
A maior comoção chega quando Jaka se encontra desnorteado numa rua movimentada da moderna Johor Bahru, cercado por um fluxo constante de pedestres e carros que passam em alta velocidade num mundo que ele mal reconhece. Edifícios modernos imponentes, veículos desconhecidos e o movimento incessante da vida urbana se estendem diante dos seus olhos. Nada se parece com o mundo que ele lembra. Johor Bahru se ergue sobre a terra que outrora era conhecida como Ujong Tanah, a ponta sul da península malaia que Jaka conheceu. O antigo assentamento e sua paisagem ao redor se transformaram até ficarem irreconhecíveis, soterrados sob séculos de mudanças. O lugar que ele um dia percorreu se tornou parte de uma cidade moderna e agitada. Já se passaram mais de 1800 anos desde que ele desapareceu no reino oculto de Bunian. Embora acreditasse ter escapado apenas de uma noite assustadora, dezoito séculos se dissiparam por trás do véu. Reinos surgiram e desapareceram, gerações se passaram, e a vida que ele conheceu se tornou um fragmento distante da história. No meio da multidão, Jaka se encontra completamente sozinho. As pessoas passam ao seu lado sem saber quem ele é nem de onde vem. O mundo seguiu em frente sem ele, deixando-o encalhado numa época que não tem espaço para o seu passado. Ele escapou do reino sobrenatural, mas o preço do seu retorno é devastador. Jaka encontrou o caminho de volta ao mundo humano, só para descobrir que o seu próprio tempo se perdeu para sempre.
Epílogo: Os Seres Ocultos do Mundo Malaio Em todo o mundo malaio, contaram-se histórias sobre os Orang Bunian (os Bunian), seres sobrenaturais misteriosos que, segundo se acredita, habitam uma dimensão diferente, oculta à percepção humana, mas que coexiste com o nosso mundo. Muitas vezes são descritos como seres de beleza extraordinária, que vivem em assentamentos ocultos em florestas, montanhas e paragens remotas. No entanto, sua beleza pode esconder peculiaridades inquietantes. Em alguns relatos tradicionais, sua aparência e comportamento não são totalmente humanos. Esta história explora tais peculiaridades através dos personagens Bunian: seus rostos de uma perfeição antinatural, olhos inexpressivos, sobrancelhas unidas, a ausência de sulco nasolabial e outras características estranhas que insinuam sua verdadeira natureza sob sua bela aparência. Diz-se que a fronteira entre o mundo humano e a dimensão Bunian é misteriosa e imprevisível. As pessoas podem adentrar seu reino sem perceber, às vezes encontrando-se bem-vindas em assentamentos aparentemente comuns. No entanto, o tempo não necessariamente transcorre igualmente nos dois mundos. Quem passa o que parece um breve tempo entre os Bunian pode retornar e descobrir que transcorreram anos, décadas ou até séculos no mundo humano. O destino de Jaka leva esta lenda a um extremo extraordinário. Após escapar do reino Bunian, ele se encontra em Johor Bahru, no século XXI, mais de 1800 anos após seu desaparecimento. O mundo que conheceu se desvaneceu, deixando-o preso em um futuro que jamais teria imaginado. Sejam considerados seres sobrenaturais ou figuras do folclore duradouro, os Orang Bunian continuam ocupando um lugar fascinante na imaginação do mundo malaio. Suas histórias nos lembram que a natureza selvagem pode encobrir mistérios que escapam à compreensão humana, e que cruzar para outro mundo pode ter um preço terrível. Porque talvez o maior perigo não seja se perder no reino Bunian, mas descobrir que o caminho de volta leva a um tempo que já não é o nosso.
Encontrei este relato no DeviantArt e achei tão interessante que traduzi e copiei aqui, espero que gostem. O link a seguir é para o perfil do autor original.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/A-Mysterious-Invitation-from-Behind-the-Bamboo-1401509497
Depois que a delegação de Salakanagara se dirigiu a um assentamento pesqueiro em Ujong Tanah, um dos guardas, Jaka, se viu caminhando por uma densa floresta tropical cercada de bambus imponentes. De repente, ouviu a voz de uma mulher vindo de trás dos talos de bambu. Ele parou e se virou na direção do som. Uma mulher de uma beleza deslumbrante emergiu de trás do bambu, com sua longa cabeleira negra caindo graciosamente sobre os ombros. Com um sorriso sedutor, ela o convidou a se aproximar.
