Eu não tinha certeza do que estava fazendo ali. O convite tinha chegado num grupo de WhatsApp da faculdade, desses em que a galera entra por inércia e depois ninguém lembra quem caralhos é quem. Eu nem conhecia os outros membros. Naquela noite eu não tinha planos, só uma melancolia densa que apertava o meu peito, então acabei indo pra essa festa à fantasia que prometia ser tão idiota quanto qualquer outra. A mamãe também estava se arrumando pra sair. Bati na porta dela com os nós dos dedos e, sem abrir, gritei que já estava indo. E agora eu estava ali, naquela casa alheia transformada num labirinto de luzes estroboscópicas, fantasias suadas e música que retumbava no esterno como um segundo coração. Ajustei pela enésima vez a máscara completa de demônio que cobria meu rosto inteiro: a pele vermelha e enrugada, os chifres pretos curvados pra trás, a boca aberta num rosnado fixo que deixava ver presas afiadas, os olhos ocos pelos quais mal se filtravam a luz das lâmpadas coloridas e do estroboscópio que piscava no andar de baixo. A máscara, pesada, de látex grosso e borracha, apertava minha cabeça como uma segunda pele que não me pertencia, e dentro dela o suor se acumulava nas têmporas e na testa, escorrendo devagar pelas bochechas até o pescoço, se misturando com o calor que subia do peito.
Lá fora garoava com aquela persistência argentina de fim de primavera que não chega a ser tempestade mas molha tudo do mesmo jeito, e o som das gotas contra os vidros das janelas altas se confundia às vezes com o baixo da música eletrônica que retumbava desde o salão principal, um pulso grave e repetido que eu sentia no esterno como se fossem badaladas distantes. Eu me sentia desconfortável no meio de toda aquela gente que ria e se roçava como se o mundo lá fora não existisse. Mas ao mesmo tempo, escondido atrás da máscara, com a certeza absoluta de que ninguém me conhecia nem me reconheceria nunca, experimentava uma liberdade que não tinha sentido antes. Era como se o demônio que eu estava vestindo me desse permissão para existir sem as amarras de sempre. E no entanto continuava incomodado, porque essa mesma máscara parecia afugentar todo mundo. Ninguém se aproximava de mim. Ninguém falava comigo. Era um demônio solitário numa festa cheia de anjos baratos e super-heróis de papelão. Mas tudo mudou quando eu a vi. Ela estava no salão, perto do bar improvisado, rodeada de três amigas que também estavam fantasiadas mas com fantasias menos caprichadas. A dela era de outro nível: um body branco justo como uma segunda pele que abraçava seu corpo, com bordas douradas que brilhavam sob as luzes e acentuavam o decote profundo. Uma capa branca curta caía dos ombros, movendo-se a cada giro de quadril e deixando ver lampejos de pele. Usava botas altas brancas que chegavam até as coxas e uma tiara dourada que lhe dava aquele ar de guerreira poderosa. Mas o que realmente a transformava era seu corpo: um rabo enorme, redondo e bem empinado que se marcava obscenamente a cada movimento, como se a fantasia tivesse sido feita sob medida para ressaltar aquela massa de carne firme e tentadora que balançava com um peso próprio. As pernas, longas e sensuais, com coxas grossas e torneadas que se flexionavam no ritmo da música, pareciam convidar o olhar e o toque. Seus seios generosos balançavam levemente dentro do decote, pesados e perfeitos, marcando o body a cada respiração. O rosto era uma mistura de beleza angelical com algo mais sombrio: traços finos, maçãs do rosto altas, lábios carmesim pintados com precisão, olhos grandes delineados com preto que lhe davam profundidade e um brilho lascivo por causa do álcool. A maquiagem a fazia parecer uma deusa saída de uma fantasia erótica mais do que de uma série infantil. O cabelo — normalmente curto, loiro, com uma risca perfeita de um lado — naquela noite estava diferente: solto, com ondas que pareciam feitas de propósito para cair sobre os ombros e sobre o decote, um pouco bagunçado pela dança.
