Angela, esposa canadense em Paris, entrega doações em Saint-Denis e esbarra em John, um senegalês mais velho de olhar voraz. O que começa como uma conversa amigável se transforma em um encontro brutal em um armazém. Até onde vai a submissão dela? O abrigo de imigrantes cheirava a desinfetante barato e roupa fervida. Angela cruzou a soleira com uma caixa de roupas doadas apertada contra o peito, seus cachos loiros presos em um rabo de cavalo desleixado que deixava escapar mechas sobre as têmporas. Tinha sido ideia do marido, que ela levasse as coisas ao centro comunitário de Saint-Denis enquanto ele viajava a negócios. Uma tarefa de dona de casa, nada mais. O saguão era estreito, com paredes de um verde institucional que descascava junto aos rodapés. Um cartaz escrito em vários idiomas anunciava horários de refeições e consultas médicas. Angela deixou a caixa sobre uma mesa de plástico e se preparou para sair, mas um som a deteve: uma risada profunda, gutural, que reverberou desde o corredor esquerdo como um baixo contínuo. Ela espiou. Um homem mais velho estava sentado em um banco de madeira, com as pernas abertas e os cotovelos apoiados nos joelhos. Sua pele era da cor de mogno polido sob a luz fluorescente do corredor. Usava uma camisa de algodão desabotoada até o peito, e o tecido se esticava sobre ombros largos que a idade não tinha reduzido. Tinha o rosto sulcado por rugas profundas, mas seus olhos escuros brilhavam com uma vivacidade quase escandalosa para alguém da sua idade. Estava conversando com duas mulheres mais jovens que riam com a mão sobre a boca. Angela ficou parada. Não sabia por quê. O homem levantou o olhar e a encontrou entre as frestas da porta. Um sorriso lento se espalhou por seu rosto, mostrando dentes brancos e uma confiança que parecia algo físico, algo que ocupava espaço na sala. — Procurando alguém, mocinha? — sua voz tinha um acento francês tingido de wolof, grave e com um toque de diversão. — Não, eu só... trouxe roupa. Doações —Angela apontou para o saguão com um gesto desajeitado. Seu pescoço ficou rosado. O homem se levantou. Era alto, mais do que Angela tinha calculado. Aproximou-se com um andar pausado, de quem conhece o peso do próprio corpo e não tem pressa de demonstrar. —John —estendeu uma mão enorme, de dedos longos e unhas cuidadas—. Todo mundo me chama assim. Mais fácil. —Angela —ela apertou a mão dele. A palma dele era quente e áspera, com calos na base dos dedos. O contato durou três segundos a mais do que o necessário. Ela retirou a mão e esfregou na coxa, como se tivesse ficado algo grudado. John a olhou de cima a baixo sem disfarçar. Seus olhos pararam por um instante na curva dos quadris dela sob a calça jeans, no jeito que a blusa de algodão se colava ao peito. Não disse nada, mas o canto da boca se curvou. —Roupa. Muito gentil. Mas aqui o que mais precisamos é de companhia —apontou o banco—. Sente-se um momento. Você está cansada de andar. Angela hesitou. Olhou para a porta de saída e depois de novo para ele. Algo no jeito que ele a olhava, sem piscar, com aquela segurança de quem já viveu o suficiente para não pedir permissão, a fez caminhar até o banco. Sentou-se deixando um espaço prudente entre eles. John se sentou ao lado dela e fechou a distância. Sua coxa roçou a dela através do tecido. Angela se retesou mas não se afastou. Ele cheirava a sabonete de lavanda e algo mais escuro, a madeira e suor limpo. —Canadense? —perguntou ele. —Sim. De Toronto. —Toronto. Faz frio lá. Aqui faz frio também, mas de outro jeito —riu, e a vibração da voz dele viajou pelo banco até as pernas de Angela. A conversa continuou. John falou de Dakar, da mulher morta havia oito anos, dos filhos que se espalharam por três continentes. Angela escutou com a cabeça levemente inclinada, respondendo com frases curtas e educadas. Mas seu corpo falava outro idioma: inclinou-se para ele sem perceber, cruzou as pernas na direção da coxa dele, mordeu o lábio inferior quando ele se inclinou para se aproximar. John notou. Claro que notou. Sua mão esquerda pousou sobre o joelho de Angela. Não foi um acidente nem um gesto tímido. Foi uma afirmação. Os dedos se fecharam sobre o tecido da calça jeans e apertaram. —Você está tremendo —observou ele com voz baixa. —Não estou... —Angela engoliu em seco. Estava sim. Um tremor fino percorria suas coxas, e um calor desconfortável se concentrava em seu ventre. John se inclinou mais. Sua boca ficou a centímetros da orelha dela. Seu hálito quente roçou o lóbulo. —Ninguém está olhando, senhorita Angela. E você gostaria que ele te tocasse. Eu sei porque passei quarenta anos lendo as mulheres, e você tem escrito no pescoço que quer que alguém te foda. A palavra cruzou o ar como um chicote. Angela fechou os olhos. Sua respiração acelerou. Entre as pernas, uma umidade crescente encharcava sua calcinha. Não disse sim. Não disse não. Ficou imóvel, com as pálpebras