—Querida, neta preciso te contar uma parada porque tô ficando louca —ela me disse, me olhando com aqueles olhos de confiança que me faziam sentir como a pior pessoa do mundo. —O que aconteceu, Lili? Você tá me assustando —respondi, tentando não deixar minhas mãos tremerem enquanto contava as notas. —É meu pai… tá super estranho. Minha mãe ligou pra ele ontem toda preocupada porque disse que ele nem dá mais bola pra ela quando vai pra casa, que fica o tempo todo no celular e sorrindo feito idiota. E eu tenho visto ele aqui, tá de um humor ótimo, mas de repente se perde no ar —Lili se inclinou pra mim, baixando a voz—. Caro, você não viu se meu pai tem uma amante? Senti o sangue descer pros pés. O silêncio na loja de tintas virou eterno. —Uma amante? Ai, Lili, acho que não. Seu pai fica aqui enfiado com os peões o dia todo —falei, sentindo o suor frio descendo pelas costas enquanto lembrava que, fazia só duas horas, esse mesmo pai me tinha contra a parede do estoque e com o pau dentro da minha buceta ajeitando meu útero. —Sei lá, amiga. É que até o cheiro dele tá diferente. Outro dia que abracei ele, tava com um perfume de mulher que não é o da minha mãe. Ela tá certa de que ele anda com alguém, diz que um homem de 48 anos não fica assim do nada se não for por causa de uma mulher —Lili me pegou pelo braço, procurando meu olhar—. Você que tá aqui o dia todo, fica de olho, né? Se ver que entra alguma cliente muito frequente ou se ele sai muito com fornecedores. Me ajuda a descobrir quem é essa tipa que tá lavando a cabeça dele, pra dar um basta antes que ela destrua minha família. Eu sentia que o letreiro de "a tipa" brilhava na minha testa. Ver minha melhor amiga tão angustiada, me pedindo ajuda pra investigar a mulher que literalmente estava dormindo com o pai dela naquela mesma sala, me deu um choque de realidade duríssimo. —Claro, Lili… se eu ver algo estranho, eu te aviso —consegui dizer com a boca seca. Naquele momento escutei o motor da caminhonete do Sergio estacionando fora. O coração me deu um pulo. Ele entrou com seu porte autoconfiante, e ao nos ver juntas, sorriu. —Que milagre, filha! O que vocês tanto sussurram aí? —perguntou ele, se aproximando para dar um beijo na testa de cada uma. Quando me beijou, seus olhos ficaram um segundo a mais do que o normal, com aquela cumplicidade quente que sempre tínhamos. Mas eu não consegui sustentar o olhar dele. Pela primeira vez, o peso do que estávamos fazendo me atingiu em cheio: não era só sexo, era uma traição que já estava começando a fazer barulho na casa dele. Assim que Sergio ficou sozinho no escritório, entrei quase batendo a porta, com os nervos à flor da pele. Ele estava tirando a camisa, pronto pra conversar um pouco como sempre, mas eu o parei de imediato. —Sergio, para! Temos que conversar sério —falei num sussurro desesperado—. A Lili acabou de me perguntar se eu sei quem é sua amante. Disse que a mãe dela está preocupada, que te acha estranho, que você cheira a perfume de mulher… Estão a um passo de nos descobrir! Sergio ficou congelado por um momento, com a camisa meio tirada, deixando ver aquele peito peludo que eu tanto gostava. Mas, diferente de outras vezes, não riu. Sentou-se na cadeira, suspirou e passou a mão pelo rosto. —Eu já sabia que isso ia acontecer, Caro. Mas não vou parar de te ver, nem pense nisso —disse com aquela voz de comando que me desarmava—. O que vamos fazer é esfriar as coisas lá fora. Vou ser o marido perfeito por umas duas semanas pra elas se calarem. E assim ele fez. Sergio começou a aplicar uma hipocrisia que me deixava gelada. Na frente da Lili, ligava