Parei em seco no umbral da sala quando a reconheci, estupefato. Era a mamãe. Não a tinha esperado ali, definitivamente. Muito menos que a encontraria dançando daquela forma, como se a mulher de sempre, a que me preparava o chimarrão pelas manhãs na casa de Villa Urquiza, pudesse se transformar de repente naquela figura que movia os quadris com uma sensualidade que não era fingida, mas que vinha de ter bebido demais e de algo mais profundo: o despeito. Lembrei na hora que o parceiro dela a tinha traído e compreendi que por isso estava ali, bebendo além da conta, dançando como se quisesse queimar algo por dentro, se entregando ao ritmo e ao álcool como uma forma de vingança contra quem lhe tinha feito mal. Esse despeito flutuava no ar como a fumaça dos cigarros eletrônicos e o cheiro de suor e perfume barato misturado com o da chuva que entrava pelas janelas entreabertas. Fiquei um tempo observando-a da penumbra do corredor que levava à cozinha. Era linda, sim. A saia do vestido se movia, e o cabelo dela se desordenava aos poucos. Tinha um gesto de lascívia evidente. Aos trinta e seis anos, mamãe podia passar tranquilamente por uma garota de trinta. Era luxúria o que eu sentia? Já a tinha visto muitas vezes de maneira incorreta, sim, quando o vento levantava a saia dela enquanto passeávamos ou quando saía do banheiro com a toalha mal amarrada e o vapor ainda grudado na pele. O corpo sinuoso dela fazia com que cada gesto mínimo parecesse uma exposição involuntária, um convite que ela nem sequer premeditava. Mas nunca tinha pensado nela desse jeito além desses instantes fugazes em que meu olhar ficava cravado nas nádegas majestosas dela, na profundidade escura da bunda quando se inclinava para pegar algo do chão, nos seios grandes e empinados que se marcavam sob a roupa justa, e naquele rosto lindo que podia passar pelo de um anjo se não fosse por aquele corpo de diabla que parecia desenhado pro pecado. O pulso da música continuava, as luzes vermelhas e azuis varriam os rostos e as fantasias, e de repente mamãe virou a cabeça como se tivesse sentido o olhar —embora fosse impossível, a máscara não deixava ver nada— e riu com aquela risada que eu conhecia desde criança, a mesma que ela usava quando algo a surpreendia de verdade. Naquele momento soube que ia me aproximar, que ia dançar com ela, que ia fazer exatamente o que a voz dentro da máscara me dizia pra fazer. Cheguei perto, sem dizer nada. Só vou dançar com ela, pensei. Depois tiro a máscara e a gente ri da coincidência. Abri caminho entre os corpos até ficar atrás dela, perto o bastante pra que ela notasse minha presença. Mamãe se virou, me olhou de cima a baixo —parecia normal, tirando a máscara, e suponho que a escuridão fez com que ela não reconhecesse a roupa que eu estava usando, que tantas vezes ela mesma tinha lavado—, e em vez de se afastar riu de novo e me disse algo que mal consegui ouvir por causa da música. —Que fantasia mais sombria. Não disse nada. Começamos a dançar, e a dança não foi inocente nem desde o primeiro compasso. Ela tinha bebido demais, isso era evidente no jeito que se movia: os quadris que giravam mais devagar do que a música marcava, o corpo que se colava no meu sem pedir licença, o decote que roçava meu peito cada vez que ela se inclinava pra frente, a saia que subia um pouco mais a cada giro e deixava ver o começo da pele branca da coxa. Coloquei as mãos na cintura dela —aquela cintura de vespa que fazia a bunda dela parecer muito maior do que já era— e ela não as afastou; pelo contrário, cobriu-as com as suas por um segundo e depois as deixou ali, como se estivesse me dando permissão. Dançamos colados, a melodia vibrando nos ossos, o suor dos dois se misturando onde os corpos se tocavam, o cheiro dela —perfume doce, álcool, um resquício de tabaco que ela devia ter fumado lá fora com as amigas — entrando pelos buracos da máscara e enchendo minha cabeça de confusão. Ainda estava a tempo de contar a verdade pra ela. Nossos corpos tinham se esfregado de um jeito que nenhuma mãe e nenhum filho deveriam se esfregar jamais, com uma intimidade que ultrapassava qualquer limite decente, mas não era mais que isso: uma dança caliente numa festa onde todo mundo estava bêbado e fantasiado. Mesmo assim, mantive a mentira. Fiquei calado, deixando a máscara falar por mim, que o demônio continuasse ali no lugar de Rocco, o filho de dezoito anos que deveria estar em qualquer outro lugar menos grudado nas costas da própria mãe, sentindo como as nádegas redondas e firmes dela roçavam meu saco com cada movimento lento e deliberado. Num momento ela se virou e encostou as costas no meu peito, as nádegas redondas e firmes sob a saia de tecido leve roçando meu saco onde a ereção já tinha começado sem que eu percebesse, e pra minha consternação ela começou a se mover num ritmo mais lento, mais ondulante, como se a música eletrônica tivesse se transformado em algo mais antigo, num tango torto e satânico que só nós dois ouvíamos. Senti o calor do corpo dela através do tecido, o movimento dos músculos das costas dela, o cabelo loiro e ondulado roçando minha máscara onde a bochecha deveria estar, e por um segundo pensei em contar. Pensei em inclinar a cabeça e sussurrar “mãe, sou eu, sou o Rocco”, mas as palavras ficaram presas na garganta. Ela não me reconheceu. Nem a voz — porque cassino falava —, nem meu perfume — embora se prestasse atenção e não estivesse bêbada notaria —, nem o formato do meu corpo, e olha que nesse ponto eu sim me destaco sobre os caras da minha idade, bem mais corpulento, de físico marcado pela academia e pelo esporte. As amigas dela tinham sumido, como se tivessem entendido que ela precisava daquele