"Oi, gostoso. Vem aqui."
Jaka olhou fixamente para ela, momentaneamente cativado por sua beleza. Não fazia ideia de quem ela era nem por que estava sozinha na floresta. No entanto, algo em seu olhar o impedia de desviar os olhos. A curiosidade venceu a cautela, e ele deu um passo na direção dela, sem saber que esse encontro inesperado o levaria para longe do mundo que conhecia.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Deeper-into-the-Enchanted-Forest-1401509511
Incapaz de resistir ao convite da mulher misteriosa, Jaka a segue adentrando a selva tropical. Ela caminha alguns passos à frente, virando-se de vez em quando para ele com um sorriso sedutor para garantir que ele a está seguindo. Os sons familiares da costa vão sumindo aos poucos enquanto árvores imponentes, raízes emaranhadas e bambus densos os cercam. —Aonde você está me levando? —pergunta Jaka. —A um lugar lindo —responde ela com um sorriso misterioso—. Só me segue.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/The-Hidden-Settlement-1401509526
Depois de caminhar um bom tempo, Jaka e a misteriosa mulher chegam a um assentamento escondido no fundo da floresta tropical. Jaka contempla o ambiente ao redor com espanto. Tudo parece perfeito: as casas bonitas, a paisagem exuberante e os moradores, cujos rostos e corpos são impecáveis, sem uma única imperfeição. Jaka pergunta à mulher: "Onde estamos? Chegamos a Svarga Loka?". Ela sorri e responde: "Não, gostoso. Esta é a nossa casa". Jaka continua maravilhado com a beleza extraordinária ao seu redor, sem saber que este lugar aparentemente perfeito guarda um segredo que escapa à sua compreensão.
Jaka desaparece
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Badra-and-a-Woman-of-Ujong-Tanah-1401509484
Sem saber o que Jaka está passando, o comandante Badra, o cansado primeiro oficial, entra num bordel mal iluminado em Ujong Tanah, na esperança de encontrar as mulheres bonitas que disse à princesa Indira que procurava. Ujong Tanah é um pequeno povoado pesqueiro costeiro, com casas simples de madeira e bambu, barcos de pesca de madeira amarrados na beira e a floresta tropical ao redor. O ar está impregnado do aroma da água salgada e da vegetação exuberante. Lá dentro, Badra procura com o olhar um alívio, e o encontra em Melur, uma beleza local cuja juba espessa e selvagem cai sobre os ombros e cujo denso pelo escuro nas axilas o cativa por completo. Badra se aproxima dela, segurando-a firmemente pela cintura. "Você é perfeita", murmura, enrolando os dedos nos grossos fios do cabelo dela e puxando a cabeça para trás, deixando o pescoço à mostra. "Adoro seu cabelo... e olha essas axilas. São tão grossas e selvagens. Vou aproveitar cada centímetro de você". Sem demora, Melur pega a mão de Badra e o leva a um quarto pequeno e simples. Lá dentro, ela não opõe resistência enquanto Badra a guia para o centro. Não há parede para se apoiar; o chão teria que aguentar o peso da paixão deles. Badra se posiciona atrás dela, o corpo colado às costas dela, sua antecipação evidente e seu desejo à flor da pele. —Ai! Tá doendo! —grita Melur na hora em que ele a penetra, o corpo se retesando diante da invasão repentina. O atrito é intenso e doloroso. —Relaxa —ordena Badra suavemente, a voz um grunhido baixo junto ao ouvido dela—. Só sente. Ele começa a meter, os quadris se movendo num ritmo implacável. A cada investida, os peitos dela balançam e quicam, uma visão hipnótica que só atiça ainda mais o desejo dele. Ele puxa o cabelo dela com mais força, arqueando a coluna. —Aaaah... senhor! —grita Melur, a voz falhando entre dor e prazer. Ela agarra a mão dele, os dedos entrelaçados com os de ele enquanto ele puxa o cabelo dela, agarrando-se com todas as forças. «Tá fundo demais... tá queimando!». «Você tá tão apertada», geme Badra, o hálito quente dele contra o pescoço dela. «Seu corpo é incrível. Adoro como seu cabelo se mexe... parece uma juba». «Mais forte... deuses... não para!», ela grita, o corpo tremendo enquanto ele a penetra com força implacável. O mundo lá fora desaparece, deixando só o som dos corpos deles se chocando e os gritos de Melur preenchendo o quartinho.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/One-More-Day-1401521768
Enquanto Jaka permanece em um assentamento oculto, a tripulação do Salakanagara o procura por todo Ujong Tanah. Após revistarem cada canto do assentamento sem sucesso, eles voltam para informar suas descobertas ao capitão Ragawa. Um guarda se aproxima de Ragawa e de seu primeiro oficial, o comandante Badra.