pra esposa pra dizer que a amava, mandava flores pra casa e até se gabava de que no domingo ia levá-la pra jantar num lugar caro. Ver ele agir assim, tão cínico, me dava uma mistura de raiva e uma excitação distorcida e ciúmes de que ele fosse de outra mulher. Mas o mais louco era que, quanto melhor ele se comportava com a esposa, mais fome ele tinha de mim no escritório. —Olha, magrinha —me disse numa terça, depois de desligar pra sua mulher com um "te amo, gorda" que me deu nojo—. Já cumpri com a cota de marido. Agora vem cá. Ele me puxou pra ele atrás da escrivaninha. Apesar do medo, assim que senti as mãos dele levantando minha saia, esqueci a moral. Sergio não parou com os encontros; pelo contrário, parecia que o risco da esposa e da Lili estarem vigiando deixava ele ainda mais duro.
Outro dia, enquanto ele mandava mensagem pra mulher dizendo que ia chegar tarde por causa do inventário, ele me fez chupá-lo ali mesmo. Eu via o celular dele vibrar com mensagens de amor da esposa, enquanto minha boca estava cheia com o pau dele e suas bolas grandes roçando no meu rosto. Sergio me puxava pelo cabelo com força, fechando os olhos e curtindo aquela vida dupla. —Você é o meu vício, Caro… —ele me dizia depois de gozar na minha boca, enquanto ajeitava a calça pra ir pra casa jantar com a família como se fosse um santo—. Amanhã você chega cedo, que temos que revisar mais notas fiscais. A situação era uma bomba-relógio. Ele fingia ser o marido ideal, mas na loja de tintas, toda vez que a cortina descia, continuava me devorando com a mesma fúria de sempre, como se cada encontro fosse o último antes de tudo explodir. Ele saía totalmente vazio de porra e eu saía com a boca ou a buceta cheia do sêmen dele. A tensão ficou insuportável numa tarde de quarta-feira. Sergio tinha acabado de dar uma corrente de ouro pra esposa e, pra comemorar, ela decidiu aparecer de surpresa na loja de tintas com um bolo. Eu estava no escritório com ele, de costas pra porta, enquanto Sergio me segurava pela cintura, me dando uns beijos daqueles que te deixam sem ar. De repente, ouvimos o barulho de salto alto de uma mulher e a voz animada de Lili lá fora: —Surpresa, pai! Olha quem veio! Sergio me soltou como se eu estivesse queimando. Me empurrou pro arquivo enquanto ele se sentava na cadeira e abria uma pasta qualquer. Quando a esposa entrou, radiante e agradecida, me deu um abraço e disse: —Ai, Caro, obrigada por cuidar tanto do meu marido, dá pra ver que o trabalho o tem deixado exausto. Senti o chão se abrir. Vê-la ali, tão gente boa, enquanto eu ainda sentia o gosto de Sergio nos meus lábios, quebrou algo dentro de mim. Desde aquele dia, algo mudou em mim. Mesmo estando apaixonada até o último fio de cabelo por aquele homem, o medo e a culpa começaram a me consumir viva. —Não dá mais, Sergio. Isso vai terminar mal —eu dizia toda vez que ele tentava me encurralar no depósito. Mas ele continuava me beijando. Por dias tentei me afastar, mas era difícil. Às vezes, quando ficávamos sozinhos e ele me olhava com aqueles olhos de fome, me agarrava com força e dizia que sentia minha falta, eu caía nos braços dele de novo. A gente terminava no chão do escritório, em encontros rápidos e desesperados onde ele me possuía com uma fúria que me fazia esquecer minhas promessas. Mas depois, ao ver a Lili entrar na manhã seguinte, o nó no meu estômago voltava mais forte. Meus nervos estavam destruídos. Perdi peso, não dormia e qualquer barulho na cortina de metal me fazia pular. Já o Sergio continuava com o jogo duplo dele, sendo o marido perfeito em casa e o amante insaciável comigo, mas eu