momento de solidão com o desconhecido mascarado. Dançou comigo como se dança com um estranho que te excita numa festa onde ninguém te julga, e quanto mais a gente dançava mais ela se apertava contra mim, mais deixava que minhas mãos subissem pelos lados do vestido até roçar a parte de baixo dos peitos dela, mais permitia que uma dessas mãos descesse até a saia e ficasse ali, segurando a carne da coxa. Eu não estava bêbado, mas meu corpo se movia por instinto sobre aquele corpo de vertigem. Num momento ela riu de novo, se virou, passou os braços pelo meu pescoço e falou no meu ouvido com a voz pastosa do álcool: —Você nunca tira a máscara, né? Eu gosto. Gosto de não saber quem você é. Senti que algo se quebrava dentro de mim, algo que era ao mesmo tempo alívio e decepção, porque se ela não me reconhecia então tudo era possível, e ao mesmo tempo nada do que estava acontecendo era real. Dançamos até a música mudar e ela, sem me soltar, começou a andar pra trás, me puxando com uma mão que tinha pegado meu pulso, atravessando o salão cheio de fantasias que já não importavam, subindo a escada que rangia sob os saltos dela e sob meus sapatos pretos, entrando num corredor escuro onde a música chegava abafada e onde as luzes coloridas já não chegavam. Abriu uma porta qualquer —um quarto que alguém tinha deixado com a luz de um abajur acesa, a cama desfeita, casacos e bolsas jogados em cima, uma janela entreaberta pela qual entrava o cheiro de terra molhada—, fechou a porta com o pé e ficou me olhando através dos olhos ocos da máscara. Me perguntei se ela pretendia fazer o que eu estava imaginando, e me respondi logo que era uma pergunta idiota. A verdadeira questão era o que eu faria. Havia mil motivos pelos quais eu tinha que parar aquela loucura, desaparecer dali. Mas meu corpo não reagia. —Não tira —disse ela, e a voz já não tinha riso, só uma urgência rouca que eu nunca tinha ouvido dela—. Quero que você deixe. Colocada. O tempo todo. Não quero saber nada de você. Nem seu nome, nem sua idade. Nada. Estou farta dos homens. E então ela se ajoelhou. Se ajoelhou diante de mim como se estivesse diante de um altar escuro, o cabelo loiro e ondulado caindo para frente e roçando minhas pernas, a capa branca se estendendo no chão como um manto de sacrifício. Eu a olhei de dentro da máscara, o coração batendo na minha garganta. Era mamãe. Minha mamãe, a mulher que tinha me embalado quando criança, que fazia meu café da manhã, que ainda me tratava como um garotinho de vez em quando. E agora estava ali, de joelhos, com essa cara linda levantada para o demônio, os olhos vidrados pelo álcool e algo mais profundo, os lábios carmesim entreabertos.
Os sentimentos se remoinhavam no meu peito como uma tempestade: culpa densa que apertava o meu estômago, excitação traiçoeira que endurecia o meu pau até doer, medo de que a qualquer segundo ela reconhecesse algo —um cheiro, um gesto, um jeito de ficar em pé—, e por baixo de tudo um desejo escuro e quente que sussurrava que já era tarde, que o desfecho era inevitável. Com dedos que tremiam de leve pelo álcool ou pela excitação ou pelas duas coisas, ela baixou o zíper da calça e tirou meu pau já duro, pesado, que saltou na cara dela como se estivesse esperando esse momento desde que eu tinha entrado na casa. Mamãe olhou por um segundo —e a máscara vermelha do demônio olhava pra ela lá de cima, os chifres, a boca fixa no rosnado eterno—, e sorriu com os lábios carmesim entreabertos. —Que pau lindo você tem. À altura do seu corpo—murmurou, e a voz chegou como se viesse de muito longe, através de camadas de látex e de culpa e de desejo que já não se podiam separar. "Não, mamãe", pensei. Mas não me movi. Começou devagar, como se quisesse saborear o momento, como se o fato de eu não falar, de a máscara não ter expressão, lhe desse permissão pra fazer exatamente o que quisesse. Passou a língua por todo o comprimento, desde a base onde o pelo aparecia, subindo lento pela veia grossa que latejava sob a pele, traçando cada relevo, cada pulso, até a cabeça inchada. Deixou um rastro brilhante de saliva que reluzia sob a luz fraca do abajur. Eu senti o calor úmido dessa língua, a textura rugosa das papilas roçando a pele sensível, o jeito que ela parava bem embaixo da glande e pressionava com a ponta antes de continuar. A culpa me acertou como um soco no estômago. Era mamãe. A mesma que tinha me parido dezoito anos atrás, quando ela tinha a mesma idade que eu tenho agora. E agora estava ali, ajoelhada diante de um desconhecido com máscara de demônio, sem ter ideia de qual é a identidade dela, e ela está lambendo meu pau como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu deveria ter tirado ela de lá. Mas agora já era tarde demais. Se eu tirasse a máscara, só ia deixar ela ainda mais louca. A vergonha queimava minhas têmporas, enquanto ela continuava lambendo com aquela lentidão deliberada que parecia feita pra me enlouquecer. Beijou a ponta, os lábios macios envolvendo só a glande por um segundo, a língua saindo pra lamber a fenda onde já aparecia uma gota de presemen que ela recolheu com um som suave e molhado. Depois ela terminou de abaixar minha calça, e começou a lamber minhas bolas com a mesma lentidão, uma primeiro, depois a outra, chupando suavemente cada uma dentro da boca quente, a língua girando em volta enquanto as unhas vermelhas seguravam a base do meu pau com firmeza. Cada movimento era visível através dos olhos vazios da máscara: o cabelo loiro e ondulado caindo pra frente e roçando minhas coxas, as unhas compridas agarrando e soltando ritmicamente, os olhos da mamãe olhando pra cima, pra aquele rosto que não era um rosto, pro demônio que estava deixando