"Capitão, comandante, revistamos todo o assentamento, mas ainda não encontramos Jaka. Toda a tripulação se juntou à busca e verificamos cada canto de Ujong Tanah. Não há rastro dele."
Ragawa reflete sobre o relatório. A expedição não pode permanecer em Ujong Tanah indefinidamente. Eles precisam continuar sua viagem.
"Deem mais um dia", diz Ragawa. "Se Jaka não aparecer até amanhã, o navio zarpará sem ele. Com sorte, poderemos pegá-lo na nossa viagem de volta de Funan."
"Entendido, capitão", responde o guarda.
O segredo revelado
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/A-Feast-in-the-Hidden-Settlement-1402163265
Jaka é recebido no misterioso assentamento oculto por seus habitantes. Servem-lhe um banquete suntuoso, repleto de pratos deliciosos que não se parecem com nada que ele já tenha provado em suas viagens. A misteriosa mulher que o trouxe até ali se senta ao seu lado, envolvendo-o com um braço enquanto o incentiva a comer.
"Aproveita, gostoso", diz ela com um sorriso caloroso. "Você é nosso convidado. Esta noite não tem com o que se preocupar".
Jaka prova a comida, saboreando seus sabores exquisitos.
"A hospitalidade de vocês é extraordinária. Nunca provei nada igual".
"Então você precisa provar mais".
Ela aproxima outro prato dele, envolvendo-o com o braço.
"Há muita coisa deste lugar que você ainda tem para descobrir".
Antes que Jaka possa responder, três mulheres aparecem diante dos presentes e começam a dançar. Completamente nuas, elas se movem com graça ao ritmo da música enquanto o banquete continua ao redor. Jaka observa o espetáculo inesperado, entre o assombro e a curiosidade. A pele delas é incrivelmente macia, radiante e sem imperfeições. A misteriosa mulher nota sua reação e sorri.
—Esse é o entretenimento habitual para os convidados de vocês? —pergunta Jaka, virando-se para ela.
—Você não gostou? —responde ela com malícia, se aproximando.
—De jeito nenhum. É que eu nunca tinha visto nada igual.
—Então, talvez sua estadia aqui seja mais memorável do que você imagina —sussurra ela.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/We-Are-the-Bunian-1401758039
O banquete continua, a mesa transbordando de iguarias enquanto a música inunda o misterioso assentamento oculto. As três dançarinas nuas se movem com graça diante dos presentes, cativando Jaka com seus movimentos. Ao seu lado, a misteriosa mulher se aproxima, envolvendo seus ombros com um braço.
"Depois disso, venha dormir comigo", sussurra.
Jaka se vira para ela, avivado por sua beleza e seu sorriso sedutor. A abraça pela cintura e a encara fixamente, admirando seus traços delicados.
"Como eu poderia recusar um convite desses?", responde com um sorriso.