já não aguentava mais. Uma manhã, antes dos peões chegarem, coloquei meu envelope na mesa dele. —Estou pedindo demissão, Sergio —falei, com a voz trêmula mas firme—. Não consigo mais olhar a Lili nos olhos. Não consigo mais ser a outra no escritório da sua filha. Ele se levantou, veio até mim com aquela figura imponente de 1,85 e tentou acariciar meu rosto, mas eu me esquivei. —Não vai embora, gostosa. Preciso de você aqui… —me pediu com uma voz que quase me fez fraquejar. —Vou embora porque te amo, mas amo mais a mim mesma. Arranja outra pra te ajudar com as notas, porque eu não aguento mais esse segredo. Fechei a porta do escritório pela última vez, deixando pra trás o cheiro de tinta, os grunhidos do Sergio e a melhor, mas mais dolorosa, história da minha vida. Aquele pedido de demissão da loja de tintas foi o passo mais difícil, mas logo percebi que largar o trabalho era uma coisa e largar o Sergio era outra bem diferente. Ele não aceitou um não como resposta tão facilmente. Com seu porte e aquela segurança de homem que sempre consegue o que quer, começou a me procurar fora do horário do escritório. —Só mais uma vez, gostosa. Uma despedida de verdade —ele me dizia ao telefone com aquela voz rouca que fazia minhas pernas fraquejarem. E Eu, mesmo já não trabalhando lá, continuava apaixonada. Então, por um tempo, os encontros continuaram em motéis discretos nos arredores da cidade. Lá, longe dos olhares da Lili e das latas de tinta, o Sergio se soltava completamente. Ele me procurava com uma insistência quase desesperada, como se soubesse que estava me perdendo. Ele me fazia o amor com uma intensidade que deixava meu corpo marcado por dias, me lembrando a cada investida dos centímetros dele pelos quais eu tinha me tornado tão viciada. Vê-lo ali, banhado de suor, com os pelos escuros grudados no peito e aquele olhar de "você é minha", me fazia duvidar da minha decisão. Mas a magia se quebrava assim que ele checava o relógio pra ir jantar com a família. Aos poucos, comecei a tomar forças. A distância me ajudou a ver as coisas com mais clareza. O Sergio era muito insistente; me mandava mensagens em horas impróprias, dizia que o escritório ficava vazio sem mim e que ninguém fazia os "boquetes" como eu. Mas já não era suficiente. Comecei a parar de responder às ligações. No começo doía na alma, mas depois sentia um alívio imenso. A última vez que o vi, ele tentou me convencer a voltar pro hotel, mas dessa vez queria me dar pelo cu, se aproximando com aquele cheiro de loção cara e masculinidade que sempre tinha me dominado. —Agora não, Sergio, até gostaria e adoraria que você me desse por trás, mas não pode ser— eu disse, me afastando do abraço dele —. Não quero mais ser o segredo que você esconde quando chega em casa. Ele me olhou com uma mistura de raiva e tristeza, disse que deixaria a mulher por mim, mas eu recusei, mesmo com meu coração acelerando ao ouvi-lo dizer isso, mas não vacilei, e ele, ao me ver tão decidida, ajustou o cinto e subiu na caminhonete sem dizer mais nada. Foi a última vez que senti o calor das mãos dele. Deixei de ser a funcionária apaixonada e a amante das tardes de escritório pra voltar a ser eu mesma. Levei comigo as lembranças do corpo dele, dos gemidos dele e daquele pau que me fez ver estrelas, mas também levei a paz de saber que, finalmente, não precisava mais abaixar o olhar diante de ninguém. Já faz um ano desde a última vez que senti o peso do Sergio sobre mim. Às vezes, quando ando pela região e passo perto do lugar, o cheiro de solvente me atinge e me leva de volta àquele escritório. Mas minhas pernas não tremem