ela fazer o que estava fazendo. Já não tinha mais volta. Minha mãe estava chupando meu pau como se a vida dela dependesse disso, com uma fome que não tinha nada de maternal, e não fazia sentido nenhum eu parar ela. O estrago já estava feito, a linha já tinha sido cruzada quando aceitei dançar com ela, quando deixei ela se colar em mim, quando subi as escadas sabendo exatamente pra onde a gente ia. Agora só restava se entregar: ao calor molhado da boca dela, ao som obsceno da garganta engolindo, à visão da cabeça dela subindo e descendo enquanto o demônio observava em silêncio lá de cima, sem dizer uma palavra. O calor, a umidade, a pressão da garganta quando chegou no fundo e ficou ali um segundo, engolindo em volta da cabeça, foi demais. Tive que apoiar uma mão enluvada na parede pra não cair, e com a outra eu me agarrei no batente da porta. Mamãe começou a se mover então, subindo e descendo a cabeça num ritmo que ia de lento a desesperado e voltava a lento, as bochechas encovadas quando chupava forte, a língua achatada contra a parte de baixo do pau quando saía quase todo e voltava a entrar até que os lábios roçassem as bolas. Fazia sons molhados, obscenos —slurp, gluck, o som da saliva engrossando e se quebrando em fios— que se misturavam com a música distante e com o som da chuva contra a janela. De vez em quando parava com o pau até o fundo da garganta, os olhos lacrimejando pelo esforço, o nariz contra a pelve, e me olhava como se estivesse esperando que o demônio dissesse algo, qualquer coisa. Quando eu não dizia nada —porque as palavras "mãe, sou o Rocco, para, isso não pode estar acontecendo" ficavam entaladas na minha garganta igual ao esperma que já começava a subir—, ela voltava a se mover, mais rápido, mais fundo, com uma fome que não tinha nada de fingida.
Eu via, maravilhado, como a saliva escorria pelo queixo dela e caía no chão, como se formavam fios brilhantes entre seus lábios e meu pau cada vez que saía pra tomar ar, como seus olhos se entrecerravam de prazer ou de esforço ou das duas coisas.
Isso é uma loucura, pensei enquanto ela voltava a enfiar o pau inteiro na boca, fazendo a saliva babar ainda mais e escorrer pelo queixo num fio grosso que terminou no decote do vestido. É minha mãe, pensava uma e outra vez. Está chupando meu pau como uma vadia desesperada numa festa à fantasia e eu sou filho da puta o suficiente pra deixar que ela faça isso porque a máscara me protege.
A culpa deveria me matar… e no entanto eu estava mais duro do que nunca. Que tipo de monstro eu sou? A vergonha ardia no meu rosto sob o látex, mas cada vez que ela descia até o fundo e engolia ao redor da cabeça, meu corpo respondia me traindo, empurrando um pouco pra frente, apesar de mim mesmo. O orgasmo chegou como uma onda que vinha se formando muito antes de eu sequer descobrir ela naquela festa. Veio em espasmos longos, profundos, que tensionaram meu corpo inteiro dentro da túnica e da máscara. Mamãe não se afastou: ficou com a boca aberta em volta da cabeça, engolindo cada jato, os olhos entrecerrados agora, a garganta se movendo visivelmente enquanto engolia tudo, sem derramar nem uma gota, como se estivesse esperando exatamente por aquilo. Eu sentia cada pulsação disparar porra direto na garganta dela e ela recebia, engolindo ritmicamente, os músculos do pescoço trabalhando, um som suave e satisfeito saindo pelo nariz. Quando terminei — quando os últimos espasmos sacudiram minhas pernas e a máscara embaçou por dentro com o bafo da minha própria respiração ofegante — ela continuou chupando de leve, limpando, lambendo a cabeça sensível com a língua chapada até eu ter que afastá-la com a mão porque não aguentava mais. Ela se levantou devagar, limpou o canto dos lábios com as costas da mão, ajeitou o corsé que tinha descido um pouco e o cabelo que tinha caído sobre o rosto. Olhou pra mim — pro demônio, não pro filho — e sorriu com aquele sorriso que eu já tinha visto mil vezes na cozinha da casa que a gente dividia, só que agora estava manchado de carmim e saliva e de algo que não tinha nome. — Obrigada, homem mascarado — disse, e a voz tremeu de leve, pela bebida ou por outra coisa —. Não tira a máscara. Fica assim. E saiu do quarto sem olhar pra trás, fechando a porta com cuidado, voltando pro barulho da festa como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse acabado de se ajoelhar na frente de um desconhecido de máscara completa e engolido até a última gota do que o próprio filho dela tinha dado. Eu fiquei ali, de pé, com o pau ainda pra fora, a máscara ainda no lugar, o suor frio agora sobre a pele, o coração me batendo tão forte que doía. Tirei a máscara finalmente — o látex se descolou com um som úmido, o ar frio do quarto me bateu na cara como um tapa — e me olhei no espelho que tinha sobre a cômoda, entre os casacos jogados. A cara que vi não era de um demônio. Era a cara de Rocco, de dezoito anos, o filho que tinha acabado de gozar na boca da própria mãe sem que ela soubesse. A vergonha pesava no meu peito como uma laje. A culpa era um nó que nunca se desfaria. Como eu ia voltar a olhar nos olhos dela? Como ia sentar na frente dela e fingir que tudo continuava igual quando eu sabia exatamente como era a sensação da boca dela se fechando ao redor do meu pau, como ela engolia meu esperma como se fosse a coisa mais natural do mundo? Lá fora continuava chovendo. A música continuava tocando. E em algum lugar da casa, mamãe estava rindo de novo com as amigas, contando pra elas talvez daquele cara cujo nome ela nem sabia, o mesmo que agora estava sentando na cama com a máscara nas mãos e a certeza de que algo tinha se quebrado pra sempre, algo que não tinha conserto possível.