apertadas e os lábios entreabertos. A mão de John subiu desde o joelho. Percorreu a parte interna da coxa com lentidão, arrastando o tecido. Seus dedos grossos encontraram a costura do gancho e pressionaram. Angela abafou um som gutural com a mão sobre a boca. —Aqui não —murmurou ela, sem se mover para detê-lo. John sorriu. Levantou-se e ofereceu a mão. —Venha. Guiou-a pelo corredor até uma porta que dava para um almoxarifado sem janelas. Prateleiras de metal enferrujado se alinhavam contra as paredes, cheias de cobertores dobrados e caixas de papelão. O cheiro de poeira e tecido velho se misturava com o de lavanda da pele dela. John fechou a porta com um clique metálico. Não houve mais conversa. Ele a empurrou contra a parede, uma mão no ombro dela e a outra na cintura. Sua boca desceu sobre a dela com uma urgência que não havia anunciado. Beijou-a com fome, abrindo seus lábios com os dele, enfiando a língua fundo, lambendo o interior da Sua boca como se estivesse provando. Angela soltou um gemido abafado que ele engoliu. Suas mãos encontraram os botões da blusa dela e os abriram de dois em dois, sem delicadeza. Os dedos ásperos se fecharam sobre os peitos dela, beliscando os mamilos por cima do sutiã de renda. —Peitos gostosos —disse contra o pescoço dela, e baixou as alças. O sutiã caiu. Seus peitos ficaram expostos, com os mamilos endurecidos e rosados sob a luz da lâmpada fluorescente que piscava. John se inclinou e pegou um na boca, chupando com força enquanto sua mão amassava o outro. Angela arqueou as costas e enterrou os dedos no cabelo grisalho dele. Ele baixou o jeans dela de um puxão. A calcinha ficou enrolada nas coxas, encharcada. John olhou pra ela por um momento, com os olhos semicerrados e a respiração pesada. —Molhadinha a puta americana —a voz dele era um rosnado—. Quanto tempo faz que ninguém te toca assim? Angela não respondeu. Não conseguia. As mãos dele abriram as coxas dela e dois dedos afundaram na buceta dela sem preâmbulo. Estavam grossos e quentes, e se moveram dentro dela num ritmo brutal, curvando pra cima até encontrar o ponto que a fez gemer. —Aí está —John a observava de baixo, de joelhos, a cara morena a centímetros da virilha dela—. A puta dona de casa tem uma buceta apertada. Baixou a boca. Sua língua larga e molhada traçou uma linha da entrada da vagina até o clitóris. Angela soluçou. Ele lambeu com movimentos amplos e lentos, depois rápidos e precisos, alternando até as pernas dela tremerem sem controle. Os dedos continuavam dentro, bombando, enquanto sua língua trabalhava o clitóris inchado. Angela gozou com um gemido longo e quebrado. Seus músculos internos se apertaram em volta dos dedos dele, e seus quadris se moveram sozinhos, buscando mais. John não parou. Continuou lambendo até ela empurrar a cabeça dele com as mãos, soluçando. Ele se levantou. Desabotoou a calça com calma, observando-a. Seu pau emergiu, grosso e escura, com veias marcadas que pulsavam sob a pele. A cabeça era grande e úmida. —Agora você vai chupar —disse. Empurrou os ombros de Angela para baixo. Ela caiu de joelhos no chão de concreto. A ponta do pau dele roçou seus lábios e ela abriu a boca. Entrou devagar primeiro, esticando o canto da boca, enchendo-a com o gosto salgado e quente da pele dele. Depois John agarrou a melena loira dela com as duas mãos e empurrou mais fundo. O pau bateu no fundo da garganta e Angela abafou um som. A saliva escorreu pelo queixo. —Isso, vadia. Engole tudo. Fodeu a boca dela com estocadas longas e constantes. Angela agarrou os quadris dele para não perder o equilíbrio. As lágrimas corriam pelas bochechas, mas ela não se afastou. Quando ele a levantou pelos braços e a virou contra a parede, ela se apoiou com as mãos e abriu as pernas sem que ele pedisse. John se posicionou atrás. A ponta do pau dele pressionou a entrada da buceta dela, escorregando pela umidade. Depois entrou de uma vez. Angela gritou. O som ecoou pelas paredes do galpão. Ele a agarrou pelos quadris e a fodeu com força, cada golpe fazendo os peitos dela balançarem e a bunda tremer contra o púbis dele. —Buceta de vadia, delícia —rosnou John entre dentes—. Vou gozar dentro de você. Acelerou. As estocadas ficaram mais curtas e profundas. Angela gozou de novo, com um espasmo que percorreu todo o corpo. Ele a agarrou pelo cabelo e puxou para trás, arqueando as costas dela, e se esvaziou dentro dela com um rugido surdo. O gozo quente encheu seu interior e escorreu pelas coxas quando ele se retirou. Ficaram parados um instante. A respiração dos dois era o único som no galpão. John deu um tapa na bunda dela e fechou o zíper da calça. —Volta amanhã com mais roupa —disse, e piscou pra ela. Angela se vestiu com as mãos tremendo. Não disse nada. Saiu do abrigo com as coxas molhadas e o coração disparado, e caminhou até o carro sob a luz cinzenta da Tarde parisiense.
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