Então a observa com mais atenção. Algo não bate. Sua pele é incrivelmente lisa, sem uma única imperfeição, ruga ou defeito visível. Não tem sulco nasolabial, nem um sulco natural entre o nariz e o lábio superior. Suas sobrancelhas são unidas, com pelos individuais que se estendem continuamente pela ponte do nariz em vez de formar duas sobrancelhas separadas. No entanto, são seus olhos que o mantêm cativo. Ela não piscou nem uma única vez. Jaka espera, observando seu rosto. Certamente piscará em algum momento. Não pisca. Seu sorriso se desvanece lentamente. Examina seus olhos, depois sua pele de uma perfeição antinatural e os pelos individuais das sobrancelhas que se unem sobre seu nariz. A beleza que momentos antes havia despertado seu desejo agora o enche de uma crescente sensação de pavor. Afrouxa o braço que a envolvia pela cintura.
"Seu rosto...", murmura. "Por que você nunca pisca?"
A mulher sorri para ele, com o olhar fixo no dele.
"Meu rosto te assusta agora, Jaka?", pergunta em voz baixa.
Jaka olha ao redor. As três dançarinas pararam. Seus rostos têm a mesma suavidade impossível, as mesmas sobrancelhas unidas com pelos que crescem continuamente sobre a ponte do nariz e a mesma ausência de filtro. Nenhuma pisca. Os outros o observam com o mesmo olhar inabalável. Seu coração começa a bater forte.
"O que vocês são?"
A mulher se inclina mais, o rosto impecável a poucos centímetros do dele. "Somos os Bunian", sussurra.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/When-the-Illusion-Shatters-1402163026
Com um movimento rápido do braço, Jaka joga a comida que estava na frente dele na mesa, fazendo-a cair. Mas o banquete que parecia tão apetitoso momentos antes já não é o que parecia. Onde antes repousavam pratos aromáticos, agora só há folhas secas, minhocas se contorcendo e insetos rastejantes. Jaka fica paralisado, encarando fixamente as coisas repugnantes sobre a mesa. Lentamente, ele se vira para a mulher buniana que está ao seu lado. Seu rosto lindo se transformou numa máscara grotesca, com os olhos esbugalhados fixos nele sem piscar. "O que... o que você é?", gagueja Jaka. A mulher buniana inclina a cabeça, seus lábios finos se curvam num sorriso assustador. "Você arruinou nosso banquete", sussurra ela. As outras mulheres bunianas se aproximam dele, com os rostos macilentos contraídos em expressões de silenciosa ameaça. "Isso não é real!", grita Jaka, recuando da mesa. A mulher solta uma risada baixa e arrepiante. —Que parte, gostoso? O banquete? O assentamento? Ou os rostos que você achou tão lindos? Jaka encara fixamente as criaturas que o rodeiam; a verdade o envolve como um manto de escuridão. Tudo o que ele viu, tudo o que ele acreditou, foi uma mentira.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Fleeing-the-Bunian%27s-Clutches-1402163042
Jaka se vira e corre apavorado pela escuridão absoluta, com a respiração entrecortada e o coração batendo forte. Atrás dele, criaturas invisíveis estendem suas mãos ossudas saindo da escuridão, seus dedos retorcidos procurando desesperadamente seu corpo que foge. Os galhos chicoteiam seu rosto enquanto ele corre pelo mato emaranhado. Ele não ousa olhar para trás. A revelação aterrorizante no banquete destruiu toda ilusão, deixando-o com um único instinto: escapar. No entanto, a escuridão parece viva, e as mãos que o agarram continuam se aproximando. Até onde Jaka terá que correr antes de conseguir escapar das criaturas do assentamento oculto?
Jogado no futuro
Com um último esforço desesperado, Jaka atravessa o véu invisível que oculta o reino de Bunian. Ele sai cambaleando do bambuzal, ofegante, com o corpo tremendo pela experiência aterrorizante. A escuridão atrás dele se desvanece quando a ilusão sobrenatural se rompe. Mas antes que ele possa se orientar, um par de faróis ofuscantes inunda sua visão. Jaka recua, levantando um braço para proteger os olhos. Um carro para na frente dele, seus faróis iluminam o bambuzal e revelam um mundo que parece incrivelmente normal depois dos horrores dos quais ele acabou de escapar. Ele encara o veículo, desnorteado e sem fôlego. Quanto tempo se passou dentro daquele reino oculto? E o que o espera agora, à beira de um mundo que ele achava que conhecia?