mais. Agora trabalho numa agência de design. Minhas mãos não estão mais manchadas de tinta, mas de caneta e projetos novos. Conheci caras da minha idade, divertidos e leves, mas mentiria se dissesse que não comparo. Às vezes, no silêncio do meu quarto, lembro da firmeza das mãos dele e daquela sensação de plenitude quando ele me possuía com a segurança de um homem que sabe exatamente o que faz. Guardo esses momentos como um segredo que me fez mulher, mas já não me machuca. Aprendi que não mereço ser o ratinho de ninguém entre faturas e mentiras. Mas faz só uma semana, o destino me pregou uma peça pesada. Estava saindo de um café quando vi a caminhonete dele estacionada. O coração disparou, mas dessa vez não foi de medo, e sim de uma curiosidade estranha. E lá estava ele, descendo da caminhonete com a mesma presença imponente de sempre. Ele me viu. Ficou petrificado no meio da calçada. Os olhos dele percorreram meu corpo, parando no meu rosto. Estava tão bonito quanto antes, com a camisa impecável e aquele pelo escuro aparecendo no colo, mas notei algo diferente: parecia cansado. —Caro… —sussurrou meu nome com aquela voz rouca que antes me dominava. —Oi, Sergio —respondi com uma calma que nem eu sabia que tinha. Ele se aproximou alguns passos, invadindo meu espaço com aquele cheiro de loção cara e tabaco. Notei como as mãos dele tremeram um pouco. —Você está… incrível, magrela. A Lili me disse que você está muito bem. O escritório é um cemitério sem você. Ninguém conseguiu… você sabe —baixou a voz, com aquela cumplicidade de sempre, procurando nos meus olhos uma brecha pra voltar a entrar e me fazer dele. Olhei fixamente pra ele. Por um segundo, lembrei do calor do corpo suado dele e da A força das investidas dele, e senti um eco desse desejo na minha buceta. Mas aí lembrei do rosto da Lili e das mentiras pra esposa dele. —Fico feliz em te ver bem, Sergio. Diz pra Lili que mando um abraço — falei, dando um sorriso leve. Virei as costas e continuei andando. Senti o olhar dele cravado nas minhas costas, pesado e faminto, como se quisesse me parar e me levar pra um hotel ali mesmo pra me lembrar quem mandava. Mas dessa vez não aconteceu mais nada.
Outro dia, enquanto ele mandava mensagem pra mulher dizendo que ia chegar tarde por causa do inventário, ele me fez chupá-lo ali mesmo. Eu via o celular dele vibrar com mensagens de amor da esposa, enquanto minha boca estava cheia com o pau dele e suas bolas grandes roçando no meu rosto. Sergio me puxava pelo cabelo com força, fechando os olhos e curtindo aquela vida dupla. —Você é o meu vício, Caro… —ele me dizia depois de gozar na minha boca, enquanto ajeitava a calça pra ir pra casa jantar com a família como se fosse um santo—. Amanhã você chega cedo, que temos que revisar mais notas fiscais. A situação era uma bomba-relógio. Ele fingia ser o marido ideal, mas na loja de tintas, toda vez que a cortina descia, continuava me devorando com a mesma fúria de sempre, como se cada encontro fosse o último antes de tudo explodir. Ele saía totalmente vazio de porra e eu saía com a boca ou a buceta cheia do sêmen dele. A tensão ficou insuportável numa tarde de quarta-feira. Sergio tinha acabado de dar uma corrente de ouro pra esposa e, pra comemorar, ela decidiu aparecer de surpresa na loja de tintas com um bolo. Eu estava no escritório com ele, de costas pra porta, enquanto Sergio me segurava pela cintura, me dando uns beijos daqueles que te deixam sem ar. De repente, ouvimos o barulho de salto alto de uma mulher e a voz animada de Lili lá fora: —Surpresa, pai! Olha quem veio! Sergio me soltou como se eu estivesse