Lá fora garoava com aquela persistência argentina de fim de primavera que não chega a ser tempestade mas molha tudo do mesmo jeito, e o som das gotas contra os vidros das janelas altas se confundia às vezes com o baixo da música eletrônica que retumbava desde o salão principal, um pulso grave e repetido que eu sentia no esterno como se fossem badaladas distantes. Eu me sentia desconfortável no meio de toda aquela gente que ria e se roçava como se o mundo lá fora não existisse. Mas ao mesmo tempo, escondido atrás da máscara, com a certeza absoluta de que ninguém me conhecia nem me reconheceria nunca, experimentava uma liberdade que não tinha sentido antes. Era como se o demônio que eu estava vestindo me desse permissão para existir sem as amarras de sempre. E no entanto continuava incomodado, porque essa mesma máscara parecia afugentar todo mundo. Ninguém se aproximava de mim. Ninguém falava comigo. Era um demônio solitário numa festa cheia de anjos baratos e super-heróis de papelão. Mas tudo mudou quando eu a vi. Ela estava no salão, perto do bar improvisado, rodeada de três amigas que também estavam fantasiadas mas com fantasias menos caprichadas. A dela era de outro nível: um body branco justo como uma segunda pele que abraçava seu corpo, com bordas douradas que brilhavam sob as luzes e acentuavam o decote profundo. Uma capa branca curta caía dos ombros, movendo-se a cada giro de quadril e deixando ver lampejos de pele. Usava botas altas brancas que chegavam até as coxas e uma tiara dourada que lhe dava aquele ar de guerreira poderosa. Mas o que realmente a transformava era seu corpo: um rabo enorme, redondo e bem empinado que se marcava obscenamente a cada movimento, como se a fantasia tivesse sido feita sob medida para ressaltar aquela massa de carne firme e tentadora que balançava com um peso próprio. As pernas, longas e sensuais, com coxas grossas e torneadas que se flexionavam no ritmo da música, pareciam convidar o olhar e o toque. Seus seios generosos balançavam levemente dentro do decote, pesados e perfeitos, marcando o body a cada respiração. O rosto era uma mistura de beleza angelical com algo mais sombrio: traços finos, maçãs do rosto altas, lábios carmesim pintados com precisão, olhos grandes delineados com preto que lhe davam profundidade e um brilho lascivo por causa do álcool. A maquiagem a fazia parecer uma deusa saída de uma fantasia erótica mais do que de uma série infantil. O cabelo — normalmente curto, loiro, com uma risca perfeita de um lado — naquela noite estava diferente: solto, com ondas que pareciam feitas de propósito para cair sobre os ombros e sobre o decote, um pouco bagunçado pela dança.
Parei em seco no umbral da sala quando a reconheci, estupefato. Era a mamãe. Não a tinha esperado ali, definitivamente. Muito menos que a encontraria dançando daquela forma, como se a mulher de sempre, a que me preparava o chimarrão pelas manhãs na casa de Villa Urquiza, pudesse se transformar de repente naquela figura que movia os quadris com uma sensualidade que não era fingida, mas que vinha de ter bebido demais e de algo mais profundo: o despeito. Lembrei na hora que o parceiro dela a tinha traído e compreendi que por isso estava ali, bebendo além da conta, dançando como se quisesse queimar algo por dentro, se entregando ao ritmo e ao álcool como uma forma de vingança contra quem lhe tinha feito mal. Esse despeito flutuava no ar como a fumaça dos cigarros eletrônicos e o cheiro de suor e perfume barato misturado com o da chuva que entrava pelas janelas entreabertas. Fiquei um tempo observando-a da penumbra do corredor que levava à cozinha. Era linda, sim. A saia do vestido se movia, e o cabelo dela se desordenava aos poucos. Tinha um gesto de lascívia evidente. Aos trinta e seis anos, mamãe podia passar tranquilamente por uma garota de trinta. Era luxúria o que eu sentia? Já a tinha visto muitas vezes de maneira incorreta, sim, quando o vento levantava a saia dela enquanto passeávamos ou quando saía do banheiro com a toalha mal amarrada e o vapor ainda grudado na pele. O corpo sinuoso dela fazia com que cada gesto mínimo parecesse uma exposição involuntária, um convite que ela nem sequer premeditava. Mas nunca tinha pensado nela desse jeito além desses instantes fugazes em que meu olhar ficava cravado nas nádegas majestosas dela, na profundidade escura da bunda quando se inclinava para pegar algo do chão, nos seios grandes e empinados que se marcavam sob a roupa justa, e naquele rosto lindo que podia passar pelo de um anjo se não fosse por aquele corpo de diabla que parecia desenhado pro pecado. O pulso da música continuava, as luzes vermelhas e azuis varriam os rostos e as fantasias, e de repente mamãe virou a cabeça como se tivesse sentido o olhar —embora fosse impossível, a máscara não deixava ver nada— e riu com aquela risada que eu conhecia desde criança, a mesma que ela usava quando algo a surpreendia de verdade. Naquele momento soube que ia me aproximar, que ia dançar com ela, que ia fazer exatamente o que a voz dentro da máscara me dizia pra fazer. Cheguei perto, sem dizer nada. Só vou dançar com ela, pensei. Depois tiro a máscara e a gente ri da coincidência. Abri caminho entre os corpos até ficar atrás dela, perto o bastante pra que ela notasse minha presença. Mamãe se virou, me olhou de cima a baixo —parecia normal, tirando a máscara, e suponho que a escuridão fez com que ela não reconhecesse a roupa que eu estava usando, que tantas vezes ela mesma tinha lavado—, e em vez de se