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage/art/Lost-for-Eighteen-Centuries-1402163008
A maior comoção chega quando Jaka se encontra desnorteado numa rua movimentada da moderna Johor Bahru, cercado por um fluxo constante de pedestres e carros que passam em alta velocidade num mundo que ele mal reconhece. Edifícios modernos imponentes, veículos desconhecidos e o movimento incessante da vida urbana se estendem diante dos seus olhos. Nada se parece com o mundo que ele lembra. Johor Bahru se ergue sobre a terra que outrora era conhecida como Ujong Tanah, a ponta sul da península malaia que Jaka conheceu. O antigo assentamento e sua paisagem ao redor se transformaram até ficarem irreconhecíveis, soterrados sob séculos de mudanças. O lugar que ele um dia percorreu se tornou parte de uma cidade moderna e agitada. Já se passaram mais de 1800 anos desde que ele desapareceu no reino oculto de Bunian. Embora acreditasse ter escapado apenas de uma noite assustadora, dezoito séculos se dissiparam por trás do véu. Reinos surgiram e desapareceram, gerações se passaram, e a vida que ele conheceu se tornou um fragmento distante da história. No meio da multidão, Jaka se encontra completamente sozinho. As pessoas passam ao seu lado sem saber quem ele é nem de onde vem. O mundo seguiu em frente sem ele, deixando-o encalhado numa época que não tem espaço para o seu passado. Ele escapou do reino sobrenatural, mas o preço do seu retorno é devastador. Jaka encontrou o caminho de volta ao mundo humano, só para descobrir que o seu próprio tempo se perdeu para sempre.
Epílogo: Os Seres Ocultos do Mundo Malaio Em todo o mundo malaio, contaram-se histórias sobre os Orang Bunian (os Bunian), seres sobrenaturais misteriosos que, segundo se acredita, habitam uma dimensão diferente, oculta à percepção humana, mas que coexiste com o nosso mundo. Muitas vezes são descritos como seres de beleza extraordinária, que vivem em assentamentos ocultos em florestas, montanhas e paragens remotas. No entanto, sua beleza pode esconder peculiaridades inquietantes. Em alguns relatos tradicionais, sua aparência e comportamento não são totalmente humanos. Esta história explora tais peculiaridades através dos personagens Bunian: seus rostos de uma perfeição antinatural, olhos inexpressivos, sobrancelhas unidas, a ausência de sulco nasolabial e outras características estranhas que insinuam sua verdadeira natureza sob sua bela aparência. Diz-se que a fronteira entre o mundo humano e a dimensão Bunian é misteriosa e imprevisível. As pessoas podem adentrar seu reino sem perceber, às vezes encontrando-se bem-vindas em assentamentos aparentemente comuns. No entanto, o tempo não necessariamente transcorre igualmente nos dois mundos. Quem passa o que parece um breve tempo entre os Bunian pode retornar e descobrir que transcorreram anos, décadas ou até séculos no mundo humano. O destino de Jaka leva esta lenda a um extremo extraordinário. Após escapar do reino Bunian, ele se encontra em Johor Bahru, no século XXI, mais de 1800 anos após seu desaparecimento. O mundo que conheceu se desvaneceu, deixando-o preso em um futuro que jamais teria imaginado. Sejam considerados seres sobrenaturais ou figuras do folclore duradouro, os Orang Bunian continuam ocupando um lugar fascinante na imaginação do mundo malaio. Suas histórias nos lembram que a natureza selvagem pode encobrir mistérios que escapam à compreensão humana, e que cruzar para outro mundo pode ter um preço terrível. Porque talvez o maior perigo não seja se perder no reino Bunian, mas descobrir que o caminho de volta leva a um tempo que já não é o nosso.
Encontrei este relato no DeviantArt e achei tão interessante que traduzi e copiei aqui, espero que gostem. O link a seguir é para o perfil do autor original.
https://www.deviantart.com/nusantaraheritage
0 comentários - A mulher misteriosa. Conto indonésio antigo.