queimando. Me empurrou pro arquivo enquanto ele se sentava na cadeira e abria uma pasta qualquer. Quando a esposa entrou, radiante e agradecida, me deu um abraço e disse: —Ai, Caro, obrigada por cuidar tanto do meu marido, dá pra ver que o trabalho o tem deixado exausto. Senti o chão se abrir. Vê-la ali, tão gente boa, enquanto eu ainda sentia o gosto de Sergio nos meus lábios, quebrou algo dentro de mim. Desde aquele dia, algo mudou em mim. Mesmo estando apaixonada até o último fio de cabelo por aquele homem, o medo e a culpa começaram a me consumir viva. —Não dá mais, Sergio. Isso vai terminar mal —eu dizia toda vez que ele tentava me encurralar no depósito. Mas ele continuava me beijando. Por dias tentei me afastar, mas era difícil. Às vezes, quando ficávamos sozinhos e ele me olhava com aqueles olhos de fome, me agarrava com força e dizia que sentia minha falta, eu caía nos braços dele de novo. A gente terminava no chão do escritório, em encontros rápidos e desesperados onde ele me possuía com uma fúria que me fazia esquecer minhas promessas. Mas depois, ao ver a Lili entrar na manhã seguinte, o nó no meu estômago voltava mais forte. Meus nervos estavam destruídos. Perdi peso, não dormia e qualquer barulho na cortina de metal me fazia pular. Já o Sergio continuava com o jogo duplo dele, sendo o marido perfeito em casa e o amante insaciável comigo, mas eu já não aguentava mais. Uma manhã, antes dos peões chegarem, coloquei meu envelope na mesa dele. —Estou pedindo demissão, Sergio —falei, com a voz trêmula mas firme—. Não consigo mais olhar a Lili nos olhos. Não consigo mais ser a outra no escritório da sua filha. Ele se levantou, veio até mim com aquela figura imponente de 1,85 e tentou acariciar meu rosto, mas eu me esquivei. —Não vai embora, gostosa. Preciso de você aqui… —me pediu com uma voz que quase me fez fraquejar. —Vou embora porque te amo, mas amo mais a mim mesma. Arranja outra pra te ajudar com as notas, porque eu não aguento mais esse segredo. Fechei a porta do escritório pela última vez, deixando pra trás o cheiro de tinta, os grunhidos do Sergio e a melhor, mas mais dolorosa, história da minha vida. Aquele pedido de demissão da loja de tintas foi o passo mais difícil, mas logo percebi que largar o trabalho era uma coisa e largar o Sergio era outra bem diferente. Ele não aceitou um não como resposta tão facilmente. Com seu porte e aquela segurança de homem que sempre consegue o que quer, começou a me procurar fora do horário do escritório. —Só mais uma vez, gostosa. Uma despedida de verdade —ele me dizia ao telefone com aquela voz rouca que fazia minhas pernas fraquejarem. E Eu, mesmo já não trabalhando lá, continuava apaixonada. Então, por um tempo, os encontros continuaram em motéis discretos nos arredores da cidade. Lá, longe dos olhares da Lili e das latas de tinta, o Sergio se soltava completamente. Ele me procurava com uma insistência quase desesperada, como se soubesse que estava me perdendo. Ele me fazia o amor com uma intensidade que deixava meu corpo marcado por dias, me lembrando a cada investida dos centímetros dele pelos quais eu tinha me tornado tão viciada. Vê-lo ali, banhado de suor, com os pelos escuros grudados no peito e aquele olhar de "você é minha", me fazia duvidar da minha decisão. Mas a magia se quebrava assim que ele checava o relógio pra ir jantar com a família. Aos poucos, comecei a tomar forças. A distância me ajudou a ver as coisas com mais clareza. O Sergio era muito insistente; me mandava mensagens em horas impróprias, dizia que o escritório ficava vazio sem mim e que ninguém fazia os "boquetes" como