afastar riu de novo e me disse algo que mal consegui ouvir por causa da música. —Que fantasia mais sombria. Não disse nada. Começamos a dançar, e a dança não foi inocente nem desde o primeiro compasso. Ela tinha bebido demais, isso era evidente no jeito que se movia: os quadris que giravam mais devagar do que a música marcava, o corpo que se colava no meu sem pedir licença, o decote que roçava meu peito cada vez que ela se inclinava pra frente, a saia que subia um pouco mais a cada giro e deixava ver o começo da pele branca da coxa. Coloquei as mãos na cintura dela —aquela cintura de vespa que fazia a bunda dela parecer muito maior do que já era— e ela não as afastou; pelo contrário, cobriu-as com as suas por um segundo e depois as deixou ali, como se estivesse me dando permissão. Dançamos colados, a melodia vibrando nos ossos, o suor dos dois se misturando onde os corpos se tocavam, o cheiro dela —perfume doce, álcool, um resquício de tabaco que ela devia ter fumado lá fora com as amigas — entrando pelos buracos da máscara e enchendo minha cabeça de confusão. Ainda estava a tempo de contar a verdade pra ela. Nossos corpos tinham se esfregado de um jeito que nenhuma mãe e nenhum filho deveriam se esfregar jamais, com uma intimidade que ultrapassava qualquer limite decente, mas não era mais que isso: uma dança caliente numa festa onde todo mundo estava bêbado e fantasiado. Mesmo assim, mantive a mentira. Fiquei calado, deixando a máscara falar por mim, que o demônio continuasse ali no lugar de Rocco, o filho de dezoito anos que deveria estar em qualquer outro lugar menos grudado nas costas da própria mãe, sentindo como as nádegas redondas e firmes dela roçavam meu saco com cada movimento lento e deliberado. Num momento ela se virou e encostou as costas no meu peito, as nádegas redondas e firmes sob a saia de tecido leve roçando meu saco onde a ereção já tinha começado sem que eu percebesse, e pra minha consternação ela começou a se mover num ritmo mais lento, mais ondulante, como se a música eletrônica tivesse se transformado em algo mais antigo, num tango torto e satânico que só nós dois ouvíamos. Senti o calor do corpo dela através do tecido, o movimento dos músculos das costas dela, o cabelo loiro e ondulado roçando minha máscara onde a bochecha deveria estar, e por um segundo pensei em contar. Pensei em inclinar a cabeça e sussurrar “mãe, sou eu, sou o Rocco”, mas as palavras ficaram presas na garganta. Ela não me reconheceu. Nem a voz — porque cassino falava —, nem meu perfume — embora se prestasse atenção e não estivesse bêbada notaria —, nem o formato do meu corpo, e olha que nesse ponto eu sim me destaco sobre os caras da minha idade, bem mais corpulento, de físico marcado pela academia e pelo esporte. As amigas dela tinham sumido, como se tivessem entendido que ela precisava daquele momento de solidão com o desconhecido mascarado. Dançou comigo como se dança com um estranho que te excita numa festa onde ninguém te julga, e quanto mais a gente dançava mais ela se apertava contra mim, mais deixava que minhas mãos subissem pelos lados do vestido até roçar a parte de baixo dos peitos dela, mais permitia que uma dessas mãos descesse até a saia e ficasse ali, segurando a carne da coxa. Eu não estava bêbado, mas meu corpo se movia por instinto sobre aquele corpo de vertigem. Num momento ela riu de novo, se virou, passou os braços pelo meu pescoço e falou no meu ouvido com a voz pastosa do álcool: —Você nunca tira a máscara, né? Eu gosto. Gosto de não saber quem você é. Senti que algo se quebrava dentro de mim, algo que era ao mesmo tempo alívio e decepção, porque se ela não me reconhecia então tudo era possível, e ao mesmo tempo nada do que estava acontecendo era real. Dançamos até a música mudar e ela, sem me soltar, começou a andar pra trás, me puxando com uma mão que tinha pegado meu pulso, atravessando o salão cheio de fantasias que já não importavam, subindo a escada que rangia sob os saltos dela e sob meus sapatos pretos, entrando num corredor escuro onde a música chegava abafada e onde as luzes coloridas já não chegavam. Abriu uma porta qualquer —um quarto que alguém tinha deixado com a luz de um abajur acesa, a cama desfeita, casacos e bolsas jogados em cima, uma janela entreaberta pela qual entrava o cheiro de terra molhada—, fechou a porta com o pé e ficou me olhando através dos olhos ocos da máscara. Me perguntei se ela pretendia fazer o que eu estava imaginando, e me respondi logo que era uma pergunta idiota. A verdadeira questão era o que eu faria. Havia mil motivos pelos quais eu tinha que parar aquela loucura, desaparecer dali. Mas meu corpo não reagia. —Não tira —disse ela, e a voz já não tinha riso, só uma urgência rouca que eu nunca tinha ouvido dela—. Quero que você deixe. Colocada. O tempo todo. Não quero saber nada de você. Nem seu nome, nem sua idade. Nada. Estou farta dos homens. E então ela se ajoelhou. Se ajoelhou diante de mim como se estivesse diante de um altar escuro, o cabelo loiro e ondulado caindo para frente e roçando minhas pernas, a capa branca se estendendo no chão como um manto de sacrifício. Eu a olhei de dentro da máscara, o coração batendo na minha garganta. Era mamãe. Minha mamãe, a mulher que tinha me embalado quando criança, que fazia meu café da manhã, que ainda me tratava como um garotinho de vez em quando. E agora estava ali, de joelhos, com essa cara linda levantada para o demônio, os olhos vidrados pelo álcool e algo mais profundo, os lábios carmesim entreabertos.
Os sentimentos se remoinhavam no meu peito como uma tempestade: culpa densa que apertava o meu estômago, excitação traiçoeira que endurecia o meu pau até doer, medo de que a qualquer segundo ela reconhecesse algo —um cheiro, um gesto, um jeito de ficar em pé—, e por baixo de tudo um desejo escuro e quente que sussurrava que já era tarde, que o desfecho era inevitável. Com dedos que tremiam de leve pelo álcool ou pela excitação ou pelas duas coisas, ela baixou o zíper da calça e tirou meu pau já duro, pesado, que saltou na cara dela como se estivesse esperando esse momento desde que eu tinha entrado na casa. Mamãe olhou por um segundo —e a máscara vermelha do demônio olhava pra ela lá de cima, os chifres, a boca fixa no rosnado eterno—, e sorriu com os lábios carmesim entreabertos. —Que pau lindo você tem. À altura do seu corpo—murmurou, e a voz chegou como se viesse de muito longe, através de camadas de látex e de culpa e de desejo que já não se podiam separar. "Não, mamãe", pensei. Mas não me movi. Começou devagar, como se quisesse saborear o momento, como se o fato de eu não falar, de a máscara não ter expressão, lhe desse permissão pra fazer exatamente o que quisesse. Passou a língua por todo o comprimento, desde a base onde o pelo aparecia, subindo lento pela veia grossa que latejava sob a pele, traçando cada relevo, cada pulso, até a cabeça inchada. Deixou um rastro brilhante de saliva que reluzia sob a luz fraca do abajur. Eu senti o calor úmido dessa língua, a textura rugosa das papilas roçando a pele sensível, o jeito que ela parava bem embaixo da glande e pressionava com a ponta antes de continuar. A culpa me acertou como um soco no estômago. Era mamãe. A mesma que tinha me parido dezoito anos atrás, quando ela tinha a mesma idade que eu tenho agora. E agora estava ali, ajoelhada diante de um desconhecido com máscara de demônio, sem ter ideia de qual é a identidade dela, e ela está lambendo meu pau como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu deveria ter tirado ela de lá. Mas agora já era tarde demais. Se eu tirasse a máscara, só ia deixar ela ainda mais louca. A vergonha queimava minhas têmporas, enquanto ela continuava lambendo com aquela lentidão deliberada que parecia feita pra me enlouquecer. Beijou a ponta, os lábios macios envolvendo só a glande por um segundo, a língua saindo pra lamber a fenda onde já aparecia uma gota de presemen que ela recolheu com um som suave e molhado. Depois ela terminou de abaixar minha calça, e começou a lamber minhas bolas com a mesma lentidão, uma primeiro, depois a outra, chupando suavemente cada uma dentro da boca quente, a língua girando em volta enquanto as unhas vermelhas seguravam a base do meu pau com firmeza. Cada movimento era visível através dos olhos vazios da máscara: o cabelo loiro e ondulado caindo pra frente e roçando minhas coxas, as unhas compridas agarrando e soltando ritmicamente, os olhos da mamãe olhando pra cima, pra aquele rosto que não era um rosto, pro demônio que estava deixando ela fazer o que estava fazendo. Já não tinha mais volta. Minha mãe estava chupando meu pau como se a vida dela dependesse disso, com uma fome que não tinha nada de maternal, e não fazia sentido nenhum eu parar ela. O estrago já estava feito, a linha já tinha sido cruzada quando aceitei dançar com ela, quando deixei ela se colar em mim, quando subi as escadas sabendo exatamente pra onde a gente ia. Agora só restava se entregar: ao calor molhado da boca dela, ao som obsceno da garganta engolindo, à visão da cabeça dela subindo e descendo enquanto o demônio observava em silêncio lá de cima, sem dizer uma palavra. O calor, a umidade, a pressão da garganta quando chegou no fundo e ficou ali um segundo, engolindo em volta da cabeça, foi demais. Tive que apoiar uma mão enluvada na parede pra não cair, e com a outra eu me agarrei no batente da porta. Mamãe começou a se mover então, subindo e descendo a cabeça num ritmo que ia de lento a desesperado e voltava a lento, as bochechas encovadas quando chupava forte, a língua achatada contra a parte de baixo do pau quando saía quase todo e voltava a entrar até que os lábios roçassem as bolas. Fazia sons molhados, obscenos —slurp, gluck, o som da saliva engrossando e se quebrando em fios— que se misturavam com a música distante e com o som da chuva contra a janela. De vez em quando parava com o pau até o fundo da garganta, os olhos lacrimejando pelo esforço, o nariz contra a pelve, e me olhava como se estivesse esperando que o demônio dissesse algo, qualquer coisa. Quando eu não dizia nada —porque as palavras "mãe, sou o Rocco, para, isso não pode estar acontecendo" ficavam entaladas na minha garganta igual ao esperma que já começava a subir—, ela voltava a se mover, mais rápido, mais fundo, com uma fome que não tinha nada de fingida.Eu via, maravilhado, como a saliva escorria pelo queixo dela e caía no chão, como se formavam fios brilhantes entre seus lábios e meu pau cada vez que saía pra tomar ar, como seus olhos se entrecerravam de prazer ou de esforço ou das duas coisas.