eu. Mas já não era suficiente. Comecei a parar de responder às ligações. No começo doía na alma, mas depois sentia um alívio imenso. A última vez que o vi, ele tentou me convencer a voltar pro hotel, mas dessa vez queria me dar pelo cu, se aproximando com aquele cheiro de loção cara e masculinidade que sempre tinha me dominado. —Agora não, Sergio, até gostaria e adoraria que você me desse por trás, mas não pode ser— eu disse, me afastando do abraço dele —. Não quero mais ser o segredo que você esconde quando chega em casa. Ele me olhou com uma mistura de raiva e tristeza, disse que deixaria a mulher por mim, mas eu recusei, mesmo com meu coração acelerando ao ouvi-lo dizer isso, mas não vacilei, e ele, ao me ver tão decidida, ajustou o cinto e subiu na caminhonete sem dizer mais nada. Foi a última vez que senti o calor das mãos dele. Deixei de ser a funcionária apaixonada e a amante das tardes de escritório pra voltar a ser eu mesma. Levei comigo as lembranças do corpo dele, dos gemidos dele e daquele pau que me fez ver estrelas, mas também levei a paz de saber que, finalmente, não precisava mais abaixar o olhar diante de ninguém. Já faz um ano desde a última vez que senti o peso do Sergio sobre mim. Às vezes, quando ando pela região e passo perto do lugar, o cheiro de solvente me atinge e me leva de volta àquele escritório. Mas minhas pernas não tremem mais. Agora trabalho numa agência de design. Minhas mãos não estão mais manchadas de tinta, mas de caneta e projetos novos. Conheci caras da minha idade, divertidos e leves, mas mentiria se dissesse que não comparo. Às vezes, no silêncio do meu quarto, lembro da firmeza das mãos dele e daquela sensação de plenitude quando ele me possuía com a segurança de um homem que sabe exatamente o que faz. Guardo esses momentos como um segredo que me fez mulher, mas já não me machuca. Aprendi que não mereço ser o ratinho de ninguém entre faturas e mentiras. Mas faz só uma semana, o destino me pregou uma peça pesada. Estava saindo de um café quando vi a caminhonete dele estacionada. O coração disparou, mas dessa vez não foi de medo, e sim de uma curiosidade estranha. E lá estava ele, descendo da caminhonete com a mesma presença imponente de sempre. Ele me viu. Ficou petrificado no meio da calçada. Os olhos dele percorreram meu corpo, parando no meu rosto. Estava tão bonito quanto antes, com a camisa impecável e aquele pelo escuro aparecendo no colo, mas notei algo diferente: parecia cansado. —Caro… —sussurrou meu nome com aquela voz rouca que antes me dominava. —Oi, Sergio —respondi com uma calma que nem eu sabia que tinha. Ele se aproximou alguns passos, invadindo meu espaço com aquele cheiro de loção cara e tabaco. Notei como as mãos dele tremeram um pouco. —Você está… incrível, magrela. A Lili me disse que você está muito bem. O escritório é um cemitério sem você. Ninguém conseguiu… você sabe —baixou a voz, com aquela cumplicidade de sempre, procurando nos meus olhos uma brecha pra voltar a entrar e me fazer dele. Olhei fixamente pra ele. Por um segundo, lembrei do calor do corpo suado dele e da A força das investidas dele, e senti um eco desse desejo na minha buceta. Mas aí lembrei do rosto da Lili e das mentiras pra esposa dele. —Fico feliz em te ver bem, Sergio. Diz pra Lili que mando um abraço — falei, dando um sorriso leve. Virei as costas e continuei andando. Senti o olhar dele cravado nas minhas costas, pesado e faminto, como se quisesse me parar e me levar pra um hotel ali mesmo pra me lembrar quem mandava. Mas dessa vez não aconteceu mais nada.
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