Isso é uma loucura, pensei enquanto ela voltava a enfiar o pau inteiro na boca, fazendo a saliva babar ainda mais e escorrer pelo queixo num fio grosso que terminou no decote do vestido. É minha mãe, pensava uma e outra vez. Está chupando meu pau como uma vadia desesperada numa festa à fantasia e eu sou filho da puta o suficiente pra deixar que ela faça isso porque a máscara me protege.
A culpa deveria me matar… e no entanto eu estava mais duro do que nunca. Que tipo de monstro eu sou? A vergonha ardia no meu rosto sob o látex, mas cada vez que ela descia até o fundo e engolia ao redor da cabeça, meu corpo respondia me traindo, empurrando um pouco pra frente, apesar de mim mesmo. O orgasmo chegou como uma onda que vinha se formando muito antes de eu sequer descobrir ela naquela festa. Veio em espasmos longos, profundos, que tensionaram meu corpo inteiro dentro da túnica e da máscara. Mamãe não se afastou: ficou com a boca aberta em volta da cabeça, engolindo cada jato, os olhos entrecerrados agora, a garganta se movendo visivelmente enquanto engolia tudo, sem derramar nem uma gota, como se estivesse esperando exatamente por aquilo. Eu sentia cada pulsação disparar porra direto na garganta dela e ela recebia, engolindo ritmicamente, os músculos do pescoço trabalhando, um som suave e satisfeito saindo pelo nariz. Quando terminei — quando os últimos espasmos sacudiram minhas pernas e a máscara embaçou por dentro com o bafo da minha própria respiração ofegante — ela continuou chupando de leve, limpando, lambendo a cabeça sensível com a língua chapada até eu ter que afastá-la com a mão porque não aguentava mais. Ela se levantou devagar, limpou o canto dos lábios com as costas da mão, ajeitou o corsé que tinha descido um pouco e o cabelo que tinha caído sobre o rosto. Olhou pra mim — pro demônio, não pro filho — e sorriu com aquele sorriso que eu já tinha visto mil vezes na cozinha da casa que a gente dividia, só que agora estava manchado de carmim e saliva e de algo que não tinha nome. — Obrigada, homem mascarado — disse, e a voz tremeu de leve, pela bebida ou por outra coisa —. Não tira a máscara. Fica assim. E saiu do quarto sem olhar pra trás, fechando a porta com cuidado, voltando pro barulho da festa como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse acabado de se ajoelhar na frente de um desconhecido de máscara completa e engolido até a última gota do que o próprio filho dela tinha dado. Eu fiquei ali, de pé, com o pau ainda pra fora, a máscara ainda no lugar, o suor frio agora sobre a pele, o coração me batendo tão forte que doía. Tirei a máscara finalmente — o látex se descolou com um som úmido, o ar frio do quarto me bateu na cara como um tapa — e me olhei no espelho que tinha sobre a cômoda, entre os casacos jogados. A cara que vi não era de um demônio. Era a cara de Rocco, de dezoito anos, o filho que tinha acabado de gozar na boca da própria mãe sem que ela soubesse. A vergonha pesava no meu peito como uma laje. A culpa era um nó que nunca se desfaria. Como eu ia voltar a olhar nos olhos dela? Como ia sentar na frente dela e fingir que tudo continuava igual quando eu sabia exatamente como era a sensação da boca dela se fechando ao redor do meu pau, como ela engolia meu esperma como se fosse a coisa mais natural do mundo? Lá fora continuava chovendo. A música continuava tocando. E em algum lugar da casa, mamãe estava rindo de novo com as amigas, contando pra elas talvez daquele cara cujo nome ela nem sabia, o mesmo que agora estava sentando na cama com a máscara nas mãos e a certeza de que algo tinha se quebrado pra sempre, algo que não tinha conserto possível.
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